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Full text of "Diccionario bibliographico brazileiro pelo doutor Augusto Victorino Alves Sacramento Blake .."

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DICCIONARIO 



BIBLIOUBÂFHIGO BBÂZILEIRO 



PELO DOUTOR 



ángusto 'Bicioruto áfpes Sacnimenio MÁ 



Natural da Bahia 



PRIMEmo VOLUME 



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RIO DE JANEIRO 

TYPOGRAPHIA NACIONAL 

1883 



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A SUA MAGESTADE IMPERIAL 



O SENHOR DOM PEDRO II 



Quem com mais direito á offerta deste livro, do que Aquelle que 
ao titulo de Chefe Supremo da Nação reúne o do mais desvelado Pro- 
tector das lettras ? 

É pois a Vossa Magestade Imperial que dedico este trabalho, 
convicto de que, na altura em que se acha coUocado, não recusal-o-ha, 
assim como o Oceano, que 

" .... na grã carreira, ás ondas grato 
" Tributo de caudaes rios acceita, 

** Soberbo não rejeita 
" Pobre feudo de incógnito regato. „ 



Augusto Victorino Alves Sacramento Blake, 



:- 9 



Mais um livro aspirando um pequeno espaço na biblio- 
theca braziliense, mas votado talvez ao pó do esquecimento 
e á condemnação, quasi infallivel, que paira sobre todos os 
! • livros de autor brazileiro ; e tanto mais devo esperar que 
l seja esta a sua sorte, quanto — sou o primeiro a confessal-o— 

elle está bem longe de ser o que seu titulo promette . 

Entretanto só Deus sabe as decepções, as contrariedades 
de toda espécie, com que teve de lutar seu autor para o apre- 
sentar tal qual sabe . 

— E porque não mediste assaz tuas forças antes de aven- 
turar- te á empresa ? — perguntar- me-ha o leitor. 

Medi-as tanto, que ainda nutro a convicção de que um 
trabalho deste género um homem só, por muito grande ca- 
bedal de illustração que possua, não pôde cabalmente des- 
empenhar ; e portanto naò poderia eu esperar leval-o a 
effeito, sem a cultura intellectual precisa, sem outros titulos, 
para isto indispensáveis . 

Mas, além de que, como já tive occasião de declarai -o, 
eu precisava de uma distracção séria, acurada, quando metti 
mãos á empresa, nutria a firme convicção de que — tratando 



VI 

de um livro, onde se registrassem as obras de tantos 
brazileiros desde os tempos coloniaes até hoje, muitos dos 
quaes deixaram obras do mais alto valor sem que, entre- 
tanto, sejam seus nomes conhecidos ; onde se pozessem em 
relevo os méritos litterarios de tantos brazileiros, distinctos 
nos diversos ramos dos conhecimentos humanos — nenhum 
brazileiro, que preze as lettras, deixaria de contribuir com seu 
obulo, com os esclarecimentos relativos a si, ou a outros pa- 
trícios, para um commettimento que, si dá a quem o toma 
a gloria do trabalho, dá também ao paiz a gloria de perpe- 
tuar-se a memoria de tantas illustraçoes, já cabidas, ou que 
vão tombando na valia obscura do esquecimento, e aos estu- 
diosos a conveniência de acharem n^um só livro o que, a custo, 
só poderão encontrar esparso. 

E foi ahi que enganei-me . 

De corporações scientificas, a cada um de cujos membros 
me dirigi, uma só resposta não tive ! 

De homens considerados como esforçados athletas das 
lettras pátrias, porque seus nomes figuram em todas as asso- 
ciações litterarias, ou á frente de diversoso pusculos contendo, 
ora um discurso sobre qualquer assumpto, ora uma edição 
refundida de cousa já sabida sobre qualquer ponto scientifico, 
nem pude obter uma dessas noticias, que me dariam de 
momento, si o quizessem ! 

Homens, em summa, que vi pressurosos pedindo apon- 
tamentos para o importante diccionario de Innocencio, — e 
alguém até a quem me acostumara a olhar quasi como pa- 
rente — nenhum auxilio me prestaram ! 



VII 

Não deveria talvez dizel-o ; mas digo-o, porque o dezar 
não reflecte sobre o paiz. Reflecte, sim — com bastante 
mágoa o confesso — sobre o autor da obra, em quem não 
suppunham mérito. 

Deveria quebrar a penna. Mas o trabalho estava ence- 
tado ; precisava de assumpto que me occupasse seriamente o 
espirito, e sobretudo não sei que sentimento de mim se 
apoderou . . . Foi um capricho, uma loucura talvez . 

E então prosegui . 

Já se me tem apontado como causa dessa recusa um sen- 
timento de modéstia. Como ? Ha quebra de modéstia na de- 
claração, toda particular, do logar e data do nascimento, dos 
estudos feitos, do emprego que se exerce e das obras, pu- 
blicadas ou inéditas, que se tem escripto, para uma noticia 
que vae ser redigida e assignada por outro ? Não se fere a 
modéstia publicando um livro, e se fere deixando que se dê 
noticia do livro ? 

Não será menos modesto publicar uma obra assignando-a, 
e dando após a assignatura, como fazem muitos, uma enume- 
ração de todas as commissões, ás vezes ephemeras, ou em- 
pregos que foram exercidos ; de todas as associações, ás vezes 
extinctas, a que se tem pertencido ; de condecorações, ás vezes 
compradas, e de titulos iguaes ? 

Como se pôde conciliar esse afan, de que tanta gente por 
ahi alardeia pelas lettras, com esse procedimento que acabo 
de revelar ? 






VIII 

o trabalho, que dou agora á publicidade, repito-o, é 
um trabalho incompleto, deficientissimo, mormente no que 
é concernente ao século actual, ou ao tempo decorrido de 
nossa independência litteraria. Apresentando tão limitado 
numero de escriptores das épocas còloniaes, em relação a 
estas, é elle mais completo. Parece um absurdo ; e entre- 
tanto é a verdade . 

« Procurae nos séculos XVI e XVII — escreveu uma das 
mais robustas intelligencias que possue o Brazil, o doutor 
Sylvio Roméro, tratando da poesia popular no Brazil — ma- 
nifestações serias da intelligencia colonial, e as não achareis. 
A totalidade da população, sem saber, sem grandezas, sem 
glorias, nem sequer estava nesse período de barbara fecundi- 
dade, em que os povos intelligentes amalgamam os elementos 
de suas vastas epopéas ... Os pobres vassallos da coroa por- 
tugueza não tinham tradições ; eram como um fragmento do 
pobre edifício da metrópole, atirado em um novo mundo, 
onde cahiu aos pedaços e perdeu a memoria do logar em 
que servia . » 

Nem ha negal-o. 

Que homens nos mandava Portugal para o Brazil, sinao 
miseros degredados, analphabetos, homens enervados no 
vicio e tirados das ultimas camadas da sociedade, ou auda- 
ciosos aventureiros, ávidos de fortuna, e alguns governadores 
ou capitães-generaes, em geral estúpidos, e só tendo mere- 
chnento por carunchosos titules de nobreza ? 

Que fontes de instrucção encontravam os braâleiros em 
sua pátria a não serem as aulas dos coUegios dos jesuitas, que. 



IX 

como é sabido, instruiama mocidade, preparando-a ao 
mesmo tempo a seu serviço, a seus particulares interesses ? 

Os jesuitas entregavam-se á catechese dos nossos sertões 
para melhor illudirem os incautos e pobres de espirito em 
sua obra monumental, que consistia em enthesourar riquezas 
e constituirem-se dominadores de todo mundo catholico. 

Uma prova do que aventuro é que, mesmo no tempo 
da escraptdão dos brazileiros, estes chegaram a revoltar-se 
contra os jesuitas manifestamente, como fizeram a 1 7 de 
julho de 1661 os habitantes da cidade de Belém, que os 
prenderam — a todos — para envial-os a Portugal, sendo o 
próprio António Vieira um dos presos. 

As mais altas questões sociaes e politicas eram tratadas e re- 
solvidas em segredo no i recônditos concilioi de Loyola. Jesuitas 
sinceros houve poucos; os Anchietas foram raros. E houve na 
companhia homens, que pela nobreza de seus sentimentos 
despiram a roupeta, como o padre Euzebio de Mattos, que 
António Vieira considerava um dos ornamentos da com- 
panhia. 

Desculpem os leitores a pequena digressão, e continuemos 
as considerações, que faziamos. 

Si a metrópole não offerecia aos brazileiros, nos tempos 
primitivos, fontes em que bebessem instrucção ; si no 
banquete do funccionalismo publico não havia talheres para os 
nascidos no Brazil ; si até lhes era vedado possuir for tuna . • . 
e portanto não podiam elles possuir cabedaes, com que 



mandassem seus filhos a Coimbra estudar, é claro que 
não podiam os brazileiros naquelles séculos cultivar as lettras. 

No século passado pouco modificaram -se as cousas em 
beneficio dos filhos do paiz. 

Os conventos de diversas ordens religiosas abriram aulas 
para a mocidade estudiosa ; outras aulas de humanidades 
appareceram nas capitães das capitanias ; alguns jovens, des- 
cendentes de portuguezes e mesmo de nacionaes, poderam ir 
á Portugal e ahi fizeram cursos académicos . Mas, si não era 
permittido ao Brazil possuir um prelo, e nem se consentia 
que houvesse associações litterarias ; si era vedada em 
summa a transmissão pela palavra do estudo que cada um 
fizesse, ou dos conhecimentos que adquirisse, com quantas 
e quão grandes dificuldades não lutava o brazileiro, já ins- 
truido, para dar á publicidade qualquer obra ? 

Taes dificuldades não consistiam só nas despezas maiores, 
e em ter em Portugal um encarregado da impressão da 
obra, que muitas vezes era extraviada antes de vir á luz. 
Era preciso fazel-a passar incólume pelos cadinhos do 
desembargo do paço e do nunca assaz execrando santo officio, 
dessa horda odiosa e amaldiçoada de homens que tanto aba- 
teram e ultrajaram a religião de Christo. 

Sabe-se que antes da familia real passar-se para o Brazil, 
apenas uma typographia aqui se inaugurou, no meiado do 
século passado, por iniciativa de uma sociedade lltteraria, a 
dos selectos, instituída por consentimento e sob os auspí- 
cios do governador Conde de Bobadella, a quem esta socie- 
dade tecera tantos encómios, que — parece — fora cila 



instituída só paraelogial-o. Essa typographia deu a lume apenas 
uns opúsculos, noticiando a entrada do bispo dom frei An- 
tonio do Desterro no Rio de Janeiro, e publicando os ap- 
plausos ao mesmo bispo e diversas poesias a elle feitas ; e 
clandestinamente as duas obras : Exame de Artilheiros e 
Exame de Bombeiros, com a declaração de serem impressas 
— esta em Madrid em 1 748 e aquella em Lisboa em 1744, 
apezar de terem ellas as respectivas licenças do santo officio e 
do ordinário do paço, porque era conhecido o perigo que 
corria quem escrevesse no Brazil e o proprietário da oíiicina, 
António Izidoro da Fonseca, 

E apenas constou ao governo portuguez a existência 
delia, foi logo mandada abolir e queimar para nio propagar 
ideias que podessem ser contrarias aos interesses do Estado!! 

E permitta-se-me aqui um parenthesis. 

Foi talvez para não propagar ideias, que podessem ser 
contrarias aos interesses do Estado, que por carta régia de 
3o de agosto de i766 se mandou fechar todas as lojas de 
ourives, estabelecidas no Brazil, sequestrar-lhes os instru- 
mentos, assentar praça no exercito os officiaes de ourive- 
saria que fossem solteiros, prohibir em summa o exercido 
desta arte, castigando os contraventores com as penas de 
moedeiros falsos ! ! . . . 

Foi talvez para não propagar ideias, que podessem ser 
contrarias aos interesses do Estado, que por alvará de 5 de 
janeiro de 1785 se mandou, sob gravissimas penas, que 



XII 

foâsem fechadas no Brazil todas as fabricas, manufacturas e 
theares de ouro, prata, seda, linho, lã ou algodão, exce- 
ptuando-se somente a fazenda grossa de algodão para uso 
dos negros, Índios e famílias pobres ! ! . . . 

Foi talvez para não propagar ideias, que podessem ser 
contrarias aos interesses do Estado, que por essa mesma 
época o magnânimo e sábio governo da metrópole prohibiu 
a venda de navios do commercio para qualquer dos portos do 
Brazil!!... 

Foi, em ultima analyse, para não propagar ideias que 
podessem ser contrarias aos interesses do Estado, que tão 
benévolo e paternal governo ordenou por lei que todo vassallo 
da coroa que viesse a possuir mais de uma fortuna mediana, 
fosse enviado para Portugal ! ! . . . 

Oh! não é possível se acabrunhar mais um povo! Não 
pôde haver uma oppressão mais iniqua ! 

Com effeito, durante o longo período, em que o Brazil gemeu 
sob o dominio de Portugal, só rigores lhe dispensava a metró- 
pole. Por qualquer das faces das capitanias de nosso vasto 
território, a que lancemos as vistas, só a imagem lúgubre e 
esquálida da desolação é o que enxergamos. Benefícios 
tendentes ás instituições brazileiras, e as mais indispensáveis 
reformas não se apontam. Portugal só queria do Brazil o ouro, 
as riquezas naturaes ** ; e entretanto, como disse o finado 

* No antigo districto diamantino tiraTa-so para a fazenda real 4 a 5 mil oitatas 
do diamante por anno — Do 1700 a 1820 dou a província de Minas 35.647 arrobas do ouro. 
Consta mais dos registros as quantidades de ouro fornecidas pelo Brazil : 

Matto Grosso de 1720 a 1820 fornecen 3.107 @ 
Goyaz de 1790 a 1800 » 9.713 » 

S. Paulo de 1600 a 1820 > 1.650 » 

Metal das 4 Provineiai 83.116 > 



XIII 



Pereira de Alencastre — a metrópole de nada soube aprovei- 
tar-se, porque na hora em que teve de dar contas ao mundo 
do deposito, que a Providencia lhe houvera confiado, estava 
mais pobre do que a sua tutelada. 



« 9k 



Só com a presença da familia real no Brazil, em 1808, foi 
permittida uma typographia á cidade do Rio de Janeiro, onde 
se publicou a primeira folha que tivemos, a Ga{eta do Rio de 
Jane.ro^ que sahia duas vezes por semana em meia folha de 
papel commum, dobrado em quarto, folha de propriedade 
dos empregados da secretaria de estrangeiros, contendo só 
despachos, ordens do governo e noticias de Portugal, ameni- 
zada com a commemoracao dos anniversarios natalicios da 
familia real e das festas da corte, odes e panegyricos ás reaes 
pessoas. 

Foi nesta época que despontou, como que a furto, medroso, 
o sol da independência litteraria no horisonte brazileiro. Luzir 
no firmamento da pátria, só depois de nossa independência 
politica lhe foi per mit tido. 

Depois desta typographia, por muitas instancias do bene- 
mérito Conde dos Arcos, governador e capitão general da 
Bahia, foi concedida outra a essa província por carta régia 
de 5 de fevereiro de 1811, na qual se publicou a Idade de 
ouro^ folha igual á Gazeia, Mas a nascente imprensa marchou 
com tão fortes peias, que em 1 82 1 apenas contava o Brazil 
oito jornaes, sendo no Rio de Janeiro a Gaveta já mencionada, 
o Conciliador, o Amigo do povo e do rei; na Bahia a Idade de 



xrv 

ouro, o Diário constitucional e o Semanário civico; c em 
Pernambuco a Segarrega e a Aurora pernambucana. Nenhum 
delles era propriamente instructivo. 

Quanto ás associações de lettras, o- paternal governo 
da metrópole teve sempre o cuidado de cortar-lhes os voos. 

A academia brazileira dos esquecidos, fundada no Rio de 
Janeiro em 1724 ou 1725, desappareceu por motivos ainda 
mysteriosos, naturalmente para não propagar ideias que 
podessem ser contrarias aos interesses do Estado, depois de 
algumas sessões, sendo a ultima a 4 de fevereiro desse 
anno. 

A academia dos felizes, fundada em 1736 sob as vistas do 
governador, em seu palácio, hoje paço imperial, só composta 
de trinta membros, ainda menos tempo viveu, restando na 
bibliotheca nacional algumas ^emorias, interessantes pelo 
assumpto, mas de tal modo desconnexas e desordenadas, 
que mais parecem os primeiros traços e simples bosquejos de 
um trabalho que ainda tinha de coordenar-se, do que um 
trabalho completo. 

A esta seguiu -se a academia dos selectos, a que já nos 
referimos, que foi fundada e celebrou uma única sessão a 3o 
de janeiro de 1752, também no palácio do governador, com o 
único fim de tecer a este elogios em prosa e em verso. 

A academia dos renascidos, fundada na Bahia a 6 de junho 
de 1759, pela necessidade, dizem seus estatutos, « de erigir 
um padrão da alegria que sentiram os habitantes da Bahia com 
a noticia do perfeito restabelecimento de S. M. Fidelissima 
depois de perigosa enfermidade, e de seu aífecto á real 



XV 

pessoa », celebrou algumas sessões, sendo a ultima a i6 de 
abril do anno seguinte, e marcando-se previamente o ponto 
que deveria ser discutido em cada reunião, quando de repente, 
por ordem do governo, foi agarrado seu director, o velho 
conselheiro José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de 
Mello, accusado de inconfidente e sepultado nos cárceres de 
uma fortaleza, onde permaneceu longos annos, já considerado 
morto por sua familia, sendo o verdadeiro e único crime do 
ancião venerando, do magistrado integerrimo, ser desvelado 
cultor das lettras, e querer afujentar as trevas da ignorância 
no Brazil!! 

Propunha-se esta associação a escrever a historia universal 
da America portugueza. 

Nesta academia foram lidas diversas obras por seus asso- 
ciados ; tudo porém sumiu-se com a dispersão destes, con- 
secutiva á prisão do velho director. 

Só nos resta a noticia de duas de taes obras, que são : 
Historia militar do Brazil d:sde 1547 até 1752 por José 
Miralles, tenente-coronel do regimento de caçadores da cidade 
de S. Salvador, académico da academia brazilica dos renas- 
cidos, manuscripta ; e Culto métrico, tributo obsequioso que 
ás aras da Sacratíssima Pureza de Maria Santíssima, Senhora 
Nossa e Mãe de Deus, dedica, offerece e consagra José Pires 
de Carvalho e Albuquerque. 

O que acabo de referir, com relação á academia dos 
renascidos principalmente, mostra a toda evidencia a má 



XVI 

vontade do governo portuguez no que diz respeito á diflusSo 
das luzes no Brazil. Seu horror aos progressos íntellectuaes da 
triste tutelada é bem manifesto. Entretanto estes factos não 
extinguiram ainda o espirito de associações scientificas ; a 
tendência dos brazileiros para as lettras permanecia . 

Fundou -se depois disto a academia scientifica do Rio 
de Janeiro, cuja primeira reunião teve logar a 18 de fevereiro 
de 1772 no palácio do vice-rei, Marquez do Lavradio, por 
iniciativa do doutor José Henriques de Paiva, seu medico, com 
o fim de se tratar do desenvolvimento das sciencias naturaes, 
da medicina e da agricultura . Foi presidente desta associação 
o mesmo doutor Henriques de Paiva, e secretario Luiz Borges 
Salgado ; e apezar de tão restrictos serem seus fins, e de fazer 
conhecidas na Europa plantas do Brazil, contribuindo para o 
cultivo do cacau, do anil, da cochonilha e de outros pro- 
duetos, morreu, como suas irmãs, aos maus olhados da me- 
trópole. 

Finalmente e já nos fins do século XVIII o illustrado mi- 
neiro Manoel Ignacio da Silva Alvarenga, tendo a felicidade 
de merecer a estima do governador do Rio de Janeiro Luiz de 
Vasconcellos, que — honra lhe seja feita — sabia reconhecer e 
dar valor ao mento onde elle estivesse, e demonstrou desejos 
de ver no Brazil florescerem as lettras, Alvarenga, associando- 
se a seu conterrâneo José Basilio da Gama, o festejado cantor 
do Uruguay, que acabava de chegar de Portugal, obteve a 
instituição de uma sociedade litteraria, moldada pela Arcádia 
• de Roma, á qual chegaram a agrupar-se brilhantes intelligen- 
cias, que então floresciam na terra do Cruzeiro. Mas, quanto 



XVII 

lutaram os associados e que fim teve essa associação, logo que 
constou em Portugal sua existência ! 

Sendo Luiz de Vasconcellos substituído no governo pelo 
famigerado Conde de Rezende, um dos mais ferozes infan- 
ticidas das lettras brazileiras, ordenou que fosse dissolvida 
a academia e presos os que delia faziam parte ! ! E o pobre 
Alvarenga gemeu dous annos nos cárceres da ilha das Cobras, 
sem se lhe formar culpa, porque para ella não havia base 
alguma, tendo por seu severo juiz o desembargador por- 
tuguez António Diniz da Cruz e Silva, o epigrammatico 
autor do Hyssope, também poeta e litterato ! E quando, 
depois de dous annos, obteve a liberdade, foi para viver alque- 
brado de todas as forças, quer physicas, quer moraes. 

Foi o ultimo tentamen para a independência das lettras 
brazileiras até á vinda ao Brazil da real família de Bra- 
gança. 

Mas... quando me propunha apenas a dar os porquês de 
meu livro, eis-me tratando da litteratura brazileira, ou antes dos 
desastrosos e mal succedidos tentamens dos brazileiros para 
terem uma litteratura sua antes de ser^m nação independente. 
Não tenho em vistas estudar aqui o desenvolvimento que 
têm tido as lettras no Brazil, e que só se effectuou depois da 
imdepend^ncia ; e quando o tivesse, desistiria da empresa, 
porque para uma introducção, cousa que de ordinário pouca 
gente lê, já vai esta por certo longa, não tendo entretanto dito 
tudo quanto ainda preciso dizer. 






xvm 

Bem que propriamente bibliographico seja meu livro, en- 
tendi que não podia deixar de dar algumas noticias biogra- 
phicas relativamente a cada um escriptor, de que me occupo, 
guardando nesta parte uma certa concisão, porque, de outra 
sorte, teria de dar á empresa uma amplidão, que não se coa- 
duna com a natureza delia. 

Neste intuito ainda vi-me em apuros muitas vezes por nada 
ter podido obter, nem ao menos a respeito da naturalidade 
do escriptor, que conhecia apenas pela obra que escrevera ; 
outras vezes, ainda que raras, ao contrario colhi tantos, tão 
importantes factos da vida do escriptor, e todos estes factos 
tão sympathicos, que, não cabendo nas raias deste trabalho 
enuncial-os todos, vi-me embaraçado na escolha daquelles 
a que devia restringir-me . Foi isto o que aconteceu-me ao 
occupar-me do chefe de esquadra Miguel de Souza Mello e 
Alvim, fallecidoem 1866, do almirante Visconde de Inhaúma, 
fallecido em 1869, e de alguns outros. 

Prevejo que serei accusado de omittir neste livro escri- 
ptores que de direito devem figurar nelle, e obras de escriptores 
de quem faço menção. Para ser absolvido dessa culpa 

m 

bastar-me-ha o que fica exposto no principio destas desor- 
denadas linhas . Sou o primeiro a reconhecer que ha aqui 
omissões, e ainda as haveria, si não se dessem as circumstan- 
cias expostas . 

Que obra se apresentará no género desta, isenta comple- 
tamente de taes omissões ? 

Não ha quem não teça elogios, que em minha opinião 
nunca serão exagerados, ao abbade Barboza Machado e a 



XIX 

Innocencio da Silva, os dous escriptores, que na língua por- 
tugueza mais desenvolvidamente se occuparam de assumpto 
igual ; não ha quem desconheça os serviços que prestaram 
ás lettras portuguezas, o primeiro com sua Bibliotheca lusi- 
tana, e o segundo com seu Diccionano bibliographko. Entre- 
tanto este aponta a cada passo omissões daquelle ; e quando 
assim procede, apresenta em supplemento ao primeiro vo- 
lume de sua obra, o qual só abrange as lettras A e B, um 
volume, abrangendo as mesmas lettras, apenas . 

Metade pelo menos deste supplemento é de obras que não 
foram mencionadas opportunamente . 

Tome-se um catalogo de uma livraria qualquer, mesmo 
do império, por exemplo o da bibliotheca municipal do Rio 
de Janeiro, e logo nas primeiras paginas encontram-se au- 
tores i^tuguezes, que escreveram em Portugal, e que Inno- 
cencio da Silva nao conhecia. Para o demonstrar citaria 
muitos nomes, como : frei Clemente de S . José, autor do 
Ceremonial reformado segundo o rito romano e sei^afico para 
uso dos religiosos da reformada provinda de Sanio António 
de Vortugal, Lisboa, i^63; e dom João de Nossa Senhora da 
Porta Siqueira, autor dos Incêndios de amor ou elevações e 
transportes Salma na presença real de Jesus Christo e de suas 
veneráveis imagens. Vorto^ HQ^- 

E como estas omittiu ainda muitas obras publicadas em 
sua pátria, em solemnidades, e em seus dias, como o Elogio 
fúnebre de s. m. o senhor D. Tedro^ recitado na real capella 
da Lapa do Torto no dia 24 de setembro de 1842 por António 
Alves Martins^ ele. Torto, 1842, in*8 . ^ 



XXII 

Todas as obras portanto, cujos autores só se declaram por 
seus appellidos, visto como na classificação dos autores 
adoptei por systema o nome próprio, porque este systema 
pareceu- me preferivel, ou pelas lettras iniciaes do nome, 
que não pude dezifrcar. 

Entre as que me pareceu que devia excluir estão algumas 
de autores conhecidos : são, por exemplo, as theses inau- 
guraes, de que só faço menção quando seu autor tem pu- 
blicado qualquer outro escripto ; os relatórios ou exposições 
apresentados ein época determinada pela lei no exercício de 
cargos, como de ministro de estado, de presidente de pro- 
vinda, director de companhia, etc, quando nada mais ha de 
seu autor ; os estatutos de associações, confrarias, e collegios 
de educação e outros trabalhos semelhantes. 

Entendi também que podia dispensar-me de declarar a 
typographia em que se fez a impressão da obra, não só 
para resumir mais a matéria, como porque ninguém procura 
um livro pela officina em que foi impresso ; mas pelo autor, 
pelo titulo, e pelo logar e anno em que foi editado, si ha 
mais de uma edição . Só em casos excepcionaes, como o de 
se terem feito duas edições no mesmo anno e no mesmo logar, 
faço menção da typographia . 

No supplemento, que pretendo dar, serão preen- 
chidas lacunas ou faltas, devidas a diversas circum- 
stancias. 

E, pondo termo a estas observações, declaro que não me 
dirijo a esses que me recusaram o auxilio, que com toda 
cortezia lhes pedi, sem o menor capoco darem . A esses -^ 



xxni 

que'serão provavelmente os mais inexoráveis censores que 
hei de encontrar. . . não devo explicações. 

Façam melhor, si o quizerem ; e poderão fazel-o, porque 
necessariamente lhes ha de aproveitar muita cousa desse 
mesmo trabalho mau e imperfeito que ahi deixo. 



ADVERTÊNCIA 



Etn appendice ao presente volume achará o leitor alguns 
accrescimos e alterações ao que vai publicado, visto haver 
demora na publicação do supplemento, e uma noticia de 
alguns escriptores novos, como : 

Adolpho Generino dos Santos. 
Affonso Cavalcante do Livramento. 
Alexandre Evangelista de Castro Cerqueira . 
Américo Fernandes Trigo de Loureiro . 
Antonino José de Miranda Falcão . 
António Barboza de Freitas. 
António Cândido Gonçalves Crespo . 
António Cândido Rodrigues . 
António da Cruz Cordeiro Júnior. 
António José Soares de Souza Júnior. 
Argemiro Cicero Galvão. 

Creio que do segundo volume em diante será este livro 
mais completo. 






A 



A-arâiO IuGqJL do Oa.r valho !Reis — Filho do doutor Fá- 
bio Alexandrino do Carvalho Reis, de quem farei monçflo no logar compe- 
tente, e de dona Anna Leal de Carvalho Reis, nasceu a 6 de maio de 1853 
na capital da provi ncia do Pará, onde seu pae exercia o cargo de inspector 
da alfandega . 

Matric^ando-se na escola central em 1869, concluiu o curso de enge- 
nheiro geographo em 1872, o de engenheiro civil em 1874, e recebeu o 
grau de bacharel em sciencias physicas e mathematicas, ji tendo antes 
exercido o magistério como lente de mathematicas elementares em diversos 
collegios. 

Em 1873, antes de bacharelar-se, entrou como praticante para a 
direcçâk) das obras publicas da alfandega ; em 1875, apenas formado, foi 
nomeado para fiscalizar as obras do novo matadouro da corte, onde sus- 
tentou uma luta incessante com os empreiteiros que procuravam combater 
as clausulas firmadas com o governo, commissão que exerceu ató ser 
rescindido o contrato, em novembro de 1878 ; em 1879 fez parte da com- 
missão, que, sob a presidência do conselheiro Christiano Ottoni, deu 
parecer sobre a rescisSo do contrato e avaliou as obras feitas e por fazer 
no novo matadouro, dirigindo o serviço das obras feitas ; e depois, como 
engenheiro gerente, incorporou a companhia ferro-carril de Gachamby, 
quo conseguiu montar em oito mezes, construindo os primeiros dous 
kilometros do via ferroa, regulamentando e iniciando o trafego. 



2 ^VA. 

Ultimamente, em 1880, tomou parte no concurso ás vagas da sogunda 
secçSo do cUrso de engenharia civil da escola polytechnica, sendo habi- 
litado para o provimento dessas vagas ; e exerceu o magistério na mesma 
escola, como substituto da aula preparatória do curso de artes o manu- 
facturas até o anno corrente. 

Fundou a sociedade União Beneficente Académica da escola central 
com seu collega José de Nápoles Telles de Menezes, e delia foi presi- 
dente ; é sócio de outras, e tem collaborado cm diversos periódicos 
litterarios. 

Escreveu : 

^ Centro académico. Rio de Janeiro, 1872 — E' um jornal semanal 
que fundou e redigiu, sendo ainda estudante, com o fim de congraçar e 
harmonisar em um centro commum de actividade e trabalho as duas 
escolas, central e de medicina, o que conseguiu depois de muito esforço, 
reunindo para isto e obtendo o apoio de doze estudantes de cada uma 
delias ; e ainda conseguiu congraçar, em torno do mesmo jcrnal, as escolas 
militar e de marinha. Esta cmpreza, entretanto, pouco tempo func- 
cionou . 

— A rescisão do contrato de 25 de julho de i874, discutida e docu- 
mentada. Rio de Janeiro, 1879 — Esta obra escreveu o autor depois que 
deixou a commissSo, de que foi encarregado, relativamente ás obras do 
matadouro, e foi mandada publicar pelo governo. 

— Trigonometria espherica de Dubois: traducçâo. Rio de Janeiro, 
1872. 

-^ A republica constitucional por Ed, Laboulaye: traducçâo. Rio 
de Janeiro, 1872 — Foi publicada sob o pseudonymo de Horácio Mann. 

— A instrucção publica superior no império : (série do artigos publi- 
cados no Globo ^ e depois coUeccionados). Rio de Janeiro, 1875. 91 pags. 
in-8.0 

— A Eocposição nacional : artigos publicados na Gazeta dfiNoticias 
em dezembro de 1875, e janeiro de 1876. 

— Lições de álgebra elementar. Rio de J.ineiro, 1876. 

— A idêa de Deus por E, Littrè: traducçâo. Rio de Janeiro, 
1879. 

— O decreto de i9 de abril de i879 : artigos publicados no Jornal 
do Commercio de 2 a 21 de maio de 1879. 

— As faculdades livres : artigo publicado na Gazeta de Noticias em 
maio de 1879. 

— > Estatisticas moraes e applicação do calculo das probabilidades 
a este ramo de estatistica. Rio de Janeiro, 1880 — E* uma dissertação 
que o autor escreveu para o concurso ás vagas da segunda secção 
do curso de engenharia civil , seguida de proposições sobre outros 
pontos. 

—A engenliaria e as obras publicas no Brasil : artigos publicados no 
íornat do Commercio de 25 de setembro a 15 de outubro de 1880. 



AA3 3 

— A escravidão dos ner/ros : refl3XÕ3s de Condorcet: traducção. Rio Ja- 
neiro, 1881 — Divide-se esta obra em duas partes, isto ó: Considerações 
geracs, philosophicas ; o considdraçòes especiaes o praticas. 

— A luz eléctrica^ pelo systema de Edison, applicada d illuminação 
particular. Rio de Janeiro, 1882 — E' um relatório e parecer que es- 
creveu o Dr. Aarâo, em commissão nom?ada pelo director do clnb de 
engenharia [com os Drs. José Américo dos Santos e JoSo Ray mundo 
Duarte. 

A.bel Oorjreia. da. Oamara.— Filho do marechal Bento Cor* 
reia da Camará, vivia no Rio dè Janeiro em 1825. Fíiltam-me a seu res- 
peito outras noticias, sabendo só que escreveu : 

— Resposta ao impresso, que fez publicar nesta corte Américo José 
Ferreira com o titulo de Breve exposição aos brazileiros na parte em 
que falia de Bento Corroía da Camará. Rio de Janeiro, 1825, 9 pags. 

A.13Í1ÍO Oeza.x* Borgre^y Barão de Macahubas -— Filho de 
Miguel Borges de Carvalho e da dona Mafalda Maria da Paixão, nasceu 
na villa do Rio de Contas, provincia da Bahia, a 9 de setembro de 1824 ; 
estudou na capital da mesma provincia o curso de humanidades, o o da 
faculdade de medicina até o quinto anno, passando depois á do *Rio 
de Janeiro, onde frequentou o ultimo anno e recebeu o gráo de doutor 
em 1847. 

De volta á Bahia, exerceu a clinica, e o cargo de director geral di 
instrucção publica, do qual obtendo exoneraçâk) a seu pedido ao cabo 
de dous annos, passou a dedicar-se exclusivamente ao exercício de 
educador da mocidade, estabelecendo um coUegio com o tilulo de gym- 
nasio bahiano. Passando a outro o gymnasio, depois de muitos annos 
de importantes serviços e melhoramentos introduzidos no ensino da 
mocidade, veiu para o Rio do Janeiro, e aqui fundou um estabelecimento 
egual que ainda dirige. 

Para estudar e pôr em pratica esies melhoramentos tom feito á 
Europa diversas viagens ; tem publicado e espalhado pelo império 
diversas obras, adaptadas a esse fim, em parte gratuitamente. 

O Barão de Macahubas é cavalleiro da ordem de Christo, commendádor 
da ordem da Rosa, e da ordem de S. Gregório Magno de Roma ; sócio do 
instituto histórico e geographici brazileiro, etc. 

Escreveu : 

-^Proposições sobfe sciencias medicas: these inaugural. Rio 
de Janeiro, 1847 — A primeira proposição desta these é a seguinte : 
O coração não é um órgão essencial á vida, nem é por sua força que 
principalmente se executa a circulação^/do sangue no homem. 

— Relatório sobre a instrucção publica da Èahia, apresentado ao 
excellentissimo senhor presidente Álvaro Tibério de Moncorvo e Lima. 
Bahia, 1856— Contém diversos máppas e doóumeiítoSi 



-^ Relatório sobre a instrucçdo publica da provinda da Bahia^ 
apresentado ao ezcellentismo presidente, desembargador JoSo Lins Vieira 
GansanaSo de Sinimbu. Bahia, 1857. 

— Discursos diversos pronunciados no gymnasio bahiano. Bahia, 
1858 a 1862 — Euea discarsos foram publicados separadamente em di- 
versos opúsculos, e depois com outros enfeixados e reimpressos sob o 
titulo de 

— Discursos sobre educação . Paris, 1862 — Depois da publicaçSo 
deste volume, ainda outros discursos deu á luz o autor em pequenos 
opúsculos. 

^ Estatutos e regulamento do gymnasio bahiano* Bahia, 1852. 

— Qrammatica da lingua portugueza, Bahia, 1860. 

'-' Grammatica da lingua francesa, Bahia, 1860 — Esta gramma- 
tica e a precedente tem tido outras ediçQes. A terceira ediçSo desta tem 
por titulo : 

— Epitome da grammatica franceza, Antuérpia, 1872. 

— Epitome de geographia pkysica para uso do gymnasio bahiano. 
Bahia, 1863. 

— Primeiro livro de leitura. Paris, 1866. 

-7 Segundo livro de leitura • Paris, 1866 — Estes dous livros e o 
que se segue, assim como as grammaticas, são tSo conhecidos que 
dispensam qualquer noticia que delles possa dar. Delles têm sahido 
diversas ediçSes em considerável numero de exemplares, de que o autor 
tem feito remessas gratuitas para diversas provincias, que os têm adoptado. 
A ultima ediçiSo ó de 1881 . 

'^ Terceiro livro [de leitura. Antuérpia, 1872 — Nova ediçSo, 1881. 

— Methodo de Âhn para o ensino fácil e pratico do francez. Rio 
de Janeiro, 1871. 

•aplano de estudos e estatutos do collegio Abilio^ fundado na corte 
do império. Rio de Janeiro, 1872. 

— Vinte annos de propaganda contra o emprego da palmatória e 
outros meios aviltantes no ensino da mocidade, fragmentos de vários 
escriptosy publicados no Globo em Í876, Rio de Janeiro, 1880, 46 
pags. in-4.® 

— Vinte e dous annos de propaganda em prol da elevação dos estudos 
no Brasil. Rio de Janeiro, 1881. 

— Dissertação^ lida no congresso pedagógico internacional de 
Buenos- Ayres a 2 de' Maio de 1882 pelo Barão de Macahubas, delegado do 
Império do Brazil, com um appendice, contendo varias noticias sobre as 
discussões havidas no congresso e as declarações finaes do mesmo. Rio 
de Janeiro, 1882, in-8.o _ Qs themas, sobre que versa a dissertação, 
sSo: 1.0 Influencia dos internatos normaes sobre o melhoramento e a 
diffusão da instrucçâo primaria; 2.^ Os melhores meios de em nossas 
escolas sustentar a disciplina e excitar nos meninos o gosto pela in- 
strucção. 



Ha alguns trabalhos deste autor, publicadoí em revistas litterftrias antes 
de seu doutoramento, como 

— Pêsição e algumas particularidades históricas e descriptivas da 
villa de Inhamhupe (Bahia). Bahia, 1845 — Vem no Crepúsculo^ 
tomo 1% ns. 3 e 4. 

— A pequena rainha por MJ^ C. Reybaud — Vertido em romance 
por A. C. B. — Idem, tomo lo, n. 2, pags. 25 a 30. 

A-dAll^erto «Jaliii^ B* natural da Allemanha e esteve algum 
tempo em serviço do ministério da agricultura. 

Cidadão brazileiro e cavalleiro da imperial ordem da Rosa se declara 
elle no rosto da obra que passo a mencionar ; e no seu prefacio escreve: 
€ Desejamos eutrosim manifestar nossas ideias 8 tal respeito ( que a co- 
lonisação, sobro todas a do elemento germânico, tem aqui um futuro se- 
guro e prospero ) baseadas n*uma experiência de muitos annos no império 
brazileiro. » 

Escreveu : 

-^ As colónias de S. Leopoldo na provinda hraxileira do Rio Grande 
do Sul e reflexões geraes sobre a emigração espontânea e colonisação 
no Brawil. Leipzig, 1871— No prefacio ainda diz elle que pelo espaço 
de doze annos tem servido como director e inspector de colónias e de 
curador de colonos, tem lidado com negócios de colonisaçSo, etc. 

'^ Carta topographica de uma parte do município de S, Leopoldo, 
contendo as terras colonisadas, organizada segundo os trabalhos offl" 
ciaes e as medições mais exactas pelo agrimensor Ernesto Muxell, 
1870, Leipzig. 

— Planta da colónia Santa Isabel — feita pelo capitão Adalberto 
Jahn, engenheiro e director da colónia Santa Izabel em fevereiro de 
1859 — O original existe na bibliotheca nacional da corte. 

I>. A.delia/ «Josepliixia. de Oa.stx*o Fonseca* — 

E* natural da capital da provinCia dá Bahia, filha de Justiniano de Castro 
Rebello e de dona Adriana de Castro Rebello, e casada com o chefe de 
divisão Ignacio Joaquim da Fonseca. 

De uma educação primorada, cultora mimosa da poesia desde seus mais 
verdes annos, qualquer de suas composições denuncia um dos bellos dotee 
de seu espirito, como por exemplo a que tem por titulo Ao meu coração , 
dirigida ao espozo, em cuja úmagem, na auzencia, se espelha sua mente. 
Eis a poesia : 

« Porque estás tão apressado, 
Coração, a palpitar ? 
Queres, deixando meu peito. 
Por esses ares voar ? 
Queres de meu pensamento 
A carreira acompanhar ? 



6 

Queres, mísero insensato, 
Este desojo cumprir ? 
Intentas da fantazia 
Os amplos voos seguir i 
Buscas, vencendo a distancia, 
Tua saudade extinguir ?. . . 

Esta saudade tSo funda, 
Tão viva, tão pertinaz. 
Que t? faz tão desgraçado, 
Que tão ditozo te faz ? 
Que tanto t3 amarga ás vczns, 
Que ás vezes tanto te apraz 'i 

Pretendes tu, pobre louco, 
Tuas dores augmentar ? 
Desejas ao lado — d*Elle — 
De martyrios te fartar ? 
Queres nos olhos, que adoras, 
Mais desenganos buscar ? 

Si ao excesso do tormento 

Tivesses de succumbir. 

Quem tanto havia de amal-o, 

Doixindo tu de existir ? 

Quem ousaria comtigo * 

Em firmeza competir ? 

E elle, onde poderia 
Tão soberano reinar ? 
Ondo iria sua imagem 
Obter tão devoto altar, 
E tão desvelado culto, 
Tão fervoroso — encontrar ? 

Deixa ir só meu pensamento 
De seus voos na amplidão. 
Quem sabe, si ao lado d*outra 
O acharás, coração ?. . . 
Morre embora de saudade ; 
Porém de ciumo . . . não I • 

Dona Adélia escreveu : 

-^ Echos de minha alma. Bahia, 18&5, in - 8<> — E' uma collecção 
de seus primeiros versos. Este livro foi-me levado de minha estante, 
mas delle ficaram-me deslocadas duas folhas, donde transcrevi a poesia 
acima. 

Collaboradora constante do Almanak de lembranças luso^brasileiro^ 
seus escriptos témahi logar distincto. Entre tacs escriptos ahi so acham: 

— A aurora brazileira : poesia em decimas rimadas, quo vem no al- 
manak para o anno de 1860, pag. 379, reimpressa no do anDO seguinte, 
pag. 342, e também no volume Echosde minha alma, E' uma primoro- 
sa composição, a propósito de outra de um distincto poeta portuguez, 
cantando a aurora de seu paiz, á qual antep5e a autora as bellezas da 
anrora doBrazil. 



!>• A^delina A^melia* Ijopes Vieiíra— Filha do doator 
Valentim José da Silveira Lopes e esposa do empregado de fazenda 
António Arnaldo Vieira da Costa, é professora dá segunda cadeira de 
meninas na freguezia do Espirito Santo, cultiva a poesia e escreveu : 

— Margaritas : poesias. Rio de Janeiro, 1879 — Nffo encontrei este 
livro em duas bibliothecas onde o procurei, e por isso nSo pude ainda ver 
esta primeira collecçáo dos versos de D. Adelina. 

— Pombal: poemeto em quatro cantos. Rio de Janeiro, 1882— A 
autora mandou imprimir este poemeto, e o oíforeceu ao club litterario 
portuguez para applicar o producto da venda em beneficio de suas 
aulas. Um soneto deste livro vem reproduzido no Monitor Catholico do 
S. Paulo, n. 68, com uma parodia feita pelo reverendo vigário de Queluz, 
o padre Francisco Gonsalves Barroso. 

Existem esparsas muitas compcsiçSoB poéticas de dona Adelina Vieira, 
como: 

— Sattdade de PaímetVas — No Echo das Damas. Rio de Janeiro, 
n. 2, maio de 1879. 

— O primeiro peccado de Margarida : traducçSo de uma ballata de 
Henry Murger — Sahiu na Revista Brazileira, Rio de Janeiro, 1880, 
tomo 5o, pags. 245 a 250. 

— Estella matutina — No novo almanak de lembranças luzo-brazileiro 
para 1880, pag. 160. 

— As duas estreitas : poesia em oitava rima— No almanak das senhoras 
para o anno de 1882. Lisboa, pags. 165 o 166. 

D. A^delina» Xeixeix*A Mendes— Filha de José Tei- 
xeira Mendes e de dona Antónia Teixeira Mendes, natural do Maranhito, 
joven, solteira, vive em companhia de um irmSo que ó bacharel em 
direito e exerce um logar de juiz municipal nos sertões do Piauhy. 
E' poetiza e tendo perdido quasi ao mesmo tempo o autor de seus dias e 
outro irmão, também formado em direito, seus versos se resentem da 
magoa e melancolia que lhe infiltraram n*alma dous golpes tSo pro- 
fundos. 

De soas composições nSo existe collecçSo impressa ; apenas tem 
publicado algumas em periódicos ; e as que tenho á vista nem posso 
dizer onde se publicaram, porque foram-me enviadas por pessoa de 
sua familia, cortadas de taes periódicos. SSo de folhas do Piauhy as 
seguintes : 

— Desalento : A* minha prezada amiga dona Maria Amélia Rosa. 

— Saudades : A' minha prezadíssima madrinha... dona Maria José 
Vaz Mendes. 

— Uma prece sobre o tumulo de meu idolatrado irmão o doutor 
Bolivar Teixeira Mendes: soneto. 

— A' beira' mar : A* minha prezadíssima amiga dona Raymunda 
Ribeiro Soares — Nesta poesia, depois de descrever o mar, quando 



8 

tdmpestaoso e quando em bonança, lembra sua dor e assim se ex 
prime : 

B ta, oh meiga virgem que amo tanto ! 
Quem sabe si n* ess' hora de tristeza, 
Fitando como eu o firmamento, 
NSo te rola dos olhos uma lagrima. 
Filtrada pela dor, pela saudade ? ! 
Oh \ chora, anjo do cóo, chora comigo, 
E manda-me no zephiro saudoso 
Um 8Ó dos beijos de teus lábios puros 
Que bem de manso me bafeje a fronto. 

Foi n* ess' hora de dor e de amargura... 
Carpindo a perda de um irmão querido. 

Cansada adormeci. . . . 
Sentia me fugir o alento e a vida, 
Encontrei-te em meu peito adormecida. 

Despertei e vivi. 



A.4elixio Kuet F*orte-G}ato — Natural de Portugal e 
brazileiro por adoptar a censtituiçfio do império, falleceu no Rio de 
Janeiro pouco depois de 1844. 

Era doutor em medicina pela faculdade de Paris, serviu por algum 
tempo na armada imperial como cirurgião, e escreveu: 

— Lições do doutor Broussais sobre a cholera^morbus epictemica, 
traduzidas em vulgar e augmentadas de notas. Rio de Janeiro, 1833. 

A.dolpli.o Bezeirra. de Menezes — Natural da provincia 
do Ceará, nasceu no Riacho do Sangue a 29 de agosto de 1831, sendo seus 
pães o capitão de antigas milicias e tenente-coronel da guarda nacional 
António Bezerra de Menezes e dona Fabiana de Jesus Maria Hezerra ; 
fez o curso de medicina na faculdade do Ríj de Janeiro, onde doutorou-se 
em 1856, tendo servido como interno no hospital da misericórdia antes 
de sua formatura, e apresentou-se depois, em 1858, ao concurso a uma 
vaga de lente substituto da secçSo cirúrgica. 

Sendo segundo cirurgião do corpo de saúde do exercito, foi eleito 
vereador da camará municipal da corte ; e como fosse julgado incompativel 
o exercicio do cargo de vereador com o de medico militar, pediu deste 
demissão. 

Serviu na camará municipal, por eleições consecutivas, ou como 
supplente cerca de 20 annos ; foi delia presidente ; representou o 
municipio neutro, e a provincia do Rie de Janeiro na assembléa geral 
legislativa, e sendo deputado em 1880 foi seu nome apresentado á coroa 
por eleição feita em sua provincia para senador do império. 

Foi presidente da companhia ferro-carril de S. Christovão ; é membro 
titular da academia imperial de medicina, sócio da sociedade physico-» 



chimica, da sociedade propagadora das bellas-arteSt da sociedade auxilia- 
dora da industria nacional, da sociedade geographica de Lisboa, etc. 
Escreveu : 

— Diagnostico do cancro: dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 
1856 — E* precedida de proposições acerca dos aneurismas externos e das 
causas da phthisica pulmonar no Rio de Janeiro. 

— Das operações reclamadas pelos estreitamentos da uretra : these 
para o concurso a uma cadeira de oppositor da secção cirúrgica da 
faculdade de medicina. Rio de Janeiro^ 1858 — E' seguida de algumas 
proposições sobre as matérias de que se compõe o ensino medico. 

— Biographia do Visconde de Uruguay, Paulino José Soares de 
Souza — Vem no primeiro volume da galeria dos brazileiros illostres. 

— BioqrapJUa fio Visconde de Caravellas, Manoel Alves Branco — 
Idem. 

— A escravidão no Brazil e medidas que convém tomar para 
extinguil-a sem damno para a nação. Rio de Janeiro, 1869. 

— Breves considerações sobre as sêccas do norte. Rio de Janeiro, 
1877, in-8.0 

O doutor Bezerra de Menezes redigiu : 

— A Sentinella da liberdade : org2o liberal. Rio de Janeiro, 1869 
e 1870. 

ALdolplio Peireira. PinHeiíro -^ Natural do Rio de Janeiro, 
nasceu a 7 de fevereiro de 1851 . 

Tendo feito o curso da escola de marinha, foi promovido a guarda-ma- 
rinha em 1870, a segundo tenente em 1873 e a primeiro tenente, em cujo 
posto se conserva em 1874. Em novembro de 1881 exercia o logar de terceiro 
ajudante da directoria da repartição hydrographica, servindo na commis- 
sâo astronómica, quando foi nomeado pelo governo para ir á Europa es- 
tudar metereologia, construcção de semaphoras e pharóes com o or- 
denado que percebia de seu emprego e um conto de réis para despezas de 
viagem. 

Escreveu : 

^ Memoria sobre o sondographo do P tenente Adolpko Pereira Pi" 
nheiro. Rio de Janeiro, 1878. — A este opúsculo precede uma estampa 
solta do instrumento por elle inventado, a qual tem por fim indicar as 
sondas e traçar o nivelamento do fundo e por isso se compõe de duas par- 
tes : indicjidor e registrador. 

— Escolha das melhores derrotas a seguir para cortar o equador du' 
rante todos os mezes do anno. Rio de Janeiro, 1881. 

A.d.olpli.0 rri1>ez*9li.ien— Natural da Bélgica, naturalisou-se 
cidadão brazil(3Íro, e falleceu no Rio de Janeiro em 1875 ou 1876. 

Nomeado professor de francez da escola de marinha em 1861 , leccionou 
desde 19 de outubro deste anno até a data de seu fallecimento. 



10 AJr> 

Escreveu : ' 

— Vocabulário náutico em portuguez-francez e francez-portuguez^ 
dando a nomenchtura dos principaes termos tech nicos, usidos a bordo, 
composto com a coUaboração de distinctos officiaea da armada : obra pu- 
blicada debaixo dos auspícios do senhor ministro da marinha. Rio de Ja- 
neiro, 1869. — Acompanha um supplemento depois do Índice. 

— Grammatica franceza elementar e clássica para uso dos princi- 
piantes. Rio de Janeiro, 1870, dous volumes. 

-^ Diccionario de marinha portuguez-francez-inglez^ e vice^versa^ 
dando alphabeticamente e nas três línguas os termos technicos dos navios j 

da marinha de vela e a vapor : obra composta com a coUaboraçSo de dis- 
tinctos officiaes da armada, mandada publicar debaixo dos auspícios do 
excellentissimo senhor ministro da marinha. Rio de Janeiro, 1872.— E* di- 
vidido em duas partes. 

O ': 

A.driaiio A.lves de luinuL Ooirdillio» BarSo de ItapoS— 
Nasceu na província da Bahia em 1830, sendo seus pães o tenente coro- 
nel João Pedro Alves de Lima Gordilho e dona Adriana Sophia Alves de 
Lima Gordilho. 

Doutorado em medicina em 1852 pela faculdade de sua província, foi 
d Europa afim de aperfeiçoar seus estudos o dedicou-se com especiali- 
dade ás Bcíencias cirúrgicas. 

De volta da Europa firmou sua residência em sua província, depois de 
visitar a corte do império ; concorreu para uma vaga de opposítor da sec- 
qSo de sua especialidade em 1856, e em 1862 para lente da cadeira de 
anatomia descriptíva em que foi provido, sendo depois transferido para 
a de partos , moléstias de mulheres pejadas e de meninos recem- 
nascidos. 

Antes de ser nomeado lente cathedratico fora preparador dè anatomia 
descriptíva e também de anatomia topographíca. 

O doutor Gordilho, Barão do ItapoS, é commendador da ordem da Rosa 
e escreveu : 

— Dissertação inaugural sobre a medicação rcvulsiva. Bahia, 1852 
— Dividindo em duas partes seu trabalho, o autor começa por tratar das 
causas das moléstias, da natureza, sede, marcha, duração, extensSo e com- 
plicações delias, e da idade, constituição, sexo do doente, etc. 

-^ Apreciação dos ^yieios operatórios empregados na cura dos cálculos 
urinários vesicaes : these para o concurso a um logar do opposítor da 
secçSo cirúrgica. Bahia, 1856. 

— Considerações sobre o systema nervoso ganglionario e suas con^ 
nexões com o systema nervoso espinJuil : these para o concurso ao 
logar de lente de anatomia descriptíva. Bahia, 1862.— Esta theso, que 
tem 215 paginas, trata da physíologia, das moléstias, e de tudo que possa 
interessar o systema nervoso. 



AJE" 11 

— Memoria histórica dos principaes acontecimentos da faculdade 
de medicina durante o anno de 1868^ apresentada á respectiva con- 
gregação em cumprimento do artigo 197 dos estatutos. Bahia, 1869. 

A^fJPotk&a <le Albu.q[iierq,iie o Mello — E' natural do 
Pernambuco, onde tem residência, bacharel em sciencias sociaes e ju- 
ridicas pela respectiva faculdade, secretario do thesouro província], tem 
sido deputado á assembléa de Pernambuco em mais do uma legislatura. 

Escreveu : 

— A liberdade do Brasil, seu nascimento, vida, morte e sepultura. 
Recife, 1864,216 pags. in-4<> — Nesto livro se manifestam as idóas 
republicanas do autor. Sahiramalume diversas contestações a taes idéas, 
e a bibliotheca nacional possuo um escripto inédito, com o titulo de — 
Notas de. . . . ao pamphleto intitulado Liberdade do Brazil de AfTonso de 
Albuquerque Mello. 

^íToiiso Oelso de A.8sis F^iguelredo, l^^ — Nasceu 
na capital de Miias-Geraes a 21 de fevereiro de 1837 sendo seus pães 
João António AfTonso e dona Maria Magdalena de Figueiredo Affonso. 

Formado em direito pela faculdade de S. Paulo em 1858, ainda 
estudante se dará ao exercicio da advocacia ; exerc3u o cargo da official 
de gabinete dos presidentes Diogo de Vasconcellos e Fernandes Torres ; 
serviu em sua província, depois de formado, os cargos de s3cretario da 
policia, inspector da thesouraria provincial, procurador fiscal da thesou- 
raria geral, e deputado provincial por diversas vezes ; representou a 
província de Minas-Geraes na camará temporária nas legislaturas 12S 
13* e 17^, sendo eleito e escolhido senador do Império no ultimo 
anno desta legislatura (1879) ; foi ministro e secretario de estado dos 
negócios da marinha no gabinete de 3 de agosto de 1866, e ministro da 
fazendi no gabinete de 5 de Janeiro de 1878, no qual administrou tam- 
bém, interinamente^ a pasta do império ; e do conselho da sua magestade 
o Imperador, e advogado na corte. 

A seus esforços deve a província, que representa, sua primeira em- 
preza industrial e muitos melhoramentos. 

Distinguido pila corte de Hcspanha com a grã-cruz da ordem do Izabel 
a Gatholica, e com a gra-cruz da ordem do Leão Neerlandez, agradeceu 
sem aceitar taes honras ; faz parte de diversas associações litterarias o 
benefic3ntes desde seu curso jurídico ; foi fundador do club da Reforma 
o principal redactor do orgSo deste club : 

— A Reforma : orgSo democrático. Rio de Janeiro, 1869 a 1879 — O 1« 
numero desta folha sahiu a 12 de maio d*aquelle anno, e o ultimo a 31 de 
janeiro deste. Antes disto, fundara e redigira: 

— O Progressista. Ouro-Preto, 1859 a 1863 — A' vinda do conse- 
lheiro AfTonso Celso para 'a corte em 1863, como deputado, passou esta 
empreza a outros. 



14 ^F" 

^ffonso Herculano d.e luima.— E' director do coUegio 
universitário flaminense, o exerc3u antes disto o cargo de bíbliothecario 
da bibliolheca municipal da corto, em cujo exercício escreveu : 

— Catalogo da bibliotheca municipal ( publicação official ). Rio de Ja- 
neiro, 1878, 820 pags. 

— Relatório do bíbliothecario interina da bibliotheca munici- 
paly etc, em 8 de outubro de Í875. Rio de Janeiro, 1876— Com diversos 
mappas. 

Escreveu mais dous pequenos opúsculos dando noticias do sèu collegio 
sob os títulos do Educação nacional e Instrucção para todos os gráos e 
todas as idades do collegio universitária fluminense. 

A^íToiiSO «losé dos Soiiitos^ Nasceu na capital da Bahia a 
16 de dezembro de 1857, sendD seus pães o pharmaceutico Luiz José dos 
Santos e dona Carlota Cândida Cardim dos Santos. 

Fez todo curso da faculdade de medicina de sua província, recebendo 
o gráo do doutor em 1881 ; dedicou-se ao magistério pai*ticular, desde o 
segundo anno do dito curso, leccionando francez, geographia, historia e 
cosmographia ; e acha-se em serviço do ministério da guerra, como me- 
dico da colónia militar Alto Uruguay. 

Escreveu : 

— Regimen sanitário: these inaugural. Bahia, 1881, 208 pags. in-4o 
— Comprehendo, além da dissertação, proposições sobre: ExhumaçÕes 
jurídicas; tumores brancos e seu tratamento ; hygiene das profissões. 

Cultivou com paixão a lítteratura antes de estudar medicina ; escreveu 
diversos artigos na imprensa diária, como uma biographia de José de 
Alencar, publicada no Monitor áx Feira de Sant'Anna, e outros no Diário 
da Bahia% no Diário de Noticias, no Pequeno Jornal e no periódico Ba- 
Ata,>que elle redigira em 1881; deixando de continuar por fallecimento do 
proprietário, e por cessar a publicação. 

Conssrva inéditas : 

'^ Lyra critico-domestica : collecçaodi poesias, pela maio? parte em 
estylo humorístico. 

— Olivia : drama em quatro actos. 

-^ Bodas do doutor Duarte: comedia em dous actos, extrahida da 
obra de igual titulo de Machado de Assis. 

— Contos familiares : collecção da romancetes — Dastes entretanto 
foram publicados dous, quo sao: 

-^ Pobre quando vê muita esmola.,,, —no Diário de Noticiís 
1878. 

— Agua molle em pedra dura — no Bahia, 1881 . 

A.fifonso Peixoto de Ai.1>x*eu Hiinia ~ E* formado em 
sciencias sociaos o jurídicas, tem sido deputado á a6s?mblóa provincial do 
Rio de Janeiro, o reside em Campos. 



A.G lõ 

Escreveu : 

~^ Eleições p^ra vereadores e juizes de paz no município de Campos : 
collecçSo da artigos que pablicara no jornal A Provinda, Rio de Janeiro. 
1880, 54 pags. in-8.o 

Redigiu : 

— Diário de Campos : orgSo dos interesses do commercio e da lavoura. 
Campos, 1875 a 1877. 

— A Opinião : folha dissidente. — Redactores : Victor Monteiro e Af- 
fonso Peixoto. S. Paulo, 1879 — Creio que pouco tempo viveu osta 
folha. 

A^ostinli.o ^fiTonso de Oastro — Consta-me que sarviu 
na repartição de fazenda da armada, e que não continua ness3 serviço. 

Escreveu : 

O infortúnio de um fiel da armada : drama de costumes marítimos, 
em dous actos. Rio de Janeira, 1877, in-8o. 

I>. A^ostinlio Bezeirx*ai —«Nascido na Bahia em 1610, 
ignora-se a data do seu fallecimento. 

Presbítero secular, foi bispo de Ceuta e depois de Angra ; respeitado 
sempre por seu grande sibor, o foi egualmonto por suas raras virtudes ; 
grande philo^iopho, profundo thoologo e eminente orador, escreveu : 

'^Muitos sermões ^áe que entrotinto não deu publicidade a algum, 
que me conste, e nem se sab3 o fim que tiveram depois de sua morte. 
Consta que, além de sous sermões, deixara outras obras, de quo também 
não ha noticia. 

A^ostinlio £]rmeliii<lo de I^eHo — Filho do desem- 
bargador Agostinho Ermelindo do Leão, e sobrinho do conselheiro 
Manoel Messias de Leão, ambos fallecidos, nasceu na cidade da Bahia. 

Formado em sciencias BOciao3 e jurídicas pela foculdado de Pernam- 
buco, oatrou na classe da magistratura com o logardejuiz municipal 
de Olinda ; d*ahi passou a juiz de direito de Caçapava, e desta comarca 
para a capital da província do Paraná, onde tem exercido interina- 
mente o cargo de chefe de policia, e tem administrado a província, como 
vice-presidente . 

Escreveu : 

— índice alphabetico das leis, actos e regulamentos da província do 
Paraná at ' o anno de 1874, com a relação de todos os deputados pro- 
vinciaeSf presidentes e vice-presidentes da província e secretários do 
governo ate Í875. Rio de Janeiro, 1875, in-4.o 

— Catalogo dos diversos productos da eosposição provincial do Pa-- 
rand, inaugurada a 25 de abril de 1875 na cidade de Coritiba^ Rio 
de Janeiro, 1875 — E* um volume de 250 paginas, offerecido a sua alteza 
imperial o Conde d'Eu, e aos demais membros da «ommissSo superior, 



16 A.O 

por cuja ordem foi impresso, sendo assignado também poios membros da 
commissSo provincial, bacharel JoSo José Pedroza, secretario, doutor José 
Cândido da Silva Muricy, Joaquim Lourenço de Sá Ribas e Joaquim 
José Bellarmino Bittencourt. Era o autor, então, administrador do Para- 
ná, em cujo caracter contribuiu poderosamente para a mesma exposição. 

^AL^ostinlio «José de OlíT-eira/ M[a»cli.a.do — Foi na- 
tura da província de S. P^aulo, e ahi falleceu, ainda moço, sendo formado 
em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade da mesma previncia, 
exercendo a profissão de advogado, e o magistério como professor 
primário. 

Escreveu : 

— A facção saquarema: considerações politicas do bacharel Agostinho 
José de Oliveira Machado. Santos, 1851. 119 pags. in-8.<^ 

— O futuro do partido liberal na provinda de S, Paulo : conside- 
rações politicas de Agostinho José de Oliveira Machado. S. Paulo, 1861, 
22 pags. ]n-4.<> 

A^ostinlio «José de Souza» I^ima. — Nasceu na pro- 
víncia de Mato-Grosso, sendo filho legitimo do coronel Severo José de 
Souza Lima. 

E* bacharel em lettras pelo collegio do Pedro II, doutor em medicina 
pela faculdade do Rio de Janeiro, lente cathedratico de medicina legal 
na mesma faculdade, t^iente cirurgiSo do se timo batalhão da guarda 
nacional da corte, official da ordem da Rosa, membro da sociedade 
auxiliadora da industria nacional, da sociedade do accliinaçao e da socie- 
dade vellosíana. 

Servira, sendo estudante, como alumno pensionista do hospital da 
misericórdia, e interno da clinica medica e cirúrgica da faculdade. 

Escreveu : 

— Qual a natureza e tratamento das urinas, vulgarmente chamadas 
leitozas ou chyluria f e a razão de sua frequência nos paizes intertro- 
picaes : dissertação para o doutorado em medicina, precedida de proposi- 
ções sobre : Estudo chimico-pharmacologico do chloroforinio, Analogia 
e dififerenças entre a febre amarella e a febre biliosa dos climas quentes, 
Dos vícios de conformação do anus e intestino recto. Rio de Janeiro, 
1864. 

•^Das substancias imcompativeis sob o ponto de vista chimico-phar- 
macologico: dissertiçao para o concurso a um legar de oppositor da 
secção de sciencias accessorias. Rio de Janeiro, 1871. 

^ Serie cyaniea : these apresentada, como primeira prova, para o 
concurso de lento da cadeira de chimica orgânica da faculdade de medi- 
cinando Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1874. 

— Chloral e chloroformio : prova escripta n^ concurso á cadoir.i do 
chimioa orgânica. Sahiu na Revista medi:a. tomo 2<>, 1874. 



A.G 17 

— Relatório da enfermaria de Santa Rita^ creada pelo governo 
imperial para o tratamento dos doentes de febre amarella-^ Vem no 
volame que tem por titulo : Relatórios das cinco enfermarias creadas pelo 
governo imperial, a cargo do hospital da santa casa da misericórdia, 
pára tratamento dos doentes de febre amarella. Rio de Janeiro, 1876. 

— Questão medico-legal (Braga): resposta dos doutores Souza lima 
e Feijó, alho. Rio de Janeiro, 1879 — Contém o opúsculo sob este titulo : 
uma consulta do doutor José Pedro dó Souza Braga, lente substituto da 
faculdade da Bahia, aos dous lentes da faculdade da corte sobre a suppo- 
siçSo de deflotfumento de sua noiva, antes do casamento, a qual já havia 
sido examinada poAuas notabilidades medicas e também lentes da facul- 
dade da Bahia, cada um por sua vez, e depois pelos ditos professores, e 
mais três facultativos dos mais distinctos, considerando todos o deflora- 
mento recente ; a resposta dos doutores Souza Lima e Feijó, filho, se 
afastando da opiniSo de seus collegas daquella previncia ; um artigo (de 
paginas 17 a 41) assignado por aquelles, isto é, o BarSo de ItapoS, doutor 
José Francisco da Silva Lima, doutor Francisco José Teixeira, doutor 
Domingos Carlos da Silva e doutor António Pacifico Pereira, contestando 
o parecer dos collegas da corte, e transcripto da Gazeta de Noticias, da 
Bahia; finalmente a resposta a este artigo pelos dous médicos consultados. 

A opinião publica e toda a imprensa bahiana considerou falsa a 
accusaçSo feita pelo doutor Braga, que so casara, só levado por uma espe- 
culação mallograda em vista das circumstancias que precederam a. en- 
trega da moça a seu pae. 
Ha em revistas medicas alguns escriptos do doutor Souza Lima, como 
'^Cremação dos cadáveres —Vem em diversos números da Gazeta 
medica brazileira. Rio de Janeiro, 1882. 

A^ostinlio Ma«x*q^u.es de Grouvêa* — Nascido entre os 
últimos annoB do século 18» e os primeiros do século actual, falleceu no 
Rio de Janeiro em 1853 ou 1854. 

Era presbítero secular do habito de S. Pedro, monsenhor da capella 
imperial, do conselho de sua magestade o Imperador e exerceu muito 
tempo o magistério, como professor publico de latim na corte. 

Escreveu: 

— Novo cathecismo geographico brazileiro, offerecido aos senhores 
pães de família, e professores de ambos os sexos. Rio de Janeiro, 1832. 

A.^ostinli.0 Marq.ues Perdigão Malli.eix'ogi9 1»-^ 

Nasceu em Vianna do Minho, Portugal, sendo seus pães o capitão 

Agostinho Marques Perdigão Malheiros e dona Anna Joaquina Rosa 

Malheiros, a 29 de agosto de 1788, e falleceu no Rio de Janeiro a 19 de 

agosto de 1860 com 72 annos de idade. 

Formado em leis na universidade de Coimbra em 1812, entrou para a 

magistratura, sendo logo despachado para o logar de juiz de fora de 

2 



18 

Santos, d'onde passou para «gnal cargo em Marianna, província de Minas 
Qeraes, e serriu depois saccessivamente como ouvidor interino de 
Ouro- Preto, juiz de fora da Campanha, desembargador da relaçSo da 
Bahia, desembargador da do Rio de Janeiro, e membro do supremo 
tribunal de justiça, desempenhando além disto diversos cargos inherentes 
á magistratura, como juiz provedor, de ausentes, juiz dos feitos da coroa 
o fuenda, e membro adjunto do conselho supremo militar. 

Foi tSo dedicado á causa constitucional e á independência do Brazil, 
como aquelles que, nascidos no Brazil, mais o íbram. 

Era fidalgo eavalleiro da casa imperial, do conselho de asa magestade o 
Imperador, commendador da ordem de Christo e sócio A instituto histórico 
6 geographico. 

Escreveu : 

— Vários trabalhos sobre jurisprudeneiat historia e philologiãf que 
nunoa foram publicados — assim como : 

«>• Glossário das .palavras antiquadas ê obsoletas da lingíM portU' 
gisexa, indispensável para bem se entenderem os clássicos e obras 
antigas — Inédito. 

Tenho lembrança de ter visto um trabalho seu, histórico, relativamente 
do dia em que Pedro Alvares Cabral chegou a Porto-Seguro. 

.A^OBtiiili.o MAirques PercUfirâo BCaillieiroB^d*— 

Filho do precedente e de dona Urbana Cândida dos Reis PerdigSo, nasceu 
na cidade da Campanha, provincii de Minas-Geraes> a 5 de janeiro 
de 1824, e falleoeu no Rio de Janeiro a 3 de junho de 1881. 

Bacharel em lettras pelo coUegio de Pedro II, fez o curso de sciencias 
sociaes e jurídicas na academia de S. Paulo, onde recebeu o grau de 
doutor em 1849, e entrou logo por nomeaçSo do governo para o logar de 
bibliothecario. 

Dedicou^se desde 1850 ao exercício da advocacia, primeiro em S. Paulo, 
depois na corte ; representou sua província na camará temporária na 
legislatura de 1869 a 1872 ; foi curador dos africanos livres, procurador 
dofl feitos da fazenda, advogado do conselho de estado, sócio do instituto 
histórico e geographico brazileiro, sócio e presidente do instituto da 
ordem dos advogados brazileiros, e de outras associaç5es de lettras ; e era 
moço fidalgo da casa imperial e commendador da ordem de Christo. 

Escreveu : 

— índice chronologico dos factos mais notáveis da historia do 
Brazil desde seu descobrimento em ÍSOO até i849, seguido de um 
succinto esboço do estado do pais ao findar o anno de Í849, Rio de 
Janeiro, 1850 — Esta obra, que foi pelo autor offerecida a seu venerando 
pae, deu-lhe entrada no instituto histórico. Sua apresentação ao instituto 
motivou um parecer, dado sobre ella pelo conselheiro Diogo Soares da 
Silva de BivaTy um appendioe a este parecer pelo doutor Joaquim 
Caetano da Silva, que vem na I^êmsta irimensal^ tomo iffi^ de pag. 85 



10 

a 112, e oittroi escriptoB sobre o mesmo assumpto, pablieadoB na dita 
revista. 

•^Commêntario d lei n. 463 de 2 de setembro de Í847 sobre 
successão dos filhos naturaes e sua filiação. Rio de Janeiro, 1857. 

— - Manual do procurador dos feitos da fazenda nacional nos juizos 
de primeira instancia. Rio de Janeiro, 1859 — A esta obra, qae oceupa 
mais de 320 paginas, se segue um appendice com perto de 500 paginas, 
que contém toda legislação, que se refere ao assumpto. Teve segunda 
ediçSo em 1872. 

— I Ilegitimidade da propriedade constituida sobre o escravo ; 
natureza da mesma ; abolição da escravidão ; em que termos : discurso 
pronunciado em sessSo magna do instituto dos advogados brazileiros em 7 
de setembro de 1863. Rio de Janeiro, 1863. 26 pags. in-4o — Depois de 
assim deolarar-se abolicionista, escreveu : 

— A escravidão no Brazil : ensaio historico*-juridico-social. Rio de 
Janeiro, 1866 a 1867 — Sfto três partes ou volumes, a saber : 1*, Direito 
sobre os escravos e libertos, 1866 ; 2», índios, 1867 ; 3», Africanos, 1867. 
Contém mais um appendice de 41 documentos comprobatórios com mais 
de 200 paginas. Esta obra, como as demais que referi, foi bem rece- 
bida e elogiada pela imprensa. 

— Repertório ou indice alfabético da reforma hypothecaria e sobre as 
sociedades de credito rural. Rio de Janeiro, 1865. 72 pags. com um 
appendice de 96 pags. 

— Supplemento ao Manual do procurador dos feitos da fazenda 
nacionah Rio de Janeiro, 1870. 

— Discurso proferido na sessão da camará temporária de Í2 de julho 
de iS7i sobre a proposta do governo para reforma do estado servil. 
Rio de Janeiro, 1871. 53 pags. in-8«o 

— Successão dos filhos naturaes. Rio de Janeiro, 1872. 

O doutor Perdigão Malheiros deixou alguns trabalhos inéditos» e entre 
estes: 

— O código criminal e vários decretos annotados por PerdigSo 
Malheiros. 

— Apontamentos para meu uso por PerdigSo Malheiros -— Pertencem 
estes inéditos e outros ao instituto histórico, que provavelmente os dará 
á publicidade. 

A^^ostiiilio RodLx-ifiTueA da* Ounlia.— Estudou na escola 
polytechnica da Erança, sem que, me parece, concluísse o curso respe- 
ctivo . E* somente o que pude saber relativamente a este esoriptor brar- 
zileiro . 

Escreveu : 

— Arte da cultura e preparação do café, compréhendendo a cultura 
dos cafezeiroSf seus melhoramentos, modos de os cultivar nas terras 
fHaSt oausae da abundância e falhas alternaiivas, sua preparação par 



20 

um novo systema^ differença do systema em uso, construcção das es- 
tufas e machinas, considerações sobre seu commercio, etc^ offerecida 
aos cultivadores brazileiros. Rio do Janeiro, 1844. 112 pags. in-12.<> 
Pelo simples enanciado no titulo desta obfa se vé que o autor fez um 
estudo serio da matéria e que a obra deve interessar muito aos individues 
a quem é offerecida. 

A^OBtiiLli.o m^omaiZ de A.quiii.o~ Falleceu pelo anno 
de 1840, e era formado, si nSo me engano, pela antiga academia medico- 
cirurgica do Rio de Janeiro, membro titular da sociedade de medicina desta 
cidade, etc. 

Escreveu com os doutores Cláudio Luiz da Costa e José Martins da Cruz 
Jobim : 

— Relatório da commissão de salubridade geral da sociedade de me» 
dicina do Rio de Janeiro sobre as causas da infecção da atmosphera 
desta cidade, lido e approvado na sessão de 17 de dezembro de 1831. Rio 
de Janeiro, 1832. 37 pags . in-4.o Sahiu também no Semanário de saúde 
publica da sociedade de medicina do Rio de Janeiro, tomo 2®, pags. 284 
a 306. 

Escreveu mais : 

— Memoria sobre o tétano, apresentada á sociedade de medicina do 
Rio de Janeiro— Desta memoria vem um extracto no mesmo somanario, 
tomo 1^ pags. 99 e seguintes. 

.A^ostinli.0 Viotorde Sorja Oa»stro— Depdis de 
estudar, em 1850, o primeiro anno da academia de marinha, passou para 
a antiga academia mUitar, onde fez o curso de mathematicas e recebeu 
o grau de doutor, tendo servido alguns annos no corpo de engenheiros, 
em que assentara praça em 1852. 

E* lente do curso de engenharia civil da escola polytechnica, commen- 
dador da ordem da Rosa, membro do imperial instituto fluminense de 
agricultura, sócio e membro da secçSo zoológica da associação brazilcira 
de acclimaçSo, etc. 

Escreveu : 

-^Annuario industrial^ contendo algumas regras pi*aticas, instruc- 
çSes e tabeliãs para uso das pessoas quo se dedicam ao commercio, agri- 
cultura e trabalhos de engenharia. Rio do Janeiro, 1870. 223 pags. in-8.<> 

— Descripção do porto do Rio .de Janeiro e das obras das docas da 
alfandega. Rio de Janeiro, 1877. 53 pags. in- 4,° com sete tabeliãs e 
planta? coloridas. 

NSo obtive do doutor Borja Castro as informações que lhe pedi o por 
isso talvez omitta outros trabalhos seus, mau grado meu. 

Agrário de fSoiiaía Menezes — Filho de Manoel Ignacio 
de Souza Menezes e de dona Anna Vicentina de Araújo Menezes, nasoeu 



21 

na cidade da Bahia a 25 de janeiro de 1834 e fallecea a 23 de agosto de 
1863, acommettido de uma apoplexia fulminante. Achava-s:) elle no 
theatro de S. JoSo, de que era director, e applaadia muito satisfeito uma 
cantora, quando cahiu fulminado o expirou nos braços de sua esposa, 
única pessoa que se achava com elle no camarote . 

Era formado em aciencias sociaes e jaridicas pala faculdade do Recife, 
em 1854, e nSo em medicina, como por engano escreveu o Dr. J. M. de 
Macedo no seu Anno biographico ; exercia a profissão de advogado no foro 
de sua provincia, e amenisava as asperezas desta profissSo, cultivando 
com gosto todos os géneros da litteratura, especialmente a dramática. 

Foi diversas vezes deputado á assembléa da provinda, onde era con- 
siderado como um dos primeiros oradores ; foi um do3 fundadores e 
presidente do conservatório dramático da Bahia, sócio do instituto his- 
tórico da mesma cidade e de outras associações litterarias. 

Redigiu no Recife, sendo ainda estudante, o periódico Astréa, e colla- 
borou com muitos artigos em prosa o em verso para muitos outros desta 
cidade e de sua provincia, como: o Liberal, o Echo Pernambucano, o 
Diário de Pernambuco (antes de formar-se em direito), o Jornal da 
Bahia, o Diário da Bahia, o Noticiador Catholico, o Caixeiro Nacional, 
o Prisma, etc. 

Escreveu mais : 

— Mathilde : drama em verso, em cinco actos. Recife, 1854 — Cur- 
sava o autor as aulas de direito quando escreveu e deu a lume esta obra. 
Segundo se disse, é essa composição uma allusSo a certos amores que 
nutrira por uma linda senhora casada. 

— Calabar : drama em verso, em cinco actos. Bahia, 1858 — Este 
livro se abre com um prologo, que contém noticias particulares da vida 
litteraria do autor, e se fecha com um juizo critico lido pelo Dr. A. Alvares 
da Silva n*uma sessSo do conservatório dramático, elogiando a peça, que 
tom por objecto factos de nossa historia do tempo do dominio hollandez. 
O Dr. Agrário enviara este drama ao conservatório dramático da corte 
em concurso a um premio proposto a quem melhor apresentasse um 
drama de assumpto todo brazileiro, em carta fechada, sem ássignatura, 
etc. Passados mezes, sabendo das cabalas que ferviam pelo conservatório 
e nâk) vendo deliberação alguma tomada neste sentido, mandou retirar 
seu Calabar, Entretanto acabavam de julgal-o o único digno do premio 
promettido. 

— Os Miseráveis : drama em cinco actos. Bahia, .••••— Este drama 
só tem o titulo do romance do litterato francez Victor Hugo ; nada tem de 
commum com este romance. 

— Dom Forte : poema homoeopathico, producçdío de um princicipiante, 
offerecida ao Sr. Gabriel Flosclok Fortes de Bustamante . Bahia — Este 
poema foi impresso sem declaraçSo do anno, nem da officina typographica. 
SuppÕe-se ter sabido da typographia de Quirino o Irmãos, 1863. Não 
traz o nome do autor. 



22 

— Obroã in&ditaa do Dr, Avario de Souta Meneses, precadidms de 
nm elogio hiftorioo, eseripto pelo Dr. António Alvares da Silva, e man- 
dado pablicar pela sociedade academicA Recreio Dramático, tomo 1^ 
Bahia, 1865 in-8/— Bahia neste volame apenas Bartholomeu de Gusmão, 
drama histórico em três actos, e não me consta que se publicassem mais 
ontras de suas obras, taes como : 

— Os contribuintes : drama cómico — Inédito, mas levado & acena 
com mnito applaoso no theatro S. JoSo. 

'^ O dia da independência : ámaA em cinco actos-— Idem. O pu- 
blico, cheio de enthusiastico transporte, offereceu-lhe uma coroa, quando 
foi representado este drama. 

•p- Metrato do rei: comedia— Idem. Nesta comedia o autor galardoa 
o talento na pessoa de um artista que elle exalta, coUocando-o ao lado de 
fidalgos sem mérito. 

— Oprincipe : comedia — Também inédita. 

— O 9Qto livre : comedia —Idem. 

— O primeiro amor : comedia — Idem. 

— A questão do Peru: comedia — Idem. Esta comedia, diz o Dr. 
Manoel Corrêa Garcia, no elogio fúnebre que escreveu sobre o autor e 
vem no periódico do Instituto Histórico da Bahia,'[de janeiro de 1864, que 
nSo ficou concluida. 

«~ O boeado não é para quem o faz : comedia — Idem. NSo foi tam- 
bém concluida. 

— Uma festa no Bom fim: comedia — Concluida, porém inédita. 

<— S,Thomé: drama — Inédito. Consta^me que é uma de suas me- 
lhores producçSes. No dizer do Dr. Corrêa Garcia nSo foi acabado. 

O Dr. Agrário escreveu uma introducçSo n'um volume de biographias 
e discursos escriptos por occasiSo da morte do arcebispo, Marquez de 
Santa Cruz, e si me nffo engano, ha também neste volume — que nSo vi— 
um discurso seu, recitado no Instituto Histórico da Bahia. 

Alt>e]rto A.ntoiiio SoaireM — Nasceu na cidade do Rio de 
Janeiro, aqui falleceu entre 1870 e 1874, no vigor dos annos, e foi seu 
pae Caetano Alberto Soares de quem farei mençSo adiante. 

Era formado em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo, 
e se estabelecera como advogado na cidade de seu nascimento. 

Escreveu : 

-r» A permutação. S. Paulo — SSo estudos de economia politica, a que o 
autor se applioara muito, desde os bancos da faculdade. 

— Haverá possibilidade de ser a America conhecida antes de Co^ 
lombo f E era conhecida? — Este trabalho foi escripto e publicado, 
sendo o autor estudante de direito, na revista litteraria do Ensaio Philo- 
sophico de S. Paulo, serie 5*, ns. 2 e 3. 

— Tratado da prova em matéria criminal por Miltermayer^ tradu- 
zido e annotado com a legislação brazileira. Dous vols. . . 



2S 

A.ll>e]rto Boirgros Sk>vex*Al — Nataral da prorineia do Rio 
Qrande do Sol, naaoen em 1860. 

Gonatoa-me por uma carta qae recebi de sua provincia, que Tiera para 
o Rio de Janeiro em fins de 1880, afim de se matricular na escola polyte- 
chnica ; procurei-o, e nSo pude encontral-o, sendo informado de que nSo 
se matriculara nesta escola. 

Soveral foi collaborador da Idéa, periódico litterario de Pelotas, em 
1878, e ahi publicou : 

— A morte de Amália Figueirôa : poesia onde eUe escreve : 

c Além, na campa sombria 
Descança inânime, fria 
A frágil matéria delia ! 
Aqui, reluz o seu nome 
De immorredouro renome. 
Gravado em fulgente tela 
De glorias, de luz, de amor. . . 



E lá, aos pés do Senhor 
Folga su*alma singela. 

Aqui foi anjo que passou sonhando. 
Nome deixando de eternal brazSo. . . 
Da negra morte, ao rebramir do vento, 
Gahe o talento, mas a gloria — nSo ! . . . 

Gollaborou na Arena litteraria^ da mesma provincia, onde se encontram 
muitas poesias suas, entre as quaes uma que tem por titulo : 

— Dorme, sonha.,, e ama — Escripta em Bagé, 1880. E além destas 
possuo : 

-^Um livro de poesias inéditas '-^ qxiQ será publicado breve. 

A.ll>e]rto Desnele de GteirrAis — Nasceu na Itália, pa- 
recendo pelo appellido ser de origem franceza e é cidadSo brazileiro por 
naturalisaçSo. 

Apresentou-se a dous concursos no collegio Pedro II, é lente substi- 
tuto da lingua italiana do internato do mesmo collegio e escreveu : 

— Grammatica da lingxAa italiana. Rio de Janeiro, .... 

— Filosofia de la lingua italiana : these per el concorso ei profes* 
sore sostituto d*italiano nell* imperial collegio Pietro II. Rio de Ja- 
neiro, 1880. 

— Filosofia de la lingua italiana^ suo movimento storico, litterario 
de la sua origine fini ai nostri giorno. Rio de Janeiro, 1880. 

— Compendio geral da lingua italiana com todos os verbos anómalos 
comparada com o portuguez, etc. Rio, 1881 — E* segunda edi^o, e si nSo 
mo engano, da grammatica da lingua italiana. 

— Guia de conversação das linguas italiana e portugueza. Rio de J^ 
neiro, .... — Nova ediçSo, Rio de Janeiro, 1882. 



24 

A.ll>ex'to Marques de Oarvallxo —Filho do Dr. Ma- 
ximiano Marques de Carvalho, nasceu na cidade do Rio de Janeiro ; aqui 
começou sua educaçXo litteraria que foi concluída na Europa,onde formon- 
se em direito ; e voltando á pátria, estabeleceu-se como advogado na corte. 

Escreveu : 

— Reponse auso articles de la Patrie $ur la guerre du Paraguay. Pariz, 
1868. 40 pags. in-4.<> — Contém este opúsculo rectificações a apreciações 
inexactas, feitas pelo órgão da imprensa fraaceza acerca de factos occor- 
ridos na guerra em questdo. 

— Lettre sur Vempire du Brésil. Pariz, 1875. 

— A Lanterna. Rio de Janeiro, 1876 in-8.o— E' uma publicaçSo perió- 
dica que sahiu até o numero 14, assignada por Octávio Carvora. 

— Petreiade : epopéa imperial por Octávio Carvora. Rio de Janeiro, 
1877. lôpags. in-8.0 

— Ltbellos fluminenses contra a imprensa gazeteira. Rio de Janeiro, 
1877. 14 pags. in. S.^ — Esta publicação traz a mesma assignatura de 
Octávio Carvora. 

^^ Libellos fluminenses ; dez annos de poder conservador. Rio de 
Janeiro, 1878. in. 8.o — Idem. 

— A dissidência liberal. O ministério de 5 de janeiro perante a 
consciência nacional. Rio de Janeiro, 1878. 

— Duas palavras sobre a philosophia positivista, com uma carta a 
E. Littrê, Rio de Janeiro, 1878. 

— As finanças conservadoras ; Octavius e o Barão de Cotegipe. Rio 
de Janeiro, 1878. 20 pags. in.!8.° — Com o mesmo pseudonymo. 

— Dissolução da camará. Reforma eleitoral. O suffragio universal. 
Rio de Janeiro, 1878. 16 pags. in-8.o — Idem. 

— A verrina{ pamphletos ns. 1 e 2 ). Rio de Janeiro, 1880 — in-8.o ,^ 
Creio que só sahiram estes dous números impressos na typographia 
Oarnier. 

'^ A Folha: periódico da tarde. Rio de Janeiro, 1880 — Sahiram 
poucos números. 

A.ll>ex*to de 01iveix*a — IrmSo de Mariano de Oliveira de 
quem farei mençSo em logar competente* nasceu em Itaguahy, província 
do Rio de Janeiro. 

Desde muito joven se deu ao cultivo da litteratura amena, sobretudo 
da poesia ; tem collaborado em diversos jornaes e revistas do Rio de 
Janeiro, e escreveu : 

^■^Canções românticas : poesias. Rio de Janeiro, 1878 — Este volume 
foi escripto sendo o autor estudante de preparatórios. 

A.ll>iiio Bo<lx*i^ues de A.lvai*engr^ — Filho de Manoel 
Rodrigues de Alvarenga, nasceu em Campos, província do Rio de 
Janeiro. 



25 

E' doator em medicina pela facaldade da corte, professor da cadeira de 
matéria medica e therapeutica da mesma faculdade, medico da imperial 
camará, e cavalleiro da ordem da Rosa. 

Exerceu de 1868 a 1870 o logar de chefe da clinica medica da faculdade, 
e foi medico da casa de saúde de Nossa Senhora da Ajuda. 

Escreveu : 

— Elephantiases dos Gregos, suas causas e seu tratamento : dissertaçSo 
inaugural. Rio de Janeiro, 1857 — Esta dissertaçSo é precedida de propo- 
sições sobre : Arsénico e seus compostos — Diagnostico differencial ou com- 
parativo do typho, febre typhoide e febre amarella — Gòmmoção cerebral. 

— Lidbetis : dissertação apresentada no concurso a um logar de oppo- 
sitor da secçSo medica (seguida de proposições sobre os diversos ramos do 
ensino medico). Rio de Janeiro, 1870. 

— Da acção physiologica e therapeutica do óleo de fígado de bacalhAo : 
these para o concurso da cadeira de matéria medica e therapeutica ( se- 
guida de proposições sobre os diversos ramos do ensino medico). Rio de 
Janeiro, 1875. 

A.ll>iiio dos Santofif Pereira — Natural da cidade do Rio 
de Janeiro, é formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de 
S. Paulo, fidalgo cavalleiro da casa imperial e advogado nos auditórios da 
corte. 

Redigiu : 

— A Gazeta do Brazil : periódico politico, litterario e commercial . 
Rio de Janeiro, 1860 — Ha diversos artigos seus por occasiSo de um de- 
bate que sustentou acerca da questão do Bom Jesus em opposiçSo ao 
grande jurisconsulto e economista o conselheiro Zacarias de Góes e 
Vasconcellos. 

Escreveu depois : 

— Typoí políticos. Rio de Janeiro, 1871 a 1875. 9 opúsculos in-8.o ._ 
Referem-se : 1^ ao conselheiro SaySo Lobato ; 2^ ao conselheiro Zacarias 
de Góes e Vasconcellos ; 3^ ao conselheiro J. T. Nabuco do Araújo ; 4<> 
ao conselheiro F. Octaviano ; 5^^ ao conselheiro F. de S. Torres Homem ; 
6» ao conselheiro B. de Souza Franco ; I^slo conselheiro J. L. da Cunha 
Paranaguá, hoje Visconde de Paranaguá ; 8'^ ao conselheiro Costa Pe- 
reira ; 9o ao conselheiro Tito Franco . 

— O conselheiro Saldanha Marinho, Rio de Janeiro, 1881 . 

— O conselheiro Olegário Herculano d* Aquino e Castro, Rio de 
Janeiro, 1880. 

— O conselheiro José António de Magalhães Castro, Rio de Janeiro, 
1880. 

— O senhor dom Pedro de Alcântara, Rio de Janeiro, 1880 — Neste 
escripto, que sahiu com o pseudonymo de Zenin, tratando do Imperador, 
sua linguagem ò sussaz ferina e inconveniente. Ha ahi as mais 
graves injustiças em suas apreciações. 



20 

A.loide« I^imA -«• Natnral da prorineia do Rio Grande do Sol, 
nasceu na cidade de Bagé a 11 de Outubro de 1859. 

E* bacharel em sciencias sociaos e jurídicas pela £aculdade de 8. Paulo, 
cqjo grau recebeu a 12 de novembro de 1882 ; sócio do olub Vinte de Se- 
tembro, do cldb republicano Académico, e do Centro abolicionista desta 
província, tendo nostas associações exercido, por eleiçSo, o eargo de 
presidente. 

Escreveu : 

'^ Historia popular do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro, 1882 — Os 
estudantes rio-grandenses do clab Vinte de Setembro, resolvendo comme» 
morar a republica rio-grandense de 1835 com a publieaçSo de uma obra 
sobre a província, escolheram Alcides Lima para escrever a historia da 
mesma província até esta época, e Assis Brazil para a continuaçflo da 
mesma historia até 1845. ( Veja-se Francisco Joaquim de Assis Brazil.) 

*— Discurso ifuiugural pronunciado no dia 20 de setembro de 1881 na 
fandaçfiò do club Vinte de Setembro S . Paulo, 1881 . 

Além destas obras, escreveu, sendo estudante, folhetins a artigos de 
critica litteraria na Tribuna Liberal, na Provinda de S, Paulo, em 
outros jornaes do Rio-Qrande, e redigiu : 

— O Federalista : periódico republicano. Redactores, Alberto Salles, 
Pedro Lessa, Alcides Lima. S. Paalo, 1880 — Sahia mensalmente, 
in-folío. 

— A Republica : orgSo do clnb republicano Académico. S. Paulo — 
Esta publicação teve começo em 1876, sendo redigida por diversos acadé- 
micos até 1881, anno em que Alcides Lima tomou a si a redacçSo. 

A.le3:Aiiclx*e A.ffoiifiio de OaiX^vallio — Filho do nego» 
ciante José Afifonso de Carvalho, nasceu na capital da província da Bahia 
a 28 de março de 1839. 

Fes em sua província todos os estudos até receber o grau de doutor em 
medicina em 1865» servindo antes disto como interno de clinica medica do 
hospital da misericórdia; e depois do concurso, a que se apresentou em 
1872, foi nomeado oppositor da secção cirúrgica da faculdade que lhe con- 
ferira aquelle grau, passando depois a lente substituto, e em 1882 a lente 
cathedratico d9 anatomia descriptiva. 

Foi deputado á assembléa de sua província nas legislaturas de 1876 
a 1879, e escreveu : 

— Chlorose e anemia : dissertação inaugural. Bahia, 1865 — E* seguida 
de proposições sobre os pontos seguintes : Quaes as relações da anatomia 
com o estudo e pratica da medicina? — Crises — Vinagres aromáticos. 

^- Qual a origem do nervo grande sympathicof these para o concurso 
a um logar de oppositor da secção cirúrgica. Bahia, 1872 — E* seguida 
de proposições sobrt? as diversas matérias do curso medico . 

— Discurso proferido na assembléa provincial da Bahia na sessão 
de 2i de agosto de i878. Bahia, 1878. 17 pags. ín-4.<> 



t7 

A-lexAndre A.iitoiiio VAndelli "^ Nasceu em Lisboa 
no anno de 1784, sendo sea pai o doator Domingos Vandelli, distinoto 
nataralista e lente jabilado da faculdade de philosophia de Coimbra ; 
segundo afflrma Innocencio da Silva, em 1834 por effeito das mudanças 
politicas do reino veio para o Brazil, onde entrou no serviço do império. 
Sem querer contrariar o bibliographo portuguez, devo com tudo declarar, 
que fui informado de que Vandelli já muito desgostoso em consequência 
de accusações injustas feitas a seu venerando pai de proteger a invasfio 
franceza em 1807, por causa das qnaes accusações fora preso, deportado 
e até cahira n*um estado de idiotismo, depois da morte delle se retirara 
para o Brazil pela época da independência. 

Como quer que seja Vandelli era brazileiro, si nSo adoptivo, naturali- 
zado, e falleceu em 1859. 

Antes de emigrar para o Brazil fizera com seu pai alguns estudos de 
historia, natural e exercera os cargos de guarda-mór dos estabelecimentos 
litterarios da academia real das sciencias, de que fora sócio, de ajudante 
da intendência geral das minas e metaes do reino e de membro da com- 
missflo de reforma de pesos e medidas. 

Escreveu : 

— Resumo da arte de distillação. Lisboa, 1813. 82 pags.— Esta obra 
foi impressa por conta da junta de commercio e gratuitamente distribuída. 

— Memoria sobre a gravidade especifica das aguas de Lisboa e seus 
arredores — Sahiu nas memorias económicas da academia real das 
sciencias, tomo 4.^ 

— EoBperiencias sobre duas differentes cascas do Pará — Idem, tomo 5<», 
1818, pags. 132 e seguintes. 

— Additamentos ou nota d Memoria geo gnóstica ou golpe de msta 
do perfil das stratificações das differentes rochas que compõem os ter- 
renos desde a serra de Cintra até a de Arrábida (pelo BariU) de Echwege) 
— Idem, tomo 11^, pags. 281 e seguintes. 

— Apontamentos para a historia das minas de Portugal^ coUigidos 
pelo ajudante, servindo de intendente geral das minas e metaes do reino. 
1» parte. Lisboa, 1824. 23 pags. in-4.o 

— Zoologia portugueza computada por Alexandre António Vandelli, 
extrahida de 43 autores e 53 obras. 1817. O original desta obra, um 
grosso volume in-4<^, se acha na bibliothoca nacional. Se occupa de vários 
pontos da zoologia do Brazil. 

— Eoctractode 88 autores para a nomenclatura zoológica portugueza, 
1817. Idem, idem. — Tanto este, como o precedente, se conservam inéditos. 

— Retoques e rectificações a alguns elogios insertos na Revista áo 
Instituto histórico e geographico brazileiro, tomos 1» e 2.^ Rio de Ja- 
neiro, 1851. 12 pags. in-4.<> 

— Ingénuos reparos e reflexões sobre o projecto de um estabeleci^ 
mento agricola, formulado pelo gymnasio brazileiro. 1850 — Inédito. 
A cópia de 19 fols. se acha na bibliotheca nacional. 



28 

— Refutação da memoria : Onde aprenderam e quem foram os artistas 
que fizeram levantar os templos dos jesuítas em Missões, etc. — Inserta 
na Revista do Instituto histórico e geographico brazileiro, tomo 4<>, n. 13, 
de Abril de 1842 — Ha nm mans. de 8 fls., sem assignatara do autor, 
datado de 1851, pertencente á bibliotheca nacional. (Yeja-se Rodrigo do 
Sonzada Silva Pontes.) 

A.lexaiiidi*e Oelestino Fernandêei Pinlieiro— 

Formado em sciencias sociaes e jurídicas, exerceu o logar do juiz muni- 
cipal do termo de Sant*Anna de Macacú, e depois, a 4 de fevereiro de 1879, 
foi nomeado promotor de Itaborahy na provincia do Rio de Janeiro. 
Escreveu : 

— Reflexões sobre a lei n. 2033 de 20 de setembro de i8H, Rio do 
Janeiro (sem data), in-4.° — Entre outros so occuparam do mesmo as- 
sumpto, como depois indicarei melhor, o desembargador José António de 
MagalhSes Castro, António José de Oliveira Guimarães, e os bacharéis 
António Carneiro da Rocha e Manoel Godofredo de Alencastro Autran. 

A.lexa.iidx*e de OusmêLo— IrmSo do celebre Bartholomeu 
de Gusmão, o voador, e filho do cirurgiSo-mór do presidio da villa, depois 
cidade de Santos, Francisco Lourenço, e de sua mulher dona Maria Alvares, 
nasceu nesta villa em 1795 e falleceu em Lisboa a 31 de dezembro 
do 1753, ou a 31 de outubro, como diz o finado Manoel Eufrazio de Aze- 
vedo Marques em seus Apontamentos históricos, geographicos, biogra- 
phicos, estatísticos e noticiosos da provincia de S. Paulo. 

Depois de estudar alguns preparatórios no collegío dos jesuítas, 
seguindo para Portugal, fez o curso de direito na universidade de Coimbra, 
onde recebeu o grau de doutor ; e obtendo logo por intervenção de S3u 
irmSo, que gozava entSo de alto valimento na corte portugueza, fazer 
parte da apparatosa embaixada que, depois da guerra da Hespanha e das 
convenções de 1712 a 1714, foi á França, ahi recebeu também o grau de 
doutor em direito civil, rom&no e ecclesiastico na universidade de Paris, 
e deu-se aos estudos da diplomacia. 

De volta a Portugal em 1720, foi admittido na secretaria dos negócios 
do remo e no anno seguinte foi á Roma, como adjunto á missão especial 
de que fora encarregado o dito seu irmSo, a quem elle substituiu com 
louvável tino, alcançando para o rei de Portugal o titulo de fidelíssimo, 
para o arcebispo de Lisboa o titulo de patriarcha, e sendo nomeado pelo 
papa, que era Benedicto VIII, príncipe romano, titulo que nSo aceitou por 
nSo querer perder sua nacionalidade. Depois disto foi Alexandre de 
Gusmão nomeado escrivão da puridade ou secretario particular do rei 
dom João V, e ministro dos negócios ultramarinos, cargo em que prestou 
serviços valiosíssimos ao Brazil, como os da creação dos bispados de Minas- 
Geraes, S. Paulo e Pará, e a Portugal serviços não menos valiosos até a 
data do fallecímento deste soberano, em 1750. 



29 

Foi elle qaem neste anno effectuou o famoso tratado do 13 de janeiro 
entre Portagal e a Hcspanha, pelo qual se fixaram os pontos capitães da 
linha divisória entre as possessões dos dons Estados na America meri- 
dional, tratado que foi modificado em 1761 com desvantagens para Por- 
tugal, mas pelo qual — depois da morte de dom João V, porque nSo tinha 
as graças do successor deste — lhe imaginaram certas accusaçQes e quando 
entretanto o próprio embaixador que concluirá o tratado com geral apra- 
simento, em seu nome e no de sua familia, fizera a Gusmão offerta de um 
annel, que lhe fora doado como brinde da honrosa negociação, offerta 
que ôlle recusou com toda dignidade e energia. 

Foram três annos de amarguras os três annos que viveu Alexandre do 
Gusmão, depois da morte de dom João Y, não tanto por se sentir ferido 
pela ingratidão áe dom José, e da corte portugueza, como por ver pere- 
cerem seus dous filhos nas chammas de um incêndio que lhe devorara 
sua caza e seus bens em 1751 . 

Era fidalgo da caza real, do conselho de sua magestade o rei de Por- 
tugal e do Brazil, cavalleiro da ordem de Christo, membro do conselho 
ultramarino, um dos eincoenta membros da academia real do historia 
portugueza, e de diversas associações litterarias. 

Escreveu: 

— Relação da entrada publica que fez em Paris aos Í8 de agosto 
de f7i5 o excellentissimo senhor dom Luiz da Camará^ Conde da 
Ribeira, do conselho d^el-rei de Portugal, seu embaixador extraordi" 
nario d corte de França, reinando nesta monarchia Luiz XIV, em 
que se acham varias noticias concernentes ao ceremonial desta embai- 
xada, Pariz, 1715. 

— Pratica com que congratulou a academia real em i3 de março 
de Í732 "por ser eleito seu collega — Sahiu na collecção de documentos o 
memorias da mesma academia, Lisboa, 1732, e foi reproduzida no Pa^ 
triota^ Rio de Janeiro, 1813, n. 4. 

— Conta de seus estudos académicos, dada a 24 de junho de 1732^^ 
Na dita collecção, tomo 9.<> 

— Aoenturas de Diofanes, imitando o sapientissimo Fenelon na sua 
viagem de Telemaco ; por Dorothea Engracia Tavareda Dalmira. Lis- 
boa, . . . .— Desta obra que se sabe ser de Alexandre de Gusmão, sahiram 
mais duas edições no século passado, sendo a ultima em 1790, de 340 pags. 
in-4o, todas em Lisboa. Innocencio da Silva estranha com toda razão, que o 
autor, ainda vivendo, consentisse em ser publicado este romance sob nome 
que está longe de ser um anagramma de seu nome, e que entretanto o é 
de dona Thereza Margarida da Silva Horta, de cuja lavra foi considerado ; 
e ainda mais estranha que o abbade Barboza Machado, devendo estar bem 
ao facto destas couzas, passadas no seu tempo, sob suas vistas, se dei- 
xasse illudir ao ponto de attribuir a obra, a que me refiro, a dona The- 
reza. De minha parte a mencionando aqui coin estas observações, nada 
affirmo ; dou só noticia dos factos. O que ó com certeza da penna de 



30 

AlexAndre QasmSo — que eflcrevera sendo ministro de dom Jofio V — é o 
— Tratado de limites das conquistas entre os muito altos e podo' 
rosos senhores dom João V# rey de Portugal, e dom Fernando V, rey 
de Espanha^ pelo qual, abolida a demarcação da linha meridiana ajustada 
no tratado de Tordesillas de 7 de junho de 1494, se determina individual- 
mente a raja dos domínios de uma e outra cor^a na America meridional, 
eto. Lisboa, 1750, 144 pags in-4.<'— Foi reimpreeso na régia officina typo- 
graphica em 1802, e vem reproduzido em diversas ooUecçÕes e obras. 

Já deixei dito que o secretario de dom JoSo V foi accusado a propósito 
deste tratado, e nfio procurei justifical-o por nSo querer afastar-^me do 
plano que neste livro adoptei ; mas — quando se trata de uma das pri- 
meiras glorias do Brazil, seja-me licito ao menos referir o que escreveu a 
penna maia insuapeita a respeito delle . Nas Breves annotações á me- 
moria que publicou o Visconde de S . Leopoldo sobre os limites naturaes 
do império, discorrendo acerca do tratado de limites negociado por Ale- 
xandre de Qusmflo com a corte da Hespanha, disse o oonselheiro Miguel 
José Maria da Costa e Sá : 

« No tocant3 a Alexandre de GusmSo que o censor affirma compre" 
hendido em semelhante suspeita de suborno, em asserção, tfio grave, 
como espúria, prevalece o principio — que uma accusaçSo vaga é uma ac- 
cusaçSo nulla. Quando não houvesse outras provas de seu acrisolado 
desinteresse, o que seria longo aqui deduzir, sSo terminantes a carta de 
Nuno da Silva Telles, e a prompta resposta que se Idm na collecçSo de seus 
escriptos inéditos, hoje impressos. Nessa carta, datada de 10 de maio 
de 1752, que transpira sentimentos da mais delicada gratidSo, Silva Telles, 
que depois vemos em eminentes empregos, em nome de toda familia do 
embaixador, seu irmflo, lhe offerta o annel que a este fora dado por brinde 
da negociação do tratado ; Gusmão sente beliscado seu melindre e pun- 
donor ; immediatamente repulsa o brinde e responde até com desabri- 
mento. 

4 Convencido dos beneâcios que traria ao Brazil o tratado de limites 
que elle havia delineado, teve a intrepidez de publicar — quando já não 
tinha apoio e choviam sobre elle, como refere o censor, murmurações, 
escriptos anonymos e ataques pessoaes, ordinários em mudanças poli- 
ticas — a sua impugnação ao parecer do brigadeiro António Pedro de 
VasconcelloB, obra importantissima, pois que sem ella não conheceríamos 
hoje as justas razões politicas, que regeram aquella convenção. 

4 Memorias coevas relatam a Gusmão dotado de uma alma nobre e 
elevado pelo seu merecimento a secretario de gabinete d*el-rei dom João V ; 
sabia que a nada mais devia aspirar, possuindo claro discernimento para 
prever que, nascido além do Atlântico, nunca seria revestido da cate- 
goria de secretario de estado, a que chegou : desvelou-se em promover 
o bem geral, discorrendo, peregrinando e fazendo chegar os beneficies 
ainda ás mais remotas possessões da monarchia, e entre os estrangeiros 
tornando respeitado o nome do rei até quei por morte deste» do pòstOf que 



31 

oocapou, descea á nallidade com a qual se contentou de viver ; e nSo 
ao alto patrocínio 9 como se incaica no escripto do brigadeiro Vascon- 
celloB ó que deveu Gusmão o preservar-se de maior perseguição. Os des- 
gostos, que o levaram á sepultura» nfto procederam de complicações e 
embates políticos ; mas de desgraças domesticas. » 

— Impugnação ao parecer do brigadeiro António Pedro de Vas^ 
concellos. Lisboai 1751 — Acredito que fosse publicada em Lisboa em 
1751, porque diz o conselheiro Gosta de Silva que Gusmfto a publicara 
logo depois do parecer de Vasconcellos a dom José I considerando, se- 
gando o tratado, a cessão da colónia do Sacramento uma perda sensível 
aos interesses de Portugal e á segurança de seus domínios por aquella 
parte do Brazil. Foram ambos esses escriptos impressos ainda na col- 
lecçSo de inéditos, publicada em 1841 no Porto, e um extracto da Im^ 
pugnaçSo ou resposta de GusmSo vem na Revista do Instituto histórico 
brazileiro, tomo 1% pags. 322 e seguintes. NSo sei si esta resposta ó a 
mesma obra que escreveu o illustre brazíleiro com o titule : 

— Carta critica escripta a António Pedro de Vasconcellos tgovernador 
da colónia do Sacramento por Philolethes. Lisboa, 1751, 37 pags. 
in-4.<> 

— Dt«cf(r<o em que Aleosandre de Gusmão mostra os interesses que re- 
sultam a sua magestade fidelissima e a seus vassallos da eooecução 
do tratado de limites da colónia do Sacramento, ajustado com sua mor 
gestade constitucional no anno de i750 — Foi publicado no Pano/rama^ 
tomo 7<>i pags. 149 a 151, 1843. Escapara este discurso na coUecçSo de 
inéditos, impressa no Porto em 1841. Escrevera-o GusmSo, receioso -^ em 
vista da demora da execução do tratado -^ que elle não fosse effectuado. 
A bibliotheca nacional possue uma cópia n'uma coUecção de escriptos de 
Alexandre de Gusmão, de que darei noticia adiante, e outra cópia dos fins 
do século 18» ou do começo do século 19o gQ^ q titulo : 

— Discurso de Alexandre de Gusmão, ministro de capa e espadado conr 
selho ultramarino, em que faz a apologia do tratado de limites do 
anno de i75^ — Está annexo : «Papel que fez o brigadeiro António 
Pedro de Vasconcellos, governador que foi da colónia, contra o dito tra- 
tado; ao qual responde o mesmo ministro. » No fim, em folha separada 
occorre o seguinte N. B. : < GusmSo foi obrigado a fazer estes papeis e os 
fez, contra sua vontade, e por isto ( posto que em segredo ) desabafou com 
a seguinte carta que logo depois escreveu. » Esta carta, porém, não está 
com o manuscripto, mas se acha no Panorama, vol. 9^, 1852, pag. 271, 
seguida da de SilvA Telles, lhe offertando o annel do tratado, da repulsa 
do annel, etc. E' do theor seguinte : 

< Sr. M.«* Per.^deF.^ He bem verdade que fiz hua tal ou qual 
Apologia ao tratado de limites da America e também uma refutação ao 
papel contra o mesmo Tratado que escreveu António Pedro de Vaacon^ 
cellos, governador que foi da Colónia ; nunca escrevi mais involuntário, 
mas como foi por ordem superior estou persuadido que nSo devo ser cAs- 



3!^ 

ligado. O que nSo obstante, logo me esforcei , escrevendo a este respeito 
o que se achará nos meus Papeis, se acaso hoaver quem os leia 

De V"«« A™ M»o Obriga e Mto V»' A. de G.» 

Posteriormente á morte de Alexandre de Gusmão se publiciíram diver- 
sos trabalhos seus, como: 

— A liberdade de Nise : cançoneta de Metastazio : tradacçSo — No 
Patriota^ junho de 1813, e no Parnazo Braz ileiro do cónego í , da 
Cunha Barbosa, tomo 1.® 

— Calculo sobre a extincção da moeda do reino que A. de Gusmão 
apresentou ao senhor rei dom João V no anno de f74S, — No mesmo 
periódico, 1813. 

-* Calculo sobre aperda do dinheiro . Lisboa, 1822 — Sahira antes no 
Investigador Portuguez e talvez seja a mesma obra acima. 

— Panegyrico do senJior rei dom João V dito no paço em 22 
de outubro de Í739 '- Creio que foi publicado em vida do auctor. 

— Representação dirigida a el^rei D. João V easpondo-lhe os ser- 
viços prestados á coroa, e pedindo remuneração delles. — No Panorama 
tomo A\ 1840, pags. 155 a 157, e 166 a 168; no Jornal de Coimbra 
n. 52, pags. 220 a 230, e finalmente no Complemento da coUecçSo de 
inéditos. A alteração do titulo que se nota em cada publicação feita 
deste escripto, ha também em outros, e d'ahi resulta a confusão ou 
duvida em que me acho is vezes. 

— Collecção de vários escriptos inéditos politieos e litterarios 
de Alexandre de Gusmão . Porto, 1841 «- E* feita esta publicação por 
J. M. F. de C. e vem ahi o que ji referi sobre o tratado de 13 de 
janeiro de 1750, etc . 

— Complemento dos inéditos de Alexandre de Gusmão. Porto, 1844 — 
E* feita por Albano António de Oliveira Pinto, e contém o calculo sobre a 
perda do dinheiro e outros escriptos já impressos, havendo entretanto 
inéditos que ahi não foram comprehendidos. 

Existem igualmente diversos manuscriptos,' quer das obras já men- 
cionadas e publicadas na collecção de inéditos, quer de outras. Destes 
manuscriptos mencionarei : 

— Remarques sur la bulle d' Alexandre VI, que commence por 
ces mots € Alexandre Episcopus » datée du 4 may, Í493 et sur les 
conferences de Tordesillas du 7 juin, i494 — Existe uma cópia na 
bibliotheca nacional. 

— Notas d critica que O senhor Marquez de Valença fez á tragedia 
de Cidf composta por monsieur Corneille — Idem na bibliotheca 
nacional de Lisboa n* um volume de miscellaneas com os opúsculos 
do marque z. 

— Cartas e outras producções em prosa e em verso de Alexandre 
de Gusmão^ secretario particular do rei dom João V — Existe no 
Instituto histórico brazileiro um volume manuscripto com este titulo 
ofierecido por J. J. da Gama e Silva. 



33 

— Consulta em que satisfez o conselho ultramarino ao que sua 
inagestade ordena sobre o regimento das casas de fundição das 
MinaSy com o plano do mesmo regimento. 20 de fevereiro de 17 51-^ 
Cópia de 40 fls com a assignatura de A. de GasmSo e de alguns des- 
embargadores. Figaroa na exposiçSo de historia pátria de 18$!, e per- 
tence ao mesmo instituto. 

— Reparos sobre a disposição de lei de Í3 de dezembro de O50 a 
respeito do novo methodo da cobrança do Quinto, abolindo o dm 
Capitulação, sobre os quaes assentou a consulta do conselho ul- 
tramarino de 22 de fevereiro de 17 5Í — Cópia de 63 fls., por lettra do 
doator Alexande de QasmSo, pertencente a dona Joanna T. de Carralho. 
Ha outra do referido instituto. Este manuscripto anda com outros sobre 
igual assumpto, como o 

— Parecer de A. de Gusmão sobre a forma de cobrar o premio 
da conducção do dinheiro para o thesouro da junta dos três 
Estados, 

— - Cantigas inéditas compostas em 1749 — - Ignoro onde param , 

— Collecção de escriptos de Aleccandre de Gusmão, de 195 âs» que 
pertenceu ao cónego Januário da Cunha Barbosa e passava pela mais 
authentica — Esta collecçSo contém cartas e papeis sobre assumptos 
da administração publica da mais alta importância, alguns dos quaes 
foram ja publicados, e termina com o Elogio de Alexandre de GusmSo, 
fidalgo da casa real, cayalleiro da ordem de Christó, e académico do 
numero da academia real, lido por Miguel Alves de Araújo, e publicado 
em Lisboa em 1754. Póde-se ver o que contém esta collecçfto no 
catalogo da biblLotheca, de historia do Brazil, tomo lo, pags. 895 a898« 

Alexandre Herculaiiio I^adislaiU* E* natural da pro* 
vincia da Bahia, e deputado á assembléa provincial na actual legislatura, 
tendo-o sido em outras. Muito dedicado ao jornalismo, faz parto da redac- 
ção do Diário da Bahia, e escreveu: 

^- Apontamentos biographicos de varões illustres e seguidos de um 
retrospecto historico das invasões hollandezas na Bahia e da relação dos 
objectos enviados para a exposição de geographia e historia pátria. Ba- 
hia, 1881, 96 pags. in-4o — Teve por companheiro nesto trabalho o có- 
nego Romualdo Maria de Seixas Barrozo, de quem tratarei opportuna- 
mente. Os apontamentos se referem a frei Manoel da ResurreiçSo, frei José 
Fialho de Mendonça, frei Antonio Corrêa, frei José de Santa Escolástica, 
frei Francisco de S . Dâmaso A. Vieira, dom Rodrigo de Menezes, Conde da 
Ponte, Conde dos Arcos, Visconde de Cayrú, conselheiro José Lino Cou- 
tinho, conselheiro Jonathas Abbott, conselheiro Joãk) Baptista dos Aiyos, 
conselheiro Antonio Poly carpo Cabral, conselheiro Vicente Ferreira de 
MagalhSes, doutor Francisco de Paula Ara ajo e Almeida, doutor Manoel 
Joaquim Henriques de Paiva, doutor José Avelino Barboza, doutor José 
Vieira de Faria Aragão e Ataliba» doutor Mal^qui^^ Alvares do9 S%n(of| 



34 

conselheiro Manoel Ladislau Aranha Dantas, Francisco Agostinho Gomes, 
José Botelho de Mattos, o irmão Joaquim Francisco do Livramento e dona 
Anna Nery. 

A.lexa.iidx*e «To^é de Mello Miora/es, !<> — Filho do 
capitâo-mór Alexandre José de Mello e de dona Anna Barboza de Araújo 
Moraes, nasceu na cidade de Alagoas, antiga capital da provincia deste 
nome, a 23 de junho de 1816 e falloceu no Rio de Janeiro a 6 de setem- 
bro de 1882. 

Sendo, ainda criança, orphâo de pai e de mSi, £01 sua educação entregue 
aos cuidados de dous tios, ambos frades, um carmelita e outro francis- 
cano, OB quaes bem pouco se occuparam com a educação de seu sobrinho. 
Este, porem, com decidida tendência para a carreira das lettras, não só 
procurava desde seus verdes annos relacionar-^e com os homens doutos 
da Bahia, para onde viera, como se dava com toda applica^ção ao3 estudos 
superiores, de modo que aos dezesete annos de idade já leccionava om dous 
collegioB, e com taes recursos matriculou-se na faculdade de medicina, 
onde se doutorou em 1840. 

Principiando por exercer a clinica na provincia da Bahia como allo- 
patha, abraçou mais tarde o systema de Hahnemann, que ainda seguiu 
no Rio de Janeiro . Era medico do convento de Santo António, e ulti- 
mamente quasi que só se occupava em escrover. Sobretudo da historia 
pátria tinha feito muito estudo, e possuia documentos de alta valia. 

Representou na camará temporária a provincia das Alagoas na legis- 
latura de 1869 a 1872, e por iniciativa sua creou-so em 1859 a primeira 
bibliotheca que teve esta provincia, doando-a com uma boa quantidade de 
livros de sua bibliotheca particular. 

Escreveu : 

— Considerações physiologicas sobre o homem e sobre as paixões é 
affectos em geral ; do interesse^ amor, amizade e saudade em parti' 
cular : these apresentada e sustentada na faculdade do medicina da 
Bahia, etc. para obter o grau de doutor em medicina. Bahia, 1840. 114 
pags. in-4<>. 

— O medico do povo .' jornal destinado á propaganda das doutrinas 
homoeopathicas. Bahia, 1850 a 1853 ^ Foi redigido pelo doutor Mello 
Moraes, e João Vicente Martins. 

— O medico do povo na terra da Santa^ruz , Rio de Janeiro, 1854 
— E* o mesmo jornal que o doutor Mello Moraes continuou a redigir no 
Rio de Janeiro. 

— Propaganda hom(xopathica na Bahia desde outubro de 1847 a 
março de i848 por João Vicente Martins, mandada imprimir pelo doutor 
A. J. de Mello Moraes. 3 vols. Bahia, 1847 a 1849-^ E* uma resenha de 
todos os escriptos e publicações pro e contra a homoeopathia. 

— Repertório do medico homoiopatha, extrahido de Rouff e Bemnin» 
' ghausen, e posto em ordem alphabetica, com a descripção abreviada de 



3S 

todas as moléstias, e segaido de um diccionario da significação dos termos 
da medicina e cirargia pratica, etc. Rio de Janeiro, 1855. 316 pags. 
in-8o — Traz o retrato do autor. 

— Nova practica elementar da komoeopathiaf comum diccionario 
technico de todas as palavras de medicina e cirurgia. Rio de Janeiro, 
1856. 495 pags.^ldem. 

— Matéria medica ou pathogenesia homoeopathica, contendo a expo- 
sição scientifíca e practica dos caracteres e effeitos dos principaes me- 
dicamentos homooopathicos, colligida e posta ao alcance do povo. Rio de 
Janeiro, 1852 — 2^ edição, augmentada de uma introducçSo sobre as 
doutrinas homcdopathicas ; tratado de medicina geral ; diccionario dos 
termos empregados na medicina pratica ; diccionario de medicina geral, 
e homoeopathica, theorica e pratica, e algumas reflexões sobre a hygiene 
publica e privada. 2 vols. Rio de Janeiro, 1855 a 1857 «- Com o retrato 
do autor. 

— Guia practica de medicina homosopathica para uso do povo ; se- 
guido de um resumo histórico dos venenos, até agora conkecidos nos três 
reinos da natureza. Rio de Janeiro, 1860. 120 pags. in-8.<> 

•^ Physiologia das paixões e a/fecções, precedida de uma noção pbilo- 
sopbica geral e por um estudo aprofundado e descripçSes anatómicas do 
homem e da mulher ; suas differenças physiologicas, physionomicas, philo- 
sophicas e moraes, baseadas nas theorias de Lavater, Moreau, Porta^ 
Lebrum, Roussell, Virey, etc. Rio de Janeiro, 1854 e 1855. Três tomos 
— Com o retrato do autor. 

— - IHccionario de medicina e therapeutica ou a homceopathia posta ao 
alcance de todos. Rio de Janeiro, 1872. 

— Phitographia ou botânica brazileira, applicada à medicina, ás 
artes e d industria. Rio de Janeiro, 1878. 160 pags. in-8é<» — E* seguida 
de um súpplemento em que se indicam plantas conhecidas e applicadas 
pelos Índios em suas doenças . 

— Ba peste j do contagio e das epidemias que assolaram a terra* Rio 
de Janeiro, 1873. 23 pags. in-12.<' — Este pequeno opúsculo, que está longe 
de ser o que o titulo promette, ó precedido de uma carta em francez ad 
doutor Sacre e de outra em portuguez a seu filho, biographando o autor 
sua vida. 

— Pratita da homeopathia — Inédita. 

— Historia da homceopathia no Brazil, Rio de Janeiro, ... — Não vi 
este escripto ; sei apenas que foi publicado no Rio de Janeiro. 

— A Inglaterra e os seus tratadas ou o governo inglez perante ó 
mundo, Bahia, 1844. 

— Doutrina social de Bonin : traducçSo. Bahia, 1847.— Sahiu depois 
com o titulo: 

— Boutrina social extrahida de vários autores. Segunda ediçSo refun« 
dida, e dedicada i sociedade maçónica Dous de Bezembroi Rio de Ja- 
neiro, 1857. 222 pags. in-8.« 



36 

— Compromisso da confraria de S, Vicente de Paula, estabelecida 
na Bahia com a protecção de sua magestade o Imperador, o senhor dom 
Pedro II, pelo. . . arcebispo da Bahia, o senhor dem Romaaldo António de 
Seixas, e publicado com um breve resumo da vida de S. Vicente do Pa\ila 

• mais documentos relativos á sua installaçSo, pelo doutor Mello Moraes 
e João Vicente Martins. Bahia, 1850. 47 pags. in-4.« 

— O educador da mocidade, ou lições extrahidas das sagradas es • 
cripiuras e approvadas pelo Exm, senhor arcebispo da Bahia, Bahia, 1852 
— Segunda ediçSo, accrescentada com os principaes extractos da Escola 
brmziMra pelo Visconde de Cayrú. Rio de Janeiro, 1868. 

— O Guarany : jornal politico, litterario e iadnstrial. Pelo doutor 
Alexandre José de Mello Moraes e Ignacio Accioli de Cerqueira • Silva. 
Rio de Janeiro, 1853 — Creio que poucos números sahiram a lume deste 
jornal. 

•— Ensaio corographico do império do Brazil, offerecido a sua mages- 
tade o Imperador o senhor dom Pedro II. Rio de Janeiro, 1853, 354 page. 
in-8.«— B' escripto de collaboraçSo com o coronel Ignacio Accioli de 
Cerqueira e Silva, de quem tratarei no logar competente. 

•^ Memorias diárias das guerras do Brasil por espaço de nove annos^ 
começando em Í630 ; deduzidas das que escreveu o Marquei de Basto» 
conde e senhor de Pernambuco. Rio de Janeiro, 1855. 172 pags. in-4.<> 
-*B* escripta de collaboraçSo com o coronel Ignacio Accioli de Cerqueira 

• Silva. 

— Os Portuguexes perante o mundo. Rio de Janeiro, 1856. 1® vol., 207 
pags.— Nâò me consta que se publicasse outro volume. 

— Elementos de Htter atura : 1* parte, contendo a arte poética, a mytho- 
logia, a ideologia, a grammatici, a lógica e a rhetorica ; extrahidos, etc. 
Rio de Janeiro 1856. 357 pags. in-8.o A segunda parte foi para o prelo, 
mas nSo foi concluida aimpressSo, ou antes nSo se imprimiu mais do que 
uma folha, em 1861 . 

Quanto á 1* parte occorre o seguinte : A Historia abremada da litte^ 
ratura portuguesa é, como o doutor Mello Moraes confessa, o Bosquejo 
da mesma historia, esoripto pelo Visconde de Almeida Garret no 1<> ve- 
lame de seu Parnaso luzitano ; a Historia da litteratura brasileira é 
a que escreveu o Visconde de Porto Seguro no l^' volume de seu Flori" 
legio da poesia brazileira, E como estes dous ha ainda outros artigos 
já publicados e de outras pennas. 

— Discurso histórico pronunciado no dia 29 de setembro de Í8S8 
por oeeasiãode solemnisar-se a posse dos QG,\ OOffr, e DDign.-. que 
compõem o 0,\ O.*, do Brazil. Rio de Janeiro, 1860. 38 pags. in-8.<^ 

— Corographia histórica^ chronographica, genealógica, nobiliária e 
politica do império do Brazil, contendo : noções históricas e politicas a 
começar do descobrimento da America e particularmente do Brazil ; o 
tempo em que foram povoadas suas differentes cidades ; seus governadores 

• a origem das diyertaa familias brasileiras e seus appeUidos, ei^trahida 



37 

de antigos manuseriptos históricos e genealógicos, qne em eras diffe- 
r3nte8 se poderam obter, etc. ; os tratados, as bulias, cartas régias, etc., 
ate. ; a historia dos ministérios, sua politica e cores com que appare* 
ceram ; a historia das assemblóas temporária e vitalicia ; e também uma 
exposição da historia da independência, escripta e comprovada com doca- 
mentos inéditos e por testemunhas oculares que ainda restam, e dos ontros 
moviruentos políticos ; descripçSo geographica, viagens, a historia das 
minas e quinto de ouro, etc, etc.^ aâm de que se tonha um conhecimento 
exacto nSo só da geographia do Brazil, como de sua historia civil e 
politica. Rio de Janeiro, 1858 — 1860. 4 tomos e mais um tomo com a 
designação de 1, segunda parte em 1863. 

O 1* vol. teve segunda ediçSo, mais correcta e augmentada. Rio de 
Janeiro, 1866, com o retrato do autor, e sem a Nota sobre a negociação 
pendente para se fazer e/fectivo o tratado do império do Brazil com 
a Goyana franceza^ pelo conselheiro Drumond, com que se fecha 
a primeira edição. (Veja-se António de Menezes Vasconcellos da 
Drumond.) Um destes volumes é a Historia dos Jesuitas . 

— A* posteridade, O Brazil histórico e a corographia histórica do 
império do Brazil. Rio de Janeiro, 1867 — Teve 2* ediçSo feita por um 
curioso, e com permissão do autor, com algumas notas bíblicas. 

— Luiz de Camões, levantando seu monumento, ou a historia de 
Portugal justificada, Rio de 3 Aneiro, 1860. 93 pags. in-12^ com uma 
estampa . 

— Biographia do tenente^coronel, cirurgiãO''mór seformado do exer^ 
cito doutor Manuel Joaquim de Menezes. Rio do Janeiro, 1861. 35 pags. 
in-8.0 gr. 

— Biographia do conselheiro Joaquim Marcelino de Brito. Rio de 
Janeiro, 1861. 23 pags. in-4.<> — Vem também na Galeria dos brazileiros 
illustres. 

— Biographia do senador Diogo António Feijó, Rio de Janeiro, 1861. 
8 pags. ÍQ-8." — Idem, com alteração. 

— Apontamentos biographicos do Barão de Cayrú, Rio de Janeiro, 1863. 
112 pags. in-8." 

— Biographia do Marquez de Olinda. Rio de Janeiro, 1866. 15 
pags. in-S.» 

— Discurs) recitado por occasião da posse da administração do Or,\ 
Orr. do Br.izil a 13 de maio de 1865 no valle do Lavradio — Vem n* um 
opúsculo com os discursos na mesma occasião proferidos pelo grão- mestre 
conselheiro Joaquim Marcelino de Brito, e pelo grande orador Francisco 
José de L'3mos. Rio de Janeiro, 1865. 20 pags. in-8.^ 

— O Brazil histórico. Rio de Janeiro, 186 'i — Ck)n tem este livro, que é a 
continuação do Medico do povo na terra da Santa^Cruz, como declara seu 
autor, entre outras cousas a historia dos últimos ministérios do reinado 
de dom João VI, e a historia do processo de Tira-dentes. Esta publicação 
em forma de jornal foi interrompida para sahir de novo em 1866 a 186 8 



38 

cozuititnindo segunda serid com três rolumes. Interrompida ainda uma 
vez, apareceu a terceira serie com dous volumes de 1872 a 1874. E* or- 
nado de estampas, e em duas columnas. 

— - TJma hora com Deus. Rio de Janeiro, . . . — E' um pequeno opúsculo 
oontendo diversas orações, etc. 

— Qrammatica analytica da lingua portúgtteza^ ensinada per meio 
de quadros analy ticos ^ methodo facillimo para se aprender a lingua. 
Rio de Janeiro, 1869. 

— Historia do Brazil^eino e Brazil^imperio» Rio de Janeiro, 1871— 
1873. 2 tomos em 1 vol. 

— O Braxil social é o Brazil politico^ ou o que fornos^ e o que somos^ 
com trechos análogos extrahidos do sermonario do famoso politico 
padre António Vieira. Rio de Janeiro, 1872. 

— Historia da trasladação da corte portugueza para o Brazil em 
1807^808, que contém a historia da descoberta e fundaçSo da cidade 
de S. Sebastião do Rio de Janeiro, os diversos nomes que tiveram suas 
ruas e as chácaras por onde passaram, precedida pela physionomia social, 
moral e politica. Rio de Janeiro, 1872. 

• — A vida e morte do conselheiro Francisco Freire Allemão, escripta 
em vista das notas por elle mesmo fornecidas. Rio de Janeiro, 1874. 36 
pags. in-4«o 

— Z)0U5, a natureza^ o universo e o Jiomem. Rio de Janeiro...— E* um 
pequeno opúsculo . 

<— Carta politica sobre o Brazil ao senhor Francisco Lagomaggiore 
em 8 de março de iêHS, Rio de Janeiro, 1875. In-4.o — Idem. 

— A independência e império do Brazil^ ou a independência com^ 
prada por dous milhões de libras sterlinas^ e o império do Brazil com 
dous imperadores e secção^ seguido da historia do patriarchado e da 
corrupção governamental ^ provado com documentos autJienticos. Rio 
de Janeiro, 1877. 

— - Chronica geral e minuciosa do império do Brazil desde a desce^ 
berta da novo mundo ou America até Í879. Rio de Janeiro, 1879. 160 
pags. in-8.<>— Sahiu neste anno a 1* parte com o retrato do conselheiro 
Joaquim Marcelino de Brito, a quem é offerecida a obra, contendo uma 
planta da cidade do Rio de Janeiro, e no fim um grande quadro ou a 
Geographia histórica do Brazil ; e a 2*em 1882. 

— O património territorial da camará municipal do Rio de Janeiro, 
Rio de Janeiro, 1881. 75 pags. 

— O tombo das terras dos jesuitas. Rio de Janeiro, 1880. 

— Genealogia de algumas familias do Brazil, trabalho eztrahido das 
memorias do cónego Roque Luiz de Macedo Paes Leme, revisto, accres- 
centado e annotado polo doutor Alexandre José de Mello Moraes e por 
Pedro Paulino da Fonseca. 1878 — Autographo de 216 fls. exposto na bi- 
bliotheea nacional em 1881, precedido de um indico de 75 troncos genealó- 
gicos. 



39 

A-lexandre «José de Mello ]|j[o]:*aes, 2^ — Filho do 
precedente e de dona Maria Alexandrina de Mello Moraes, nasceu na pro- 
víncia da Bahia a 23 de fevereiro de 1843. 

Principiou a cursar as aulas de humanidades no Rio de Janeiro com o 
desígnio de abraçar o estado ecclesiastico ; mas, mudando de resoluçSo, 
foi para a Europa onde fez o curso medico e recebeu o grau de doutor na 
universidadB de Bruxellas. 

Exerce actualmente a clinica ni cidade do Rio de Janeiro e escreveu : 

— Vaginite : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro 
a 29 de maio de 1876 afim de poder exercer sua profissão no império. Rio 
de Janeiro, 1876. 

— ^tir^o de litteratura brazileira ou escolha de vários trechos em proza 
e verso de autores nacionaeSf antigos e modernos. Rio de Janeiro, 
1876— 2» ediçSo, idem, 1881 . 

'^Bellas^-artes : exposiçSo de 1879. Rio de Janeiro, 1879. 16 pags. 
in-8o. 

— Cantou do Equador : poesias. Rio de Janeiro, 1880. 

'^Saudação aos mortos : composição poética por occasiâo do terceiro 
centenário deCamSes. Rio de Janeiro, 1880. 

Existem esparsas muitas poesias do doutor Mello Moraes, até mesmo em 
obras publicadas no estrangeiro, como a que tem por titulo 

Hymno a Guanabara :— - Sahiu no Echo Americano 1872. Parte desta 
poesia se acha transcripta na obra A Bahia do Rio de Janeiro por 
Fausto Augusto de Souza. 

—O ninho do hei ja^ flor (chromo tropical), a Joaquim Serra— No alma- 
nak das senhoras, de Lisboa, para 1882, pags. 94 e 95. 

Antes de sua viigem á Europa fez parte da redacçSo da 

^^Estréa litteraria : jornal scientifico, recreativo e poético. Rio de 
Janeiro 1864 — Poucos números viram a luz, sendo também redactores 
desta revista José Theodoro de Souza Lobo e Juvenato de Oliveira 
Horta. 

Ultimamente publicou 

^^Revista da exposição antropológica brazileira. Dirigida e collabo- 
rada por Mello Moraes Júnior. Rio de Janeiro, 1882 — E* uma publicação 
feita periodicamente por números de 8 pags. de duas colnmnas, in-4o, 
começando no mez de setembro. 

Esta revista fundada só com o fim de se estudar os artefactos apresen- 
tados na exposiçSo anthropologica, e assumptos relativos á origem e 
evolnçSo das raças indígenas do Brazil, cessou com o encerramento da 
mesma exposiçSo, apparecendo, porém, agora com um prefacio, escripto 
pelo director do museu, o doutor Ladislau Netto, e augmentada com um 
Índice. E* ornada de algumas gravuras. 

A.lexai]i<l]:*e «José do Roza«]:*io — Natural da cidadã de 
S. Sebastifto do Rio de Janeiro, falleceu pelo anno do 1855. 



40 

Fei ma» astados n» cidade de leo naeeimento, em cuja fttcaldede de 
medicina ee dontoroa no anno de 1839, e no anno eeguinte se apresenton 
a coneano a am legar de substitato da secçfio cirorgiea. 

Bra aocio correspondente do Inatituto histórico e geographico brazi- 
leiro, e escreveu : 

-^influencia dos alimêntot e das bebidas sobre o moral do homem : 
these iniugnral. Rio de Janeiro, 1839. 

^'Proposições sobre as gangrenas externas : theee para o coneorao 
a am logar de sabstitato da secçio cirargica em Agosto de 1840. Rio de 
Janeiro, 1840. 

AlexAndpe ]l£a»noel ^ll>|]io de Oe^weMki> ^ E* 

bacharel em mathematicas, e assentAndo praça no exercito em 1826, ser- 
yia no corpo de estado maior de primeira chu»e vencendo diversos postos 
até o de coronel, a qae foi promovido em 1856, e depois no estado-maior 
general até o posto de marechal de campo, em qae foi reformado em 
Janeiro de 1881. Bzercea diversas commiss5es importantes como a de 
director do arsenal de guerra da corte, e de presidente de Matto Grosso. 

B* dignitário da ordem da Roza, commendador da de S. Bento de Avii, 
oficial da do Cruzeiro, condecorado com a medalha do exercito em ope- 
raç5es no Uruguay em 1852, e com a do exercito em operaçOes na guerra 
contra o Paragnay, ambas com passador de ouro. 

Escreveu : ' 

— Relatório apresentado, ao Exm. Sr, chefe de esquadra Augus- 
to Leverger^ vico^residente da provinda de Matto Grosso ao en- 
tregar a administração da mesma província em agosto de Í865^ con- 
tendo a synopse da historia da invaslo paraguaya na mesma provin- 
cia. Rio de Janeiro 1866. 

— Planta da ilha de Santa Catharina e seus limites^ copiada das 
melhores cartas por Patrício António de Sepúlveda Ewerard e Alexan- 
dre Manoel Albino de Carvalho em 1838.— Existe no archivo militar, e 
servia para a pnfecçSo da Carta geral do Barão da Ponte Ribeiro, exhi-* 
bida na exposição nacional de 1875. 

— Planta dos prasos da serra da Estrella^ instituídos em terras da 
imperial fabrica de pólvora na conformidade do regulamento expedido 
pela repartição da guerra, etc. — Existe o original no mesmo archivo. 

^lexAndre de IMCoupa — Nasceu na capitania de Peruam-* 
baço. Nâo pude averiguar as datas de seu nascimento e de sua merte ; 
sei apenas que vivia entre o século i7^ e o século 18^, que òra capitão- 
mór em Pernambuco, e tendo feito d'ahi uma viagem á capitania do 
Maranhão, escreveu : 

'^Roteiro da viagem que fez ao Maranhão Alexandre dê Moura, etc. 
— Afflrma Bento José de Souza Farinha em seu Summario da bibliotheca 
lujfitana que esta obra existia, manuscripta, no Escoriai. 



41 

A.lea:a.nd.re Rodrigues Ferreira-- O Humboldt brâ*- 
zileiro, como erm appellidado, nasceu na cidade da Bahia a 27 de abril 
de 1756, sendo seu pao Mano ú Rodrigues Ferreira, e fálieceu em Lisboft 
a 23 de Abril de 1815. 

Destinado por seus pães para o eslado clerical, preparou-se para isto • 
tomou ordens menores em sua provincia, seguindo, com quatorze annot 
de idade, para Portugal, afim de maior instrucçSo receber, para o exerci* 
cio das funcções ecclesiasticas . Ahi, mudando de roaoluçáo, matricaioa-se 
no curso juridicoda universidade de Coimbra em outubro de 1770 ; porém 
obrigado a suspender seus estudos por cnusa da reforma da universidade 
em 1771, depois da reforma, sentindo mais vocação para as sciencias na- 
turaes, matricuiou-se no curso de philosophia, e o seguiu com «pplicaçâo 
tal, que dous annos antes de o concluir era demonstrador de historia natu- 
ral, e obteve no fim do mesmo anno o laurel do premio académico com o 
grau de doutor, e o oferecimento de uma cadeira na fiiculdade. 

No empenho que tinha o governo de conhecer as riquezas, ainda em 
muito grande parte desconhecidas do Brazil, procurando um homem com 
as precisas habilitações para isto, foi o doutor Alexandre Ferreira o de- 
signado pela congregação da faculdade para essa honrosa commissSo, em 
que gastou carca de dez annos, percorrendo, estudando, e escrevendo 
sobre o que achava de notável nos sertões dosde o Pará até Mato Grosso, 
e &zendo destes legares diversas remessas á corte, com grandes sacrifí- 
cios pecuniários, de productos naturais, acompanhadas de minuciosas des- 
cripções que di^lles fazia. 

Antes de sahir de Pjrtugal para esta commiss&o, occupou-se o doutor 
Alexandre Ferreira com o exame da mina de carvSo de pedra de Buarcos, 
com a descripçfto dos productos naturaes do real museu da rua da Ajuda, 
com experiências de physica e de chimica, detcrmin idas pelo goverqo, 
com a publicação de escriptos importantes o a composição de outros 
quo se perderim ; e em sou regresso na cidade de Belém, capital 
do Pará, onde casou-se, serviu do vogal nas juntas de fazenda e de 
justiça. 

De volta a Portugal foi nome ido official da secretaria de estado dos 
negócios da mai*inha e dos domínios ultramarinos, em 1793 ; mas um 
anno depois passou deste logar para o de director do real gabinete de his- 
toria natural, jardim botânico e seus annexos ; e mais tarde foi ainda 
nomeado por dona Maria I administrador das reies quintas e deputado da 
junta do commeroio, se occupando nas folgas de seus afazeres em aper- 
feiçoir e dar melhor ordem e redacção aos preciosos escripto; que levara 
do Brazil como fructo de suas investigações e estudos no novo continente 
americano, afim de dal-os á publicidade. 

Tinha, porém, trazido d*ahi o gérmen da doença que, começando por 
uma profunda melancolia, deu-lhe cabo da existência antes de dar ao 
prelo suas obras. 

Alexandre Ferreira era cavalleiro da ordem de Christo. 



42 

Quanto a seus escriptos, constam ellas da Noticia dos escriptos do dou^ 
tor Alexandre Rodrigues Ferreira^ fielmente exlrahida do inventario do 
seus papeis qae por ordem do Visconde de Santarém foram entregues a 
Félix de Avellar Brotero a 5 de julho de 1815, como papeis concernentes 
á sua viagem philosophica polo Brazil, divididos os mesmos escriptos em 
três classes : a primeira das obras pertencentes á mencionada viagem ; a 
segunda de obras diversas, e a ultima das que nSo continham as iniciaes 
do nome do autor. São: 

I 

'^ Prospecto da cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará. 62 
pags. de foi. 

— Miscellanea histórica para servir de explicação ao prospecto da ci-- 
dade do Pará. 1784, 77fols. 

— Estado presente da agricultura do Pará em Í784 — Foi apresen- 
tado a sua excellencia o senhor Martinho do Souza e Albuquerque, gover- 
nador e capitão general do Estado. 

^^ Noticia hisiorica da ilha de Joannes ou Marajó^ escripta em 1783, 
34 fol8 . 

-^Memoria sobre a marinha interior do Estado do Grão Pará, 
1787. 170 pags. de foi. — Foi particularmente offerecida ao ministro 
e secretario de estado dos negocio da marinha Martinho de Mello e 
Castro. 

^Extracto do diário da viagem philosophica pelo estado do Grão 
Pará em 1787 . 53 pags. de foi. 

" Memoria sobre os engenhos de branquear o arroz no Estado do 
Pará, 10 pags. in-4.** 

— Miscellania de observações philosophicas no Estado do Pará em 
£784, 19pag. in-8.° 

'^ Diário da viagem philosophica pela capitania de S, José do Rio 
Negro com informação do estado presente dos estabelecimentos portu- 
guezes na sobredita capitania. 140 pags. de foi. — Esta obra, da quo deixou 
oubra cópia, foi depois consideravelmente augmentada, formando um ma- 
Buscripto de 544 pags. de foi. — A.. 

— Participação geral do Rio Negro e seu território, extracto do diário 
da viagem philosophica pela dita capitania de Í775 a 1786, 226 pags. 
de foi. 

— Diário do Rio Branco. 27 pags. in-4.o— Foi eacripto em 1786. 
-^ Tratado histórico do Rio Branco, 58pag's. in-4<», 1786. 

-^ Relação circumstanciada do Rio Madeira e seu território desde a 
sua foz até a sua primeira cachoeira chamada de Santo António^ feita 
nos annos de 1787 a 1789. 101 pags. de foi. 

•— Supplemento ao diário do Rio Madeira. 16 pags. de foi. 

^- Supplemento d memoria dos rios de Mato-Grosso — 14 pags. in'4.o 



43 

— Prospecto philosophico etpolitico da serra de S, Vicente e seus es* 
tabelecimentos , 1790. 44 pags. de foi. 

— Enfermidadas endémicas da capitania de Mato Grosso. 110 paga. 
de foi . — Esta obra me parece que é a que foi publicada ultimamente no 
Progresso Medico com o titulo de 

— Memoria sobre as febres da capitania de Mato Grosso — > Vem no 
tomo 3^, pags. 65, 91, 115 e seguintes. 

— Viagem á gruta das Onças em 1790, 16 pags. de foi. — O conse- 
lheiro A. deM. V. de Dramond possuiu e offereceu ao instituto his- 
térico o manuscripto desta obra a 19 de Abril de 1848. c Dou apreço 
a esta yiagem — diz o conselheiro Drumond — não só pelo interesse que 
ella inspira quando noticia esses prodígios da natureza que tanto abundam 
no Brazil, mas porque o seu autor (nome caro aos brazileiros) modesta- 
mente conta nella de passagem um dos muites soffrimentos, que durante 
sua peregrinação pelo interior do Pará e Mato Grosso teye em sua 
saúde. » Sahiu impressa na revista do mesmo instituto, tomo 12®, pags. 
87 e seguintes. 

— Catalogo da verdadeira posição dos togares abaioso declarados per^ 
tencentes as capitanias do Pará e Maio Grosso, 12 pags. de foi. 

— Noticia da voluntária reducção de paz e amizade da feroz nação 
dos gentios Muras nos annos de ÍT85 e 1786, 105 pags. de foi. — 
Sahiram publicadas estas noticias, que contêm uma serie de documentos, 
na revista do instituto, tomo 36°; 1873, parte 1% pags 323 e se- 
guintes. 

— Memoria sobre os gentios Muras^^ (que voluntariamente desceram 
para as povoações dos rios Negro, SolimÕes, Amazonas e Madeira). 12 pags. 
de foi. 1787. 

— Memoria sobre os gentios Uerequenas, que habitam nos rios Içana 
e Ixió (os quaes desaguam na margem da parte occidental superior do 
rio Negro). 11 pags. de foi. 

^^ Memoria sobre os gentios Caripunas que habitam na margem occi- 
dental do Rio Yatapú, o qual desagua na margem oriental do rio Uatu- 
m&a. 1787. 4 pags. de foi. 

— > Memoria sobre os gentios Cambébas que habitavam as margens e 
ilhas da parte superior do rio SolimÕes. 1787, 14 pags. de foi. 

-^Memoria sobre os gentios Yurupyxunas (os quaes se distinguem 
dos outros em serem mascarados) 1787. 3 pags . de foi . 

— Memoria sobre os gentios Mauhâs, habitadores do rio Cumary e seus 
confluentes. 1787. 3 pags. de foi. — Esta memoria, assim como muitas 
outras em que o autor faz descripoQes de indios , ou de objectos de seu 
uso como a de mascaras, foi remettida ao real gabinete de historia natural 
com o competente desenho. 

— Memoria sj>bre os gentios da nação Miranha, uma das mais popu- 
losas que habita a margem septentironal do rio SolimOes, entre os dous 
rios Ipurá e Icá. 1788. 2 pags. de foi. 



44 

— Memoria sohre os indio» hespanhoes desertmdo» da província de 
Santa Crus de laSierra, 1787. 6 paga. de foi. 

'^Memoria sobre os gentios Ywicurús. 1791. 12 page. dí foi. 
— > Memoria sobre uma das gentias da nação Catauixi^ habitante do 
rio Purús. 1788. 4 pags. de foi. 

— Memoria sobre os instrumentos de que usa o gentio para tomar 
tabaco Paricd. 1786. 3 pags. de foi. 

'^ Memoria sobre a louça que fasem as indias do Grão^-Parã. 1787. 
2 pags. 

— Jíemona sobre as cuias que fanem as indias de Monte Alegre o 
Santarém. 1786. 7 pags. de foi. 

— Memoria sobre as mascaras e farças que fazem para seus bailes 
os gentios Yurupifxunas . 1787. 15 pags. de foi. 

— Memoria sobre as salvai de palhinha pintada que fazem as ín- 
dias da villa de Santarém. 1786. 2 pags. de foi. 

-^ Memoria sobre as mallocas dos gentios Curutús^ situados no 
rio Apaporís. 1787. 4 pags. de foi. 

— Relação das cinco remessas dos productos naturaes do Pará, qae 
remetteu a Lisboa. 5 pags. de foi. 

— Mappa geral de todos os productos naturaes e industriaes que 
remetteu do rio Negro. 

— Relação das oito remessas dos productos naturaes que remetteu do 
rio Negro a Lisboa. 160 pags. de foi. — - Deixou outra cópia, talvez com 
mudanças, de 208 pags. 

•^ Relação circumstanciada das amostras de ouro que remetteu para 
o gabinete de historia natural. 50 pags. de foi. 

•^ Observações geraes e particulares sobre a classe dos mamães, ob- 
servados nos territórios dos três rios Amazonas, Negro e Madeira. 1790. 
387 pags. de foi. 

— Relação dos animaes silvestres que habitam nas matas de todo 
o sertão do Grão^Pará — EstSo divididos em três partes : primeira, dos 
que se apresentam nas mesas por melhores ; segunda, dos que os Índios 
em geral e alguns brancos comem quando andam em diligencia pelo ser- 
tSo ; terceira dos que se nSo comem. 

•— Memoria sobre as t irtarugis. 11 pags« de foi. 

'^Memoria sobre as tartarugas Yurará-retes. 1786. 9 pags. de 

foi. 

— Memoria sobre a tartaruga Mata-mata. 3 pags. in-4.« 
-^Descripção da mesma tartaruga. 1784. 6 paga. in-4." 

— Memoria sobre o uso que .dão ao peixe &oí, sobre este peixe e outros 
objectos, 1786. 39 pags de foi. 

— Memoria sobre o peixe Pirarucií. 1787. 8 pags. de foi. 

— Descripção do peixe Arananã. 1787. 2 pags. de foi. 

— Relação das amostras de algumas qualidades de madeiras das 
margens do rio Negro. 30 pags. de foi. 1788. 



45 

— Diário sobre as observações feitas nas plantaSf que se recolherain 
no rio Branco. 12 paga. de foi. 

— Diário sobre as observações feitas nas plantas, que se recolhe' 
ram no rio Madeira, 36 pagB. de foi. 

— - Memoria sobre as palmeiras. 11 pags. de foi. 

— Collecção das experiências de tinturaria, qu» se fizeram nas 
viagem de expedição philosophica pelo rio Negro, com doze amoetraa de 
tinta em II. 

«« Relação dos preparos necessários à eaepedição philosophica qae 
executou, os quaes pediu em 1786. 36 pags. de foi. 

— Papeis avulsos de memorias e escriptos pertencentes á viagem» etc. 
1840 pags. de foi. e 428 pags. in-4.« 

n 

— Oração kuina por oecazião dos annos do sereníssimo senhor 
dom José, principe do Brazil, feita em 1779. 

— - Faila que fez para recitar no dia da posse do emcellentissima senhor 
general do Pará Martinho de Sousa e Albuquerque 4 bispo dom frei Coe" 
tano Brandão. 

— Falia que fez na noite de i9 de setembro de 17 B4 ao despedir-se do 
excellentissimo senhor Martinho de Souza e Albuquerque. 3 pags. de foi. 

— Falia que fez na tarde de 2 de março de 1785 ao illustrissimo e 
excellentissimo senhor João Pereira Caldas^ quando entrou a yisital-o 
na villa de Barcellos . 4 pags de foi. ' 

— Falia que fez ao mes/no no dia 4 de agosto de Í785^ dia em que 
fazia annos. 4 pags. de foi. 

— Propriedade e posse das terras do Cabo do Norte pela oor6a de Por^ 
tugal em 1792. 47 pags. de foi. —Foi publicada como titulo : 

-^ Propriedade e posse das terras do Cabo do Norte pela cof$a de 
Portugal, deduzida dos annaes históricos do Estado do Maranhão, e do- 
cumentos por onde se acham dispersas as suas provas. 1792 •«• Sahiu no 
tomo 3.0 da Revista do instituto histórico, pags. 389 a 421. 

— Propriedade e posse de Portugal das terras cedidas aos ftanoezes 
na margem boreal do rio Amazonas. 1802. 9 pags. de foi. 

— Memoria ou parecer sobre a plantação dos olivais nas terras que 
na villa de Coruche tinhi Joaquim Rodrigues Botelho *- Desta obra ha 
noticia no caderno das memorias particulares do doutor Alexandre Eerrei* 
ra, do anno de 1783. 

— Memoria sobre as matas de Portugal^ dividida em três partes e 
lidi na academia real dassciencias no anno de 1780. 82 pags. in 4.<> 

— - Abuso da Conchyliologia em Lisboa etc, 1781. 86 pags. in 4* -«-Foi 
também lida na academia real das sciencias. 

•— Descripçáo de uma planta desconhecida pelo cirurgião^mir do 
regimento de Alcântara. 41 pegs, in 4» «-Ois o aaftprd^ ^«liiMiiestts 



46 

ascriptos, que supp^e ser esta obra que assim Tem annunciada no inven- 
tario dos papeis do doutor Alexandre Ferreira, a mesma qae no seu car 
demo de memorias particulares foi designada com o titulo de : 

— Eosame da planta medicinal^ que como nova aj^lica e vende e U" 
cenoiado António Francisco da Costa, cirurgiiSo-mór do regimento de 
cavallaria de Alcântara — A primeira foi lida na academia real das 
sciencias. 

•— Observações dos effeitos que tem obrado as pílulas desenerassan^ 
tes e de que era autor este mesmo cirurgiâ[o»mór do regimento de 
Alcântara — Este escripto não vem assignado pelo doutor Alexandre 
Ferreira. 

— Relação dos animaes quadrúpedes , aves, peixes, vermes, ampài- 
bios, frutos etc. que se comem» 69'pag8. de foi. — Esta obra se acha 
incompleta . 

'— Descripção do Raconete em f795, 4 pags. de foi. 
— « Descripção do macaco Simic^mormon. 1801. 6 pags. 

— Memorias para a historia particular da marinha portugueta^ 
apanhadas da historia geral de reino e conquistas. 26 pags. de foi.— E* 
incompleta esta obra. 

— • Noticia em fdrma de carta dos trabalhos queaclcusephilosophiea 
da universidade de Coimbra tin?ia executado^ etc. 20 pags. in-4.<' 

III 

— Roteiro das viagens da cidade do Pará até ás ultimai colónias 
dos dominios portuguezes em os rios Amazonas e Negro. 112 pags. 
de foi. 

-^ Memoria de alguns successos do Pard. 20 pags. de foi. 

— Noticia da fundação do convento de Nossa Senhora das Mercês 
da cidade de Santa Maria de Belém do Grão^Pard, extrahida do ar- 
chivo do dito convento em 1784. 43 pags. de foi. 

— Noticia dos mais terríveis contágios de bexigas^ que têm havido 
no Estado do Pard do anno de f720 em diante, 4 pags. de foi. 

<— Instrucções que regulam o methodo por que os directores das po- 
voações de indios do Estado do Grão-Pard se devem conduzir no modo 
de fazer as sementeiras, 7 pags. de foi. 

— Memoria sobre a lavoura do Macapá, 3 pags. de foi. 

— Lembrança das fazendas de gado vaccum, que se acham estabele- 
cidas nas costas do Amazonas. 5 pags. de foi. 

— Individual noticia do Rio Branco, 6 pags. de foi. 

— Diário da viagem feita no rio Dimiti no anno de 1785. 4 pags. 
de foi. 

— Noticia da nação Joioàna a que chamam hoje lacaca. 2 pags. 
de foi. 

— Roteiro da magem de Mato Grosso, 3 pags. da foi. 



47 

— Reflexões abreviadas dos principaes motivos que obstaram ao 
maior e desejado progresso da lavoura e commercio do Estado do Grão- 
Pará. 14 pags. de foi. 

— Breve instrucção sobre o methodo de recolher e transportar algu' 
mas producções, que se acham no sertão e costas do mar. 21 pags. 
in-4.0 

— Supplemento sobre a guerra ordenada contra as nações de indios 
que infestam a capitania do Piauhy. 19 pags. de foi. 

— Relação dos nomes das madeiras próprias para a construcção de 
embarcações^ moveis e outros destinos^ que se têm descoberto no Estado 
do Pará. 6 pags. de foi. 

— Memoria sobre uma porção de cabo formado de casca do Guam' 
becima. 10 pags. de foi. 

— Observações sobre a cultura e fabrico do urucú. 5 pags. de foi. 

— Instrucções para extr»ahir o ar^il. 3 pags. de foi. 

— Relação de todos os pássaros e bichos do Estado do Grão^Pará 
que se remetteram ás quintas reacs pelo excellentissimo senhor JoSo 
Pereira Caldas. 1763 a 1779. 19 pags. de foi. 

— Relação das madeiras do Estado do Parà^ de que foram amostras 
á secretaria de estado da marinha, remettidas pelo governador e capitão 
general JoSo Pereira Caldas. 

— ^ Memoria sobre o anil do Pará e Rio Negro. 11 pags. de foi. 

— Virtudes, preparação e uso da raiz de caninana nas enfermidades 
venéreas, tanto recentes, como chronicas. 4 pags. de foi. 

— Memoria sobre o alicorne do mar. 10 pags. in-4.o 

— Memoria a respeito dos Muharas e algumas coisas mais a outro 
fim. 24 pags. de foi. 

— Nota sobre a linha recta, mandada tirar desde a foz do rio 
Jauru até o de Sarare, seguindo o art. iO do tratado de limites. 4 
pags. de foi. 

— Memoria sobre o lenho de quassia, extrahida das dissertações de 
Linnêo. 23 pags. in-4.o 

— Descripção sobre a cultura do cânhamo , sua colheita, maceração 
na agua até se pôr no estado de ser gramado, ripado, e assedado. 15 
pags. de foi. 

— Nomes vulgares de algumas plantas do Rio de Janeiro, reduzidas 
aos tririaes do systema de Linnêo e da flora fluminense. 26 pags. de 
foi. — Incompleto. 

— Directório que Sua Maqestade manda observar no seu real jar^ 
dim botânico, museu, laboratório chimico, casa de desenho, etc. 10 
pags. de foi. 

O conselheiro Manoel Maria da Costa e Silya, encarregado pela aca- 
demia real das sciencias de examinar e ordenar os trabalhos concernentes 
á viagem do doutor Alexandre Ferreira, cujos manuscriptos se achavam 
no archivo do real jardim botânico^ dos papeis e livros ali designados. 



48 

como poçaa desta viagem achou viate e dona maços e saia volumea de de- 
aenhoa e plantaa, e mais am maço, contendo aó desenhoa e plantas. Os 
vinte e dous maços elle redaziu a oito, sendo: 

1.0 Parte descriptiva do Pará. 

2. o Dita do rio Negro com seas respectivos appendices. 

3,^ Dita do rio Branco. 

4,^ Dita do rio Madeira. 

5.<* Dita de Mato Qrosso. 

ò.^ Memorias diversas sobre gentios. 

7,^ Memorias diversas de zoologia. 

8. o Memorias e apontamentos sobre objectos botânicos. 

« A publicação dos trabalhos do doutor Alexandre,— diz o conselheiro 
Gosta e Silva nesta occasião — por todos os lados por onde os queiramos 
considerar, ó do maior interesse scientifíco, e para o Império do Brazil, 
ainda a este une outros muito importantes, económica e politicamente 
considerados. » 

Além do que ficou mencionado na relação já vista escreveu o doutor 
Alexandre Rodrigues Ferreira, e consta do catalogo da bibliolheea na- 
cional da corte o seguinte : 

— - Memoria sobre o Oyapok — que foi publicada pelo instituto histó- 
rico em 1843, a qual foi annexa á carta geographica da costa do norte 
do Brazil, de que foram enviados ao mesmo instituto, a pedido seu, qui- 
nhentos exemplares por ordem do ministro da guerra, o conselheiro José 
Clemente Pereira. 

— Viagem d gruta do Inferno, — 2 fl. Manuscripto que fez parte da 
exposição de historia pátria de 1881 . 

-^Descripção da gruta do Inferno no morro da nova Coimbra sobre 
o Paraguay peio doutor Alexandre Rodrigues Ferreira, encarregado 
por sua magestade fidelíssima da expedição philosophica e natural nas 
capitanias do Pará, Mato Grosso e Cuyabá. Anno de 1781, 4 fiá. — Cópia 
contemporânea. Sahiu na revisti mencionada, tomo 4^, 1842, e também no 
Ostensor Brazileiro, tomo 1«, 1845—1846. — Idem. 

— Grão-Parà. Confluentes do Amazonas pela sua margem boreal» 
cortando da foz do Araguary para cima. 8 fls. sem numeração — 
Idem. 

— - Rio Quaporê. 5 fis. sem numeração — Idem. 

'^ Memorias para em seus logires se inserirem ^ quando se ordenar 
o Tit, das Antiguidades do rio Madeira. 13 fls.— Idem. 

-^Descripção de v:xrios rios (Beny, Mamoró, Itunama) e Baure). 2 
fis,— Idem. 

-* Mappa de todos os moradores^ brancos, indios e pretos escravos, 
existentes na villa capital de Bircellos em 3i de outubro de Í786, 
Original de 4 fia. — Idem. 

— População do povo de Albuquerque aos i7 de abril de i79i. 
Qriginal escripto pelo auctor — Idem. 



49 

— Inventario geral e particular de têdos os productos naturaes e 
artificiaesj livros, instrnmentos, utensis e moveis pertencentes ao real 
gabinete de historia natural, jardim botânico e suas casas annexas, como 
sSo : gabinete da bibliotheca, casa de desenho, dita do laboratório, ditadas 
preparações e armazém de reserva, etc— Original com a assignatura 
do aui:tor na folha do rosto e no fim, de 113 fls. Nesta obra se en- 
contram noticias circumstancladas d3 vários productos naturaes e arti"- 
flciaes do Brazil e sobretudo do Pará, e de todos os objectos que possuía 
em 1794 o real museu da Ajuda em Lisboa. 

— Memoria sobre os jacarés do Estado do Grão^Pard — Original. 
- — Memoria sobre as cascas de paus çue se applicam para curtir 
couros — Idem. 

— Memoria sobre o isípÂeiro ou caixa de guardar a isca para o 
fogoy a qual foi remettida no caixão n. 7 da primeira remessa do Rio 
Negro, 1786 — Idem. 

— Memoria sobre as salinas do Cunha^ contendo noticia das minas 
de sal do Jauru — Idem . 

Alguns destes escriptos deixaram de vir mencionados na relaçSo dada, 
ou por serem deslocados da collecção, ou por yirem comprehendidos 
talvez no grosso volume de Pejeis avulsos, de memorias, escriptos, etc., 
constante de 1.840 folhas, e de mais 428 pa^rinas in-4.o 

Ha algumas cartas e plantas levantadas pelo doutor A. Rodrigues 
Ferreira, como : 

•— Porção do Rio Negro e Amazonas entre as duas villas de BaV"' 
cellos e Óbidos, segundo a antiga carta do Estado -— Foi exhibido o au- 
tographo na exposição de historia pátria por dona Antónia R. de Carvalho. 

A.lexa«]i<lx*e 171i.eopli.ilo de Oa«]rva«lli.o T^eeil — Na- 
tural da provincia do Maranhão, ahi falleceu em Março de 1879, 

Era bacharel em sciencias sociaes e jurídicas e proprietário de en* 
genho no Alto-*Mearim, termo de sua provincia natal, o publicou : 

— Democracia e socialismo : estudo politico e económico por Mar- 
tinus Hoyer, com uma introducção pelo doutor Alexandre Theophilo de 
Carvalho Leal. MaranhSo, 1879, 95 pag. in-4.o 

A.lexa«iidL]:*e 1?li.oina.z de M]oi*a«es Saraiento, i^ 

Visconde do Banho — Nasceu na cidade de S. Salvador, capital da Bahia, 
a 11 de abril de 1786, e falleceu a lô de abril do 1840. 

Fez todos os seus estudos em Portugal até formar-se em leis na uni- 
versidade de Coimbra, e seguindo a carreira da magistratura, nella exer- 
ceu diversos cargos até o de desembargador da rehç.So do Porto, e conse- 
lheiro do supremo tribunal de justiça. . . 

Foi deputado ás cortes de 1821 a 1826, par do reino, oommendador da 
ordem de N. S. da Conceição da Villa-Viçosa, e grã-cruz da de Izabel a 

Catholica, de Hespanha. 

4 



50 

Foi am orador notarei e de grande erudição, como se depra- 
hende de seos discursos constantes do diário das respectivas camarás, 
e da galeria das cortes geraes extraordinárias da nação portuguesa 
de 1822. 

Escreveu : 

— Eussel d* Albuquerque : conto moral por um portuguez. Cintra. 1833 
-*No final deste livro se vô que elle foi publicado em Londres, e nSo em 
Cintra, e com effeito o autor o escreveu em Londres, quando ahi se 
achava durante o periodo de sua emigração que teve logar em 1828 com 
os membros da junta do governo, de que fizera parte . 

— Apontamentos geraes para o sysiema provisional de publica admi- 
nistração logo que seja restaurada a legitima autoridade da rainha 
fidelíssima^ a senhora dona Maria II. Lisboa^ Í833, 

Consta que deixara inéditas outras obras. 

IK ^les:a«ii<lx*iixa^ Firaiiioeliiia* de iSouza Bíax*!- 
nlxo— - E* natural de Pernambuco, onde vivia em 1859. 

O autor das Pernambucanas iUustres (vide Henrique Capitulino Pereira 
de Mello), escrevendo nesta província seu interessante livro, diz que fo- 
ram improficuas suas investigações a respeito de dona Alexandrina. 
Mais feliz portanto nSo podia ser eu, escrevendo tflo distante. 

Fazia ella flores de cera cem tffo esmerada perfeição, que não se distin- 
guiam, á vista, das nattiraes ; e a par dessa prenda cultivou a litteratara 
poética. 

De soas composições sò conheço : 
. — A s%M magestade a Imperatriz : poesia que offéreceu a soa ma» 
gestade no dia 1 de dezembro de 1859 com um lindo ramo de flores de 
cera^ Vem nas Memorias da viagem de suas magestades imperiaes aó 
norte do império, tomo 2f^, e na obra Pernambucanas illustres^ pag. 141 . 

—A* sua magestade o Imperador : poesia na mesma data o£ferecida com 
outro ramo de flores, também de cera— Vem nas duas obras citadas. São 
desta composição os seguintes versos : 

Meus versos, como os lyrios da campina. 
Que nascem sem cultura e sem desvelos, 
N'alma os burila a mão do sentimento 
Sem arte, sem saber, toscos, singelos. 

Despidos de lisonja e fBklsidade, 
Não sabem se adornar de falsas cores, 
Exprimem de minh'alma o puro affecto 
São simples e modestos como as flores. 



Somos o povo do melhor monarcha, 
Somos o povo mais feliz do mundo ; 
Temos a gloria de ser livre, amando 
Nosso rei, nosso irmão, Pedro Segundo \ 



51 

— A* sua magestade a Imperatriz : poesia dedicada a sua magestade 
no dia de soa volta de Pernambaco, 2Z de dezembro de 1859— Idem. 

A.les:ai]id.ri]io F*aii*iai de A^leacax* — Nataral do Ceará, 
nasceu a 12 de outubro de 1848, é primeiro tenente da armada, tendo 
feito o curso da academia de marinha, e condecorado com a medalha da 
campanha do Paraguay. 

Escreveu : 

— Segredo mecânico do torpedo Witehead •— Est^ trabalho de [grande 
importância foi apresentado ao governo imperial, que em aviso de 30 de 
setembro de 1882 mandou elogiar o autor. Acha-se na secretaria de 
estado dos negócios da marinha, e deve ser publicado brevemente, se- 
gundo me consta. 

AJexci]idL]:*ino Fellcissimo dlo Reg^o Ba;XT]:*o8 — 

Nasceu na província de Pernambuco. 

E' presbytero do habito de S. Pedro e doutor em theologia, cujo grau 
recebera em Roma, onde cultivou a amizade de alguns cardeaes. Actual- 
mente reside na freguezia do Amparo, depois de residir alguns annos 
na de S. Joaquim da Barra -Mansa, província do Rio de Janeiro, e se de- 
dica ao magistério. 

Escreveu : 

— A vida de Pio IX por D, Francisco Croef, desde seus primeiros 
annos até o dia da sua morte e o que a esta se seguiu : traducçSo con- 
sagrada á honra de Maria Santíssima e offerecida aos catholicos brazi- 
leiros, seguida de um appendice com a narração de alguns factos prodi- 
giosos, succedidos depois da morte do grande pontiâce. Rio de Janeiro, 
1880 •— Nesta obra revela-se um certo espirito de fanatismo, que attra- 
hiu censuras, tanto ao autor, como ao traductor. 

^lexa.]idl]:*i]io F*]:*ei]:*e do Ajooceli^slI — Natural do Rio de 
Janeiro, e filho de Bonifácio José Sérgio do Amaral e de dona Leopoldina 
Freire do Amaral, ó doutor em medicina pela faculdade da corte, membro 
da commissSo sanitária do 2» districto do Engenho Velho; vereador da ca- 
mará municipal, membro effectivo do supremo conselho do grande oriente 
unido do Brazil, etc. 

Escreveu : 

— Tumores da orbita : dissertação para o doutorado em medicina. Rio 
de Janeiro, 1865.— E' seguida de proposições sobre : 1^ infanticídio 
por omissão ; 29 hypoemia inter tropical ; 3^ vicies de conformação da 
bacia. 

— Discurso pronunciado na sessão solemne de posse da nova admi- 
nistração daaug,", e resp,* , loj.- . cap,' , do rito Adonhiramita 
Asylo da Prudência em Í3 de álnril de i869. Rio de Janeiro, 1869. 
13 paga. in-8.<> 



se 

— Boletim do grande oriente unido e supremo conselho do Brazil. 
Rio de Janeiro, 1873-1877, 6 vols. in-4**^ — Foi o redactor-chefe desta pa- 
blicaçSo. 

A.lea:a.iid.x-iiio Sa/tux-nino do Reg'o— Ignoro as parti- 
cularidades qae lhe sSo relativas, parecendo me pela obra que menciono 
que fez estudos de sciencias physicas ou mathematicas. 

Escreveu : 

— Sobre navegação^ pontes e estradas na provincia da Bahia : por 
Alexandrino Saturnino do Rego. Bahia, 1875, 37 pags* in-8.^ 

A.lft*ed.o Bastos— Nasceu na província do Pará no anno de 1854, 
sendo seus pães Victorino Bastos e dona Catharina Tavares Bastos, paren- 
tes do doutor Aureliano Cândido Tavares Bastos, de quom tratarei adiante. 

Muito criança foi para Lisboa, onde concluiu seus estudos de humani- 
dades, e se dispunha a matricular-se na universidade de Coimbra, quando 
falleceu seu pae, e por isso voltou á pátria. Depois, porem, de pouca de- 
mora no Pará, veio para o Rio de Janeiro, e se3:uiu o curso da escola 
polytechnica. 

Sempre dedicado á litteratura e ao jornalismo, tem desde 1877 feito 
parte da coUaboraçSo o da redacção de diversos orgSos da imprensa 
periódica, como o Jornal do Commercio, a Gazeta de Noticias, a Ga- 
seta da Tarde, o Cruzeiro, a Revista Muzical, a Revista Brazileira^ e 
tem escripto diveráas obras, sendo : 

— Diversos folhetins — no Jornal do Commercio de 1877 a 1879, dos 
quaes sahiram alguns transcriptos em outros jornaes da corte e das pro- 
yincias. 

— A vida a bordo — E' este o titulo de duas yariedades que escreveu 
no mesmo jornal, constando de um estudo humorístico sobre a vida norte- 
americana, as quaes foram traduzidas e transcríptas em Londres e em 
Nova- York com elogio da imprensa ingleza. 

— Fantasias. Rio de Janeiro, 1879 — Este volume, que foi benevola- 
mente acolhido pela imprensa do dia, consta de uma serie de folhetinSf 
antes publicados. 

— A madrasta: romance. Rio de Janeiro, 1880, 300 pags. — Foi antes 
publicado no Cruzeiro^ jornal de cuja redacçSo fez parte. 

— A madrasta : comedia extrahida do romance de igual titulo — a que 
me refiro, e nSo publicada ainda. 

— O daguerreotypo : comedia. Rio de Janeiro,. . . . 

— Por causa do doutor Tannery : comedia. Rio de Janeiro, . . . . — Foi 
representada pela primeir.i vez no theatro Recreio dramático, 

— Salvador Rosa^ por Carlos António Oomes : traducçSo — Rio de Ja- 
neiro, 1880. 

— O matricida : romance. Rio de Janeiro, 1881 — Foi publicado na 
Gazeta da Tarde, 



53 

— Revista Bíuzical : 1» o Fausto e a critica ; A estréa da Bdnhora 
Giaira Polónio ; O rei Laboro e a critica ; Ck)mo consideram esta opera ; 
O libreto do senhor Luiz Gallet ; A força do destino ; Verdi, Sendo e 
Lagenevaís. 2<3 Guarjiny; Passagens imitativas ; O absurdo musical, 
segundo a opinião de Barlioz ; Uma symphonia de Liszt ; What Bot- 
tesine; O oratório de S. Pedro — Sa-hia ndk Revista Brazileir a ; Rio 
de Janeiro 1879. 

Ultimamente, estabelecendo -se no Rio da Prata, Alfredo Bastos redige: 

— A Pátria : órgão dos interesses da colónia brazileira no Rio da Prata 
Montevideo, 1881-1883 ~ E'seucolIega na redacção deste jornal, seu pa- 
trício o doutor Cassio Farinha. Ahi publicou elle : 

— Lola : romance de costumes — que consta ser também impresso 
em volume, ou o será brevemente. 

Frei A.l£re<lo de Santa» Oa/iid ida. Ba/Stos— Natu- 
ral do Rio de Janeiro, aqui falleceu entre os annos de 1873 e 1874 . 

Era religioso da ordem carmelitana, cujo habito recebeu no convento 
do Rio de Janeiro, professor da lingua latina do extincto lyceu do mesmo 
convento, onde occupou alguns cargos, sendo procurador geral da ordem 
na época de seu fallecimento, e prégader da capella imperial. 

Escreveu : 

— Necrológio em honra de dom frei Pedro de Santa Mariana^ bispo 
de Chrysopolis, esmoler^mór de sua magestade imperiah etc; recitada 
por occasiáo das exéquias do mesmo bispo. Rio de Janeiro, 1864, 12 
pags. in-4.0 

A.lf*jredo Oandido Oaiiixa.ra.es — Nasceu na cidade 
de S. Sebastião do Rio d^ Janeiro, onde fez todos os seus estudos, inclu- 
sive os da faculdade de medicina, em que se doutorou em 18Ô1 . Foi 
depois disto á Europa, e ahi se dedicou ao estudo das sciencias cirúrgi- 
cas ; e de volta ao Brazil, serviu algum tempo no corpo de saúde do exer- 
cito, marchou para a campanha do Paraguay em j-unho de 1865 ; mas 
voltando este mesmo ánno ao Rio de Janeiro, pediu e obteve sua demissSo 
do exercito. 

E* membro correspondente do instituto pharmaceutico do Rio de Janeiro 
e escreveu : 

— Da operação da versão: dissertação. Do apparelho genital da mulher. 
Do esporão de centeio, considerado pharmaceutica e therapeuticamente. 
Do arsénico e suas preparações : proposições. Rio de Janeiro, 1861. 

— Breves considerações sobre o estudo e exercido da medicina no 
Brazil ena França. Paris, 1863 — Esta obra foi escripta e publicada 
quando o a uctor viajava pela Europa. 

A.1 Aredo Oax*los Pessoa da Silva — Sei apenas que 
nasceu na Bahia, e consta-me que se formara, mas n&o sei em que faculdade. 



54 

Bscreven : 

-— 2>uas palavras sobre a província da Bahia. Bahia, 1845. 34 paga. 
in-4.0 

AJAredo Oa»i*iieix*o Ri1t>eix*o éLet IL<use — Filho do 
Benador do império, conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Laz e de dona 
Maria Umbelina S. Thiago da Luz, nasceu na província de Minas^Geraes 
a 1 de julho de 1852. 

Doutorado em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro em 1875, ap- 
plicou-se logo ao exercício da clinica, a principio em Christina, cidade 
de sua província, e depois em Valença, cidade da provinda do Rio de Ja- 
neiro, onde casou-se, reside actualmente, e e medico do hospital da 
misericórdia. 

O doutor Ribeiro da Luz é membro correspondente da academia impe- 
rial de medicina e escreveu : 

— Hypoêmia inter-tropical : dissertação para o doutorado em medi- 
cina. Rio de Janeiro, 1875 — E* seguida de proposições sobre os três pon- 
tos do ensino medico seguintes : Estitdo chimico^phannacologico das 
quinas. Operações reclamadas pelos cálculos vesicaes. Nevralgias* 
A redacção dos Archives de medicine navale^ jornal francez, referindo- 
se à esta thei^e, diz : < C*est, peut-étre, le memoire le plus complet qui 
existe sur cette question de pathologie exotique. » 

— Investigações helminthologicas com applicação d pathologia brasi* 
leira. Rio de Janeiro, 1880 — Esta obra se divide em duas partes : Na 
primeira parte trata o autor da descoberta que hz no Brazil do verme mi- 
croscópico, já conhecido na Gochinchina e nas Antilhas com o nome de 
anquillula stercoralis . Na segunda trata de factos relativoB á hypoemia 
intertropical e a sua natureza verminosa. Como da tbese inaugural, o 
jornal Archives de medicine navale se occupa com elogio deste trabalho 
no seu numero de novembro de 1880. A noticia, quo dá este jornal das in- 
vestigações helminthologicas em quasi seis paginas, é devida á penna do 
doutor Bourel Roncière, medico da armada franceza. 

— O tratamento da pneumonia aguda . Valença, 1881 — Sahiu tam- 
bém na Reyista de medicina^ publicação periódica, brazileira. Paris, 1881. 
Neste trabalho, além das conHideraçÕes sobre a moléstia, se acha um gran- 
de numero de observações, mais de quarenta. 

— Um caso de estrangulamento com algumas reflexões — Sahiu no 
Progresso medico. Rio de Janeiro, 1880. 

— Observações helminthologicas sobre a moléstia endémica desen^ 
volvida entre os trabalhadores do tunneldo monte S, Gothardo pelo se^ 
nhor doutor Perroncit o, com um appendice pelo senhor doutor S. Cobbold, 
traduzido do inglez — Vem na União -inedica, pags. 173 e seguintes. 

— Ensaios sobre as mais notáveis moléstias do Brazil ou das regiões 
inter-tropicaes — publicados n*uma serie de números do periódico Tempo, 
de Valença, 18B1- É* um trabalho que o doutor Ribeiro da Luz escreveu. 



nlo lópara o povo, como para ob homens da aciencia, e qae, Begundoaon 
informado, sen autor dará depois em volume. 

No Tempo se acham ainda diversos artigos de lavra do doutor Ribeiro 
d& Luz sobre instrucção publica, sobre lavoura, etc , 

— Informações sobre cts cireumstancias topographicas do munieip io 
de Yalença -> Sahiram no mesmo periódico, de 18 de maio de 1881, e foram 
escriptas em resposta ao questionário da bibliotheca nacional por ocoasiSo 
da ezposiçSo de historia do Brazil. A biblioteca possuo o original. 

««- Novas observações e eceperiencias relativas ao estudo da dochmÍ4h 
iê ou ankilostomiase e seu tratamento . Valença ( Rio de Janeiro ) 
1882 — Sahiu antes na União medica, tomo 2», pags. 359 a 386. Na União 
medica foi esta obra publicada em português: ; a publicaçSo, poróm, em 
volume £9Í feita em francez. 

A.lft*e<lo Slisiario <ía Silva ^ Nasceu em 1862, pois 
que diz a Gaxeta de Noticias, dando conta do primeiro livro abaixo, que 
tem 18 annos e é estudante, em 1880. 

Escreveu: 

-* Os suicidas: romance. Rio de Janeiro, 1880 i— B' um romance d^ 
escola antiga, diz o autor dos Livros e lettras da citada Gazeta de 20 d4 
julho deste anno, não obstante ter Elisiario da Silva apenas 18 annos* 
Ha ahi raptos, tentativas de envenenamento, duellos e narootisa^des* 

— Ofructo de um crime : romance. Rio de Janeiro, 1882. 

A.1 Aredo JSmesto «Jaeques Ourique -* Natural da 
provinda do Rio Grande do Sul, depois de haver feito o curso de arti« 
Iharia pelo regulamento de 1863, e de haver servido no i^ batalhão 
da respectiva arma, fez o curso de engenharia militar pelo regulamento 
de 1874, passando a servir no corpo de engenheiros, onde tem o posto do 
major. 

E' bacharel em sciencias physicas e mathematicas ; é oavalleiro da 
ordem da Roza e condecorado com a medalha da campanha do Paragnayy 
onde se assignalou e teve uma promoçSo por actos de bravura ; exerceu 
diversos cargos do ministério da agricultura e do da guerra, e eaoreTeui 

— Defesa estratégica da provinda do Rio Grande do Sul» Rio do 
Janeiro, 1882. 45 pags. in-8o — com um mappa geographico dos limites 
da provincia com as duas republicas visinhas. E* extrahido da Rgvista do. 
eaercito brazileiro. 

A.1 Aredo de Ssera^rnolle XaunaT- — Filho do eom-^ 
mendador Félix Emilio Taunay e de dona Gabriella de EscragnoUe TaU'^ 
nay, nasceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1843. 

Bacharel em lettras pelo imperial collegio de Pedro 11, fez o ourso da 
escola central, onde recebeu o titulo de bacharel em sciencias physicas 
e mathematicas e o de engenheiro geographo ; e tendo assentado pri^ na 



5Ô 

exercito em 1861, serviu a principio na arma de artilharia, e paasou 
depois para o corpo de estado-maior de primeira classe, onde tem o posto 
de major. 

Tem desempenhado diversas commissões importantes, quer de guerra 
desde a campanha do Paraguay, onde serviu a principio como ajudaate 
da commissSo de engenheiros na expediçSo para Mato Grosso em 1865, 
e depois como secretario do C3mmando geral das forças e encarregado do 
Diário do exercito, quer de paz, inclusive a de presidente da provincia 
de Santa CatharÍDa, depois de cuja commissSo fez uma excursSo pela 
Europa ; leccionou historia e línguas no curso preparatório da escola 
militar, passando d*ahi a lente de mineralogia, geologia e botânica do 
curso superior da mesma escola ; representou na camará temporária a 
proyincia de Goyaz na 15^ legislatura, sendo eleito representante da de 
Santa Catharina na legislatura de 1881 a 1883 ; ó official da ordem da 
Roza, cavalleiro da de S. Bento de Aviz e da de Christo, e condecorado 
com a medalha das forças expedicionárias em operações ao sul da pro- 
víncia de Mato*Oro880, Constância e valor e a do exercito em ope- 
rações na guerra do Paraguay ; é sócio do instituto histórico e geogra- 
phico brazileiro, do conservatório dramático e de outras associações de 
lettras. 

O nome do major Taunay vem mencionado no PantJuon Fluminemê 
de Lery dos Santos e no Diccionario universal de Larousse^ tomo 15^ 
lettra T. 

Escreveu: 

— La retraite de Laguna. Rio de Janeiro, 1871, 2Sli pags. in-4<*— Esta 
obra teve nova ediçSo em Paris, 1879, com um pre&cio por M. X. Rey- 
mond, e antes desta ediçSo foi traduzida por Salvador de Mendonça, e pu- 
blicada no Rio do Janeiro, 1874. A retirada da LAguna ó por si só bastante 
para immortalizar seu autor. E' Um do? livros de autor brazileiro que mais 
têm sido applaudido pelas illustrações européas. Lery dos Santos cita di- 
versos trechos honrosos, relativos a elle, dos quaes transcrevo o seguinte 
de Ernest Aimé, Revue hibliographique et litteraire, tomo 14^: 

c Ge mot seul de retraite reveille dans toutes les memoires le souvenir 
de Toeuvre immortelle de Xenephont ; mais peut-ètre bon nombre de nos 
lecteurs n*ont*ilB gardé, qu*un souvenir cenfus de ce merveilleux recit. 
NouB étiona un peu dans ce cas, et, craignat d*ètre trompó par nos 
souvenirs classiques, si lointemps, helas ! nous avons voulu, avant d*ex- 
primer notre premiòre impression, relire posement cette fameuse Râ" 
traite des dix mille. Maintenant, comparaison faite, c'est avec una 
entiòre assurance que, sous le double rapport de Tinteret du recit et de 
rheroisme des troupes, nous declarons la Retraite de Laguna supérieure 
ò. celle qui fàt conduite et racontée par Xenephont . Un monument de 
bronse ou de granit ne rapellerait leur souvenir qu*k leurs compatriotes 
et aux raros voyageurs qui visitent le Brésil : le livre de M. d'Escra- 
^noUe Taunay fera admirer par toute TEurope les pródigos de la iSs- 



57 

imite de Laguna. . . » A Revue britanique e a reyiBfca ingleza Saturday 
Eevieio appellidaram o aator de Xenephoate brazileiro. 

— Scenas de viagem ; exploração entre os rios Taquary e Aquidaban 
do districto de Miranda : memonAáescripúy&. Rio de Janeiro, 1868. 
187pag-s. in-4.0— Esta obra é eegaida de um vocabulário da liDgda gaaná 
ou chané, e foi ella que deu entrada ao doutor Taunay no instituto 
histórico. 

'^Viagem de regresso de Mato^Chrosso á corte: memoria — Foi 
escrípta em 1867, e publicada na revista do instututo, tomo 32o, 1359^ 
parte 2.» 

— Eelatorio geral da eommissâo de engenheiros junto ás forças em 
expedição para a provinda de Mato^Grosso (1865-1866), correcto, au- 
gmentado e apresentado ao instituto histórico e geographico brazileiro 
pelo ex-secretario da commissSo, etc— Sahiu na mesma revista, tomo 
370, 1874, parte 2», pags. 79 a 177, e 209 a 340. 

— Campanha do Paraguay, commando em chefe de sua alteza o senhor 
marechal de exercito Conde d'Eu ': diário do exercito. Rio de Janeiro, 
1870. 404 pags. in-4o.— Poblicando este diário, diz o doutor Taunay que 
nenhum fim teve mais, do que fornecer dados para uma futura historia da 
memorável campanha das Cordilheiras. Trata elie dos factos occor ridos 
de 16 de abril de 1869, data em que sua alteza assumiu o commando em 
chefe do exercito, a 29 de abril de 1870, data de sua entrada na capital 
do Império. 

'^ Vocabulário da linguaguand ou chané. Rio á^ Janeiro, 1874—0 
Novo Mundo tece elogios a esta obra e transcreve em suas columnas 
parte delia. 

— A provinda de Goyaz na eosposição universal de Í875. Rio de Ja- 
neiro, 1876. 

— Questões politicas e sociaes : discursos proferidos nas doas primeiras 
sessões da 16* legislatura da assembléa legislativa. Rio de Janeiro, 1877, 
64 pags. in-8.0— Referem-se estes discursos a forças de terra. 

— Questões militares» A classe militar perante as camarás. Rio de 
Janeiro, 1879. 32 pags. in-8.0 — São artigos publicados no Jornal do 
Commercio por occasiSo da apresentação na camará dos senhores depu- 
tados dos projectos additivos e substitutivos ás propostas de leis de fixaçSo 
de forças de mar e terra para o anno de 1879 a 1880. 

— Carlos Gomes : discurso proferido na noite de 25 de julho de 
1880 nosaráo do congresso militar. Rio de Janeiro, 1880. 8.* — Sahiu no 
Jornal do Commercio^ e também no Cruzeiro por determinação do 
mesmo congresso, a expensas suas, antes de ser publicado em folheto. 

— Estudos críticos. Rio de Janeiro, 1881— Neste volume reuniu uma 
serie de artigos que deu á publicidade na imprensa diária^ sobre a his- 
toria da guerra do Pacifico, etc. 

— A expedição do cônsul Langdorff ao interior do Brazil : esboço dá 
viagem feita desde setembro de 1825 até março de 1829, escrípta em 



58 

original francês pelo aegundo daaenhista da oommiMXo iciontifiea Hotm 
culoB Florence . TradacçSo — Sahiu na Revista do inaituto histcrieo^ 
tomo 38o, i875, parte i\ paga. 355 a 469 e parte 2», paga. 231 a 900, oon- 
cluindo-se no tomo 39», 1876, parte 2», pag. 157 a 183. 

— Zo&phonia : memoria pelo senhor Hercules Florence no anno dê 
Í829^ tradazida por A. d'Escragnolle Taunay — Idem, tomo 39», 1876» 
parte 2*, paga . 321 e segaintes . 

— As Caldas da Imperatriz. Aguas thermaes da provinda dê Santa 
OatJiarina — Idem, tomo 42o, 1879, parte 2>, paga. 39 e segaintes, e no 
Yulgarisador de Santa Catharina, tomo 1®, paga. 2, 13 e 21 e seguintes. 

Ha na imprensa diária trabalhos deste autor sobre diversos assumptos, 
como o : 

-*- Elemento servil — Sffo ooUecçbes de artigos sob os pseodonymos de 
Gormontaigne, André Vidal, Mucio Sosvola, eto. em 1871, e em 1874 sob 
ode Sentinella. 

Sob o pseudonymo de Silvio Dinarte« de qae usa em litteratura amena, 
escreveu : 

— A mocidade de Trajano : romance. Rio de Janeiro, 1871. Dous to* 
Inmes. 

-*- Innoeeneia : romance. Rio de Janeiro, 1872. 

— Lagrimas do coração^ manuscripto de uma mulher. Rio de Ja« 
neiro, 1873. 

— Ouro sobre azul : romance. Rio de Janeiro, 1874. Dous volumes. 
-*> Historias brazileiras : Rio de Janeiro, 1874. 

-*- Narrativas militares : scenas e typos. Rio de Janeiro, 1878* 

— Ceuse terras no Brazil. Rio de Janeiro, 1882 — E* um livro de 
litteratura em que o autor descreve muitos e variados quadros da natureza 
brazileira, começando pela pintura natural e amena, que faz, do sertã» 
nejo edo camarada, e terminando com duas fabulas. 

-*- Meyerbeer: opera os Huguenottes — artigo de critica que vem na 
Revista hrazileira, 1879. 

Como este tem o doutor Taunay publicado outros trabalhos de littera- 
tura amena em revistas, e além disto, sob o pseudonymo de Flávio Elisio 
publicou diversas composições de musica, arte que cultiva com muito 
gosto, entre as quaes posso mencionar: 

— La jalousie : scene de bal — para piano e canto. 

— Doute d*amour : romance — idem. 

— ImmerI Immerf valsa para piano. 

— Deua souvenirs : idem. 
— • Scpnsucht : idem. 

-^ Rêvelation : idem. 
^^ Legers suecas: idem. 

— Adélia : idem — Estas seis valsas foram publicadas com o titulo de 
Chopinianas. 

-« Douê caprichos para piano e rabeca •— Op« 12 e 13. 



— Sonata em mi bemol — Op. 3. 

— Desir de plaire : valsa brilhante — Op. 14. 

— Bonheur de vivre — idem — Op. 15 . 

JLlÃredo ILiino Maciel A.za;iiiôir — Filho de Ricardo 
Maciel Azamòr, nasceu na cidade de Nictheroy, capital da província do 
Rio de Janeiro,, e ahi exerce um legar de official na inspectoria de 
fazenda. Cultiva a poesia, é focio do club litterario Quarany, • 
escreveu : 

— Sensitivas : poesias. Nictheroy, 1882 — Redigiu antes disto a 

— Revista fluminense : periodo scientifico, recreativo e caricato, Rio 
de Janeiro, 1870, in-4.o— Antes desta publicação houve mais duas de igual 
titulo : a 1^ de 1865 por António José Fernandes dos Reis ; a 2» de 
1808 a 1869 por Pedro Orsini Grimaldi Pereira do Lago. 

Ultimamente Azamòr escreveu o 

*- Folhetim do Fluminense de Nictheroy — sob o psendonymo de 
Genesdio, que é um anagramma de Diógenes. 

A.lft-e<io ILiuiz dLe Hf ell^ — Natural da villa de S. José 
do Norte, provincia do Rio Grande do Sul, nasceu a 7 de maio de 1848, 
e depois de alguns estudos de humanidades dedieou-se ao commercio, 
como guarda-livros, dandoHse ao cultivo das lettras nas horas que lhe 
sobram de seus affazerea. 

Aos seus esforços deve a bibliotheca rio-grandense a existência flores- 
cente que hoje tem, como se vê do seguinte tópico de uma acta especial 
da sessflo da assembiéa geral de 26 de janeiro de 1879, sob a presidência 
do Barflo de Villa Izabel :<.... foi unanimemente approvado : que so 
mandasse lavrar uma acta especial que attestará aos vindouros a su^ 
blime dedicação de um braço vigoroso que susteve o (gabinete de leitura 
na queda que o ameaçava, para depois sobre o corpo enfraquecido do mes- 
mo elevar a brilhante sociedade Bibliotheca rio-grandense, que alça sua 
fronte esplendorosa entre as mais importantes instituições, de que se honra 
nossa gloriosa provincia, devido isso ao nobre impulso, á dedicação inex- 
cédivel do muito distincto lo secretario, o illustrissimo senhor Alfredo 
Luiz de Mello.» 

Tem escripto constantemente desde 1879 no periódico Artista^ do Rio- 
grande do sul, muitos e variados trabalhos sobre politica, administração e 
outros assumptos de interesse publico, entre os quaes : 

— O imposto sobre o sal : serie de quatro artigos — publicados em 
maio de 1879. 

-^Rede telegrapJnea na provincia : dous artigos <— publicados em abril 
e junho de 1880. 

— Cabotagem : serie de artigos — publicados de maio de 1880 em diante. 

— A cultura do arroz em Santo Angelo : *- publicada a 19 de agosto 
de 1880. 



00 

— A união faz a força : serie de dezeseis artigos — publicados de 4 de 
setembro de 1B80 em diante. 

— Administração da provinda : serie de noTe artigos — publicados 
em 1880. 

— Discurso proferido na sessão fúnebre celebrada em Tionra d 
memoria do immortal Visconde do Rio Branco no sumptuoso 
templo da benemérita loja União Constante na noite de 30 de 
novembro de i880 — pablicado a 13 de dezembro do mesmo anno. O 
autor escreveu também por esta eccasiSo uma descripçâo minuciosa desta 
sessSò, sob o título SessSo fúnebre ; e sei que sSo de sua lavra os 

— Estatutos da bibliotfíeca rio^grandense do sul — recentemente reor- 
ganisada, da qual é o autor vLC3-presidente. 

A.lft*e<lo Ma.griio <ie.A.lmei<lai Re^o— Filho do dou- 
tor Joaquim Marcos de Almeida Rego, de quem tratarei adiante, e de dona 
Maria Izabel de Almeida Rego, nasceu na cidade de S. SebastiSo do Rio 
de Janeiro a 26 de fevereiro de 1848, e falleceu a 22 de maio de 1880. 

Doutor em medicina pela faculdade da côrtè, e tSo iilustrado, quanto 
modesto, fez uma excnrsSo pela Europa, onde aprofundou seus conheci- 
mentos médicos. 

Era facultativo da secção medica do hospital da misericórdia e escreveu: 

— Diagnostico differencial da febre amarella e febre bilioxa dos 
paizes quentes : dissertaçffo inaugural. Rio de Janeiro, ltf70— E* se- 
guida de proposições sobre: Ovariotomia. Diagnostico, marcha e tra- 
tamento do rheumatismo visceral. Digitalis e suas preparações pharma- 
cologicas. 

Tinha em mSos um tratado sobre febres^ quando adoeceu da longa e 
dolorosa enfermidade que o levou á campa. 

A.lft*e<lo Hf oreira Pinto — E* bacharel em lettras pelo 
coUegio de Pedro II, e professor de geographia e historia do curso pre- 
paratório, annexo á escola militar. Sobre estas matérias, que também 
lecciona particularmente, tem escripto diversos compêndios e pequenos 
livros com o fim de facilitar os exames da instrucç&o publica, obras que 
têm tido diversas edições, algumas sem decIaraçAo de datas. 

Suas obras são : 

— Elementos de geographia moderna. Rio de Janeiro, 1869. SaguAda 
edição consideravelmente augmentada, Rio de Janeiro, 1874. 

— Noções de geographia astronómica. Rio de Janeiro, .... Ha tam- 
bém segunda edição. 

'-'Noções de geographia universal. Kio de Janeiro, 1881. 
'^Noções elementares de geographia do Brasil^ Rio de Janeiro, 
1881. 

— Noções elementares de corographia do Braztl, para uso das escolas 
primarias. Rio de Janeiro, 1881. 



I 



61 

— Compendio de historia universal, organisado aegundo os ultimo» 
programmas officiaes para o ensino desta matéria: nova edição. Rio de 
Janeiro, 1882. 

'^Pontos de historia do Brazil, organisados segundo o novíssimo pro- 
gramma dos ezamas geraes na instrucçSo publica. Rio de Janeiro — Ha 
terceira edição de 1876 in-S^, e quarta de 1881. 83 pags. in-8.o 

— Pontos de geographia^ organisados, etc. Rio de Janeiro .... Ha 
três edições. 

— Pontos de historia antiga, organisados, ete. Rio de Janeiro .... 
Ha duas edições. 

-^Pont^ísde historia média, organisados, etc. Rio de Janeiro, .... 
Idem. 

'^Pontos de historia moderna^ organisados, etc. RioMe Janeiro, .... 
Idem. 

— Historia do baixo império. Rio de Janeiro, .... 

— A viagem imperial e o ventre livre. Rio de Janeiro, .... 

— Bibliotheca popular. Rio de Janeiro . . . . — Dous volumes. 

— Processo do primeiro martyr da liberdade brazileira Joaquim 
José da Silva Xavier, por antonomásia o Tira-dentes, filho da província 
de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1872, 219 pags, in-8.o— Se publicou esta 
obra sob opseudonymo dd Esquiros^ assim como as duas seguintes : 

— Martyres da liberdade {processo de J. Guilherme Radcliff). Rio 
de Janeiro, 1872, in-12.o 

— António José da Silva. Rio de Janeiro, .... 
Moreira Pinto redigiu : 

— O Século : órgão liberal, propriedade do bacharel Alfredo Moreira 
Pinto. Direcção politica do doutor Thomaz Alves Júnior. Rio de Janeiro, 
1879. 

Actualmente está concluindo um : 

'^ Diecionario geographico do Brazil '^qu.e será dado á lume. 

A.1 A*ed.o Pira^ilbe — Filho do brigadeiro ^Vicen te Ferreira da 
Costa Piragibe e de dona Cândida Jesuina da Costa Piragibe, nasceu na 
cidade do Rio de Janeiro a 9 do junho de 1847, recebeu o grau de bacha- 
rel em lettras no imperial collegio do Pedro II ém dezembro de 1864; e o 
grau de doutor em medicina na faculdade do Rio de Janeiro em 1870. 

Exerceu o cargo de vaccinador supranumerário do instituto vaccinico do 
império de 1872 até 1878 ; é cavalleiro da ordem de Christo de Portugal por 
serviços médicos prestados a súbditos deste reino ; é membro do instituto 
histórico e geographico do[^Brazil, o da academia imperial de medicina. 

Escreveu : 

— Do rheumatismo e seu tratamento : dÍ88ertaçSo,^seguida de propo^ 
sições sobre : Aborto criminoso ; Indicações e contra-indicações dos saes 
de quinino nas pyrexias mais frequentes no Rio de Janeir ; o Ferimentos 
por armas de fogo : these inaugural. Rio de Janeiro, 1870. 



— Br^vei considerações sobre a vocctna .* memoria apresentada á 
aeademia imperial de medicina. Rio de Janeiro, 1873. 

— Communicações sobre a vaccina^ feitas á academia imperial 
de medicina do Rio de Janeiro durante o anno de 1875. Rio de Janeiro, 
1876— Contém este yolame : Movimento do posto vaocinico da parochia 
do Engenho Velho, manicipio neutro, de 1873 a 1874 ; Idem idem de 
1874 a 1875 ; Da inocuIaçSo variolica post vaccinam ; Dons casos de 
varíola, se manifestando pouco depois da vaccinaçSo. 

— Noticia histórica sobre a legislação sanitária do império do Bra^ 
2il desde i822 até Í878. Rio de Janeiro, 1881 in-8.<' —Foi apresentada ao 
instituto histórico e lhe deu entrada no mesmo instituto. 

.A^Aredo rFlieotonio dA Oosta •— E* natural da pro- 
víncia de Santa Catharina, em cajá capital reside. 

Cultivando as lettras, tem publicado muitos trabalhos em prosa e 
em verso em diversos periódicos, para que tem collaborado, como : a 
Esperança e o Beija' flor de 1867 a 1868 ; a Perseverança em 1868; 
o Mercantil em 1869 ; a Regeneração de 1870 a 1877 ; o Conservador 
de 1878 a 1879 ; o Despertador em 1880, e finalmente 

— O Cacique : (periódico que redigiu), Desterro, 1870 a 1871 . 
Publicou: 

<— Noticia geral da província {de Santa CaJtharina pelo arcypreste 
Joaquim Gomes de Oliveira Paiva, natural da mesma provincia. Santa 
Catharina, 1873 — Publicando esta obra, depois da morte do autor, 
Alfredo Cesta annotou-a, e fel-a preceder de noticias acerca do mesmo 
autor e do assumpto. (Vide Joaquim Gomes de Oliveira Paiva.) 

^ Eontem e hoje : palUdo bosquejo da inundação de Itajahy — 
Sahiu no Almanak de lembranças luzo-brazileiro para 1882, publicado 
em Lisboa, 1881, pags. 139 a 141. E* uma composiçâk) poética em dous 
cantos, de metrificação variada. 

^l^x*ed.o dLo Valle OoJjjcbI — B* natural da cidade de 
S* SalTsdor, capital da Bahia. 

Moço, dotado de muita actiridade e disposição para o estudo e de 
talento, tem sabido utilisar-se da posiçSo que occupava de official da 
bibliotheca nacional da corte, de que ó hoje chefe de secçSo, para col- 
leccionar diversos trabalhos importantes, sobretudo em relaçSo á historía 
pátria, e por occasiSo da exposição, celebrada em 1881, taes foram seus 
serviços, que foi condecorado com o oficialato da ordem da Rosa. 

Tem publicado : 

'^Catalogo dos manuscriptos da bibiotheca nacional do Rio de 
Janeiro. Rio de Janeiro, 1878. Dous volumes — Assignam esta obra o 
doutor José Alexandre Teixeira de Mello e Alfredo do Valle Cabral. 
Constitae este catalogo o 4^ e &> volumes dos aimaes da mesma biblio- 
theca. . 



-«- Bibliographia da lingua tupy ou guarany. Rio de Janeiro, 1880, 
81 pags. íq-^»**— E* dividida em tree partes. 

— Bibliographia camoneana : resenha chronoiogica das ediçSes das 
obras de Luiz de Cam5es, e de suas traducçSes impressas, tanto amas 
como outras, em separado. Rio de Janeiro, 1880. 

— Vida e escriptos de José da Silva Lisboa, Visconde de Gairú. 
Rio de Janeiro, 1881, 78 pags. in-4<* — Sahia antes na Revista Brazir 
leira, tomo 10», p&gs. 151, 228, 359, 458 e seguintes. 

— Annaes da imprensa nacional do Rio de Janeiro de Í808 a i822. 
Rio de Janeiro, 1882 in-4.<> 

— Guia do viajante no Rio de Janeiro, acompanhado da planta da 
cidade, de uma carta das estradas de ferro do Rio de ( Janeiro, Minas e 
S. Paulo e de uma vista dos Dous irmãos. Rio de Janeiro, 1882, in-12.o 

Ha, feita por este autor, uma edição das obras de Gregório de Mattos e 
mais alguns artigos em revistas. 

X>. A.lioe Olapp — Natural do Rio de Janeiro, e filha de JoSo Fer- 
nandes Clapp, presidente da directoria da associação de benefícios mútuos 
Perseverança brazileira, ainda menina, estudando no collegio, escreveu : 

— Cathecismo do bom republicano, por E. Boursin, redactor do 
Correio de Paris , traducçSo de Alice Clápp , Aluoma do collegio 
Braziieiro. Rio de Janeiro, 1877, 29 pags* 

A.lmiiio A.l'va*x*es A.fPoiX90 — Nascido em uma das pro- 
víncias do norte do império, ó formado em sciencias sociaes e juridicas, e 
exerce o cargo de procurador fiscal e dos feitos da fazenda na proTincia 
do Ceará. 

Escreveu: 

— Uma nota sobre os qttebras^-hilos da Paràhyba do norte* Fortaleza, 
1875, 34 pags. in-4.o — E' assignado com o psendonymo de Philopoom^n. 

AJLtino Rodri^rues Pimentar— E' natural da prorincia 

da Bahia, bacharel em sciencias juridicas e sociaes pela ÍEieuldade de 
Pernambuco, e exerce actualmente o logar de chefe da quinta secçfio da 
secretaria da presidência de sua provinda. 
Escreveu : 

— Almanak administrativo, commerdal e industrial da provin» 
cia da Bahia, para o anno de i873, quinquagesimo segundo da indepen* 
dencia e do império. Bahia, 1872 in-8.o — Comp9e-se este livro: Do 
calendário e algumas taboas das marés, nascimento do sol, etc* — Pri« 
meira parte : Generalidades. Segunda parte : Administrativa, eccle* 
siastica e judiciaria. Terceira parte: Ck)mmercio — Comarcas de fora 
—Parte eleitoral — Supplemento— Alterações, accrescimos e emendas — 
Revista de annuncios — - índice. A paginação de cada uma destas partes 
tem sua numeração especial. 



61 

A.laizio de A.zeved.o — E' natural da província do Ma- 
ranhSOt filho de David Gonçalves de Azevedo e irmSo de Arthur de Aze- 
vedo, de quem se&z mençSo neste volume. 

Vindo ao Rio de Janeiro, matriculoa-se na academia de bellas artes, 
applicou-se ao d"? senho de caricataras e como caricaturista trabalhou para 
a Comedia popular e para o Mequetrefe. Em 1878 ou 1879 voltou á sua 
província, mas pouco se demorando ahi, tornou áo Rio de Janeiro e aqui 
firmou sua residência. E*, come seu irmfo, cultor da litteratura, e parti- 
cularmente da litteratura dramática. 

Escreveu : 

— Uma lagrima de mulher: romance original. S. Luiz, 1880. 

— O mulato : romance. S. Luiz, 1881 — E' um livro de 488 pags., 
de costumes maranhenses. 

— Memorias de um eondemnado : romance brazileiro^^Foi publicado 
em folhetim na Gazetinha, Rio de Janeiro 1882. 

— Os doudos : comedia em três actos, em verso — NSo sei si foi publi« 
cada. Vi delia um fragmento, assignado por Arthur e Alnizio de 
Azevedo na Revista dos theatros^ periódico dedicado á litteratura e á 
arte dramática, n. 1 do julho de 1879. 

'-'Casa de Orates : comedia em três actos, original brázíleiro, do3 
irmSos Arthur e Aluizio de Azevedo — Foi representada no theatro 
Sant*Anna em agosto de 1832. (Veja-se Arthur de Azevedo.) 

— A Flor de liz : opereta pelos irmSos Arthur e Aluizio de Azevedo — 
Foi levada á scena, e muito applaudida no theatro Lucinda, 

'^ Mysterio da Tijuca: romance original — Vem na Folfia Nova* 
Começou a sahir em folhetim com o primeiro numero desta folha, a 
1 de novembro de 1882. 

— Casa de pensão: estudo do costumes. — Na mesma folha, 1883, em 
folhetim. 

Em sua volta ao MaranhSo, redigiu : 

— O Pensador : orgSo dos interessds da sociedade moderna. MaranUk), 
1880 a 1881 — Como responsável legalmente por um artigo, em que o padre 
José Baptista se C3nsiderou injuriado, foi Aluizio de Azevedo sujeito a um 
processo criminal . Por esta occasiSo foi publicado um opúsculo, com o 
úííilo A responsabilidade da imprensa, Maranhão, i88i,áe 81 pags., 
em defesa do clero maranhense, contendo peças deste processo, entre as 
quaes se lé um trecho do íUostrado jurisconsulto A. Gomes de Castro, 
transcripto no Monitor Catholico de S. Paulo, de 7 de agosto de 1881. 
O interesse que causou o processo se podo avaliar pelas seguintes palavras 
do doutor Gomes de Castro : 

€ Para que boletins incendiários, insultuosos, s3não burlescos, a pro- 
pósito d? uma causa sujeita aos tribunaes ? 

€ O que significa o apparato de três advogados gratuitos e espontâneos 
em uma causa summaria, senSo o intuito de exercer pressSo sobre o juii 
ou sobre o queixoso ? 



65 

« Qual o fim de convocarnse o povo para a sessSo de exhibição do au- 
tographo, senão para abafar pala vozeria a acção tranqnilla da justiça ? 

€ NSo está este procedimento reprehensivel patenteando o plano de le- 
vantar poeira para conseguir a impunidade do crime ? 

c Nosso rumo, porém, está antecipadamente traçado. Defenderemos 
por todos os meios legítimos o nosso direito. Cidadãos brazileiros, iremos 
aos tribunaes com a consciência de desempenhar um dever o prestar um 
serviço á sociedade, que vive da justiça. Nem vociferações extemporâneas, 
nem vergonhosas capitulaçQes ; manteremos nosso posto, aguardando os 
acontecimentos. 

« Temos uma consciência, seguiremos seus dictames ; nSo queremos 
tricas, nem linhas tortuosas ; caminharemos com o favor de Deus na es- 
trada da honra e da dignidade. NSo nos inquietam os rumores da rua; 
desprezamos os insultos, e temos compaixão dos insultadores ; a verdade 
romperá com seus raios possantes o nevoeiro das paixões ; nosso triumpho 
será certo, porque defendamos a causa da justiça e da verdade, que nSo 
são cousas vans, mas um reflexo das divinas perfeições. > 

Consta-me que* redigira também no Maranhfio uma folha intitulada 
PacoHlfia. 

^áLlvaro A.ll>erto da Silva — E* natural do Rio de Ja- 
neiro, filho de JoSo Álvaro da Silva e de dona Adelina Carlota Guedes da 
Silva ; fez na corte todos os seus estudos, quer de humanidades, quer da 
faculdade de medicina, onde recebeu o grau de doutor èm 1881, e es- 
creveu : 

— Dissertação sobre a nephrite paremchy matosa : these apresentada á 
faculdade de medicina do Rio de Janeiro em 3.0 de setembro de 1881 e pe- 
rante ella sustentada a 20 de dezembro do mesmo anno . Rio de Janeiro, 
1881. 145 pags. — Contém a thcse proposições sobre: Ópio — Anes- 
thesícos — Condições pathologicas da anuria e dos meios de combatel-a. 

— Gazeta medica brazileira : revista quinzenal de medicina, cirurgia 
6 pharmaoologia. í^ tomo. Rio de Janeiro, 1882 — Sahe em folhetos, cujo 
primeiro numero é datado de 15 de março, sob a redacção áo Dr. Álvaro 
6 mais dous collegas. (Veja-se Domingos José Freire 2^, JoSo Vicente 
Torres Homem.) 

AlvcLTO A.iigriisto dLe OcLweilixo — Irmfio do celebre 

constructor, primeiro tenente honorário da armada Trajano Augusto de 

Carvalho, nasceu na província de Santa Catharina a 1 de março de 1829, e 

falleceu na campanha contra o Paraguay . 

Fez todo o curso da academia de marinha, tendo a primeira praça, de 

aspirante a guarda-marinha, a 2 de março de 1847, sendo promovido a. 

guarda-marinha em dezembro de 1849, a segundo tenente em abril de 

1852, e a primeiro tenente em dezembro de 1856. Tinha este posto e 

commandaya a canhoneira Y piranga^ quando falleceu em combate* 

5 



66 

O primeiro tenente Álvaro de Carvalho dedicou-se muito á litteratura, 
principalmente a dramática, e escreveu : 

— Pedro Martelli: drama em qaatro actos e um prologo. Saxíta Ga- 
tharina, 1865. 

— i^ymunefo .' drama em cinco actos. Santa Catharina, 1868 -— E* 
uma publicação posthuma . Sei que além destes escrevera 

— Diversos dramas — de que foram publicados ou levados á scena 
alguns, e outros se conservavam inéditos e desconhecidos . 

A.lvAiro «JoAquim de Oli^eiírtt — Nasceu na cidade da 
Fortaleza, capital do Oeará, sendo 83 us pães Joaquim José de Oliveira 
e dona Joaquina Roza de Oliveira. 

Tendo feito todo o curso de engenharia militar, serviu no exercito, 
como official de engenheiros, desde o posto de segundo tenente até o de 
major a que foi promovido por merecimento a 13 de Maio de 1871, e de 
que pediu pediu demissão em 1872. 

E' bacharel em mathematicas, lente de chimica inorgânica da escola 
polytechnica, engenheiro fiscal da companhia dos melhoramentos da 
cidade do Rio de Janeiro ; tem servido outros cargos, como o de fiscal da 
companhia da estrada de ferro S . Paulo e Rio de Janeiro ; foi um dos fun- 
dadores da associação mutua de pensões para a invalidez, e velhice, e 
de monte-pio, intitulada Previdência; e cavalleiro da ordem de 
Christo, etc. 

Escreveu diversos trabalhos officiaes no exercício dos oorpos que 
serviu, como o 

— Relatório da companhia S, Paulo e Rio de Janeiro, Rio de 
Janeiro, 1875, in-fol. — E além disto : 

— Secca do Ceará, Açudes, arborisaçSo, estradas de forro. Rio de 
Janeiro, 1878, 83 pags. in-4.o 

— O radiometro de Crohesi estudos. Rio de Janeiro. . . NSo pude ver 
esta obra, mas sei que é importante. 

— Planta da linha telegraphica de Campos a S. Francisco de 
Paula. Maio, 1874 — Está na collecção das linhas telegraphicas con- 
struídas no Império do Brazil pela repartiçSo dos telegraphos. 

— Planta de Pelotas a Jaguarão — Idem. 

A.lvB/iro «Tose ^XjBbviev — Era presidente do corpo do go- 
verno em Goyaz, e foi «lie quem no dia do juramento da constituição do 
império, a 22 de maio de 1824, no meio dos applausos e geral regosijo, 
ao sahir da igreja se dirigiu á tropa que se achava postada na praça, e 
ao povo, annunciando se achar jurada a constituição, e dando vivas á 
religião, ao Imperador, á constituição e á independência. 

Escreveu : 

— Memoria sobre a navegação do Uraguay^ escripta em julho de 
1808 e dedioada a dom Rodrigo de Souza Coutinho -^ Vi-a mencionada na 



67 

relaçSo dos manuscriptos a respeito do Brazil, existentes na secretaria 
de estado dos negócios estrangeiros. Esta relação vem na revista do 
Instituto histórico, tomo 4<', pagina 393 e seguintes. 

— Informação sobre alguns pontos relativos d navegação e índios 
da província de Goyaz^ dada ao exdellentissimo senhor dom Rodrigo de 
Souza Coutinho — Vem na mesma revista. 

Ha de sua penna outros trabalhos officiaes. 

Álvaro Xiopes MAoli.a»d.o — E' natural da província da 
Parahyba, bacharel em sciencias mathematicas pela escola militar, for- 
mado em 1881, e escreveu por occasiSo de receber o grau na mesma 
escola: 

— Discurso pronunciado pelo alumno do quinto anno, etc, como 
orgSo dos bacharelandos de 1881, por occasiSo da collaçfio do grau. 
Rio de Janeiro, 1882 — Foi mandado imprimir-se este discurso pelos 
coUegas do autor. 

^lva»x*o ]M[ox*eix*a» íSampa^io — Filho de Francisco Moreira 
Sampaio e de dona Maria José da Cunha Sampaio, nasceu na província 
da Bahia em 1836 ou 1837. 

Doutorado em medicina pela faculdade de sua província em 1859, con- 
correu em 1862 para o provimento de um logar de oppositor da secçSo 
medica da mesma faculdade, o que nSo obteve. 

Escreveu : 

— Em que consiste o vitalismo hypocratico : dissertação inaugural. 
Bahia, 1859 — E' seguida de proposições sobre os pontos seguintes : 
Usos do figado — Circunxstancias que justificam a provocação do aborto ^ 
Qnaes os processos, ou o processo mais seguro para reconhecer o veneno 
arsenical ? 

~^ Da importância da physiologia em relação d therapeutica : these 
para o concurso a um logar de oppositor da secçfio medica. Bahia, 
1862 ^ E' seguida de proposiçOes sobre os diversos ramos de ensino 
medieo. 

jWv&tJTO Teixeira» d.e Macedo ^ Filho do sargento- 
mór Diogo Teixeira de Macedo e de dona Anna Mattozo da Camará de 
Macedo, e irmão do conselheiro Sérgio Teixeira de Macedo, que foi mi-' 
nistro do império, e do desembargador Diogo Teixeira de Macedo, nasceu 
na cidade do Recifo, capital de Pernambuco, a 13 de janeiro de 1807, e 
falleceu na Bélgica a 7 de dezembro de 1849. 

Depois de fazer sua primeira educação litteraria no Brazil, seu pài o 
mandou para um collegio em Londres, d*onde voltou para o Rio de Janeiro 
no fim de quatro annos, prompto para entrar na vida commercial ; mas, 
tendo para isto negação, foi para França com a intenção de estudar me- 
dicina, e d'ahi, por moléstia, passou para Coimbra. Ainda èm Coimbra 



68 

não pôde encetar os estudos qae projectays, porque, justamente quando 
alu chegava para este fim, subia ao throno D. Miguel, e a uniyertidade 
S3 fechava ; e entáo, tomando ao Brazil, matriculou-se na academia de 
direito d3 sua provincia em março de 1829, na qual teve por compa- 
nheiros seus dous irmSos, e formou-ee em 1833. 

Despachado para um logar d 3 1* escripturario da alfandega da corte, 
foi depois nomeado addido á legaçSo brazileira em Lisboa, para a qual 
foi sou irmSo S3rgio T. da Macedo nomeado encarregado de negócios em 
1834 ; d*ahi passou a secretario da missfio em Londres em 1836 ; de 
Londres passou a encarregado da negócios interino em Vienna d* Áustria 
em 1843, e deste cargo para egual cargo, porém offectivo, na Bélgica em 
fins de 1843 ; mas já soffrendo muito de sua saúde, morreu quasi cego, 
poucos mezea depois. 

Escreveu, desde estudanta em Pernambuco, muitas poesias sobre 
assumptos nacionaes e outros, mas só consta que publicasse : 

— A* Independência : poesia publicada no Diário de Pernambuco 
de 15 de setembro de 1829, o depois no Jornal do Recife de 6 de de- 
zembro de 1877. 

— A festa do Baldo : poaraa mixta, dedicado ao illustrissimo senhor 
Roberto Lucas em signal de respeito, amisade o gratidão filial que consagra 
o autor, seu genro, a táo bom e estimável sogro. Lisboa, 1847, 94 pags. 
in-8.<* — Este poama, que tem oito canto? em verso solto, escrevera o autor 
contrariado por nfio passar de secretario d) legaçio, em 1842; acha-se 
integralmente r3produzido nas Biographias dos poetas pernambucanos^ 
do commandador A. J. da Mello, vol. 3«, do pags. 159 a 220 ; e o Vis- 
conde de Porto-Seguro, que trata tambom desta autor, transcreve o 
ultimo canto no seu Florilégio da poesia brasileira, e bem quo lhe note 
alguns defeitos, o considera o primeiro poema heroi-comico brazileiro. 

Sabe-se que Álvaro Teixeira de Macedo escrevera, além de poesias 
avulsas, outras obras, qiie desapparecoram, ou, como se diz, elle queimou. 
Entro estas, ha: 

— UíYia traducção do Othelo : tragedia de Ducis. ' 

— Um drama de costumes (em verso), — em que ello zurzia ao 
mesmo timpo os uzurarios e as loureiras. 

Redigiu finalmente : 

— O Olindense : jornal politico e litterario. Pernambuco, 1831-1832, 
in-4.0 — Foi seu companheiro na redacção desta folha seu irmão Sérgio 
Teixeira da Macedo. 

A.lva>ro Xil>exrio de Moncoxrvo e Hiima. * Nasceu 
na Cachoeira, provinda da Bahia, pelo anno do 1815, e falleceu pelo 
anno do 1865, sendo seus pais Fructuoso Gomes Moncorvo e dona Maria 
Rosa de Lima. 

Formado em sciencias sociaes e jurídicas pala faculdade de Pernam<« 
buço, exerceu muitos annos o cargo de inspector da thesouraria de 



AJM. 69 

Boa província ; foi delia presidente e repreeentou-a muitas vezes em 
saa assembléa e na assembléa geral legislativa de 1857 a 1864. Era orador 
focando e hábil, e commendador da ordem da Rosa. 
Escreveu, alem de diversos relatórios : 

— Eleição do 3° districto da provinda da Bahfa^ por Álvaro Ti- 
bério de Moncorvo e Lima. Bahia, 1857, 102 pags. in-4/ 

— Discurso pronunciado pelo doutor Álvaro Tibério de Moncorvo e 
Lima, deputado á assembléa geral legislativa pelo 1" districto da capital 
da província da Bahia, na sess&o de 22 de agosto de 1861. Bahia, 1861, 
38 pags. in-4.0 

I>. A^uuilia dos Passos F*i^ueiirôa«* Nasceu na cidade 
de Porto-Alegre, capital da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, 
a 31 de agosto de 1846, e falleceu a 24 de setembro da 1875. 

Parece*me que não foi muito apurada sua educaçSo lítteraria ; mas 
dando-se desde muito criança ao cultivo da poesia, mostrou depois 
grande talento^ unido a um verdadeiro sentimento poético. 

Escreveu : 

— Crepúsculos : poesias. Porto-Alegre, 1872 — Acha-se neste livro 
um juízo critico, escrípto pelo litterato Rie-grandense Apolinário 
Porto-Alegre. A revista Novo munão^ dando notícia deste livro, no 
tomo df* e pagina 92, acha em seus versos um lyrismo mui doce, mas 
muita imprecação sombria. E* também o que pensa aquelle crítico. 

€ Não desejaria, diz elle, vel-a tão descrente, como na poesia No dia 
de meus annos, Aquillo afflige. 

€ Deveria surgir para os escriptores de nossa terra, como a velleda 
inspirada da nova geração ; como o archanjo do futuro ; como a consub- 
atanciação luminosa das novas idóa?, da nova crença, que baloiça nas 
íimbrias de não muito remoto horisonte. Aliumiaria então a senda a 
percorrer-se 

< Queria vel-a a prophetisa de um novo período, mais próprio ao 
movimento actual — disse elle mais adianta — mas é opinião que não 
tira nada do valor que têm suas apreciavais producçQes. » 

Ainda hoje dona Amália Fígneíròa é a mimosa, mas triste inspiradora 
de muitas composições poéticas ; e ainda hoje se publicam em avulso 
composições de sua lavra, como : 

— Luz : poesia em oitava rima — que vem no Almanak das senhoras 
para 1882. Lisboa, pags. 204 e 2Ô5. 

— As duas estrellas : poesia em oitava rima — Idem, pags. 165 e 166. 

Aunando Oentil — Filho de António Gentil Ibirapitanga 
Pimentel, de quem se faz manção neste volume, nasceu na capital da 
província da Bahia, e ahí exerce um logar no funccíonalismo publico de 
fazenda. 



70 AJU 

Escreveu : 

^ Cruia para facilitar o pagamento e ccbrança do imposto do sello 
gue baiooou com o decreto n. 4,605 de 9 de abril de 1870» Bahia, 1870, 
in-4.0 

A.iiia.i*ilio <le OlindA Vasoonoellos — Natural da 

proTÍneia de Alagoas, nasceu em 1845. 

Fez todo o curso de artilharia e serviu no exercito até o posto de 
capitSo, a principio no í^ batalhSo de artilharia, e depois no í^ regi- 
mento dá mesma arma, tendo militado na campanha do Urugnay de 1865 e 
na campanha successiva do Paraguay até sua terminação. Deixando a 
carreira militar, passou ao serviço do ministério da agricultura, e exerce 
actualmente o cargo de director da estrada de ferro de Baturité. 

E* cavalleiro da ordem da Rosa, e condecorado com as medalhas das 
duas campanhas, em que militou. 

Escreveu : 

— Prolongamento da estrada de ferro de Baturité ao Cariry e os 
açudes da provinda do Ceará. Fortaleza, 1881, 38 pags. in-4.o— Neste 
volume, em que também collaborou um coUega do autor, Henrique 
Foglaro, depois do assumpto indicado no rosto da obra, se trata das 
necessidades da província contra as sêccas, e da garantia de sua 
propriedade. 

Ajn.l>x*osio Xjeitâo dA OunliA, Barão de Mamoré — 
Nasceu na província do Pará a 2^ de agosto de 1825. 

B' formado em seiencias sociaes e jurídicas pela &culdade de 8. Paulo, 
presidiu diversas províncias do Império, por diversas vezes representou 
na camará temporária sua província natal, e representa no senado a do 
Amazonas deste 27 de abril de 1870, tendo servido antes diversos cargos 
da magistratura. 

E* commendador da ordem da Rosa e da de Christo. 

Escreveu, além de diversos relatórios : 

— Analyse da lei do orçamento vigente e do projecto para o orçamento 
de 1863^ nSo sanccionado pela presidência. Pará, 1863, 85 pags. in-4.<» 

— Discurso recitado pelo presidente da província doutor Ambrósio 
LeitSo da Cunha no acto de inaugurar-se a irmandade da Misericórdia 
da .cidade do Recife no dia 29 de julho de 1860. Pernambuco, 1860, 
6 pags. in-4.0 

— Questão religiosa. O senador A. Leitão da Cunha ao bispo do Pará. 
Rio de Janeiro, 1873, 30 pags. in-8.o 

A.iix1>x*osio MaoIumIo da Ounha» O A-^aloante — 

E* natural da província de Alagoas, bacharel em seiencias sociaes e 
jurídicas pela faculdade de Pernambuco, foi diversas vezes deputado á 



71 

assembláa de saa província, qae representoa na eamarft temporária na 
legisiatara de 1863 a 1866. 
Escreveu : 

— O mortioinio da Victoria : manifesto apresentado ao publico pelo 
doutor Ambrósio Machado da Cunha Cavalcante. Recife, 1880, 75 pags. 
in-8.0 — Refore-se o autor ao conflicto dado na cidade da Victoria, 
provincia de Pernambuco, no qual foi assassinado o BarSo da Escada, por 
ocoasilo da eleiçSo senatorial do doutor Luiz Felippe de Souza Lefto. 

I>. Ajxkelia,9 Duqiieza» de Birasn^i^ÇA o Impe* 
x*a>ti:*iz do Bi^azll — FOha do príncipe Eugénio, Duque de Leu- 
chtemberg, segunda esposa do immortal fundador do império e madrasta 
de sua magestade o Imperador dom Pedro II, nasceu em Munich a 31 de 
julho de 1812 e tálleceu em Lisboa a 26 de janeiro de 1873. 

Enviuvando a 24 de setembro de 1884, residiu sempre em Lisboa» oc-^ 
cnpando-se na pratica da caridade e de outras bellas virtudes, sendo um 
de seus bellos titulos ás bençfios da humanidade a instituiç&Oi toda sua^ 
de um hospicio no Funchal, em 1853, para os militares affeotados de 
thisica pulmonar, e de outras affecçSes dos orgSos thoracicos. 

Era grft-cruz das ordens àe Pedro I, do Cruzeiro e da Rosa, e 
escreveu : 

— Adeuses da imperatriz Amélia ao menino adormecido. Rio de 
Janeiro, typ. de R. Rogier, 1831, 4 pags. in-8.<»-»A bibliotheca na- 
cional possue este opúsculo com a aesignatura da dama do paço, dona 
Lednor da Camará. Refere-se elle ao actual Imperador, quando seu au- 
gusto pae partiu do Rio de Janeiro em 1831. 

A^nelio Oa.x*iieix*o da Silva Braga * E' natural <!a 
proVincia de S. Paulo, onde tem residência, e me consta que servirá como 
official do exercito, ha muitos annos. 

Cultiva a poesia, é sócio do atheneu paulistano, e escreveu : 

— MiscèlaHia poética : S* Paulo, ... — ã* uma collecçáo de diversas 
composições suas. 

— Echos de Piratininga. S. Paulo, 1864, 311 pags. in-8.«> — E* um 
livro dividido em duas partes, onde estSo colleccionadas nov&s Compo- 
sições em retsa. Depois tem publicado muitas 

— Poesias avulsas em revistas e outras publicações littérarias, como 
o almanack litterario de S. Paulo, de José Maria Lisboa, publicação 
annual de 1875 em diante. 

^iii.ez*ico Brasiliense de almeida e M!ello — 

Nasceu na cidade de S. Paulo a 8 de agosto de 1833, sendo seus pães 
o doutor Francisco António de Almeida e Mello e dona Felizarda Joaquina 
Pinto e Mello. 



72 -A.M: 

Doator em sciencias sociaes e juriáicas pela faculdade de saa pro- 
víncia, oxercea a advocacia a principio ; exerceu depois a magistratura 
no logar de juiz muaicipal e de orphâos da Faxina, de que pediu demisaSo 
aa cabo de um anno ; foi deputado á assemblôa provincial em diversas 
legislaturas, e á assembléa geral na de 18Õ7 ; foi vereador eleito pelo mu- 
nicípio da capital, em 1878 ; presidiu a província da Parahyba, e a do Rio 
de Janeiro ; fez uma excursão pela Europa de 1864 a 18Ô5 ; e foi nomeado 
a 11 de setembro de 1882 lente substituto da faculdade de S. Paulo. 

O doutor Américo Brasiliense é socío do instituto histórico e geogra- 
phico brazileíro, e escreveu : 

— These para obter o grau de doutor em sciencias sociaes e júri' 
dicas. S. Paulo, 1860 — Nunca vi esta these. 

— Os programmas dos partidos e o segundo império : primeira 
parte. Exposição de princípios. S. Paulo, 1878, 260 paga. in-4.<> — Com- 
prahende esta obra : Partido liberal de 1831 — ^ Partido conservador, 
1837 — Partido progressista, 1862 — Partido liberal radical, 1868 — Par- 
tido liberal, 1869 — Partido republicano, 1870 ^ Partido republicano da 
província de S. Paulo. 

— Exposições de historia pátria, feitas aos alamnos do coUegio de 
S. João da cidade de Campinas. S. Paulo, 1873 — Estas exposições ou 
prelecções foram depois publicadas, pelo editor José Maria Lisbea, com 
o titulo de : 

— Lições de historia pátria, S. Paulo, 1877, 391 paga. in-8.»— São 
36 prelecções, sobre as quaes a commissão de trabalhos históricos do 
instituto histórico e geegraphico pronunciou um parecer, que lhe deu 
entrada no mesmo instituto. 

Ha outros trabalhos de menos fôlego do doutor Américo Brasiliense, 
como o 

— Elogio CMS paulistas : artigo — que vem inserto no Almanack de 
Campinas de 1873. 

^mexrico Biraailio d.e Oampos — Filho do doutor Ber- 
nardino José de Campos e dona Felísbina Gonçalves de Campos, nasceu 
em Bragança, província de S. Paulo, a 12 de agosto de 1835. 

Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de sua provín- 
cia, se tem entregado com solicitude ao jornalismo desde qae deixou os 
bancos da academia, redigindo : 

— O Cabrião (gazeta íllustrada). S. Paulo, 1866-1867 — Foi seu 
companheiro nesta folha o bacharel António Manoel dos Reis. 

— Correio paulistano. S. Paulo, 18Ô0 a 1876 — O bacharel Américo 
de Campos redigiu esta publicação de 1867, quando deixou o precedente, 
até 1874. 

— A provinda de S. Paulo : propriedade de uma associação com* 
manditaria. Redactores Américo de Campos e Francisco Rangel Pestana. 
S. Paulo, 1875 a 1883 — Esta publicação continua. 



A.M 73 

Ajneirico Biraisilio de Souza — Nascea na cidade de 
S . Salvador, capital dá Bahia, pelo anno de 1828, e fallecea talvez sem 
completar 30 annoe de idade, victima de uma taberculose. 

Desde seu nascimento foi infeliz, porque nunca soube a quem devia 
o ser. Abandonado por seus pães, foi acolhido por uma nobre e virtuosa 
senhora bahiana, dona Anna Maria de Souza Barata, que se incumbiu 
de sua educaçSo até receber elle o grau de doutor em medicina na 
faculdade de sua província, tratando-o sua nobre protectora como si seu 
filho fora. 

O doutor Américo Brasilio foi um desvelado cultor da poesia. NSo sei si 
coUeccionou e deu ao prelo suas compoBÍç5ós poéticas ; sei, porém, que 
em diversos órgãos da imprensa periódica publicou muitas, como por 
exemplo as duas seguintes : 

— Po09ta offerecida ao illustrissimo senhor doutor Joaquim de Souxa 
Velho f no dia !<> de janeiro de 1850, anniversario de seu natalício *- 
E* uma composição em versos hendecasyllabos, inserta no Atheneu» 
Bahia, 1850. 

— Poesia offerecida d illustrissima senhora dona Maria Clementina 
da Siliía Pereira^ no dia de seu feliz consorcio com o illustrissimo senhor 
doutor Pedro Caetano da Gosta — E* uma poesia de 285 versos hendeca- 
syllabos, inserta nos Cantos brasileiros de pags. 223 a 231, Bahia, 
1850. 

«- O eccletismo em medicina : these apresentada e sustentada perante 
a faculdade de medicina da Bahia para receber o grau de doutor. Bahia, 
1852 — E' seguida de proposiçOes sobre os diversos ramos da medi- 
cina. 

Ajnerieo OuimAiraies— Filho de ManoelJosó Pereira Gui- 
marSes e dona Hermelinda Pereira Guimarães, nasceu em Nicteroy a 
6 de junho de 1864, fez o curso do coUegio Pedro II até o quarto anno 
e se acha matriculado no curso de preparatórios da escola polyte- 
chnica. 

Cultiva a poesia e tem escripto : 

— Vagidos : collecçffo de versos — que se acha actualmente no prelo . 
«- Illusões : segunda collecçSo de versos ^ que o autor pretende dar 

a publicidade depois da precedente. 

Ajuerico Hipólito JS^^i^eirtoii d.e A^lmeida»— Filho 

de Joaquim Hipólito de Almeida e de dona Anna Clementina Ewerton, 
nasceu na cidade de S. Luiz, província do Maranhão, a 18 de agosto 
de 1833. 

Veio, ainda menino, com seus pães para o Rio de Janeiro, aqui fez 
toda sua educação até receber o grau de doutor em medicina na 
faculdade respectiva, e exerce, ha muitos annos, a clinica homodopa- 
thica. E* sócio da associação medico-homosopathica fluminense, da socie- 



74 

dado amante da instracçSo, da sociedade auxiliadora da iiidiutria na- 
cional, eto« 

Escreveu : 

"^Thesepara o doutorado itn medicina* Rio de Janeiro, 1865-^ Versa 
sobre : Asphyxia em geral, suas causas e signaes, e em particular da 
asphyxia pelo yapor do carvSo : proposições. Esoutâçfio em geral e dos 
phenomenoB observados por meio^della* pelos quaes se pôde diagnosticar 
as moléstias doe pulmões e do coração : idem . Diagnostieo differencial 
da amaurose e da catarata : idem. Da inflammaçSo em geral e suas ter^ 
minaçSes : dissertação. 

— Das moléstias venéreas e seu tratamento homosopathico^ conteiído 
o que de mais útil se encontra nos autores homoeopathicos» Rio de JaaeirOf 
1860, 106 pags. in-12.o 

— O medico das crianças ou conselho ás mães sobre a hygiene e 
tratamento homasopathico das moléstias de seus filhos. Rio de Janeiro, 
1860, 524 pags. in-8o — E* offerecido a sua magestade o Imperador, dividido 
em quatro partes, a saber : 

. i* parte* Hygiene e educação moral dos meninos < 

2^ parte. Moléstias da primeira infância, suas causas, sjmptomas è 
tratamento. 

3^ parte» Moléstias da segunda infância, causas, etc. 

4^ parte. Diccionario dos termos technicos, empregados na obra 
— O doutor Américo Ewerton teve por collaborador neste livro o doutor 
Maximiano António de Lemos. 

— Vademeeum homceopathico^ ou a Jiemoeopathia ao alcance de todos i 
obra compilada dos melhores autores. Rio de Janeiro, 1868. 

.^^.ii&ex*i€H> Militai d.e F*x*eitA0 Ouimaiirâes — E* 

natural da província do Ceará, e formado em sciencias sociaes e jurídicas 
pela faculdade de Pernambuco, seguiu a carreira da magistratura na 
qual subiu ao logar de desembargador, tendo actualmente exercício na ' 
relação da Fortaleza. 
Escreveu : 

— Repertório ou indice álphahetico e chronologico dos avisos^ 
alvarás e portarias do ministério da justiça desde i822 até hoje. Rio de 
Janeiro, 1882. 

Ajnerieo JMEonteiro <le BfeiiX*iros — Nasceu na cidade de 
S. Luiz, capital da província do Maranhão, a 22 de fevereiro de 1835 1 

Fez na capital do Império todo o curso do estado-maior de primeira 
classe, a cujo [corpo pertence ; é doutor em mathematicas, e depois de 
servir como lente substituto da escola polytechnica, ó lente cathedratico 
do curso de sciencias physicas e mathematicas. 

Assentando praça em 1850, foi nomeado alferes alumno em 1853, 
alferes effectivo ' em abril de 1855, tenente em dezembro do mesmo 



AN 75 

axmo, capitffo em 1857, major g^rodoado em 1866, major effectiyo em 
^875, e tenente-coronel graduado em 1880, e servia por alguns annos 
no archiro militar. 

E' cavalheiro da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz, e es- 
creveu : 

^ Emprego do infinito ncís matlieinaticas elementares. Rio de 
Janeiro, 1863. 

— Compendio do systema métrico decimal. Rio de Janeiro, 1872, 
132 paga. — Este livro é precedido de um parecer firmado pelos profes- 
sores da escola central, Ignacio da Cunha Galvão, Gabriel MilitSo de Villa- 
Nova Machado e Epiphanio Cândido de Souza Pitanga, abonando a obra. 
Creio que ha delia uma ediçSo nova. 

A.mpli.xTy sio FiAllio — E* filho do tabelliSo Francisco José 
Fialho e nasceu na. província do Piauhy. 

Fez na escola militar, depois central, todo curso de artilharia, assen- 
tando praça em 1858, sendo promovido a segundo tenentu em 1860, 
a primeiro tenente em 1865, e a capitSo do S<* batalhão da dita 
arma em 1866. Deixando a carreira militar, foi á Europa e for- 
mou •se em sciencias politicas e administrativas na Universidade da 
Bélgica. 

Antes disto prestou serviços na campanha da republica do Uruguay 
de 1865, e na subsequente do Paraguay, sendo por isso condecorado com 
as medalhas respectivas. 

Escreveu : 

— Dom Pedro 11, empereur du Brésil : notice biographique (com o 
retrato de sua magestade). Bruxellas, 1876 — E* um livro nitidamente 
impresso, em que o autor, longe da pátria, honra o soberano por todos os 
títulos digno do amor dos brasileiros. 

— Le marechal Bazaine defendu contre ses detracteúrs: refutation 
de Taccusation par un ancien offioier brésilien. Bruxelles, 1874. 

Teve parte, como membro da commissão de engenheiros, na 

— Planta do theatro de operações dos exércitos alliados na republica 
do Paraguay nos mezes de abril a setembro de 1869, levantada pelos mem- 
bros da commissSo de engenheiros, etc. — Existe o original A aquarella no 
archivo militar. 

A^nanias I1>ix*apitaiiiS'A de A^raujo — Natural do Rio 
de Janeiro, nasceu a 27.de agosto de 1834. • 

Foi professor particular da instrucçSo primaria, e também de francez 
mo Engenho-Novo, arrabalde da corte ; coUaborou para diversos perió- 
dicos, e principalmente para a Marmota^ onde escreveu de 1858 a 1861 
muitos artigos, uns originaes e outros traduzidos, como romances, bio- 
graphias, critica litteraria, etc. 



dskc^^ ttm&nta da initraccSo, d* sociadide anicili: 
csz.<»xx.Ckl, «te. 

— Fhtte para o doutorado tmmedioina. Rh 
iS4=»l>xre ; ABphTxiasm geral, snaa cansu e si- 
Sfc^f>b.yaU polo vapor do carvSo : propoaic^os . 
{^K^^axaomaiios obserrados por meio^dalla, peli-^ 
n »m molestiaa doa puhuQea e do coracfto : iil" 
<3.^k ^maiuroeee da c&tarata : idem. Da inil ' 

l>as molvitias veneraat e a«u trati' 

^ c^-Kx^ da ma» utU bo encontra dm antoro- 
A^^iO, J06 paga. in-lS." 

O íwtiico rfa» eriançaa ou con 

^•»~<M.*<xmeMo homxopathico da* molc^' 

■*. ^tÔO, 524 paga. in-8»— E' offorocido :, 
^-rx^ qaatro partes, a saber : 

rf»- pari*. Hygieoe a educaçSo 
S^ parte. MalMtias da primi'; 

3^ parte. Moleatias da Begii, 
4^ parte. Dicciúnario dos 

O dontor Américo Bwartii' 

'^dctximiano Autonio da Lei' 

— r«demecum Aomcfpfic 
obra compilada doa melhi' 

.A.mex-ico lUili 

natural da provincia d 
pela faculdade de 1 
qual Bubin ao Ioga 
relaçSo da Fortalo 

Escreveu : 

— Sepêrtorio 
alvarás e portn 
Janeiro, 1882. 



í 




mngnraçio do inatítuto doa boclukreia em 

'o» bachafeit em Uttras, puUiuda sob > 
io Luiz do Boni-Buccea^o. lUo de Janeiro, 
doB trabalho*, am diacaroo do pra- 
) Maria Correia de Sá e Benevidei, profo- 
:iiigiiraçSo a 2 de julho do 1867 ; diversaa 
:;j:i iiiii.iiifura^ ; o Púlpito DO Braiil, estudo do 
MtQ K:i[iiizaalvtoe ' 

liri-^^iio d) biograpbiaB crítica— Refere-ae o autor 
'nAíileiros, Aulonio Gonçalves Diaa, Luiz José Juq- 
riir] Josii rki Silva Eiabalto e António Manoel Alvarea 




■ ''!} Lit^i-j. Rio de Janeiro, 1881. — B' um poqneno opna- 

: -x BoncLos, :i qaeoautordáo titulo do PAoto^rofiAífu. 

■.lori'.: : frtiiulu (ao BarSo de S. Félix) — Vem na Semo- 

^" i..!i]iirfttiva do lycea de Arlaa e offlcioe. Rio de Ja»6Íro, 

~ I e seguinte. 

1 r lidos em diEorsas KStões do inuitttto dos bacharéis em 
Doio Anastácio Luiz do Bom-aacceaao. Rio de Janeiro, 1675, 39 
— Contém <lous discursoa e algumas fabulaa. 

■ de Albuquerque — Filio do António LeitSo do 

js, fidalgo da casa raal, e de dona Catharina de Albnquenjae 

I isceu, não em Cintrn e a 21 de janeiro ds 1621 como diz Inno- 

Sílva qu9 lhe act^rescr^nta o appellido do Ribafria, mas em Per- 

I, e em 1620, como prova a toda evideBcia o antor do DÍGCionario 

'kiao de pernambucanos celebres, e fallecea a 14 de janeiro de 

a batalhados linhas da Elvas. 

antara praçn de HolJudo em aua pátria, e depois de combater contra 
'.-aaorea delia, act'uiu prir^i Portugal, ondo pelos degraus do valor « 
!a valíi subiu a todos os postos ató o de general, pugnando naa fi- 
<is do exercito rcstauradoí' desde o grito da revolta de 1 de dezembro 
1640 o acclamaçãn de dom JuSo IV, sabindo viclorioso de diversos com- 
ti?s. Indicava elle comsnu l]aatãonabatalha,emque succumbiu, ama- 
eira de escalar a estacada do um forte, quando cabiu, atravessado o peito 
■"IP nraa bula do inimigo, no posto da meslre de campo goneral, e com o 
tiColo de primeiro. 
Era commendador da ordem de Christo e alcaide-mòr de Cintra. 
Escreveu : 

— Relação da victoria que alcançou do Castelhano André de AtíHf 
gverqae, general da caoallaria, ele. entre Arronches e Assomar, em 8 
de novembro de {653. Lisboa, 1653, in-S»— Talvez nSo exista no Brazil 
eate opnsculo, qne o autor «creven com nm ferimento recebido na b^ 
talha, cuja victoria relata. 



78 

Ajn.€Íjr^ A.l-^es da> F^onseoa» — Sei apenas que nascera em 
Pernaubuco, e que seu pae se chamara também André Alves da Fon- 
seca. « 

Escreveu : 

— Poesias : nova ediçSo, mais correcta e augmentada . Rio de Ja- 
neiro, 1865 -»E' um volume de 108 pags. in^S» grande. N8o sei em que 
anno, nem em que logar publicara e autor a primeira ediçSo de suas 
poesias. 

A.iidjc*é ^ufiTiisto d.^ Pádua Fleiury * Ig!* natural da 
província de Mato Grosso, e formado em sciencias sociaes e jurídicas 
pela &culdade de S. Paulo. 

Exerceu a advocacia apenas formado, depois entrou para a secre- 
taria de estado dos negócios da justiça, onde serviu e foi aposentado no 
logar de director geral ; foi á Europa, commissionado pelo governo afim 
de estudar os diversos systemas penitenciários em uso, conmiissSo que 
satisfez cabalmente, apresentando ao mesmo governo um relatório de 
seus estudos ; presidiu de 1878 a 1879 a província de Santa Catharina e 
a do Ceará, e representando a de Qoyaz na 18* legislatura, entrou no 
gabinete de 4 de julho, organisado pelo Visconde de Paranaguá, para 
a pasta da agricultura, commercío e obras publicas, da qual pediu 
exoneração por n&o ser reeleito deputado. 

B' do conselho de sua magestade o Imperador, presidente da diro- 
ctoria da companhia Brazil industrial e foi nomeado ultimamente di- 
rector da faculdade de direito de S. Paulo. 

Escreveu : 

— O presidio de Fernando de Noronha e as nossas prisões. Rio de 
Janeiro, 1880, in-4o — E uma obra de grande mérito na opinião dos mais 
competentes na matéria. 

^Discurso pronunciado na camará dos senhores deputados na sessffo 
de 10 de maio de 1882 na discussão do orçamento da agricultura. Rio 
de Janeiro, 1882. 

A^iLéLirú Bastos de Oli veixra — Natural da província do 
Ceará, falleceu entre os annos de 1861 e 1863. 

Formado em sciencias sociaes e jurídicas, seguiu a carreira da ma- 
gistratura, na qual subiu ao cargo de desembargador da relação de 
Pernambuco; foi eleito deputado por s\la província na legislatura de 
1845 e era official da ordem da Rosa. 

Escreveu : 

'^Manifesto çue os deputados eleitos pela provinda do Ceará fOf 
zem aos habitantes desta provinda por occasiSo da injusta decisão que 
ot expelliu da representação nacional. Rio de Janeiro, 1845, 173 pags. 
in-12o — Assignam também esta nutnifestação Aiitoiuo José M^hado, 



AM 7^ 

Franciaco de fikxua Martini, Jeronymo Martiniano Figueira de Mello, 
Joi|ó Pereira da Graça Janior, Manoel Fernandes Vieira e Raymundo 
Ferreira de Aiaujo Lima. 

A.ikd.iré Ojxrmina Benjamim — Natural da provincia do 
Pará, falleceu pelo anno de 1870. 

Exerceu diversos cargos do funccionalismo publico de fazenda, entre 
06 quaes o de inspector da thespuraria geral da provincia do Amazonas 
em cujo exercício se achava em 186Ô, da de Sergipe e da da Pa- 
rahyba. 

Bscreveu : 

— Noções preliminares sobre a natureza dos números e suas dif- 
ferentes espécies^ sobre as quatro operações de arithmetica, etc, para 
uso dos meninos paraenses. Pará, 1849 — Parece-me que ha uma ediçSo 
nova. 

— Uma viagem em Í852 à villa de Nossa Senhora de Nazaretk 
da Vigia^ antiga aldeia de Uruytd. Pará, 1853, 38 pags. in-8.o 

— índice ou repertório geral das leis da assembléa legislativa 
provincial .do Orão-Pará (1836 a 1853). Pará, 1854 — Esta obra foi 
continuada por outro. 

— Apontamentos da legislaçSo e decis5es do governo sobre o emprés- 
timo do cofre doa orphSos á fiuenda nacional ( 1841 - 1861 ), coorde- 
naçfio de André Garsino Benjamim. Parahyba, 1862, 14 pags. in-4.« 

^ndpé F^ernandes d.e Souza» -^ Natural do Pará ou 
talves de Portugal e brazileiro adoptivo, nasceu, pouco mais ou menos, 
pelo anno de 1780. 

Foi presbytero do habito de S . Pedro, cónego, vigário collado na dio- 
cese do Pará e vigário geral. 

Escreveu: 

'■^Noticias geographicas da capitania do Rio^Negro do grande rio 
Amazonas^ exornadas de varias noticias históricas do paiz, do seu go- 
verno civil e politico e de outras cousas dignas de attençSo, dedicadas ao 
Imperador do BrazU, o senhor dom Pedro I — Esta obra foi offerecida em 
manuscripto ao instituto histórico e geographico brazileiro pelo conse- 
lheiro JoSo António Lisboa, e sahiu na revista trimensal, tomo 10®, de 
paginas 411 a 504. Na opiniSo do cónego André Fernandes o numero dos 
gentios indigenas do Amazonas se eleva, pelo menos, a meio milhfio por 
averiguações, que ex professo faz destes indios, divididos em differentes 
tribus, no espaço de trinta e sete annos que se demorou naquella capi- 
tania, exercendo o cargo de parocho e depois de vigário geral. A biblio- 
theoa nacional possuo o antographo de 102 fls., assignado pelo autor. 

*- Appendice a memoria precedente^ offerecido ao excellentissimo 
senhor dom Romnaldo António de Seixas, do conselho de sua magestadeo 
Imperador, e arcebispo da Bahia. Pará, 1 de setembro de 1828 — Autogra- 



80 ikN 

pho de 20 pags., do inititoto hbtorioo^apreMntado na exposição de historia 
do Brazil. Diz o catalogo desta exposição, qae ha oatro aatographo, a qae 
accresce uma introdacçflo, de 30 fls. in-4.® Trata-se neste appendice 
das nações gentílicas Mura, MirSya^ e Oanamaró do Rio Negro. 

AJkd.iré JoãiO A^ntonil ~ Nasceu em S. Paulo entre os 
annoB de 1670 e 1680. Barbosa Machado nada diz deste autor, e Inno- 
cencio da Silva, se referindo a elle só pela noticia que teve da obra que 
abaixo menciono, o considera de origem italiana, e supposto o nome que 
figura no rosto da obra, o que mais certo lhe parece, por ver no final do 
livro o auctor assignal-o por — O anonymo Toscano. 

Com efTeito ó isto original. Talvez, supponho eu, o auctor, já preve- 
nido da perseguição ou da prohibiçlo que estava preparada á sua obra, 
quizesso aB8Ím|lançar a duvida ou a confusSo sobre o verdadeiro autor. 
Menciono aqui este livro, porqae estou informado por pessoa muito com- 
petente da província de S. Paulo, de que ahi nascera André JoSo Anto- 
nil, que escreveu : 

— CtiZfuras cpuUncia do Braxil por swu drogas e minas, com irarias 
noticias curiosas do modo de fazer o assucar, plantar e beneficiar ota^ 
haeo ; tirar ouro das minas^ e descobrir as de prata ; e dos grandes 
emolumentos que esta conquista da America meridional dá ao reino 
de Portugal com estes e outros géneros e contratos reaes, Lisboa, 
1711, 221 pags in-4.<> — A* publicação deste livro de inestimável mérito 
e valor, segui u-se 1 )go a suppressfio delle, decretada por conveniências 
politicas e razões de estado, até que foi reimpresso no Rio de Janeiro em 
1837, 221 pags. in-8.» 

Ha um trecho na introducçSo desta ediçSo, transcripto pelo autor do 
Diccionario bibliographico português, que acho tão curioso, e abona 
tanto o merecimento do livro, que passo a reproduzir aqaí. 

< O distíncto conselheiro Diogo de Toledo Lara e Ordenhes possuía 
um livro que estimava tanto, que não tinha entre os outros na sua es- 
tante, mas sim na gaveta pequena de uma commoda. Pediu-se-lhe 
muitas vezes que o desse á bibliotheca, hoje publica, ao que nunca se 
pôde resolver, mesmo dando outros. Tal era a estimação em qae o 
tinha! 

€ Procurou-se, pois, o livro desde o começo do anno de trinta até 
depois da morte do mesmo conselheiro, e não se descobrindo no Rio de 
Janeiro, recorreu-se a sen irmão e herdeiro, o general Arroches, em 
S. Paulo, o qual contestou que não lhe havia sido remettido. 

€ Ha três annos, pois, que segando ordens se fizeram pesquizas em 
Lisboa, onde em fins do anno passado se encontrou um exemplar, decla- 
rando o possuidor que o não venderia por cem mil cruzados ; tal é a esti- 
mação, em que o tem ! Mas, como homem generoso, permittiu que se 
oopiasse. 



-A.3V 81 

« No me>mo tempo ddstas pesquizas em Lisboa se escrevia ao celebrado 
sábio, antiquário portuguez Jeâo Pinto Ribeiro, o qual depois de varias 
contestações, asseverando o mau resultado de suas indagações, por úm 
escreveu e sua carta chegeu com o manuscripto, declarando os nomes de 
quatro pessoas que possuiam exemplares, e entre ellas o nome de um 
major, ha pouco, chegado alli do Rio de Janeiro ; quem sabe si nSo é o do 
defunto conselheiro ? — accrescentando que por 7$200 se obteria um 
exemplar, e que o livro fora prohibido no tempo de dom João V pelo go- 
verno portuguez. 

« Este liv*o é pois a Cultura e riqueza do Brazil^ etc. etc. em.1711. 
Do titulo inferirão os leitores quanto elle é útil a todos os estudiosos da 
economia politica e em geral a todos os brazileiros, que ahi acharão a 
certeza de que o seu abençoado paiz já então era a mais rica parte da 
America emquanto a producções ruraes. » 

Ficam, em vista do que ahi deixo, bastante demonstradas a$ convt" 
niencias politicas e as razões de estado que determinaram a suppressSo 
da obra do escriptor brazileiro por ordem do governo portuguez . 

A bibliotheca nacional possue cópias de excerptos de alguns capítulos 
desta obra, sob o titulo de 

— Opulência e cultura do Brazil nas fabricai do assucar^ tabaco^ 
ouro, couro e sola. Fragmentos tirados de um livro da academia real das 
sciencias, impresso em Lisboa em 1711, cujo foi prohibido per El-rei dom 
João V por lhe dizerem que por dito livro estava publico todo segredo do 
Brazil aos estrangeiros, etc. 

A.nd.x*é !N'unes da» ISilva; — Foi sempre reputado como 
natural do Rio de Janeiro, mas o autor do Diccionario bibliographioo 
portuguez o dá como nascido em Lisboa a 30 de novembro de 1630, e 
fallecido a 3 de maio do 1705 . Na duvida entendi que não devia deixar 
de incluir seu nome no meu livro. 

Foi presbytero do habito de S. Pedro, e não theatino, como diz José 
Augusto Salgado em sua Bibliotheca luzitana escolhida, sem duvida 
pelo facto de s:í ter o padre André Nunes recolhido, em 1684, á ordem de 
S . Caetano dos clérigos regulares da Divina Providencia, onde morreu ; 
era formado em direito canónico na universidade de Coimbra, sócio da 
academia dos Singulares e poeta ; e o facto de ser seu nome incluido na 
Bibliotheca de Salgado demonstra que era poeta distincto e applaudido 
na época em que floresceu. 

Sua biographia foi escripta pelo reverendo Thomaz Caetano da Silva, 
e vem nas Memorias históricas e chronologicas dos clérigos regulares, 
tomo lo, de pag. 465 a 493. 

Escreveu : 

— Poesias varias, sacras e profanas» Lisboa, 1671. ^E' um volume 

de 288 paginas, muito raro, mesmo em Portugal, onde foi publicado. 

ô 



82 AM 

^ Hecatombs saera ou o sacrificio de cem victimas em cem 
sonetos^ em que se contém as principaes acções da vida de S. Caetano. 
Lisboa, 1686, 127 pags. ^E* também raro. 

— Voto métrico e annii>ersario d Conceição da Virgem Nossa 
Senhora. Lisboa, 1695, ÍS8 pags. in 8o— 2* ediçSo, posthama. Lisboa, 
1716. A primeira é uma coUecçSo de sonetos, todos compostos pelo padre 
André Nunes ; a seganda contém mais dez sonetos do clérigo regular 
Manoel Tojal da Silva, consagrados também á GoneeiçSo da Virgem San- 
tíssima. 

^ Diversas poesias ^ que se acham nos dous yolumes da academia 
dos singulares a que] pertencia o Autor e nos Applausos da victoria do 
Ameicoicah 

Além das composições poéticas mencionadas, escreveu muitas 
outras cujos manuscriptos ficaram na casa de S. Caetano, onde vivera 
muitos annos, e passaram para a bibliotheca nacional de Lisboa. 

A.ii.<lré Peireii*A ILiima — * Natural da provinda da Bahia, 
formou-se em sciencias sociaes e jurídicas na academia de Olinda, e, 
entrando para a carreira da magistratura e sendo já juiz de direito, dei- 
xou-a para dar^se á advocacia, exercício em que se acha, ha muitos annos, 
nos auditórios do Rio de Janeiro, sendo ainda considerado como juiz de 
direito avulso. 

E* sócio do conservatório dramático da corte, e escreveu : 
^ Virgínia : tragedia de Victorio Alfieri d'Asti, traduzida do italiano. 
Bahia, 1843. 

A.ndj[*é Pinto Relbouças — Filho do conselheiro António 
Pereira Rebouças e de dona Carolina Pinto Rebouças, nasceu na capital 
da provincia da Bahia. 

Em companhia de seu irmSo António Pereira Rebouças (Vide António 
Pereira Rebouças 2^) estudou diversas materías de humanidades alem 
das exigidas para os cursos de mathematicas ; com o dito seu irmSo 
recebeu na corte o grau de bacharel em sciencias physicas e mathema- 
ticas e carta de engenheiro civil ; com elle assentou praça de 29 cadete 
de artilharia em 1855, foi nomeado alferes alumno e 2» tenente em 1857, 
pedindo mais tarde deiftissão do exercito ; com elle, finalmente, foi á 
Europa com licença do governo afim de aperfeiçoar seus estudos, se de- 
dicando ao estudo de caminhos de ferro e portos de mar na Inglaterra e 
na França. 

O doutor André Rebouças tem sido incumbido de muitas e importantes 
commissões do governo, e actualmente é lente do curso de engenharia civil 
da escola polytechnica; sócio da sociedade auxiliadora da industria nacional 
6 presidente da secção de machinas e appsirelhps ; sócio do instituto 
polytechnico brazileiro e redactor geral de sua revista ; da associação 
de aeclimaçSo brasileira e director da secçSo de acclimaçSo ; da socie* 



d3 

dade amante da instrocçSo e consnltor ; sócio da sociedade propagadora 
das bellas-artes ; official da ordem da Rosa ; cayalleiro da de Christo ; 
condecorado com a medalha geral da campanha conlra o Paragaay, e 
com a medalha commemorativa da rendiçSo da divisSo paragnaya sob 
o commando do major Estigarribia, que occapava a villa de Urttgaayana 
em 1865. . 
Escreyeu : 

— Memoria sobre as fundições com ar cofnprimido da ponte do 
Lavulte sobre o Ehodano. Rio de Janeiro, 1861 . — Foi escripta de colla- 
boraçSo com seu irmáo. 

^ Estudos sobre os caminTios de ferro francexes. Rio de Janeiro, 
1862. — Idem. 

— Estudos sobre os portos de mar. Rio de janeiro, 1872 — Idem. 
^ Motores hydraulicos — Vem no relatório sobre a exposição in- 
ternacional de 1862, pags. 232 e segnintes. 

— Exposição summaria dos estudos feitos sobre o porto do Ma^ 
ranhão. Rio de Janeiro, 1865. 

-« Planta do acampamento e da batalha de Tuyuty^ a 24 de maio 
de 1866 — Teve por collaborador seu coUega Bernardino de Sena Madu- 
reira. 

— Apontamentos sobre a via de communicação do rio Madeira . 
Rio de Janeiro ( sem declaração do anno) . 

^ Ensaio de um vocabulário dos termos technicos da arte de conS" 
truir e das sciencias accessorias, mathematicasy astronomia, physica, 
botânica, mineralogia e zoologia nas linguas franceza, ingleza e na- 
cional. Rio de Janeiro, 1868-1869. Dons velames. 

— Melhoramento do porto do Rio de Janeiro. OrganizaçSo da com- 
panhia das docas de D. Pedro II: collecçSo de artigos publicados pelo 
engenheiro André Rebouças. Rio de Janeiro, 1869, in-4.o 

'-'Companhia das docas de D, Pedro II, nas enseadas da Saúde 
e da Gamboa ( publicaçSo dos documentos que precederam sua orga- 
nizaçSo). Rio de Janeiro, 1871, in-4*. 

'-'Companhia das docas de D. Pedro II e o projectado caminJw 
aéreo: collecçSo de artigos publicados no Jornal do Commercio pelo 
engenheiro André Rebouças. Rio de Janeiro, 1871, 32 pags. in-4.o 
. — Obras hydraulicas da alfandega do Rio de Janeiro : collecçSo de 
artigos publicados no Jornal do Commercio pelo engenheiro André 
Rebouças, a propósito de um accidente provocado pelo Dr. Borja Castro 
na grande enseccadeira para reconstrucção dos pilares abatidos a 20 de 
fevereiro de 1863. Rio de Janeiro, 1871, in-8.<' 

'-'Caminho de ferro de D. Ixabel, da província do Paraná d de 
Mato Grosso pelos valles dos rios Ivahy; IvinJheima, Brilhante o 
Mondego, Rio de Janeiro, 1872. 

«^ Apontamentos para a biographia do engenheiro António Pe^ 
reira Rebouças Filho, Rio de Janeiro, 1874, 22 pags. in«4.o 



84 A.1V 

^Arrasamento de rochas submarinas. Rio de Janeiro, 1874. 

— Garantia de juros: estudos para sua applicaçSo ás emprezas de 
utilidade no Brazil. Rio de Janeiro, 1874, in-8.o 

"^Provinda do Paraná. Solução ao con flicto dos caminhos de 
ferro: artigos publicados no Jornal do Commercio de 29 de Setembro 
a 9 de Outubro de 1874. Rio de Janeiro, 1874, in-8.o 

— Provinda do Paraná. Dados estatísticos e esclarecimentos para 
os emigrantes^ publicados por ordem do ministério da agricultura^ 
commercie e obras publicas. Rio de Janeiro, 1875, 141 pags. in-8.o 

— Provinda do Paraná. Excursão ao salto do Guayra. O parque na» 
cionaZ. Notas e considerações geraes. Rio de Janeiro, 1876, 4õ pags. 
in-8<> — Com a carta do parque nacional . 

— Provinda do Paraná. Demonstração da superioridade do ca" 
minho de ferro de Antonina á Coritiba perante o instituto polytechnico 
brazileiro pelos sócios effectivos Barão de Teffe e engenheiros H. E. 
Hargreaves e André Rebouças. Rio de Janeiro, 1878, in-8<> — Com uma 
carta hydrographica. 

-* Associação brazileira de acclimação. Acondicionamento da herva 
mate. Rio de Janeiro, 1876, 16 pags. ÍQ-8.<> 

^"Associação brazileira de acclimação. O milho* forragem: nota 
pelo engenheiro André Rebouças. Rio de Janeiro, 1876, 5 pags. in-4.<^ 

— Caminho de ferro inter^oceanico e pela provinda do Paraná —Vem 
no volume intitulado « Provinda do Paraná, Caminhos de ferro para 
Mato Grosso e Bolivia,» etc«, o qual contém mais sua ExcursSo ao salto 
do Guayra ; observações de traçados por Francisco António Monteiro 
Tourinho, o descripçSo da viagam ás Sete Quedas pelo capitSo Nestor 
Borba, e foi publicado no Rio de Janeiro, 1876. 

^•Sociedade auxiliadora da industria nacional: parecer do pre- 
sidente interino da secçSo do commercio sobre a reforma da tarifa das 
alfandegas do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1877, 32 pags. in-8.o 

— Ensaio de indice geral das madeiras do Brazil pelos enge- 
nheiros André e José Rebouças. Rio do Janeiro, 1877-1878. Quatro 
vols. in-4.<> 

— A secca nas provindas do norte : propaganda no Jornal do 
Commercio^ no instituto polytechnico, na associação brazileira de 
acclimaçSo e na sociedade auxiliadora da industria nacional. Rio de 
Janeiro, 1877; 129 pags. in-8. o— Acompanha um mappa òolorido da 
região flagellada pela sêcca de 1877, com os caminhos de ferro de 
soccorro, projectados pelo engenheiro André Rebouças. 

— Ao Itatiaya. Rio de Janeiro, 1878, 96 pags. in-12*» 

^ Estudo das leis do equilíbrio molecular dos sólidos : these apre- 
sentada á congregação da escola polytechnica no concurso do engenha* 
ria civil. Rio de Janeiro, 1830 — Alguns trechos desta theso vêm trans- 
criptos na revista de engenharia, tomo 2», as. 6 e seguintes, e tomo 3» 
ns. 1 a 5. 



A.-N 85 

— Molhe da praia dos Mineiros: breve memoria de sua constrncçSo 
— O original com a assignatura do autor foi apresentado por aua ma-> 
gestade o Imperador á exposição de historia do Brazil da bibliotheca 
nacional em 1881 . 

A^ndiré PrzeTvodoTvski * Natural da Polónia, antigo 
estado da Europa, hoje sob o domínio da Rússia, nasceu nos últimos 
annos do século passado, e falleceu na Bahia depois de 1870. 

Emigrando de sua infeliz pátria para o Brazil, naturalisou-se cidadSo 
brazileiro, viveu muitos annos nesta província e ahi foi empregado nas 
obras publicas como engenheiro, que era, e como tal prestando bons 
serviços á sua pátria, adoptiva. 

Escreveu : 

— Communi cação entre a cidade da Bahia e a villa de Jeazeiro. 
Bahia, 1848 — Esta obra creio que foi escripta om francez pelo engenheiro 
Przewodowski e traduzida por outro. Não o affirmo, porém . Sei que foi 
mandada imprimir pelo coronel Justino Nunes de Sento Sé, e que também 
foi publicada na Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazi- 
leiro, tomo 10. <> 

^- Duas palavras sobre os terrenos entre a cidade da Bahia e o 
JoazeirOy considerados geologicamente — Sahiu este escripto no mesmo 
tomo, pag. 384 e seguintes, e também na Remsta Americana, tomo 2», 
pag. 20 e seguintes. 

— Maison centrale de detention, etc. : memoria »- que nSo pude ver, 
mas que foi traduzida pelo ânado engenheiro Francisco Primo de Souza 
e Aguiar. (Vide Francisco Primo de Souza e Aguiar.) 

— Plan d*une partie de Rio-Grande de Belmonte ou Jequiti" 
nhonha pour servir á sa canalisation. Bahia, le 26 Fevrier 1842.^ 
Existe o original no archivo militar e outro exemplar em portuguez a 
aquarella. 

D. Ajn^élcb do Arnsbireíl Ra»iig'el —A Ceguinha^ como 
era geralmente chamada, nasceu na cidade de S. SebaatiSo do Rio de 
Janeiro por cerca do anno de 1725. 

Cega de nascimento, e vivendo n*uma época em que ainda se nSo 
oonhecia meio de dar-se uma instrucçSo lítteraria aos infelizes privados 
da visão, dona Angela do Amaral, bem que dotada de bellos dotes physicos, 
bem que filha de uma familia abastada, não pôde receber de seus pães 
senão uma educação moral e religiosa. E mesmo assim conhecia a língua 
castelhana como a língua pátria. E, cousa admirável ! sem educação 
lítteraria, sem cabedal algum de instrucção necessária ao cultivo da 
poesia, dona Angela do Amaral foi um génio ; jnas, como disse o autor do 
Anno hiographico brasileiro^ génio sem luz nos olhos. Foi um brilhante 
preciosíssimo, mas não lapidado. 



85 AJS 

Nanca padera ver o cóo, nem ob astros, nem o mar, nem as flores ; 
nem apreciar o sol, nem as estrellas, e pobre mulher, nem o rosto de um 
homem, e ainda assim foi poetisa ! E, mais admirável ainda, improTÍsava 
com grande facilidade ! 

De suas composições se conhecem : 

^ Dous romances lyricos^ escriptos em castelhano — por occasiSo da 
festa litteraria celebrada em 1752, por uma reunião de litteratos, com o 
titulo de Academia dos Selectos, para exaltar com elogios o governador 
Gomes Freire de' Andrade. Se acham nos Júbilos da America, ou 
coUecçfto de taes elogios, publicados em Lisboa em 1754, pags. 273, 275 
e seguintes, e um delles vem transcripto no Florilégio da poesia brazi" 
leira, no appendice ao 3^ volume. 

^ Dous sonetos^ pela mesma occasiSo — insertos nos citados Júbilos 
da America, pags. 271 e 272 ; um delles também transcripto no Flo^ 
rilegio* 

— Diversas poesias tnecífía^ — Estas poesias, deixadas por mSos 
estranhas, estSo sem duvida perdidas. Elias nSo têm o mérito que certa- 
mente teriam, si dona Angela pudesse ter qualquer instrucçSo ; mas de- 
notam seu talento e estro natural. 

■ 

A.xigrelo Oardozo Dourando * E* natural da provincia 
da Bahia e doutor em medicina pela faculdade desta província, onde 
recebeu o grau em 1880. 

Escreveu : 

«- O medico dos pobres : drama. Bahia, 1876 — Era o autor alumno 
do 4<* anno medico quando publicou este drama, que foi elogiado por 
algumas folhas, como a Lei. 

— These para o doutorado em medicina, Bahia, 1880 — NSo ayi; 
nem na bibliotheca da faculdade da corte a pude encontrar. Sei que 
versa a dissertaçSo sobre obstetrícia. 

A.ngrelo Oustodio Ooirireia — Nasceu na província do 
Pará e falleceu a bordo de um dos vapores da companhia de navegaçSo 
a vapor do Amazonas, voltando .de Gametá, para onde fora no tempo da 
cholera-morbus como vice-presidente da provincia, em 1856. 

Era bacharel em sciencias sociaes e jurídicas ; representou o Pará 
nas legislaturas de 1838 a 1841, de 1842 a 1845, e na de 1853 a 1856, que 
nSo concluiu. A' sua viuva foi conferido o titulo de Baroneza de Gametá, 
que perdeu mais tarde por subsequente matrimonio. 

Escreveu : 

— Eoaposição dos successos occorridos em Cametd por occasião 
das eleições em i844, sob a presidência do desembargador Manoel 
Paranhos da Silva Yellozo. Maranhfio, 1845, 40 pags. in-4.« 

— Diversos relatórios, como presidente da provincia do Pará. 



AJH 87 

A-n^elo Fex*Jt*eirai Diniz — Filho de Sebastifio Ferrdira 
dft Rosa e de dona Thereza da Assumpção Vieira, nasceu no Rio de Janei- 
ro a 2 de outubro de 1768, e falleceu em Coimbra a 20 de abril de 1848. 

Era doutor^ em medicina pela universidade de Coimbra, e, sendo lente 
dà faculdade em que se formara, depois de exercer o magistério por 
mais de trinta annos, foi demittido com quarenta e cinco companheiros 
seus por não convir «— diz a carta régia dirigida ao vice-reitor da uni- 
versidade — ao serviço de sua magestado fidelíssima e da pátria que 
continuassem a ser empregados no ensino publico pelos principios polí- 
ticos que professavam ou por sua incapacidade ! 

Sua biographia foi escripta e publicada no Jornal da Sociedade de 
S ciências Medicas de Lisboa^ tomo 10> da 2^ serie, pag. 313 e seguin- 
tes, 1852. 

Escreveu : 

— * Jornal de Coimbra. Lisboa, 1812 a 1820, 16 volumes — * Este 
jornal foi fundado e redigido por Angelo Diniz e pelo seu collega José 
Feliciano de Castilho. < E* um archivo abundante, ou repositório 
vastíssimo, diz Innocencío da Silva, sempre consultado com pro- 
veito em attençSo ás numerosíssimas esp?cies que abrange e que 
debalde se procurariam em outra parte. > E com effeito neste jornal se 
trata de sciencias physicas e moraes, de artes, industria, historia, de 
lettras e sciencias em geral, finalmente. A demissSo, portanto, do pro- 
fessor da faculdade de medicina de Coimbra, depois de mais de trinta 
annos de serviços, só poderia ser por motivos políticos ! Por incapacidade 
nunca. 

A^n^elo Moniz da* iSilva Ferx^az, BarSo de Uru- 
guayana * Nasceu na cidade de Valença, província da Bahia, em 1812^ 
e falleceu em Petrópolis, província do Rio de Janeiro» a 18 de Janeiro de 
1867, poucos dias depois de ser agraciado com o titulo de barSo com 
grandeza. 

Fez na Bahia seus estudos de humanidades e na faculdade de Olinda 
o curso de sciencias sociaes e jurídicas, que concluiu em 1834, sendo no- 
meado em seguida promotor publico da capital de sua província, e depois 
juiz de direito de Jacobina ; foi muitas vezes deputado provincial, depu- 
tado geral de 1842 a 1848, e senador do Império em 1857, tudo pela Ba- 
hia ; inspector da alfandega da corte em 1848 ; juiz dos feitos da fazenda 
em 1853 ; presidente do Rio Grande do Sul em 1857 ; ministro da fazenda 
no gabinete que organisou e presidiu em 1858 ; e finalmente ministro da 
guerra no gabinete organísado em 1865 pelo Marquez de Olinda, conti'* 
noando a occupar a mesma pasta na nova organisaçSo ministerial feita 
no anno seguinte pelo conselheiro Zacarias, acompanhando por esta occa- 
siSo sua magestade o Imperador á Uruguayana, quando esta cidade se 
achava occupada pela columna paraguaya commandada por Esti^rríbía, e 
assistindo á rendição da dita columna. 



88 ATV 

A primeira vez quo compareceu na camará temporária, desconhecido, 
muito joven, deu um aparte contrariando o conselheiro A. P. Rebouças, 
que orava, creio eu, sobre a legitimidade de filhos. Este, depois de miral-o 
com seu conhecido orgulho de grande orador, insinuou Angelo Ferraz a 
que pedisse a palavra ; e Angelo Ferraz, tomando a palavra, proferiu um 
discurso tão brilhante e eloquente, que o fez logo conhecido e respeitado 
como eximlo orador, credito que confirmou melhor, dirigindo a opposição 
em 1845, chamadi a patrulha. 

Foi do conselho d3 sua magestade o Imperador, grande do ' império, 
grã- cruz da ordem de Christo de Portugal, commondador da mesma 
ordem do Brazil e dignitário da Rosa ; foi um dos mais int3lligentes, 
eruditos e activos estadistas que o Brazil tem tido, como justificam alguns 
actos, que citarei, de sua administração, e com razão contemplado na 
galeria dos brazileiros illustres, onde vem seu retrato. 

Escreveu diversos relatórios e regulamentos como presidente de pro- 
víncia e ministro de estado, entre os quaes os seguintes : 

— Proposta e relatório do ministro da fazenda^ apresentado áassem- 
bléa geral legislativa na quarta sessão da decima legislatura. Rio de 
Janeiro, 1860. 

— Regulamento do imposto do sello e. sua arrecadação. Rio de Ja- 
neiro, 1860. 

— Regulamento das alfandegas e das mesas de rendas. Rio de Ja- 
neiro, 1860. 

^ A tarifa das alfandegas do Império do Brazil, Rio de Ja- 
neiro, 1860, 318 pags. in-4.o 

— Avisos do ministro da guerra Angelo Moniz da Silva Ferraz, creando 
e dando instrucções d commissão de exame da legislação do exercito. 
Rio de Janeiro, 1866, in-4.o 

Escreveu mais : 

-* Dezesete notas feitas ao relatório da commissão encarregada de 
rever a tarifa das alfandegas do Império, pelo presidente e relator da 
mesma commissão. Rio de Janeiro, 1853, 21 pags. 

— Relatório da commissão encarregada pelo governo imperial^ por 
avisos de 1 de outubro e de 28 de dezembro de 1864, de proceder a um 
inquérito sobre as causas principaes e accidentaes da crise do mez de 
setembro de i864. Rio de Janeiro, 1865 — Este trabalho, si nfio é todo do 
Barão de Uruguayana, é sua, com certeza, a parte principal. Contém 
olle muitos documentos, mappas o artigos publicados na imprensa acerca 
da crise. 

— l^iscurso sobre o voto de graças na sessão de i5 de maio áe Í844, 
— Vem com outros dos deputados F. R. de Assis Coelho, E. de Q. M. 
Camará, J. M. Pereira da Silva, L. A. Barbosa e J. E. de N. SaySo 
Lobato, n*um volume com o titulo ^ Discarso? etc, na sessão de 15 de 
maio de 18i4, Rio de Janeiro* 1844. 



A.1V 89 

A-iig^elo dos Reis — Nasceu na província da Bahia cm 1664, 
e fieJloceu em 1723. 

Entrando muito joven para o coUeglo dós josuitas, ahi fez todos os sous 
esludoB e vestiu a roupeta, tomando ordens de presbytero ; foi discípulo do 
padre António Vieira, depois seu amanuense muitos annos, e sempre um 
de seus dedicados amigos ; o foi mestre de humanidades e de theologia, 
não só no collegio da Bahia, como no do Rio de Janeiro . 

Deu se também á pratica das missões catechísticas pelos sertões da Ba- 
hia, n*uma das quaes foi assassinado pelos indios. 

Era muito versado nas sciencias philosophicas o thoologícas, o quo fez 
que fosse admittido na real academia da historia portuguoza como membro 
extraordinário, o entre os oradores sigrados de sua época foi sempre 
apontado como um doa primeiros. 

Dos seus innumeros sermões publicou : 

— Sermão da restauração da Bahia, pregado na sê da mesma cidade . 
Lisboa, 1706. 

— Sermão da canonisação do apostolo do Oriente S. Francisco' Xa~ 
viery pregado no Rio de Janeiro. Lisboa, 1708. 

— Sermão de Nossa Senhora de Belém. Lisboa, 1718, 

— Sermão da Soledade de Maria Santíssima ,Liabo&^ 1719 — O orador, 
neste sermão pinta com as mais vivas cores as dores acerbissimas da 
Virgem Immacúlada, procurando embalde achar um lenitivo para dores 
tamanhas. E* um de seus mais bellos sermões. 

A-ng^elo de Siqueira Ri1>eii*o do Px*a>do — Oriundo 
de uma família ilbastada e nobre, nasceu em Paranahyba, antigu villa 
de S. Paulo, no principio do século XVIII e falleceu no Rio de Janeiro a 7 
de setembro de 1776. 

Recebeu sua primeira educação litteraria no collegio dos jesuítas, e as 
ordens de presbytero, e formando-se depois em direito, estabeleceu-se 
como advogado em sua província, adquirindo a fama de muito illustrado, 
probo e de independente pela grande fortuna que possuía. Um dia, porém, 
injuriado publicamente por um individilo, contra quem advogara uma causa, 
longe de vingar* se, como lhe era fácil, da injuria recebida, considerou 
esta occurrencia como um aviso da Providencia em reprehensão de seu 
apego ao século, tomou a resolução do deixar todas as honras e grandezas 
do mundo, reduziu a moeda seus bens para distribuir pelos pobres e pelas 
casas de religião e de caridade, o vindo a pé para Santos, d*ahi partiu 
para a Europa. Bem recebido em Roma e honrado pelo papa com lettras 
de missionário apostólico, pregou missões nos reinos de Portugal e de 
Gastella, rodeado sempre de respeito e de veneração por suas bellas virtu» 
des e pelos créditos, de que gozava, de hábil orador, theologo e litterato. 

Depois de muitos annos veiu o padre Siqueira ao Brazil para ver sua 
família ; e passando depois para o Rio de Janeiro, aqui Icuidou o primeiro 
seminário episcopal. . 



90 AJN 

Toado obtido do respectivo proprietário, o capitSo António Rebello, o 
terreno occapado hoje pelo convento dos carmelitas, erigia o templo que 
ahi existe sob a invocaçâk) de Nossa Senhora da Lapa, com as accommo- 
dações necessárias aos moços que se dedicassem ao estado ecclesiastico. 
Este seminário, porém« foi extincto, passando para o edifício os frades 
do Carmo, por ter sido seu convento ^ que por um passadiço era ligado ao 
palácio dos vice-reis ^ occupado pela fámiiia real em sua vinda para o Rio 
de Janeiro. 

E* tradição que o padre Siqueira, em um sermão que pregara em Lisboa, 
predissera o grande terremoto que assaltou mais tarde esta cidade. 

Escreveu : 

— Botica preciosa e precioso thesouro da Lapa^ em que, como em boti- 
ca e thesouro se acham todos os remédios para o corpo, para a alma e para 
a vida, e uma receitados santos para todas as enfermidades ; vários remé- 
dios e milagres de Nossa Senhora da Lapa e muitas novenas, devoçQes e 
avisos importantes para os pães de familia. Lisboa, 1754, 659 pags. in-8.o 

^ O penitente arrependido e fiel companJieiro para se instruir uma 
alma devota e arrependida^ fazer uma boa confissão geral^ etc. Lis- 
boa, 1755, in-12o— Creio que ssJiiu 2* ediçSo em Lisboa, 1757. 

-— O livro do vinde e vede e de sermão do dia de juiz o universal, em 
que se chama todos os viventes para virem e verem umas leves sombras 
do ultimo dia, o mais tremendo e rigoroso do mundo. Lisboa, 1758. 

— Sermões de penitencia ^ Inéditos. SSo sermões que o padre Amgelo 
pregara em Lisboa em 1755 para ser applacada a justiça divina, que elle 
via castigando os peccados e a corrupção do povo com os horrores do ter- 
remoto de 1 de novembro deste anno. Não sei onde param hoje estes 
sermões. 

• 

JLnselo rriioixiAz do Ajaiara/l ^ Nasceu na cidade do 
Rio de Janeiro, sendo seu pae António José do Amaral 1<>, de quem 
se faz menção neste volume. 

Exerceu diversos cargos públicos, quer geraes, quer da provinda do 
Rio de Janeiro, como o de escrivão da commissão de marinha por nomea- 
ção de 25 de setembro de 1841 ; amanuense e archivista da adminis- 
tração de fazenda ; amanuense, archivista, official-maior da secretaria da 
presidência ; inspector geral das escolas ; director do archivo estatístico e 
director do censo, tudo da referida provinda ; director de secção da se- 
cretaria de estado dos negócios da marinha e presidente das provindas do 
Piauhy, do Pará e de Alagoas. 

Foi deputado pela provinda do Amazonas e é actualmente negociante 
matriculado na praça do Rio de Janeiro. E* commendador da ordem de 
Christo do Brazil e commendador da ordem de Nossa Senhora da 
Conceição da Villa Viçosa, de Portugal. 

Escreveu, além de diversos relatórios das repartições em que serviu, e 
das províncias que administrou, o seguinte: 



AN 91 

^Fundação da escola normal de D. Pedro 11^ na província do Grão- 
Pará. Pará, 1861, 20 paga. in-8o — Era o auctor entSo presidente do 
Pará. 

^ Recenseamento da população, da promncia do Rio de Janeiro no 
anno de Í850, Rio de Janeiro, 1851.' 

^ Discurso que proferiu na camará temporária na sessSo de 29 de 
agosto de 1861 o deputado gela província do Amazonas Angelo Thomaz 
de Amaral. Rio de Janeiro, 1861, 37 page. 

•^ Carta dirigida ao corpo eleitoral da província do Amazonas. Rio 
Janeiro, 1863, 43 paga. in-8.o 

Redigia : 

-^Jornal da Tarde. Rio de Janeiro, 1869 a 1872. 5 vols.— Foram reda- 
ctores desta folha, a principio Vivaldi & Pacheco e depois Angelo Thomaz 
do Amaral. Este jornal foi substituído pela Nação^ jornal politico, com- 
mercial e litterario que se publicou de 1872 a 1878 sob a redacção de 
diversos, succedendo seus redactores uns aos outros, e sendo os últimos o 
conselheiro Francisco Leopoldino de Gusmão Lobo e o doutor José Maria 
da Silva Paranhos. 

I>. A.ii.nai A.lexaiii.d.x*iiia# Oavaloaiiiti de A11>u.« 
querque — • Filha do tenente-coronel Joaquim Cavalcanti de Albu- 
querque e de dona Alexandrina Cavalcanti de Albuquerque, nasceu no 
município de Nazareth, da província de Pernambuco. 

Recebendo apenas uma educação rudimentar, muito joven ainda pos- 
suía um bello volume de composições poéticas, cheias de suavíssima e 
amena naturalidade, segundo a opiniSo muito competente de quem mi- 
nístrou-me as presentes informações ; mas um dia o desengano varreu- 
lhe as crenças da primeira edade, e ella n*uma sorte de delirio entregou 
ás chammas esse volume e com elle as paginas de suas apaixonadas con- 
fidencias, de seus sonhos de menina. Entretanto dona Anna de Albuquer- 
que continuou a cultivar com esmero a poesia e adquiriu uma ínstrncçSo 
litteraria, ainda pouco commum no seu sexo, como se reconhece na 

— Carta ao doutor Henrique Capitulino Pereira de Mello ( enviando- 
Ihe sua primeira composição poética ) — Vem no livro Pernambucanos 
illustres de pag. 170 a 172. Nesta carta escreve dona Anna : 

«Ah! senhor, quando espíritos fortes e illustrados muitas vezes ba- 
queiam, sem ao menos completarem o apparatoso pensamento de Balsac, 
como não baquearei eu, que por minha inculta intelligencia e fraqueza 
íntellectual sou, como pharizeu, expulsa do templo da sciencia, onde a 
par de Ariosto e Tassò vem sentar-se Sápho, a suicida, e a par de Pe- 
trarcha a doce Alcípe, a Hypocrene de Filinto Elísio í 

« Quantas vezes no silencio de meu quarto, a sós commigo, tento syn- 
thetisar as ideias que se atropellam em meu cérebro e tornal-as sensíveis 
sem poder conseguil-o nunca ! E* que os caminhos da sciencia são-me 
defesos ; minha imaginação abrazada quer abraçal-os e não pôde. > 



92 AN 

« 

« Para a malher ó ainda hoje muito difficil alcançar o vôo ; graças, 
porém, aos alicerces do século XVIII, lançados no mundo por J. J. Rous- 
s?au, Voltaire. . . já á voz de Stuart Mill e outros talentos vae cahindo 
por terra o anómalo pensamento de madame de Pompadour, que-a mulJier 
só deve enfeitar ' se e ataviar -se para parecer bonita. Será, porém, ainda 
neste século que a mulher poderá se hombrear com o homem no banquete 
da sciencia ; mas surgirá emíim a aurora da redempçSo, e illuminada 
peio clarão ridente dessa luz diyina, a sciencia se precipitará com mais 
força no caminho do progresso. Dispa-se o homem de seu injusto egoísmo, 
erga a mulher ate si, sente-se com ella á mesa do estudo, e muitos delles 
deverão a essa meiga alliada, que tudo cede ao que ama, o seu logar no 
pantheonda histeria. 

€ Eu disse que lhe satisfaria o pedido que me fez ; mando-lhe pois 
uma poesia, a primeira que compuz, primeiro cinto que meus trémulos 
e medrosos dedos arrancaram da lyra, primeira expansSo de uma alma 
ardente e enthusiasta n*um arroubo apaixonado. Eu tinha então a minha 
fronte cingida pola grinalda eternamente poética dos quinze annos ; em 
torno de mim tudo era luz e perfume, meus lábios só sabiam rir e cantar, 
meu coraçSo só sabia crer e amar. Cada inverno que passa ieva-nos um 
sonho risonhot uma crença côr de roza, e assim se esgota o cofre das 
illusSes. 

« Nessa primeira poesia vejo-m? a criança feliz e amorosa, e nas outras 
a mulhor de fronte penBadòra,olhar frio e risD sem expressão. A mulher por 
conseguinte nada lhe manda ; contente-se com o presente da criança. ...» 

A poesia, que acompanhou a carta, de que transcrevi o trecho acima, 
tem por titulo : 

^ O que mais queres ?. . .— Vem no citado livro, e delia transcrevo 

Dou- te o meu coração cheio de enlevos 
As esp*ranças repletas de fulgores, 
De um futuro sonhado, cór de rosa. . . 
O que mais posso dar-te, meus amores ? ! . . 

Ah ! dou-te os sentimentos de minh*alma. 
As minhas illusòes ainda em flores, 
Um peito que transborda de ternura. . . . 
O que mais posso dar-te, meus amores ? / 

Dou-te mais esta vida que só prezo 
Si partilhas commigo os dissabores, 
As glorias e venturas deste mundo. . . 
O que mais posso dar-te, meus amores ? ! 

Dou-te tudo, oh! querido do minh'alma, 
P'ra merecer um só de teus favores. 
Alma e vida — contente sacrifico . . . 
O que mais posso dar-te, meus amores ? ! 

Dona Anna de Albuquerc[ue não deu á publicidade suas composições 
poéticas posteriormente escriptas, que, segundo sou informado, são nume- 



AIV 93 

rosas. Tem publicado algumas em diversas revistas, como a Lucta, o -En- 
saio, o Correio da Noite e o Jornal de Aracaju, no qual se acha: 

— O negro : romancete — que também vem transcripto na obra Per- 
fMmbucanas illustres. 

I>. A^una Bar1>oza de ILiOssio e Seil1>itas —Filha 
do senador dom Nuno Eugénio de Lossio e Seilbitz e de dona Anna 
Barboza Correia de Araújo, nasceu na cidade de S. Sebastião do Rio di 
Janeiro a 6 de novembro de 1830 e falleceu a 1 de fevereiro de 1877. 

De tSo aprimorada educação, quanto foi infeliz, dona Anna Lossio 
escreveu diversos artigos em proza e em verso sob diversos pseudonymos 
na Marmota Fluminense de 1854 a 1855, assim como no Brazil 
Histórico o no Correio Mercantil em 1863, e além disto : 

— Uma viagem ao Parnazo. A educação da mulher — SSo dous 
artigos in&ertos na Semana Ulustrada, de que foi reproduzido o segundo 
em outro periódico da corte. 

— Historia da vida de Jesus Christo desde seu nascimento até sua 
resurreição, extrahida fielmente do Novo Testamento, e seguida da 
moral dos apóstolos, etc. Rio de Janeiro, 1863 — Esta obra ó em verso. 

^ O Sagrado caminlio da cruz : collecçSo de trinta magnificas 
estampas, representando as estações da Paixão de Jesus Christo e outros 
assumptos sagrados, acompanhadas de poesias religiosas. Rio de Janeiro, 
1865— Desta obra ha segunda edição. Rio de Janeiro, 1868. 

«— Cantos religiosos. Rio de Janeiro. . . .— Nunca vi este volume ; só 
tenho delle noticia. 

— Historia da vida de Maria Santíssima -^ inédita. Sei que a 
autora tratava de publicar esta obra, quando falleceu. 

D. Alunai Sdeltrudes de Mieneases — Filha do doutoi* 
Manoel Joaquim de Menezes, de quem farei menção no logar competente e 
de dona Eufemia Marciana de Menezes, nasceu na cidade do Rio de Janeiro 
a 3 de fevereiro de 1825. 

E* poetisa. Nunca fez collecção de suas composições, mas escreveu: 

•— Varias poesias ^ que se acham publicadas em diversos periódicos 
da corte, como o Jornal do Commercio^ Correio Mercantil, Jornal das 
Senhoras, Ensaios Litterarios, Medico do Povo^ etc. ; o sabe-se que 
conserva 

^ Varias poesias ^ inéditas. 

I>. A.xi.xi.a £!u.ft*ozina* Suridice Bairanda^s — Erá 

ilatui^al da província do Rio Grande do Sul, onde fallecea, ignoro em que 
anno e o mais que lhe é relativo ; sei apenas por Informar-me um 
illustrado publicista de sua província que era poetisa e que escrevera: 

— A philosopha por amor — E' um livro que contém escriptos tantd 
em prosa bomo em vetso. Nunca o vi. 



04 

ly. Ajuib» £]aq[ueiriaF IJopes de Oaidava/1— Faltam-me 
noticias circimutanciadas desta senhora ; sei apenas que tem bastante 
conhecimento da lingua franceza, da qual traduzia e deu á publicidade: 

— Magdalena : romance de Júlio Saadeau, traduzido do francez. Rio 
de Janeiro, 1849. 

'^ Eduêoção das meninas por Fenelon: traducçSo. Rio de Janeiro, 
1862. 

D. Aaha Ril>eIx*o de GkSes Bittencourt— Nasceu 

óm SanfAnna do Gatú, proyincia da Bahia, a 31 de janeiro de 1843, 
sendo seua pães o oapitSo Mathias de Araújo Góes, ali senhor de engenho, 
e dona Anna Maria da AnnunciaçSo Ribeiro Góes , e é casada com o 
doutor Sócrates de Araújo Bittencourt. 

Recebendo a primeira educaçSo litteraria de sua yirtuosissima mSe, 
que, versada na Biblia a ponto de quasi a saber de còr, a instruirá nos 
preceitos deste livro, aprendeu depois com uma mestra, que veio para o 
engenho de seu pai, a lingua franceza e musica, e mais tarde com 
outros mestres a lingua italiana, geographia, historia e finalmente as 
noções preliminares de physica com seu tio, o conselheiro Pedro Ribeiro 
de Araújo, lente da faculdade de medicina. 

Deu-se desde muito joven á litteratura, nfio só de seu pais como a 
franceza ; cultiva a poesia, e achando um certo encanto na decifração de 
charadas e logogriphos tem composto um grande numero delles» e 
publicado alguns no Almanak luzo-brazileiro de 1880 a 1882, no Almanak 
da Gazeta de Noticias da Bahia de 1883, e na Verdade^ periódico de 
Alagoinhas, em sua província. 

Escreveu mais: 

^Á filha de Jephté : romance. Bahia, 1882^ Lera dona Anna 
Bittencourt as tragedias de Racine, Esther e Áthalia, que, como ella 
se exprime no seu prologo, lhe despertaram a idéa deste romance, 
avivando-lhe as reminiscências da Biblia. 

— O anjo do perdão : romance — Este romance a pedido de António 
Lopes Cardoso acaba de ser-lhe entregue para ser publicado na Gazeta 
de Noticias da Bahia, em folhetins, e depois talvez seja impresso em 
Tdume. 

'^ Amor materno '•^ artigo publicado no Almanak luso-brazileiro 
de 1882. 

^ Avante ! A* excellentissima senhora dona Analia Vieira do 
Nascimento, depois da leitura de sua epistola ao Sr. António Xavier 
Rodrigues Cordeiro^ Vem no Ahnanah de lembranças luso-brazileiro 
para 1881. E* uma composiçSo de oitenta versos de metrificação diversa, 
que começa : 

Ta dizes, Analia, que as grandes alturas 

Vedadas te sSo. 
Co'o veu da modéstia teu estro procuras 

Velar — mas em vão* 



JLN 95 

Si attenta perscruto teus passos infantes, 

Tentando-os seg-air, 
Do g'6nio as faíscas ardentes, brilhantes 

Diviso a fulgir. 

Qoal águia, aue as azas novéis agitando. 

Ensaia a voar, 
E as aves rasteiras na terra deixando, 

Se eleva no ar. 

Assim vais, da gloria nos carros dourados . . . 

Brilhando te vi, 
Emquanto mil outros das mozas amados 

Deixaste após ti. 

Teus lábios as ondad de um mar de harmonia 

Derramam a flux. 
Ás ondas transforma-as do génio a magia 

Em jorros de luz ! 

Dona Anna Bittencourt possue inéditas muitas producçQes poéticas, 
entre as quaos se acham diversos hymnos religiosos. 

• 

D« Ajxjktí, dai Silva* Fjreire ^ Creio que ó natural do Ma- 
ranhão ; só conheço este nome por ver que os autores do Mosaico bra- 
zileiro fazem de dona Amna Freire menção, inserindo neste livro esta 
composição sua : 

— A saudade materna : elegia — dedicada a seu filho Egidio José da 
Silva Freire, morto no Maranhão com dezoito annos de idade. Esta compo- 
sição, de bella e delicada inspiração, era inédita ; e os autores do citado 
livro a publicam sem data alguma. Parece-me, com tudo, que a autora, 
viveu no século actual. 

jy. AjOLueb T^lxeoplxila» Fil^ueixraiS A.iitira»ii— Filha do 
doutor Henrique Antran da Matta Albuquerque e de dona Eduarda de Amo- 
rim Filgueiras Autran, nasceu na cidade da Bahia a 28 de dezembro de 1856. 

Uma das proposições, que escrevi em seguida á minha dissertação 
inaugural, foi a seguinte : < A firmeza é um apanágio mais do bello sexo 
do*qu3 do homem >, proposição em que fui arguido pelo meu illustrado e 
venerando mestre o conselheiro Manoel Maurício Rebouças. Depois, 
porém, desenvolvendo a mesma proposição n'um artigo que publiquei em 
um dos periódicos litterarios da corte, eu disse que, si as mulheres não se 
davaok ás sciencias e ás Icttras com o mesmo amor ou perseverança com 
que se dão os homens, era isto devido somente á sua educação, toda outra; 
mas não porque não sejam dotadas do mesmo grau de intelligencia ; e 
que, quando cultivada esta, ellas marchavam na vanguarda das sciencias 
como aquelles que ás sciencias mais se dedicam, citando para o com- 
provar os nomes das D*Estael, Ricoboni, Sevignãc e outras. 

Dona Anna Autran é mais uma prova do que então aventurei . Não co- 
nheço no céo da intelligencia pátria uma estrella que mais cedo bri- 
lhasse, sem deixar nunoa de ostentar seu brilho* 



96 AJN 

Dos apontamentos que da Bahia recebi a respeito de dona Anna Au- 
tran, subministrados por pessoa de sua familia, e portanto authenticos, 
consta o seguinte : 

€ Aos quatro annos de idade já apresentava uma notável aptidão para 
as lettras, ora decorando com facilidade versos, orações e pequenos dis- 
cursos, ora argumentando com uma lógica nunca vista nesta idade sobre 
pontos de arilhmetica e religiSo. 

< Um anno depois já lia qualquer escripto que se lhe apresentasse, e 
aos nove annos incompletos Analisava os seus primeiros estudos com lou- 
vor e admiração de seus próprios mestres. 

< Aos dez annos começou a sua vida litteraria com a estróa d3 uma 
poesia repassada de ternura e melancolia; e aos doze principiou a dar pu- 
blicidade a alguns escriptos. 

« Com quatorze sustentou pela imprensa uma renhida discussão litte- 
raria por alguns mezes — A mulher e a lilteratura — com uma daã pri- 
meiras capacidades de sua província, etc. > 

Escreveu : 

^ A mulher e a lilteratura : serie de artigos publicados no Diário da 
Bahia de 15 de julho a 15 de novembro do 1871 — São os artigos da dis- 
cussão a que se referem os apontamentos que possuo. Era seu contendor 
o distincto e illustrado jornalista Bellarmino Barreto, do quem se trata 
neste volume. 

— Devaneios : poesias. Bihia, 1877, 253 pags. in-8o-^ Precedem este 
livro o juizo critico do doutor Filgueiras Sobrinho e de Domingos Jo iquim 
da Fonseca, a dedicatória a seu pai, e o prologo. Contém 54 composições 

poéticas. 
^ Suspiros húngaros — Sahiu este escripto no Diário da Bahia do 20 

de julho de 1878. 

— 0$ desterrados da Sibéria — No Monitor da Bahia, de 28, 29, 30 e 
31 de outubro e de 1 de novembro de 1879. 

Das diversas composições poéticas, quo dona Anna Autran tem espar- 
sas, umas impressas, outras manuscriptas por mãos divorsns, transcrevo 
a seguinte, que so acha no « Novo almanak de lembranças luso-braziloiro 
para o anno de 1873 » publicado em 1872, quando tinha a autora quinze 
para dczeseis annos : 

-«^ Teus olhos* 

Ai de mim 

Já não sei qual fíqnei sendo 
Depois que os vi. 

(Q. Dus.) 

Teus olhos lindos, brilhantes, 
a atar meus olhos vi ; 
olhei outra vez, olhei-os, 
ô ainda olhavam para mi. . . . 
Baixei os meils — e corando. 
Olhei de novo e tremi. . . . 



«7 

Tremi de enleio V Talrei • 
Tremi de amores ? NSo sei ! , , • . 
Deixei de olhar -te ? Mentira, 
por muitas yezes te olhei. . , . 
e sempre, sempre tens olhos 
08 meus fitando encontrei. 

De livre vii-me escrava 
qaando via os olhos teus ; 
medrosa, nSo quVia olhar^te, 
nSo queria, sabe-o Deus ; 
mas nfto sei que mago encanto 
te volvia os olhos meus ! . . • . 

Busquei fngir-te debalde, 
foi debalde que o busquei ; 
que sempre, sempre teus olhos 
nos meus pregados achei; 
eú tinha medo de olhar^te, 
e sempre, sempre te olhei. 

Mas quando nfto vi tens olhos 
fitar os meus com ardor, 
ainda senti mais vivo 
o seu fogo abrazador. . . . 
a causa inqueri, chorei. . . • 
o pranto disse-me amor, 

Parece-me que nSo me levarão a mal, transcrevendo, quando trato de 
poetas, principalmente de senhoras, algum trecho de poesia. Ao menos 
penso tornar mais amena a leitura deste livro . 

I>. A^iLiiailiai Vieirai do Naisoimento — Nasceu em 

Porto Alegre, capital da província do Rio Grande do Sul, a 2 de fevereiro 
de 1855, e são seus pães José Vieira Fernandes e dona Belmira Vieira 
do Nascimento. E' irmff de Joffo Damasceno Vieira Fernandes, de quem 
adiante fiirei meuçSo. 

Dona Annalia cultiva desde muito joven a poesia ; tem escripto moi- 
tas e mimosas composições poéticas, de que tem publicado algumas em 
diversas revistas. 

Nfto podendo, por mais que procurasse, obter orna noticia de seos es* 
criptos, só posso mencionar os .que conheço, que sfto: 

— No mar: fragmento. Ne dia de meus annos, 2 de fevereiro de i873 
— Sahiu no «Novo almanak do lembranças luzo-brazileiro para o anno de 
1875» Lisboa, 187< ^ Oe seus escriptos em prosa, se acha a 

^ Carta a Victor Eugo^no mesmo almanak de 1882, pags. 153 e 154. 
Neste escripto põe dona Annalia em relevo as impressões que em sen 
espirito ficaram gravadas com a leitura do livro Os trabalhadores do 
mar^ do laureado poeta francez. 

Sei que ha diversas composições de dona Annalia, já coUeccionadas; 
nfto dou, como disse, noticia delias, porque foi baldado todo empenho 
que fiz para obter os esclarecimentos necessaries. Ficará essa noticia 
para o primeiro sapplememto, que conto dar. 



98 íLN 

» < ' ■ 

A.nni1>al A-ndiré Rilbeiro — Nasceu na cidade da Bahia 
a 30 de novembro de 1835, sendo seus pães o doutor Francisco António 
Ribeiro qne representara saa província na quinta e sexta legislaturas 
na camará temporária, e dona Barbara Xavier de Souza Ribeiro. 

Formado em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife 
em 1855,ezerceu a advocacia até o anno de 1865; foi nomeado official-maior 
da secretaria do tribunal do commercio de sua província em janeiro de 
1864, logar em que serviu até que, extinctos os tribunaes do commercio 
e creadasas juntas commerciaes em substituiçSo a elles, passou a exercer 
o de secretario da junta commercial de S. Salvador por decreto de 14 de 
fevereiro de 1877, e ahi se conserva . 

Escreveu: 

— Pecúlio do procurador de segunda instancia ou collecçSo, con- 
tendo a lei da creaçSo do supremo tribunal de justiça, os regulamentos 
das relações, tribunaes do commercio, dizimas, ferias e alçadas, addi- 
cionados de notas indicativas das leis, decretos e avisos publicados até 
1866, quê lhe sSo relativos. Bahia, 1867. 

^ Apontamentos sobre o registro publico do commercio, seguidos dos 
regulamentos dos corretores e agentes de leilões, annotados com a 
legislaçSo de 1866 e da collecçSo dos estylos e usos commerciaes da 
praça da Bahia, declarados por verdadeiros pelo respectivo tribunal do 
commercio. Bahia, 1868. 

^ Breves considerações sobre as annotações do doutor Salustiano 
Orlando de Araújo Costa ao código coynmercial do Império do Brasil, 
Rio de Janeiro, 1871 — Neste volume, que tem 168 pags. in-4o, se acha 
uma carta do conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos, escripta aos 
editores Eduardo & Henrique Laemmert, elogiando a obra. 

— Instrucção para as eleições dos deputados e supplentes dos tri^ 
bunaes do commercio, annotadas, etc. Bahia, 1872 — Seguem-se em 
appendice os artigos do código commercial e avisos citados nas notas da 
decreto n. 696 de 5 de setembro de 1850, etc. 

^ Regulamento do imposto de transmissão de propriedade, anno- 
tado com as leis, decretos e avisos, anterior e posteriormente publicados, 
que o explicam ou completam. Rio de Janeiro, 1873. 

A.iinilMLl Faloão ^ Nasceu na provincia de Pernambuco, ahi 
fez seus estudos de humanidades, e todo o curso de sciencias sociaes e 
juridicas, de que recebeu o grau de bacharel. Ainda estudante da facul- 
dade de direito dedicou-se e exerce a arte tachigraphica, e cultiva com 
muito gosto a litteratura, náo só a nacional, como a européa. 

Esereveu: 

— O Diabo a quatro : revista infernal. Recife. . . . in-fol. com carica- 
turas — Esta revista, fandada e redigida por Annibal Falcão, tendo por 
companheiro A. de Souza Pinto e outros, é escripta com talento e graça. 



A.1^ 90 

— O doutor Alberto : <lrama em três aetos. Pernambaco, 1878-^ Este 
drama nâo foi levado á scena por haver a policia prohibido a represen- 
tação. O livro é precedido do retrato do autor ede .uma introducçSo 
escripta por seu collega António de Souza Pinto. 

— O Marques de Luçay : phantasia — publicada em folhetins na pri- 
mitiva Gazetinha do Rio de Janeiro. Esta composição é um primor litte- 
rario. 

— O doutor Jacobus ^ inédito. E* uma epopéa gigantesca na opinião 
de um litterato que viu o livro manuscripto, na qual, procurando o autor 
symbolisar a evolução da humanidade, como Quinet em seu monumental 
AsTiaverus, as prosopopéas se cruzam talvez um pouco profusamente de 
mais. Desse trabalho de uma imaginação verdadeiramente oriental, 
vi dous fragmentos, um publicado na Revista Brazileira^ e outro no 
álbum de um seu amigo, J. Z. Rangel de S. Paio. 

A-nnilba*! rTeixeiíra* de Sá — E* natural da Bahia, si me 
não engano, e da cidade de Santo Amaro. Ignoro as demais circumstancias 
que lhe dizem respeito, á falta de informações que a diversas pessoas pedi. 

Escreveu: 

^ O poeta Rangel : comedia. Santo Amaro, 1856. . 

— Um caxamento da épjca, ou moléstia de muita gente : comedia 
em um acto. Bahia, 1859. 

— * Os extremos : comedia-drama em três actos. Rio de Janeiro, 1866. 
Talvez tenha dado a lume algum trabalho seu, além dos que indiquei. 

A.iitez*o I>ias X^opes — Falleceu a 18 de agosto de 1876, 
victima de uma f ibre perniciosa, na cidade de Macahó, onde me parece 
que nascera, e onde exercia os cargos de vereador da camará municipal, 
de agente da associação popular fluminense de benefícios mútuos, de 
inspector da instrucção publica, de venerável da loja maçónica Perse- 
verança e de capitão da guarda nacional. 

Cultivava a poesia, e publicou : 

— Harpa do meio dia: poesias. Rio de Janeiro, 1872 — Com o re- 
trato do autor. 



A-ntero Ferreira de" A. vila— E' natural da província de 
S. Pedro do Rio Grande do Sul e bacharel em sciencias sociaes e juri- 
dicas pela faculdade de S. PaUlo. 

Escreveu: 

^ Retratos biographicos de académicos contemporâneos, S. Paulo,- 
1866, 88 pags. in-S.o 

Antero «José Ferreira de firito. Barão de 
T^ramnndaliy — Nasceu na província do Rio Grande do Sul ali 
de janeiro de 1787, e falleceu no Rio de Janeiro em fevereiro de 1856 « 



iOO 

Militar, Bubia ao alto posto de tenente*g:eneral do exercito, foi por 
muitos annos presidente da provincia de Santa Catharina, e da de sen 
nascimento, ministro e secretario de estado dos negócios da guerra 
de 1832 a 1835, e commandante das armas da corte, em cigo exercicio 
morreu. 

. Era voador da casa imperial, do conselho de sua magestade o Impe- 
rador, conselheiro de guerra, grS-cruz da ordem de S. Bento de Avis, 
dignitário das ordens do Cruzeiro e da Roza, condecorado com as me- 
dalhas da campanha de Montevideo de 1811 a 1812, das campanhas de 
1815 a 1820, da campanha da independência da Bahia, da divisão 
cooperadora da Boa Ordem, e com a insignia de ouro por distincçSo em 
combate. 

Escreveu, alóm de 

— Diversoi relatórios — como presidente de duas províncias, e como 
ministro da guerra em três gabinetes successivos, no ultimo dos quaes 
fora encarregado também da pasta da marinha ; 

^ Carta ao coronel João Carlos de Saldanha de Oliveira Daun. 
Rio de Janeiro, 1822 — Era o autor coronel quando publicou esta carta 
contra o seu coUega, datada da povoação do Norte do Rio Grande 
a 24 de junho, com um supplemento datado de 18 de agosto, tudo 
de 1822. 

^ Exortação patriótica dirigida ás principaes corporações e attíori'- 
dades da provincia do Rio Grande do Sul, sua pátria. Rio de Janeiro, 
1822^- Ha outra do mesmo anno aos seus amigos residentes na dita 
provincia. 

— Memoria descriptiva do estado da fortificação da costa da prO" 
9incia de Pernambuco^ quartéis, armazéns, paiol de pólvora e mais 
edificios militares, indicando os melhoramentos quepodem ter. Recife, 
21 de abril de 1826 — Ha um original in-folio de 30 folhas e uma cópia 
de 28 folhas no archivo militar. Foi escripta sendo o autor commandante 
das armas na provincia de Pernambuco. 

^ Quadro da divisão civil^ judiciaria e ecclesiastica da provincia 
de Santa Catharina com o resumo de sua população, organizado em 
1841.— Era o autor administrador da provincia, quando o escreveu. 

A.iitoiiio A.oli.illes de Il!lix*a«zLda. "Vaiirejâo — E* 

natural do Rio de Janeiro e nascido a 30 de janeiro de 1834, sendo seus 
pães o commendador António Alvares de Miranda VarejSo e dona Joa- 
quina Úrsula de Miranda Yarejão. 

Bacharel formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de 
S. Paulo em 1856, no anno seguinte entrou no exercicio do cargo de 
chefe da secção de estatistica na secretaria da policia da corte, e d*ahi 
passou para a secretaria de estado dos negócios da justiça, como primeiro 
official, logar em que se aposentou em 1872. Exerce actualmente a 
profissão de advogado, lecciona varias línguas e sciencias ; é membro 



iOl 

effectÍTo do grande conseDio do grau 33 dò^ande oriento unido do 
Brazil ; cayalleiro da ordem da Roza, etc. * .- 

O doutor VarejSo foi director e radactor chefe ío » piaria Official^ 
collaboroa para a Semana Illustrada^ para a Revista jd^Bn^aio philO" 
sophico paulistano, e para o Diário do Rio de Janeiro^ e\ fez parte da 
redacçâk) do Jornal do Commercio, Escreveu : ,*' ^ 

<— A épooa : comedia em cinco actoe, representada em 1861 -^^rêio 
que foi impressa neste mesmo anuo. 

— A resignação : drama em três actos, represemtado em 1862. ' « 

— O captiveiro moral : drama em cinco actos, representado em 1864. 

— Trevas e luz : drama em quatro actos, representado em 1867. 

— Os excêntricos : comedia em quatro actos, representada por dirersas 
vezes no Rio de Janeiro — Inédita . 

— An^ath : drama em três actos — NSo sei si foi levado á seena. Idem. 

— A vida intima : drama em três actos — Idem. 

— A louca : libreto em quatro actos e em verso português, posto 
em musica pelo compositor paulista Elias Alvares Lobo — (Vejanie Elias 
Alvares Lobo.) 

Consta que tem ainda outras comedias e dramas, originaes e tradu- 
zidos, sendo alguns já representados nesta corte, e composições poéticas 
inéditas, além de algumas publicadas, como 

— A guerra do Oriente : ao meu amigo o senhor José Diogo de 
Menezes Fròes, em resposta á sua poesia a Rússia ^ Sahiu na Revista 
litteraria, S. Paulo, serie 5^, pag. 34. 

• 

Axitonio i^^ostinlio de il^ndrade Figueira — 

E' natural da provincia do Pará. 

Éaltam-me^ noticias a seu respeito, e apenas sei que é sobrinho do 
finado general GurjSo, e que escreveu : 

— Necrologia de Hilário Maximiano Antunes Gurjão^ bacharel em 
mathemathicas, brigadeiro do exercito, etc. S. Luiz do Maranhfio, 1869. 

A.iitoiiio il^lexandre dos Paissos Ou.i*ique— 

Nasceu em S. Paulo a 29 de junho de 1819 e falleceu no Rio de Janeiro a 
21 de maio de 1850, victima da febre amarella. 

Era engenheiro civil, cavalleiro da crdem da Roza, e exercia um em- 
prego na thesouraria geral de sua provincia, quando, tendo-se opposto 
em concurso á cadeira de arithmetica e geometria, annexa á faculdade de 
dir^dto, e vindo á corte para esperar a nomeação desejada, aqui foi ao- 
commettido da febre que o matou. Escreveu muitas composições de 
que foi publicada, depois da sua morte, uma collecçSo com o titulo : 

-—Flores do sepulchro : poesias. S. Paulo, 1851, 130 pigs. ÍLrSf* ^ E! 
precedido de uma noticia por seu collega F. I. dos Santos Cruz, de cuja 
penna se acham no fim do livro um soneto e uma nenia, de page 
118 a 119. 



• • 



102 \ "^ÀN 

• • • • 
António de^A^lnteida Oliveií^ai— Natural da província 

do Maranhão e n^§òiaa éin 1843, fez o curso de Bciencias sociaes e jurí- 
dicas, forman^^-^e iBm 1866 ; exerceu, bem que por muito pouco tempo, 
o cargo de ^tródkCxtôr publico da comarca de Guimarães em sua província, 
e torAfindo^dJ^apital, deu-ae á advogacia. 

Tpdo '"/levo lado á magna questão dos povos cultos, a instrucçSo pu- 

blfç»V«<^oou com os doutores João António Coqueiro e M. Mendes Pereira 

•\.\g[âa 'escola nocturna para adultos com o titulo de Onze de agosto, onde 

*>' >. fez muitas conferencias sobre instrucçSo publica e outros assumptos que 

,'• *. se prendem ao progresso material e moral de sua província ; e fundou 

em S. Luiz do Maranhão como doutor A. Ennesde Souza uma biblio- 

theca popular, inaugurada com mais de dous mil volumes, e hoje com 

perto de cinco mil, que foi até pouco tempo por elle sustentada. 

Mudando-se para a corte em fins de 1868 por ser affectado de beri-beri 
mais de uma vez, e aqui abrindo consultório de advogado, foi no anno 
seguinte nomeado presidente da província de Santa Catharina. 

O doutor Almeida Oliveira foi eleito presidente honorário da sociedade 
União juvenil, composta de estudantes, em attenção a seus serviços 
prestados á instruo ção publica, e como tal presidiu a sessão solemne 
de 6 de julho de 1877, proferindo um discurso apropriado ao acto. E o 
governo imperial por este mesmo motivo lhe conferiu o oficialato da 
Roza. 

Escreveu : 

^ Diversas conferencias quo proferiu na escola nocturna para adultos 
< Onze de agosto >'^a8 quaes foram impressas três que são as seguintos: 

^ A necessidade da instrucção, dedicada á Associação dos artistas. 
Maranhão, 1871. 

^ A instrucção e a ignorância, Maranhão, 1871. 

^ A sociabilidade e o principio de associação. Maranhão, 1871. 

^ O ensino publico : obra destinada a mostrar o estado em que se acha 
e as reformas que exige a instrucção publica no Br.azil. Maranhão, 1874, 
476 pags. in- 4o com 6 mappas^ E* talvez a melhor obra que sobre o 
assumpto se tem escripto no Brazíl, e da qual muito se occupou a im- 
prensa do dia, especialmente a Idéa do Rio de Janeiro, e o Diário da 
Bahia, Aquella deu de todo livro um resume precedido de palavras 
muito lisongeiras para o auctor. Este conferíu-lhe os foros de publi- 
cista n'um extenso artigo. 

<— Discurso sobre a educação do sexo feminino, pronunciado no acto 
da installação da bibliotheca popular ^ Foi impresso n'um folheto com 
outro do doutor António Ennes de Souza. 

— >0 Democrata ( jornal que fundou e redigiu ) Maranhão, 1877 ^ Antes 
desto, em 1876, coUaborou ou fez parte da redacção do periódico Liberal. 

—O arado: carta aos lavradores maranhenses. Maranhão, 1878 — Neste 
opuBCttlo, que tem 68 paginas, e que o autor fez distribuir gratuitamente 
eatre os lavradores de sua província, chama elle sua attonção para as 



iUN 1Q3 

vantagens da cultura intensiva, ahi pouco usada entSo, e hoje em via 
de realisar-se. 

^ Acção decennial no foro commercial e civiL Santa Gatharína, 
1879 ^ E' uma monographia de 160 paginas, que o autor escrevera 
no Rio de Janeiro, e que foi muito apreciada na revista de jurisprudência 
o Direito . Diz esta revista que o doutor Almeida Oliveira desenvolveu a 
matéria sob todos os pontos de vista em que ella podia ser estudada. 
Esta obra é dividida em duas partes. Na 1^ define o autor a acção, e con- 
sidera sua Índole, fins e requisitos ; na 2^ estuda o* processo efòro da 
acção. Delia fez o autor segunda edição, correcta e augmentada em 1883. 

^ Falia com que abriu a sessão extraordinária da assembléa legisla^ 
tiva provincial de Santa Catharina em 2 de janeiro de 1880 . Cidade do 
Desterro, 1880. 

'^Relatório com que ao excellentissimo senhor coronel Manuel Pinto 
deitemos, primeiro vice-presidente, passou a administração da provín- 
cia de Santa Catharina em 20 de maio de 1880. Desterro, 1880. 

A-iitonio A.l-vaires Ouedes "Va^z — Natural de Portugal, 
por motivos politicos emigrou para o Brazil, que adoptou por pátria. 

Presbytero do habito de S. Pedro, foi coadjuctor da freguezia da Cande- 
lária, dirigia em 1868 um collegio de educação para o sexo masculino no 
Rio de Janeiro ; e instituiu nesta cidade uma publicação, assoe iando-se, 
quanto á redacção, com Salvador de Mendonça e Victor Dias, da qual pu- 
blicação sahiu apenas o primeiro volume, com o titulo de 

— Apontamentos hiographicos para a historia das campanhas de 
Uruguay e do Paraguay desde i864. Rio áQ^AneÍTO^ 1876. No Jornal 
do Commercio de 7 de setembro de 1876, se lê esta declaração : < Sendo- 
me attribuida exclusivamente a paternidade desta obra, julgo de meu 
imprescindível dever declarar o seguinte : A idea é minha, e unica- 
mente meus foram os dispêndios para a publicação. Pondo, porém, isto de 
parte, somos três os autores : os senhores Salvador de Mendonça, Victor 
Dias e ôu. » 

Referem-se estes apontamentos a dom Pedro II, imperador do Brazil, 
suas altezas os dous príncipes e a diversos vultos notáveis nas duas cam- 
panhas. 

António A.lva.i^es Peireiírai Ooiruja — Natural da 
provinda do Rio Grande do Sul, nasceu em Porto-Alegre a 31 de agosto 
de 1806, sendo seu pae António Alvares Pereira Coruja, que ahi se ca- 
sara com uma senhora rio-grandense, descendente dos antigos casaes 
açorianos que vieram povoar a primitiva capitania. 

Destina va-se a ir matricular-se na universidade de Coimbra, depois de 
estudar as diversas aulas de humanidades ; mas não o podendo fazer por 
circumstancias particulares, dedicou-se em sua província ao magistério, 
leccionando a princípio grammatica portugueza, e depois philosophia 



meioiud è moral, tado por nomeaçSo do gavwBO* Sendo porém deputado 
á aesemblóa provincial, e compromettendo-se noe movimentos polittooB 
de 1836, pelos quaee teve de soffrer trabalhos e perseguiçQes que o des- 
gostaram, resolveu mndar ena residência para o Rio de Janeiro em 1837, 
ê aqni estabeleceu um collegio de edacaçSo secundaria para o sexo 
masõolin^ com o titulo de lyceu de Minerva, exercendo sempre o ma- 
gistério. 

Ao cabo de uns quinse annos de direcçSo deste ooUegio, e de quasi 
outros tantos annos mais de magistério publico, já cansado, passou a outro 
os encargos que sobre si pesavam, para dedicar-se a seus estudos de gabi- 
nete, e ao oommercio. 

K* offieial da ordem da Roza, cavalleiro da de Christo, membro effectivo 
do supremo conselho do grande oriente do Brazil, presidente e director ho- 
norário das aulas do asylo das orphSt da sociedade amante da instrucçSo, 
sócio do in^stituto histórico e geographico brazileiro, no qual serviu 
muitos annos o cargo de thesoureiro, e sócio da sociedade beneficente e 
humanitária rio-grandense, de que foi presidente effectivo quatro annos, 
passando depois a ser presidente honorário. 

Escreveu diversos artigos e correspondências no Portonilegrenie em 
1847, nò Argos de 1840 a 1850, e no Mercantil^ todos estes jornaes de sua 
provinoia, de 1860 a 1858 ; assim como : 

— Compendio da gfammaticm da língua nacional^ dedicado á moci- 
dade rio-grandense. Porto-Alegre, 1835, in-8»^ Foi muito seguido nas 
escolas da província, e nas da corte, e tem tido diversas ediçOes correctas 
• ampliadas, h&vendo uma de 1849, outra de 1862, e outra de 1872, feitas 
no Rio de Janeiro. 

— Manual dos estudantes de latimi dedicado á mocidade brasileira. 
Rio de Janeiro, 1838, in-8« -* Foi depois adoptado no collegio de Pedro U . 
Idem, sendo augmentado com um appendice de pretéritos e supinos. 

^ Compendio de ortographia da lingiM nacional, dedicado a sua 
magestade o senhor dom Pedro II. Rio de Janeiro, 1848, 268 pags. in-8.o 
— Traz o retrato do autor e um vocabulário exemplificativo, segundo o 
iQritema do padre Madureira Feijó. Idem, sendo uma das edições de 1874. 

i— Manual de ortographia da língua nacional. Rio de Janeiro, 1852 
in-8o — E* a mesma obra acima, porém resumida ás suas principaes re- 
gras. Idem, sendo a segunda ediçSo de 1861, 47 pags. in-8o, e a ter- 
oeira de 1866. 

^ Árithmetica para meninos, contendo unicamente o que é necessário 
e se pôde ensinar nas aulas, de primeiras lettras. Rio de Janeiro, 1850, 
iii-8<» — Idem, sendo a segunda ediçSo de 1861, 52 pags. in-^**. 

— Compendio da grammatica latina do padre António Pereira de Fi- 
gueiredo com additamentos e notas. Rio de Janeiro, 1852, ^in-8<> ^ Se- 
gunda edição, 1861, 111 pags. in-8o. 

— Lições de historia do Brasil, adaptadas á leitura das escolas. Rio 
de Janeiro, 1855, 310 pags. in-8* — Traz no fim a oonstituiç&o politica 



106 

do Império. Hadésto obradirensM ediçSepi, sendo : a seganda de 1857; 
a terceira, augmentada e correcta, de 1861 ; a quarta de 1866 ; a quinta 
de 1869 ; a sexta de 1873. 290 pags in-8o, e a sétima de 1877, 287 paga. 
ia-8<^, todas do Rio de Janeiro. 

^ Collecção dos vocábulos usados na província de S. Pedro do Rio 
Ghrande do Snl. Rio de Janeiro, 1861 — Sahira antes na Revista do 
instituto histórico^ tomo 15<>, 1852, paga. 210 a 240; foi reimpressa, se- 
gando me consta, em Londres em 1856, e depois no Rio Grande do Sul, 
vindo como appendice á Folhinha rio-grandense para o anno de 1863. 
Parte dos vocábulos desta collecção sflo da lingua guarany. 

^ A vida de José Bernardino de Sd depois de sua morte ou o processo 
Villa-Nova do Minho, contendo as peças principaes do processo propria- 
mente dito Villa-Nova do Minho, e precedido de um outro processo, o 
do doutor Manuel Jacquesde Araújo Basto. Rio de Janeiro, 1856. 

^ Annotações ds Memorias históricas de monsenhor Pizarro na 
parte relativa á província do Rio Grande do Sul, servindo em parte de 
additamento, e em parle de correcção — Foram publicadas na Revista do 
instituto histórico. Rio de Janeiro, 1858, pags. 303 a 315. 

— Notas d memoria do tenente-coronel José dos Santos Viegas ^ 
Idem, 1860, pags. 585 a 602. 

^ Antigualhas e reminiscências de Porto~ Alegre, Rio de Janeiro, 
1881, 34 pags. in-4.'' 

António ^IvAires da* (Sil-va» — Filho de António Alvares 
da Silva e de dona Zeferina Roza da Silva, nasceu na cidade de S« Salvador, 
capital da Bahia, em 1831 ou 1832, e falleceu na mesma cidade em 1865, 

Doutor em medicina pela faculdade de sua província, onde deu provas 
de uma intelligencia robusta, foi nomeado por concurso lente oppositor 
da secção medica da mesma faculdade em 1857, e se achava inscripto 
para o concurso á cadeira de physiologia em 1865, quando falleceu. 
Durante este concurso falleceu também o doutor João Pedro da Cunha 
Valle, outro concurrente (vide João Pedro da Cunha Valle), faltando-lhe 
somente a sustentação da these. 

Escreveu : 

^ Physiologia da medulla espinJial* Thsoria dos movimentos re fiemos : 
dissertação inaugural, precedida de proposições sobre: 1.® Influencia dos 
climas no desenvolvimento das moléstias. 2.* A expulsão da placenta 
deverá ser sempre abandonada á natureza ? 3.® O que é affinidade chimica ? 
Bahia, 1856. 

^ A vaccina como abortiva e preservativa da variola serd preju' 
dicial f these de concurso a um logar de oppositor da secção medica. 
Bahia, 1857 ^- Trata da natureza da variola, da acção physiologica e 
therapeutica da vaccina, e da influencia da vaccina sobre a população* 



Ido 

— Em çue consiste o vitalismo hippocratico f these apresentada, etc. 
para o concurso a um logar de substituto da secção medica em 6 de julho 
de 1859. Bahia, 1859. 

— Juízo critico do Calabar, drama em verso do doutor Agrário de 
Souza Menezes. Bahia, 1858 ^ Vem annexo ao mesmo drama. 

^'Elogio histórico do doutor Agrário de Souza Menezes ^Vem 
precedendo as obras inéditas do doutor Agrário, mandadas publicar pela 
sociedade académica Recreio dramático da Bahia em 1865. (Vejanse 
Agrário de Souza Menezes.) 

O doutor Alvares da Silva escreveu além disso muitas memorias e 
artigos sobre assumptos relativos á medicina, á historia, á litteratura e 
mesmo á politica no Direito^ jornal politico, no Prisma, no Diário da 
Bahia, no Estandarte^ no Caixeiro nacional^ na Opinião^ na Semana 
e na Revista académica. Neste ultimo vem por elle escripta uma 
necrologia com o titulo : 

^ O doutor Laurindo José da Silva Rabello. Bahia, 1864^ a qual 
foi reproduzida no Correio Mercantil da mesma cidade de 9 de dezembro 
do dito anno, e ultimamente nos Annaes da bibliotheca nacional do Rio de 
Janeiro, volume 3°, pags. 373 a 384. 

António AArve& OoãnsLT^ei, ^ Nasceu na província da Bahia 
a 27 de abril de 1852, fez o curso da escola de marinha, foi promovido a 
guarda-marinha em novembro de 1870, a segundo tenente em janeiro 
de 1873, e a primeiro tenente, posto em que se acha, em dezembro 
de 1875. 

E' official da escola de marinha, membro effectivo do Instituto histórico 
e geographico brazilciro, e do Instituto polytechnico, onde exerce o 
cargo de segundo secretario, etc. 

Escreveu : 

^ Algumas considerações sobre a causa da formação do gulf-stream, 
Bahia, 187Ô — E* um opúsculo de 30 paginas, que o autor escreveu por 
ler a memoria do então primeiro tenente Francisco Calheiros da Graça, 
se propondo a explicar a causa e formaçSo do gulf-stream e apresentando 
uma corrente equatorial submarina no atlântico, correndo para oeste* 
(Veja- se Francisco Calheiros da Graça.) O primeiro tenente Gamara 
explica o facto por modo diverso de seu collega. 

^ Analyse dos instrumentos de sondar e perscrutar os segredos da 
natureza submarina, seguida de um appendice, contendo estudos feitos 
sobro as causas de variação de densidade das aguas no porto de Monte- 
video. Rio de Janeiro, 1878 — Refere-se também o autor ao sondographo 
do primeiro tenente Adolpho Pereira Pinheiro. (Veja-se este nome.) 

— Impressões de uma viagem do Pará ao Recife, passando por 
S. Miguel e Tenerife, a bordo da corveta Trajano. Rio de Janeiro, 1878, 
in-4.0 



107 

^ O barómetro de WilHam Siemens. Rio de Janeiro, 1879 — Sahira 
antes na revista de engenharia tomo 1<>, n. 8, e contém figuras inter- 
caladas no texto. 

— Breve noticia sobre as curvas de posição e os novos methodos de 
navegação. Rio de Janeiro, 1880 — Sahira também na mesma revista, 
tomo 2o, n. 1. 

^ O navisferio ou as observações da noite. Rio de Janeiro, 1880 — 
Idem, tomo 2», ns. 2 6 3. 

^ Conferencia sobre a causa da formação e origem do gulf^stream 
que fez perante o instituto polytechnico brazileiro em sessão de 20 de 
dezembro de 1880. 87 pags. in-8.o 

A.ntoiLio ^Ives de OaiirvAllxail — Natural da Bahia e 
filho de JoSo Telles de Carvalhal e de dona Cândida Maria de Carvalhal, 
nasceu na cidade de Santo Amaro em 1846 e falleceu a 16 de junho 
de 1880, victima de uma afifecçSo renal. 

CoUega desde os primeiros estudos do laureado poeta Castro Alves, 
delle rival na poesia, e formado em sciencias sociaes e jurídicas pela 
faculdade de Pernambuco, exerceu o cargo de promotor publico em 
Itapicurú, termo de sua província, e voltando ao logar de seu nascimento 
ahi exerceu a profiss&o de advogado e serviu os cargos de curador dos 
orphSos e de adjunto á promotoria publica. 

Escreveu : 

— Lésbia* Recife, 1851 — O livro que tem este titulo é uma collecçSo 
das poesias que o autor escrevera em tempos de estudante. 

— Chronicas (collecção de poesias e de artigos em prosa) ^ publicadas 
no periódico Monitor de 1876 a 1880. Muitas destas poesias, enthusiasticas 
e arrebatadoras, foram transcriptas em jornaes da corte e de Outras 
provincias. A maior parte delias sao impregnadas, como se exprimia 
Felinto Bastos, do delicado sainête humorístico de satyra fina, aristocrá- 
tica e aguçada como um bistury nSo usado. Quando trato de um poeta 
que morreu quasi desconhecido, nSo será ocioso transcrever aqui dous 
trechos que foram reproduzidos pelo mesmo F. Bastos na noticia que 
escreveu do doutor Carvalhal. Disse o poeta se dirigindo a uma cantora: 

Canta, cysne gentil do paraiso ! 
Quem sabe si nasceste de um sorriso, 

De algum canto de Deus. . . 
Si, ao dormires á noite, um anjo lindo 
Vem te beijar, e ensina-te, sorrindo. 
As harmonias mysticas dos céos ? ! . . . 

N'outra composição, patriótica, escreveu elle : 

Santo dia da pátria, eu te bemdigo ! 
Eu te bemdigo, ó sol, que tão formoso, 
Como risonha lâmpada suspensa 

D'e88a cupola immensa, 
Illuminaste o drama portentoeo 

De nossa liberaade ! 



108 

Oh \ Tem, surge de novo l 
Como o dedo de DeuB, na imniensidade. 
Vem revolver as cinzas do passado. 

Abre aos olhos do povo 

Esse livro dourado 
De nossa grande, immorredoura historia ! 
Foste tu, testemunha das grandezas, 
Que percorrendo o espaço ao mundo inteiro 

Levaste a nossa gloria! 

Vem recordar ás gerações modernas 

Que seus pães foram bravos. 
Elles nasceram miseros escravos, 

Mas heroes se tomaram I 
Da pátria a preciosa liberdade 
Foi co'o sangue das veias que plantaram. 
Dize ao povo aue guarde esse legado 

TSo sublime e tSo puro ! 
NSo nos mostres apenas o passado. . . 

Oh ! sol bemdito e santo ! 
Vem rasgar o sombrio, espesso manto 

Da aurora do futuro ! 

O doutor Carvalhal redigiu : 

— O Popular Sant*Amarense* S. Amaro, 1871 — A principio, em 1869* 
fora collaborador desta folha, escrevendo diversos artigos, tanto em prosa 
como em verso ; depois assumiu a redacçSo, donde passou mais tarde, 
em 1876, a fazer parte da redacção do já mencionado Monitor^ periódico 
da capital. B antes, sendo ainda estudante, redigiu: 

^ O Futuro : periódico scientifico e litterario. Recife, 1864, in-4<> — 
Teve por companheiros nesta publicação António de Castro Alves, 
Aristides Augusto Milton e L. F. Maciel Pinheiro. 

A.iLtoiiio AAire^ de (Souza Oarvallio ^ E' natural 
da província de Pernambuco, onde fez todos os seus estudos e recebeu o 
grau de bacharel em sciencias sociaes e jurídicas. 

Presidiu as províncias do Espirito Santo, de' Alagoas e do Maranhão ; 
representou sua província na camará temporária em diversas legislaturas 
desde a 12*, de 1863 a 1866, como actualmente a representa ; é advogado 
na capital do Império, e official da ordem da Roza. 

€ Cidadão muito illustrado •— diz a Democracia, de Pernambuco, n*um 
artigo assignado por A. L., transcripto no Diário de Pernambuco de 14 
de março de 1881, sobre sua candidatura á assembléa geral — talento ro- 
busto, perspicaz e vasto, luctador incansável, de extrema moderação e 
prudência, de sagacidade politica e recursos intellectuaes, esse nosso 
amigo merece -nos toda estima e a mais elevada consideração. > 

Tem escrípto muito sobre a politica do paiz, quer na imprensa perió- 
dica, onde publicou, ha pouco, muitos e importantes escriptos sob o pseu- 
donymo de Cambysis, quer em pamphletos, como : 

— O Brazil emiSTO. Rio de Janeiro, 1870,81 pags. in-8»— Opús- 
culo em opposição apolítica conservadora. 



100 

— O imperialismo e a reforma. Rio de Janeiro, 1865, 105 paga. in-á.» 

— A crise da praça emíS75, Rio de Janeiro, 1875, 109 pags. in-8.* 

— A eleição de senador pela província da Parahyba e os senhores 
João Alfredo e Diogo Velho : exposiç&o ao publico. Rio de Janeiro (sem 
data), 1 fl. in-fol. gr. 

— Reforma eleitoral : discurso pronunciado na camará dos senhores 
deputados na sessão de 3 de junho de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 35 pags. 
in-8o— Gomo este têm sido reproduzidos em opúsculos alguns de seus 
discursos, constantes dos annaes do parlamento. 

— Diário do Brazil : folha politica. Rio de Janeiro, 1882 — O doutor 
Souza Oarvalho foi o fundador e ó o principal redactor desta folha, que 
oontinúa a sair. 

António de ^ndi^ade ]L«u.iiai — Nasceu no primeiro de - 
cennio do presente século na província de Pernambuco, e ahi falleceu, 
com 50 annos de idade, sendo seus pães Francisco de Salles Rego e dona 
Francisca Xavier de Andrade. 

Foi religioso da ordem dos franciscanos, tendo feito sua proflssSo no 
convento de Iguarassú com o nome de frei António da Conceição, e se- 
cularisou-se depois, passando a usar de seu nome primitivo. Antes, po« 
rém, de aecularisar-se, no primeiro anno da creaçfio dos cursos jurídicos 
matriculou- se na faculdade de Olinda, e ahi recebeu o grau de bacharel 
em direito em 1833 e depois o de doutor. 

Exerceu o logar de inspector da thesouraria geral da província, e 
deu-ee depois ao exercício da advocacia, onde adquiriu grande nomeada 
como jurisconsulto, como também a adquirira de desvelado cultor das 
lettras e distíncto poeta. Foi partidário da confederação do Equador, a 
cegos vencedores, depois de alcançados os prémios da victoria, dirigira 
os seguintes versos n*um improviso : 

Quando os sec*lo6 das trevas dominavam. 
Das cruzes os ladrdes se penduravam. 
Hoje domina o século das luzes, 
Pendentes dos ladrões andam as cruzes. 

O doutor Luna escreveu: 

— Theses para obter o grau de doutor em direito* Pernambuco, 183* 
— NSo pude ver esta these, e menos um grande numero de 

^ Poesias e diversos escriptos em prosa — que deixara inéditos, e de 
que se ignora o destino, como diz o autor do Diooionario biographioo de 
pernambucanos illustres, publicado^ em 1882. 

A^ntonio de A.i*aiaJo F*exTx*eix*ai JaoolbiiiA — E* 

natural da província de Pernambuco, da qual passou para a de S. Paulo, 
onde reside e se dedica á agricultura ; é formado em sciencias physicas 
e mathematicas, em Paris, e foi lente substituto da escola central. 



110 

Escreveu : 

— Esboço de estudo para a volta dos pagamentos em ouro no Brasil. 
S.Paulo, 1881 — Neste opúsculo o doutor Jacobina propõe a creaçSo de 
um banco hypothecarío, onde se opere a inversão dos capitães europeus, 
e o lançamento de um imposto sobre a renda das apólices e a das alfan- 
degas. 

António de ^i*a<iij o ]L«ol^a.to — Era natural da província 
de Minas Geraes e falleceu no Rio de Janeiro, entre os annos de 1879 e 
1880. 

Sondo professor jubilado em sua provincia, de latim e francez, veio 
para o Rio de Janeiro, aqui exerceu o magistério como professor de por- 
tugnez na escola normal dirigiu o externato de S. Lmiz Gk)nzaga e es- 
creveu : 

— Arithmetica elementar, compilada dos melhores autores e coorde- 
nada segundo o programma do imperial coUegio de Pedro 11 e o da es- 
cola normal da corte. Rio de Janeiro, 1875, 110 pags. 

A^ntonio de A.x*a<iijo de (Souza* ]L«o1bo — Natural da 
provincia do Rio de Janeiro, nasceu na cidade de Campos. 

E' pintor de paisagens e retratista ; professor de desenho de figuras 
do imperial lyceu de artes e officios ; professor de desenho do asyb 
do3 meninos desvalidos, creado pelo decretou. 5849 de 9 de janeiro 
de 1875, e cavalleiro daordemda Roza. 

De sociedade com outro fundou o estabelecimento de pintura de pai- 
sagens o retratos, denominado Acropolio, e escreveu : 

— Bellas^artes . Considerações sobre a reforma da Academia, Rio de 
Janeiro, 1874 ^ E* uma memoria de 68 pags. in-8<> em que o autor 
trata dos seguintes assumptos, tendo cada um destes seu respectivo 
capitulo . Os titules dos diversos capitules são : Direcção da academia 
antes escola de bellas-artes — Que resultados tem apresentado a aca- 
demia ? — Quantos milhares de contos de róis tem empregado o governo 
até hoje ? — Em que condições fr aquentam os alumnos a academia ? — 
Quaes as garantias dos que se formam em bellas-artes ?^ Methodo e 
disciplina ^ Exposições ^ Considerações sobre as maneiras de criti- 
carmos as bellas-artes ^ Conservatório de musica ^ Ordenados. 

A^ntonio de A-Ssis Martins ^ E' natural da provincia 
de Minas-Geraes. Só conheço este eacriptor por ter visto seu impor- 
tante 

— Almanah administrativo, civil e industrial da provincia de Minas- 
Geraes para o anno de 1864. Ouro Preto, 1863 — Este livro, em que 
collaborou José Marques de Oliveira, contém muitos esclarecimentos to- 
pographicos sobre a provincia, a que se refere, pelo que serviu muito 
ao senador C. Mendes de Almeida na confecção de seu atlas do Império 
de Brazil. Sahiu depois: 



AJS lU 

— Almanak administrativo, civil e industrial da província de MinaS" 
Geraes para o annode Í865 , Oaro Preto, 1864 ^ Nfio me consta que o 
autor publicasse outro antes do 

^ Almanak administrativo, civil e industrial da provinda de Mi' 
nas-Geraes para servir do anno de i869 a i870, organizado e redigido 
cm virtude da lei provincial n. 1447 de lo de janeiro de 1868. 3o anno. 
Rio de Janeiro, 1870, 561 pags. 

A^ntonio ^ttioo de Souasai ILieite — Nasceu na villa 
do Triumpho, comarca de Flores, na província de Pernambuco ; foi ahi 
deputado á assemblea provincial, e tendo obtido a necessária provisão, 
exerce a profissão de advogado. 

Escreveu : 

— Memoria sobre a pedra-bonita ou reino encantado na comarca de 
Villa-Bella, província de Pernambuco. Rio de Janeiro, 1875, 80 pags. 
in-8.0 

António ^ug'us to de A.i*a«iijo Topireão — Filho 
do desembargador Basílio Quaresma Torreão e de dona Josepha de Araújo 
Torreão, nasceu em Pernambuco a 25 de março de 1845 e falleceu a 11 
de junho de 1865. 

Completara o curso da academia de marinha em 1863 ; promovido a 
guarda-marinha, foi á Europa em viagem de instrucção, e apenas de 
volta ao Brazil marchou para a guerra do Paraguay, fazendo parte dá 
força do vapor Mearim. No memorável combate de Riachuelo se achava 
Torreão, e vendo cahir ferido o chefe de uma peça, elle impávido o sub- 
stituo, e quasi no mesmo instante é do mesmo modo ferido por uma bala, 
e expira, murmurando pátria,,.. 

Era muito dedicado ás bellas lettras e á musica, e escreveu : 

^ O matuto na corte : comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1863 — 
Escrevera-a seu autor ainda estudante na academia. 

A^ntonio ^'ug*usto Botellio — E* natural da província 
da Bahia, segundo official do publico, judicial e notas e officiaèdo registro 
geral das hypothecas da cidade da Limeira, na província de S. Paulo. 

Escreveu : 

— Formulário das acções " summarias^ processadas perante os juizes 
de paz e municipais, S. Pftulo, 1881. 

— Formulário das acções de demarcações e divisões das terras 
agrarias, S. Paulo, 1882. 

— Roteiro dos escrivães e tabelliães. Rio de Janeiro, 1882, 679 pags. 
in-8o o mais 7 do índice — Contém decretos, regulamentos, etc. relativos 
a essa classe de serventuários e de interesse para elles, tudo devida- 
mente annotado. 



Ajatonio Aufirusto da. Oosta A.firuiair — Natural da 
província de S. Paolo^ nasceu pouco depois de 1830 e faUeceu a 11 de 
maio de 1877. 

Fez na Inglaterra toda a sua educação litteraría, sem comtndo for- 
mar-se em faculdade alguma, casandoHie depois com uma filha do conse- 
lheiro José Bonifácio de Andrada e Silva ; era muito versado e fallava 
perfeitamente a língua ingleza, da qual fez muitas versSes para a portu-^ 
gueza, como por exemplo: 

— A guerra do ParagtMy^ com uma resenha histórica do paiz e de 
seus Jiabitantes por Jorge Thompson, tenente coronel de engenheiros do 
exercito paraguayo, ajudante de caínpo do presidente Lopes, cavalleiro 
da ordem do Mérito do Paraguay, etc. Traducção do inglez. Rio de 
Janeiro, 1869, 189pags. in-8.o 

Escreveu mais : 

— Algumas considerações sobre o programma do ministério. Santos, 
1851, 15 pags. in-8o — E* um opúsculo politico. 

— O Brazil e os hrazileiros — NSo vi esta obra ; a bibliotheca nacio- 
nal não a possue. Sei, porém, que contém muitas idéas sobre coloni- 
sação. 

— Apontamentos históricos a respeito do grande ministro da inde^ 
pendência, José Bonifácio de Andrada e Silva, Rio de Janeiro, 1872, 
31 pags. in-8.0 

^ Historia do Marque» de Barbacena. 2 vols. Inédita — Esta obra é 
escripta á vista de documentos authenticos que esclarecem pontos 
muito interessantes da nossa historia, e factos que se passaram com o 
fundador da monarchia. 

Consta que Ck)sta Aguiar deixara outras obras inéditas. 

António ^ugrusto Fernandes Pinlieiíro — B' 

natural do Rio de Janeiro e engenheiro civil pela escola central, hoje 
polytechnica ; sócio honorário da associação industrial e presidente do 
dub de engenharia. Tem exercido diversas commissSes do ministério da 
agricultura, e escreveu : 

— Industrias teootis — Vem no relatório sobre a exposição universal 
de 1867, rtfigido pelo secretario da commiscAo brazileira, Constâncio 
Júlio de Villeneuve, sendo o doutor Fernandes Pinheiro o encarregado 
desta parte do .dito relatório. 

— Estrada de ferro de Campos a Macahê, Rio de Janeiro, 1869, 
in-4.<» 

— Relatório dos trabalhos executados no prolongamento da estrada 
de ferro da Bahia durante o anno de iSTH^^ apresentado ao ministro da 
agricultura. Bahia, 1878. 

— Archivos da exposição da industria nacional. Actas, pareceres, 
e decis5es do jury geral da exposição da industria nacional, realisada 
no Rio de Janeiro em 1881, precedidos de uma introducção pelo enge- 



AJN 113 

nheíro civil António Augusto Fernandes Pinheiro, etc. Rio de Janeiro, 
1882, 568 pagB. in-B» e mais 168 da introdacçSo •— Além da introdacçfio 
e collaboração desta obra, ha ahi três pareceres de Fernandes Pinheiro, 
a saber: 

— Parecer sobre o velocípede a vapor e a machina do systema Flau^ 
der para aplainir cylindros de locomotiva*] expostos pela estrada de ferro 
D. Pedro II. 

— Parecer sobre papeis pintados para forrar casas — pags. 333 a 347. 

— Parecer sobre materiaes de transportes terrestres e accessorios de 
vehiculos e de vias férreas ^—^^s. 348 a 368. 

A^ntonio A^ugrusto d.e X^ima.^ Natural da província de 
Minas Geraes, nasceu em Sabará a 7 de abril de 1858, e fez em S. Paulo 
o curso de direito, recebendo o grau de bacharela 4 de novembro de 1882. 

Gomo Valentim de Magalhães, cultor devotado da litteratúra amena, e 
sobretudo da poesia, foi seu companheiro na faculdade de direito de 
S. Paulo, e é também musico. 

Escreveu : 

— Revista do sciencias e lettras : publicaçSo mensal. S. Paulo, 
1880, ia-4o — Teve por companheiros na redacção Raymundo Correia, 
Alexandre Coelho e Randolpho Fabrino. 

— Manhãs serenas — E' uma coUecçSo de poesias inéditas que desde 
1881 o autor tem promptas para entrar no prelo. 

— Parnaso da PauUcéa : poesias — E' outra collecçSo também des- 
tinada á publicaçSo e já prompta para isso. Se referindo a esta obra e a 
seu autor, disse Valentim de Magalhães : < Espirito solido e irrequieto, 
de mira tão certeira, quão alevantada, o novo poeta mineiro segará 
brevemente vasta messe de applausos com o livro que prepara e que 
será poqueno talvez, mas certamente magnifico. Severo e altaneiro com 
as mediocridades enfunadas pelo immorecido favor publico, sinto-me 
benévolo e commovido ante os talentos obscuros e modestos. Por isso bato 
palmas frenéticas a Augusto de Lima o peço para elle, mais que a attenção 
da critica, o seu rigor ; pois que se erguerá delia pujante e formoso o 
poregrino estro do poeta. » 

— Faust a Valentim de Magalhães — E* uma composição poética em 
verso alexandrino que sahiu na Gazeta de Noticias da corte, de 16 de 
julho de 1881, em seguida a noticia do autor, escripta pelo dito seu 
collega. Começa ella assim : 

« O livido alchimista, á morna claridade 
Da sonhadora luz de uma lâmpada exótica, 
Scisma como Christo em torva anciedade 
Na camará senil de architecturagothica. 

Entre os livros de Hermes aberto um alfarrábio, 
Anle o turbado olhar voejando as maripozas. 
Na altitude febril de um saltimbanco, o sábio 
Perscrutava o segredo hermético das couzas. » 



114 A.N 

No almanak da mesma Gazeta para 1882 vem rei)rodazida esta poesia a 
pags. 132 e 133, e mais as três seguintes : 

— O paradoxo. Entre as arvores (a Fontoura Xavier). Os ferreiros, 
soneto ( a Assis Brazil) — pags. 186 a 187, 189 a 191, e 200. 

Gomo cultor da musica. Augusto de Lima tem diversas composições 
de gosto e expressão. 

A^ntonio A^u^usto d.e ]l£elid.on.ça — Nascido na cidade 
da Bahia a 19 de maio de 1830, sendo filho legitimo de António Augusto 
de Mendonça, falleceu na mesma cidade a 14 de agosto de 1880, victima de 
uma afiecção chronica do fígado. 

Ainda muito nioço, faltando-lhe seu pae, e tendo imperiosa necessidade 
de tomar sob soa protecçSo sua triste mSe e seus irmãos, sem bens de 
fortuna, sem outra herança mais, do quo a de proteger sua familia, o i 

meio mais prompto, bem que Insufficiente, que se lhe off.^receu para isso ^ 

foi entrar para o funccionalismo publico de sua provincia com um pe- 
queno emprego no thesouro provincial, d*onde passara a exercer outros 
até o de secretario do mesmo thesouro, em que se aposentou em janeiro 
de 1880, com 33 annos de bons serviços . 

António Augusto de Mendonça foi sempre dedicado ás lettras, poeta 
repentista, e um dos poetas lyricos mais distinctos que o Brazil tem pro- 
duzido . Delle escreveu com toda razão o autor das Ephemerides da Gazeta 
de Noticias do Rio de Janeiro : 

€ Rival de Gonçalves Dias na pureza de linguagem, na espontaneidade de 
imaginação e na melodia do verso, sua excessiva modéstia tornou quasi 
desconhecido seu nome. Aquelle, vivendo n*nm circulo mais amplo de 
relações aociaes, soube tornar seu nome popular no Brazil e em Portugal, 
onde teve por padrinho no baptismo das lettras o grande historiador por- 
tuguez . Mendonça, menos apparatoso, menos communicativo, mais ti- 
morato, retrahiu-se do grande clarão da publicidade, e não viu seu nome 
estender-se além das montanhas históricas da terra natal ; não teve assim 
a consagração que a publicidade confere aos que pelo talento a me- 
recem. > 

Escreveu : 

— Diversas poesias-^ em muitos jornaes e periódicos litterarios da 
Bahia ; entre ellas as quatro seguintes : 

— O poeta : poesia de metrificação variada— Nos Cantos brazileiros, 
lo volume, 1850, pags. 3 a 7. 

— Illusão : idem — Na mesma coUecção, pags. 110 a 113. 

-^ Canto heróico ao memorável dia dous de julho de i$5(>^-Na 
mesma coUecção, pags . 121 a 127. Sobre este assumpto ha composições 
suas capazes de formar um volume. 

— O meu anjo : poesia do metrificação diversa — Idem, pags. 265 a 269. 
Neste volume se vêem também deste autor as seguintes composições : 
Pedido, O poeta desterrado. As estrellinJias , Meu tumulo. Os 



A.N 115 

cantos de minha lyra. Eram teus olhos. Porque me ris? Tu queres 
que eu cante ? 

— Poesias de António Augusto de Mendonça (collecçSo). Bahia, 
1861. 

— A messalina : poema. Bahia, 1866 — Nesta obra, diz o autor das 
Ephemerides, já citado, si não ostenta os arrojos de concepção e o opu- 
lento contrasto de imagens de seu conterrâneo Castro Alves, tem de certo 
graciosa suavidade de uma meditação lamartiniana . 

— Muitas poesias — inéditas. Sou informado de que estas composições 
dariam mais de dous bons volumes ; d*entre ellas, tenho noticia das se- 
guintes : 

— Livro e trabalho : poesia — que recitou no theatro de S. JoSo, com 
muitos applausos, por occasiSo do beneúcio do grémio litterario, na mesma 
occasiâo em que recitara A. de Castro Alves sua muito applaudida poesia 
O Livro, 

— A aldeia : poesia — onde se vêem estes versos : 

A capei linha que alteia 
A fronte cheia de luz 
Parece apertar a aldeia 
Nos braços de sua cruz . 
No emtanto a pastorinha, 
Voltando de seu labor. 
Traz na mente mais carinhos, 
Traz no peito mais amor. 

— Poesia recitada no asylo de S, João de Deus -^ em que o autor 
principia: 

Um nSo sei que de celeste 
Por estas paredes lavra. 
Que minha humilde palavra 
Por ser humana nSo diz . 

A^ntonio ^u^usto Monteiro de Sa.iriro0 — Na- 
tural de Minas Geraes, falleceu a 16 de novembro de 1841. 

Formado em direito, exerceu a magistratura, onde occupou diversos 
cargos e representou sua provincia tanto na camará temporária, como 
na vitalícia, para a qual entrou por escolha da coroa de 29 de setembro 
de 1838. 

Escreveu : 

— Carta politica de Brasilicus acerca dos successos occorridos no 
Brazilf de 7 de abril de i83í até o anno de 1834 — Não me consta que 
fosse publicada esta obra, cujo original, de 22 fls. in-4<>, se acha na 
bibliotheca nacional. E* datada do Rio de Janeiro, 8 de agosto de 1831, e 
dirigida a um dos membros da regência. 

A^ntonio A.ii^u0to d.e Queiírog^a» — Natural da pro- 
vincia de Minas Geraes, nasceu na cidade do Serro em 1812 ou 1813 e 



116 AJN 

fallecea em Diamantina no anno de 1855 ; formado em scienciaa sociaes 
e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, exerceu a advocacia em Diaman- 
tina, merecendo applausos, sobretudo quando occupayaa tribuna. 

Era poeta, repentista admirável e propendia muito pira a satyra, como 
demonstrou em algumas composições d3ste genaro que escreveu, cspi- 
rituosifisimas, ridicularisando os costumes do logar. Náo me consta que 
fizesse coUecção de suas poesias, o delias só conheço algumas publicadas 
em coUecções de outros, como : 

— O carrasco : ode — Vem no Parnaso brazileiro do J. M. Pereira da 
Silva, tomo 2o, pags. 289 a 291. 

— O retrato : cantata — Idom, pags. 291 a 293. 

— Lyra : — Idem, pags. 293 a 295. 

Estas três composições também b3 acham no Florilégio da poesia brazi- 
leira, tomo 3.<> 

— A vida do estudante — No almanak littorario de S. Paulo, tomo 6^, 
pags. 233 a 236. E* datado de S. Paulo, 1833. 

Ha de Queiroga um madrigal que vem nas obras de Manool António 
Alvares de Azevedo, tomo 1^ pag. 46, seguido de uma imitação p?lo 
mesmo Alvares de Azevedo ; o n'um tumulo do cemitério do Diamantina, 
do umx moça que se envenenara por uma paixão amorosa, se lé a se- 
guinte quadra que elle ahi gravara : 

Perdi por minha imprudência 
Uma vida transitória. 
Ganhei de um Deus, por clemcncia. 
Vida eterna, eterna gloria. 

Queiroga foi um dos redactores da 

— Revista da sociedade philomatica. S. Paulo, 1833. 

A^ntonio A-T-elino A-inaro da Silva* »Nao sei si 

nasceu no Brazil ou si naturalizára-se brazileiro, tendo seu berço em 
Portugal. Sendo piloto examinado pela escola naval portugueza, serviu 
alguns annoB como agrimensor na cidade de Valença, província do Rio 
de Janeiro. 
Escreveu : 

— O caramujo : romance histórico original. Rio do Janeiro, 18*'. 

António Baptista rTHomaz d.e A.qu.ino — Creio 
que é na tarai de S. Paulo; si nSo é paulista, viveu algum tempo nesta 
província, e conheceu muito ce.*to3 legares delia, como indica a seguinte 
obra que escreveu : 

^ A Tia Joanna : verdadeira gargalhada em um canto — Asrfira vi an- 
nunciada no Jornal do Commercio a representação dosta peça a 27 de agos- 
to de 18Si para o thealro S. Luiz. São acenas jocosas, sem pretençõas, 
passadas em GuAratinguetá em 1878, por occasiãode eleições, diz o mes- 
mo annuncio. 



AJN 117 

— Fenianos : poesia — Foi posta em musica para ser recitada ao piano 
pelo compositor brazileiro Arvellos, sendo publicada em fevereiro de 
1882. 

^^ntonio Baii:»l>oza. Oox*x*eia. — Era natural de Minas 
Geraes, como se declara na obra que passo a mencionar, e nascido pro- 
yavelmente no século passado. 

Escreveu : 

— Manifesto ao grão Brazil império dos impérios do mundo^ oíFerecido 
a sua magestade imperial, defensor perpetuo do Brizil, por António Bar- 
boza Correia, mineiro rústico. Ligado ás profecias do Bandarra e de ou- 
tros profetas. Rio de Janeiro, 1824, 54 pags. in-4o — NSo li esta obra ; 
ella soacha, entretanto, na bibliotheca nacional e na fluminense. 

A^ntonio Bersane X^eite — Nascido em Portugal pelo 
anno de 1770, e brazileiro por abraçar a constitniçSo do Império, fallecea 
no Rio d3 Janeire alguns annos depois do juramento da mesma constitui- 
çffo. 

Exerceu em sua pátria o cargo ás escrivão da superintendência das 
decimas da freguezia de Bucellas o annexos, que deixou para vir estabe- 
lecer-se no Brazil, pouco mais ou menos quando para aqui veio a família 
real. 

Escreveu : 

— Diversas poesias — que se acham no Almanak das musas, ""parte 4*, 
pag. 33 ; no Romancista, periódico publicado em Lisboa, em 1839, 
pag. 180 e seguintes ; na Livraria clássica portugueza de Castilho, tomo 
23°, pags. 67 a 71, etc. 

— Quadras glosadas. Lisboa, 1804 — E* um volume do 242 paginas, 
que teve segunda ediçSo em Lisboa, 1819, augmsntada com as seguintes : 

— Quadras glosadas. Números 1 e 2. Lisboa, 180Ô — SSo dous folhetos 
com 14 piginas cada um de poesias compostas depois da primeira ediçffo 
acima. 

— A verdade triumphante : elogio dramático o allegorico para se repre- 
sentar ni real thoatro do Rio de Janeiro no grande e plausível dia natali- 
cio da rainha, nosm senhora. Rio de Janeiro, 1811, 15 pags. in*4o — E* 
escripta em verso. 

A união venturosa : drama com musica para se representar no real 
theatro do Rio de Janeiro no faustissimo dia dos annos de sua alteza real, 
o príncipe regente, nosso senhor. Rio de Janeiro, 1811, 19 pags. in-4o 
— E* escripta em verso. 

A^ntonio Bezei:*x*a. d.e Menezes — E' natural da pro- 
víncia do Ceará, filho do doutor Manuel Alvares da Silva Bezerra e sobri- 
nho do doutor Adolpho Bezerra de Menezes, de quem já tratei. 



118 AJS 

Ezercen o magistério ensinando particnlarmente diversas lingaas, 
servia na commissSo de exames de preparatórios do lycen cearense, e é 
actualmente empregado na thesoararia da sua província. 

Escreveu : 

— Sonhos de moço: (collecçfio de poesias) MaranhSo, 1876 — Tem publi- 
cado, além desse volume, diversas composições em avulso, entre as qnaes : 

— A caridade : poesia — dedicada ao doutor Moura Brazil, medico e seu 
conterrâneo, quando este em sua volta da Europa visitou a provincia. 

A-ntonlo Boi:*d.o — Falleceu a 15 de março de 1865 ne Rio de 
Janeiro, onde viveu muitos annos, sendo natural da Itália, e naturalisado 
brazileiro, segundo me consta. 

Era traductor de linguas e interprete juramentado e matriculado para 
as linguas frinceza e italiana, e escreveu : 

— Diccionario italiano-portuguej e português ^ittiliano, composto no 
Rio de Janeiro por António Bordo. Rio de Janeiro, 1833-1854. Dous vo- 
lumes. 

* 

António Borg^es da Fonseca — Nasceu na provincia 
da Parahyba pelo anno de 1808 e falleceu na cidade de Nazareth, provin* 
cia de Pernambuco, a 9 de abril de 1872. 

Era formado em direito pela universidade da AUemanha, tendo feito 
seus estudos secundários no seminário episcopal de Olinla ; exerceu o 
cargo de secretario do governo, por pouco tempo, em sua provincia natal, 
e a advocacia no Recife. 

Republicano exaltado, tão inabalável em seus principies poli ticos, 
quanto corajoso e audaz, na tarde de 6 de abril de 1831, achando-se no 
Rio de Janeiro, foi o primeiro a apresentar -so no campo de Sant*Anna, 
protestando contra o ministério de reacção anti-libaral, organisado na 
noite antecedente, animando e excitando á rebeliião os grupos que ahi 
se reuniam ; • na revolução praieira de Pernambuco, em 1848, de que foi 
um dos mais proeminentes vultos, chegou sua audácia á loucura d ) subir 
ao alto de um chafariz, e d*ahi proclamar á força do governo no meio da 
fuzilaria, a que se passasse para o seu lado, tendo a felicidade inaudita 
de nSo ser ferido de uma bala ! 

Dedicou-se com todo fervor ao jornalismo politico, soffrendo por causa 
de suas idóas diversos trabalhos em sua mocidade . 

Escreveu : 

— Gazeta pardhybana . Parahyba, 1828-1829 — Estx publicação cessou 
com a prisão de seu redactor e o subsequente processo, sendo absolvido 
pelo tribunal do jury . 

— Abelha pernambucana* Pernambuco, 1829-1830 — Sahiu o primeiro 
ntimero desta folha, in-4o, a 24 de abril dò 1829 e o ultimo a 31 de agosto 
do anno seguinte • 



11» 

— -O Republico : periódico politico. Pernambuco, 1830-1831 — Eeta folha 
foi publicada pelo mesmo Borges da Fonseca na Parahyba, 1832 ; e de- 
pois ainda em Pernambuco e no Rio de Janeiro. 

— O Nazareno. Pernambuco (?)— Nunca pude encontrar este periódico. 
Sei,. porém, que foi publicado por Borges da Fonseca. 

^ O Tribuno. Pernambuco, 1846-1847. 

— Compatriotas : proclamação dirigida ao povo brazileiro por António 
Borges da Fonseca, redactor do Bepublico. Rio de Janeiro, 1831, 1 folha. 

— Representação que á camará dos senhores deputados dirigem Manoel 
Lobo de Miranda Henrique, Frederico de Almeida Albuquerque e António 
Borges da Fonseca, deputados eleitos pela provincia da Parahyba do Norte. 
Rio de Janeiro, 1838. 12 pags. in-4o— Versa sobre reclamação de di- 
reitos como deputados, que nSo foram attendidas quanto aos dous últi- 
mos, pois que só o primeiro foi reconhecido e tomou assento na repre- 
sentação nacional de 1838 a 1841 . 



A^ntonio Box*gres ILiea»! Oa»stello-Bi:*a;iioo — Na- 
tural da província do Piauhy e já falleoido, era formado em sciencias 
sqpiaes e jurídicas, seguira a carreira da magistratura, onde chegara a 
ser juiz de direito, e representou sua provincia na camará temporária. 

Escreveu : 

— Eacposição circumstanciada sobre a eleição do primeiro districto 
da provincia do Piauhy . Rio de Janeiro, 1857, 48 pags. in-8.o 

A^ntonio Boirc^es Sampa^io — Nascido em Portugal e 
brazileiro por naturalisação, é tenente-coronel da guarda nacional, tem 
exercido em Uberaba, onde reside, diversos cargos de eleição popular e 
de confiança do governo. Sendo vereador da camará municipal, escreveu : 

— Demonstração das ruas, travessas, becos, coUinas, templos e 
edifícios públicos da cidade de Uberaba, provincia de Minas-Geraes, 
precedida de um breve histórico sobre o começo, situação, dimensão 
e hydrographia desta povoação, razões que justificam a nomenclatura 
agora adoptada e outras annotações. Com as deliberações da camará 
municipal, que autorisam a presente organisação. 1880 e 1881 — Foi 
apresentado o original, autographo de 152 pags. in- folio coma compe- 
tente dedicatória pelo autor, na exposição de historia do Brazil de 1881 . 

Redigiu antes disto: 

— O Uberabense. Uberaba, 1875-1876, in-folio. 

A^ntonio Oaeta/Xio d.e A^lmeidai lo— Innocencio da SUva 
coufúnde-o com António Caetano ViUas-Boas da Gama, irmão de José 
Bazilio da Gama, do qual occupar-me-hei agora mesmo. Sei. apenas 
que é brazileiro por seu nome ser mencionado no Mosaico poético 
como tal, parecendo-me que falleceu em Lisboa, onde firmara sua re- 
sidência, no principio do século actual. Era poeta, e escreveu : 



120 A.N 

— Inauguração do colosso de bronze no dia faustissimOf anniver^ 
sario d^el^rei dom José /, nosso senhor : ode •— Sahiu sem declaração 
de logar, nem de ánno ; mas sabe-se que foi em Lisboa, 1775. 
Esta composição vem reprodazida no Mosaico poético^ collecção de 
poesias brazileiras, e te, publicado no Rio' de Janeiro, 1844. 

Consta que publicara outras e deixara inéditas muitas de suas com- 
posições. 

António Oa.eta»iio de A^lmeida», 5^(>— E* natural do Rio 
de Janeiro e filho de José António de Almeida e de dona Izabel Maria de 
Almeida. 

E' bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, doutor em medi- 
cina pela fácaldade do Rio de Janeiro, lente substituto da secçSo cirúr- 
gica da mesma faculdade, segundo cirurgiSo do corpo de saúde do exer- 
cito com exercido no hospital militar da corte, cirurgiSo do hospital da 
misericórdia, etc. 

Escreveu : 

— Tenotomia : dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 1866 — E* 
precedida de proposições sobre os três pontos seguintes : Nephrite albu- 
minosa. Feridas dos intestinos. Estudo chimico e pharmacologico do 
ópio. 

— Ba amputação em geral : these de concurso a um logar de oppositor 
da secção cirúrgica da faculdade de medicina. Rio de Janeiro, 1872 — 
Depois de um esboço histórico, trata o autor das indicações e contra-in- 
dicações das amputações, dos methodos operatórios, dos accidentes con- 
secutivos, etc. 

António OaietAxio de A-lmeida» Balxiai — Nasceu na 
capital da provincia da Bahia pelo anno de 1820, e falleceu no Rio de 
Janeiro, sendo filho de José Félix Bahia, e cunhado do grande chronista 
do império Ignacio Accioli^de Cerqueira e Silva, de quem 83 tratará neste 
livro. 

Era bacharel em direito pela faculdade de Olinda, cavalleiro da ordem 
da Roza e redigiu : 

^ O Athleta : periódico politico. Rio de Janeiro, 1856-1857. 

António OaietAXio de Oampos — E' natural do Rio de 
Janeiro, doutor em medicina pela faculdade da corte, onde recebeu o grau 
em 1867, o reside na provincia de S. Paulo. 

Escreveu : 

— These apresentada ' á faculdade de medicina do Rio de Janeiro e 
perante ella sustentada na presença de sua magestade o Imperador, etc . 
Rio de Janeiro, 1867 — Contém uma dissertação sobre rupturas do útero, e 
proposições sobre : ResecçÕes em geral. Alimentação. ApplicaçSo da 
electricidade á therapeutica. 



A.N 121 

■ 

— Discurso recitado pelo doutor António Caetano de Campos, como 
orador dos doutorandos de 1867, no acto da collação do grau. Rio de 
Janeiro, 1867, 12 pags. in-4.o 

A^ntonio Oaetaino da* Fonseca. — B* natural, segundo 
me consta, da provincia de Minas Geraes. Nenhuma noticia mais posso 
dar a seu respeito, sinSo que recebera ordens da presbytero, com o habito 
de S. Pedro, e se fizera agricaltor na mesma provincia. 

Escreveu : 

— Tratado da cultura do algodoeiro no Brazil ou arte de tirar van- 
tagens desta útil plantação. Rio de Janeiro, 1862, 110 pags. in-8^ — 
Nesta obra teve por collaborador o major Carlos Augusto Taunay, de 
quem occupar-me-hei adiante . 

«- Manual do agricultor dos géneros alimenticios, ou methodo da 
cultura mixta destes géneros nas terras cansadas, pelo systema vegeto- 
mineral, modo de tratar e criar o gado, e um pequeno tratado de medicina 
domestica para os fazendeiros, seguido de uma exposição sobre a cultura 
do algodSo herbáceo. Rio de Janeiro, 1867 — Vem neste livro uma serie de 
formulas e observações de medicina domestica, sendo algumas de grande 
utilidade, segundo a opiniSo assaz autorizada do Nestor da medicina 
brazileira, o BarSo de Petrópolis. Esta ediçfio é a terceira e mais 
correcta. 

A^ntonio Oaetano da Roolia Bi:*agrc^ *--- F^^3<^ou na 

cidade de Vassouras em março de 1881 e era natural da provincia do Rio 
de Janeiro. 

Sendo professor publico de primeiras lettras em Campos, offereceu-se 
para servir na guerra contra oParaguay em 1865 e achou-se na expedição 
que marchou em defesa da cidade de Uraguayana, entSo occupada pelos 
paraguayos. Era professor jubilado, capitSo honorario'do*exercito, ca- 
valleiro da ordem de Christo, e escreveu : 

— Manual do systema inetrieo decimal. Campos, 1875. 

^ Gazeta de Vassouras . Vassouras, 1881— Foi redactor e proprietário 
desta folha. 

A^ntonio Oaetano Se^-e P9'avax*xTo — E* natural da 
provincia de Pernambuco, e formado em sciencias sociaes e jurídicas 
pela faculdade de sua provincia. Reside, ha annos, na provincia do Rio 
Grande do Sul, onde exerce a advocacia o tem sido eleito deputado pro- 
vincial em diversas legislaturas . 

Escreveu : 

'^Pratica do processo civil, comparado com o processo criminal. Rio 
de Janeiro, 1867.— Esta edição é offerecida ao conselheiro J. T. Nabuco de 
Aracgo. Segunda ediçSo correcta e augmentadá, Pelotas, 1881. 



122 

António Oaeta.no Villas-Boas da Oama -* Filho 
do capitio-mór Manoel da CSosta Villas-Boas e de dona Quitéria Ignacia da 
Gama, e irmão do insigne poeta José Basilio da Gama, de quem tratarei 
adiante, nasceu em S. João d'El-Rei, provincia de Minas Geraes, a 8 de 
julho de 1745, ou de 1738 como dizem alguns, e falleceu a 11 de outubro 
de 1805. 

Foi preaby tero do habito de S. Pedro, doutor em canones,YÍgario coUado 
da freguezia de Nossa Senhora do Pilar de S. Joflo d*El-Rei, insigne 
orador sagrado e poeta, como seu irmão. 

Escreveu : 

— Muitos sermões — sobre diversos assumptos e invocaç5es, que en- 
tretanto desappareceram depois de sua morte, assim como 

— Muitas poesias — que, segundo sou informado, rivalisavam com as 
de José Basilio. 

António Oamairg^o Pinto — Natural de Coritiba, capital 
da provincia do Paraná, nasceu em 1857 e falleceu no Rio de Janeiro a 3 
de março de 1883, victima de uma nephrite. 

Era empregado no commercio da corte como guarda-livros da casa de 
Pedro Bernardes . & Irmão, dedicando ao cultivo das lettras as horas que 
lhe restavam de seus trabalhos de escripturação mercantil. 

« António Camargo, diz a Gazeta da Tarde de 5 de Março deste anno, 
era um moço distincto pelas suas qualidades pessoaes, e pelo talento, de 
que offereceu as mais bellas provas em muitas composições publicadas em 
differentes jornaes desta capital. A sua morte prematura n&o lhe deu 
tempo para coUeccionar e legar um livro á litteratura pátria ; mas os 
seus trabalhos dispersos s&o mais que bastantes para attestar que a perda 
do inspirado poeta é um eclipse sensivel na plêiade de representantes da 
mocidade, que illamina o caminho das lettras nacionaes, e lhe presagiam 
dias de gloria. > 

De suas innumeras composições poéticas citarei : 

— Oilliat ( des Operários no mar de Victor Hugo) offerecido a D. Inah 
Yopes — E* uma poesia de 31 oitavas rimadas. Vem no Atirador Franco, 
anno 1», n. 11. 

— Um santuário i offerecido ás Ezmas. Sras. DD. H. e E. Lessa — 
Idem n. 20. 

•— Salve ! ao dia 24 de Abril — assignado por Juvenal Terêncio, na 
mesma revista, n. 17. 

— A victoria — idem, idem, n. 22. 

Ha muitas poesias e artigos em prosa de sUa penna nesta e n'outras 
revistas e collecç5es. Redigiu : 

— O domingo : órgão dos empregados do commercio. Rio de Janeiro, 
1878 e 1879, in-folio. 



i23 

António Oa>ndidLo de almeida e Silva» -^ B* natu- 
ral da província de S. Paulo, formado em sciencias Bociaea e jurídicas 
pela faculdade da mesma proyincia, e exerce a profissão de advogado. 

Escreveu : 

— Regimento das custeis. S. Paulo, 18'* . 

António Oandido da. OiriiaE Maolukdo — Natural da 

cidade do Serro, província de Miixas Geraes, nasceu a 11 de março de 1820. 

Representou sua província na camará temporária e a representa na 
vitalícia desde 1874 ; presidiu as províncias de Goyaz, do MaranhSo e da 
Bahia ; é commendador da ordem da Roza, etc. 

Escreveu : 

— Diversos relatórios — por occasiSo de administrar as províncias já 
mencionadas. 

— Memoria relativa ao projecto de uma nova divisão administrativa 
do Império do Brazil. Rio de Janeiro, 1873 1, in-4.o— No archivo mi- 
litav foi neste mesmo anno lithographada uma carta da província do 
Aragnaya, segundo o projecto do senador Cruz Machado, a qual foi dese- 
nhada por J. R. da Fonseca Silvares, e como esta mais outras, a saber : 
da província de Sapucahy, da de Entre-Rios, da de Minas Gtoraes, da de 
Januaria, da de Santa Cruz, e da do Piauhy. 

D'entre seus numerosos discursos, constantes dos annaes do parlamento, 
se acham alguns publicad )& em opúsculos, como : 

— Construcção de estradas de ferro na provinda do Rio Grande do 
Sul : discurso pronunciado na camará dos senhores deputados na sessfio 
de 18 de julho de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 48 pags. in-8« gr. 

— Creação da provinda de S, Francisco : discurso? proferidos na 
camará dos senhores deputados nas sessões de 10 e 28 de maio de 1873, 
Rio de Janeiro, 1873. Dous vols. 

-— Discurso etc • em resposta ás accusações feitas a siux excellencia 
e ao povo bahiano na camará dos senhores deputados na sessSo de 11 de 
julho de 1874. Rio de Janeiro, 1874, 44 pags. in-4.o 

A^ntonio Oa^ndi i^o da» Ounluk I^eitã»o — Filho do 
doutor António Gonçalves de Araújo Leitão e de dona Anna Rosa da 
Cunha Leitão, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 23 de outubro de 1845, 
e depois de bacharelado em lettras pelo imperial collegio de Pedro II, fez 
o curso de sciencias sociaes e jurídicas na faculdade de S, Paulo, onde 
recebeu o grau de bacharel em 1868, e o de doutor em 1869. 

Apenas deixando a faculdade, foi neste ultimo anno nomeado official 
de gabinete do ministro e secretario de estado dos negócios da justiça, 
que era então o conselheiro José Martiniano de Alencar, e serviu neste 
cargo até abril de 1871, data em qu9 foi nomeado presidente da província 
de Sergipe. Representou a província do Rio de Janeiro mais de uma vez 
na assembléa provincial, o na geral na legislatura de 187^ a 1875, • 



i24 AJS 

na subsequente ; é sócio e membro da directoria do imperial instituto 
fluminense de agricultura, etc. 
Escreveu : 

— A Crença: revista académica. S. Paulo, 1864. 

— Palestra académica : idem. S. Paulo, 1868. 

— Imprensa académica : idem. S. Paulo, 1868 — Estas três revistas 
redigiu o doutor Cunha LeitSo, sendo ainda estudante de direito. Um dos 
seus artigos publicados nesta ultima, a Critica 'de Guisot^ lhe attrahiu 
louvores, assim como o artigo Poder moderador, 

— Theses e dissertação para obter o grau de doutor, apresentada e sus- 
tentada em 1869. S. Paalo, 1869 —Versa a dissertoçfio sobre o Casa- 
mento civil, 

•— Direito civil : serie de artigos publicados no Archivo jurídico ^ re- 
vista, de que foi cóUaborador. 

— Ensino livre : projecto de lei, apresentado á camará dos senhores 
deputados na sessffo de 16 de julho de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 26 
paga. in-4.0 

-* Sobre a lavoura : discurso proferido na sessSo de 5 da fevereiro de 

1873. Rio de Janeiro, 1873, 34 pags. in-8.o 

— Reforma eleitoral : discurso proferido em sessão de 8 de julho de 

1874. Rio de Janeiro, 1874, in-8.o 

— A decadência e crise da lavoura: discurso proferido na camará dos 
senhores deputados. Rio de Janeiro, 1875, in-8.o 

— Liberdade do ensino superior : discurso proferido em sessSo de 4 
de setembro de 1877. Rio de Janeiro, 1877, 14 pags. in-4.<^ 

A.ntonio Oandido ]N'a.seentes de i\.zainl>uja.— 

Natural da cidade do Rio de Janeiro, nasceu em 1817. 

Doutor em medicina pela faculdade desta cidade e graduado em 1840, 
aqui se estabelecera no exercicio de saa profissão e era um clinico maito 
conceituado, quafido, loucamente enamorado e correspondido de uma moça 
defamilia distincta, abandonou por isso sua pátria, seguindo d*aqui para 
Montevideo, e de Montevideo para a França d*onde nSo mais sahiu. 

O doutor Nascentes de Azambuja escreveu : 

. — Dissertação sobre a pneumonia aguda simples, seguida de algumas 
considerações sobre a pneumonia lobular, uma das suas miis impor- 
tantes variedades : these inaugural. Rio de Janeiro, 1840. 

•— Dos temperamentos e sua influencia sobre o moral — Vem no Ar- 
chivo medico brazileiro, tomo 1», pag. 73 e seguintes. 

— Noticia de uma memoria sobre a difficuldade do diagnostico dós 
cálculos biliares por Fauconneau-Dufresne — Sahiu na mesma revista, 
tomo 1% pags. 138 a 142. 

— Noticia da obra Pneumonia dos velJios^ estudada debaixo da re- 
laçSo das differenças que existem entre ella e a dos adultos, por mr. E . 
Moutard-Martin — Idem, pags, 156 a 160. 



-AJN 125 

'^Noticia das investigaçõas modernas sobre as moléstias do co- 
ração pelo doator Vallieax — Idem, tomo 2«, pags. 59 a 63. 

-~ Meios prophilaticos e preservativos da syphilis : conselhos práticos 
sobre os meios de prevenir e carar immediatamente as moléstias vené- 
reas, precedidos de noções geraes sobre a historia, propagação e modo 
de prodacçSo da syphilis. Paris, 1847, vol. lo— NSo sei quando sahia 
a continuação ou o segundo volume. 

No Archivo medico ainda ha outros escriptos do doutor Nascentes, e pro- 
vavelmente n*outras revistas, sobretudo do logar onde vive, ha tantosannos. 

A-ntonio Oandido 'J?BrvebTre& — Não sei si era brazileiro 
por naturalidade ou pela constituição, nem conheço as particularidades 
que 80 referem á sua pessoa. Conheço-o apenas pela saguinte obra que 
escreveu : 

— Regimen das prisões na America septentrional , traduzido por An- 
tónio Cândido Tavares. Rio de Janeiro, 1831, 41) pags. in-4.o ^ 

A.iitoiiio C:a;irlos Oesax* d.e Mello e A.iidi*a.dai — 

Parente do conselheiro António Carlos Ribeiro de Andrada com cuja filha, 
dona Brasília Antonieta de Andrada, se cazara, nasceu na província de 
S. Paulo pelo anno de 1830 o falleceu no Rio de Janeiro em 1879. 

Fez o curso da escola de marinhat e sendo official da armada, aban- 
donou a carreira que encetara e entrou para a secretaria de estado dos 
negocies dá marinha, onde se aposentou no logar de chef j de secção ; era 
gerente da companhia brazileira de navegação do sul quando falleceu, 
commendador da ordem da Roza, e cavalleiro da de Christo. 

Escreveu: 

'-'Consultas do conselho de estado, concernentes ao ministério da 
marinha, colligidas e annotadaa. Annos de 1842 a 1850. Rio de Janeiro, 
1868 ^ Ab consultas desta ultima data a 1860 foram colligidas ^ annotadas 
por Constantino do Amaral Tavares, formando todas 4 vols. in-4. 

— O ministro da marinha ao senhor deputado Tavares Bastos, Rio 
de Janeiro (sem data), 40 pags. in-8o — Bem que sem data e sem assi- 
gnatura, sabe-se que esta obra é de A^ntonio Carlos César do Mello e An- 
drada, o foi publicada em 1861, por occasiSo de uma accusação que ao 
ministro da marinha fizera na camará aquelle deputado. 

A^ntoiíio Oa.i*los Oomes — Nasceu na cidade de Campinas^ 
província de S. Paulo, a 14 de junho de 1839, sendo seu pai Manoel José 
Gomes . 

Desde seus primeiros annos demonstrou decidida vocação para a musica, 
adquirindo dest 'arte 06 conhecimentos que eram possíveis de adquirír-se 
no logar de seu nascimento ; dava lições de piano por diversas fazendas, e 
estudava com fervor nos momentos, que lhe restavam de fadigoso trabalho^ 
as obras, que podia obter, dos bons mestres, ou compunha no seu instru- 



126 

mento algamas pequenas peças, como walsas, quadrilhas, tangos e ro- 
mances, que pela expressão e belleza já deixavam prever o génio que em 
seu autor se occultava, quando síu irmão, insigne rabequista, resolveu 
dar alguns concertos na capital da provincia. 

Carlos Gomes o acompanhou, relacionoú-se com muitos jovens acadé- 
micos de direito, compôz e offereceu-lhes um hymno, que foi calorosa- 
mente applaudido, pelos estudantes de S. Paulo principalmente, os quaes 
o acclamaram desde logo de génio e suscitaram-lhe a ideia de vir á corte 
estudar, ideia já lembrada e abandonada por seu pae em vista da absoluta 
falta de recursos para isso. 

Sem dinheiro, só com uma carta de recommendaçSo a Asarias Botelho, 
que benignamente o acolhe, vem ao Rio de Janeiro ; apresenta-se ao Im- 
perador ; entra no conservatório, onde compõe e executa uma cantata que 
merece geraes applausos, logo depois outra que lhe grangêa a nomeaçSo 
de regente da orchestra e ensaiador do theatro lyrico nacional ; compõe 
para este theatro duas operas que sSo enthusiasticamente gabadas ; e 
então, animado com os applausos que lhe foram prodigalisados, aconse- 
lhado pelo próprio Imperador, que já o havia presenteado com a venera 
da Roza, cravejada de brilhantes, resolve ir á Europa estudar, e effecliva- 
mente parte do Rio de Janeiro em dSzembrode 1863. 

Depois de estar em Lisboa, em Paris, em Madrid, foi a Itália e estabeleceu 
sua residência em Milão, d'onde já duas vezes veio á pátria, recebendo de 
seus patrícios os testemunhos da mais bem merecida consideração e estima. 

Carlos Gomes tem composto : 
. — Symno académico, offerecido d mocidade académica, para piano e 
canto — escripto em 1830, sendo a lettra do doutor Bittencourt Sampaio. 

— Cantata para os exames do conservatorio-^Foi executada no acto 
Bolemne dos exames em 1860, regendo o autor a orchestra ; ó sua primeira 
composição na corte. 

— Cantata que foi executada na egreja da Cruz dos Militares — e para 
este fim escripta em 1860. 

— A noite do Castello : opera de António José Fernandes dos Reis 
— Foi posta em musica para sua estréa no theatro lyrico, e nelle execu- 
tada pela primeira vez a 4 de setembro de 1862 com enthusiasticos ap- 
plausos. Além da venera da Roza cravejada de brilhantes que lhe doara o 
Imperador, teve por esta occasião outros presentes de valor, como uma ba^ 
tuta de ouro, offerecida pelas senhoras fluminenses, uma coroa também 
de ouro, pela sociedade campesina, e muitas saudações, hymnos e outras 
provas de apreço^ dadas pela imprensa. 

— Joanna de Flandres : opera lyrica — Como a precedente foi can- 
tada no theatro lyrico fluminense a 10 de novembro de 1863, com muitos 
applausos. 

— A herdeira do throno : quadrilha — composta a bordo do paquete 
Paraná ao partir do Rio de Janeiro para a Europa, em 1863. 

^^ Sisa minga (revista do anno) — musica escripta para lettra do 



poeta it&liano António Scalyini e executada no tbeatro Fossati, de MilAo. 
E* soa primeira composiçSo na Itália . Não é uma opera de grande fôlego, 
mas é de uma inspiraçSo vivaz e arrojada, e deu-lhe logo uma belia 
repntaçSo ahi, no paiz da musica. 

— Nella luna (idem) — ó outra composiçSo de igual inspiraçSo, egual- 
mente applaudida e executada no theatro Garcani . 

— Guarany : opera baile em quatro actos — Foi esta a composiçSo que 
trouxe immarcessivel gloria a Carlos Qomes. Levada a scena do theatro 
Scala, em MilSo, a 19 de março de 1870, foi seu autor desde o primeiro 
acto chamado á scena por diversas vezes com frenéticos applausos dos 
próprios làestres, que o ficaram reconhecendo como artista e maestro. 
Neste mesmo anno, vindo elle á pátria, foi o Guarany cantado no Rio de 
Janeiro a 2 de dezembro. Por um acaso feliz encontrara Carlos Gomes 
traduzido em italiano o romance de igual titulo, do conselheiro Alencar^ 
e comprandO'0, incumbiu o já mencionado poeta Scalvini de arranjar a 
opera. Si o autor do romance já nSo tivesse um nome bem firmado, e um 
logar muito distineto na republica das lettras, o autor da opera lh*o teria 
dado. Foi representado pela segunda vez em dezembro de 1881, em 
Londres, no theatro Covent-Garden. 

— - Salvador Rosa : opera lyrica em quatro actos— O libretto é de An- 
tónio Ghislanzoni, um notável e distineto poeta e libre ttis ta da moderna 
Itália. Delia, entre outros, escreveu o distineto litterato brazileiro Alfredo 
Bastos uma noticia, que vem na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro de 
10 de agosto de 1880. Foi representada pela primeira vez no mesmo 
theatro em Londres. 

'^ Fosca : opera lyrica em quatro actos — Tem sido executada em di- 
versos theatros da Europa. 

— Maria Tudor : opera lyrica em quatro actos — Idem. 

— Ninon de Lenclos: opera lyrica— Estava apenas em começo sua com- 
posiçSo, quando o autor veio ao Brazil em 1880. Deve estar concluida hoje. 

'-'Palma : opera lyrica — Idem. 

Composições pequenas de Carlos Gomes ha innumeras. Desde seus pri- 
meiros annos, passados em Campinas, escreveu elle diversas peças. Das 
publicadas mencionarei, entretanto : 

— A Camões : hymno triumphal para orchestra e banda *- composto para 
ser executado por occasião do tricentenário do poeta portuguez. 

— Io ti vidi í canzone para piano e canto. 

— Suspiro d*alma : modinha. 

— Quem sabe f modinha . 

— Rainha das flores : walsa, para piano. 
^^Lalalayu : polka para piano. 

— Polha dos paráaes: idem. 

— Polha dos beijos: idem. 

— MoreninJia : valsa, idem. 

^^ Cachoeira : quadrilha de contradanças, idem. 



128 A.IV 

A^ntonio Oarloft Ril>eix*o de ^ndradA Ma- 
olxaido e Silva — Nataral de S. Paalo, nascea em Santos a 1 de 
novembro de 1773 e falleceu^no Rio de Janeiro a 5 de dezembrode 1845. 

Formado em direito pela universidade de Coimbra, seguiu a carreira 
da magistratura, que estreou, exercendo o cargo de juiz de fora de 
Santos, depois o de ouvidor de Olinda, sendo nomeado desembargador 
da relação da Bahia, onde não tomou assento por ser eloito deputado á 
constituinte brazileira o pelas occurrencias posteriores. 

Em 1817, achando-se no exercício do cargo de ouvidor de Olinda, 
adheriu á revolução de Pernambuco, fazendo parte de seu conselho ; foi 
por isso preso e transportado com muitos outros, compromettidos na mesma 
revolução, para a cadeia da Bahia, e ahi por lembrança do padre Francisco 
Muniz Tavares, se cotisando os presos para mandarem vir livros de ins- 
trucção, e se estabelecendo uma espécie de atheneu, António Carlos lec- 
cionou a lingua ingleza, direito natural e direito civil. (Veja-se Francisco 
Muniz Tavares, Basílio Quaresma Torreão e Frei Joaquim do Amor Divino 
Caneca, que também ensinaram outras matérias na cadeia da Bahia.) 

Sendo deputado ás cortes portuguezas em 1821, ahi advogou os direitos e 
dignidade do Brazil, sahindo a final de Lisboa occultamente com alguns 
deputados brazileiros, entre os quaes o doutor Cypriano J. Barata 
de Almeida, de quem tratarei, e se dirigiu com elles a Falmouth, onde 
redigiu o celebre manifesto de 22 de outubro que todos asslgnaram. 

Deputado á constituinte brazileira, foi relator da commissão que apre- 
sentou o projecto de constituição ; depois, dissolvida a camará, elle — 
que se havia pronunciído nas vésperas contra dous officiaes do exercito 
que insultaram e feriram um brazileiro, o já havia attrahido a si as 
antipáthias do exercito que chegou a reclamar do Imperador sua exclusão 
da constituinte — foi preso com seus irmãos e outros deputados ao 
sahir da camará, e deportado para a França, d*onde lhe foi permittido 
voltar em 1828 ; e da volta ao império, ainda preso, foi processado, mas 
julgado sem culpa, retirou-se para S. Paulo, onde esteve até 1838 alheio 
á politica, s6 então reapparecendo como deputado em opposição ao par- 
tido^ conservador. 

Quando se tratou da maioridade do actual Imperador, António Carlos 
pugnou por ella, foi nomeado ministro do império no primeiro gabi- 
nete, organizado a 24 de julho de 1840 ; foi ainda uma vez deputado 
por sua província e finalmente senador por Pernambuco em 1845, poucos 
mezes antes de morrer. Em 1832 nomeado ministro extraordinário e 
plenipotenciário junto á corte de Londres, recusou a nomeação ; mas 
partindo para a Europa no anno seguinte, se disse que fora tratar da volta 
de dom Pedro I ao Brazil. 

Era do conselho de sua magestade o Imperador, membro do Instituto 
histórico e geographico brasileiro e escreveu : 

'^Proposta para formar por subscripção na metrópole do império 
britânico uma instituição publica para derramar e facilitar a geral 



u^lNÍ 129 

instrucção das úteis invenções, maokinas e melhoramentos ; traduzido 
do inglez. Lisboa, 1799. 

— Cultura a nericana, que contém uma relaçSo dos t Trenos, climas, 
producçQes o agricultura das colónias britannicas ao norte da America, 
e nas índias occidentaes, traduzida, etc. Lisboa, 1799 — Esta obra foi 
originalmente escripta em inglez em dons volu u^s ; o primeiro volume 
foi traduzido por Joié Feliciano Fernandes Pinheiro, o segundo por 
António Carlos. 

— Tratado do melhoramento da navegação por canaes, onde se 
mostram as numerosas vantagens, que se podem tirar dos pequenos 
canaes e barcos de dous até cinco pés de largo, que contenham 
duas até cinco toneladas de carga, com uma descripção das machi- 
nas precisas para facilitar a conducção por agua, por entre os mais 
montanhosos paizes, sem dependência de comportas e aqueductos ; es- 
cripto em inglez, por Fulton. TraducçSo. Lisboa, 1800 — com dezoito 
estampas. 

— Considerações caúdidas e imparciaes sobre a natureza do com' 
mercio do assucar, traduzidas do inglez . Lisboa, 1800 — com estampas. 

^- Reflexões sibre o decreto de Í8 de fevereiro deste anno, offere- 
cidas ao povo da Bahia por Philagiozotero. Bahia, 1821, 11 pags. in-4.<' 

— Projecto de constituição para o Império do BraziL Rio de Janeiro, 
1823 -^ A bibllotheca nacional possua o original por lettra de António 
Carlos, com accrescimos feitos a lápis por seu irmfio José Bonifácio, 
com a assignatura autographa de ambos e dos outros membros da com- 
missSo, que são António Luiz Pereira da Cunha, depais Marquez de 
/nhambupe ; Manoel Ferreira da Camará Bictencourt e Sá ; Pedro de 
Araújo Lima, depois Marquez de Olinda (com r estrie ções) ; José Ricardo 
da Costa Aguiar de Andrade e Francisco Muniz Tavares. 30 fls.in-fol. 
Foi reimpresso no mesmo anno no Maranhão, e na còrt^ com o titulo : 

— Projecto de constituição para o Império do BraziL Impresso no 
Rio de Janeiro e reimpresso no Maranhão. Typographia nacional. Anno 
de 1823 — Apresentado acamara a 1 de setembro e discutido até á 
dissolução delia, em 12 de novembro deste anno, não foi este projecto o 
adoptado, mas outro, de que foram principaes autores José Joaquim 
Carneiro de Campos e Clemente Ferreira França. 

— Ao illustre publico^ ou resposta dada ao senhor redactor da Aurora, 
Rio de Janeiro, 1832, in-8.o 

— Esboço biographico e necrologico do conselheiro José Bonifácio de 
Andrada e Silva por seu irmão, ele. — Sahiu depois da morte do autor 
no Cruanabara, tomo3<>, 1855, pags. 299 a 307. 

-* Defesa do conselheiro. António Carlos Ribeiro de Andrada Machado e 
Silva, por motivo dos acontecimentos politicos de Í8Í7 em Pernambuco, 
sendo desembargador da relação da Bahia, e ouvidor de Olinda — Idem, na 
Revista litteraria e recreativa do Rio de Janeiro. Sobre laes aconteci- 
mentos escrevea eUe : 

9 



130 AN 

— Preciso dos acontecimentos que tiveram logar em Pernambuco desde 
a faustissima e gloriosa revolução operada felizmente na praça do Recife 
aos 6 do corrente mez de março, em que o generoso esforço d <s nossos 
bravos compatriotas exterminou daquella parte do Brazil o monstro in- 
fernal da tyrannia real. 10 de março de 1817 — Inédito. O original, com 
assignaturas autographas do autor, e de mais alguns, todas reconhecidas 
a 10 de abril do anno seguinte em Pernambuco, foi apresentado na ez- 
posiçSo de historia pátria, por dona Antónia Roza de Carvalho. 

O conselheiro António Carlos era também poeta e escreveu diversas 
poesias, de que algumas sahiram a lume, como o seguinte 

— Soneto d liberdade — escripto quando, preso na cadeia da Bahia por 
fazer parte do conselho revolucionário em Pernambuco, esperava sua con- 
demnação que se dizia certa. Eil-o : 

Sagrada emanação da Divindade, 
Aqui do cadafalso eu te saúdo ; 
Nem com tormentos, com revezes mudo, 
Fui teu votario e sou, ó liberdade ! 

Pôde a vida brutal ferocidade 
Arrancar-me em tormento mais agudo ; 
Mas das fúrias do déspota sanhudo 
Zomba d*alma a nativa dignidade. 

Livre nasci, vivi, e livre espero 
£ncerrar-me na fria sepultura. 
Onde império nSo tem mando severo. 

Nem da morte a medonha catadura 
Incutir pôde horror a um peito fero, 
Que aos fracos tão somente a morte é dura. 

Innocencio da Silva, ou por equivoco ou por mal informado, no volume 
8o, pag. 110, de seu diccionario, transcreve como feito pelo conselheiro 
António Carlos na cadeia da Bahia, em vez do soneto acima, um outro 
que começa : 

Elevado ao zenonico transporte 
Estóico coração, alma sublime, etc. 

Este#oneto, porém, nem é da penna de António Carlos ; mas sim 
de J. J. Pinto Vedras, que o escreveu á morte de RadclifT, dando-lhe 
por epigraphe essas palavras que o mesmo Radcli£P escrevera em uma 
parede do oratório ao ser conduzido para o cadafaho a 17 de mirço 
de 1825 : Quid mihi mors nocuit ? Virtus post fata virescit, Nec scevi 
gladio perit illa tyranni, 

António Oarneifo da Roclia — Filho do major Nicolau 
Carneiro da Rocha e de dona Anna Soares Carneiro da Rocha, nasceu na 
provinda da Bahia, e formado em sciencias sociaes e jurídicas pela facul- 
dado do Recife, exerceu o cargo de advogado da camará municipal da ca- 
pital, de que pediu exoneração em dezembro de 1882 ; foi eleilo diversas 
vezes deputado á assembléa de sua província, ò á assembléa geral na 



AN 131 

primeira leg^islatnra da eldiçSo directa ; fez parte do gabinete organisado 
pelo confiei heiro Martinho Campos, occupando a pasta da marinha ; é do 
conselho de sua magestado o Imperador, e offlcial da ordem da Roza. 

Escreveu : 

— Annotações e commentarios d lei de 20 de setembro de Í&7Í e re^ 
gulamento de 22 de novembro do mesmo anno. Bahia, 1873, 282 pags. 
in-4.0 

A^ntonio de Oastro jWv&m — Filho do doator António José 
Alves, e de dona Angélica Gonçalves de Castro Alves, nascea na Bahia a 
14 de março de 1847 e fallec3u a 6 de julho de 1871 . 

Desde sua entrada para o coUegio em que estudara os primeiros rudi- 
mentos da lingua pátria, revelou a mais bella e robusta intelligencia, e 
mais tarde um verdadeiro génio para a poesia, em que não seria inferior 
a Gonçalves Dias, nem ao que mais alto subisse nesse ramo da littera- 
tura, si não morresse tSo joven« 

Estudou na Bahia humanidades, e matriculou-so no curso de sciencias 
juridicas e sociaes ni faculdade de Pernambuco, d*onde passou para a de 
S. Paulo, mas nfio chegou a formar-se por fallecer no quarto anno do 
dito curso. E entretanto, vivendo tão pouco, em sua ligeira passagem 
no mundo, soffreu amarguras bem cruéis ; porque amou loucamente sym- 
pathica actriz de uma companhia dramática que lhe deu bem fel a tragar 
quando estudava em S. Paulo, e além disto n'nma caçada se disparou 
por triste fatalidade a arma que trazia, cravando-se-lhe n*um pé toda a 
carga, pelo que teve de sujeitar-se á amputação prescripta pela sciencia. 

Em sua honra foi instituído no Rio de Janeiro um grémio litterario com 
o titulo de Castro Alves^ e por esta associação foi celebrada uma sessão 
litteraria e musical pelo decennio de seu passamento, se publicando um 
livro em homenagem a Castro Alves, onde se encontram flores á sua me- 
moria, offerecidas por não menos de 53 litteratos, alguns delles estran- 
geiros, como José Palmella. 

O eloquente escriptor portuguez não se limitou a exaltar o desventu- 
rado poeta bahiano ; exaltou igualmente a terra em que este virf a pri- 
meira luz, exprimindo-se por este modo :« Nascido na primogénita filha de 
Cabral, na terra de Rocha Pitta, de Muniz Barreto, Dantas, Paranhos, 
Deiró, Chagas Roza e tantos outros talentos que fulguram no céo da 
poesia, das bellas-artes, lettras e sciencias, e d*onde surgem os maiores 
estadistas e pradores do império. Castro Alves não podia deixar de revelar 
que era um abençoado filho daquella luxuosa terra, onde a natureza 
ergue-se em deslumbrantes thronos de esmeralda, coroados de perfumosas 
grinaldas, que ao lançal-as para os céos — fazem cahir para a terra, 
como inebriados de amor e poesia — os próprios deuses ! » 

Moço de grandes esperanças e poeta maviosíssimo, deixou Castro 
Alves muitas composições poéticas, que são geralmente apreciadas, e 
têm sido reproduzidas em todo império, quer em publicaç5es periódicas, 



132 A.N 

quer em collecçSes de poesias, como por exemplo a obra intitulada Cantos 
do Brazily que viu a luz no Rio de Janeiro -em 1880, c foi logo reim- 
pressa no Almanak da Gazeta de Noticias de 1881 . 

De Castro Alves sSo : 

— Espumas fluctuantes ; poesias. Bahia, 1870 — Segunda ediçSo, 
posthuma, Bahia, 1878. Seria longo mencionar os elogios que tem tido 
este livro, e todas as composiçõ s, qu'^ encerra, encantam por tal modo, 
que é difficil dar a preferencia a qualquer. Vou transcrever ao acaso 
algumas liahas das Espumas fluctuantes ; sfio uns versos em que o 
autor descreve uma moça adormecida n*uma rede, janto a um jasmi- 
neiro, cujas flores, agitadas pela briza da noite, vêm beijar-ihe de vez 
em quando a face : 

Era um quadro celeste. . . A cada affago 
Mesmo em sonhos a moça estremecia. . . 
Quando ella serenava, a flor beijava-a ; 
Quando ella ia beijal-a, a flor fugia. 

Dir-se-hii quo naquelle doce instante 
Brincavam duas cândidas crianças ; 
E a briza que agitava as folhas verdes 
Fazia-lhe ondear as negras tranças. 

— Gonzaga ou a revolução de Minas : drama. Bahia 1870 — O con- 
selheiro J. de Alencar fez o mais solemne elogio á esta obra. 

— A cachoeira de Paulo Affonso : poema original brazileiro. Bahia, 
1876 ^ E* das obras deste autor aquella talvez, em que mais se revela a 
elevação e altivez de seus pensamentos. 

^ Fragmento dos escravos, sob o titulo de Manuscripto de Stenio. 
Bahia, 1876. 

— O navio negreiro : tragedia no mar — Sahiu na I Ilustração brazi~ 
leira^ e tem sido impressa em muitas revistas, e obras diversas esta com- 
posição, por si 8Ó bastante para dar um nome a seu autor. Está impressa 
também em opúsculo. 

— Vozes d" Africa e o navio negreiro . Rio de Janeiro, 1880 — Nos 
Cantos do Brasil vêm estis duas composições, e mais as seguintes : a 
Sebrea, Sub tegminefagi, O laço de fita. 

— Os escravos', poema — Inédito. 

— Calhau : poema sobre um facto histórico da Bahia — Idem. 

— Don Juan : drama ^ Idem. 

— O Diablo-mundo^ de Espronceda : traducção— Idem. 

Castro Alves foi um dos redactores do periódico 

— O Futuro : periódico scirntiflco e litterario. Recife, 1864— Foram 
seus companheiros A. A. de Carvalhal, A. A* Milton e L. F. Maciel 
Pinheiro. 



-áLN 133 

u!%^iitoiiio de Oastro ILiopes — Nascea na cidade do Rio 
de Janeiro a 5 de janeiro de 1827, sendo seus pães o doator Domingos 
Genesio Lopes de Araújo e dona Amali < Honoria de Castro Araújo. 

Formado em médio ina pela faculdade da cdrte em 1848, no anno se- 
guinte foi nomeado professor de grammatica latina do imperial coUegio 
de Pedro II ; em 1854 passou a exercer o logar de official da secretaria de 
estado dos negócios da fazenda ; em 1859 foi transferido para a secretaria 
dos negócios estrangeiros ; foi deputado á assembléi provincial do Rio 
de Janeiro na legisl itura de 1854 a 1855 ; fundador do banco predial do 
Rio de Janeiro, e de outris associações commerciaes, que deixou, e se 
acha actualmente exercendo a clinica homoaopathica na cidade de seu 
nascimento. B' cavalleiro da ordem de Christo, poeta, e, um dos primeiros 
latini tas que o Brazil tem produzido, escreveu: 

— Dissertação acerca da utilidade da dôr : these apresentada á 
faculdade de medicina do Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1848. Rio 
de Janeiro, 1848. 

— Abamoacara : tragedia em quatro actos, approvada pelo conservatório 
dramático, etc . Rio de Janeiro, 1847, 100 paga. in-8o — Esta tragedia foi 
escripta, sendo o autor estudante. 

— Ode saphica em latim por occasião do nascimento do principe 
imperial dom Affonso — Sahiu na Minerva Brazileira^ 1847. 

^ Zifi^zag : (artigos humorísticos) — publicados no Jornal do Com» 
mercio soba firma O. O. S. 1855. Por esse tempo escreveu o doutor 
Castro Lopes muitos trabalhos em diversos jornaes e revistas, sendo 
destes trabalhos os três que se seguem, e outros que mencionarei 
adiante. 

— O mundo e o progresso — publicado no Correio Mercantil do Rio 
de Janeiro, 1855. 

— Amaryllis : egloga latina, tradncção da primeira lyra da Marilia de 
Dirceu de T. A. Gonsaga — No mesmo jor ml de 20 de setembro de 1857. 

— O episodio de Ignez de Castro ( Luziadas, canto 3o) vertido em 
versos hexametros latinos — No mesmo jornal de 12 de março de 1860, 
e reproduzido na Revista Brazileira na Homenagem a Camões, 1880. 

'^ Epitome historice sacrce, auctore C, F. Lhomond, notis selectis 
illustravit A, Mollet. Correxit et accomodavit, Flumine Januarii, 1856 

— Esta obra, de perto de duzentas paginas, contém um vocabulário la- 
tino-portuguez. 

— Versào ( em hexametros latinos ) das primeiras quatro oitavas do 
canto primeiro dos Luziadas de Camões, e das oitavas 33 a 44 do 
canto segundo — Vem na obra do Visconde de Jurumenha sob o titulo 
Obras de Camões. 

— Novo systema de estudar a lingua latina : obra adoptada nos 
estabelecimentos públicos da instrucção secundaria* Rio de Janeiro, 1850 

— Segunda edição, idem, 1859, 390 pags in-8<*. Depois desta houve uma 
outra edição. A academia real das sciencias de Lisboa, ao receber este 



194 AJK 

livroy nomeou uma commiBaSo qno deu sobre ello o mai« honroao parecer ; 
e o Visconde de Castilho propoz ao conselho da instracçSo publica de 
Lisboa a sua adopção, começando sua proposta por estas palavras: « Eu 
por mim, lendo attentamente esta livro de autor nem conhecido, nom con- 
terrâneo meu, tSo utii o julguei, que em vol-o apresentar com especial 
recommendaçâo entendi abriria porta a um considerável melhoramento. » 
E pouco depois accrescenta : < Si o Brazil disser que nos antecedeu 
nesta reforma, nfio possa ao menos dizer que Portugal nem para lhe 
seguir o exemplo tem alma. » Esta proposta acha-se por ext3nso impressa 
no prefacio da 3^ edição do Novo systemi para estudar a lingua latina. 

Carlos Koffer, entretanto, na introducçfto de sua gramm^tica latina, 
se referindo á do dr. Castro Lopes, diz : « Experimentei-a por duas vezes 
sem tirar um resultado correspondente ao tempo gasto. O referido autor 
engenhosamente diz que o systema de Robertson pôde bem ser denomi- 
nado o caminho dê ferro das lingttíis> Concordo inteiramente, porque 
acontece neste caminho de ferro das liaguas o mesmo que acontece 
no verdadeiro caminho d^ ferro ; é que, passando p viajante com extrema 
rapidez pelos objectos, nâLO os pôde divisar bem, e por conseguinte nao 
lhe resta delles impressão duradoura.» 

— Arte de ganhar dinheiro. Rio de Janeiro, 1860, 77 pags. in-8.<> — 
Foi publicada sob o pseudonymo de Philogelus, 

— Memoria sobre a utilidcule do esttMÍo da lingua latina — Vem na 
Sevista Brazileira de maio de 1860. 

— Sawlação d aurora : versos portuguezes, que podem ser lidos si- 
multaneamente em latim, seguida a analyse rigorosa desta ultima lingua. 
-^ Foi publicada no periódico Constitucional de janeiro de 1863 e repro- 
duzidfk no periódico portuguez Panorama em 1866. 

— Theatro. Rio de Janeiro, 1864-1865 — 3 volumes, contendo 
uma introdncçiío do cónego F, Pinheiro, e as peças seguintes: 1° vol. 
Ahamoacara^ tragedia em quatro actos ; Meu marido está ministro^ co- 
media original em um acto. 2o vol. O compadre Suxano ; A emancipação 
dai mulheres ; As três graças^ comedia em proza. 3^ voh A educação^ 
drama original em três actos. 

— Afui« íatma : collecçSo de lyras da Marilia de Dircéo, traduzidas 
para versos latinos. Rio de Janeiro, 1868. 

— Catechismo de agricultura para uzo das escolas da instrucçSo pri- 
maria do Brazil. Rio de Janeiro, 1861, 54 pags. in-8<> com duas estampas. 
— E' oflTerecido ao conselheiro Joaquim José Ignacio, Visconde de In- 
haúma, e me parece que houve uma edição anterior. Neste oatachismo 
o autor, começando por tratar da agricultura, do ar, do clima, da agua, 
etc., trata depois do gado, e de divers3s animaes inclusive as abelhas 
e apresenta o calendário agrioola de S. V. Vigneron Jousselandiòre. 
Creio que ha uma edição de 1869. 

— O medico do povo : instrucçSo pondo ao alcance dos homens con- 
scienciosos e de boa vontade os progressos mais aperfeiçoados e as mais 



JkJS 13B 

recentes descobertas da arte de curar, indicando os meios detratar todas 
as moléstias segundo a homoBopathia. Composto pelo doutor Mure, e 
traduzido pelo doutor Joaquim José da Silva Pinto. Terceira edição, 
revista, augmentada e melhorada pelo doutor António de Castro Lopes. 
Rio de Janeiro, 1868. 

— Synapse do estado da emprjza predial pelo seu fundador e gerente 
doutor António de Castro Lopes, apresentada na primeira reuniSo da as- 
sembléa geral de accionistas da mesma empreza. Rio de Janeiro, 1873, 
22 pags. in«4.o 

— Resurreições : poesias. Rio de Janeiro, 1879. 

— Deveres do homem por Silvio Pellico : trãducçSo. Obra adoptada 
pelo governo imperial para as aulas da instrucçâo primaria. Rio de Ja- 
neiro, 1880. 

— Acróstico a Luiz de Camões^ composto de versos dos Luxiadas por 
occasiSo do terceiro centenário de Cam9es, 1880. 

«•- Memoria sobre a possibilidade e conveniência da supfvessão dos 
annos bissextos, escripAa em portaguez, latim e francez. Rio de Ja- 
neiro, 1881 — R. Teixeira Mendes, de quem me occaparei neste livro, 
em três artigos insertos na Gazeta de Noticias com o titulo do Indicações 
sabre a theoria positivista do calendário^ contesta opiniões emittidas 
nesta memoria, opiniões que o doutor Castro Lopes sustenta em dous 
artigos, insertos em seguida na mesma Gazeta sob o titulo de Suppressão 
dos annos bissextos^ ao primeiro dos quaes ainda respondeu Teixeira 
Mendes, tudo em abril de 1881. 

Acerca desta Memoria^ enviada a quaai todas as sociedades sábias da 
Europa e da America, i*ecebea o autor manifestações de apreço, que de 
muitos desses institutos lhe foram dirigidas, declarando o Sr. C. Flam- 
marion no seu periódico mensal Astronomie de setembro de 1882 que 
em um dos próximos números examinaria a questSo. Tratando essa Me^ 
moria de uma alteração no calendário, julgou conveniente o autor di- 
rigir-se a sua santidade, e o fez por carta escripta em latim. O finado 
Visconde de Araguaya, ministro plenipotenciário do Brazil em Roma, 
foi quem apresentou essa carta e a Memoria, respondendo ao doutor 
Castro Lopes, que o santo padre lera immediatamente a missiva, e decla- 
rara achar correcta a phraso latina e importante o trabalho, o qual ia 
submetter a estudo. 

•^Discurso proferid) na 575* conferencia publica da escola da 
freguezia da Gloria, na presença de saa magestade o Imperador. Rio de 
Janeiro, 1881. 

— Conferencias sobre a homosopathia. Rio de Janeiro, 1882 — Neste 
volume enfeixou o doutor Castro Lopes diversas prelecções que fez na 
mesma escola da Gloria. 

~^Uni sonho astronómico. Rio de Janeiro, 1882 — Nesta obra, sob 
uma apparencia de phantasia, o doutor Castro Lopes propõe diversas 
theorias acerca de muitos phenomenos astronómicos. Sahira em folhetim 



136 A.-N 

no Cruzeiro em outubro deste anno, e vertido em francez pelo próprio 
autor, foi impresso depois em Paris. 

— Diccionario clássico latino e portuguez — Esta obra o autor con- 
serva inédita, aguardauio opportunidade para dal-a a lume. 

-^Vida e feitos do doutor Semana, Rio de Janeiro, 1870. 

O doutor Castro Lopes fíaalmente foi o fundador e primeiro redactor do 

— Bazar volante : (periódico caricato) Rio de Janeiro, 1863 a 1867 — 
Apenas o redigiu, porém, por seis mezes, passando a redacção ao ba- 
charel Joaquim José da França Júnior e a outros. Seus escriptos ahi são 
assignados pelo pseudonymo de Petrosculus . 

ui^^ntoiíio cie Oa^stro e Silva*» Natural da província do 
Ceará, onde vivia em 1828, era presbytero do habito de S. Pedro, e 
homem de abastada fortuna. 

Em sua província, a que prestara relevantes serviços, exercia o cargo 
de thesoureiro geral da subscripçâo mensal dos oitocentos mil réis, 
quando foi mandado prender em sua c isa ás dez horas da noite de 12 de 
novembro de 1825 por uma patrulha, de ordem do commandante das armas 
Conrado Jacob de Niemeyer, e recolhido a esta mesma hora a um cárcere, 
accusindo-o a mesma autoridade de complico dos motins políticos que 
agitaram a provinda. Estes factos levaram o padre Castro a escrever: 

— Resposta ao manifesto do ex-commandante das armas do Ceará^ 
Conrado Jacob de Niemeyer, contra o padre António de Castro e Silva. 
Rio de Janeiro, 1828 — E* um opúsculo, sem frontispício, de 20 pags. 
in-fol. e em duas columnas, onde o autor se justifica da accusaçâo contra 
si intent ida, e reclama da violência que soffréra, apresentando em se- 
guida 35 documentos que abonam sua adhesão á constituição e ao throno, 
sua moralidade, etc. Vi esta obra annexa ao n. 111, de 31 de outubro 
de 1828, da Aurora fluminense, 

A.iitonio Oesar cie Be]:*i"êdo — Descendente do distincto 
historiador Bernardo Pereira de Berrédo. nasceu na província do Ma- 
ranhão em 1822, e faileceu á 7 de abril de 1879, victima de uma cistite 
purulenta. Era forma lo em s3Í3ncias sociaes o jurídicas pela faculdade 
de Olinda, proprietário de engenho em sua província e escreveu : 

'^ Lyrade Instantes: poesias ...— Não vi este volume; mas sim 
diversas artigos e composições poéticas de César de Berredo em revistas e 
periódicos, dos quaes citarei^: 

— A infância : (poesia em verso hendecassyllabo solto) — publicada 
na chronica litteraria^ pag. 109. 

— Hymno ao dia 22 de dezembro : (poesia de metrificação variada) 
— na mesma revista, pags. 134 a 136. 

Deixou inéditos : 

— Os Mocambeiros : romance. 

— Direito publico — Esta obra ficou incompleta. 



AJS 137 

Frei António cla« Oliagras — Natural do Rio de Janeiro, 
e nascido por cerca do anão de 1680, foi franciscano da provincia da 
Conceição do Rio de Janeiro, ai^ui exerceu o cargo de procurador ge- 
ral, e escr veu : 

— Estatutos municipaes da provinicia da immaculada Conceição do 
Brazil, Lisboa, 1717, 339 pags. 

— - Romances que compoz frei António das Chagas, antes de ser 
riVgioso — Na relaçSo dos manuscriptos da bibliotheca fluminense 
está esta obra. 

António Olaudio Soido *- Nascido na provincia do Es- 
pirito Santo a 26 de abril do 1822, sendo seus pães o major Aotonio 
Cláudio Soido, e dona Maria Ortiz Soido, fez o curso da academia de ma- 
rinha, sendo promovido a segundo tenente em 1842, e successi vãmente. á 
outros postos até o de chefe de esquadra em 1880, obtendo reforma no 
posto immeiiato em 1882, a seu peiido. 

Um dos mais distinctos officiaes de nossa armada, foi incumbiio 
como com mandante do vapor Maracanã em 1857 de instaurar a nave- 
gação pelo rio.Paraguay na provincia de Mitto -Grosso, franqueada pelo 
tratado de 6 de Abril de 1856, ate Corumbá, passando porem até Cuyabá, 
que se suppunha innavegavel ; foi depois á Europa acompanhando os 
guardas- marinha, como professor do 49 anno do curso da escola respectiva; 
fundou em 1860 e foi director do arsenal de marinha de Cuyabá ; passou 
d*ahi a commandar em 1867 a flotilha de Matto-Grosso que desceu de 
Cuyabá a reconquistar Corumbá, occupada pelos Paraguayos desde 1864; 
em 1870 commandou a primeira divisão da esquadra em operações no Rio 
da Prata, e por ultimo o batalhão naval . 

E' commendador da ordem de S. Bento de Aviz, oficial da ordem da 
Roza, condecorado coma medalha da campanha argentina de 1851 a 1852 
e a medalha da guerra do Paraguay, e escreveu, além de artigos sobre 
viagens á Europa no Diário do Rio de Janeiro em 1854: 

— O Pirata : poema de lord Byron . Traducção em verso portuguez — 
Foi impresso no Jardim poético de J. M. Pereira de Vasconcellos, 
serie 2», Victoria, 1860, pags. 127 a 233. Nesta obra ha diversas, poesias 
suas como : 

— Lembrança de Montevideo. A menina oriental — Serie 1*, Victoria, 
1856, pags. 112 a 118. 

— A visita de S, M, o Imperador aos hospitaes dos impestados : 
poemeto -^ Idem, pags. 67 a 81. 

— Para os pobres : traducção de Victor Hugo — Serie 2», pags. 67 
a 70. 

«- O batel t ao seu amigo J. N. de Souza e Silva — Idem, pags. 75 a 81. 
Ha diversos trabalhos g?ographicos seus, como : 

— Carta geral da fronteira entre o Brazil e a Bolívia, etc. 1875 — 
Foi reduzida e lithographada em 1881 . 



138 

— Planta do Rio Paraguay^ levantada pelo chefe de divisSo Angasto 
Leverger, correcta em seus delineamentos e n'algun8 pontos com na 
sondas (expre^as em pés inglezes) desde a embocaiara da mesmo rio até 
Cuyabá, otc. lithographada em 1859. 

— Planta do porto de Corumbá no rio Paraguay da provinoia de Matto- 
GroBso, levantada etc. em 1864 -^ No archivo militar. 

' A.iitoii.io Olodoaldo de Souza. — E' natural da provín- 
cia de Pernambuco, onde fez o curso e formoa-se em sciencias sociaes 
e jaridicas, recebendo depois o grau de doutor ; é advogado nos auditó- 
rios da capital, e escreveu, além d^ sua these parar ceber o grande 
doutor : 

-.- Historia da sessão especial do club popular da cidade do Recife aos 
24 de maio de 1873. PeraambucO| 1873, 34pags. in-8.o 

A.ii.ton.10 Ooelb-o Rodrigru.es — E* natural da província 
dp Piauhy. 

Doutor em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife em 
13Ô6, foi nomeado lente substituto da mesma faculdade em 1871, e mais 
tarie lente cathedratico de direito nutural; representou sua província na 
camará temporária em duas legislaturas ; S3 «acha actualmente na corte, 
fajsendo p^rte da commissão do código civil, e escreveu : 

-^Instituías do imperador Justiniano, vertidas do latim. Recife, 1879- 
l^l-«Entre m publicações relativas a cst*^ livro, se nota uma do con- 
selheiro A. J. Ribas np Monitor Catholico de S. Paulo de lide 
agosto de 1881. O doutor Coelho Rodrígaes aiduzia a esta traducçSo 
diversas notas insU'Uctivas. 

':;i,^ Discurso proferido na sessão da installação do congresso agrícola 
do Recife, em 6 de Outubro de 1878, 20 p^gs in 8.<> 

Ei'*x*ai A^ntonio da* Ooiioeiç&o -<- (Veja*se António de 
Andrade Luna.) 

• 

F^rei António da Oonoeição Mialhes — Natural 
dá cidade da Bahia, nasceu em 1630 e falleceu a 23 da Novembro de 1691. 

Religioso fr inciscano, professo a 8 de dezembro de 1651 no convento 
da mesma cidads, ahi fez seus estudos ; foi mestre de theologia, matéria 
em que era muito versa io ; guardiSo no convento dfiParahyba, e dístincto 
orador sagra io, deixou inéditos saus sermões, só publicando o 

— Sermão das exéquias do governador geral Aífonso Furtado de Men- 
donça a 26 de novembro de 1675. Lisboa, 1676 — « A leitura deste 
sarmão, diz frei António de Santa Maria JaboatSo, nos fez confirmar ser 
ainda miior o conceito, que nos seus papeis se occulta, do que o braio 
que delles publica a fania. » 



Frei A^ntonlo do Ooraçfio de Maria e A.1- 
meidai — Nasceu na cidade de S . SebaatiSo do Rio de Janeiro, e 
fallecen a 19 de «Junho de 1870, na niosma cidade. Foi religioso da ordem 
dos franciscanos do Rio de Janeiro, onde exerceu diversos cargos, inclusive 
o de provincial, examinador synodal, e pregador da eapella imperial, e 
publicou alguns de seus sermões, entre os quaes: 

— Oração graiulaioria que na solemne acçSo de graças, celebrada na 
eapella imperial no dia 26 de abril de 1846 pelo fôliz regresso de suae 
magestades imperiaes das provindas do sul a esta côrte^ recitou, etc. 
Rio de Janeiro, 1846, Spags. in-4.o 

— Oração fúnebre do augusto fundador do império, o Senhor D. 
Pedro /, que nas exéquias celebradas a 24 de setembro de 1849 pelÀ 
irmandade de Nossa Senhora da Gloria em sua cápella recitou, etc. Rio 
de Janeiro, 1849, 20 pags. in-4.o 

^- Sermão na solemne trasladação das imagens para a nova igreja 
matriz do Santíssimo Sacramento da antiga sé desta corte. Rio de 
Janeiro, 1859. 

^ Oração gratulatoria que, por oocasiSo do felix regresso de suas 
magestades imperiaes das províncias do norte, recitou, eto. Rio de 
Janeiro, 1860, 16 pags.in-4.<> 

— Oração fúnebre que nas solemnes exéquias do senJior D. Pedro V 
recitou, etc. Rio de Janeiro, 1867. 

A.ntoiiio Oo]Tdeix*o da SilT^a, — Natural do Rio de 
Janeiro, onde presumo que nasceu no primeiro quartel do século IS*' e 
formado em cânones pela universidade de Coimbra, seguiu a carreira 
militar, fallecendo no posto de capitão ou de sargento-mór do regimeRtq 
do Rio de Janeiro, e assistiu como membro da academia dós selectos á 
reuniSo solemne, única que celebrou esta associação, a 30 de Junho de 
1752, occupando-so apenas com a leitura de peças em prosa ou em 
verso em louvor do governador Gomes Freire de Andrade. Era poeta 
escreveu muitas poesias, mas só deu á estampa: 

— Maria Immaculada: poema sacro (em ver^o hendecasiyllabo) ofíé* 
recido á Virgem Maria, Senhora Nossa, que com o auspicioso titulo 
de sua Conceição puríssima se venera no convento da Conceiçfto de Beja. 
Lisboa, 1760 — E* um volume de 100 paginas in-4o, raríssimo. 

---Sitio da colónia : canto em oitava rima — Vem no livro denominado 
Júbilos da America, etc, Lisboa 1754, pags. 253 a 262, e no Florilégio 
da Poesia Brazileira de F. A, do Warnhagem, depois Visconde de Porto 
Seguro, no appendice ao terceiro volume, pags. 44 a 53. 

— Oito oitavas — sobre diversos assumptos^ Vem no dito livro Júbilos 
da America, pags. 263 e seguintes. 

— Í7w romance — em verso hendecas^lhdo. Idem, pags. 250 e 
seguintes. 

» Um soneto — Idem, pag. 249. 



140 AN 

A.iitoiiio Oorreia* do Oouto — Natural de Cuyabá, capi- 
tal da província de Matto-Grosso, não pude averiguar a época de seu 
nascimento, nem mesmo a de sua morte, bem que muito recente. 

Era bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela facuUade de S. Paulo, 
repr^-Bentou sua província na camará temporária na legislatura de 1861 
a 1863, e escreveu : 

— Distertaçào sobre o actual governo da republica do Paraguay, se- 
guida da descripçSo de Coimbra, do Pák) de Assucar, e de outros legaras ; 
dos actos de vandalismo, praticados na provincia de Matto-G.^osso por sua 
ordem ; ia contestação ao pretendido direito á parte do território da dita 
provincia, e da indicação dos meios de se lhe fazer a guerra em desaf* 
fronta ilas atrocidades e insultos commettidos pelos seus officiaes e solda- 
dos. Rio de Janeiro, 1865. 

António Oorreia de T^aroerda» — Filho de Manoel Cor- 
reia Dias de Lacerda, nasceu em Portugal na villa da Ponte em 1777 e 
falleceu na provincia do Maranhão a 21 de Julho de 1852, sendo cidadão 
brazileiro pela constituição do império. 

Bacharel em medicina pela universidaie de Coimbra, e cirurgião do 
exercito portuguez, serviu nas forças commandadas pelo Conde de Ama- 
rante ; foi depois medico de partido em S. Pedro do Sul, comarca de La- 
fões, e em 1818 yeiu para o Brazil, exercendo o cargo de physico-mór. 
No Pará, segundo parece, tomou parte em uma das commoções politicas 
que agitaram esta provincia lepois da inlepemencia, e para subtrahlr-se 
á sanha dos seUs adversários, emigrou para os Estados- Unidos, perdendo 
quanto possuia ; e voltando ao Império em 1836 ou 1837, foi residir na 
provincia do Maranhão, em cuja capital exerceu a clinica, e deuHie com 
a maior dedicação ao estudo das sciencias naturaes, sobretudo ao da 
botânica. 

Foi sócio do instituto histórico e geographico brazileiro, e na institui- 
ção da sociedide Vellosiana, de iniciativa do doutor Francisco Freire Al- 
lemão, foi contemplado como sócio, o que levou-o a escrever em seu tes- 
tamento uma verba, deixando a esta sociedade toda sua livraria, estin- 
tes e manuscriptos, induidas suas importantes collecções de zoologia e 
de botânica. 

Em sua vida nada publicou de mais de vinte volumes que "ieixou ma- 
nuscriptos, e que como s ) vê no Diccionario historico-geogriphico da pro- 
vincia do Maranhão, foram remettidos ao governo imperial. Suas obras 
são : 

— Flora paraense^maranhensis, 1821-1852 — 10 yols. de duas colum- 
nas com desenhos a lápis, intercallados no texto, representando vegetaes 
ou partes constitutivas de vegetaes. 

— Phytographa paraense^maranhensis ^ sive descri ptio plantarum in 
Pará et Maranhão lectis. Vol. 11<> (tertium Phitographise maranhensis). 
1849-1850 — Como se declara é o umdecimo volume da obra acima. 



^ISf 141 

— Nova genera plantoenAm^ et alia noa bene descripta. 2 vols. (sem 
data) — Provavelmente é continúaçSo da Flora. Estas obras sâo escriptas 
em latim. 

— Explicação das estampas da Flora paraense-maranhenais — Autogra- 
pho de 170 pags., cuja ultima data é do Maranhfio, 21 de Janeiro 
de 1852. 

— Notes de botanique . Plantes usuelles, plantes medicinal es et leur 
application — Estão sob o titulo de Tratados acerca da historia natural 
do Pará desde Í822 até i830^ seguidan de outras noticias. 

— Chemiologia vegetal . 2 vols. 1845-1849. 

— Zoologia paraense. 1823-1852. 8 tomos em 9 vols. 

^ Observações sobre propriedades theropeuticas das plantas que des- 
creve e experiências de chimica vegetal. MaranbSo, 1849-1852. 

'-"Observações diárias thermomelricas^ hygrometricas e barometricas, 
tomadas na cidade de Belém do GrSo-Pará, desde 1^ de Janeiro de i829 
até 17 de Maio de 1835. 

— Observações metereologicas^ feitas no MaranhSo desde 19 de junho de 
1841 até 14 de junho de 1852. 

— Observações medico^philosophicas (moléstias da peile) 1827-1851^ 
A biblioth-^ca nacional possue todas estas obras . 

—-Descripçào e desenho de uma das plantas que fazem o objecto de mi- 
nha phytographia e zoologia medica ou matéria medica do Pará e Mara*- 
nhfio, etc, 31 de maio de 1851. 

Em 1852 o doutor Lacerda deliberara encetar a publicaçSo de suas obras 
já coordenadas, começando, segundo o citado diccionario historico-geo- 
graphico do Maranhão, pela 

~^M ateria medica das provindas do Pará e Maranhão^ acompanhada 
de mais de duzentas estampas, desenhadas e coloridas com esmero — 
Para a impressão desta obra têm sido votadas, me parece, verbas em mais 
de um orçamento na camará temperaria ; e a importância delia pôde ser 
avaliada pelo seguinte trecho de uma petição ou memorial que o doutor 
Lacerda dirigira ao ministro do império, solicitando um auxilio para dar 
a lume sua obra, o qual se acha transcripto no mesmo diccionario: 

« Acho-me no ultimo quartel da vida, e reputo um dever legar ao 
publico e á Bciencia, na qualidade de meiico, o rasultado de minhas 
observações e experiências , colhido durante o período de minha 
existência. 

« A phytographia e zoologia medica, isto é, a matéria medica do Pará e 
do Maranhão, fructo de meus trabalhos de quasi vinte annos n*aquella 
província e de quinze na do Maranhão, formará o primeiro objecto de 
minhas publicações, e a indepenJencia scientifica, já outr*ora augurada 
pelo sábio De Gandole, dará um passo agigantado, que, não sendo agora 
aproveitado, será necessário que decorram séculos — e já sem elle appa- 
recer séculos tem decorrido — para reap parecer ; e posso affirmar a Y. Ex. 
sem temor de ser taxado de exageração que este trabalho não poderá 



142 

jamais ser o serviço de um só homem, por ser dlfficil que qualquer outro 
se ache collooado nas mesmas circuinstanclasi e que a estas «euna o amor 
excessivo das sciencias, a abnegação do descanso o dos commodos da vida, 
expondo-Bo a incalculáveis perigos e a deapezas que de ordinário não se 
compadecem com os meios de um homem scientifloo. 

« Mais de quatrocentas plantas meiicinaes, acompanhadas por mais 
de duzentas estampas, o maior numero excellentemente desenhadas e 
ricamente coloridas, formam o objecto que pretendo legar ao publico 
brazileiro, e que vou offereoer ao mundo litterario. A classificação bo- 
tânica d3 cada uma das plantas ; uma descripçSo geral e exacta na lingua 
latina ; uma descripção abreviada e especifica em latim e em portoguez ; 
historia, colheita, preparaç93S, appUcações thorapeuticas, doses, e 
algumas Analyses chimicas — eis os tópicos que abriram o vasto e in- 
teressante campo ás minhas observações. 

< Julguei outr*ora que as minhas economias me dispensariam do 
incommodar o governo imperai. Enganei-me ; parda? sofiTridas em dif- 
ferentes commoç5es politicas do Império, emigrações forçadas e despezas 
extraordinárias para obter plantas e mandal-as desenhar, tudo, tudo tem 
concorrido ft frustrar meus planos. > 

A.xitoiito CoY^rela* de Souza» Oosta* — Natural do 
Rio de Janeiro e filho de António da Gosta Correia e de dona Fausta 
Roza de Souza Gosta, é doutor em medicina pela faculdade da còrt3, 
tendo servido antes de sua formatura como interno do hospital da mi- 
sericórdia ; foi, por concurso* nomeado oppositor da secção de sciencias 
medicas em 1859, e mais tarde lente cathedratico do hygiene e historia 
da medicina. 

Serviu duranto a guerra do Paragusy como primeiro medico do hos- 
pital militar do Andarahy, pelo que Ih ) foram conferidas as honras de 
cirurgião-mór de divisão ; é do conselho de sua magestade o lmp3rador, 
presidente da junta de hygiene publica, medico da imperial camará, 
official da ordem da Roza, membro titular da imperial academia de me- 
dicina, sócio d\ sociedade auxiliadora da industria nacional, sócio da 
associação brazi leira de acclimação e escreveu : 

— Ba infecção purulenta : dissertação inaugural, precedida de pro- 
posições sobre : Nutrição nos vegetaes, sua respiração e influencia na 
atmosphera em geral. Casos em quo o aborto provocado é indicado. 
Medicação contra-ostimulante. Rio do Janeiro, 1857. 

— La dysinteria noa paires inter-tropicaes : these de concurso a 
um logar de oppositor da secção medica da faculdade de medicina do 
Rio de Janero. Rio de Janeiro, 1859. 

— QíÂal a alimentação de que usa a classe pobre do Rio de Janeifo 
e sua influencia sobre a mesma classe : these de concurso & cadeira da 
hygiene. Rio de Janeiro, 1864. 



AJS 143 

— Breves considerações sobre a myasBs das fossas nazaes, seguidas 
da uma obserraçte- da mesma moléstia — Sahiu na Un'õío medica, 
tomo lo, pags. 212 a 221. 

— Parecer da academia imperial de medicina sobre o livro do doutor 
JoSo Baptista dos Santos, intitulado : Agtéas potáveis ; contribuição á 
hygiene publica. Rio de Janeiro, 1877. 

— Memoria sobre a febre amarei la em Campinas, apresentada á aca- 
demia imperial de medicina em 1877 — Sahiu na revista da mesma aca- 
demia. 

O doutor Souza Costa, na qualidade de primeiro medico interino do hos- 
pital de Andarahy, coUaborou no 

— * Formulário pharmaceutic o militar para uso dos hospitaes e enferma- 
rias militares do Brazil. Rio de Janeiro, 1857— Este formulário é dividi lo 
em duas partes: Preparações oificinaes, e Preparações extemporâneas. A 
primeira parte ó precedida da relação aproximativa dos pesos decimaes á li- 
bra e ás suas divisões. A segunda e seguida de um artigo sobre as aguas 
mineraes; instrucções para as pharmacias ; instrucções para os quartéis e 
hospitaes militares em presença de uma epidemia de cholera-morbus ; 
cuidados que se devem prestar aos envenenados e asphyxiados, e Índice. 
(Yeja-se Josó Ribairo de Souza Fontes, Augusto Cândido Fortes de Bus- 
tamante e Sá, e Luiz Bandeira de Gouvêa.) 

Redigiu com outros: 

'^Gazeta medica do Rio de Janeiro, Redactores: os drs. Matheus 
de Andrade, Pinheiro QuimariÍ3s, Souza Gosta, Torres Homem. Rio de 
Janeiro, 1802-1864, in-4'' gr. 

•-• Revista do atheneo medico» Redactores : dr. Souza Costa, J. E. 
dos Santos Andrilde, J. A. Porto Rocha, J. G. Kemnitz, Malaquias A. 
Gonçalves. Rio de Janeiro, 1867, in-4.o 

A.iitonio dA OostA, V* — Natural da Bahia, nasceu nos úl- 
timos annos do século 17^ ou nos primeiros do 18<>, o fallecen em Pernam- 
buco pelo anno do 1760. 

Foi presbytero secular, tendo feito seus estudos no collegio dos je- 
snitas -* facto talvez que levou Bento Farinha a consideral-o jesuita . 
Segundo me consta, professou depois n*uma ordem monástica, parece-me 
que a benedictina, e deisa ordem foi propósito no Recife; e notável n^o 
só por suas virtudes, como por sar muito versado na theglogia sagrada, 
que leccionou na congregação do oratório de S. Felippe Nery, foi um 
exímio orador, e fez parte da academia brasilica dos renascidos. 

De seus sermões, não consta que publicasse, senSo : 

«- Sermão das exéquias do senhor dom João V, feitas na Bahia. 
Lisboa, 1753. 

— * Sermão do glorioso patriarcha S, Bento, pregado na Bahia. Lis- 
boa, 17*' -» Dizem-me que este sermão é um monumento, que revela a 
profunda erudição do autor, eomo theologo. 



144 

^êLntonio cia Oosta, ^^ — Filho do cirurgiio António da 
Costa e de dona Gertnides Mathilde da Silva d Sá, naacea na ci ^e do Rio 
de Janeiro a 15 de março de 1816, e £allecea a 7 de jalho de 1860. 

Matrienlaudo-fl? em 1831 na eecola m-?dico-cirargica, seguia para a 
Françi em 1833 ; ahi fez todo corso o recebeu o grão de doutor em me- 
dicina em 1837 na nniveraiiade de Montpellier ; e Toltando á pátria em 
1838, defendeu ihe^e perante nossa faculdule, e firmou sua residência 
no Rio de Janeiro, alcançando em piuco tempo a bem merecida r^putaçSo 
de insigne operador, ao lado do venerando doutor Manoel Feliciano Pe- 
reira de Caryalho, o Dupuytren brazileiro. Em 18^ fez uma excursão 
pela Europa, d*onde regressou no anno seguinte. 

Era cirurgião honorari > de soa ma?estade o Imperador, cirurgião dos 
bospitaes da Misericórdia, d i ordem terc ira do Carmo e da ordem da Pe- 
nitencia ; medico da sociedade franceza de Beneficência, e da legaçSo 
da França ; membro do instituto hi^^torico e g<H>grapbico do Brazil, da 
imperial academia de medicina, á\ sociedade anatómica de Paris« da de 
sciencias me liças de Lisboa, e de outras ; commendador da oriém de 
Christo ; ca vali 'iro da do Cruzeiro; cavalleiro da L^^-iáo de Honra da 
França e das ordens de Christo e de N. S. da Conceição da Villa-Viçoza, 
de Portugal, e escreveu : 

— Proposições sobre os estreitamentos do canal da uretra : these 
para verificar seu diploma. Rio de Janeiro, 1843. 

— Dezeseis annos de clinica cirúrgica no Brazil» Rio de Janeiro, 
1854 — Este livro, em que o autor faz a historia da cirurgia no Brazil, 
mencionando os progressos delia, a {mrtir de 1808 e traz á publicidade 
curiosos e importantissimos factos de sua clinica cirúrgica de dezeseis 
annos, foi por ello offerecido, em francez, á imperial academia de me- 
dicina de Paris. 

— Resecção completa do maxillar superior direito e parte do es^- 
querdo^ assim como de um dos ossos próprios do nariz e do vomer : ope- 
ração pela primeira vez praticada no Brazil aos 20 d«^ julho de 1858. Rio 
de Janeiro, 1859, 40 pags. com duas estampas . 

Sei que o doutor António da Costa publicou : 

— Trinta e duas memorias e ohras diversas — em revistas medicas 
da França, das quaes sinto não poder dar neste momento uma noticia cir- 
cumstanciada. A maior parte dostes escriptos foi pelo autor offerecida 
á imperial academia de medicina de Paris em sua segunda viagem á 
Europa. 

A.iitonio da Oo«ta Duarte — Nasceu, segunde me consta, 
na capitania, depois província do Maranhão, no fim do século passado ; 
foi presbytero d > habito le S. Pedro, lente de grammatica philosophica da 
lingua poringneza e aoalyse dos clássicos e escreveu 

— * Compendio de grammatica portugueza para uzo das escolas de 
primeiras lettras, ordenado» segando as doutrinas dos melhores gramma- 



A.N 145 

ticos, offerecido ao ill"*». e ex"^o. senhor Cândido José de ArauJD Vianna, 
presidonte da província do Maranhão, deputado ás cortes legislativas, etc. 
Maranhão, 1829. 

'^Compendio de grammatica philosophica da língua portugueza, 
escolhido pela congregação do lyceu do Maranhão para uso do mesmo 
lyceu. Maranhão, 1840 — Esta edição é segunda e já accrescentada. 

A^ntonio da» Oruz Oordeiro— Nascido na provincia da 
Parahyba a 28 de novembro de 1831 e filho de João da Cruz Cordeiro, veio 
para a Bahia concluir seus estudos de preparatórios e estudar o curso 
medico da faculdade de medicina, onde se doutorou em 1856. 

Tem exercido em sua provincia diversos cargos de sua profissão, como ob 
de medico da enfermaria militar, do hospitalinglez e do hospital da mi- 
sericórdia, em cujo exercício continua ; teu si lo por diversts vezes depu- 
tado á assembléa provincial ; é sócio correspondente do instituto archeo- 
logico pernambucano ; cavalleiro da ordem da Roza, e es 'reveu desde o 
tempo de sua vida académica, além de diversos artigos, quer em prosa, 
quer em verso, no Diário da Bahiay Ca xeiro nacional^ Paiz, Povo^ Pro- 
testo, e Noticad^r catholico como coUiboraJor, no Prisma, Bello^sexo, 
e Estudante^ fazenio parte di relacção, as obras seguintes : 

-^ Impressões da epidemia, Bahia, 1856, 314 paga. in-12o — Referese 
o autor neste livro a factos lamentosos que se deram na Bahia por 
occasião da epidemia da cholera-morbu^de 1855 a 1856. 

— Da amaurose e suas divisões : disser ação inaugural. Bahia, 1856 — * 
E* seguida de proposições so')re : Accidentes consecutivos ás feridas por 
arma de fogo. Influencia da quantidade da alimentação sobre a saúde. 
Relação da chimica com os diversos ramos da medicina . 

— * Estudo biographir.o. O vigoio Joaquim António Marques e algumas 
de suas peças oratórias. Parahyba, 1866, 320pags. in-8o — E' offerecido 
ao commendador Felisardo Tosca ao de Brito, e as peças oratórias, que o 
acompanham são* se s sarmões da Virgem sob diversas invocaç53s, um do 
Senhor Bom Jesus da Ag)nia, um do Santisnmo Sacramento, um do 
Mandato sobre a humildade, um de S. Bento, e mais três discursos 
sobre eleições e outros assumptos. 

— Instrucções sanitárias e populares, Parahyba, 1863— E' um 
opúsculo, em que se aconselha o tratamento quer prophylictico, quer 
cur itivo da cholera-morbuB, mandado imprimir pelo governo imperial e 
distribuído gratuitimenta. 

•— Prologo da guerra^ ou o voluntário da pátria : ensaio dramático em 
ires actos e em verso. Rio de Janeiro, 1865 — Foi representado e maito 
applaudido, tanto na Bihia, como em Pernambuco, e na Parahyba e elo- 
giado pela imprensa do dia. 

— Poesia recitada em i5 de fevereiro de i863 n'uma grande reunião 

popular noB paços dst assembléa da Parahyba, por occasião do desacato 

10 



146 Jk:S9 

provocado pelo mi niftro inglês no Rio da Janeiro — Foi impressa no 
Diari) de Pernambuco^ e n^oatras folhas do império transcripta. 

— Episodio da esquadra hrazileira em operações nas aguas do Fa^ 
raguay a i9 de fevereiro de Í868. Batalha de Hamaytá. (Em verso ) 
Parahyba, 1868, in-4<> — Sahia n*ama folha da Parahyba uma critica ponco 
favorável a esta composição, a qaal levoa o doator Cruz Cordeiro a 
escrever : 

— Estudos litterarios : A poesia Batalha do Humaytá e a critica 
lançada no Jornal da Parahyba. Parahyba, 1869 — E' um volumç de 400 
paginas in-16<', em que o autor refuta a critica feita á sua composição 
poética, dividido em duas partes : A 1* parte comprehende nove artigos 
que publicara no periódico Despertador de 10 de fevereiro a 15 de março 
de 1869. A 2* comprehende dezenove artigos, publicados de 19 de março 
a 29 de maio do dito anno, e mais Mmpost scriptum, datado de 4 de 
dezembro. 

— > Discurso proferido no dia 9 de agosto de 1880 por occasiSo da tnau- 
guração da estrada de ferro Conde d* Eu. Parahyba, 1880, 6 pags. 

A-ntonio Oul>a— E* natural da provincia de S. Paulo, onde 
parece-me que nasceu pelo anno de 1840 ou pouco depois. Residiu 
algum tempo na corte, e d'aqui passou para sua provincia, onde se acha, 
e escreveu :- 

— Capella da Apparecida : breve descripçâk) da capella da Apparecida 
no município de Guaratinguetá, contendo o apparecimeuto da sagrada 
imagem e muitas orações, coUeccionadas por António Cuba e Jofio 
Godoy. Guaratinguetá, 1877, 60 pags. in-4.» 

— Rabiscas, Rio de Janeiro, 1880 — E' uma collecçSo de pequenos es- 
criptos em prosa e em verso, taes como lendas, anecdotas, adigios, ourio- 
sidades eto. O Cruzeiro^ dand:) noticia desta publicaçSo, diz : <No meio 
da gaveta do sapateiro encontra -se uma rabisca intitulada Etimologia 
dos nomes masculinos e nesta achamos : 

António — credulidade. 
Serafim — fanfurrice . 
Talvez que estas duas explicações eccpliquem a publicidade das RaMscaSni^ 
António Cuba fundou e redigiu: 

— O Século: orgSo democrático. Guaratinguetá, 1876— Gom titulo 
egual se publicou também na provincia de 8. Paulo, em Batataes, 1881, 
outra folha que nada tem com esta, sendo redigida por Casar Ribeiro. 

A^ntonio da OunliA Brooliado — Descendente de uma 
fiimilia nobre, nasceu na cidade da Bahia em 1689, e falleeeu em 1747, 

Muito criança foi com sua familia para Portugal, onde fez o eurao de 
jurisprudência cesaria, obtendo o grau de licenciado, o pduco depois a no- 
meaçfio para o logar de juiz da índia e Mina, que exerceu por algum 
tempo. Acompanhando depois a Madrid seu tio José da Cunha Broohado, 



qne para ahi seguira oomo ministro planipolanciario janto á oôrta caiite- 
Ihana, dedicou-so á politici, e em sua volta a Portugal foi nomeado con-* 
selheiro da fazenda ; mas dominado de irresistível vocação para o estado 
ecclesiastico, desprezou a nomeagSo que recebera, titules de nobreza, e 
gozos do século para tomar o habito* de S. Pedro como presbytero secular, 
e mais tarde professar na ordem do Carmello com o nome Frei António de 
Nossa Senhora do Carmo no convento de Santa Cruz de Coimbra em 1735. 
Frei António de Nossa Senhora do Carmo foi um sacerdote de raras yir- 
tndes e escreveu: 

— Diversas traducções do castelhano — entre as quaes a obra com o 
titulo de 

— - Retiro espiritual para cada um dia do mez e disposição de uma 
santa vida para a boa morte. Lisboa, 1738. 
— * Meditações para o oitavario do Natal , Lisboa, 1743. 

— Novenas de Santo Agostinho ede S. Francisco, Lisboa, 1744. 

A^ntonio da Ounli.a Souto - Maior Oomes Ri- 
l>eiro — Natural do Rio de Janeiro e nascido nos primeiros annos do 
século presente, foi muito criança para Portugal, onde supponho que es- 
tudou direito na universidade de Coimbra e que ainda vive. Estabelecido 
em Portugal por occasiSo da independência do Brazil, lá continuou a 
persistir, desempenhando diversos cargos, e commissões. Foi por di- 
versas vezes deputado ás cortes d*aquelle reino, e exerceu o cargo de 
ministro nas cortes de Dinamarca e da Suécia, e de outros estados ; ó 
moço fidalgo da casa real, e commendador da ordem de Christo, e escreveu 
como collaborador em diversos periódicos e jornaes politicoa do reino, 
entre os quaes o Estandarte ; e como redactor: 

— O Tribuno : jornal politico. Lisboa, 18'*— Depois escreveu : 

— Ao Povo (opúsculo politico). Lisboa, 1842, 45 pags.^Sahiu sob o 
anonymo, causando grande impressSo pela linguagem forte e vehemente. 

^■"Reflemões deGraccho a Tullia, Tunis, Typ. de Amurat de Beg. 
anno da Egira, 1244, 55 pags. in-8.<* — E* um opúsculo ainda mais forte e 
incisiyo que o precedente, distribuido quasi clandestinamente, e impresso 
em Lisboa, mas com as cautelas necessárias. Foi ahi reimpresso em 1847* 

'-•' Os últimos adeuxesde Graccho a Tullia. Tunis, typ. de Amurat, 
Anno de Bgira, 1244, 34 pag9. in-8<> — E' outro opúsculo em egual estyb, 
e com eguaes cautelas impresso e distribuido. Também teve segunda 
ediçSo em Lisboa, 1847. As cautelas empregadas quer com a impres- 
sto, quer com a distribuição destas obras deixam bem presumir o que 
ellas são. O que é certo é que produziram uma notável sensação, e ao 
governo serias apprehensõsf*. 

— A vanguarda da opposição, Lisboa, 1846, 31 pags. in-8.<> 

— Discurso pronunciado por occasião da discussão sobre a resposta 
ao discurso do throno na camará doa deputados na sessSo de 15 de Junho 
de 1848. Lisboa, 1848. 



148 uAlN 

A.ntonio I^AT^id. de \ra«9coneello9 OAnaiva*!*: 

Nascido na província do Pará a 24 de Agosto de 1828, senio seus pães 
David Jacob Fernandes de Vasconcellos e dona Theophili Alexandrina de 
Vasconc lios, falbcea em Maná s em fevereiro de 1882. 

Começando o curso da faculdade de medicina da Bahia, o concluiu na 
do Rio de Janeiro e aqui recebeu o grau de doutor ; foi por diversas vezes 
deputado á assemblòa provincial do Amazonas, onde residia e exercera 
diversos cargos, como o de inspector d> sau Je ; era cavalhiro da ordem 
da Roza e da de Chriâto ; sócio da sociedade physico-chimica, da sociedade 
amante da instrucçSo, e do instituto episcopal religioso do Rio d d Janeiro, 
e escreveu : 

— T?iese apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina 
do Rio de Janeiro em 24 de abril de 1856. Rio de Janeiro, 1856 — Versa 
sobre : Operações da fistula lacrimal. Operação do trépano. A phtisica 
pulmonar no Rio de Janeiro, suas causas e tratamento. Morte súbita e 
precauções qué se devem tomar antes de se proceder a uma autopsia 
jurídica. 

— Relatório acerca do cholera-morhus nas províncias do Amazonas, 
Pará, Alagoas e Rio Grande do Norte em 1855 e 1856, offerecido ao 
instituto histórico e geographico brazileiro. Pará, 1857, 56 paga. 
in foi. 

— A monarchia constitucional e os libellos. Rio de Janeiro, 1860, 

33 pags. iu-4<^ — O doutor Canavarro escreveu este opúsculo, levado pela 
publicaçfio de um pamphleto com o titulo « Os cortes&os e a viagem do 
Imperador > pelo bacharel José Joaquim Landolfo da Rocha Medrado, ao 
qual pamphleto também responderam Justiniano José da Rocha, dando a 
lume a Monarchia democrática^ e o cónego Joaquim Pinto de Campos, 
publicando Os anarchistas e a civilisação. 

— Oração necrologica dedicada ao anniversario da morte da senhora 
dona Rstephania, rainha de Portugal, offerecida a sua magestade fidelís- 
sima o senhor d. Pedro V. Rio de Janeiro, 1860, 15 pags in-8.<> 

— Itinerário da viagem que fez ao rio Negro a bordo do vapor de 
guerra, Pirajáy partindo de Manáos, até o log-ir denominaio Chibarú, e 
d*ahí em diante em canoa á fronteira de Cucuhi. 1862^ Inédito de 

34 fls. ín-fol. no instituto histórico. Viajara então o autor como inspector 
de saúde publica. 

A.nton.lo I>eod.oi*o de PaAOual » Nascido em Castella-a^ 
Nova, reino da Hespanha, em julho de 1822, depois de &zer em seu paiz 
os estudos de huminidades, e alguns outros de faculdades na Itália, na 
França e na AUemanha, tenio feito excursões por estes paizes e por ou- 
tros da Europa eda Amer.ca, yeiu firmar sua resiioncia no Rio de Ja- 
neiro em 1852, aqui naturalÍ80u*se cJdalSo brazileiro, e falleoeu em 
1874 ou 1875. 



-A.1V 149 

Exerceu o mag-isterio por algom tempo n*Ainerica ; leccionou no 
Rio de Janeiro nSo só diversas linguas, como historia e philosophia ; 
serviu na S3cretaria de estado dos negócios estrangeiros como traductor 
compilador com as honras e vantagens de pr meiro official ; foi membro 
do instituto histórico e geographico brazileiro, e de outras sociedades de 
lettras e scienciag ; e tSo versado nas linguas portugueza, ingleza e fran- 
ceza como na lingua pátria, em todas ellas escreveu diversas obras, princi- 
palmente sobre historia, com tal cunho de verdade que fez dizer a Quin- 
tino Bocayuva que— em suas mâ^s a penna era um instrumento de ver- 
dade e de justiça. 

De suas obras publicou : 

— Elementos de lógica. Madrid, 1842. 

— La americana y la europea : novela — publicada no Liberal, 1843. 

— Spiritual lectures — na revista philosophica Shekina, New-York, 
1851. 

— The txcoFathers : novella. New-York, 1852, 3 vols. 

— Breves consideraciones sobre la union norte- americana, Madrid, 
1852. 

— La novela atual : breves consideraciones sobre la literatura con- 
temporânea. Montevideo, 1854. 

— Tratado sob e la educacion por Milton, vertido do inglez para o cas- 
telhano. Montevideo, 1854. 

— Tratado sobre la educacion moral y literária, publicado no Com- 
mercio dei Plata. Montevideo, 1854. 

— Las siete noch is en el mundo espiritual'— novella publicada no 
Nacional, Montevideo, 1854. 

— A mulher — publicada em folhetins no Diário do Rie de Janeiro^ 
1854. 

— Lettres brésiliennes. Rio de Janeiro, 1856. 

— Le Brésil et les republiques sud^mericaines. Rio de Janeiro, 1856. 

— Utn episodio da historia patr a. As quatro derradeiras noites dos in- 
confidentes. Rio de Janeiro, 1858. 

— Ensaio critico sobre a viagem ao Brazil em i852, de Carlos B. Mans- 
field. Rio de Janeiro 1861-1862, 2 vols. sob o pseudonymo de Ada- 
dus Calpe, com uma estampa lithographada. 

— Esboço biograph^co do conselheiro José Maria Velho da Silva. Rio de 
Janeiro. 1862, 45 pags. in-8.o 

— Basqos memoráveis do Senhor 2). Pedro /, Imperador do Brazil, ex- 
celso Duque de Bragança. Rio de Janeiro 1862, 220 paginas in-8"— Este 
livro, que traz o retrato do primeiro imperador do Brazil, contem noticias 
e particularidades muito reservadas, "que interessam não só a nossa his- 
toria, como a de Portugal. 

— Apuntes para la histori i de la republica dei Uruguayjlesie el ãno 
Í8Í0 hasta el de Í852, baseados en documentos publicados y inéditos, 
y otros datos originales, extrahidoí de los archivos y bibliotecas nacio- 



l&O AI» 

n&lefl y paftieúlareu de Ia Europa y dd la America, de origan ibera y ro- 
ba8t?cidos por la tradicion oral de testigos oculares de lea hechos. Parit, 
1864, 2 Tols. —O 1» vol. Tae de 1810 a 1829. Este livro ee abre com o 
mappa topographico do porto de Montevideo « 

— Apuntes geogrofhico^déscriptivòs sobre el gran Chaco Gwilanibà. 
Rio de Janeiro, 1859* 

— A morte moral : Parki 1864, 4 volSé — Tem por titnlos : o 
1<* rol. Oeear ; 2* Antonieta ; 3^ Anniba!, e 4* Almeirinda. B' nma 
obra de grande mérito philoeophico, qde o autor começou a escrever na 
Earopa e veia concluir no Rio de Janeiro. 

-^A pupilla dos negros nagôs ou a fjrç% do eangue : drama original 
brasileiro em um prologo, três actos e um epilogo. Rio de Janeiro, 1870. 

— Esposa e mulher : romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1872. 

Além das obraa mencionadas Deodoro de Pascual escreveu muitos ar- 
tigos sobre diversos assumptos desde os 17 annos de idade — artigos que 
publicou em jornaes estrangeiros, como o /ris, o Sol^ o Agricultor, o 
ScKo dos dous mundoSf o Correio de Ultramar, publicados na Europa ; 
a revista phiiosopbica Sfiekina, de Nova York, e muitos outros, mesmo do 
Império, usando do paeudonymo Adadus Galpe muitas veies, e outras 
vezes subscrevendo seus artigos com um N ou um H. 

.Ajattonto Dias Feriraz da Uuz — Filho do eapitSo 
António Dias Ferraz e de dona Florentina Cândida Rodrigues da Luz, nas- 
ceu na Campanha, provinciade Minas Geraes, em 1820 ou 1821, e Mie- 
Cen a 17 de Janeiro de 1865. 

Doutor em medicina pela âtculdade do Rio de Janeiro, onde foi gra- 
duado em 1843, era dotado de uma bella intelligencia ; mas — como disse 
o tenente-coronel Bernardo Saturnino da Veiga no seu Almanach sul 
mineiro de Í8Z4 — o seu génio um pouco indolente excitava menos a 
ambiçlo de gloria e de posição, do que os prazeres da mocidade, dos 
quaes ás vezes era preciso arrancal-o para o conduzirem á imprensa ou 
á tribuna. 

Foi um dos mais esforçados propugnadores da divisfio da província de 
Minas Geraes, creando-se a provincia sul-mineira, sendo seus compa- 
nheiros neste empenho o doutor António Simplicio de Salles e Lourenço 
Xavier da Veiga, e escreveu : 

— Considerações geraes sobre o somno : disaertaçSo para o doutorado 
em medicina. Rio de Jannro, 1843. 

— > Necessidade e conveniência da divisão da provincia de Minas Ge^ 
TOes e creação da provincia sul-mineira — Sahiram em diversos orgios 
da imprensa diária de Minas e do Rio de Janeiro, em 1854 e 1855, muitos 
artigos do doutor Ferraz da Luz sobre este aasumpto. 

AjAtonio Dias Mourtins — Natural da provincia do Ceará 
e filho de António Dias Martina, depois de fiizer alguns estudos de hu- 



A.ÍÇ 151 

manidadea entrou para o commercio, e é actnalmente empregado &'am 
importante estabelecimento do BarSo de Ibiapaba. Com decidida paixão, 
porém, pelas lettras, e consagrando a ellas as folgas de seu trabalho, 
pertence a diversas associações litterarias, e tem pablicado em diversos 
periódicos muitos artigos, quer em proza, quer em verso, e além disto 
escreveu : 

— O Senador Francisco de Paula Pessoa ! traços biogtfaphicos por 
um amigo. Maranhão, 1880, 37 pags. in-8<> — Se fecha este opúsculo com 
alguns documentos comprobatórios. 

A.ntonio r>ua]:*te Hieite da Silva* — Nasceu na pro* 
vincia de Alagoas, e ahi habilitando-se com alguns estudos de prepara- 
tórios, deu-se na cidade do Pilar, da mesma província, á advocacia, e 
fundou um jornal, comprando uma pequena typographia para esse fim ; 
mas por causa de alguns artigos publicados, si me não engano, contra 
influencias do logar, não só lhe destruíram completamente a typo- 
graphia, fazendo-a mesmo desapparecer, como até tentaram Contra sub 
existência. 

Escreveu i 

— Cantos da mocidade : poesias. Maceió, 1869 «— B* um volume com 
quarenta e duas composições poéticas, dividido em dous livrei: o 1® 
é ofierecido a seu pae ; o 2^ a seu prestimoso amigo e professor de latim 
o padi'e M. Amâncio das Dores Chaves, se encerrando com doas poesias, 
ofierecidas ao autor, e duas cartas, contendo o juizo critico da obra^ do 
referido padre Amâncio e de P. E. A. A B3gunda destas poesias tem 
por titulo : Ultimo harpejo de uma lyra quebrada, fragmento de um 
romance inédito, por Ignacio de Barros, de quem occupar-me-hei. 

— Jornal do Pilar. Alagoas, 1873-1876 — E* um jornal politico, lit- 
terario e noticioso, de que foi proprietário e redactor, cessando sua 
publicação por causa das violências, que referi. Fundou e redigiu 
depois 

— Jornal do Commercio . Maceió, 1880 — Creio que pouca vida esta 
empreza teve. 

A.ntonio Duarte iNunes » Nasceu em Santa Catharina 
ou no Rio de Janeiro, pelo meiado do século 18<*, e seguiu a 
carreira das armas* Era tenente de artilharia^ e servia no regimento de 
bombeiros, quando escreveu : 

— Memoria do descobrimento é fundação da cidade de S, Sebastião 
do Rio de Janeiro -^ Esta obra se conservou em manuscripto desde 1799, 
e foi impressa ao cabo de quarenta annos, em 1839, na Revista do in- 
stituto histórico, vol. lo« pags. 123 a 228. Comprehende Uma relação dos 
governadores e dos bispos do Rio de Janeiro ; noticia» do desoobrimento» 



152 AJS 

fandaçSo da cidade e de cada ama das freguezias, etc. O BarSo de Santo 
Angelo faz menção desta obra, elogiando seu autor, no volume 20^ da 
mesma revista. 

— * Almanak histórico da cidade de S, Sebastvío do Rio de Janeiro^ 
1799 — Sahiu na mesma revista, tomo 21^, pags. 5 a 176. E' uma obra 
abundante de noticias de grande importância e interesse. Náo sei si foi 
publicado no tempo respectivo. 

A^ntonio !E]leuteirio de Oa«in.a«]rg*o — Natural da pro- 
yincia do Rio Granie do Sul e bicharei em sciencias pbysicas e matbe- 
maticaa, serviu no imperial corpo de engenheiros e tem desempenhado 
diversas commissõcs do governo imperial, quar de paz, quer de guerra. 
Foi eleito em diversas legislaturas deputado á assembléa de sua pro- 
vincia, e á assembléa geral na legislatura de 1878 a 1881» e na sub- 
sequente. 

Escreveu : 

— Quadro estatístico e geographco da provinda de S, Pedro do 
Rio Grand9 do Sul, organisado em virtude de ordem do presidente da 
mesma província — Porto Alegre, 1868, 188 pags. in-4.'» 

^ Carta tepographica da provinda de S, Pedro do Rio Grande do 
Sul^ confeccionada segundo os trabilhos officiaes existentes no archivo 
das obras publicas provi nciaO'), coucluida, etc. sob a direcção do bacharel 
António Eleute*io de Camargo, etc. 1868. 

— O Rio Grande do Sul na actualidade por Philopemen. Porto 
Alegre, 1866, 31 pags. in-^.« 

Ha mais algumas obras do doutor Camargo impressas, e mesmo iné- 
ditas, como 

— Notas para biographia do tenente^general Manoel Luiz Osório^ 
marquez do Herval. 1872 — Inédito, que foi apresentado á exposiçSo 
de historia do Brazil em 1881. 

— Biographia do conselheiro Manoel António Correia da Camará 
— Está publicada na Reoista do instituto histórico, tomo 40^, 1877, parte 
1% pags. 505 e seguintes. 

— Planta da parte do rio Uruguay compréhendida entre a barra 
do ri^ P&ssê^ fundo e a do rio Turvo, na qual se mostra a verdadeira 
posição do Kio Grande e as barras de seus principaes affluentes, inclusive 
a do Pepiri-guassu com pequena extensão de seu curso, etc.^ O archivo 
militar possuo duas cópias, sendo uma datada de Porto-Alegre 15 de 
Julho de 1867, e authenticada pelo doutor Camargo, aaquarella. 

A^ntonio !E]lisiai*io de M!ira«nda e Britto » Nas- 
ceu em Lisboa em 1796 e falleceu no Rio de Janeiro, sua pátria adoptiva, 
em 1858. 

Fez o curso de mathematícas em Lisboa, assentando praça no exercito 
como cadete, e vindo para o Brazil no posto de 2" tenente, aqui prestou re- 



-AlN 153 

levantes serviços dçsde a independência, para a qual collaborara, até sua 
morte — serviçoB, nSo só de guerra na provinda de Pernambuco, e na de 
S. Pedro do Sul, mas também de paz, como os de presidente e comman- 
dante das armas desta provincia, commandante das armas da do MaranhSo 
e outros. Era marechal do exercito ; membro do conselho supremo militar; 
presidente da commissSo de engenheiros, creada pelo decreto de 14 de 
setembro de 1850 ; commendadjr da ordem de S. Bento de Aviz, oficial da 
do Cruzeiro, e escreveu : 

— Discurso recitado no dia 27 de abril de i837 pelo brigadeiro gra- 
duado do exercito, presidente da directoria das obras publicas da provin- 
cia do Rio d > Janeiro, por occasiSo de se installar a mesma directoria. Rio 
de Janeiro, 1837, 27 pags. in-4.° 

— Descripção das fortificações do império do Brazil^ contendo o nu- 
mero de bocas de fogo que tèm guarnições correspondentes e gradua- 
ções próprias dos respactivos commandantes. Rio de Janeiro, 1841. 

— Exposição e projecto sobre a maneira de evitar a aggressão que 
os Índios selvagens costumam praticar em differentes pontos desta pro- 
vincia (MaranhSo) e que ao excellentissimo conselho da mesma provin- 
cia dirigiu o coronel e governador das armas, etc. Maranhão, 1829 — Ha 
uma cópia authentica, do instituto histórico, de 18 fls. 

Existem do general Miranda e Britto diversas plantas de fortalezas, e 
de pontos do Rio de Janeiro, e suas circumvisinhanças, como a 

— Planta da parte meridional do terreno pertencente d imperial 
fazenda de Santa Cruz em o tempo dos jesuítas — Possuia uma cópia 
desta planta o commendador António de Souza Ribeiro. O archivo militir 
possue outra a aquarella, de 1854. 

— Reconhecintento chronologico de parte da capitania do Rio de 
Janeiro para intelligencia do exame comparativo dos caminhos que do 
porto do rio Agaaçú vSo ao Rio Preto. Dezembro de 1821 — Existem dons 
exemplares no archivo militar. 

" Planta e nivelamento da parte da cidade do Rio de Janeiro, com- 
prehendida entre o campo da Acclamaçáo e os arsenaes de marinha 
e guerra, etc, 1852 — E' levantada com outros e existe cópia a aquarella 
no mesmo archivo. 

A-ntoiíio Sjniies de Souza — Filho de Sebastião José de 
Souza e d' dona Maria A. Eanes de Soaza, e nascido na cidade de S. 
Laiz do MaranhSo a Ô de maio de 1848, aos 5 annos do idade, orphão de 
pães, foi entregue a saa avó materna, que maniou-lhe ensinar as maté- 
rias da instrucção primaria e algumas da instrucção secundaria, e o 
destinou ao commereio, empregando-o n*um estabelecimento de fer- 
ragens que possuia . 

Depois de servir no commereio dos 14 a 18 annos de idade, nutrindo 
vocação para o estado das sciencias naturaes, foi á Europa em 1867, e pre- 
parou-se convenientemente para o curso da escola central de engenha- 



IBi AM 

ritt. LlçOed, pò^ém, qtiô ptjt cariosidadd otilrira, de Deláforse, de Gftit> 
dry, dé Deville, de Dankée na SafboanA, Ho muaea e nâ èseola dê mi« 
nas, o decidiram a dai'-B6, onvindo os mestres, a tae? estudos, antes 
do curso especlAl de engenharia, e isso fazia quando, pouco antes da 
^def ra ^anco-allemS, infelicidades, pesando sobfe sua família, o forO&f&m 
a Vit^ & pátria, dar um eórte em sua almejada calrrélra e tornar ao (iommercio 
até 1973. Voltando ao estudo das scienciai physicái^ baturaes d depois aos 
de engenharia de minas, se matriculou na mniversidade de lúi*ik, na Suissa, 
onde recebeu d gfau de doutor, apresentando uma dissertação l obteve 
ainda, depois dOs elanies necesáal-ios, carta de approvaçSo especial em 
geologia com a declaração de apto, tanto para ensinar esta disciplina em 
escola technica superior, como para fazer investigações trabalhando como 
geólogo; e, forte nos estudos feitos em lúrlk, dedicmdo-se aos estudos cs- 
peCiaes de minas, e metallut^gla na academia real de minas de Freyberg^ 
na Saxonia, obteve d diploma de engenheiro em minas, depois dos exames 
exigidos e de apresentar uma diseertaçSo, voltando então ao Braisil. 

No MaranhSo, de 1870 a 1873, instituiu conferencias publicas o com o 
doutor A: de A. Oliveií^a e outros fundoti a bíbliothecápopulaf ; é lente da 
seCçSo de minas da escola polytechnica ; membro da sociedade de scienciaa 
naturaes de lúrik, e da sociedade de chimica de Berlim, e escreveu : 

•^ Conferencias publicaê na província do Maranhão. Maranhão, 1871, 
2 opúsculos. 

^i-> Discurso sobre a organização da bibliotJiêca popular do Maranhão. 
Mafanhfto, 1871 — Anda com um discurso do ddUtor António de Almeida 
e Oliveira. 

— Relatório acerca da exposição maranhense de íêTí e i&t2» Mara*^ 
nhSo, 1872 e 1873, 2 yols. 

-• Dissertação ióbre oê amalgamas : these inaugui*ali Idrik, 1876 -^ 
E* toda escripta em allemão, para obtef O grau de doutof em sciencias pby* 
sicas e naturaes. 

•>- Dissertação sobre a mineração e metallutgia do ouro : these apre- 
sentada á academia real de minas de Freiberg (Sazonia) para obter ograa 
de engenheiro de minas, 1878 -^ B' também escripta em allemSo, mas 
não foi publicada. 

— Estudo completo sobre os trabalhos de Desmonti : these de concurso 
a uma cadeira do cUrsode minas da escola polytechuiea. Rio de Janeiro, 
1881 — Revela muita erudição do autor e assídua applicação a estudodi 
tanto theoricos como práticos, e mefece ter um logar na bibliotheca de 
todo engenheiro — diz o redactor da Rerista de engenharia. 

— O trabalho e a tida subterrânea^ Rio de Janeiro, 1880 *^ Sobre este 
assumpto f ?z o doutor Enneíl uma conferencia, occupando a tribuna Úaê 
dias 23 o 30 de outubro deste anno. Este escripto foi publicado depois 
pela Oazeta de Noticias, 

^ Natureza : poema — A Oazetinha publicou um fragmento, deste 
poema, a Divindade, 



AN 155 

— ' Os ftiètaeê : soldncia vnlgarisada -* Foi publicada esta obra nA Gãze- 
tiHha do Rio de Janeiro em 1881, raaa nXo foi conolnida a pablichção^ 

Ha diversos artigos seus sobre sciencias naturaes, questões sociaes e 
instrucçfio publica nos periódicos Paiz, Liberal e Publicador do Mara- 
nhSo, Republica do Rio de Janeiro até 18t3, e Provinciá de Sé Paulo em 
1876^ assim como rarios escriptds scientifitíos no BtélUtin da sociedade 
allemã de chimica, de i87& a 1880^ na Reffista trimensal da sooiedade 
de sciencias naturaes de lúrik, de 1874 a 1875, e finalmente uina serie 
de artigos sobre a instrucçSo siiperior, com i leias tíiilito importantes 
sobre a reforma das nossas academias, na Gazeta de Noticias em 1883. 

Tem ainda inéditos : 

^Estudos sobre a carta geológica e mineralógica do Brazií — O doutor 
Ennes de Souza fez pela imprensa uma declaração, de que voluntaria- 
mente tomava a si a empreza da carta geológica e mineralógica do Brazil, 
para o qual reunira matéria ^^s e observações, e emprehendera viagens, 
convidando aos que se interessassem pela prosperidade pátria para aúxi- 
lial-O) lhe mandando mineraes, e lhe commonicando suas observações 
especiaes sobre a natureza inorgânica. 

— A mineração e metallurgia do ferro, O que ellas sSo na AUema- 
nha e na Bélgica e seu estado nas províncias de S . Paulo e Minas-Ge- 
raes* Estudo especial sobre a fabrica de ferro de Ypanema, 1880. 

•^ Memorial sobre a mineralogia no muzeu nacional^ apresentado 
M senhor conselheiro Saraiva, presidente do conselho de ministros, 1880. 

— A propósito dos estudos sobre os portos do Brasil, especialmente 
do Maranhão d tíéarâ. 1881. 

— Estudo physico e chimico sobre o meteorito cahldo etn 1880 no 
Itapicurú-mirim, MaranhSo, e que se acha no museu nàcionsll. 1881 • 

ii- Estudo chimico e industrial sobre o carvão de pedra da Ohapada, 
provinda do Maratlhfio. 188 L 
-i Memoria Sobre ós terrenos do Rio dé Janeiro. 1881. 

— Os terrenos auriferos de Cantagallo. 1881 . 

António JÈ]pâ,nilnondLflàa de Mello -^ Natural de 
Pernambuco, filho do cotumendador António Joaquim de Mello, de quem 
occupar-me-hei adiante, e de dona Magdalena de Mello, e bacharel em 
sciencias sociáes e jaridicas pela faculdade de Olinda, representou sua 
província nsk 11», 12», 13» e 17» legislaturas. Não obtendo resposta 
de duas cartas que lhe dirigi, pedindo-lhe também na segunda aponta- 
mentos relativos a seu venerando pae, limito -me a dar noticia dos 
seguintes discursos, que publicou : 

— Fallencia do Banco do Brazil : discurso pronunciado na catíiara 
' dos deputados na sessão de 2 de maio de 1879. Rio de Janeiro, 1679, 20 

pags. in-8o — Defende o conselheiro Gansansão de Sinimbu, presidente 
do conselho de ministros, e do banco fallido. 



156 AJN 

^ Prerogativa da camará dos deputados : discurso pronaneiado na 
cimara dos depatados na sesaão de 29 de jalho de 1879, 19 pags. 
in-8.0 

A.iitonio fjStevâfO d.a Oosta e Ounlia. — E* nataral 
da província da Bahia, professor da 3* cad ira da iostracçSo primaria 
da fregu ^zia de Nossa Senhora da Ajada da ilha do Governador, e es- 
creven : 

'^Historia sagrada do antigo e novo testamento. Rio de Janeiro, 
1876. 

— * Novo methodo theorico e pratico de analyse sintatica para uso 
do imperial collegio de Pedro II e da escola normal da corte. Rio de 
Janeiro, 1874. 

— * Nova selecta dos antigos clássicos Bernardes, Frei Lniz de Souza, 
Rodrigues Lobo e Luiz de Gamões, seguida do programma para os exames 
de preparatórios. Rio de Janeiro, 1877. 

— Primeiro livro ou expositor da lingua muterna pelos professores 
Januário dos Santos Sabino e A . EstevSo da Gosta e Gunha, adoptado pelo 
governo para as escolas primarias da corte. Rio da Janeiro...—* Segunda 
edição, 1883. 

— Afemorta sobre as escolas normaes. Rio de Janeiro, 1878. 

— Grmmatica elementar portuguesa^ adaptada ao ensino das escolas 
da instrucção primaria, quer dos menores, quer dos adultos, e bem 
assim dos collegios, lycéos, escolas normaes e aulas preparatórias. Rio 
de Janeiro, 1880. 

— Manual do examinando portuguez. Pariz, 1883 — *E* um com- 
pendio das matérias indispensáveis para o estudo racional e methodico da 
lingua portugueza. 

/ — Viagem de uma parisiense ao Braxil : estudo e critica dos cos- 
amos por mad. Toussaint Simon. TraducçSo annotada. R o de Janeiro, 
1883 » Sahiu antes no Jornal do Commircio, 1883, ns. 73, 75, 80, 82, 
83 e84. 
Foi um dos directores da 

— Instrucção nacional : revista do pedagogia, sciencias e lettras 
coUaborada por professores e litteratos. Rio de Janeiro, 1874. 

A.ntonÍo Felioio dos Santos — Natural da provincia 
de Minas Geraes, fez o curso áà faculdade de medicina do Rio de Janeiro, 
onde recebeu o grau de doutor em 1863 ; exerceu a clinica, a principio 
na cidade de Diamantina, e depois na corte, instituindo uma casa de 
saúde, que mais tarde passou a outro ; representou sua provincia na 
camará temporária em duas legislaturas, e representada na legislatura 
actual ; e, antes de f ^rmar-se em medicina, foi alumno pensionista do 
hospital da misericórdia, interno, por concurso, de clinici medica da fa- 
culdade e interno da casa de saúde Nossa Senhora da Ajuda. 



AJS 157 

Escreveu : 

— Hypoemia intertrop'cal : dissertaç&o inaagnral . Rio de Janeiro, 
1863 — B* seguida de proposições sobr • os seguintes pontos: Da albumi- 
núria durante a prenhez. Arsénico. Qual a natureza e tratamento das 
urinas vul/armente chamadas leitosas na chyluria, e a razão de sua fre- 
quência nos paizes inter- tropicaes. 

— O beri-beri na provinda de Minas Geraes, Rio de Janeiro, 1874. 

» Da dismenorrhèa expoliativa : hypothese, apontamentos e obser- 
vações. Rio de Janeiro, 1876 — Foi lido este trabalho na primeira sessão 
da sociedade medica, e publicado no 3^ volume de sua revista. 

— Da acção abortiva do sulfato de quinino. Rio de Janeiro, 1874 
— Sahiu na mesma revista. 

'^ Applicação do galvano-caustico d cura radical da hydrocele. 
Rio de Janeiro, 1874 ~ Idem. 

'^Discurso pronunciado na camará dos senhores deputados na 
sessão de 22 de agosto de i882. Rio de Janeiro, 1882. 45pags. in-12 
-"Versa sobre assumptos da interesse á industria. 

António F*elia: Mairtins, BarSo de S. Feliz — Nasceu 
no Rio de Janeiro a 20 da novembro de 1812. 

Formado em medicina pela faculdade da corte, foi nomeado lenta 
substituto ia secçSo medica da mesma faculdade, e passando depois de 
alguns annos, com a reforma das academias em 1855, a lente cathedra- 
tico de pathologia geral, pediu e obteve jubilaçSo, tendo completado o 
temp) da exercício que a lei prescreve . Tem exercido diversos cargos, 
como os de vereador e de presidente da camará municipal do município 
neutro ; cirurgião da guarda nacional em que foi reformado com o posto 
de tenente ; inspector Io hospital marítimo de Santa Izabel de Jurujuba ; 
provedor de saúde do porto, e membro di junta centr d de hygiene publica. 

E' do conselho de sua m ge-itade o Imperador ; medico da imperial 
camará ; grão-mestre honorário do grande oriente unido do Brazil ; 
membro do conselho director da instrucção publica ; commendador da 
ordem da Roza e cavalleiro da de Christo ; membro honorário da io^perial 
academia de medicina ; sócio do instituto histórico e geographico ; sócio 
do conservatório dramático, do instituto dos pharmaceuticos, da socie- 
dade propagadora das bellas artes e de outras, e escreveu — além de 
diversos artigos nos Annaes brazilienses de medicina^ o seguinte : 

— Irrxabilidade e principio activo dos nervos i these para o con- 
cursD á cadeira de physiologia. Rio da Janeiro, 1843. 

— Memoria histórica dos acontecimentos notáveis da faculdade 
de medicina do Rio de Janeiro durante o anno de i857 . Rio de Ja- 
neiro, 1858 ^ Com vários mappas e documentos. 

^ Memoria histórica dos principaes acontecimentos da faculdade 
de medicina do Rio de Janeiro^ durante o anno de i858^ Rio de Janeiro, 
1859 — Idem. 



158 

— Compendio de patJiologia geral — Inédito. 

^Brene noticia biographioa dos treze membros da academia «m- 
perial de medicina^ que falleceram no período de 1850 a 1857, lida na 
sessão annaal de 1858 em presença de sua mageatade Imperial. Rio de 
Janeiro, 1858, 16 pags. in-4.« 

— Biographias dos fallecidos doutores Luiz Franoiseo Ferreira e 
João Maurioio Faivre^ recitadas em presença de sua magestade impe- 
rial na sesaSo publica da imperial academia de medicina em 1859. Rio 
de Janeiro, 1860 — Sahiu antes na Gazeta dos Hospitaes com muitos 
erros. 

— Elogio ao illustre hratileiro Evaristo Ferreira da Veiga — Sahiu 
no volume sob o titulo Honras fúnebres á saudosa memoria do illustre 
oidadio e perfeito maçon O.*. R.*. C*. Evaristo Ferreira da|Veiga, da 
parte da Aug. * . e Resp. - . L. - . Intg. * . Uio de Janeiro, 1837, com o 
retrato deste. Por esta occasiâo escreveu também um soneto qúeifoi reci- 
tado na sociedade Amante da instrucçãio a 12 de agosto, e vem no Flo^ 
rilegioda infância por J. JordSo. 

— Discurso que por occasiâo da solemnisação do primeiro anniver- 
sario da fundação da Aug. ' . L. * . Integ, * . Uag, ' , fez e recitou^a 
etc. Rio de Janeiro, 1837. 

— * Discurso sobre a caridade — Sahiu n'um opúsculo com o titulo 
Sessão solemne da installação da caixa municipal de beniBficencia 4o 
munieipio da corte a 29 de julho de 1860. Rio de Janeiro, 1860* 

— Discurso recitado na segunda sessão geral anniversaria da vene* 
ravel congregação de Santa Thereza de Jesus. Rio de Janeiro, 1864, 38 
page. in-12 —Se acham no mesmo opúsculo os discursos pronunciados 
na mesma occasiSe peia Baroneza de Gurupy e pelo doutor João Fernandes 
Tavares. 

— - Elogio fúnebre do Visconde de Inhaúma. Rio de Janeiro, 1870. 

^ Decorophobia : poema heroe-comico-sstyrico. Rio de Janeiro, 1880 
'^ Foi publicado sob o anonymo. 

O Barlo de S. Feliz tem dado i estampa diversas poesias na Mis- 
eellania poética, e possue inéditos diversos poemas^ odes, epistolas o 
outras composiç9es poéticas. 

.A^ntonio Fernandes F^igrueii*a> — Filho de Manoel Fer* 
nandes Figueira e de dona Genuina da Rocha Figueira, nasceu no Rio 
de Janeiro a 13 de junho de 1863. 

Recebendo em janeiro de 1881 o grau de bacharel em lettras, matriz 
eulou-se logo na faculdade de medicina ; é orador do instituto dos ba- 
charéis em lettras, membro da sociedade ensaios litterarios, e do grémio 
Castro Alves, e escreveu : 

— Adejos : poesias. Rio de Janeiro, 1880, 128 pags. in-8.o 

— Discurso, que pronunciou na sessão festival do grémio Castro Al- 
ves a 10 de junho de 1881 — Este discurso abre o livro < Homenagon do 



AN lã» 

grémio litter^rio Caatro Alves ao laureado poata bahianoi Rio de Janeiro, 
i2Si >, paga, 3 a 15. Segue ama poesia do mesmo autop em verão octo- 
syllabo. 

Ha em varias folhas do Rio de Jaoeipo poesiae suas como o soneto : 

— yirgem da miséria — no CruMeiro^ e d'ahi transoripto em outras 
folhas da provineia. 

António Fernandes dci fSilveirai — - Natural da pro- 
víncia de Bergipe e nascido no ultimo quartel do século 18^, foi pres- 
bytero do habito de S. Pedro, monsdnhor da eapella imperial, do conselho 
de sua magestade o Imperador, e commendador da ordem de Ghristo ; re« 
presentou sua província em diversas legislaturae, desde a primeira, em 
que foi também eleito pela província do Piauhy, e escreveu : 

— Resposta d carta escripta ao ministro do império Joaquim Vieira 
da Silva e Souza, peloe deputados António Fernandes da Silveira e Joa- 
quim Martins Fontes contra a administraçflo da província na presidên- 
cia do doutor Manoel Ribeiro da Silva Lisboa e seguida do relatório de 
todos os actos do governo da mesma província naquella presidência . Ba- 
hia, 1835, 205 pags. in-4.<» 

— Officio do monsenhor António Fernandes da Silveira sobre a exis- 
tência de preciosas minas de ferro e de um rio subterrâneo na província 
de Sergipe — Vem na Revistado instituto histórico, tomo 23<', pag. 129 e 
seguintes. 

António fí^ernandes Xiri^o de Ijonreiro -~ Filho 
do conselheiro Lourenço Trigo de Loureiro e de don i Umbelina Luiza 
Fernandes da Silva Loureiro, natural da província de Pernambuco, e 
ahi fallecido, fez na &culdade de direito desta província o respectivo 
curso, nella recebeu o grau de bacharel e escreveu : 

^- Manual de appellações e aggravos ou deducçao systematica dos 
princípios mais sólidos e necessários, relativos a essa matéria, funda- 
mentada nas leia do império do Brazil, Rio de JaDeiro, 1872. 

il^ntonio Er*eri*ão Monias — FJlho do Barão de Itapororòcas 
6 da Baroneza do mesmo tituloi nasceu na cidade da Bahia a 28 de dezem* 
bro de 1813. 

Partindo para França em 1825g ahi principiou a estudar humani- 
dade, que foi conoluir em Londres, para onde passara em 1827 ; e ma- 
trioulando-se no curso de sciencias naturaes e mathematicas da uni- 
versidade desta cidade em 1833, não recebeu o grau de doutor por nSo 
ter esta universidade o direito de conceder graus. Nas férias de 1831, 
saudades da família e da pátria o trouxeram a visitar seus pães, vol- 
tando depois a Londres, d*onde mais tarde fez uma excursSo pela França, 
Suiasa, AUemanha 9 Itália^ nfto continuando a visitar outros logares, 



160 A.N 

porque, fallecendo seu pai, foi obrigado a yir á Bahia, e tomar conta de 
unia pro;)ried Ae de assucar, engenho, casando-se então com dona Maria 
Adelaide Sodré. 

Cultor dedicado das lettras, pouco interesse tirando da lavoura, pas- 
sou a outro sua propriedade agricola, e vind3 para a capital da pro- 
víncia em 1859, foi nomealo director geral dos estudos, de cigo exer- 
cício passou para o de director da bibliotheca publica, tornando a exercer 
aquelle logar interinamente, na recent3 administração do BarSo Ho- 
mem de Mello, para o fim de elaborar um project > de reforma da in- 
etrucçSo publica, o que effectivamente fez, apresentando um projecto 
neste sentido. 

António Ferrão Moniz é commendador da ordem de Ghristo, e es- 
creveu : 

— Elementos de mnthematicas : Elementos de arithmetica, Ba- 
hia, 1858, 378 pag9. in-8» — Este livro é o primeiro de um curso com- 
pleto que tem escripto, mas que por motivos particulares não con- 
tinuou a publicar. A arithmetica é dividida em duas partes : 1^ 
parte, da formação dos números ; 2*, da comparação dos números. 
Tem em seguida um appendice, ou 3* parte, em que se trata da applicação 
da arithmetica ao commercio. 

— Reflexões sobre o projecto de lei apresentado pela comm>ssão 
encarregada da reforma da instrucçSo publica. Bahia, 1860, 144 pags. 
in-4.® -. Nesla obra o autor trata da reforma que reclama a instrucção 
com tanta proficiência que foi pelo governo provincial incumbido de 
um trabalho neste sentido e então apresentou o 

'^Projecto de reforma da instrucção na Bahia, Bahia, 1879 — E' 
uma reproducçSo p^r outros termos das ideias já manifestadas no escripto 
precedente . 

— Catalogo geral das obras de seiencias e litteratura que con- 
tém a bibliotheca publica da provincia da Bahia. 1» volume, Bahia, 
1878 — Este livro que traz na frente o retrato de dom Marcos de No- 
ronha Brito, Conde dos Arcos e fundador da bibliotheca publica da Bahia, 
contém como introducção do catalogo a classificação methodica e ency- 
clopedica de todos os conhecimentos humanos até á pagina 541, classifi- 
cação, por onde se pôde bem apreciar a vasta erudição de seu autor. 
Contém em seguidi uma Memoria da bibl'otheca púbica da provincia 
da Bahia, escripta pelo bacharel António Moniz Sodré de Aragão, filho 
do autor, e a este offerecida ; uma correspondência do Investigador portu- 
guez do mez de março de 1812 ; a biogra:)hia de Francisco Agostinho 
Gomes por Francisco Primo de Souza e Aguiar, e três quadros desdobra^ 
veis da classificação de que se traia. 

— Trabalho da commissão da jun^a de lavoura sobre os meios de 
se faisr a estrada de ferro da Bahia ao Joaseiro, apresentado pelos 
membros da commissão Ant9nio Ferrão Moniz, José Joaquim de Oliveira 
Junqueira e Justino Nunes do Sento Sá. Bahia, 1852, 17 pags. in<^.« 



a:N 161 

A.iitoiiio Ferreira ITrançA, X^ — Filho de Joaquim Fer- 
r3Íra França ede doDa Anna Ignacia de Jesus França, nasceu na cidade 
da Bahia a 14 de janeiro de 1771 c falleceu na mesma cidade a 9 do março 
de 1848. 

Formado pela universidade de Coimbra em três faculdades — de medi- 
cina, de mathematicas e de philosophia — tâo brilhante inlelligencia 
sempre demonstrou, q ue obteve prémios em todos os exames dos três cursos ; 
o celebre professor de mathemalicas José Monteiro da Rocha abriu 
somente para elle uica aula de astronomia ; foi-lhe offerecida uma cadeira 
na universidade, que não aceitou, declarando que seus seryiços perten- 
ciam de direito ao Brazil ; e chegando á pátria, foi logo nomeado lente 
de geometria, depois lento cathedratico da escola de medicina, e final- 
mente lente de grego no lyceu. 

Foi deputado á constituinte brazileira, e em ires legislaturas subse- 
quentes, tendo a gloria de sentar-se na camará entre dous filhos seus, 
Gornelio Ferreira França e Ernesto Ferreira França ; e mais de uma yez, 
quando este, de imaginação ardente, de ideias liberalissimas, se exaltava 
na tribuna, puxando-lhe pela aba da casaca, lhe dizia: cPrudencia, senhor 
Ernesto ! » E o moço sorria e se continha, entretanto que elle discutia 
com a maior franqueza e colagem sam tem^^r as consequências de suas 
palavras, como na câmara mostrou quando, accusando energicamente o 
ministro da guerra, foi duas vezes interrompido por apupos e ameaças que 
lhe atiravam muitos militares das galerias, e duas vezes com a mais fria 
coragem, com esmagadora indifférença, repetiu a accusação. 

Já dessa coragem dora o doutor França provas, quando, travada a guerra 
entre as forças do general Madeira e os bahianos em 1822, entregue a 
capital da Bahia áquellas, e estes se retirando para o recôncavo, elle, 
qu) era vereador da camará, e claramente dedicado á independência, 
nunca abandonou seu posto. 

Foi medico de sua magestade o senhor dom Pedro I ; foi notável por sua 
franqueza de s?ntimentos, por sua independência de caracter, e origina- 
lidade até no trajar, pois vestia roupas que serviriam bem em homens 
muito mais altos e gordos, e só uma vez fazia o laço de sua gravata, e 
era quando a comprava, para depois enfial-a pela cabeça. Foi verdadeiro 
philosopho e sábio, e entretanto uada escreveu além de suas 

— Prelecções de geome'ria — com que leccionava a seus alumnos. Estas 
prelecções nSo foram impressas, nem sei quem as possuo hoje. Entre ellas 
ha uma da origem dos signaes da numeração, cm que o autor mostra a ma- 
neira por que se começou a representar os números no algarismo romano, 
como no commum, assumpto que, verdade é, vem mencionado na Língua 
dos cálculos de Condiilac, mas que este não descreveu, nem explicou. 

O d3Utor França apresentou á assembléa muitos projectos de grande 
alcance, e também pareceres, como 

— Projecto da união das províncias por federação — cuja conveniencio 

firmara seu autor, sobretudo, na grande extensSo do território brazileira. 

11 



«^ Projecto óreando um congre$so onde sejam decididas as questões 
entre as nações ^^E' am projecto semelhante ao do abbade de Saint Pierre, 
ha mais de um século, de am tribunal supremo das nações com o fim do 
assegurar entre si uma paz perpetua. 

^ Projecto abolindo o celibato clerical — que foi causa de uma pole- 
mica entre o padre Feijó e o padre Luiz Gonsalve^ dos Santos, e sobre o 
qual escreveram outras pennas, como a do arcebispo dom Romualdo. 

-^ Projecto declarando livres os que nascessem de ventre escravo 
no Brazil — apresentado na sessSo de 15 de jolho de 1837, com o qual 
já nSo haveria hoje escravidão no império. 

•— Projecte abolindo a pena de morte — apresentado por occasiâk) da 
discussão do código criminal, a 6 de maio de 1890. 

•— Parecer sobre as medidas preventivas e de momento contra a 
cólera mor&u^-^Vem reproduzido no Semanário de saúde publica, tomo 2« 
pag. 399. E' um parecer em separado, que dera em agosto de 1832, na qua- 
lidade de membro da coramissão de saúde publica. Este trabalho, como todos 
os discursos do doutor França, pecca pela sua grande concisão. Para se 
avaliar quanto era conciso o doutor França, citarei o seguint*) facto, que o 
doutor J. M. de Macedo refere no seu Anno bíographico, tomo 29 
pág. 311 : 

« Um deputado atacava por inútil e onerosa para o thesouro a creaçSe 
de uma aula de grego. O doutor França, tomando a palavra, e obtendo li- 
cença do presidente para fazer uma pergunta áquelle deputado que 
acabava de sentar-se, perguntou : 

< V, Ex. sabe ou em algum tempo estudou e procurou saber alingua 
grega? 

< Não, respondeu-lhe o collega . 

« Senhor presidente, disse o doutor França, tenho respondido ao nobre 
deputado. E sentou-se no meio da hilaridade da camará, que approvou em 
seguida a creação da aula de grego. > 

Diz-se que, quando pretendera ser medico de dom Pedro I, lhe dirigira 
n*uma folha de papel a seguinte petição : 

€ Quererá vossa magestade me nomear seu medico ? > O imperador leu 
• escreveu — Não ; mas logo depois dera-lho a nomeação. 

A^ntonio Ferreira Firança, í3o— Filho ái precedente e de 
dona Anna da Costa Barradas, natural da Bahia e doutor em medicina 
pela fjwuldade de Paris, foi nomeado oppositor da secção cirúrgica da 
faculdade da corte em 1855, substituto em 1857, e em 1859 lente cathe- 
dratico de pathologia externa, em que foi jubilado em junho de 1881. 

E' um dos mais notáveis operadores brazileiros ; serviu muitos annos- 
como cirurgião do hospital geral da santa casa de misericórdia ; é cavai- 
leiro da imperial ordem da Roza ; m >mbro titular da imperial academia 
de medicina, e escreveu : 

*• Do diagnostico dos tumores da região amllar : these por oc- 



AN 103 

cmíSo do concurso ao logar de oppoaitor da secçSo de scieneias cirurgieaa. 
Rio de Janeiro, 1855. 

'^ Dos aneurismas externos em geral: these apresentada á facul- 
dade de medicina do Rio de Janei ro para o concurso a um logar de lente 
substituto da secçSo de sciencias cirúrgicas. Rio de Janeiro, 1857. 

— Programma do curso de pathologia eosterna da faculdade de me^ 
dicina do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1871. 

— Elementos de pathologia externa. Rio de Janeiro, 1879, 579 pags. 
in-8^ » Este livro foi escripto para compendio da aula regida pelo autor. 

Foi um dos redactores dos 

— Annaes brazilienses de medicina — revista que está no 429 ânno de 
existência, começando em 1835 com o titulo de Revista medica flu^ 
minense. 

António Ferreira de Hiara F*ema«nde0 —Nas- 
ceu na cidade de Angra dos Reis, província do Rio de Janeiro, a 26 de 
novembro de 1832, sendo seus pães o tenente-coronel Bento José Fer- 
nandes e dona Maria Luiza de Souza Fernandes. 

Depois de ter exercido o logar de corretor de fundos da praça do Rio 
de Janeiro, foi nomeado collector das rendas geraes e provinciaes do mn- 
nicipio de Mangaratiba em 1862, e deste termo removido com igual 
exercicio para a coUectoria da cidade de Barra Mansa em 1877. E' com- 
mendador da ordom da Roza e escreveu: 

— Imposto sobre os vencimentos. Decreto n. 3977 de Í2 de outubro 
de 1867 y que regula a cobrança do imposto de 3 o/o sobre os vencimentos, 
com todas as circulares, avisos, instrucções, portarias e modelos, nSo só 
do governo geral, mas também do provincial que têm havido até hoje. 
GoUeccionado, etc. Rio de Janeiro, 186S, in-8.o 

António Ferreira* Mendes — Vivia nos primeiros annos 
do século XVIIl. Era presbytero do habito de S. Pedro, varfio de intel- 
ligencia vasta e esclarecida o cultivou com esmero a poesia, vindo seu 
nome, por este motivo, contemplado no Musaico poético de Emílio Adet e 
J. Norberto de Souza e Silva, publicado no Rio de Janeiro em 1844. Nâo 
conheço, porém, as composições, que publicou e foram poucas, porque 
seu autor as conservava inéditas. Das publicadas apenas conheço diversas 

— Poesias consagradas a D. João V, rei de Portugal •— Vem no 
livro mencionado. 

António Ferreira Pinto — Natural da cidade do Rio de 
Janeiro, nasceu, segundo me parece, pelo anno de 1826 ou 1827 e falleceu 
a 22 de dezembro de 1864. 

Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, cujo grau rece- 
bera em 1849, entrou em 1855 para um ogar de oppositor, e depois de 
substituto da secçSo medica da mesma faculdade. Talento robusto, n&o nó 



1Í4 AN 

lecclonavft hygiend na facaldade, e philosophia em estabelecimentos do 
instrucçSo secundaria, se aio um destos o extincto lycau dos religiosos 
carmelitas, como, abrindo ama banca para escrever theses, escrevia ao 
mesmo tempo sobre diversos pontos e assumptos da sciencia trabalhos, 
que figuram hoje sob diversos nomes. Era cavalleiro da ordem de Chris- 
to, sócio do gymnasio braziieiro, etc. B ^creveu : 

— Breves considerações sobre a anesthesia durante o parto : these 
inaugural. Rio de Janeiro, 1849. 

— Discurso recitado na escola de medicina desta corte no dia 20 de de- 
zembro por occ^r^id^o da collação do grau de doutor em medicina — «Vom 
nos Annaes brazilienses de medicina, tomo òt^, pags. 02 a 67. 

^^Os tubérculos pulmonares e sua frequência no municipio do Rio de 
Janeiro. Proposições sobre os diversos ramos das sciencias medicas: 
these apresentada por occasião do concurso aos legares d<) opposito- 
res da secção medica em agosto de 1855. Rio de Janeiro, 1855. 

» Algumas palavras sobre a albuminúria. Proposições sobre todas 
as sciencias que compõem o curso de medicina da faculiade do Rio de Ja- 
neiro : these de concurso para o logar de substituto da secção meiica. 
Rio de Janeiro, 1858. 

— O medico da primeira infância ou o conselheiro da mulher gravida, 
6 hygiene da primeira in&ncia. Rio de Janeiro, 1860 — Este volume é 
seguido de um appendica, em que se trata da prime.ira dentição, da 
yaccina e da educação moral da primeira infância, e de um formulário. 

^ Memoria histórica dos acontecimentos da faculdade de medicina 
do Rio de Janeiro, succedidos durante o anno de ÍSôO^ÍSôí. Rio de Ja- 
neiro, 1861. 

A.iitoiiio F*eri*éii*ai dos Sa/Utos Oaipirun^ai — 

Irmão de João Gualberto Ferreira dos Santos Róis e de Ladislau dos San- 
tos Titara, dos quaes farei menção opportunamente, nasceu na província 
da Bahia pelo anno de 1790. 

Foi muito versado na lingua latina que hccionou muitos annos, poeta 
muito estimado, como seus dòus irmãos, e como elles prestou serviços á 
causa da independência. Escreveu muitsks poasias, de qua publicou algu- 
mas em diversos jornaes, e o volume 

""Poesias, Bahia, 18**^- E* um livro, onde se acham enfeixa las muitas 
de suas composiçÕ3s poéticas. Sei que deixara inéditas grande numero 
delias. Das compo3ÍçÕ33 soltas ha o seu 

^Disfarce poético ^^ no Musaico da Bahia, 1846, pags. 163 e 164. 

A.ntonio Ii^eirreira Víaxíiia — E' natural da provinda do 
Rio Grande do Sul, onde nasceu a 11 de maio de 1834, doutor em direito 
pela faculdade de S. Paulo, director geral das aulas municipaes, advogado 
dos auditório? da corte, e sócio do instituto da ordem dos advogados brazi-> 
leiros. Representou a corte e a província do Rio de Janeiro na camará 



A.N 165 

temporária nas legislataras de 1869 a 1877 e na primeira feita pela elei- 
çSo directa. 
Escreveu : 

— A fusão, S. Paulo, 1859, 34 pags. in-8.o 

— Theses apresentadas d faculdade de direito de S, Paulo para a 
obtenção do grau de doutor. S. Paulo, 1856. 

— Defesa do doutor Francisco Carlos da Luz^ director do estabe- 
lecimento pyrotechnico do Campinho, perante o coneelko de guerra e con- 
selho supremo militar. Rio de Janeiro, 1864 — Versa es^a defesa sobre 
factos praticados pelo doutor Luz na necessidade de manter a ordem e 
disciplina do estabelecimento. 

— Attentado praticado na rua dos Barbonos pelo bacharel Raymundo 
Martiniano Alves de Souza e seus cúmplices. Rio de Janeiro, 1867 — 
Ref3re-se este volume ao rapto de uma senhora respeitável porsuaedade 
c posição, agarrada ao sahir de casa e mettida n'um carro, adrede prepa- 
rado para isto. 

— Biograph-a de José Bon' facto de Andradae Silva — - Sahiu na Gale- 
ria dos brazileiro? illuetres, tomo 1.^ 

— Biographia do doutor Gabriel José Rodrigues dos Santos — 
Idem. 

— Biographia de Angelo Moniz da Silva Ferraz — Idem, tomo 2.o 

— Conferencia dos ffivinos. Rio de Janeiro^ 1867, in-12o — Sahiu sob o 
anonymo. Apoz esta publicação appareceu em resposta outra com 

titulo de Conferencia dos humanos, também sob o anonymo, que 
é uma sátira ferina contra o doutor Ferreira Vianna, já entSo conhecido 
como autor da primeira. 

— Conferencia radical. Terceira sessão. Discurso sobre a abolição da 
guarda nacional. Rio de Janeiro, 1869, in-4.o 

— Discurso pronunciado na camará dos senhores deputados em sessSo 
de 10 de junho de 1869 por occasião da discussão dos artigos additi- 
vos ao projecto da lei de orçamento. Rio de Janeiro, 1869, 28 
pags. in-8.0 

— Discurso proferido na camará dos senhores deputados em sessão de 
31 de maio na discussão da resposta á falia do throno. Rio de Janeiro, 
1871, 44 pags. in-8.o 

— Ao distincto parlamentar Paulino José Soares de Souza^ etc. offe- • 
reco o deputado do 2f^ districto doutor António Ferreira Vianna (Discurso 
da sessSo de 30 de janeiro). Rio de Janeiro, 1873, in-12. 

Ainda existem impressos em avulso alguns de seus discursos parlamen- 
tares, como os das sessSes de 4 d ) março e 2 de junho de 1874, os de 18, 
19 e 20 de março de 1875 sobre o orçamento do ministério da guerra ; os 
de 5, 7 e 10 do abril de 1875 sobre o orçamento do ministério da fa- 
zenda, etc. 

— Discursos proferidos no supremo tribunal de justiça na sessSo de 

1 de junho de 1874 pelos excellentissimos senhores conselheiro Zacariss 



de Qoos e Vascoioellos e doator António Ferreira Vianna por oeeasíão 
do julgamento do senhor dom António de Macedo Costa, bispo doPará^ 
precedidos da accusaçSo feita pelo procarador da justiça, dom Francisco 
Balthasar da Silroira. Rio de Janeiro, 1^74, 102 paga. in-8.* 

— Regulamento para as escolas tnunicipaes. Rio de Janeiro, 1872, 
7 pags. in-4o — Este regulamento o autor escreveu na qualidade de presi- 
dente das escolas. 

'^Carta circular do doutor António Ferreira Vianna. Rio de Janeiro, 
1878, 15 pags. in-8<> ^ Versa sobre sua candidatura á representação na- 
cional. 

«- Libellos politicos, I. Synthese. Rio de Janeiro, 1878, 118 pags. 
tn-l&». 

O doutor Ferreira Vianna redigiu o Diário do Rio. Rio de Janeiro, 
1868-1869. 



Ty, A.iitoiito F*ei*]reii*a; Viçoaso, Conde da ConceiçAo, e 
Bispo dí3 Marianna -* Filho de Jacintho Ferreira Viçozo, por antonomásia 
o manso por causa de sua notavol e singular brandura, nasceu na viila 
de Peniche, em Portugal, a 13 de maio de 1787, e falleceu em sua dio- 
cese a 7 de julho de 1875. 

Sendo seu pai protector do convento de carmelitas de Olhalvo, perto 
de Peniche, foi o menino António aos nove annos de idade entregue ao 
respectivo prior, que o aperfeiçoou nas matérias da instrucçâo primaria, 
e lhe ensinou os primeiros estudos de humanidades, os quaes foram con- 
oluidos no seminário de Santarém. D'ahi passou para a congregaçSo dA 
missão, onde cantou sua primeira missa a 8 de maio de 1818, sendo logo 
nomeado lente de philosophia na referida congregação. 

Vindo para o Rio de Janeiro um anno depois para ser empregado nas 
mi8s9es do Brazil , foi designado para seguir para Minas Geraes, onde 
desde entSo até o dia de sua morte levou por toda a parte a fama de 
suas virtudes, e dos seus feitos no serviço da religião. Pouco tempo, po« 
rém, depoÍ3 de sua chegada ao Brazil, fora eleito superior da congre- 
gaçSo, logar que só deixou em 1844 por ter de assumir o cargo de bispo 
de Marianna, para o qual fora nomeado a 7 de janeiro do anno prece- 
dente, e desta época em diante mais incansável ainda se mostrou elld 
no serviço da igreja. Fez em sua diocese as mais salutares reformas e 
instituições, como a do seminário episcopal ; já pregando muito, antes de 
ser bispo, desde que entrou em Marianna, pregava todos os domingos e 
dias santificados na cathedral, sendo ahi sempre enorme a concurrencia 
dos que iam ouvil-o no seu estylo simples, mas grave e tocante, e só não 
comparecia A cathedral em taes dias, quando andava em visitas diocesa* 
nas, que elle fazia muitas vezes, sempre em predica, de modo, que 
nenhuma igreja ou capella houve sob sua jurisdicção, onde elle se não 
fizesse ouvir. Quasi diariamente subia ao púlpito ; e muitos dias subiu 
duâi, e até tpes veies I 



.AJN 167 

Escrevea : 

— Pastoral (datada de 5 de mato de i844), Marianna, 1844— Vem 
transcripta na obra € Vida do ex."« e roT."»® aeiíhor dom António Fer- 
reira Viçozo, bispo de Marianna, pelo padre Silvério Gomes Pimenta », 
pag-B. 95 a 107. (Yeja-se Silvério Gomes Pimenta.) 

— Pastoral annvtnciando sua visita aos povos da diocòflo. Marianna, 
1845, 1 fl. in-folio. 

— Edital instruindo os fieis afim de receberem com as necessárias 
disposições o sacramento da chrisma. Marianna, 1847. 

— Duas circulares^ pedindo auxilio para obras pias, e para o estabele- 
cimento de missSes [perpotuas. Marianna, 1849 e 1864, 1 fl. cada uma, 
in- folio. 

— Pastoral dada aos Í6 de janeiro de i865. Marianna, 1865, 1 fl. 
in- folio . 

— Pastoral concedendo indulgências aos que honrarem a Santa Vir- 
gem com orações no mez de maio. Marianna, 1871, 1 fl. in-folio. 

— Pastoral premunindo os seus diocesanos contra os folhetos tm- 
pios e a sociedade maçónica, Marianna, 1872, 4 pags. in-4.<^ 

— Pastoral publicando o breve Quamquam dolores — Vem no ÁppS" 
tolo de 24 de agosto de i873. 

— Pastoral premunindo seus diocesanos contra as ciladas da mof 
çonaria — Idem de 4 de março de 1874. 

— Pastoral sobre a abolição do artigo 5* da constituição do império 
— Idem de 14 de maio de 1874. 

— Acto da consagração da diocese de Marianna ao Santissimo Co- 
ração de Jesus : pastoral, recommendando esta consagração. Marianna, 
1876, 1 fl. in-folio. 

— Regulamento para o seminário episcopal de Marianna, dado em 
janeiro de 1845 — Vem na citada obra de pag. 131 em diante. 

De seus sermões que se conservam inéditos, citarei os segnintes, de 
que na mesma obra do padre Silvério se faz menção : 

^- Sermões sobre os mistérios da paixlo de Nosso Senhor Jesus 
Christo. 

— Sermões sobre as dores de Maria <Santt>«ínia — Nestes se rmSes, 
principalmente, eleva-se dom António Viçozo com tão arrebatadora elo- 
quência, que mais alto nSo é possível, segundo a expressão de seu illus- 
trado biographo. 

— Sermão sobre o vicio da incontinência e da mancebia, pregado na 
povoação do Itatiaya cm 1854 — Depois deste sermão, de cincoenta indivi- 
dues que ahi viviam em concubinato, quarenta e nove se casaram. Um 
apenas, que não se casara logo, foi procural-o, tomado de vergonha com 
sua companheira, na retirada do bispo, para receber deste .a benção nu- 
pcial ! 



168 AJV 

— O Romano : miseelania dogmática, moral, ascética e histórica. Ma- 
rianna, 1851-1852 — Dom António Viçozo teve por companheiro na publi- 
cação da Miseelania o padre Luiz António Gonçalves, depois bispo do Ceará. 

António Florêncio Peireiíra» do ILia^o — Nascea 
em 1827 na província do Rio Grande do Sul. E* bacharel em sciencias 
physicas e mathematicas e major do corpo de estado maior de primeira 
classe ; tem exercido diversas commissões, quer do ministério da guerra, 
quer do da agricultura, sendo por ordem do governo e fundador da coló- 
nia do alto Uruguay ; ó official da ordem da Roza, cavalleiro da do Christo 
e da de S . Bento de Aviz; condecora lo com a medalha da campanha do 
Uruguay de 1851, e com a da guerra do Paraguay, e escreveu, além de 
outros trabalhos officiaes : 

-» Relatório dos estudos da commissão exploradora dos rios Tocaví" 
tins e Âraguaya. Rio de Janeiro, 1876, in-8o gr. 

— Planta topographica di cidade do Desterro^ levantada pelos enge- 
nheiros major António Florêncio Pereira do Lago, Carlos Arthur Schla- 
pal. 1876—- Lythographada no archivo militar. 

A.iitoiiio F*oi*tuiia>to de Brito — Filho do conselheiro 
José Fortunato de Brito Abreu Souza e Menezes e de dona Anna Dorothêa 
Gonaalves de Brito Menezes, nasceu no Rio de Janeiro a 13 de junho de 
1828, e falleceu a 17 de julho de 1863. 

Doutor em medicina pela faculdade da corte, de uma intelligencia vi- 
gorosa, palavra fácil e elegante, era grato ouvil-o sobre qualquer das scien- 
cias que conhecia. Uma vez, sendo estudante, fizera elle um discurso so- 
bre uma questSo de philosophia ; e o venerando frdi Monte Alvorne, que 
por acaso ouvira-o, já cego, p3iindo*que o guiass3m ao joven philosophoy 
nSo só abraçou-o, como beijou- Ih? a face. Era moço fidalgo com eiierci- 
cio da casa imperial ; sócio do conservatório dramático, da sociedade 
amante da instrucção ede diversas associações litterarias e bdnefícjnte}, 
e escreveu : 

^ Poesias diversas — Infelizmente nunca foram ellas colleccionadas, 
e poucas foram as publicadas, sob o anonymo. Existem inéditas em poder 
dos irmfios do antor, e são pela maior parte em estylo humoristico. 

^ Três iheses em sciencias accessorias^ cirúrgicas e medicas, apre- 
s'intadas e sustentadas peranto a faculdade de medicina, ete. Rio de Ja- 
neiro, 1850 — Duas destas theses são escriptas em proposições ; em dis- 
sertação ó a terceira, isto ó : Primeiras linhis ái topographia da cidade 
do Rio de Janeiro, sua elevação sobre o nivel do mar, exposição, natureza 
do terreno, temperatura, meteorologia, hyg.^ometria, aguas, quo influen- 
cia tem tudo isto sobre a saúde da população. 

Ha um opúsculo do doutor António Fortunato com o titulo : 

— Duas palavras sobre uma amputação. Rio de Janeiro*- Foi oscripto 
por occasião de uma desharmonia que teve coiu um coUega. 



/ 



AJN 109 

Ajttonio Firanoisoo A.]rêa«s — Natural da proyincia do 
Rio Grande do Norte, presbytero aecalar do habito de S. Pedro e capellSo 
da armada, serviu na companhia de aprendizes marinheiros de sua pro- 
vincia e manifastou-so na dioceso de Olinda, á qual pertencia, em oppo- 
bíçSo ás ideias do respectivo bispo por occasiiLo da questão religiosa, es- 
crevendo : 

— O Evangelho de Cfiristo perante a egreja dos papas. Recife, 1875 
— Esta obra trouxe ao padre Arêas a suspenaSo de suas ordens, como era 
de esperar-se. 

António It^x-aiiioisoo de A.ssis Ooes — Natural da ci- 
daie de Marianni, província de Minas Geraes, teve a infelicidade, ao 
fEkzer uso da razão, de nSo conhecer seus pães, de moio que toda sua edu- 
cação correu po r conta da municipalidade, e de algumas almas bemfaz^jas 
que o fizeram estudar as aulas de humanidades no seminário episcopal e 
n*um collegio particular. 

A morte de um seu protector, quando se dispunha a entrar para o semi- 
nário maior, levou-o a se apresentar ao concurso á uma cadeira da ins- 
trucçâo primaria em 1857. Em 1869, porém, pedindo demissão do magis« 
terio publico, veiu para o Rio de Janeiro, e continuou no magistério par- 
ticular, ora como simples professor de gi-ammatica portugueza e latina, 
ora como director de collegjos, demorando-se mais tempo em Petrópolis. 
Mas, encommodos de saúde o determinaram a voltar á sua província, e en- 
tão« sempre dedicado á educação da mociiade, fundou e dirige o externato 
Santo António em Leopoldina, tendo escripto : 

— Epitome da geographia e historia do império do Brazil, Petró- 
polis, 1872, iu-S.» 

— Compendio de rhetorica — Inédito. O autor não o tem dado ao 
prelo á falta de recursos. 

— Coinpendio de grammatica nacional'^ Idem. Na imprensa periódi- 
ca de Petrópolis se publicaram alguns trabalhos de Assis Góes sobre a 
instrucção publica, sobre a guerra do Paraguay e sobre politica. 

António F*iTaiiioisco Ouarte — Filho legitimo de Joa- 
quim Francisco Duarte, nasceu cm Pernambuco a 18 de janeiro de 1840; 
estudou todo curso de artilharia da academia militar ; assentando praça 
em 1859, foi promovido a segundo-tenente em 1864, a prime! ro-tenento 
em 1867 e a cipitão em 1868 ; esteve na Europa em commissáo do go- 
verno e alli se acha actualmente ; foi instructor o professor do deposito 
de aprendizes artilheiros ; serviu na secção de trabalhos graphicos o de 
deposito do archivo militar ; ó membro adjunto, servindo de secretario 
da commissão do melhoramentos do material de guerra, cavalleiro da or- 
dem da Roza, e da de S. Bento de Aviz, e escreveu : 

— Geometria pratica . Rio de Janeiro, 1871. 



1 



170 

— Manual do aprendiz artilheiro, approvado pela commissSo de me- 
lhoramentos do material do exercito para ansino dos corpos de artilharia 
e do d'^po8Íto de aprendizes artilheiros por aviso do ministério da guerra 
de 21 de setembro de 1870. Rio de Janeiro, 1870, com 97 figuras em oito 
folhas desdobráveis . 

— Manual do soldado de infantaria, oxtensivo ao soldado de artilha- 
ria e de cayallaria. Rio de Janeiro, 1872, com diversas figuras, etc. 

António Firancisoo I>utiTa. e Miello — Filho de An- 
tónio Franciscp Dutra e Mello e de dona Antónia Roza de Jesus Dutra, 
nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 8 de agosto de 1823 e falleceu a 22 
dl fevereiro de 1846. 

Com poucos annos de idade perdendo seu pai, e ficando extremamente 
pobre, pôde com os maiores aacrificios de sua triste mãi entrar em um 
collegio, e com tal applicaçSo estudou, que aos dezesete annos já 
sabia diversas linguas, e todas as matérias que entram n*um curso com- 
pleto de humanidades, e já leccionava algumas. AlguAs amigos entSo, 
entre elles o director do collegio, o animavam a matricular-se n*alguma 
das academias do império, cotizando-se elles para este fim ; mas 
Dutra e Mello nunca pôde annuir, porque, dizia elle, era preciso pe- 
dir ao trabalho diário, prompto e certo, embora penoso para suas for- 
ças, a subsistência do dia subsequente para sua mãi e seus irmãos me- 
nores. 

Quando de^cançava, ou tinha folga do seu trabalho, se dava ao cultivo 
da poesia. « Pallido e sempre meditabundo, suas poesias — disse o BarSo 
de Santo Angelo — parece que elle as escrevera já sentado no esquife ; 
ellas têm a còr do luto e o hálito da sepultura ; ha nellas um veu de 
tristeza, como a mortalha que o vestiu. » E com ofieito pouco viveu ; 
porém, na expressão do doutor L. F. da Veiga — a vida de Dutra e Mello 
€ que aos 23 annos morreu virgem (dizem-no todos), anjo, sábio e génio, 
foi um breve, mas preciozo curso de moral publica e privada. » 

Era sócio corrospond'ínte da sociedade polytochnica de Paris, e de di- 
versas associações scicntifícas e litterarias do império, e escreveu: 

— A noite d'í S, João no collegio de instrucção elementar ou col- 
lecçSo de charadas ofierocidas á mocidade estudioza, que o frequenta, 
por um professor e ex-discipulo do mesmo collegio. Rio de Janeiro, 1841, 
1842 e 1843. 3 vols. — Foram publicadas três annos consecutivos, con- 
tendo a 1* collecção cento e cinco eh iradas ; a 2* cento e quatro ; e a 3* 
cento e oito. Nesta época as charadas constituíam unf agradável entrete- 
nimento nos salões. 

— Novo curso pratico^ analy'ico, theorico e sinthetico da língua 
ingleza por Th. Robertson, traduzido e applicado á lingua portugneza 
por António Francisco Dutra o Mello e JoSo Maximiano Mafra : obra ado- 
ptada pelos professores George Gibson e Joseph Plaisant e ofiereeida á 
estudiosa mocidade brazileira* Rio de Janeiro, i842. 



A3Í 171 

— Ramalhete de flores offerecido ás jovens flaminenses. Rio de Ja- 
neiro, 1844 — E* um opúsculo contendo, além do prologo em proza e da 
dedicatória, uma invocação, o jardim de Flora, e cem dr^cimas com refe- 
rencia a cem espncieti de flores, no qual coUaborara José Manoel do 
Rozario. A Minerva brazileira publicou desta obra uma critica litteraria« 
assignada por L. O. O. E. com alguns extractos do livro. Nesta revista 
86 encontra de Dutra é Mello as composições seguintes : 

— Amor : inspiração poética^ offerecida a seu amigo Domingos G. 
Jardim Júnior — No n. 11, pag. 334. 

— Melancolia : inspiração poética, offerecida a seu amigo Santiago 
Nunes Ribeiro — N. 13, 1844, pag. 394. 

— Uma manhã na ilha dos Ferreiros, (5 de janeiro) dedicada a M. 
de Araújo Porto-alegre — N. 15, 1844, pag. 462. 

— O cometa cm i843 : inspiração poética — Idem, pag. 624. 

» A Moreninha : critica litteraria ao romance de J. M. de Ma- 
cedo — N. 24, 1844, pag. 747. Vem ainda precedendo a 5* ediçSo do ro- 
mance de igual titulo. 

— Os cedros do Libano — N. 3, 1845, pag. 49, tomo 3.° 

— Ilymno d Polónia : poesia por M. de La-Mennais, traduzida da 
proza franceza para o verso portuguez — N. 7, 1845, pag. 108, idem. 

» O mosteiro de Nossa Senhora de Monserrate do Rio de Janeiro, 
da ordem do patriarcha S. Bento. Com uma estampa — Idem, pag. 151. 

— Uma visão (proza em estylo apocalíptico) — Tomo 1®, serie 2», 
pag. 276. 

— A noite : inspiração poética — Idem, pags. 279 a 284. E maLs al- 
guns artigos de menos fôlego. 

— Collecção de poesias — Esta collecção foi feita por M. de Araújo 
Porto-alegre, que principiou a imprimil-a ; mas, tendo de ausentar-se 
da corte, ficou a impressão na folha 17^ e nunca se concluiu. O doutor 
L. F. da Veiga possuo a collecção que contém : A noite. Uma manhã 
na ilha dos Ferreiros. O cometa em 1843 (já publicados). Volta de 
Botafogo. O rapto. A nuvem da Gávea. A guerra. A opinião. O su- 
blime da temp 'stade. O génio nascente, dedicado a J. M. Mafra. O sino 
do coração. Deus. O meu anjo da guardi. A pátria. Uma palavra. 
Um vato. A independência do Brazil. Oração. O anjo das bênçãos. 
Botão de roza. A saudade. O vento. Meia noite. Uma lagrima de 
amor. Ode a dom A. de Saldanha da Gama, e mais uma ode. 

Inéditas deixou Dutra e Mello as obras seguintes : 

— Collecção de poesias — que o mesmo doutor Veiga possue, con- 
tendo : noventa e cinco sonetos, noventa motes glosados, vinte poesias 
em quadras, oito madrigaes, sete epigrammas, cinco epistolas, quatro 
cantigas, quatro peças poéticas em terceto, quatro odes, duas oitavas, 
duas lyras, uma inspiração, um idylio, uma poesia em quintilhas, a 
uma anacreontica, quasi todas datadas de 1838 a 1843. 



172 ^N 

— - Inspirações poéticas : coUecçSo de versos — onde se acham : O 
sentimentalismo. Sobre um sepulchro. A vingança, etc. 

— Meditações poéticas : collecç&o de verãos — contendo : A vida e a 
eternidade. A ventura. A ambição. A solidão. O amor (objecto tam- 
bém de uma inspiração). As paixões (também com o titulo A* Emilia : 
suspiro a minha amada). O somno. A melancolia : suspiro a um amigo 
ausente. A amizade. A philosophia. A verdade. A consciência. A 
morte. Deus. A religião. Abelleza. A opinião. A alma. A paciência. 
A sabeJoria. A guerra. 

— Discurso por occasião da inauguração da sociedade cultivadora 
da littfratura brasileira, 

•— A queda de um anjo — Creio que é um romance. E* um trabalho em 
prosa. 
'^Um demónio atrapalliador — Idem. 

— Historia c riiica da lingua latina — Desta obra dão noticia Januá- 
rio Matheus Fe rreira no Diário do Rio de Janeiro de 12 de março de 
1846, o doutor J. F. Sigaud no Annuario politico, histórico e estatistico 
áo Brazil de 1846 á pag. 478, o doutor J. Tito Nabuco de Araújo, e o 
doutor L. F. da Veiga que conheci todas as obras do autor. 

A^ntonio Frfefcnoiseo de ILiacex*<la — Fallecido, ha cerca 
de dez annos, portuguez, mas nataralisado brazileiro, exerceu a profissão 
commercial com um impsrtante estabelecimento de consignações na 
Bahia, sendo negociante matriculido, e escreveu : 

— Parecerdes uma commissão de negociantes sobre o meio depro^ 
mover a agricultura na Bahia^etc, Bahia, 1846, 19pags. in-8» — Assi- 
gnam também o parecer André Comber e João S. Gillmer. 

Aoitonio Friàiicisco <le Paula/ Holla<ii<lai Oa- 
"valeauti dle A.ll>u.<|.u.e]T<|.u.e, Visconde do Albuquerque —Filho 
do capitão- raór Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque e de 
dona Maria Rita do Albuquerque Mello, nasceu em Pernambuco a 21 de 
agosto de 1797 e falleceu no Rio de Janeiro a 14 de abril de 1863. 

Assentou praça no exercito aos doz anno3 de idade, sendo promovido a 
diversos postos até o de tenent^^coronel, em que se reformou em novem- 
bro de 1832 ; serviu em Moçambique como ajudante de ordens do gover- 
nador ; serviu em Macau, sendo nomeado lente da escola real de pilotos, 
e sargento-mór do batalhão do principo regente ; d*ahi vindo para o Bra- 
zil, serviu em Pernambuco em 1824 á causa da monarchia ; foi deputado 
por sua província em diversas legislaturas, e senador do império em 
1838 ; ministro da fazenda no gabinete de 4 de outubro de 1830 e no 
subsequente de 18 ie marçb de 1831 ; ministro do império e interinamente 
da fazenda no gabinete de 3 de agosto do 1832 ; ministro da marinha no 
de 24 de julho de 1840 (o primeiro do reinado de dom Pedro II), no de 2 
do janeiro de 1844, sendo interinamente da guerra, e no de 2 de maio de 



A.N 17S 

1846 ; e ânalmente ministro da fazenda no de 30 de maio de 1862, em 
ccrjo cargo fallecea. 

Era conselheiro do estado, gentil-homem da imperial camará ; ornavam- 
Ihe o peito muitas condecoraçõas nacionaes e estrangeiras e escreveu 
div3rsos 

— Relatórios escriptos de i83i a i862 — como ministro e socrotario de 
estado das diversas pastas que occupou. 

— Princípios de desenho linsar, comprehendendo os de grometria 
pratica pelo methodo de ensino mutuo, extrahidos do L. B. Trancoeur. 
Rio de Janeiro, 1829. 

De trabalhos governamentaes ha alguns de sua penna exclusivamente, 
como o 

— Regulamento para as eapi'anias do porto. Rio de Janeiro, 184Ô 
— Foi publicado com o decreto n. 447 de 19 de maio deste anno. 

A^ntonio Franoisoo dle £^au.la e Souza — E* natural 
da provincia de S. Paulo, filho do conselheira António Francisco de 
Paula e Souza e de dona Maria Raphaela de Barros e Souza, formado em 
mathomaticas na Allemanha ou na Suissa e escreveu : 

— A republica federativa no Braz il, S. Paulo, 1869, 24 pags. in-4.o 
'^Projecto para o levantamento da carta corographica daprovln^ 

cia de S . Paulo^ pelos engenheiros António Francisco de Paula e Souza, 
Adolpho Augusto Pinto e J. Pinto Gonsalves. Rio de Janeiro, 1880, 14 
pags. in-4.<> 

A^ntonio Franeisoo n?o8oa/]io — Natural da provincia do 
Rio de Janeiro, &11 3ceu na corte a 21 de setembro de 1882. Era presbytero 
do habito de S. Pedro ; doutor em cânones, ci\jo grau obteve em Roma ; 
capellSo capitão do corpo ecclesiastico do exercito e secretario do mesmo 
corpo ; cavalleiro da ordem da Roza, e escreveu : 

— Resumo da doutrina christã, organisado segundo o ultimo pro- 
gramma para o ensino desta disciplina nas escolas primarias. Rio de Ja^ 
neiro — - Deste livro ha quatro edições. Só vi a terceira feita por Seraphim 
J. Alves, Rio de Janeiro, 1876 ; e a quarta pelo mesmo Serafim Alves, 
Rio de Janeiro, sem data, mas feita em 1882, de 40 pags. in-12. 

A-iitonio Fra/Uoo dia» Oostct 3!£eix*elle9 — B* natural 
da cidade de S. Salvador, capital da Bahia, filho de António Franco 
da Costa Meirelles e de dona Ignez Alves de Figueiredo Meirelles. 

Doutor em medicina q|»la faculdade desta cidade, obteve por concurso a 
nomeação de professor da lingua ingleza no lyceu pouco tempo depois 
de sua formatura e mais tarde a de professor da mesma lingua no pe- 
queno seminário archiepiscopal, e tem servido na directoria da instrucçSo 
publica, já como membro do conselho superior, já como director. 

Escreveu : 



174 

— Breves considerações acerca da sabedoria de Deus^ revelada na 
organização do homem : these apresentada e sas tentada perante a fa- 
culdade de medicina da Bahia, etc . Bahia, 1852 — Na introdacçSo desta 
obra escrevo seu autor : € Deus nada formou inutilmente. No inexhaiiri- 
vel e infinito campo da natureza cada objecto occupa seu logar compe- 
tente e adapta-se aos fins de sua conformação. Em todas as sciencias 
encontra-se disso provas exhuberantes. Partindo deste principio, fomos 
interrogar a nossa tSo complicada, o por ve zes misteriosa organizaçSo.» 

'^Elementos de grammatica inglesa. Bahia, 185 —Teve segunda 
edição, Bahia, 1867« o creio que ha outra ainda. Esta grammatica foi ap- 
provada pelo conselho da instrucção publica. 

— Vade^mecum do parteiro (ultima ediçfto, 3^) pelo doutor Ed. Rig- 
by ; traduzido do inglez. Bahia, 1857. 

— Revista de instrucção publica : periódico creado pela lei de 16 de 
maio de 1870, que reformou os estudos e destinado exclusivamente ao 
desenvolvimento da instrucçSo popular. Publicaçfio quinzenal* Bahia, 
1870-1872. 

A^n tonto FredLerico Oardlozo d.e BleneaBes e 
SousEa —Nasceu na cidade de Taubaté, província de S. Paulo, a 11 
de julho de 1849, sendo seus pães o conselheiro JoSo Cardozo de Menezes 
e Souza, hoje BarSo de Paranapiacaba, e da Baroneza do mesmo titulo ; 
é formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Re- 
cife, tendo feito os quatro primeiros annos do curso na de S. Paulo, e 
exerce no thesouro nacional o cargo de official da directoria geral do 
contencioso. 

Desvelado cultor da musica, tem composto para piano, instrumento de 
sua predilecção, um grande numero de peças^ e escreveu : 

— Folhetins da Gazeta de Noticias — Versam sobre vários assumptos, 
como : Gottschalk ; A morte de Ghopin ; Francisco Pereira da Gosta, etc. 

— O doutor Negro : drama traduzido — Não me consta que fosse im- 
presso. Foi levado á scena no theatro de SanfAnna a 15 de julho de 
1881, onde foi calorosamente applaudido, sendo o auctor, mais de uma 
yez, chamado á scena. 

— Sebastião de Carvalho : drama. . . . 

— Um deputado pela eleição directa : drama em 4 actos — Tanto a 
lettra como a musica sSo de sua penna. Foi levado á scena pela primeira 
vez com muito applauso no Recreio Dramático om junho de 1882. 

De suas composições de musica sei que publicou entre outras : 

— Lacrimosa : romance sem palavras á memoria deM. L. Gottschalk. 

— A Hebrea : recitativo — A poesia é do finado poeta bahiano A. de 
Castro Alves. 

— Hymno a Camões : composição para ser executada no theatro S. 
Luiz, por occasiào do centenário do poeta. Rio de Janeiro, 1880. 

— Ruy Blas de Marchetti : phantasia para salão. 



175 

— Santa Cecília : nocturno romance* 

— Celeste : cântico do borco. 

— Quadrilha brilhante : para pi mo sobro motivos do Le roy du salon^ 
de Massmet. 

— 0^ canários . polki caracteristicaa quatro mãos. 
^< O canto do sabiá : walsa característica. 

— Canto do peru : polka de salSo. 

— Amado : polka para piano. 
-^ Colibri : polka de salão. 

— Paladini : polka de salâ^. 

— Ninguém me qu 'ira : polka lundu. 

— ii JZ Right : polka. 

•— Carlos Gomes : polka. 

— Os rouxinoes : polka. 

— Rappelle toi : rpmance para piano e canto, poesia de Alfredo de 
Musset. 

— Borghi^Mamo : walsa brilhante, off 'recida á prima-<lona Hermínia 
Borghi-Mamo. 

— Mephistophelis : phantasia de salão. 

— Saudoza : mazurka. 

— Pensamento elegíaco : melodia. 

— Scalchi : walsa brilhante alia sigaora Scalchi-Lolli com o retrato 
da cantora. 

— O cocheiro de bond : cançoneta cómica, e^cripta expressamente para 
a festa artística em benefício do actor Mattos no theatro Sant*Anna, e a 
este offerecida — Foi executada a 24 de janeiro de 1883, sendo a lettra de 
Arthur de Azevedo. 

A-ntonio Oa*l>x*iel da. 6ilT'a. Bueno — E* natural 
da província de S. Paulo ; fez o curso de infantaria e de cavallaria pelo 
regulamento de 1863 ; entrou piriv a classe militar com praça a 2 de 
janeiro do 1868 ; foi promovido a segundo-tenente de artilharia em 1S74, 
e a tenente de infantaria, para cuja arma fora transferido, em 1878, e 
escreveu : 

— Considerações sobre a organização da arma de infantaria em 
batalhões de oito e seis companhias e em copos de quatro compa^ 
nhias. S. Paulo, 1871 — IV um opúsculo também assignado pelo tenente 
Paulo Pinto Auto Rangel. 

A-ntonio Oentil IMx-apita/iigrn -— Nasceu na provín- 
cia da Bahia polo anno de 1805 e na mesma provincia fallecen, ha muitos 
annos, tendo pre^^tado serviços á independência por occssião da luta 
travada com as forças luzitanas commandadas pelo genr^ral Madeira. De- 
dicou-se muito moço á instrucçSo das matérias do ensino primário, de 
que foi um babilissimo professor, e exercea por muito tempo o magiar 



176 A.]^ 

terio na casa pia dos orphãos da Bahia. Ultimamente leccionava pelo 
methodo de Castilho, sou amigo, quo em sua passagem pela Bahia o vi- 
sitou em seu estabelocimento. Escreveu : 

— Compendio grammatical, reduzido a dialogo^ para uzo dos prin- 
cipiantes no ensino das primeiras lettras por A. Gentil Ibirapitanga. 
Bahia, 1865 — Esta nSo ó a primeira edição dcsto compesdio, entretanto 
nada se d clara no front}spicio do livro, e ainda occorre á primeira folha 
o seguinte sob o titulo de Advertência : € O mundo marcha e com elle 
a civilisação e a s^iencia. Os erros se emendam e os enganos se cor- 
rigem. Vendo que a grammatica de Gantil, impressa ultimamente na 
França, nSo só vein pejada de erros (alguns dos quacs pareceram ser do 
autor e não da impressão) resolvi-me, baseado na mesma grammatica, 
e fazendo as alterações que a sciencia graramatical exige, fazer ama 
nova ediçSo o publical-a para maior intelligencia dos meninos de pri- 
meiras lettras. » E esta advertência nenhuma assi^natura traz, nem ha 
indicio de quem seja o autor delia. 

— Plano para o ensino das primeiras lettras^ aproveitado dos três 
meihodos : mutuo, individual e simultâneo — Vem no Musaico, pags. 
232 e seguintes, Bahia, 1846. Assevera o autor ler tirado bons resul- 
tados desse plano, e a directoria do Musaico o recommen ta ao conselho 
da instrucçâo publica. 

j^ntonio Gomes Ferr-eiíra» Braiidâo — Sei apenas 
que estudara direito e obtivera o grau de bacharel, exercera o'' cargo 
de secretario da legação brazileira em Paris, e escreveu : 

— Retraio do imperado i^ Marco Aurélio , feito por elle mesmo no 
livro primeiro de suas Reflexões, etc. ; offerecido a sua magestade o 
senhor dom Pedro II, Impera lor do Brazil. Paris, 1832 — Esta obra traz 
o texto em grego ao lado da traducçSo portugueza, e dons retratos lytho- 
graphados, o do imper :dor a quem é offerecida a traducçSo, e o do im- 
perador Marco Aurélio. 

A.iitoiiio Ck>mef3 Ferreira dle Oantilluo — Na- 
tural da Bahia, onde vivia nos últimos annos do século XVII, era mor- 
gado da Ponte-da-Folha e reunia toJos os dotes que podem constituir 
uma perfeita felicidade, os da natureza, da f)r tuna e da nobreza; cul- 
tivou as lettras o era poeta, revelando de^de criança um talento maravi^ 
Ihoso, sobretudo para a satyra, em que se tornou rival de seu conterrâneo 
Gregório de Mattos. Escreveu, segando affirma Bento da Silva Lisboa, na 
sua Memoria das pessoas illustres da Bahia, muitas 

— Satyras, elegias^ etc. — que o mesmo Lisboa considerava sublimes. 
Só vi, porem, de Castilho : 

— Despedidas a meu filho : soneto — que vem no Musaico poético de 
Emilio Adet e J. Norberto de Souza e Silva, e e seguido do outro soneto, 
em resposta, de seu filho Pedro Gomes Ferreira de Castilho. 



A.N 177 

A.iitoiiio Oomea de Mattos — Nataral do Rio de Ja- 
neiro e nascido a 10 de dezembro de 18^, tondo feito o curso da aca- 
demia de marinhx e entrando no serviço da armada, fez a campanha do 
Rio da Prata de 1851 a 1852 ; servia como director das officinas de ma- 
chinas do arsenal da corte, e já primeiro-tenente, indo á Europa aper- 
feiçoar-se no estado de machinas, deixou a armada, e é actualmente ca^- 
pitalista e proprietário, de sociedade com outro, da grande officina de 
machinas a vapor, de construcçâo naval, et?., á rua da Saúde n. 98, cuja 
firma primitiva fora de Maylor & C* 

E* official da ordem da Roza ; cavalleiro da LegiSo de Honra, da 
França ; cavalleiro da Coroa de Ouro, da Itália ; condecorado com a me- 
dalha concedida á esquadra em operações no Rio da Prata em 1852, e 
escrevea : 

— Esboço de um manual para o fazendeiro de assucar no Brazil» 
Rio de Janeiro, 1882 — Neste livro, em que sob um titulo modesto, o aulor 
tem por fim, como diz, < induzir uma parte, a^nda que minima, dos fa- 
zendeiros de canoa, que se conservam incrédulos e estacionários, a 
adoptar melhoramentos reflectidos afim de extrahir da mesma quantidade 
de canna que costumam plantar, maior quantidade de assucar e de me- 
lhor qualidade, » se encontram informações sobre as machinas e pro- 
cessos adoptados para o fabrico do assucar, considerações sobre os enge- 
nhos centraes, noticias emfim sobre tudo quanto S3 prende á industria do 
assucar. 

— As docas D, Pedro II ou o monopólio de trapiches : collecçSo de 
artigos que foram publicados no Jornal do Commercio de 16 de setem- 
bro a 19 de novembro de 1871, com o signal * ' '. Rio de Janeiro, 1872, 
144 pags. in-4.<' 

A-ntonio Oomes MirandLa; ILieail — E' natural da pro- 
vincia de Pernambuco, negociante da praça da mesma provincia e presi- 
dente da junta commercial, e escreveu : 

— Genealogia da família Leal : trabalho encetado pelo vigário JoSo 
Evangelista Leal Periquito, continaaio pelo briga ieiro António Gomes 
Leal, e concluido em 31 de dezembro de 1864 pelo negociante António 
Gomes Miranda Leal, autor desta nova edição. Pernambuco, 1876, 144 
pags. in-8o gr. 

A.]itonio Oomes Paolieeo — Filho do capitão Manoel 
da Costa e de dona Manuela Izabel de Barros Pacheco e irmão mais 
velho do padre José Gomes da CoUa Gadelha, de quem terei de tratar, 
nasceu na ilha de Itamaracá, provincia de Pernambuco, em cuja matriz 
foi baptisado a 15 de janeiro de 1742, e falleceu na cidade do Recife em 
agosto de 1797. 

Presbytero secular, dotado de solida instrucção e de raras vir- 
tudes, discorria, diz o commendador A. J. de Mello, sobre os aconteci* 

12 



178 j^JN 

mentos agradáveis, sobre a littwatara amena, deleite dos boas espíritos, 
com tal facilidade, abundância e gosto, que encantava ouvil-o. Poeta 
e repentista admirável, segundo assevera o con 'go doutor M. da Costa 
Honorato no seu Compendio de rhetorica e poética^ pag. 282 (onde 
ha, entretanto, um equivoco no nome e nas datas que o seguem), com- 
poz muitos sonetos, deoimas, glozas e outras poesias lyricaa. Nunca 
fez, porém, collecçSo de suas composições, e pelas que delle conheço, 
parece -me que seu estylo predilecto era o humorístico* O qu« delle 
conheço sflo as seguintes composições, que vem na obra -<- Biographias 
de alguns pernambucanos illustres : 

— Um soneto joco-serio — Vem no tomo 3® com as demais. 

— Uma decima improvisada em Oiteiro nocturno na festa do me- 
nino Deus — ao mote < Jesus para nosso bom » . 

^- Quatro decimas glosadas em diálogos entre dous amantes. 

— Quatro decimas glosadas entre o discípulo e o padre mestre — ao 
mote : 

Pergunta corta senhora 
Sem presumir mal algum, 
Si um só beijo a sexta-feira 
Fará quebrar o ji'jum. 

Sei que o padre Qomes Pacheco escreveu uma ode ou canção aos annos 
do srovernador da capitania de Pernambuco, e umas decimas a um zan^ 
garreadar de viola, que servira uaa vez de pirteiro a uma certa Guibé, 
das quaes decimas vem duas transcriptas nesta ultima obra citada, eo 
autor do Diccionario biographico de pernambucanos illustres declara 
que poBSue delle muitas poesias inéditas, ao passo que dá noticia de 
um álbum primorosamente encalernado, e manuscripto com tanta per- 
feição que parec3 impresso, trabalho do padre Gomes Pacheco por occa- 
aifto de uma festa li iterar ia, celebrada em Poruambuco em saudação do 
annivcrsario natalicio do governador José Cezar de Menezes % 19 de março 
de 1775. Tem por titulo este albnm 

— Collecção das obras feitas aos felicíssimos annos do illm»^ e eoBm.<* 
senhor José Cezar de Menezes, governador e capitSo-genecal de Per- 
nambuco na sessão académica de 19 de março de 1775, offereci^a por 
António Gomes Pacheco, presbytero secular — Do coUecoionador. além 
de uma ode, uma glosa e um romance joco-serio que então recitara, se 
aoham neste livro, preceiendo-o, doua sonetos, sendo um offerectda ao 
governador, e outro ao leitor. 

A^iLtonio Oonçalves de A*i*a»ujo PeAna* — Natu- 
ral da provincia de S. Paulo e nascido a 31 de maio de 1841, dt^pois de 
dar-se aos estudos da medicina de Hahnemann e de praticar por espaço 
de cinco annos no laboratório da viuva Martins & G.\ exerce a profissão 
de pharmaceutbo homcsopatha, sendo proprietário do estabelecimento 



179 

hemoeopathieo á rua da Quitanda n. 47, o premiadas saae preparaçOas 
em dÍTeraas exposições nacionaes e estrangeiras, e eserevea : 

-^ Pequeno guia homosopathico^ cont^^ndo as indieaçQes necessárias 
para o emprego dos principaes remédios homcBopathicos nas moléstias 
mais communs pelo dr. Brackner, vertido do francez e muito ampliado 
por am medico homosopatha brazileiro. Rio de Janeiro, 1871, in-i6o — 
Segunda edição, Rio de Janeiro, 1873, 136 ]MgB, in-16.o Vem neste 
yolume a Pathogenesia da cactus grandiflorus m doutor D. de A. C. Da- 
que-Estrada. 

— DescripçâOi hygiene e tratamento homoiopathico da febre amar 
relia, extrahido dos melhores e mais modernos autores. Rio de Janeiro, 
1873, 45pag8. in-16.o 

— Almanah hahnemanniano para 1872 o 1873. Rio de Janeiro, 2 
Yols. —Contém a descripção de medicamentos e indicaçSO' dos casos em 
que são empregados. A publicação foi suspensa. 

j^ntonio Oouçalves de Cap^^IIxo — E' natural do 
Rio de Janeiro, e nasceu a 31 de agosto de 1844. 

Bacharel em sciencias soeiaes e jurídicas pela &culdade de S. Paulo, 
entrou para a classe da magistratura, e sendo juiz de direito de Cuyabá, 
passou no mesmo cargo para a comarca de Jaguarão, província do Rio 
Grande do Sul. Serviu na campanha do Paraguay como auditor de 
guerra; foi eleito representante da provinda de Matto-Grosso na pri- 
meira eleição directa, de 1881 ; é cavalieiro da ordem da Roza, conde- 
corado com a medalha daquelia campanha, e escreveu : 

— A estrada de ferro para Matto-Grosso : cartas a sir William A. 
Rio de Janeiro, 1875, 144 pags. in-8o .^ gg^i^ olira é apresentada com o 
pseudonymo de A. Bueno. 

— A estrada de ferro para Matto-Grosso e Bolívia. Rio de Janeiro, 
1877, 81 pags. in-4° — Sob o mesmo pseudonymo. 

Ha diversas poesias suas publicadas sob o anonymo. Excessivamente 
modesto, elle se occulta em taes producções. 

A^iitoiiio Oonçalves Dias — Filho do negociante portu- 
guez João Manoel Gonçalves Dias e de uma mestiça, nasceu na cidade de 
Caxias, província do Maranhão, a 10 de agosto de 1823 e falleceu a 3 de 
novembro de 1864. 

Tendo servido de caixeiro no estabelecimento de seu pae, este, cedendo ã 
vontade que seu filho tinha de estudar, mandou-o para Portugal, onde elle 
fez os estudos de preparatórios e o curso de direito na universidade de Coim- 
bra, recebendo o grau de bacharel em 1844. Voltando á Caxias e dando-se 
advocacia, deixou-a ao cabo de poucos mezes, veiu em 1846 para a corte e 
foi nomeado lente de historia e latinidade do coUegio de Pedro 11. 

Em 1851 foi incumbido pelo governo de examinar o desenvolvimento da 
instrucção publica e colher os documentos ^ue encontrasse da historia 



180 A.N 

pátria nas provincias do norte ; no anno segainte, de volta desta com- 
missSo, foi nomeado primeiro offlcial da secretaria dos estrangeiros ; em 
1854 fui encarregado de ir á Portugal em commissSo egnal á que hayia 
exercido pelo norte do império, estudando ao mesmo tempo o estado da 
instrucçSo publica nos paizes mais adiantados do velho mundo, de cujo 
regresso em 1858, seguiu para o Ce irá na commissSo scientifica e explo- 
radora, como chefe e dkector da secçSo ethnographica ; do Ceará f ii ao 
Amazonas e seus affiuenm, que percorreu por espaço de seis mezes em suc- 
cessivas investigações ; de volta ao Rio de Janeiro em 1861, sentindo-se 
doente em consequência de fadigosas explorações e de encommodos soffri- 
dos em sua ultima viagem, e vendo aggravar-se-ihe a saúde com o traba- 
lho inheronte á coordenaçSo de seus relatórios, emprehenieu uma viagem 
ao MaranhS), que effectuou om 1862, mas de Pernambuco resolvendo ir 
á Europa, assim o fez, voltando no fim de dous annos, ainda doente, e fal- 
lecendo a bordo do paquete Ville de Boulftgne que naufragou nas próprias 
aguas de sua província que lhe serviram de sepultura. 

Gonçalves Dias era cavalleiro da ord 'm da Roza, sócio do instituto his- 
tórico e geographico brazilelro e de outras associações litterarias, e têm 
delle tratado diversos escriptores, sendo com mais desenvolvimento o que 
refere o Pantheon do Maranhão do doutor A. H. Leal, por cuja inicia- 
tiva e esforços, associado a outros conterrâneos, foi levantado um monu- 
mento a sua memoria na cidade de S. Luiz. 

As obras de Gonçalves Dias são : 

— A innocencia : poesia — Foi a sua primeira composiçSo que publicou 
no Trovador de Coimbra quando ahi estudava, e a que seguiram três ou 
quatro pões -as no Archivo^ jornal do Maranhão. 

— Primeiros cantos : poesias. Rio de Janeiro, 1846 — Entre os que 
applaudiram este livro, nota-se Alexandre Herculano, que escreveu a 
propósito um luminoso artigo, o Futuro Litterario do Brazil^ na IRevista 
Universal Lisbonense ^ tomo 7^, pag. 5. 

— Segundos cantos e sextilhas de Frei Antão. Rio de Janeiro, 1848 
— Entre os escriptos por esta occasiSo publicados, notam -se os de Au- 
gusto Frederico CoUin na mesma revista e do litterato portuguez Lopes de 
Mendonça nas Memorias de litteratura contemporânea. 

— Últimos cantos. Rio d? Janeiro, 1850. 

~^ Cantos : poesias de António Gonçalves Dias. Segunda ediçSo. 
Leipzig, 1857 ,J1 vol. in-16, d) 672 pags.— Vem ahi transcripto o artigo de 
Alexandre Herculano, o Futuro litterario do Brazil^ com todas as 
composições, dos três livros precedentes e mais dezeseis novos cantos, 
íÍ9iltand) a poesia o Soldado hzspanhd — Terceira ediçSo, Leipzig, 1 vol. 
in-12 de 464 paginas contendo as mesmas c imposições da 2», e o retrato 
do autor — Quarta edição, Leipzig, 1865, 2 vols. tendo mais a poesia o 
Soldado hespanhoU também com o retrato do autor. Estas obras foram 
impressas ainda uma vez com o titulo : 

— Poesias de António Gonçalves Dias. Quinta edição, augmentada 



181 

com muitas poesiae, inclusive os TymbiraSf e cuidadosamente revista pelo 
sr. dr. J. M. de Macedo, precedidas da biographia do autor pelo ar. 
cónego J. C. Fernandes Pinheiro. Rio de Janeiro (sem data), 2?ols. 

— D. Leonor de Mendonça : drama original em três actos e cinco 
quadros. Rio de Janeiro, 1847. 

— Os Tymbiras : poema americano. Rio de Janeiro, 1848 — Este poe- 
ma foi plan^^jaio, desie o tempo em que o autor estudava em Coimbra, 
em mais de vinta cintos. Apenas, porém, publicou elle seis cantos em 
1848, e deu começo á 2* ediçSo, publicando quatro cantos em Leipzig, 1857. 
NSoha noticia dos outros. 

— Cruanabara : revista mensal artística, scientifica e litteraria. Rio 
de Janeiro, 1849 a 1851. Tresvols. —-Esta revista principiou a sahir 
em 1849, redigida por Gonçalves Dias, Manoel de Araújo Porto-alegre, e 
Joaquim Manoel de Macedo, e passou depois do primeiro anno a ser re- 
digida pelo cónego J. G. Fernandes Pinheiro. Um de seus artigos ahi 
publicados e o que tem por titulo : 

— > Reflexões sobre os Annaes históricos do Maranhão por Bernardo 
Pereira de Berrédo — Vem no tomo 1<*, pags. 25 a 30, 58 a 63 e 147 a 
153, sendo a ultima parte escripta por haver sido o autor atacado n*um 
artigo do periódico Religião, Estas refl^^xQes foram reimpressas na se- 
gunda ediçSo, feita por Gonçalves Dias, dos mesmos annaes. 

— A independência do Brazil — sari ) de escriptos publicados sob o 
pseu Jonymo de Optimus criticus em folhetins do Correio da Tarde^ 1848, 
ns. 21, 28, 32, 64 e 72, nos quaes censura acremente o poema do mesmo 
titulo de António Gonçalves Teixeira e Souza. 

— Exposição universal em Paris : relatório do commissario brazi- 
leiro o senhor doutor António Gonçalves Dias — Sahiu na Revista Bra- 
zileira^ tomo 1® de pags. 284 a 362, e também no Correio Mercantil 
do Rio de Janeiro, 

— Dlccionario da língua tupy, chamada lingua geral dos indígenas 
do Brazil. Leipzig, 1858, 199 pags. in-8o — Vem também na 4* ediçSo do 
Diccionario portuguez de Eduardo de Faria, depois reproduzido no Dic' 
cionario de dom José de Lacerda, Lisboa 1858 - 1859, e na edição deste 
diccionario de 1862. Preparava elle uma segunda ediçSo do seu livro, 
segundo se lê no Pantheon maranhense. Servira-se Gonçalves Dias 
para este trabalho do vocabulário do autor da Paranduba mara^ 
nhense (Veji-se frei Francisco de N. S. dos Prazeres MaranhSo) ; da 
Grammatica do padre Nogueira ; do Diccionario brazileiro, publicado 
sob o anonymo em Lisboa, 1795 ; de um manuscripto da bibliotheca na- 
cional ; do Diccionario^ também manuscripto, da bibliotheca da aca- 
demia real das sciencias de Lisboa, e de quatro quadernos dos manuacri- 
ptosdo naturalista bahiano Alexandre Rodrigues Ferreira. 

— Nenia d morte sentidíssima do príncipe imperial o senhor dom 
Pedro. Rio de Janeiro, 1850, 6 pags. in-4<' — Vem também na revista do 
instituto histórico. 



102 

•»- Canto iíiaug¥ral d memoria de cónego Janttario da Cunha Bar^ 
boza — Vem na mesma roviata, tomo ií^, pag. 285. 

-^ Exames dos mosteiros e das repartições ptiblieas para celii- 
gir documentos lustoriecs, relativos ao MaranhXo — Idem, tomo 16<>, 
pag. 370. 

-<- Memoria histérica do sr. Machado de Oliveira e o parecer 
do Sr. Duarte da Ponte Ribeiro — Idem, pag. 4Ô9. Neste mesmo volams 
eserereu uma Resposta á defesa do parecer sobre a Memoria histórica ds 
Machado de Oliveira. 

— Vocabulário da língua geral uzada hoje em dia no alto Ama^ 
%onas — Id?m, tomo 17o, 1854, pags. 553 a 576. E* ofiferecido ao insti- 
tuto. 

— Amazonas : memoria escripta em desenvolvimento do programma 
dado por S. M. I. -— Idem, tomo 18 \ pags. 5 a 61. O programma é : Si 
existiram amazonas no Brazil ? Si existiram, quaes os tdstemanhos de 
sua existência, e quaes eeus cos ta mes, uzos e crenças ? Si se assem»* 
Ihavam ou indicavam originarem-se das amazonas da Sythia e da Lybia, e 
quaes os motivos de seu rápido depapparecimonto ? Si não existiram, que 
motivos tiveram Orelanna e Ghristovam da Cunha, seu fundador, para nos 
asseverarem sua existência? 

— Reflexões acerca da memoria do sr. Joaquim Norberto de Souza 
e Silea^ lida na sessSo de 25 de maio de 1854 «-« Idem, idem, pags. 289 a 
334. A memoria versa sobre o programma : € Si o descobrimento do 
Brazil por Pedro Alvares Cabral foi devido a um mero acaso, ou si elle 
teve alguns indícios para isso ? > A's reflexões de Gonçalves Dias se- 
guiuHBO a Refutação do autor da memoria, também lida em sessSo do ins- 
tituto, e em seguida publicada, de pags. 335 a 405. 

— O Brazil e a Oceania : memoria apresentada ao instituto histó- 
rico e geographico — e publicada na revista, tomo 30^, parte 2^, pags. 
5 a 192 e 253 a 396, e reproduzida nas Obras posthumas, £* divi- 
dida em duas partes : Na 1* parte se descreve o estado phytico, 
moral, e intellectual do3 indígenas do Brazil ao tempo, em que pela pn« 
meira vez se acharam em contacto com seus descobridores, e se examina 
qae probabilidade ou facilidade offereciam entAo á empreza da catechese 
ou da civilisação. Na 2* se descreve o estado physico, moral e intel- 
lectual dos povos da Oceania ; se compara estes com os nossos indígenas, 
e desta comparaçSo se deduz qual delles estava mais apto para a cívi- 
lizaçAo. E' uma publicaçâk) poithuma e o manuscripto fora enviado ao 
instituto pelo doutor A. H. Leal. 

— > Obras posthumas de António Gonçalves Dias^ precedidas de uma 
noticia de sua vida e obras pelo doutor António Henriques Leal. S. Luiz 
do Maranhão, 1868 - 1869, 4 vols. 

•—A Noiva de Messina^ de Schiller^ tra luzida do allemSo — Sa- 
hiu no tomo 4oda Revista contemporânea do Brazil e Portugal, pags. 
240 a 252, um fragmento desta obra, que o autor tinha prompta para dar 



AJS 183 

á eft&tnpa. O dotitor A. H. Leal sappõd que se perdera no naufrágio em 
qae morreti o antor, ou que foi roubada na cidade de Alcântara, onde 
foram ter as malas de Gonçalves Dias. Igual destino suppOe o mesmo 
doutor Leal que tiveram diversas poesias lyricas, inéditas, assim como 
algutts, senSo todos os cantos dos Tymbiras^ e a 

^— Historia dos jesuítas no Brazil, inédita — Esta o¥ra julga-se ter 
o autor completado em vista de um prologo que se achou entre seus 
papeis. 

-^ Pàthíill : drama em cinco actos, inédito -^ Foi escrípto em Coimbra 
em 1843 sobre um facto da historia de Carlos XII. 

-^ Beatr'z Cenci : drama em cinco actos, inédito — Foi também es- 
crípto em Coimbra em 1844. 

«— Bóábdil : drama em cinco actos, inédito — F(h escripto- no Rio de 
Janeiro em 1860. 

»*•• Meditação -^ escripta no Maranhffo em 1846, em estylo biblico^ Sa- 
hiu á luz apenas um fragmento no Guanabara^ tomo í^ pags. 101, 125 é 
171, e seguintes. 

A.ntoiiio Oonçalves Oomide — Natural de Minas Ge- 
mes, nasceu pelo anno de 1770 e falleceu a 26 de fevereiro de 1835. 

Doutor em medicina pela universidade de Edimburgo, foi escolhido 
senador do império por decreto de 22 de janeiro de 1826, e escreveu : 

— Impugnação analítica do exame feito pelos clínicos, António Pe- 
dro de Souza e Manoel Quintão da Silva, em uma rapariga que juU 
garam santa% na capella de Nossa Senhora da Piedade da Serra, próxima 
a villa Nova da Rainha de Caethé, comarca de Sabará, offerecida ao . . . 
doutor Manoel Vieira da Silva, etc. Rio de Janeiro, 1814, 32 pags. in- 
49 — Sahiu sob o anonymo, e o autor na carta dedicatória ao dr. M. 
Vieira da Silva pede-lhe p^^rmissSo p:ira nSo revelar seu nome. 

— Máximas moraes do sehador António Gonçalves Gomide — Publi- 
cação posthuma, feita em 1876, no volume intitulado Ramalhete de 
flores de dona Emília Augusta Gomide PeniJo, neta do auto^, de qtlem 
tratarei adiante, de pags. 117 a 150. SSo77 máximas de muita mOráli« 
dade, próprias para firmar uma boa educação tsobre os tilais sólidos prin- 
cipies da religião e doe deveres do homem. 

A.n.t01iiO OonçAlves ]N'tiiies, Barão de Igarapé-miriíii «^ 
E' natural da província do Pará, formado em sciencias sociaes ejtiridicas 
pela fiicaldade de Pernatnbuco ; serviu muitos annds como director dâ 
instrucção publica em sua província, e se acha hoje aposentado, sendb 
agraciado com o titulo de Barão de Igarapé-mirim a 3 de março do cor- 
rente anno, e escreveu, além de alguns 

— Relatórios sobre a instrucção publica — que não pude ver : 

— O cónego Manoel José de Siqueira Mendes^ e as ruinas do Pard» 
Pará, 1875. 






184 A.PÍ 

Ajutonio Gk>iiça>lT'es rTeixeira; e Sousea; — Pilho 
de Mano3l Gonçalves o dona Anna Teixeira de Jesas, nasceu na cidade de 
Cabo-Frio, província do Rio d? Jan3Íro, a 28 de março de 18)2, e falleceu 
na corte a 1 de dezembro de 1861. 

Por occasiâk) de se tornar o Brazil naçSo independente, muitos nego- 
ciantes portugueses, nSo querendo reconhecer a independência, se reti- 
raram para Portugal, o entáo Manoel Gonçalves, que era negociante de 
poucos recursos, tendo de saldir de prompto suas transacções commer- 
ciaes com alguns daquelles, viu-se reduzido ás tristes circumstancias de 
mandar seus filhos aprender um officio. António Gonçalves, que era o pri- 
mogénito, e que, contando dez annos de idade, estudava latim, foi, cheio de 
resignação, aprandar o officio de carpinteiro que exerceu por alguns an- 
nos. Fallecendo, porém, seu pai, reuniu o que pôde aparar, e vein para 
a corte, com mais da vinte annos de idade, completar S3us estudos de hu- 
manidades, o que alcançou, graças & amizade e protecçSo de Francisco 
de Paula Brito, de quem fallarei adiante. Depois disto obteve uma ca- 
deira de professor da instrucçSo publica primaria, a qual elle regeu de 
1849 a 1855, e ultimamente a provisfio n*um logar de escrivSo da primeira 
vara do commercio, que exerceu com toda probidade e zelo, deixando 
sua família n'um estado de pobreza tal, que foi preciso que seus amigos e 
muitos negociantes, que conheciam sua honra, se cotísassem para soc- 
correl-a com uma subscripçfio, quando elle falleceu. 

O nome de António Gonçalves Teixeira e Souza vem no Curso ele- 
mentar de litteratura nacional do cónego doutor J. G. Fernandas Pi- 
nheiro, como um distincto poeta lyrico e romancista. Escreveu : 

— Cânticos lyricoSy dedicados aos seus amigos. Rio, 1841, 223 pags. 
ÍQ.go -. E* o primeiro volume de suas composições poéticas. 

— Cânticos lyricos, dedicados ao illustrissimo o excellentissimo se- 
nhor desembargador Paulino José Soares de Souza. 29 volume. Rio de 
Janeiro, 1842, 107 pags. in-8.o 

— Cornélia: tragedia— Sahiu na 4* serie do Archivo theatraláoBíoáe 
Janeiro. Foi a primeira composiçSo daste género de Teixeira e Souza, e 
sobre ella escreveu L. A. Bourgain na Minerva Brazilera^ 2® vol., pag. 
7j1, uma critica litteraria que termina : € A nova tragedia tem interesse, 
energia e sensibilidade, condições essenciaes em obras deste género ; 
a linguagem, por quanto pôde julgar um estrangeiro, ó portagueza ; o 
verso, com raras excepções, natural e cadente . Eu a considero como uma 
bella tentativa, um esperançozo ensaio, que mostra nSo o que é o seu au- 
tor, mas o que pôde ser. > 

— Lucrécia : tragedia em cinco actos, de Ponsard, traduzida litteral- 
mente — Sahiu na 5^ serie do dito archivo sem que precedesse consenti- 
mento, nem sciencia do autor, e por isso sem uma certa correcção que 
ainda tentava fizer. 

— O cavalleiro teutonico ou a freira de Mariemburg : tragedia em 



185 

5 actos, em verso, escripta em 1840. Rio de Janeiro, 1855, 68 paga. in-4<> 
— Foi escripta depois de soa tragedia Cornélia. 

— > Os três dias de um noivado : poema romântico dedicado á me- 
moria de seoB pais. Rio de Janeiro, 1844, 210 pags. in-8^ — E* am poema 
em cinco cantos, em verso hendacassyliabo solto, que tem por assumpto 
uma lenda do paiz. Delle, antes de ser publicado, Santiago Nunes .Ri- 
beiro deu lisongeira noticia, assim como o flzeram d9pois diversos^orgãos 
da imprensa, e sahiram diversos fragmentos, como : o Retrato de Mi^ 
riba^ o Canto do estrangeiro, e outros, na Minerva Brazileira, tomo 
2», pags. 137, 172, 208 e seguintes.] Bste_ livro é precedido de duas com- 
posições poéticas ao pai, e á mSi do autor, e de um prologo com o ti- 
tulo Alguns pensamentos ; e seguido de muitas notas explicativas, um 
Desenfado^ e lista de assignantes. 

— A independência do Brazil : poema épico em dose cantos, dedi- 
cado a sua mag?stade imperial o senhor dom Pedro lí e ás augustas 
viuva e filhas do heroe do poema. Rio de Janeiro. 2 tomos in-4^ — 
O 1» tomo, de 307 pags. com o retrato do autor, sahiu em 1847 ; o 2^, 
de 349 pags., em 1855, em consequência de um desanimo que se ap<^ 
derara do autor por censuras feitas ao tomo 1.^ O mais severo critico do 
poema foi Gonçalves Dias que escreveu sob o pseudonymo de Optimus cri- 
ticus uma serie de artigos virulentos no Correio da Tarde de 1848, ns. 
21, 28, 32, 64 e 72, tratando-o desapiedadamente, como observou Inno- 
cencio da Silva. 

-" O filho do pescador : romance original brasileiro. Rio de Janeiro, 
1843 * Ha três edições posteriores, sendo a ultima de 1859, 248 pags. 
in-8.0 

— Tardes de um pintor ou as intrigas de um jesuita. Rio de Ja- 
neiro, 1847, 3 vols. —Ha segunda ediçSo posthuma, 1868, com cor- 
recções feitas pelo autor. 

— Gonzaga ou a conjuração de Tiradentes : romance. Nictheroy, 
1848-1851, 2 vols. 

— A Providencia : romance original. Rio de Janeiro, 1854, 5 vols. 
— Na opiniflo do doutor Wolf ê sua melhor composiçSo em prosa. 

— Maria ou a menina roubada : romance original — Sahiu por 
duas vezes na Marmota^ periódico de Francisco de Paula Brito. A pri- 
meira vez de setembro de 1852 a fevereiro de 1853 ; a segunda vez 
de outubro de 1858 até 1860 ; e entfio foi tirado em separado sob a 
designaçSo de segunda ediçSo, Rio de Janeiro, 1859, 342 pags. 

— As fatalidades de dous jovens : recordações dos tempos coloniaes. 
Rio de Janeiro, 1856, 3 vols. — Segunda ediçSo posthuma, Rio de Ja- 
neiro, 1874. 

— Os génios : poema — Deste poema só sahiram alguns episódios no 
Guanabara sem o nome do autor. 

— Canto inaugural por ocoasifio da elevação da estatua do Imp^ 
rador D. Pedro J — Inédito. 



^fc Pmiiifié e Jiília : romance — inéditos Dtz<M qa# «e extravioH 
grande parte dssta obra. 

Ha publicada! em revistas e em odUecções algamas poesias de Tei- 
xeira e Souza, como : 

•^ Am unwêi de uma riMnin^ — Na Minerva Brazileira, tomo 2^^ 
p«g. 429. 

— Meditação i traduzida de Latnartine. A* Elvira -* Idem, tomo 3% 
pag. 27. 

•^ A Natureza : cântico — No Parnaso Brazileire de J. M. Pereira 
da Silva, tomo 2^i paga. 237 a 245. 
-^ O dia de finados : cântico «— Idem, paga. 245 a 25SL 

— A saudade : cântico — Idem, paga. 263 a S50» 

F']:*el ikittoitio da. OraçA — Natural do Rio de Janeiro, 
fitUacen, ha poiícoi annos, no hospício de Pedro 11^ affectado de alie- 
naçSò mental depois áe soffrer de ama parai jsia das eitremidades in- 
feriores. 

Era religioso da ordem benedictina $ possuis nSo vulgar eradi^fio ; 
conhecia diversas lingúas ; cultivava com esmero a litteratura, e es- 
creveu : 

*- Sdrnente ntúximas e reflexões de um monge leigo^ colligidas e 
rmMpilladfcs em 1870. Rio de Janeiro, 1870. 

— Distracção poética por Frei António da Graça. Rio de Janeiro, 
1870. 

•^Nova distracção ^ront^seua) . Rio de Janeiro, 1871. 

— Um discurso de sapiência^ seguido de algumas reflexôeô muito 
vnlgares* colhidas e reprodasidas para um monge leigo. Rio de Janeiro, 
1871. 

'^Costumes dos israelitas ou sua maneira de viv3r : obra impor* 
tantisflima pela sua grande utilidide, e illustração do senhor abbade 
Cláudio Pleury, preceptor e confessor do rei Luiz XV e dos príncipes de 
França, IrmSos do dito rei ; vertida livremente em portuguez de uma 
traducçfto eaatelhaziat por um monge leigo. Rio de Janeiro, 1873^ 216 
page. 

A-iitonio Henz-iqiies Xj^â.! — Nasceu em Itapicurú^mi- 
rim, província do Maranhão^ a 24 de julho d^ 1828, sendo seus pães Ale* 
xandre Henriquss L3al 6 dona Anna Roza de Car?alho Reis. 

FormandoHie om medicina na faculdade do Rio de Janeiro em 1853, es'< 
tabeleoea-se na capital de sua província, onde foi vereador e presidenta 
da camará municipal, e deputado provincial em 1866 ; mas transferiu 
sua residência paira Lisboa depois de uma congestSo cerebral, de que foi 
atacado em 1868, e da qual lhe ficou ainda uma paralysia do braço e 
perna do lado esquerdo. Depois de residir muitos annos em Lisboa, veiu 
para o Rio de Janeiro, aqui foi empregado na direcçKo interina do Diatio 



187 

Offioial^ é^omáe paMOH em 1680 a exercer o earg:o, em qne se acha, de 
director do iaternato do imperial collegio de Pedro IL 

E* Bócio do instituto histórico e geographico do Brazil, da sociedade 
auxiliadora da indastria nacional, da sociedade de seieacias medicas 
de Lisboa, aocio fundador do institato litterarlo maranhense, sócio ho- 
norário do gabinete portngueE de leitura, e da associa çlo ^pographica 
maranhense, è escreveu : 

— Qual a influenc'a da anatomia pathologica no diagnostico ethe* 
rapeutica das moléstias internas f (disse rtaç&o;. Qual a melhor dassi- 
ficaçâk) muscular ; si a actual tem defeitos, quaes as reformas ? Da gra^ 
videz e do parto, considerados debaixo do ponto de vista medico- 
legal (proposições). These para o doutorado em medicina. Rio de Ja- 
neiro, i853. 

— Relaiorio acerca do cemitério puhlico do Maranhão . MafánhSo, 
1855. 

— Da grippe ^ítíemtca, ora roinante no Maranhão. Maranhão, 1^9. 

— Cartas sobre a chtmica considerada em suas applicaç5es á indas- 
tria, á physiologia e á agricultura, seguidas áoi pfincipios de chimica 
agrícola, pelo doutor Juste Liebig. Traducçio. S. Lnie, 1859. 

— Apontamentos sobre a provinda do Maranhão — Vem no Almanak 
administrativo di pfovincift do MarknhSo para o alino dé 1800 po^ Beltr* 
mino de Mattos. 

— Eitudós agreólas — Vem ho dito almanak, para 1862i 

— Noticia geographiod^ èstatistióa e histórica da proifinoia do Ma^ 
ranhão — Vem no dito almanak, de 1864, comum cateehismo agricolft. 

— Prineipaes successos da provinda do Maranhão desde seu des^^ 
cobrimento até oS nossos dias -^ No dito almanak, de 1868. 

«- A provinda do Maranhão» MaranhSo, 1862 — Nesta obra o au- 
tor dá lioticias geogràphicas e estatísticas da provitlcitt. 

«- O partido liberal^ seu programma e futuro por Eduardo Labou- 
laye, do instituto; traduzido por um cidadfio maranhense. S. Luiz do 
Maranhão, 1867, 238 pags. in-8.o 

— Notioia acerca da vida e obras de João Francisco Lisboa — ,B 
um trabalho de 203 paginas que serve de introducçfio ás obras deste es«- 
criptor, e vem no í^ tomo delias. Relativamente a este trabalho, se acha 
á pag. 745 do tomo 4<* das referidas obras uma apreciação muito li- 
Bongeira para o doutor Henriques Leai, escripta por F. Sotero dos R?is, 
de quem tratardi no logar competente, a qual foi reproduzida na Revista 
do instituto histórico^ tomo 29<*, paga. 405 a 415. 

— Introdueção d obra : 4 Historia da independência do Maranhão 
pelo senador Luiz António Vieira da Silva. » 

— Pantheon maranhense : ensaios biographicos de maranhenses iUus* 
três, já &lIecidos. Lisboi, 1873 a 1875, 4 vols. — a saber : O i^ volume 
trata de Manoel Odorico Mendesi José Ignacio da Cunha (Visoonde de 
Alcântara), Francisco Sotero dos Reis, José Cândido de Moraesi e seni^ 



188 

dor António Pedro da Gosta Ferreira (Bário de Pindaré). O 29 trato do 
brigadeiro Feliciano António FalcSo, senador Joaquim Franco de Sá, se- 
nador Joaquim Vieira da Silva e Souza, senador José Pedro Dias Vieira, 
doutor Joaquim Gomes de Souza, António Joaquim Franco de Sá, JoSo 
Duarte Lisboa Serra, Trajano GalvftD de Carvalho e conselheiro Fran- 
cisco José Furtado. O 3» trata somente de António Gonçalves Dias. O 
4<» de JoSo Francisco Lisboa, António Marques Rodrigues, e frei Cus- 
todio Alves SerrSo — sendo a maior parte destas biographias acompa- 
nhadas doi retratos dos biographados. 

«- Lucubrações : Tentativas históricas. A guerra do Paraguay. A 
litteratura brazileira contemporânea. D. António e suas obras. Lisboa, 
1874, in-8.0 

— Apontamentos para a historia dos jesuítas no Brazil^ eztra- 
hidos das chronicas da companhia de Jesus. Lisboa, 1874, 2 tomos em 
1 vol. in-8o — Sahiram antes na Eevista do instituto, tomos 34^ e Sõ.® 

— Os vestidos brancos : drama traduzido. MaranhSo, 1854 — E' um 
dos doze números da B.hliotheca dramática de António do Rego. 

«- Estes dous fazem um par : vaudeville traduzido — Vem na mesma 
coUecçSo com o drama O casamento do gaiato de Lisboa de José Ja- 
cintho Ribeiro, MaranhSo, 1854. (Veja -se António do Rego.) 

A-ntonio SCerouLlano de SouLasa Bandeirai, 1* ~ 

Natural da provincia de Pernambuco, sendo formado em sciencias sociaes 
e jurídicas pela &culdade de Olinda, e professor de philosophia do antigo 
collegie de bailas artes da mesma faculdade, representou sua província na 
camará temporária na legislatura de 1863 a 1866, e escreveu : 

— Questões de philosophia^ conteúda? no programma adoptado para os 
exames do bacharelado em lettras psla universidade da Paris por A. 
Charmá ; traduzido do francez, da 3* ediçSo. Pernambuco, 1848. 

— Reforma eleitoral. Eleição directa : coUecçSo ds artigos 
dos doutores José Joaquim de Moraos Sarmento, José António de 
Figueiredo, consalheiro Pedro Autran Ja Matta e Albuquerque, JoSo Sil- 
veira de Souza e António Vicente do Nascimento Feitoza. 

A.ntonio neroulano de Souza Bandeira, ^« 

— Filho do precedente, nasceu na provincia da Pernambuco, em cuja fa- 
cullade recebeu o grau de bacharel e depois o de doutor. Foi director 
da 2* secçSo da secretaria d^ estado dos negócios da justiça, sendo tam- 
pem nomeado professor de philosophia e direito natural publico e consti- 
tucional da escola normal ; concorreu em 1880 a uma cadeira de eco- 
nomia politica da escola polytechnica, e partindo para Europa com li- 
cença do governo para tratar da sua saúde, ahi fv>i encarregado pelo 
mesmo governo de visitar os jardins de in&ncia, e mais tarde de estudar 
as escolas normaes primarias, sendo em sua volta ao império nomeado 



189 

director da instraoçSo publica do municipio nealro, em cajo exercício se 
acha. EscreYeu : 

«- Commentario á lei n. Íi44 de 11 de Setembro de 1861 e sabse- 
quente legislaçSo sobre os casamentos de pessoas, que nSo professam a 
religião do Estado. Rio de Janeiro, 1876, 374 pags. in-8.® 

— O recurso d coroa s^ganio a legisIaçSo brazileira, contendo a in- 
dicação e analyse das leis, dacretos, avisos do governo e consultas do 
conselho de estado sobre a matéria. Rio de Janeiro, 1878, 125 pags. 
in-So — Trata-se neste volume do direito de agraciar, da natureza e li- 
mites deste poder, dos effeitos do perdão, ete. 

— Administração dos trabalhos e serviços de engenharia civil^ mi- 
nas, artes e manufacturas : dissertação seguida de proposições sobre : 
lo, deveres e garantias dos inventores e fabricantes ; 2^, pessoal para a 
organização d is estatísticas ; 3^, condições necessárias a uma boa orga- 
nização administrativa. These para o concurso á cadeira de economia 
politica da escola polytechnica. Rio de Janeiro, 1880. 

— A questão penitenciaria no Braz'l — serie de artigos impressos na 
Revista brazileira^ tomos 3» e 4<*, 1880. Nestes artigos se trata dos es- 
clarecimentos indispensáveis sobre as ideias de criminalidade e penali- 
dade ; fundamentos do direito de punir ; em que coneiste a questão pe- 
nitenciaria ; esboço histórico do desenvolvimento da questão peniten- 
ciaria ; systemas apresentados ; resultados obtidos ; penalidade do có- 
digo brazíleiro ; execução das penas e estado das prisões ; embaraços que 
encontra a reforma penitenciaria ; opiniões emittidas pqi* estadistas bra- 
zileíroB ; medidas empregadas ; exame dos trabalhos mais importantes, 
escriptos sobre a matéria, e esboço de um plano de reforma. Foi escripto 
na volta do autor de uma commissão do governo, em 1879, ao presidio 
de Fernando ds Noronha. Depois deu elle á publicidade : 

— A penitenciaria no Brazil. Rio de Janeiro, 1881, 84 pags. in-8o — 
Neste opúsculo estão reunidos os escriptos, a que acabo de referir-me, 
com algumas anno tacões. 

— Informações sobre o presidio de Fernando de Noronha : relatório 
apresentado ao governo, etc Rio de Janeiro, 1880, in-4.* 

— O jardim infantil, sua natureza, seu fim, e seus meios de acção : 
relatório apresentado ao governo. Rio de Janeiro, 1883, 93 pags. in»8.® 

— Relatório sobre as escolas normaes primarias em França, apresen- 
tado a s. ex. o sr. conselheiro Rodolpho Epiphanio de Souza Dantas, 
ministro e secretario de estado dos negócios do império. Rio de Janeiro, 
1883, 23 pags. in-8.<» 

— Relatório sobre as escolas normaes primarias na Áustria e Alie- 
manha, apresentado a s. ex. o sr. conselheiro Pedro Leão Vellozo, etc. 
Rio de Janeiro, 1883, 26 pags. in-8.<> 

Na Revista brazileira ha diversos escriptos do doutor Bandeira. 



190 

António Xgpaaofo <Ie Mesquita PITeT-es — Filho le- 
gitimo de Ignacio das Virgens Neves, nascea na cidade de Alagoas, an- 
tiga eapital da provinoia do mesmo notae, a 1 de maio do 1834. 

Estava destinado a Mgair o estado ecelesiastioo, mas em eoBseqnenci» 
de fallecer seu pai tendo do sobrecarregar-se logo] de seus irnSos me- 
nores, entrou para o magistevio como professor da instrncçâio primaria 
em Mae3iá» ondd serviu per espaço do dez annos» até 1857. Passando 
então paca o Rio de Janeiro, serviu outros tantos annos oomo conferente 
da eaixa de amortização ; d*ah,i £i>i transferido para o logar de ajudante 
do inspector da alfandega de sua provinoia ; extincto este logar, serviu 
addido ao theaouro nacional e depois successi vãmente como inspector da 
alfandega de Porto- Alegre, inspector da do Maranhão, chefe de secção 
da de Pernambuco, inspector da de Santos, e exerce actualmente o cargo 
de conferente na corte. 

Cultivou com esmero a litteratura, que — diz elle — deixou para de- 
dicar-se só aos negócios e serviço de fazenda ; é official da ordem da Eoza, 
e escreveu : 

— Primeiros prelúdios de minha lyra, Maceió, 1851 — E' uma col- 
lecção de suas poesias. O autor, tendo feito uma edição pequena deste 
livro, recolheu quasi todos os exemplarei. Só vi um exemplar que poa- 
sue um velho em Alagoas e sei que dona Aristhea Pontes Torreão possuo 
outro. 

«- Matiz : periódico litterario. Maceió, 1851 — Esta publicação 
foi de ephemera duração, e seu redactor foi também um dos redacto- 
res do 

'-'Tempo : periódico politico, liberal. Maceió, 1852 a 1858 — Esta 
folha trouxe-lhe perseguições de parte do presidente da proyincia A. G. 
de Sá e Albuquerque, as quaes o obrigaram a vir para o Rio de Janeiro, 
onde entrou para o serviço de fazenda, como já ficou dito. 

A.utouio IgrnaeSo de 1*oirreei Bfetndeii*» — Fi- 
lho do bacharel António Rangel de Torres Bandeira e de dona Maria da 
Conceição de Souza Rangei, nasceu em Olinda, antiga capitel de Pernam- 
buco, a 20 de março de 1852. 

Depois da estudar as matérias da instrucção primaria, latim e fran- 
cês com habeb professores, estudou com seu pai geographia, histona* 
philosophia e rhetorica ; e assim preparado entrou para o serviço de 
fazenda em sua provinda no logar de terceiro escripturario da thesoura-p 
ria^ logar, de que, por motivos particulares, pediu demissão ao cabo de 
dous annos e meio de exercício. Desd) muito joven dedicou-se 4 litte- 
ratura, revelanJo-se poeta aos quatorze annos de idade, e com tendência 
á litteratnra romântica de Chateaubriand. Tem dado à estampa escriptos 
seus no Diário de Pernambuco, no Americano, na Provinda^ Correio 
do norte. Jornal da tarde, Miosotys, Lucta, Archivo pittoresce e Con"^ 
gresso litterario ; e tem além disto» escripto : 



— o senkar Gveg^rio meio oritico : seena eomica. PerottoutocM^ 
1875. 

-* Uma patuscada : comedia em um acto« Pernamboco, 1879* 

— Sensitivas : coUecçãa de poasiai -^ Inédito. 

*»- J}4i Deus iMzes a quem não tem dentes : entre->aeta conUo -^ 
Mem. 

— Um engano conjugal : cojmedia em «m acto -^ Idem^ 

Sei mais por affirmar-me o antor qae possuo alguns dramas, extra- 
hidos dos romaaces : A Freira do subterrâneo^ Vingança da baroimjsaj 
Tempestades do coração^ e Amor e perdição. 

A.xitonio Xlcle.A:MisoGk>ne«i •— Natural da provijicia áe 
Mioas^raes, ua^iceu em 1794, sendo seus p»es o capit&o Amónio- Qc^ 
mes de Abreu e Freitas e dona Joaepba Thomaaia Oemes* e fi^Ueceu no 
Rio de Janeiro em 1859. 

Formado em medicina pel» antiga escola xaedico-cirurgica da Ria de 
Janeiro, aqui firmou sua residência oomo medico clinico, dedicando-ae ao 
mesmo tempo ao estudo da botânica, queir tbeorico, quer pratico, para cujo 
fim fez diversas e notáveis eijcursões pelo império* passando além dos 
pontos, i que tinham até entlúo chegado* em suas eseucsdes os preceden- 
tes viajantes e naturalistas. Escreveu : 

— Princípios elementares de botânica^ traduzidos do inglez, de J-. 
Lindley. Rio de Janeiro, 1843, com estampas. 

— Viagem ds provindas íLo Norte do Brazil em 1855 e 1856* Rio de 
Janeiro, 1857, 48v pags. in-4.<* 

— Lamentações de um bnazileiro. Rio de Janeiro, 1854. 

— Manual de hydro^sudo^tkerapia ou directório pava qualquer pes- 
soa em sua casa curaj!-se de uma grande parte das enfesmidades que affli- 
gem o corpo humano, não empregando, outros meios que^ o suor, agua 
fria, regimen e exercicio. Rio de Janeiro, 1848, com estempas. 

— Carta aos editores da guia homodopathica dos fa^ndeiros, on tratado 
de homoeopathia domestica, contendo ahygiena» o pegimen eo tratamento 
therapeutico das moléstias pelo systema de Hahnemann peio Dr. Bigei -^ 
Se acha inserta nesta obra, precedendora. 

António «Taeintlio JLHrvler Oabx-al — Nasceu na 
provinda de Pernainbuco no ultimo quartel do século passado e ainda 
vivia em 1858, gozando de geral consideração e estima por soas quali- 
dades nobres, e por sua inteUigencia cultivada, em Roma, para onde ar- 
guira em 1825 depois de ter estado em Portugal algum tempo. 

Foi um habilissimo pintor, director e lenta de desenho do coUegio San- 
to António do Recife até o anno de 1822, em que partiu para Portugal, e 
escreveu : 

— EçBplicação analytica do quadro allegorico* da regeneração da mo- 
narchia portuguesa, feito a bico de pon&a por seu antori oto. » dodicadKi 



192 

naçflo portuguesa e apresentada ao soberano congresso. Lisboa, 1822 — 
Este quadro, segundo affirma o autor do diccionario bibliographico por- 
tuguez, começou a ser gravado para se publicar p-^r meio de subscripçSo, 
depois de ser muito aprecia io peloB altos personagens que o viram; mas 
as circamstancias politicas, sobrevindas pouco tempo depois, impediram 
talvez a continuação e final conclusão do trabalho, pois que nunca saMu 
a gravura, nem delia se houve noticia. 

A.iitonio «Tanuario de Faria — Natural da cidade de 
S. Salvador, capital da Bahia ; f )z o curso de medicina em sua provincia, 
recebendo o grau de doutor em 1845 ; foi á Europa aperfeiçoar-se em seus 
estudos, e achando-se de volta á pátria, foi nomeado lente substituto da 
secção medica da mesma faculdade por occasiSo da reforma de 1835, e de- 
pois lente cathedratico de physiologia, de que passou em 1865 para a ca^ 
deira de clinica interna, na qual foi jubilado depois de vinte e cinco an- 
nos do serviços, sendo também director da faculdade. 

Foi ainda uma vez á Europa em basca de allivio a certo? soffrimentos 
physicos ; é do conselho de sua mage^tade o Imperador, commendador da 
ordem de Christo, melioo do hospital da misericórdia da Bahia, membro 
do conselho de salubridade , cirurgifio-mór do commando superior da 
guarda nacional, membro honorário da imperial academia de medicina, e 
escreveu: 

— A certòza em medicina : these apresentada e publicamente susten- 
tada perante a faculdade de medicina da Bahia a 22 de novembro de 1845 
afim de obter o grau de doutor em medicina. Bahia, 1845, in-4.<> 

'-^Lições de clinica medica. Paris, 1872,*^ in-8« — Foi esoripto 
este livro para compendio da cadeira do autor. 

— Memoria histórica dos principaes acontecimentos da faculdade du- 
rante o anno de 1859, apresentada á respectiva congregaçSo em cumpri- 
mento do art. 197 dos estatutos. Bahia, 1860, in-4.** 

— Discurso introductorio á aula de clinica interna, proferido no dia 14 
de março de 1871 e mandado publicar pelos alumnoe do 5** e 6^ anno me- 
dico. Bahia, 1871, in-8.o 

— Discurso pronunciado na abertura da aula de clinica medica a 16 
de março de 1867 — Vem ^na Gazeta Medica da Bahia, tomo 2», n. 
22, 1867. 

Ha outros discursos impressos, pronunciados por occasião da abertura 
de sua aula, e da collaçSo do grau de doutor no exercicio do cargo de di- 
rector da faculdade, e alguns escriptos desde estudante publicados em 
revistas, como 

— Algumas considerações acerca da moléstia denominada beribéri, a 
propósito do artigo do doutor Leroy de Merincourt — Vem na mesma 
gazeta tomo 3', n. 63, 1869. 

— PíycoZo^ía — artigo que vem no Cr q^iusculo, Bahia, 1» vol., 1845, 
contestando outro, sob o mesmo titulo, do doutor M. Ctonesio de Oliveira. 



193 

A.ntonio de Jesus e Souza — Nasceu na cidade de S. 
Salvador, capital da Bahia, e fallecen na campanha do Paraguay, yictima 
de uma pneumonia, em 18Ô7. 

Doutor em medicina pela faculdade de sua proyincia, onde fez todos os 
seus estudos desde a instrucçSo primaria, entrou para o corpo de saúde 
do exercito, servindo em Pernambuco, na Bahia e em Matto-Qrosso. Para 
esta província seguira o doutor Jesus e Souza em 1865 no cargo de chefe 
do serviço medico das forças expedicionárias contra o governo do Para- 
guay ; d'ahi voltara doente em 1866, e sem tratar-se convenientemente 
seguira para o exercito ^em operações no Paraguay, onde faUecea com a 
graduação de cirargiSo-mór de brigada. 

Desde seus primeiros annoj do curso medico, revelou-se um poeta ly- 
rico, ameníssimo e litterato ; ^era talvez a primeira íntelligeneía do corpo 
de saúde do exercito, e escreveu : 

— A valsa (poesia) — E* sua primeira composição poética, sahida no 
periódico AtJieneu^ n. 2. A naturalidade e belleza de suas poesias se 
pôde apreciar já no começo desta composição. Eíl-o : 

Foste, Marília, ao passeio. 

Ao passeio prohíbído 

Levaste belleza e enfeites, 
E amor no peito escondido. 
Eu te vi, tu não me viste ; 
Foste falsa, eu fui trahido. 

Levaste tua irmanzinha 
P'ra meus zelos dissij^ar. 
Tua irmanzinha é menina, 
E' menina e vai brincar, 
E tu ficas co*o amante 
Bem sosínha a conversar. . . . 

— O baile (poesia) — E' outra composição com que o autor estreou, 
também publicada no AtJieneu^ n. 4. 

— Endeixas de um trovador, Bahia, 1849 — E' um volume de poesias, 
publicado ém tempos de estudante. 

— Pi^posições sobre os diversos ramos da medicina : these inaugu- 
ral. Bahia, 1851. 

O doutor Jesus e Souza muitas vezes fallou-me acerca de uma obra que 
tinha entre mãos sobre hygíene militar, e sei que deixou um grosso maço 
de manuscriptos com o título : 

— Impressões de Goyaa — Paravam em poder de uma irmã sua, na 
Bahia. 

A.ntòxiio «Jo&Lo dle I^essa; — Ignoro as datas de seu nasci- 
mento e óbito, que teve logar em Caatagallo, onde possuía uma fazenda, 
assim como sua naturalidade, que supponho ser do Rio de Janeiro. 

Era presbytero do habito de S. Pedro e foi deputado pelo Rio de Janeiro 

na segunda legislatura, de 1830 a 1833,e um dos pronunciados na devassa, 

a que mandou proceder o conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, 

13 



IM AN 

eatfo miuiitro do império, para joitiflear o« acontecimentos de 20 de oata- 
bro de £822, sendo julgado innocente, oomo tidos os seus oompanheiroSf 
com excepçflo de João Soares .Lisboa. E com effeito o crime, de que eratn 
aocusados o padre Lesaa e seus companheiros, nSo foi outro, senSo o de 
se oonstituirem patriarohas de nossa independência. 

Os curiosos, qoe quizerem melhor apreciar estes factos, podem rer a 
obra intitulada « Processo dos cidadSos Domingos Alves Branco Monit 
Barreto, JoSo da Rocha Pinto, Luiz Manoel Alvares'de Azevedo, Thomaz 
José Tinoco de Almeida, José de Gouvéa, Joaquim Valério Tavares, JoSo 
Soafoa Lisboa, Pedro José da Costa Barros, Jo&o Fernandes Lopes, Joa* 
quim Gonsalves Ledo, Luiz Pereira da Nóbrega de Souza Coutinho, José 
Clemente Pereira, padre Januário da Cunha Barbosa e padre António 
Joio de Lesaa, pronnnciadoe na devassa, etc. Rio de Janeiro, 1824. > 

O padre Lessa escreveu : 

— Cartas escriptas de Cantagallo, que poderão servir de memorias 
historico-politicas daquelle paiz. Rio de Janeiro, 1830 — Esta interessante 
obra é tSo rara, como a que trata de seu processo. 

A.xitonio João Rangel de Va^eioonoellos — Na- 
tural do Rio de Janeiro, e filho do distincto topographo Modesto Rangel 
da Silva, que como tal vem citado na Geographia de Balbi, e de dona Ar- 
ohangela Ang3lica dos Serafins Vasconcellos, nasceu a 26 de maio 
de 1796, e &lleceu a 27 de agosto de 1855. 

Engenheiro militar, seguiu a carreira das armas onde subiu ao posto de 
i^arechal de campo, e serviu diversos cargos, sendo nomeado lente da 
escola militar, cargo em cujo ezercicio nSo entrou por intrigas relativas 
aos motins militares de 1831 ; era commendador di ordem de S. Banto de 
Aviz, cavalleiro da de Christo, e escreveu : 

-— Apontamentos militares. Rio de Janeiro, 1831, in-12 — Occupa-se 
este livro de defesa de praças e outros assumptos próprios a fortificar o 
exercito. Ha outros trabalhos seus na imprensa periódica, como : 

— Memoria sobre os pântanos de Meriti — NSo a vi, mas sei que se 
publicou em mais de um periódico, e que delia fez o conselheiro Jobim 
honrosa mençSo na faculdade de medicina. 

Jkntonio «Toaquim d.e A.1>x*eu «- NSo sei com certeza em 
que logar do Brazil nasceu ; parece-me que era bahiano e«pai de .um me* 
dico por nome Manoel Joaquim de Abreu, que serviu maito tempo no corpo 
de saúde do exercito e falleceu depois da campanha do Estado argentino 
4e 1852. Deve ter naacido no ultimo quartel do século passado. Era poeta 
e escreveu : 

— Sonetos sobre diversos assumptos. Lisboa, 1815 — E' um opúsculo 
que contém uma ode e cincoenta e nove sonetos. 



A.IÍ tonto «Toaiquim AJLva.ires do A.maira.1 — Paa de 

José Álvares do Amaral e do desembargador Manoel Maria do Amaral, dos 
qnaes tratarei adiante, nasceu na prorincia da Bahia no principio do 
século actual, e fulleceu pelo anno de 1850 ; exerceu, entre outros cargos, 
o de presidente da província de Sergipe, e depois da do MaranhSo ; era 
commendador da ordem de Christo, etc. Escreveu : 
-— Diversos relatórios — na administraçSo das provindas mencionadas. 

— Estado da casa da santa misericórdia em Í843 . Bahia, 1843, in-4.« 

— Relatório do estado da adyninistração da casa da santa miseru 
cordia da cidade da Bahia, apresentado na primeira reuniSo da mesa 
administrativa em o dia 21 de julho de 1844 pelo respectivo escrivSo An- 
tónio Joaquim Alvares do Amaral. Bahia, 1844, in-4.*' 

António «Joaquim Oox*x-eia> — Natural do Rio de Janeiro 
e doutor em medicina pela faculdade desta cidade, na qual recebeu o grau 
em 1862, foi um dos médicos que nesta corte offereceram seus serviços á 
caixa de socoorros D. Pedro V ; ó medico do matadouro, e escreveu: 

— Accupressura : dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 1862— Contém 
também em seguida, proposiçdes sobre : FecnndaçSo. Procedimento do 
parteiro nos casos de apresentação da espádua com sabida do braço* 
Asphyxia por submersSo. 

-^Guia do povo. Rio de Janeiro, 187* — B' uma guia de medicina ho- 
moeopathica, escripta ao alcance de todas as intelligencias, a quem é des- 
tinada. 

A.iitoxiio «Toaquim da, Costa Júnior — Como indica 
a palavra Júnior com que se assigna, é seu pae António Joaquim da Costa. 
Quanto ao mais que lhe diz respeito, apenas sei que cursava o quinto 
anno de direito da faculdade de Pernambuco, quando escreveu : 

— Conferencia sobre a centralização^ feita no dub popular, etc« na 
noite de 5 de setembro de 1880. Recife, 1880, 15 pags. in-4.* 

A-ntoxiio «Toaquim Ourvello d^A-vila — Natural do 
Rio de Janeiro, nasceu a 4 de março de 1812 e falleceu em 1870 ou 1871. 

Tendo feito o curso da academia de marinha com praça de aspirante a 
guarda-marinha em 1834, serviu na armada, vencendo diversos postos ató 
o de capitão de fragata ; prestou serviços na campanha do Estado oriental 
do Uruguay de 1851 a 1852 e na commissSo de demarcaçSo de limites 
entre o Brazil e a republica do Uruguay ; exerceu ultimamente o cargo 
de ajudante do observatório astronómico por muitos annos ; era cavalleiro 
das ordens de S. Bento de Aviz, da Rosa e de Christo e condecorado com 
a medalha de campanha já mencionada, e escreveu: 

-> Signaes syllabicos — Não conheço esta obra . Vi delia a noticia que 
dá o catalogo da bibliotheca da marinha, sem mais declara^, do que a de 
possuir a mesma bibliotheca 280 exemplares. 



19e AJN 

— Aniuxes meteorológicos do Rio de Janeiro dos annos dei863 a i867. 
Rio de Janeiro, 1868 — Antes disto collaborara nesta obra com o general 
António Manoel de Mello, director do laboratório a^^tronomico. (Veja-se 
António Manoel de Mello.) 

Como membro da commissSo de demarcação da limites entre o império 
do Brazil e a republica do Uraguay to\re parte nas cartas e trabalhos da 
mesma commissSo (yeja-se Francisco José de Souza Soares de Andréa) 
e parte muito activa em diversos de taes trabalhos como a 

— Carta plana da fronteira do Chuy levantada de 15 de oatnbro a 
31 de dezembro de 1852 para servir á ôxaçâk) da linha divisória entre o 
império do Brazil e o Estado oriental do Uruguay nesta parte da fronteira 
commum ao3 dous Estados, pela commissâo de demarcaçâk» de limites* etc. 
— Ly thographada no Archivo militar, Rio de Janeiro, 1853. 

António «Joaquim. na*iiia>zio-~ Natural da cidade de S. 
Salvador, capital da Bahia, onde falleceu a Í3 de fevereiro de 1881 com 
mais de 60 annos de idade, foi professor de arithmetica e álgebra no ly- 
C6U da mesma capital, e exerceu um dos primeiros legares da secretaria 
da santa casa da misericórdia, donde passou a servir um logar de tabel- 
USo. Escreveu : 

— Tombamento dos bens immoveis da santa casa da misericórdia da 
Bahia em 1862, organisado sendo escrivão, e depois provedor, o irmSo 
Manuel José de Figueiredo Leite. Bahia, 1862, in-4.o 

— Biographia do brigadeiro Manoel Ferreira de Araújo Guimarães — 
Vem na Revistado instituto histórico, tomo 6°, pag. 262 e seguintes. 

. A.ntonio «Toa^quiin. Fx-aneo dle Sá — Natural da pro- 
víncia do Maranhão, nasceu na cidade de Alcântara a 16 de julho de 1836, 
sendo seus pães o senador Joaquim Franco de Sá, e dona Lucrécia Roza 
da Costa Ferreira e falleceu a 29 de Janeiro de 18o0, sem ter ainda 20 an- 
nos de idade completos . 

Era poeta, frequentava, quando falleceu o 4° anno do curso de sciencias 
jurídicas e sociaes da faculdade do Recife e deixou grande cópia de suas 
composiçSas poéticas, que foram por sen irmão, o doutor Felippe Franco 
de Sá, hoje senalor do império, publicadas posthumas com o titulo : 

— Poe^ta; de António Joaquim Franco de Sá. S. Luiz do Maranhão, 
1867 — Este volume é precedido de uma noticia biographica do autor, es- 
cripta pelo dito seu irmão ; e n'uma carta, a este dirigida pelo illustrado 
litterato portuguez Thomaz Ribeiro, teceu grande elogio ao volume o 
eloquente escriptor de D. Jaime, depois de respirar nas poesias posthu- 
mas de A. J. Franco de Sá, os perfumes singelos daquella alma gracioza 
de adolescente e de poeta, como elle se exprimiu — elogio que também no 
Cancioneiro Alegre, pags. 109 a 120, lhe faz outro litterato e escriptor 
portuguez, G. Càstello Branco. No mesmo cancioneiro se acham duas 
poesias suas, que são 



— A esbelta. Amor ô Namoro — Pags. i2i a 126. SSô duas compo- 
siç5e8 joviaes, como as qne compõem o livro. 

Ant'j8 de expirar, no delírio de uma febre violenta, onde se denun- 
ciava a caaza de sua morte, pediu a seu irmSo que escrevesse os se- 
guintes versos que elle recitava com voz commovida, tremula: 

Si tu vieres, bella compassiva, 
Gomo dos troncos velhos o renovo, 
Minh*alma ao morrer talvez vivera 
Para te amar e te adorar de novo. 

Vem. • , corre para aqui neste momento 
Esquecendo teus pães e o teu Bugenio ! 
Eu já colhi as palmas do talento 
Gomtigo colherei cVôas de génio. . . . 

E nSo continuou, porque viu que seu irmão chorava, e abraçando-o, 
com as delle se misturaram suas lagrimas. 

A^ntonio «Toaquini I^eme — E* natural da provincia de S. 
Paulo, e formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade da mes- 
ma provincia, exerce a advocacia na cidade de Bragança, e escreveu : 

— Coroação da Virtude ou a independência do Brazil : drama em cinco 
actos — NSo pude ver este drama, mas creio que é impresso em S. Paulo. 

A-utonio «Toa^quiin dle MAoedo Soares — Natural 
da provincia do Rio de Janeiro, nasceu na villa de Maricá a 14 de janeiro 
de 1838: 

Formado em direito pela faculdade de S. Paulo, seguiu a carreira da 
magistratura, onde serve actualmente como juiz de direito, e tem sido por 
diversas vezes deputado provincial. 

Sócio, desde que frequentava a faculdade, da sociedade Ensaio philoso- 
phico paulistano, e da academia philosophica do Rio de Janeiro, e pos- 
teriormente de diversas associações litterarias, deu á lume os primeiros 
ensaios de sua penna hábil e bem aparada, como collaborador dos Ensaios 
litterarios e do Correio Paulistano^ e além de diversas poesias lyrícas, e 
artigos em proza sobre critica litteraria e outros assumptos publicados nas 
citadas revistas e na Revista do Atheneu Puulistano^ escreveu : 

— J?armonta5 brazileiras: contos nacionaes, coUigidos e publicados, 
etc; primeira serie. S. Paulo, 1859 — E' uma coUecçSo de poesias brazi- 
leiras, diz o doutor Macedo Soares, as quaes — parte inéditas, parte pu- 
blicadas em vários periódicos, redigidos quasi todos por essa esperançoza 
mocidade que se senta nos bancos das faculdades de S. Paulo e do Reci- 
fe, periódicos de ephemera duração — si nSo estavam esquecidas, ao me- 
nos nSo se achavam, por assim dizer, encerradas n'um só feixe por uma 
ideia superior que as ligasse na sua ultima nacionalidade. NSo me consta 
que sahisse segunda serie. 

— Lamartinianas , Rio de Janeiro, 1869 — E* uma coUecçSo de poesias 
de diversos poetaa brazileiros. 



1« AN 

•- Meditações : poesias. Rio de Janeiro, 18 **. 

-•^Da liberdade religioza no Brazil: estudo de direito constitucional. 
Rio de Janeiro, 1865 — Esta obra já havia sido publicada na revista men- 
sal do Ensaio philosophico paulistano ; e nella mostra o autor com argu- 
mentos derivados da philosophia e do dir nto, e confirmados pela historia, 
que deve ser livre no império o exercicio publico de qualquer religião. 
Gomo era de esperar, appareceram diversos escriptos, refutando taes 
ideias, entre os quaes: € A liberdade religioza segundo o senhor doutor 
António Joaquim de Macedo Soares, magistrado brazileiro. Rio de Janei- 
ro, 1855 > obra, de que sahiu á luz segunda edição em 1866 ; e a € Circu- 
lar aos parochos para que previnam os seus freguezes contra os funestos 
effei tos do opúsculo do doutor António Joaquim de Macedo Soares, etc. 
Rio de Janeiro, 1866 » pelo monsenhor Félix Maria de Freitas e Albuquer- 
que, governador do bispado. A liberdade religiosa do doutor Macedo 
Soares teve terceira edição no^io de Janeiro, 1874, 84 pags. in-8.o 

^» Regimento dos distribuidores em geral. Rio de Janeiro, 1868 — 
Esta obra foi muito bem recebida pelas classes, a quem interessa. 

— Tratado juridico pratico da medição e demarcação das terras, tanto 
particulares, como publicas, comprehendenio : direito e pratica das medi- 
ções e seus processos ; noçQes elementares da topographia pratica com 
applicaçSo ao processo das medições e demarcações ; formulário do pro- 
cesso, medição e demarcação das terras publioas e particulares ; addições 
t correcções sobre as sesmarias e sobre o alqueire de terra. Rio de Janei- 
ro, 1878 — Ha segunda edição, consideravelmente augmentada Ha parte 
doutrinal • na jurisprudência. 

'^Tratado pratico dos testamentos e successões por António Joaquim 
Gouveia Pinto, annotado por A. J. de Macedo Soares. Rio de Janeiro, 1867. 

-» O mate no Paraná : noticia eacripta e ofiferecida á commissão central 
da exposição do Paraná. Rio de Janeiro, i875«- E* precedida esta obra de 
uma introducçSo, escripta pelo doutor Miguel António da Silva e acom- 
panhada do desenho da planta ileoo pwaguayensis , Era o autor, quando 
escreve u-a» juiz de direito de Campo-largo, comarca desta província. 

'^Primeiras linhas sobre o processo orphanologico por José Pereira 
de Carvalho. Nova edição, contendo as notas e addiçOes do doutor José Ma- 
ria Frederico de Souza Pinto ; revistas e augmentadas por António Joa- 
quim de Macedo Soares. Rio de Janeiro, 1880, in-8.o 

— Declaraçion de la doutrina christiana : manuscripto Guarany, tra- 
duzido e annotado, etc., precedido de uma carta do traduotor ao senador 
Cândido Mendes de Almeida. Rio de Janeiro, 1880 — Esta obra contém 
muitas notas em que cooperou o doutor Baptista Caetano de Almeida No- 
gueira, Foi publioaia antes na Revista do instituto histórico, 1880, pags. 
165 a 190. 

— A lei da reforma eleitoral e suas instrucções regulamentares, se- 
guida de um additamento e da divisão eleitoral, annotada, etc. Rio de Ja- 
neiro, 1881, 108 pags. in-S."" 



100 

Das pnblicaçCea do doutor Macedo Soarw, feitas em revistas de lettras e 
sciencias, citarei as seguintes : 

— O folhetim dQ domingo — serie de escriptos sobre dirersos assum- 
ptos. No Correio Paulistano j 1858. 

— Nininha romance de costumes académicos : *-Na JBsvúto mensal 
do ensaio philosophico paulistano, 1859. 

•— Ensaio eritico sobre Luiz José Junqueira Freire-«-Idem, 1859, e re- 
produzido no Correio Mercantil do Rio de Janeiro de 19 e 20 de seteou 
bro do dito anno. 

— Noticia histórica sobre alguns escríptores, poetas e artistas acadé- 
micos — Na Revista Popular do Rio de Janeiro, tomo S*, 1859, pags. 376 
e seguintes, e tomo 3«, 1860, pags. 23 e seguintes. 

— Flores silvestres de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio «^ No 
Correio Meroantil, 1860. 

— Três poetas contemporâneos — Idem, 1862. 

«- Sobre a etimologia da palavra boava ou emboaba •— Vem na Mevtsta 
Brasileira^ 1879 a 1880, pags. 587 e seguintes. A publicaçlo deste es- 
cripto deu logar a que sahisse outro com igual titulo, na mesma revista, 
tomo 2^ pags. 348 a 366, e tomo 3\ pags. 22 a 36. (Veja^e Baptista Cae- 
tano de Almeida Nogueira.) O escripto, a que me refiro, do doutor Ma** 
cedo, é extrahido dos seus 

— Estudos lewicographicos do dialecto brazileiro sobre algumas pala^ 
vras africanas, introduzidas no portugnez que se fiilla no Brasil -— Na dita 
revista, tomo 4", pags. 243 a 271 . Ha finalmente muitos trabalhos, oomo 
estes, publicados em revistas, e alguns inéditos, como o seu 

— Yocabulario da provinda do Paraná — < Redigiu o 

— Fórum litterario. S . Paulo, 1861 •<— tendo por oompanhoiíos na r^ 
dacçSo Z. A. Pamplona, e Américo Lobo. 

X>. A-ntonio Joa^quim de Mello, 1«, bispo de 8. Paulo »•- 
Filho do capitflo Theobaldo de MeUo Gezar e de dona Josepha Maria do 
Amaral, nasceu em Itú, provincia de S. Paulo, a 29 de setembro de 1791 
e falleceu a 16 de fevereiro de 1861 . 

Antes de seguir o estado ecclesiastico, assentara praça no exercito, 
sendo ainda muito criança, mas sempre contrariado em sua veoaçlo 
natural, deixou pouco tempo depois a carreira das armas para dedicar^se 
i religiSo e receber o habito de S. Pedro. 

Foi apresentado bispo de S. Paulo a 5 de maio de 1851, confirmado a 
17 de Qtarço de 1852, sagrado a 6 de junho, e por proouraçSo tomando 
posse de sua diocese a 14 de junho, fea nella sua entrada pontifical » 2 
de agosto do referido anno ; e apenas empossado do bacnlo, como dis Aze- 
vedo Marques, foi seu primeiro cuidado percorrer toio bispado oom o 
duplo fim de reformar os abusos com a palavra e com o exemplo e de 
colher donativos para fundar o seminário episcopal, o que effectivamente 
eonsegoia. 



200 

O bispo dom António Joaquim de Mello era do conselho de sua mages- 
tade o Imperador, conde romano, prelado domestico de sua santidade, 
assistente ao throno pontifício, e escreveu diversas pastoraes, e entre 
ellas : 

•— Carta pastoral^ saudando a sens diocesanos, dada aos 6 de julho de 
1852. Rio de Janeiro, 1852, 8 pags. in-4.o 

^» Pastoral f publicando o jubileu que nos foi concedido pelo summo 
pontifico Pio IX em 21 de novembro do anno próximo passado. Rio de Ja- 
neiro, 1852, 8 pags. ÍQ-4^ — Esta pastoral é datada de 18 de outubro deste 
anno. 

«- Pastoral, dada em Itú aos 13 de janeiro de 1861 «- Vem publicada 
no Monitor Catholico ns. 19 e 20 de 1 e 4 de setembro de 1881. E* a 
ultima ou a penúltima deste prelado, e versa sobre diversos asumptos da 
egreja. Nesta mesma revista, vem reproduzido um artigo de sua penna 
com o titulo : 

— S, Francisco Xavier, orae por nós. A propagaçSo da fé e a obrad& 
santa infância — no n. 6 de 14 de julho de 1881. Fora publicado ea 
avulso no anno de 1846 e distribuído pela província de S. Paulo. B* uma 
exposiçSo acerca destas duas obras, no interesse de coUectar esmolas para 
ellas. 

A.xatoxaio Joaiquim de Mello, 9o — Filho de Ignacio Cor- 
reia Gomes de Mello e de dona Anna Francisca das Chagas Alves M&ri- 
nho, nasceu na cidade do Recife, capital de Pernambuco, a 2 de feve- 
reiro de 1794 e ahi faileceu a 8 de dezembro de 1873. 

Sendo tabelliSo do judicial e notas em 1817, e se compremettendo nos 
movimentos políticos de sua província, foi por isso perseguido, abando- 
nou o emprego e foi exercer a profissão de advogado em Garanhuns, onde 
psrsifltiu até que, depois de proclamada a independência, foi nomeado 
procurador fiscal da thesouraria de fazpuda de Pernambuco. Tomando, 
porém, parte nos movimentos políticos subsequentes, de 1824, da repu- 
blica do Equador, e de novo perseguido, foi obrigado a homisiar-se até 
que pela promulgação do decreto de amnistia voltou a seu emprego, e o 
exerceu, obtendo aposentação em 1854. Suas opiniSes politicas ainda foram 
motivo de accusaçQes e processos contra elle instaurados em 1829 e em 
1838, dos quaes triumphou felizmente. 

Foi em sua província chefe do partido que sustentava a abdicaçâk) do 
primeiro imperante, e em opposição á Columna do throno e do altar ^ 
assoei açSo secreta, creada pelo partido adversos fundou e presidiu a so- 
ciedade patriotico-Tiormonisadora^ que auxiliou muito o governo por 
occasiSo da sediçSo militar de setembro de 1831, offerecendo ao mesmo 
governo seus serviços pessoaes e até dinheiro ; exerceu cargos de eleição 
popular, como os de juiz de paz, vereador da camará municipal, conse- 
lheiro do governo e da provinda, deputado provincial em diversas legis- 
laturas e deputado geral em uma das primeiras legislaturas, sendo votado 



201 



por diversas vezes para senador do império ; e serviu cargos de nomeaçSo 
do governo geral como o de presideate da Parahyba por carta imperial 
da regência de 10 de dezembro de 1832. 

Era comméndador da ordem de Christo, official da ordem da Roza, etc. 
e escreveu : 

«- Os Cahetés : cantata nacional — Foi escripta e publicada» quando 
se achava o autor foragido no brejo da Madre de Deus por causa da 
revoluçSo de 1824, tendo ahi noticia de que sd preparava em Portugal 
uma expedição contra o Brazil. Vem no seu volume Versos^ publicado 
em 1857, e no 2° tomo das Biographias de alguns poetas e homens il» 
lustres de Pernambuco. 

— Itaé : idylio — Foi tambam escripto por esta occasiSo, depois cor- 
recto, ampliado e offerecido em manuscripto ao Imperador em 1845. Vem 
nas mesmas collecções. 

— Versos de António Joaquim de Mello. Pernambuco, 1847, in-8<> «- 
Contém este yolume o idylio acima, três cantatas, três odes, cinco sone- 
tos e quinze anacreonticas . 

— O postilhão olindense : idylio offerecido ao senador Honório Her- 
meto Carneiro LeSo. Pernambuco, 1848. 

«- Biographias de alguns poetas e homens illustres de Pernambuco. 
Recife, 1856 a 1859, três vols — Nesta obra se occupa o autor dos seguin- 
tes individues : i^ yolume, JoSo Nepomuceno da Silva Portella, padre 
Manoel de Souza MagalhSes, padre José Gomes da Costa Gadelha, Felippe 
Bandeira de Mello, Pedro de Albuquerque e Manoel Caetano de Albu- 
querque Mello, 2o ; padr3 Felippe Benicio Barbosa, padre Francisco Fer- 
reira Barreto, Luiz Barbalho Bezerra e padre António Gomes Pacheco ; 
3o, Luiz Francisco de Carvalho e Castro, Jeronymo de Albuquerque, Ál- 
varo Teixeira de Macedo e João António Salter de Mendonça. Este vo- 
lume é dedicado a A. P. de Figueiredo, que das Biographias se occupara 
em um de seus luminosos folhetins publicados no Diário de Pernambuco, 
sob o titulo a Carteira^ de 2 de maio de 1858. (Yeja-se António Pedro de 
Figueiredo.) Dedicado a estudos biographicos, deixou inéditas : 

— : Diversas biographias — que foram achadas por uma feliz casualidade, 
quando já eram tidas por perdidas, segundo li n*uma noticia da idéa de 
uma exposição de leitura do Brazil, iniciada pela bibliotheca nacional de' 
Pernambuco em 1880, as quaes supponho pertencerem hoje ao instituto 
archeologico desta província. 

CoUeccionou além disto as 

— Obras politicas e litterarias de frei Joaquim do Amor Divino Cane- 
ca, colleccionadas em virtude da lei provincial n . 900 de 25 de junho de 
1869, mandadas publicar pelo excellentissimo senhor comméndador presi- 
dente da provincia doutor Henrique Pereira Lucena. Recife. 1876, 2 vols. 
in-4<' — E' procedido o 1» vol. da biographia de frei Caneca, escriptafpelo 
comméndador Mello* (Veja-se firei Joaquim do Amor Divino Caneca.) 



— Obras religiosa$ ê profanas do vig^arío FrancUco Ferreira Barreto, 
cavalleiro da ordem imperial do Cruieiro, commendador da de Cbriato, 
pregador da capella imperial, etc. etc., coordenadas em yirtude da 
lei prorincial n. 647, mandadas imprimir pelo excellentissimo senhor 
commendador presidente da província, desembargador Henrique Pe- 
reira Lucena. Recife, 1874, 2 yols. in-4o sendo o í^ precedido do 
retrato e da biographia do yigario Barreto. (Veja-se Francisco Ferreira 
Barreto.) Foi o fundador e redactor do 

^ Sarmonisador (orgfto do partido moderado). Pernambuco, 1831 -« 
Esta folha appareceu com a instrucçâo da sociedade patriotico-harmoni- 
sadora e contribuiu muito para o restabelecimento da ordem por occasião 
dos movimentos politicos desta época. 

António Joaquim, de Mello nDamlM)!*!!!! — Nas- 
ceu na província do Ceará a 12 de março de 1839, e falleceu entre o anno 
de 1875 e o de 1877. 

Matriculando-se na academia de marinha em 1855, ahi fez o respectivo 
curso, e sendo promovido a guarda-marinha em 1857, subiu suecessivar 
mente até o posto de capitSo de fragata, e exerceu diversas commissSes 
importantes, inclusive a de addido militar á legaçSo brasileira nos Es- 
tados-UniJos ; era cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, e da do Cru- 
zeiro, commendador da ordem da Roza, condecorado com a meialha de 
Paysandú e a da guerra contra o Paraguay, e escreveu : 

— Instrucçõe» organizadas a berdo da canhoneira Aragtusnf em 
cumprimento do aviso n. 1635 de 30 de junho de 1873. (Avisos aos na- 
vegantes para navegar a barra da Victor ia, os portos da Bahia, S. Fran- 
cisco, Pernambuco, Parahyba e a barra velha de Iguarassú.) Rio de Ja- 
neiro, 1874, 6 fls. in-4.0 

António JoAquim da.s Mercês — Natural da Bahia, 
ahi fez seus estudos e professou na ordem dos Carmelitas, e achando-se 
no convento do Recife, foi um dos muitos religiosos que adheriram á re- 
voluçSo de Pernambuco, de 1824 ; e quando as forças do governo se apo- 
deraram da capital, e as revolucionarias, fugindo para o Ceará, se ren- 
deram, depois de algumas guerrilhas, a 29 de novembro de 1824, frei 
' António das Mercês, que acompanhava estas forças, foi um dos prisio- 
neiros, que, com frei Joaquim do Amor Divino Caneca, frei JoSo de Santa 
Miquelina, o padre João Barboza Cordeiro, o padre Ignacio Bento d*Avila 
e outros, fez o major Bento José Lamenha Lins. 

Obtendo a liberdade, foi á Roma, secularisou-se e recebeu o grau de 
doutor em theologia ; voltando á Bahia, exerceu o cargo de lente de 
geometria do lyceu da capital, e de cónego da cathedral ; foi um dis- 
tincto orador sagrado, muito douto nas matérias ecclesiasticas, mas nunca 
publicou seus sermões. Oelle só conheço : 

'-'Instituições lógicas por Segismundo Storchenau, tradnsidas do 



AM WB 

latim. Bahia, 1837 — Fni informado por peasoa da £unilia do cónego Mer- 
cês de que é deste autor a obra : 

— Elementos de physica geral, redigidos por F. L. Altieri, e tradu- 
zidos em vulgar pelo doutor A. J. M. Bahia, 1841 . 

AJitonio Joaquim, de ]M!oux*a* -^ Natural, si não me 
engano, da provinda do Geará, foi deputado por esta provincia, e es- 
creveu : 

^Preciso dos successos que occasionaram o grande acontecimento 
do faustoso dia Sete de abril, dirigido aos cearenses pelos seus deputados. 
Rio de Janeiro, 1831, 3 pags. in-fol. — Assignam também este escripto 
os deputados José Martiniano de Alencar, Manoel do Nascimento Castro e 
Silva, Manoel Pacheco Pimentel e Francisco de Paula Barros. 

António Joaquim ^ogxieiíra. da G(ama — Pelo 
appellido parece ser da antigi familia Nogueira da Gama, de Minas 
Geraes. Sei apenas que falleceu no Rio Doce a 5 de abril de 1826 ; que 
exercia na provincia do Espirito Santo o logar de escrivffo da junta de 
fazenda, e escreveu por occasiSo da acclamaçáo da independência : 

— Discurso recitado no dia 12 de outubro de 1822 perante a effigie 
de sua magestade imperial o senhor dom Pedro I. Rio de Janeiro, 1822, 
8 pags. in-8o — Precede o discurso, em vez de titulo, uma dedicatória 
do commandante das armas Fernando Félix da Silva, apresentando-o a 
sna magestade. 

António Joaquim de Oliveira Oampos •— E' na- 
tural da provincia do Pará, onde reside ; formado em mathematicas pela 
escola central ; exftrce o logar de engenheiro da camará municipal de 
Belém e escreveu : 

— Qitestão do theatro de Nossa Senhora da Paz e a inepta oommissâo 
Christiano. Pará, 1874, 43 pags. in-8o com um mappa — Versa sobre uma 
contestaçSo de um orçamento de obras, elaborado pelo autor. 

António Joaquim Pioalugrcii — NSo está verificado si 
nasceu na provincia do MaranhSo, ou si foi um dos portuguezes ahi 
residentes que adoptaram a constituiçfik) de império. No Maranhão exex^ 
cen o magistério, e escreveu : 

— Mentor inglez ou recopilaçSo de regras fieuseis, extrahidas dos me- 
lhores autores, para se aprender a lingua ingleza. MaranhSo, 1829. 

i^ntonio Joaquim Rit>as ^ Nascido na cidade do Rio 
de Janeiro a 28 de abril de 1820, fez o curso de sciencias juridicas e 
sociaes na academia de S . Paulo e ahi recebeu o grau de bacharel em 
1840 ; no anno seguinte recebeu o grau de doutor e foi nomeado lente 
de historia universal ; em 1854, reformando-se a academia, foi nomeado 



204 AN 

lente substitato, e regeu como tal as cadeiras de economia politica, di- 
reito administrativo, direito publico, direito ciyil, e direito ecclesiaatico, 
até que foi nomeado por carta imperial de 2 de outubro de 1860 lente 
cathedratico de direito civil pátrio, analyse e comparação do direito 
romano, e em 1863 os estudantes, que concluiam o curso 'da faculdade, 
mandaram tirar á óleo seu retrato em tamanho natural para ser coUocado 
no salSo dos actos, e lithographar em Paris o mesmo retrato para ser dis- 
tribuído pelos amigos do distincto mestre. 

Foi deputado á assembléa de S. Paulo em diversas legislaturas con- 
secutivas desdo 1849 até sua vinda para o Rio de Janeiro, sendo reco- 
nhecido como um orador distincto pela correcçSo da dicçSo e pela lógica 
severa de seus argumentos ; desempenhou diversas commissSes impor- 
tantes, tanto do governo provincial, como do geral, entre ellas a de 
membro da commissSo revisora do projecto do código civil ; ó actual- 
mente advogado no Rio de Janeiro ; é commendador da orJem de Christo 
por seus serviços prestados áa lettras, e escreveu : 

— Navegação do Paraná e seus affluentes, o Parahyba e Mogiguassú : 
memoria -~ Vem na Bihliotheca brazileira^ revista mensal por uma as- 
sociação de homens de lettras. Rio de Janeiro, 1863, tomo 1^, n. 1 ; na 
Revista do instituto histórico^ tomo 2&», pags. 149 a 162 ; e finalmente 
no relatório do ministério da agricultura, commercio e obras publicas,, 
1862. 

^ Discursos parlamentares do Dr. Qabriel José Rodrigues dos Santos, 
colligidos pelo doutor A. J. Ribas com a biographia e o retrato lithogra- 
phado do orador. Rio de Janeiro, 1863 — E' um livro de 802 pags., pre- 
cedidas de mais 74 que contém a biographia escripta pelo coUeccionador. 

^ Direito administrativo hrazileiro, obra premiada e approvada pela 
resolução imperial de 9 de fevereiro de 1861 para u^ das acuidades de 
direito do Recife e de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1866. 

~^ Curso de direito civil brazileiro. Rio de Janeiro, 1865, 2 vols. 
^ Esta obra fin approvada para servir do compendio ao estudo theorico 
da sciencia do direito, e á pratica do fdro, pelas faculdades de S. Paulo e 
do Recife. 

— Curso de direito civil braxileiro. Rio de Janeiro, 1880, 2 vols. 
— E' uma segun ia ediçio da prece lente ; mas completamente modifi- 
cada, nâo só pelo novo systema de divisSo das matérias contidas na obra, 
e mais largo desenvolvimento delias, como pelo accrescimo de um novo 
titulo, de capítulos e paragraphos novos. 

— Consolidação das disposiçQf^s legitimas e regulamentares concer- 
nentes ao processo civil, approvada pela resolução imperial de 28 de 
dezembro d^ 1876 e impressa por ordem do governo imperial. Rio de Ja- 
neiro, 1878, 2 fls., 468 pags. in-4'» — E* dividida em doas partes, e traz 
como appendice de pag. 421 em diante : o decreto de 25 de outubro de 
1875 que dá força de lei no império á assentos da casa da supplica^ de 
Lisboa e competência ao Bajffemo tribnnal de justiça para tomar outros ; 



206 

o decreto de 10 de março de 1876 que regala o modo, por que devem 
fier tomados os assentos do supremo tribunal de justiça ; e um indice 
chronologico das disposições legislativas e regulamentos citados nesta 
consolidação . 

— Consolidação das leis do processo civil, commentadas pelo conse- 
lheiro António Joaquim Ribas com a collaboração de seu alho, doutor 
Júlio A. Ribas, vol. l.<> Rio de Janeiro, 1879, 529 paga. in-4.o 

— Da posse e das acções possessórias^ segundo o direito pátrio» 
comparado com o direito romano e canónico. Rio de Janeiro, 1883,400 
pags. in-4.° 

-«- Historia dos paulistas — Inédita. E' uma obra qne, ha muitos 
annos, escreveu o conselheiro Ribas, e de que apenas um fragmento foi 
publicado nos Ensaios litterarios de S. Paulo, outubro de 1850. Se 
deprehende, que o autor completou a obra, pelo modo, por que se exprime 
a redacção desta revista. Diz ella : « Extrahi da Historia dos paulistas 
(M. S.) pelo senhor doutor Ribas o fragmento, que ahi publicamos : o 
nome do autor é seu maior elogio e os qne lerem, poierSo apreciar o cri- 
tério do historiador, e a illustração de litterato. > 

Ha deste autor diversos discursos académicos, proferidos em actos so« 
lemnes, diversas memorias, artigos em proza e poesias, publicados em 
periódicos de lettras, como a Revista da academia de S. Paulo, o 
Kaleidoscopio e outros do Rio de Janeiro, ou em coUecçSes. Do poesias 
mencionarei as duas seguintes : 

— Get?isimani ~^ poesia que vem no Álbum litterario de António Ma- 
noel dos Reis, publicado em S. Paulo, 1862. 

— A' poesia — hymno que vem na Revista da academia^ pag. 284. 
O conselheiro Ribas redigiu : 

— O Piratininga: periódico politico e litterario. S. Paulo, 1850 ^ E 
depois deste voòigiM o Constitucional e com outros a Imprensa paulista^ 
todos da mesma provinda. 

António Joaquim Rod.i*i^ues da* Oosta — Filho 
de João Rodrigues Antunes da Gosta e de dona Luiza Engracia de Al- 
meida Costa, nasceu na capital da Bahia em 1833 e fálleceu ha cerca de 
dez annos. 

Doutor em medicina pela faculdade de sua província, apresentou-se em 
dous concursos, em 1860 e 1862, á um logar (ie oppositor da secção me- 
dica da mesma faculdade, e exerceu de 1858 a 1859 o logar de director 
do theatro S. João, de sua província. Cultivou desde os bancos de prepa- 
ratórios a litteratura amena, sobretudo a poética e escreveu : 

— Primeiros harpejos . Bahia, 1853, in-8o — E* um volume em que o 
autor enfeixou muitas de suas composições poéticas. 

— Notas perdidas: poesias. Bahia, 1856, in-8'' — Antes de sahirem 
estes dous volumes, publicara o doutor Rodrigues da Costa muitas poesias 
no Prisma de cuja redacção fizera parte, e n^outras revistas^ como: 



— A* Mar fida. Os olhos delia. Ella •^\êm no Atkeneuáà Bahia, 
ns. 7, 9 e 12. São os primeiros ensaios de uma musa de 14 annos. 

— As bahianas. O amor do poeta. O beijo roubado. Um sonho, A 
primavera. O poeta. Uns olhos, Dircêo. Sonhei que tu eras ^ Vêm no 
Cantos brazileiros^ Bahia, 1850 — Sfio escriptas ao mesmo tempo das 
procedentes . 

— Condições que deve reunir uma habitaçfto privada n'um paiz quente 
para ser salubre: disserta çSo. Bahia, 1856 ^E* uma theae inaugural, 
onde o autor trata também dos seguintes pontos em proposiçQes : 1<> Qual a 
importância do exame do puleo para o diagnostico das doenças interuas ? 
2f^ O raehitismo e a osteomalaxia sSo dous estados mórbidos distinetos ? 
39 Qual é a responsabilidade do medico legista segundo o nosso código 
criminal ? 

— Esboçar em um quadro as funcções cerebraes : these para o con- 
curso a três legares de oppositores da secção medica. Bahia. 1860 — E' 
seguida de proposições sobre os diversos ramos do ensino medico. 

— Diagnostico differencial das paralisias : these apresentada para o 
concurso a um logar de oppositor da secçSo medica. Bahia, 1862 — Idem. 

— Pedro I : drama histórico em quatro actos. Bahia, 1869 ^ Foi levado 
A scena na Bahia com muito applauao* 

— Dous de julho : drama — representado no theatro S. JoSo, da Bahia, 
no dia 2 d^ julho de 1857. 

— Calabar : tragedia — representada no theatro 6. Pedro, da Bahia. 
Ignoro si esta obra e a precedente foram impressos. O doutor Rodrigues da 
Gosta deixou muitas poesias, e talvez outras obras inéditas e coUaborou 
no Jornal da Bahia, onde escreveu : 

— Folhetins humorísticos -» 1856 e 1857. 

A^ntonio «ToaquiiUL de Seuna» — E* natural do Rio de 
Janeiro e formado em direito, exerce actualmente a advogacia na corte, 
depois de ter servido como promotor publico na comarca de Vassouras, e 
escreveu : 

— Intelligencia e trabalho, Peç.*. de arch.*. proferida na sessfio de 
12 de setembro na aog.S loj.*. Indost.*. e Gar.*. aov.*. de Nova Fri- 
burgo, poroccasião de ser discutida uma proposta tendente a ser creada 
pela loj.*. uma escola nocturna na mesma villa, a qual foi unanimemente 
approvada, 2^ edição. Rio de Janeiro, 1878, 20 paga. in-8.o 

A.]itoxiio «Toaquim. da* Sili^a* IMCciia; — Gonsta-mo que 
nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Nenhuma noticia mais pude obtor a 
seu respeito, e só çei que publicou a segui nto obra, já mencionada no 
Diccionario bibliographico portuguez, tomo 8^, pag. 421 : 

— O charadista^ ou grande coUecçSo de charadas compostas e reunidas 
por, eto. Rio de Janeiro, 1868^ 108 pags. in-8.<» 



S07 

A^ntoiif o <Toa.q[iiiitt rreixeiíra. de i^zevedLo — Nft- 
taral da cidade do Rio de Janeiro onde fallecea victima de nma taber- 
culose a 21 de maio de 1879, foi pharmaceutico formado pela faculdade de 
medicina da corte, exerceu o magistério como professor de noções de his- 
toria natural e physica da antiga escola normal da corte, depois como 
professor da instrucção primaria da freguezia de S . GhristovSo, e ultima^ 
mente na escola municipal de S. José, e escreveu : 

-^Considera:aa$ ao correr da penna Bohfe o projecto de um novo 
systema sanitário em relaçSo aos interesses da profissfio pharmaceutica. 
Rio de Janeiro, 1877, 24 pags. in-4.« 

Ha muitos escriptos seus na seguinte revista que redigiu : 

— Tribuna pharmaceutica : orgSo publico do instituto pharmaceutico 
do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1874 a 1879, in-4<> — A publicaçfto 
continuou ainda depois de sua morte. 

A^ntonio «Jofló A-lves — Pae do sympathico e desventurado 
poeta António de Castro Alves, e filho de António José Alves e de 
dona Anna Joaquina Alves de Sá, nasceu na cidade da Bahia a 16 de maio 
de 1818, e falleceu a 24 de janeiro de 1866. 

Oestinando-se a ser pharmaceutico, principiou a praticar n'uma phar- 
macia da mesma cidade ; mas, resolvendo-se a estudar medicina, matri- 
culou-se na escola medico-cirurgica em 1836. A revolução, porém, de 7 
de novembro de 1837, levou-o a retirar-se da capital e tomar armas pela 
causa da legalida ie ; assentou praça como primeiro cadete no batalhão de 
voluntários da Cachoeira ; entrou em combates e foi elogiado pelo com- 
mando geral das forças legaes. Finda a luta, continuou o curso medico ; 
recebeu o grau de doutor em 1841, sendo cirurgião do quarto batalhão da 
guarda nacional ; foi á Europa aperfeiçoar -se em seus estudos em 1842 e 
voltando á pátria, fez na faculdade cursos de pathologia, de auscultaçSo, 
e de operações. 

Por occasião da reforma das faculdades, em 1855, foi nomeado lente 
substituto da secção cirúrgica, e em 1861 lente cathedratico de anatomia 
descriptiva, donde passou á cadeira de clinica [externa em 1862 ; era 
cirurgião do hospital da misericórdia, facultativo da casa da providencia^ 
cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo, e escreveu : 

— Considerações sobre os enterramentos y por abusos praticados nas 
igrejas, e nos recintos das cidades ; perigos que resultam desta pratica e 
conselhos para a construoçSo de cemitérios : these apresentada e sustentada 
perante a faculdade de medicina da Bahia aos 26 de novembro de 1841. 
Bahia, 1841 — Nesta época ainda estavam em uso no império os enterra- 
mentos nas igrejas. 

— • Refutação da prova escripta pelo doutor João José Barboza de Oli- 
veira € O que seja a doença e quaes as eonsideraçõee sobre stía sede > no 
ooncuivo a uma oadeira de lente substituto da secção medica em 1846 — 
no periódico Crepúsculo^ tomo 2° pag. iSl ej eeguintee. A Mta 



208 

refataçSo respondeu o doutor Barbosa ii*um long^o artigo inserto no perió- 
dico Musa^co, 1846, paga. 217 a 223 e 234 a 233, nSo sendo concluída 
por cahir o Musaico. 

— Pequeno esboço ou memoria sobre a cultura da baunilha no Brazil — 
Vem no Recreador mineiro, tomo 4<>, 1846, pags. 681, 701 e 717 • se- 
guintes. 

^ Memoria histórica dos acontecimentos occorridos no anno de 1857 
na faculdado de medicina da Bahia, organizada para servir de chronica 
na conformidade do artigo 197 dos estatutos. Bahia, 1840. 
Em revistas de lettras ha ainda alguns escriptos seus, como : 
— - Camadas de terra' Qualidades d^ mestre. Recordações, noticias de 
Lisboa — artigos publicados no Crepúsculo da Bahia. 

A^ntonio José do A^mai^a.!» !<> — Nasceu na cidade do 
Rio de Janeiro a 13 de agosto de 1782, falleceu a 21 de Abril de 1840. 

Seu pae, José Francisco do Amaral, destinando-o ao estado ecclesiastico, 
o fez estudar no seminário episcopal, ondo recebeu elle ordens menores ; 
mas, deixando o seminário, fez o curso e formou-se em mathematicas na 
universidade de Coimbra em 1807. No anno seguinte entrou para o corpo 
de engenheiros no posto de 2» tenente, do qual subiu até o de major ; 
foi nomeado lento substituto da escola militar em 1811 e calhedratico em 
1819, sendo -jubilado em 1836 ; foi deputado pelo Rio de Janeiro á se- 
gunda legislatura de 1830 a 1833, merecendo a honra de ser indigitado 
para dirigir a edueaçSo do actual imperante e de suas sereníssimas 
irmfts após a abdicaçSo de dom Pedro I, e foi sempre, bem que muito 
devotado ás idóas republicanas, o homem da ordem e da mode- 
ração. 

Fez parte da commissão encarregada, antes da independência, de 
organizar os compêndios para a academia militar, para a qual nâk) me 
consta que apresentasse algum, e escreveu : 

— Oração pronunciada na abertura da academia militar no dia 9 de 
março de 1825 — Vem com outra de seu collega Manoel Ferreira de 
Araújo GuLmarSes no opúsculo com o titulo de « Narraçfio da solemne 
abertura da imperial academia militar em presença de suas magestades 
imperiaes, etc. Rio de Janeiro, 1825. 

Redigiu com José Joaquim Vieira Souto a 

— Astréa, Rio de Janeiro, 1826 a 1832, 6 vols.-~ E* uma folha politica 
de opposiçSo, mas sempre comedida, ao governo do primeiro imperador. 

. Foi também apontado como redactor do 

— Siynplicio : folha humorística. Rio de Janeiro, 1831-1833 in-4o — Esta 
publicação tinha por fim profligar pela sátira e pelo ridículo os maus há- 
bitos e preconceitos da época, assim como os abusos nas modas das senhoras 
fluminenses. EUa deu origem a diversas outras publicações períodicas do 
mesmo género e estilo ; podense dizer — fez que viesse á publicidade toda 
a parentella do Simplício. Aproveitarei esta opportunidade para dar 



209 

noticia de algamas pablicaçSes que pelo plano segnido neste livro teria 
de omittir, porque só doa noticia do escripto, quando possa dizer qnem é 
o autor. São ellas : 

— O Simplicio da roça : jornal dos domingos. Rio de Janeiro, 1831- 
1832, in-4<> ^ O primeiro numero é datado de 6 de novembro. 

~^ A verdadeira mãi do Simplicio ou a infeliz viuva peregrina. Rio 
de Janeiro, 1831, in-4° — Poucos números sahiram. 

^ A mulher do Simplício ou a fluminense exaltada. Rio de Janeiro, 
1832 a 1844, in-4'^ — Esta publicação é toda em verso. Foi a que teve 
mais longa vida. Precedeu-a outra Mulhar do Simplicio^ escripta por 
Paula Brito. (Veja-se Francisco de Paula Brito.) 

— A filha única da mulher do Simplicio (em verso). Rio de Janeiro, 
1832, in-4o — ComeçoQ a sahir a 14 de março. 

-^ A Simpliciasinha : jornal satirico e divertido (em verso). Rio de 
Janeiro, 1833, in-4.^ 

-» O Simplicio ds direitas^ posto no mundo ás avessas. Rio de Ja^ 
neiro, 1833, in-4o — E* também em verso. 

— Novo Simplicio poeta. Rio de Janeiro, 1840 — Sahiu o primeiro 
numero de 8 pags. in-4<> a 3 de janeiro. 

— A filha do Simplicio : jornal poético, critico, litterario, jocoso, a 
ás vezes politico, de iicado ao bello sexo (em verso). Rio de Janeiro, 1848 
— E* filha naturalmente do novo, e nSo do velho Simplicio. 

Uma destas folhas se diz ser da redacção do doutor L. V. de Simoni ; 
nSo sei qual é delias. - 

António «Tose do A.iiia.i*a,l, 2^ — Filho do negociante 
da praça do Rio de Janeiro, Francisco José do Amaral, nasceu nesta 
cidade a 1 de julho de 1824, aqui fez todos os seus estudos até 
receber o grau de bacharel em mathematicas na antiga escola militar, 
e apresentando-se ao concurso a uma cadeira de repetidor, foi nella 
provido, passando depois a lente cathedratico. 

Seguindo a carreira militar, assentou praça a 25 de março de 1842 na 
arma de artilharia ; foi promovido a alferes alumno em março do anno 
seguinte, e subiu successivamente a outros postos até o de coronel do 
corpo de estado-maior de artilharia, posto que actualmente tem ; tem 
exercido diversas commiss9es da repartição da guerra, taes como a de 
commandante da primeira bateria de foguetes a congréve, organizada no 
exercito, durante as campanhas do Uruguay e argentina, sendo ainda 
lo tenente, em 1852 ; official de gabinete do ministério da guerra mais de 
uma vez, e sjudante de ordens do respectivo ministro ; secretario da 
escola militar ; secretario da commissâ[o de exame da legislação do exer- 
cito, etc. E* do conselho de sua magestade o Imperador ; official da ordem da 
Rosa, cavalleiro das de Ghristo e de S. Bento de Aviz, condecorado com a 
medalha da primeira divisão que assistia á batalha de 3 de fevereiro de 
1852 em Monte-Caseros, e escreveu : 

14 



tio 

— Guia dõ fogueteiro de guerra aa aponUmantot sobre ot fo^ttiM de 
guerra, acompanhados de nm exQreicio para seu bom emprego; coordenada 
e offe.*ecida ao governo imperial para nso da escola de tiro, approvad» 
pela commisBão de melhoramentoa do material do exercito, e mandada 
adoptar por aviso do ministério da gnerra de 19 de fevereiro de 1861. Rio 
de Janeiro, 1861 -— Por esta obra foi o autor elogiado pelo Governo. 

— Nomenclatura ewplieada de artilharia para nso da escola militar, 
approvadapelo respectivo conselho de instracçlo e pela oommisaio de me- 
lhoramentos do material do exercito e mandada adoptar pelo governo por 
aviso da mesma data. Rio de Janeiro, 1861 —com nove estampas e ama 
tabeliã em folha desdobrável. Esta obra e a precedente foram impreaaas 
de novo n'am só volume por oriem do governo no mesmo anno, 1861. 

— Systema métrico^ comparado por meio de tabeliãs com o systema de 
medidas, usado no Brazil. Rio de Janeiro, 1862 — Este trabalho foi 
approvado pelo conselho de instrucçSo publica da provinoia do Rio de 
Janeiro, e mandado adoptar por ordem da presidência da mesma pro- 
vincia, de 8 de novembro de 1862, 

^m Indicador da legislação militar em yigor no exercito do império 
do Brazil, organizado e dedicado a sua magestade imperial. Rio de Janeiro, 
1863 — , a saber : vol. lo, 578 pags.; vol. 2% parte 1*, 525 page. comum 
mappa; yoL 2^, parte 2^, 468 paga. com três tabeliãs. Esta obra foi 
applaudida, não só por jurisconsultos e militares para quem é de 
grande valor, como pala imprensa, ap parecendo elogios ao autor noe 
periódicos Militar, Indicador Militar, Correio Mercantil, Diário 
do Rio, Jornal do Commercio^ etc. Depois se publicou 

'^Indicador da legislação militar em yigor no exercito do império do 
Brazil, etc, segunda edição. Rio de Janeiro -* a sabãr : vol. 1^, parte 1% 
1872, 422 paga. ; yol. 1<», parte 2*, 1872, 498 pags. ; voL 2«, 1870, 663 
pags. e Índice ; vol. 3^, 1871, 611 pags. com tabeliãs e indioQ* 

-^ Complemento do indicador da legislação militar em vigor no 
exercito do império do Brazil, ele. Rio de Janeiro, 1878 —3 yola%, 
a saber : vol. 1», 418 paga, ; vol. 2» (appendice), 344 pags. com diversos 
mappas e relações desdobráveis ; vjI. 3» (indico remÍMÍvo), 352 pags. 
em ordem alphabetica e mais uma de erratas. 

*- Questão anglo-brazileira, encarada por um militar — Serie de ar- 
tigos insertos no Diário do Rio de 20, 22 e 27 de fevereiro de 1863. 

•— Manobras de artilharia de campanha da guarda francesa, tradnsidas 
e commentadas — NSo vi esta obra. 

^Nomenclatura explicada da arma de Comblaiui organizada, por 
ordem de sua alteza o senhor marechal do exercito, Cende d*Eu, pela 
commis^ão de melhoramentos do material do exercito, sob a presidência 
interina do marechal de campo José da Victoria Soares de Andréa, 
tomando-60 por base o original francez, etc. Rio d 3 Janeiro, 1873 ^ As- 
signam também este trabalho os capitães Estevão Joaquim de Oliveira 
Santos, José Pereira da Graça Júnior o Luiz Carloe dia Coeta Pimentel. 



JLN aii 

António José de A.x*a>iiJo — Filbo de Manoel Joeé de 
Araajo e de dona Maria da Paz Araújo, nascea na cidade do Rio de Janeiro 
a 2 de fevereiro de 1807 e fallecea a 16 de abril de 1869. Depois de 
&zer ou estudos do commercio, e da academia de marinha, fez o curso de 
engenharia, recebendo o grau de doutor em mathematicas e sciencias 
physicasem 1881, e entrou noanno seguinte no magistério publico, como 
lente di academia militar, cujo cargo exerceu por quasi trinta annos, 
leccionando diyersas matérias e jubilando-se afinal . 

Foi official do imperial corpo de engenheiros, onde assentou praça a 6 
de dezembro de 1825, sendo promovido a segundo tenente um anno depois 
e subindo successiyamente a diversos postos até o de coronel ; professor 
honorário do lyceu de artes e officios ; sócio da sociedade auxiliadora da 
industria nacional, da sociedade propagadora das bellas artes e do con- 
servatório dramático ; é oavalleiro da ordem de S . Bento de Aviz, e 
escreveu : 

— Poesias offerecidas ás senhoras brasileiras. Rio de Janeiro, 1832 
— Segunda edição correcta e augmentadade outras novas poesias. Rio de 
Janeiro, 1835, 148pags. in-8*<> 

^ Thelaira ou os hespanhoes no novo mundo : tragedia em cinco actos. 
Rio de Janeiro, 1835, 96 pags. in-8.o 
•i» Pensamentos poéticos. Rio de Janeiro, 1838, 92 pags. in-8.® 

— Poesia do amor^ offerecidaao. . . senhor Francisco de Paula Brito. 
Rio de Janeiro, 1857, 23 pags. in-12* 

-— Saudação á estatua equestre do fundador do império, o senhor dom 
Pedro I. Rio de Janeiro, 1862, 8 pags. in-4.o 

— Ao feliz consorcio de sua alteza imperial a senhora dona Leopol- 
dina com sua alteza real o Duque de Saxe. Rio de Janeiro, 1864, in.-4o ^ 
E* uma poesia recitada no theatro a 26 de Dezembro deste anno. 

— Entrada das tropas constitucionaes no Porto : drama histórico, 
representado no Rio de Janeiro — Parece-me que nunca foi impresso. 

— Elevação de Dom Pedro II ao throno de Portugal: drama repre- 
sentado no Rio de Janeiro — Idem. Além destes dramas que são originaeÍB 
escreveu outros e traduziu alguns que não deu á publicidade, como os 
cinco seguintes : 

_ — A boa mulher : drama original. 
•^ Luiz XI : drama de Casimiro Levigne. Traducção. 

— Cinna .'tragedia de Corneille. Idem. 

— O alchimista : drama de Alexandre Dumas. Idem. 

— Samlet : drama de Ducis. Idem. 

— Discurso pronunciado no Gr.*. Or.-. Brás.', no dia 25 de maio de 
1846 por occasiSo da posse dos MM.*. PP.*. II.*. GG.*. Manoel Alves 
Branco, e Aureliano de Souza e Oliveira Goitinho, GG.*. MM.*. daOrd.'. 
Rio de Janeiro, 1846, in-8.<* 

^•Oração da abertura da escola militar em 12 de março de 1853. Rio 
de Jaaoiro, 1853, 20 pags. in-á.» 



212 

— Oração académica na solômne abertura da escola central do 
Brazil, pronunciada em 16 de dezembro de 1858. Rio de Janeiro, 1858, 24 
pags. in-4.^ 

-» Planta da cidade do Rio de Janeiro, organizada no archivo mi- 
litar pelos officiaes do exercito, coronel de engenheiros F. Carneiro de 
Campos, tenente-coronel de engenheiros doutor A. de Araújo, etc. 1858 

— Foi publicada no referido archivo. 

Ha finalmente diversos artigos do doutor Araiijo no Jornal do Comn 
mercio com a assignatura de Caverna acústica ; no Correio da Tarde 
assignados por Cabeça parlante; no IriSy Novo Tempo^ Marmota, 
Propheta, Daguerreotypo e no Diário do Rio sob o anonymo, ou assigna- 
tura figurada. 

António José de ^iTAUj c Pi]ili.eii*o.— Natural do 
Rio de Janeiro, falleceu a 30 de dezembro de 1881 em Petrópolis, onde 
exercia um emprego na camará municipal. 

Era tenente da guarda nacional e escreveu : 

— - A beata de mantilha : comeiia em um acto. Rio de Janeiro, 187' 

— Tinha mais composições deste género, segundo me consta. 

A.ii.toiiio José Ba^ptista. de Hiuné — Fez o curso de 
infantaria na antiga escola militar, e assentando praça em 1853, foi pro- 
movido a segundo tenente de artilharia em 1866 ; passando a servir na 
arma, de que tinha o curso, foi promovido a tenente em 1868, e depois a 
capitão, posto em que foi reformado em 1871, residindo actualmente em 
S. Paulo, onde publicou : 

— Almanak da provincia de S. Paulo para Í873. S. Paulo, 1873, 
940 pags. in-4" — Baptista Lane teve por companheiro na organização deste 
importante livro a Paulo Delfino da Fonseca. Este almanak traz em 
annexo diversos regulamentos, e a lei que substituo pelo systema mé- 
trico francez o systema de pesos e medidas, artigos sobre a cultura do 
café, do algodão, e da vinha, e muitas outras noticias de utilidade e valor. 
Não continuou a publicação nos annos successivos por causa da grande 
espeza que reclamiva. 

António José Oaetaiio da, Sil-va.» 1° — Filho de An- 
tónio José Caetano da SilVa e de dona Anna Maria Floresbina e irmão do 
doutor Joaquim Caet ino da Silva, de quem occupar-me-hei, nasceu na 
proviocia do Rio Grand ' do Sul a 12 de dezembro de 1817 e falleceu na 
^rte a 29 do março de 1865. 

Entrando para o funccionalismo publico, serviu muito tempo como 
empregado da alfandega do Rio de Janeiro, foi inspector da de Para- 
naguá*e da de Uruguayana, e escreveu : 

— Indicador administrativo das alfandegas e mesas de rendas ou 
Índice alphabetico, não só de todas as matérias, de que trata o regula- 



.áJN 213 

mento de 19 de setembro de 1860, mas também das disposiçSes poste- 
riores e das anteriores que ainda se acham em vigor. Rio de Janeiro, 
1862, 390 pags. in-8) — Caetano da Silya foi o fandador e primeiro 
redactor do 

— Diário do Rio Grande, Rio Grande, 1847 — Este periódico, actual- 
mente no seu trigesimo-sexto anno, tem passado pela redacção de pennas 
diversas e é o decano dos jornaes do sul do império. 

A^ntonio José Oaetano da* SilT-a.» 2^ — Exerceu 
até o anno de 1879 o logar de ajudante do professor de primeiras lettras 
da companhia de aprendizes artifíces do arsenal de marinha da corte, e 
neste emprego escreveu : 

-^ Arithmetica elementar para uso dos alumnos do arsenal de marinha 
da corte. Rio de Jan?iro, 18** — Segunda edição, Rio de Janeiro, 1877, 
111 pags. in-8.<> 

De 1880 em diante nSo consta dos almanaks o nome deste autor. 

A^ntonio «Tose de Oa>rvailli.o OliAves — Ignoro sua 
naturalidade. Só sei que era formado em direito, entrara para a carreira 
da magistratura, era desembargador por occasiSo da independência do 
Brazil, e escreveu ; 

— Memoria das minas do Paraguay diamantino na provincia de Mato 
Grosso — Foi escripta esta memoria em 1822, e vem publicada na Nova 
Minerva, tomo 1», 1845- 1846, ns. 3, 4, 6 e 9. 

A^ntonio «Toeé da, Ounlia. Ousmao e Vasoon- 
cellos — Sei apenas que era presbytero secular, monsenhor da car 
pella imperial e commissario geral do tribunal da Bulia no Rio de Ja- 
neiro, em cujo cargo, sendo proposta a extincçSo do mesmo tribunal, es- 
creveu : 

— Projecto de lei para a extincçSo do tribunal da Bulia, e exposiçffo a 
respeito, feita por monsenhor António José da Cunha GusmSo e Vascon- 
cellos, etc. Rio de Janeiro, 1828. 

A^ntonio «Tose X>oii&ingrues — Nascido em Lisboa em 
1791, falleceu na cidade de Pelotas, provincia do Rio Grande do Sul, 
pelo anno de 1865. 

Concluinio no logar de seu nascimento sua primeira educação lit- 
teraria, e adquirindo alguns conhecimentos da instrucçSo secundaria, 
veiu para o Rio de Janeiro com 16 annos de idade ; aqui applicou-se ao 
estado da pharmacia, cuja profis^^So exerceu por alguns annos, e dei- 
xou-a depois para se dar ao magistério como professor publico de gram- 
matica latina na cidade de Por to- Alegre, de onde foi transferido para 
igual exercício na cidade de Pelotas. 

Era cavalleiro da ordem de Ghnsto. Bom latinista, e também poeta, 



214 Alf 

e adopto fenroroso da relig^iSo christS e da monarchia* eecrdyeii mnitas 
poesias, onde tranapira esse amor ao throno e ao catholiciamo, das qaaes 
publicou diversas e também artigos em prosa em periódicos, como o Li- 
beral do Rio Grande do Sul, de que foi colla borador, publicando mais : 

— - Coliecção de poesias que ao muito alto e muito podtíroso senhor dom 
Pedro II, imperador doBrazil, O. D. C, etc. Pelotas, 1852,43 pags. in-8.o 

— O suicida salvo pelo amor e pela amizade. Rio de Janeiro, 1858, 
95 pagB. in-8o ^ E* um poema escripto em versos hendecasyllabos, com 
uma introducçSo philosophico-christS em prosa . 

— Uma palavra sobre o seminário episcopal, offerecida e consagrada 
á Santa Cruz. Pelotas, 1854, in-4.» 

— Discurso composto e recitado no asylo das orphSs desvalidas, depois 
do acto de sua inauguração, no dia 7 de setembro. Rio Grande do Sul, 
1855, 20 pags. in-8.o 

— A despedda do guerreiro ao partir para o campo do combate. Dia^ 
logo entre Alfredo e sua esposa Elvira — em versos hendecasyllabos sol- 
tos. Vem no Correio Mercantil de 27 de outubro de 1858. 

— Bpicedio á saudosa memoria da senhora dona Estephania, rainha de 
Portugal. Pelotas, 1859 — E* uma espécie de apotheose em yersohen- 
decasyllabo, intercalados de outros seteayllabos — Sahiu no volume que 
tem por titulo < Mausoléu levantado á memoria da excelsa rainha de 
Portugal dona Estephania » (Veja-ae Bernirdo Xavier Pinto de Souza). 

Deixou muitas poesias inéditas. Em 1878 seu filho Jeronymo José 
Domingues coUeccionou-as e annunciou que ia publical->as mediante aa- 
signaturas, que cobrissem as d^spezas necessárias. A familia do autor, 
porém, b£o combinando com esta deliberação, fez publico que Jeronymo 
Domingues nSo estava autorizado a fazer tal publicação por nfio ter ha- 
vido prévia ooncordata entre os membros da familia. E assim ficou pri- 
Tada a litteratura pátria de mais um esmalte. 

António «Tose Dua.x*te da* Silvai Bra-gra* — Filho de 
António José Duarte da Silva Braga e de dona Maria Margarida da Silva 
Braga, nasceu na cidado de Maceió, capital da província de Alagoas, é 
pharmaceutico pela faculdade do Rio de Janeiro, professor do lyceu de 
sua província, e escreveu: 

— Compendio de arithmetica, Maceió, 1875 — Este compendio é ado- 
ptado no lyceu de Alagoas, e em outros estabelecimentos de instrucçffo 
desta província. 

António «Tose Faloão da Frota. — Nasceu, si me nfo 
engano, em Santa Catharina e falleceu em 1849 ou 1850 ; foi official da 
armada* onde desempenhou diversas commissões, chegou até o posto de 
capitão de mar e guerra, no qual se reformara, e escreveu : 

— Tratado dos sophismas politicas por Jeremias Benthan, autor da 
Taotioa das assembléas : tradacçSo, Santa Catharina, 1838, 334 pags. 



AN 216 

António JO06 Fernandeci dLos Rei0 — Nasoen na 
cidade do Rio de Janeiro, a 25 de marfo de 1830, e é professor do curso 
preparatório annexo á academia militar. 

Antes disto teve parte na redacçSo do Correio da Tarde^ folha que se 
pablicon darante algnns annos no Rio de Janeiro, para a qual traduziu 
todos ou quasi todos os romances e noyellas que ahi se publicaram do 
1856 a 1861, passando de 1861 a 1868 a ser traductor do Jornal do Con^ 
mercio. Entre seus escriptos se acham : 

^ A noite do castcllo ': opera em três actos, posta em musica por 
A. Carlos Gomes. Rio de Janeiro, 1861 —Esta opera foi vertida para o 
italiano pelo doutor Luiz Vicente de Simoni, e o assumpto delia é tirado 
do poema de igual titalo de António Feliciano de Castilho ; foi cantada pela 
primeira vez, com muito applauso, no theatro lyrico da corte em setembro 
deste anno. 

— Luiza e Roza : romance — Sahiu no Correio Mercantil^ nSo sendo, 
porém, concluido. 

— Leonor : romance — No mesmo jornal. 

— A filha da vizinha : romance — Idem. Foi traduzido em italiano e 
publicado no Monitore italiano. 

^ A rainha das Tranqueiras : romance traduzido. Rio de Janeiro, 
1865, 4 vols. in-8<> — Foi traduzido para o Jornal do Commercio^ onde 
sahiu publiaado antes. 

— As ultimas proezas de Rocambole por Ponson du Terrail: tra- 
ducçfio. Rio de Janeiro, 1867, 3 vols. in-80 — Idem. 

— A desapparição de Rocambole : traducçâo. Rio de Janeiro, 1867, 
in-8« — Idem. 

^^Regresso de Rocambole: traducçâo. Rio de Janeiro, 1867, in-8<>— Idem. 

— Misérias de Londres (ainda Rocambole) : traducçâo. Rio de Janeiro, 
1868, in-8o_ Idem. 

— Os miseráveis por Victor Hugo: traducçSo. Rio de Janeiro, 1862 e 
1863, 10 vols . in-80 — Esta obra começou a ser traduzida pelo doutor Jus- 
tiniano José da Rocha em 1862 ; mas fallecendo este no começo de seu 
trabalho, tomou-o a si Fernandes dos Reis. Foi também traduzida para o 
Jornal do Commercio, 

— O poder da vontade, ou caracter, temperamento, e perseverança, 
por Samuel Smiles: vertido da tradacção francezade Talsindiòre. Rio de 
Janeiro, 1870, in-8.o 

^^Physiologia do matrimonio : historia natural do homem e da mulher 
oasadoa em suas mais curiosas particularidades ; theoria nova da propa- 
gação dos filhos do sexo masculino ou feminino, á vontade dos cônjuges ; 
esterilidade, impotência, imperfeições genitaes e meios de reparal-as ; 
hygiene da mulher gravida e do recem-nascido, por A* Debay. TraducçSo 
da 62^ ediçSo franceza. Rio de Janeiro, 1873, 484 pags. in-8.0 

^ Historia da guerra do Paraguay por Theodoro Fiz, traduzida e 
annotada. Rio de Janeiro, 1873. 



216 

Além dos romances já mencionados e de outros, tradazin para o Jornal 
do Commercio artigos políticos, entre os quaes se acham as 

^ Considerações politicas do professor Agassiz ^ publicadas neste 
jornal; e redigiu: 

— Revista fluminense : periódico semanal. Rio de Janeiro, 1865, in-4.o 
Sinto que não obtivesse de Fernandes dos Reis os apontamentos que 

lhe peii, sahindo por isso o presente artigo incompleto, e talvez carecendo 
de correcção no que fica mencionado. 

António «José dA F*oneeea> ILiessa. — Natural da Bahia 
e nascido na cidade da Cachoeira no segundo decennio do século actual, é 
cirurgião formado pola antiga academia medico-cirurgica da Bahia, dou- 
tor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, onde recebeu o grau 
em 1837, cirurgião-mór do brigada reformado do corpo de saúde do exer- 
cito, e cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz. Escreveu : 

— Considerações sobre as convulsões puerperaes: thes ) apresentada á 
faculdade de medicina do Rio de Janeiro a 30 de outubro de 1837. Rio de 
Janeiro, 1837. 

— Formulário do hospital militar da província da Bahia. Bahia, 185* — 
Foi escripto, exercendo o autor o cargo de delegado do cirurgiSo-mór do 
exercito na mesma província. 

Ha algumas poesias do doutor Leasa, esparsas, como o seu 
'^Ac7'ostico (ao nome de Ermes Ernesto da Fonseca) offerecido ao iUm. 

e exm. senhor commandante das armas da Bahia — Vem no Alabama de 

18 de março de 1880. 

António Joeé Gromes da; Oosta* — Natural do Rio de 
Janeiro^ nasceu, segundo posso calcular, entre os annos de 1725 e 1730, e 
íalleceu nos últimos annos do século XVIII. 

Era licenciado em philosophia e theologia, notável poeta em sua época, 
e fez parte da academia dos selectos, isto é, de uma reunião de homens 
de lettras que celebraram uma sessão solemne no palácio do governador 
Gomes Freire de Andrade, em 1752, com o fim de lhe tecerem elogios em 
proza e em verso por occasião de sua promoção a mestre de campo gene- 
ral, e primeiro commissario da mediçã ) e demarcação dos limites meri- 
dionaes do Brazil, instituída por iniciativa de Feliciano Joaquim de Souza 
Nunes, de quem oceupar-me-hei no legar competente. 

Escreveu muitas poesias, das quaes ficaram inéditas a máxima parte, e 
só conheço, das impressas, as seguintes: 

— Applauso métrico offerecido ao governador Gomes FVeire de An- 
drade — Vem no livro Júbilos da A merica, etc. Lisboa, 1874, pags . 3^ 
e seguintes. 

— Soneto ao secretario da academia doa selectos, doutor Manoel Tava- 
res de Siqueira e Sá — Vem na mesma obra, pag. 357. 



AN 217 

— Epistola ao secretario da academia dos selectos, etc. — ^Vem no appen- 
dice ao terceiro volume do Florilégio da poesia braziloira. 

António «José Henriques — B' nataral da província da 
Parahyba, que representou na camará ti^mporaria em diversas legislatU' 
ras, sendo contemplado o seu nome em duas listas tríplices para senador 
do império ; sub-director aposentado >ia directoria geral das rendas pu- 
blicas ; do conselho de sua magestado o Imperador, e commendador da 
ordem da Rosa. Escreveu, além de muitos trabalhos officiaes: 

^ A duplicata do 2<* districto eleitoral da província da Parahyba do 
Norte: exposiç&o á camará dos deputados. Rio de Janeiro, 1857, 60 pags. 
in-4.® 

António «José I^ea^l — Faltam-me noticias relativas a este 
autor. Sei apenas quo nascera no Brazil por declaral-o elle mesmo na 
obra que publicou, que é 

— Plano em que se dSo ideias geraes de educação e se mostra o es- 
tado em que se acha no Brazil, dedicado aos meus muito amados e caros 
concidadãos e patriotas . Por um brazileiro, amigo verdadeiro de sua pá- 
tria. Rio de Janeiro, 1822, 24 pags. in-8.<* 

António «José I^eite I^ol>o — Só conheço este autor pela 
o^jra que ahi vai descripta. Não é possível que ella seja de António José 
Leite Lobo, fluminense, formaio em direito em 1852, e f illecido em 1854, 
a não haver engano na data da publicação do livro, que entretanto só vi 
annunciado. E' ella 

— Gabriel Lambert por Alexandre Dumas, traduzido do francez, etc. 
Rio de Janeiro, 1836, in-S.^' 

António «José M!a;o]].a.dLo ^ Natural da província do Ceará, 
falleceu a 11 d'3 julho de 1861, sendo escolhido senador por esta província 
a 21 de maio do mesmo anno. Era magistrado, foi eleito deputado em 
diversas legislaturas, e não sendo approvada sua eleição de 1845, escre- 
yeu com seiís collegas: 

— Manifesto que os deputados eleitos pela província do Geará fazem aos 
habitantes desta província por occasião da injusta decisão que os repelliu 
da representação nacional. Rio de Janeiro, 1845, 173 lags. in-12. 
( Yeja-se André Bastos de Oliveira.) 

António «José Marques — Professor publico da instrucção 
primaria, actualmente em exercício na freguezia de Santa Rita da corte; 
escrerea : 

-^Compendio de systema métrico. Rio de Janeiro, 18**. 

A.ntonio «José das IVeves Maldonado Bandei- 

x*a — B* natural, segundo me consta, da província de Minas Geraes, e 
escreveu: 



218 

— Compêndio da histeria do antigo e novo testamento com as raz5oB, 
com que se prova a verdade da nossa religiSo, traduzido do francez. Rio 
de Janeiro, 1868 — Ha deste livro dez edições, sendo a ultima de 1881, o 
que prova a excellencia delie. 

A.ntonlo «Tose Oboi*1o — • Nascen na capital da Bahia em 
1817 e fallecoa a 10 de outubro de 1868. 

Fez em sua província todo curso da medicina, demonstrando sempre 
notável intelligencia, applicaçSo e sizudez ; no mesmo anno de seu dou- 
torado foi nomeado bibliothecario da faculdade ; dous annos depois, em 
1841, apresentou-se a concurso á uma vaga de substituto da seeçSo me- 
dica, e depois a outro concurso por igual vaga em 1846, sendo entSo 
nomeado ; em 1855 por occasifio da reforma das faculdades medicas passou 
a lente cathedratico de pbarmacia, que leccionou até & época de seu 
fallecimento ; e no intervallo dos dons concarsos, á que me referi, con- 
correu para o preenchimento de um logar vago na secçSo cirúrgica, tendo 
por competidores os doutor'' s José de Góes Siqueira e Mathias Moreira 
Sampaio e mostrando-se igualmente preparado nas matérias desta secção. 

O doutor Osório escreveu: 

— Considerações medicas sobre a utilidade do casamento : these apre- 
sentada e sustentada perante a faculdade de medicina da Bahia aos 21 de 
novembro de 1839. Bahia, 1839. 

— Existem febres idiopathicas f these apresentada, etc. no concurso da 
cadeira de substituto da socçSo medica. Bahia, 1841. 

— Signaes pelos quaes se pôde reconhecer o cancro do atero e diagnos- 
tico differencial entre as ulcerações e o cancro do mesmo orgSo : these 
apresentada e sustentada pennte o jury do concurso para o logar de 
substituto da secção cirúrgica. Bahia, 1843. 

— Envenenamento considerado, tanto em pathologia, como em medicina 
legal : these apresentada e sustenta Ja perante o jury do concurso para o 
logar de substituto dasecçSo medica. Bahia, 1846. 

— Memoria da fiiculdade de medicina da Bahia no anno de 1866. 
Bahia, 1867. 

i^ntonlo «Tose Osório de Pina I^eitâo — Nascen 
em Pinhal, reino de Portugal, a 12 de março de 1762 e falleceu no Rio de 
Janeiro, sendo brazileiro adoptivo, a 24 de março de 1825. 

Formado em direito na universidade de Coimbra e seguindo a carreira 
da magistratura, exerceu diversos cargos inherentes a ella, até o de 
desembargador da relaçfio da Bahia, onde permaneceu, depois de procla- 
mada a independência, em serviço do império ; foi um dedicado cultor da 
litteratura,sobre tudo da poética, e escreveu: 

— Elegia á morte do serenissimo senhor dom José, príncipe do Brasil. 
Lisboa 1788, 15 pags.— E' uma composiçSo em versos soltos. 

— Traducção livre ou imitaçfio das Georgicas de Virgilio e outras maia 



219 

ootnposiçSOB poéticas. Lisboa, 1794, 256 pags. in-d®-— Contém a tradncçXo 
das Georgicas em versos soltos, e mais diversas odes e sonetos originaes, 
divididos em daas partes. A academia real das sciencias de Lisboa, 
sendo-lhe apresentada a segunda parte deste livro, premioa-a n*tuna de 
suas sessões ; Bocage qualificou de boa a versáo ; entretanto José Maria 
da Costa e Silva considera esta mesma versfio obra de medíocre mereci- 
mento^ na Revista universal l>sbonensej tomo &>, pag. 425. Este livro 
teve segunda edição, Lisboa, 1804 . 

— A/fonsiada : poema heróico da fundação da monarchia portugueza 
pelo senhor rei dom Affonso Henrique. Bahia, 1818, 278pags. in-4o — 
Este livro é ornado com os retratos de dom Affonso Henrique, de dom 
Joffo IV e do autor , e o poema, que se compõe de doze cantos em oitava 
rima, foi elogiado por Ferdinani Denis no seu Resumo da historia 
litteraria de Portugal ; entretanto ao autor do Diccionario bibliographico 
]^ortuguez parece que poucos leitores terão tido a paciência necessária 
para o levarem ao fim. 

— Odê pindarica ao^illustrissimo e excellentissimo senhor Conde dos 
Arcos— Sahiu no volume que tem por titulo € Relação das festas 
que ao illustrissimo e excellentissimo senhor Cond ^ dos Arcos deram os 
Bubscriptores da praça do commercio». Bahia, 1817,64 pags. in->4.<> 

— Ode pindarica offarecida a ol-rei o senhor dom João VI na sua glo- 
riosa acclamação. Bahia, 1818, 10 pags. in-4.o 

— - Ode pindarica ofierecida a el-rei nosso senhor dom João VI^ na 
occasião do faustissimo parto da princeza real. Rio de Janeiro, 1819, 
13 pags. in-4.o 

A.iitoiiio «José de Paiva. Ouedea de i^ndrade 

— Não pude verificar em que logar nasceu ; falleceu na cidade do Rio 
de Janeiro em 1850, sendo official-maior da secretaria de estado dos ne- 
gócios do império, do conselho de sua magestade o Imperador, e sócio do 
instituto histórico e geographico brasileiro. 

Cultivou a poesia, publicando sob o anonymo algumas composições 
neate género de litteratura e deixando outras inéditas, e applicou-se 
tanto ao estudo da historia pátria que Manoel de Araújo Porto-Alegre, 
depois Barão de Santo Angelo, em noticia biographica, que delle escre- 
veu, disse que levara comsigo para a sepultura um immenso thesouro de 
documentos históricos 6 de esclarecimentos dè factos. Se ocoupava, 
quando o sorprendeu a morte, com a 

-^Traducção dos clássicos íattnos.— A traducção de alguns ficou 
conclnida. Não se sabe, porém, que destino tiveram seus escriptos. Só 
conheço delle : 

— Jerusalém libertada, de Tasso : traducção — de que sahiram as dez 
primeiras oitavas do primeiro canto no Ramalhete poético do Parnaso 
italiano pelo doutor Luiz Vicente de Simoni. 

— A sua alteza real o príncipe regente do reino do Brasil por occa- 



23» JkX 

siSo de annuir aos votos da província do Rio de Janeiro, S. Paulo, Rio 
Grande e Minas Geraes, e do embarque da divisão auxiliar : ode. Rio de 
Janeiro, 1822, 5 pags. in-4.<' 

— A sua alteza real o príncipe regente e defensor perpetuo do reino 
ro Brazil : ode. Rio de Janeiro, 1822, 2 fls. in-4.® 

— Carta ao redactor da Malagueta em analyse ao seu n. 8 e defesa 
do decreto de sua alteza real o príncipe regente, datado de 16 do corrente 
(fevereiro). Rio de Janeiro, 1822, 8 pags. in-folio. 

— Considerações sobre o manifesto de Portugal aos soberanos e povos 
da Europa na parte relativa ao reino do Brazil, offerecidas aos deputados 
deste reino em cortes — Inéditas. O minuscripto, original, que se sup- 
põe de 1821, esteve na exposição de historia pátria, de 1881. 

António «José Peixoto — Natural da província de Minas 
Geraes, falleceu no Rio de Janeiro de 1864 a 1866. Era doutor em medi- 
cina e um habilissimo operador ; cavalleiro da ordem da Rosa e commen- 
dador da de Christo de Portugal, e escreveu, além de muitos artigos sobre 
medicina e cirurgia em revistas : 

— Instrucçôes contra a cholera-morbus epidcmica ou conselhos sobre 
as medidas geraes que se d wem tomar para prevenil-a, seguidos do modo 
de tratai -a desie sua invasão. Rio de Janeiro, 1855. 

— Acção do chloroformio — Sahiu no Jornal do Commercio de 29 de 
março de 1848. Ahi o doutor Peixoto expõe a influencia salutar do chlo- 
roformio e diz que esta substancia nunca pôde ser nociva ou prejudicial á 
economia animal. 

A.ZI. tonto «Tose Pereira. — Ignoro as circumstancias que se 
referem a sua pessoa. Apenas sei que vivia na época da independência 
do im()erio, se dedicava á poesia, e escreveu : 

— A liberdade do Brazil : elogio dramático para se recitar no thea- 
trinho da Praça da Constituição no faustissimo anniverf^ario e glorioza 
acclamação do nosso augusto imperante, o senhor dom Pedro I. Etio de 
Janeiro, 1822, 12 pags. in-4o — E' escripto em verso. 

A-ntonio «Tose Pereira, das ^eves — Natural do 
Rio de Janeiro, onde nasceu a 24 de julho de 1814, e falleceu a 8 de maio 
de 1882, sendo doutor em medicina pela faculdade da corte, onde se for- 
mara em 1839. 

Foi á Europa com uma subvenção de 50$000 mensaes, marcada pelo 
provedor da santa casa da misericórdia, o conselheiro José Clemente Pe- 
reira, afim de estudar o tratamento dos alienados e o serviço dos res- 
pectivos hospitaes, e de volta ao império exerceu o cargo de medico le- 
gista privativo da policia da corte, no qual se aposentou em 1881 ; 
era cavalleiro da ordem de Christo, membro honorário da academia impe- 
rial de medicina, e escrevea : 



íIlN 221 

-^ Dissertação medico-legal acerca do infanticídio. Rio de Janeiro, 
1839 — E* Bua these inaagural. 

— Memoria sobre os hospitaes dos alienados na Europa — Não affirmo 
si ó este o verda leiro titulo que tem um escrípto que o doutor Neves apre- 
sentou em sua volta da E uropa, e que foi publicado, como me disse elle, 
na Revista da academia imperi ai de medicina em 1848 ou 1849. 

— Therapeutica dos est reitamentos da urethra — Vem no Archivo me- 
dico brazileirOf tomo 4<>, n. 5, 1848. Neste escripto se transcrevem ses- 
senta e três aphorismos de Le-Roy d*Estioll6B, relativos ao tratamento dos 
apertos da urethra. 

— Consderações medico-legaes acerca do attentado contra o pmdor da 
menor Leopoldina, ou refutaçfto da memoria apresentada á academia de 
modicina pelo doutor Francisco Ferreira de Abreu com o titulo « Con- 
siderações medico-legaes sobre um caso controverso de infracção do art. 
223 de nossa legislação criminal. » Rio de Janeiro, 1857, 54 pags. 
in-4.0 

A-ntonio «Tose Pereira da* Silva» Araiiijo — 

Natural da proyincia da Bahia, ahi estudou o curso medico, recebeu o 
grau de doutor e exerceu o cargo de medico do asylo de expostos da santa 
casa (ie misericórdia. Actualmente é professor do clinica de moléstias 
syphiliticas e da pelle, e director do laboratório de microscopia na polycli- 
nica geral do Rio de Janeiro; é sócio correspondente da socieiade 
medica de Santiago do Chile e escreveu: 

'^ These inaugural, Bahia, 1874 — Contém uma dissertação sobre a 
pathogenese da febre traumática, da infecção purulenta, e da septicemia, 
e apreciação dos processos curativos após as operações, consideradas 
mais úteis afim de evitar-se a infecção purulenta e a septicemia ; e pro- 
posições sobre: l^* Funcções evacuadoras nas differentes cavidades do 
corpo ; 2o Que importância tem a forma pharmaceutica dos vinhos medi- 
cinaes ? 3<> Qual é o melhor tratamento da hypoemia intertropical ? 

— Tecidos da substancia conjunctiva e caracteres que os distinguem : 
these de concurso a um logar de substituto na secção cirúrgica. 
Bahia, 1875. 

— Memoria sobre a filariose^ moléstia produzida por uma espécie de 
parasita cutâneo, de-icoberto, etc. Bahia, 1875, com duas estampas — 
Depois de publicada esta memoria, em que o autor descreve a moléstia 
por elle ol)servada na Bahia, publicou ama carta no Globo, rectificando 
snas observações, a qual foi reproduzida na Revista Medica do Rio de 
Janeiro de junho de 1876. 

— Relatório medico do avsylo dos expostos no anno de 1878 a 1879 
pelo. . . encarregado interinamente da clinica do mesmo estabelecimento 
durante os sete últimos mezes deste periodo — Sahiu na Gazela medica 
da Bahia, lo78, pags. 261 a 285. 

-^Electricidade medica: tratamento da elephancia pela electricidade 



— Sabia no Progresso medico^ 1879, e depois na União medioa, 1881. 
Ha diversos artij^os do doutor Silva Araajo sobre este assumpto nesta 
revista. Para este tratamento mandou elle fabricar agulhas especiaes, 
e assevora que a electricidade è o melhor meio para curar a elephancia, 
fazendo-se a applicaçSo sob a forma de correntes introduzidas, continuas 
e lectrolyticas, que poderão ser empregadas isoladas ou de combinação. 
Neste sentido dirigiu elle uma nota á academia das sciencias de 
Paris. 

— Atlas des maladies ds la peau. Rio de Janeiro, 1883, in-folio— B' 
uma publicação em fasciculos. O primeiro sahiu em janeiro deate anno. 

— União medica : publicação mensal. Rio de Janeiro, 1881 - 1882 «> 
Esta revista completou o segundo volume de cerca de 600 paginas in*8* e 
continuou a publicar-se em folhetos mensaes. São seus redactores, além 
de Silva Arai^jo, os doutores O. de Freitas, Moura Brazil, Moncorvo e 
Júlio de Moura. AM se acha seu 

— Discurso inaugura/, [proferido no dia 28 de julho de 1882 na an- 
gusta presença de sua magestade o Imperador, e de sua alteza o senhor 
Conde d*Eu na polyolimica geral do Rio de Janeiro — Se acha no toqio 2o, 
pags. 251 a 293. 

António «Tose Pinlxeiro rri].pi]ia.ml>lk — Filho de 
António José Tupinambá e de dona Josepha Maria Tupinambá, nasceu 
na capital da Bahia, a 22 de agosto de 1831. 

Fez em sua província todos os seus estudos até receber o grau de doutor 
em medicina na respectiva faculdade em 1853 ; entrando depois para o 
corpo d') saúde do exercito, esteve em diversas províncias do império, e 
pedindo sua demissão do serviço militar, estabeleceuHie na provincia do 
Pará, onde se acha ; é oavalleiro da ordem da Roza, e escreveu: 

— De hômorrhagiis : theses pathologicse, quas ad lauream doctoris ob- 
tinendam facultatis imperialia medicinse et cirurgise bahiensis prescriptio. 
Bahia, 1853. 

— Analyse philologica das vozes radicaes da língua ario«tupi, ou 
idioma tupinambá— Não sei ai deu á estampa este escripto ; o manu- 
scripto, porém, existe na bibliotheca nacional da corte, e o cónego Fran- 
cisco Bernardino de Souza faz delle menção em sua obra Missão do 
Madeira^ segunda parte, pag. 93. (Veja^se Francisco Bernardino de 
Souza.) 

A-ntonio «Tose Rodrigruiefii — Official do .exercito brasi- 
leiro, serviu no corpo de engenheiros e foi reformado no posto de 
marechal de campo, fallecendo no Kio de Janeiro entre os annos de 1858 e 
1859. Escreveu: 

-^ Memoria geographiea e histórica sobre a vasta fronteira da pro- 
vincia de Mato Grosso com a descripção dos postos que a guarnecem, 
SUA origanit qualidade de fi)rtiâoa/ç6e8 o seu estado actual, o£Eér«oida ao 



•xoeilentimimo senhor Luii de OlÍTeira Alvares, ministro e seeretario de 
estado tdos negócios da guerra— Inédita. Foi escripta em 1829, e o 
autographo se aoha na bibliotheca nacional . 

— Planta da bateria nova, sitaada na margem oceidental da ilha de 
Santa Catharina no Pontal do Rio de Janeiro, projectada, desenhada e 
construida por ordem do governador da mesma pelo coronel, etc . no anno 
de 1819 —Existe cópia no archivo militar. 

<— Pontos da ilha de Santa Catharina^ determinados astronómica- 
mente —Idem. 

— Mappa topogrophicQ do rio Paragaay desde a Bahia Negra até o 
Janrú — EUi diversas cópias, no dito archivo, na secretaria dos estran- 
geiros, na bibliotheoa de sua magestade o Imperador, etc. 

A-ntonio «José Rodrigr^es OapistrAno — Nasceu 

no Rio de Janeiro ; aqui fez o curso da faculdade de medicina, pela qual 
foi graduado doutor em 1837 ; exerceu o cargo de vaccinador na junta 
vaccinica da corte, e escreveu: 

— Dissertação sobre a metrorrhagia : these apresentada á faculdade 
de medicina do Rio de Janeiro em 19 de maio de 1837. Rio de Janeiro, 
1837. 

— Algumas palavras sobre a vaccina: memoria. Rio de Janeiro, 1850. 

• A-ixtonio JTomé Rodrierues Olxaves — Nasceu em 
Portugal no ultimo quartel, segundo calculo, do século XVIII e vindo 
para o Brasil pelo anno de 1806, como se vd de uma declaração sua na 
obra que passo a mencionar, aqui permaneceu depois da independência, 
e escreveu: 

'^Memorias economo^oUticas sobre a adminiatraçfio publica do 
Brazil, compostas no Rio Grande de S. Pedro do sul e offerec idas aos 
d(^>putados do mesmo Brazil por um portuguez residente no Brazil, ha 16 
annos, que professa viver só de seu trabalho e deseja o bem da naçSo, 
ainda com preferencia ao seu próprio. Rio de Janeiro, 1822, 34 pags. 
in-4° — Contém este opúsculo uma memoria sobre a necaasidade de abolir 
os capitSes generaes, e outra sobre as municipalidades, comprehendendo 
a união do Brazil com Portugal. 

'^Memorias economo^oliticas sobre a administraçflo publica do 
Brasil, compostas no Rio Grande de S. Pedro do sul e offerecidas aos 
membros da assembléa geral e constituinte do Brazil. Terceira memoria, 
sobre a escravatura. Rio de Janairo, 1822, 31 pags. in-4.<^ 

Sob o mesmo titulo escreveu ainda duas obras, isto é: 

'^ Sobre a distribuição das terras incultas. Rio de Janeiro, 1823» 
27 pags. in-4<* — E* a quarta memoria. 

-^ Sobre a provincia do Rio Grande do sul em particular. Rio de 
Janeiro, 1823, 138 pags. in-4s com 6 mappas estatísticos — E' a quinta e 
ultima memoria, a que se seguem 3 folhas contendo um indico das 
matérias da qa# h trata aU e nas pr^oadentes. 



A.iiLtoiiLÍo José Rodrigues de Oliveix-a» — 

Filho de António José Rodrigues e de drma Anna de Jesus Rodrigues, 
nasceu na cidade do Porto, em Portugal, a 12 de fevereiro de 1829, e yindo 
para o Brazil muito joyen, naturalisou-se cidadão brazileiro em 1850. 

Applicado desde sua juventude a trabalhos forenses, e a um accurado 
estudo de gabinete, exerceu por muitos annos a proflssSo de advogado no 
município da Estrella, província do Rio de Janeiro ; foi ahi promotor de 
capellas e residuos ; tem desempenhado alguns cargos de eleição popular 
e de confiança do governo, como o de membro do conselho de inspecção 
das escolas, commissario da estatística da referida provincia, subdelega- 
do de policia, etc; e tendo nesta corte estabelecido um escriptorio, onde 
dá consultas sobre negócios do foro, serve ao mesmo tempo o logar de 
solicitador provisionado (inquiridor de audiências); é cavalleiro da ordem 
da Roza de e de Ghristo, membro e thesoureiro da associação propagadora 
dos cursos nocturnos, etc. Escreveu : 

— Formulário do processo das quebras. Rio (]e Janeiro, 1854 — Tem 
tido depois disto miis duas edições, sendo a terceira com eete titulo : 

— Formulário do processo das quebras^ e outras obras forenses para 
uso dos escrivães e juizes novatos e pessoas que não tenham a necessária 
pratica dos negócios forenses. Rio de Janeiro. 1880. 

— Formulário dos processos civis, que devem correr perante os juizes 
de paz . Rio de Janeiro, 1872 — Segunda edição, 1873. Terceira edição, se- 
gundo a nova reforma judiciaria, 1880. 

— Reforma judiciaria. Lei n. 2033 de 20 de setembro de 1871, acom- 
panhada de explicações para sua execução, etc. Rio de Janeiro, 1872 — 
Escreveram obras sobre esta mesma lei os bacharéis Alexandre Celestino 
Fernandes Pinheiro, António Carneiro da Rocha, Manoel Godofire- 
do d*Alencastre Autrau e desembargador José AnV)nio de Magalhães Cas- 
tro. (Vede estes autores.) 

— Novo regulamento de custas, annotado e alphabetado. Rio de Ja- 
neiro, 1875,— Segunda edição, 1878. 

— Lei e reculamento para recenseamento da população do império, 
annotados e com tabeliãs. Rio de Janeiro, 1874. 

— Novo roteiro dos orphãos e guia pratica do processo orphanologico. 
Rio de Janeiro, 1880. 

— Regulamento do imposto do sello, annotado. Rio de Janeiro, 1880. 

— Lei eleitoral, systema directo e formulário para os trabalhos do alis- 
tamento e processo eleitoral. Rio de Janeiro, 1881, 2 vols. 

Além destas obras Rodrigues de Oliveira reimprimiu as que se seguem, 
de autores já fallecidos, com revisões e accrescimos por elle feitos : 

— Processo civil brazileiro : segunda edição. Rio de Janeiro, 1874. 

— Conselheiro fiel do povo : quarta edição. Rio de Janeiro, 1875. 

*- Assessor forense, parte civil: quarta edição. Rio de Janeiro, 1873.— 
Quinta edição, 1878. 

— Doutrina das acções : sétima ediçSo. Rio de Jatieiiro, 1879. 



— Novo roteiro doe delegados e^subdelegftdos de policia. Rio de Janei- 
ro, 1879. 

— Assessor forense^ parte criminal : segunda ediçSo. Rio de Janeiro, 
1880. 

— Novo advogado do povo : sexta edição. Rio de Janeiro, 1880. 
~> Quia pratica do povo : qaarta ediçSo. Rio de Janeiro, 1880. 

— Ouia dos juizes municipaes : terceira ediçfio. Rio de Janeiro, 1878. 

— Manual dos promotores : terceira edição. Rio de Janeiro, 1881. 

— Actos, attribuições : e deveres dos juizes de paz ; sexta ediçfio. lUo 
de Janeiro, 1877« Sétima ediçSo, 1881. 

A-xitonio «José dos Saxitos IN^eves — Natural da ci- 
dade de S. Salvador, capital da Bahia, falleceu no Rio de Janeiro em 

1871 ou 1872. Tendo servido algum tempo no exercito, foi depois em- 
pregado na directoria geral das obras publicas, e servia como addido á 
secretaria de estado dos negócios da guerra, quando morreu* Escreveu: 

— Louros e espinhos, poema patriótico, religioso. Rio de Janeiro, 1866. 

— Homenagem aos heroes brazileiros na guerra contra o governo do 
Paraguay sob o commando em chefe dos marechaes do exercito, sua alteza 
real o senhor Conde d*Eu e o Duque de Caxias. 0£ferecida a sua magestade 
imperial o senhor dom Pedro II. Rio de Janeiro, 1870 — Este livro^ que é 
primorosamente impresso, se divide cm oito partes ou antes oito poemas, 
e diversos sonetos, offerecidos ao Imperador em homenagem aos heroes 
brazileiros e precedido de um preambulo e de uma proclamação aos Tolun- 
tarios da pátria e á guarda nacional por occasiSo de organizar -se os pri- 
meiros contingentes que marcharam para a campanha. Contém os retra- 
tos do Imperador, do Barão do Amazonas, do Duque de Caxias, do Visconde 
de Inhaúma, do Marquez do Herval, e do Conde d*Eu. 

A.ntoxiio «Tofsié da. SilT^a.» !<> — A triste e desventurada 
victima dessa maldita e estúpida instituíç&o que se chamou tribunal da 
inquisição^ dessa associação de homens que sob o simulacro da religiSo 
toda caridade e amor, plantada por Jesus Christo, commetteu os mais ne- 
fandos attentados, as mais horrorozas atrocidades, tudo pouco, porém, 
para punir seus negros crimes, nasceu no Rio de Janeiro a 8 de maio 
de 1705, sendo seus pães o advogado JoSo Mendes da Silva e dona Lou- 
rença Coitinho, e falleceu em Lisboa a 19 de outubro de 1739. 

Indo com estes para Lisboa por ser sua mSe accuzada por culpa de ju- 
daismo e chamada perante o tribunal sedento de sangue em principio de 
1713, fez ahi seus estudos de humanidades e matriculouHse na universi- 
dade de Coimbra, onde obteve o grau de bacharel em cânones, e deu-se ao 
exercício de advocacia. No começo, porém, de sua vida publica foi ferido 
de uma accusaçSo igual á de sua mãe, e agarrado a 8 de agosto de 1726 
para os supplicios do santo officio, onde passou pelos cruéis tratos da 
polé, e sahiu solto depois da penitencia imposta por auto de fé de 13 de 

15 



226 AJS 

oatubro, impossibilitado por catiza de taes tormentos de asaignar sea 
nome ! 

NSo yalea ao infeliz, depois destes factos, o fagir de relações com os 
christãos novos^ procurar a amizade e companhia de muitos padres in- 
struidos, frequentar os templos o dar-se ao exercício das praticas dos ver- 
dadeiros catholicoB. Quando se considerava feliz, trabalhando no seu es- 
criptorio de advogado, compondo nas horas de desafogo suas bellissimas 
operas cómicas, tSo applaudidas nessa época em que o theatro fiuia as 
delicias da corte de dom JoSo V, idolatrando, e idolatrado de sua joven 
espoza, de uma innocente filhinha, menor de dous annos, e de sua velha 
mSe, ~> feliz emfim na terra, eis que de novo, a 7 de outubro de 1737, 
são arrastados subitamente pelo estúpido e feroz tribunal, por miserável 
intriga de uma escrava que elle castigara por sua má vida, elle, sua joven 
espoza e sua velha mSe, ficando a innocentinha, porque as feras viam que 
pouco sangue forneceria para seu pasto infernal . 

Só tendo provas em favor do infeliz, mas precizando essa raça hy brida 
entre o homem e animal mais damnado de provas para condemnal-o, pro- 
vas que nem S3 pôde tirar de suas obras, devidamente licenciadas, nem 
das testemunhas, constantes de religiozos, até de S. Domingos, que jura- 
ram sua devoçfio pelo catholicismo, e seus bons costumes, como tudo consta 
do processo, se lembraram os santos varões de metter a victima n'um cár- 
cere com diversos buracos clandestinos, onde os guardas o espionavam ! 
E apezar ainda de declararem esses guardas muitas vezes, que ello lia 
nas Horas, que rezava de mãos postas^ que se bemia, etc,^ António José 
foi condemnado a ser queimado vivo ! ! E effectivamente se consummou o 
nefando e bárbaro sa rificto, o assassinato catholico^ jurídico^ pelos mi- 
nistros da igreja catholica, a 19 de outubro de 1839 ! ! . . . 

A integra, que lhe diz respeito, constante da relaçSo dos condemnados 
de 18 de outubro de 1739 é esta: € N. 7. Idade 34 annos. António José 
da Silva. X. N. (christSo novo) advogado, natural da cidade do Rio de Ja- 
neiro, morador nesta ciiade de Lisboa occidental, reconciliado que foi 
por culpas de judaísmo no auto de fé, que se celebrou no convento de S. 
Domingos desta cidade em 13 de outubro de 1826, convicto, negativo] e 
relapso. » Vem sob a rubrica Pessoas relaxadas em carne» 

Ha quem supponha que a espoza e a mSe da victima também fossem 
consumidas pelas fogueiras da inquisição : mas ellas só foram condemna- 
das a cárcere á arbitrio. 

Todo processo de António José foi copiado pelo Visconde de Porto-Segu- 
ro, que escreveu sua biographia, do original existente no archivo nacional 
da torre do Tombo, para onde passaram os papeis da inquisiçSo em 1821 ; 
e por elle vâ-se que ha inexactidões no que de António José escreveram 
Sismondi, na sua obra : c De la litterature du midi de TEurope » tomo 2«, 
Bruxellas, 1837 ; Ferdinand Denis, no seu cResumé de rhistoire litteraire 
du Portugal» e outros — inexactidões que demonstrou Innocencio da Silva 
no seu Diccionario bibliographico portugueZi tomo l.® 



A.N 227 

António José da Silva, o ameno, o chistozo e popularissimo dramaturgo 
6 poeta, a quem se apellidava o Plauto porluguez, escreveu: 

— Gloza ao soneto de Camões cAlma minha gentil que te partiste » na 
qual exprim3 Portugal o seu sentimento na morte de sua bellissima in- 
fanta, dona Francisca — São quatorze oitavas que se acham publicadas 
com outras poesias n'am opúsculo, que tem por titulo Accentos $au~ 
dozos das muzas portuguezas, etc, Lisboa, 1736. 

— Sarzuella de uma opera epithalamica nas bodas do príncipe dom 
José. Lisboa, 1729. 

— Labirinto de Creia : comedia. Lisboa, 1736. 

— Variedades de Prothêo : comedia. Lisboa, 1737. 

— Guerra do alecrim e da mangerona : comedia. Lisboa, 1737— < Ain- 
da nSo ha muito, escrevia em 1846 o Visconde do Porto-Seguro, conversan- 
do nós a este respeito (a respeito desta comedia que considerava o primor 
das obras de António José) com o Sr. Ck)nde de Farrôbo, cigo talento e 
dedicação dramática são notórios, o mesmo senhor me disse que não es- 
tava fora da idéa de a pór com muzica no seu theatro das Larangeiras, etCi» 
Não sei si o Ck)nde de Farrôbo poz em pratica sua idéa. Essa comedia, 
porém, além das edições que teve, reunida ás precedentes e a outras, foi 
reimpressa em 1770. Na opinião também do eximio escriptor portuguez 
Pinheiro Chagas é esta a primeira composição do poeta brazileiro. « Esta 
comedia, diz Pinheiro Chagas, tem um enredo gracioso, scenas alegres, 
e ha nella o typo de Lancerote que rivalisa com o Gironte de Molière, e 
de Semicupio que nada fica a dever ao Scapin das farças do grande es- 
criptor francez.» 

— Yida de D. Quixote : comedia — de muita graça e jocosidade. Ficou 
em manuscripto por morte do autor, e foi depois publicada, como veremos. 
Traduzida em francez por Ferdinand Denis, sahiu na coliecç^o dos C?iefs 
d^ceuvre des theatres etrangers . 

— j^sopatc^a ou vida de Esopo: comedia — de muito espirito, também 
manuscripta. 

«• Amphitrião ou Júpiter e Alcmera : comedia — idem. 
— • Precipicios de Phaetonte : comedia — idem. 

— Os encantos de Medèa : comedia — idem. 

— Os amantes de escabeche : comedia — idem . 

— S, Gonçalo de Amarante .* comedia —idem. 

— Firmezas de Prothêo : comedia — idem . 

— Telemaco na ilha de Calipso : comedia — idem. 

As duas ultimas, não está bem averiguado serem da penna de António 
José. O Visconde de Porto-Seguro, que possuiaos manuscriptos de ambas, 
as acha muito no estylo do poeta, e assim outras. As três peças, que 
mencionei, publicadas pelo autor e as cinco primeiras das que deixou 
manuscriptas, foram depois de sua morte reproduzidas na obra : 

^Theatro cómico. Lisboa, 1744, 2Vols.— Foi editor delias Francisco 
Luiz Ameno, que promettia dar mais dous volumes com as operas Adriana 



em Syria^ Semiramis^ Filinto^ Adolonymo em Sidónia, Nympha 8^ 
rtnga e outras, aUribuidas a António José ; mas outro editor se adiantou, 
publicando estas peças com mais três em dous volumes sob o titulo Operas 
portuguexãi. 

< Ameno, dis o Visconde de Porto-Seguro, reimprimiu em 1747 os 
dous volumes publicados por elle, três annos antes ; mas teve de mudar o 
segundo paragrapho do prologo, que se referia ás peças que havia publi- 
cado. No que de novo escreve diz que nflk> pôde dar as peças promettidas 
por haver destas autor vivo, que não consentiu que outro as imprimisse ; 
do que fica claro que n8o era seu autor Antonio José que deixou de 
existir em 1739, como sabemos. Accrescenta que, havendo-se feito delias 
uma ediçSo (allude aos dous volumes com o titulo Operas portuguezas, 
impressos em 1746), se propunha a continuar a collecçSo com outras 
operas que nomeia. Dessas operas algumas foram impressas, avulsas ; 
mas a coUeoçSo nSo continuou tal. O que succedeu foi em 1751 fazer-se 
outra edição dos dons volumes de 1746 ; em 1753 repetiremnse em terceira 
ediçSo os dous volumes do Tkeatro cómico, seguindo-se outra edição 
em 1759. 

« Foi & esta quarta edição dos dous volumes que pela primeira vez se 
annexaram em 1760 e 1761, sob a rubrica 3« e 4^ do dito T?»eatro cómico ^ 
os mesmos até entSo 1* e 2o intitulados Operas portuguezas, dos quaes 
verdadeiramento esta edição foi a terceira. Uma tal associação de vo- 
lumes e de títulos repetiu -se na ultima edição, também em quatro 
volumes, eto. > 

Esta ultima edição tom por titules : 

— Theatro cómico portugueM ou collecção de operas portuguezas que se 
representaram na casa do theatro publico do Bairro-alto de Lisboa, offere- 
eidas á muito nobre senhora Pecunia Argentina. Tomos 1» e 2.o Lisboa, 
1787-1788 — Vem a ser a quinta edição destes dous tomos. 

«- Theatro cómico portugueM ou collecçSo das operas portuguezas que se 
representaram nas casas dos thoatros públicos do Bairro-alto e Mouraria 
de Lisboa ; offerecidas, etc. Tomos 3^ e 4.o Lisboa, 1790-1792 — - E' quarta 
edição. Todas as peças, porém, destes quatro volumes nSo sSo da penna 
de Antonio José. Na opiniSo de Porto-Seguro, destes dous últimos quando 
muito são no seu gosto os Encantos de Circe e a Nympha Seringa . 

Diz elle : c Ha engano em se lhe attribuirem todos os quatro volumes do 
Theatro cómico^ sendo certo que as do 3® e 4*^ volumes que em geral só con- 
tribuiriam a diminuir-lhe o merecimento, quasi todas sSo conhecidamente 
de outros autores. Assim, v. g., o Adolonymo em Sidónia é uma imi- 
tação do italiano Alexanéro en Sidone^ publicado nas obras de Zeno ; 
Adriano em Syria 6 a traducçSo da opera do mesmo titulo por Metastasio ; 
Filinto perseguido é o Siroe em Seleuca do mesmo Metastasio ; os Novos 
encantos de Amor vem em todas as bibliothecas como uma áas obras de 
Alexandre Antonio de Lima, etc. » 

Quando se traia de um escriplor, que Ibi barbaramente sssasBinado 



pelo famigerado santo officio por culpa de judaísmo, nSo deixarei de declarar 
aqui que os censores para a prmeira ediçSo das Operas portuguezas 
foram o cónego José Barboza e o frade de S. Domingos frei Francisco de 
S. Thomaz. Este disse a 8 de março de 1713 : « Ainda que o sal dos escriptos 
desse género com que seus autores os costumam temperar, degenere as 
vezes em corrupção dos costumes, aqui não succede assim ; porque ... foi 
extrahido dentro das margens dà moléstia e sem redundância fora dos 
limites da religifio christS. » Aquelle disse apenas que não via nessas 
obras cousa alguma contra a f é e bons costumes — o que certamente já ó 
dizer bastante. 
Além das obras mencionadas António José escreveu ainda : 

— Obras do diabinho da mão furada para espelho de seus enganos e 
desengano de seus arbítrios : palestra moral e profana onde o curioso 
aprende para o divertimento dictames, e para o passa-tempo recreios. 
Obra inédita de António José da Silva, natural do Rio de Janeiro — Foi 
encontrada esta obra por Manoel de Araújo Porto-Alegre, em 1860, na 
bibliotheca nacional de Lisboa, em manuscripto, ahi ignorada ; extrahida a 
cópia e enviada para o Rio de Janeiro, sahiu na Rffoista hrazileira^ 
tomo 3», pags. 467 a 505, e tomo 4», pags. 255 a 309. 

— Historia cómica de Cefalo e Procria que no theatro publico da casa 
da Mouraria se ha de representar noste anno de 1737 — E' um livro de 
151 paginas no mesmo estylo e gosto de António José . Quem o lê, conhece 
que lê uma opera deste autor ; entretanto foi publicada com o nomo de 
Agostinho José, autor que ninguém conheceu. Sem duvida foi assim 
dada a lume sua ultima opera para não se lhe aggravar mais sua sorte, 
pois que se achava nos cárceres da inquisição. Ultimamente foi dada á 
luz a seguinte publicação, relativa a António José : 

— Les operas du juif António José da Silva (1705 a 1739) par Ernest 
David. Extrait du journal des archives israelites. Paris, 1880 — O insti- 
tuto possue um exemplar deste livro, que lhe foi offerecido pelo mesmo 
David. 

A-xitonio José da* Silva», ^o— Era empregado da repartição 
de fazenda, e em 1837 servia como ajudante do director da directoria de 
assignatura e substituição de notas do novo padrão, estabelecida na caixa 
de amortização na forma da lei de 9 de outubro de 1835 e regulamento de 
4 de novembro do mesmo anno. Escreveu : 

'^Influencia da divida sobre a prosperidade das naçSes, por B. M. 
TraducçSo do inglez por A. J. da Silva. Rio de Janeiro, 1835. 

A. J. da Silva fez parte da commissão encarregada da 

— Conta da caixa de Londres desde sua installação no anno de 1824 até 
o anno de 1830, extrahida pela commÍBs&o encarregada da liquidação da 
mesma caixa das contas remettidas ao thesouro nacional pela legaçfio brazi- 
leira naquella corte. Rio de Janeiro, 1831-1832 — São duas partes com di- 
versos mappas e contém ; dous relatórios da commissão ; um parecer sepa- 



230 

rado de Joaqaim Teixeira de Macedo ; cópia de diversos officios ; conta de- 
monstrativa do estado da divida contrahida pelo Brazil em Portagil pela 
convençSo addicional do tratado de 29 de agosto de 1825 ; contas do Marquez 
de Barbacena ; impugnação de António José da Silva á defesa do mesmo 
Marqaez ; impugnação de Joaquim Teixeira de Macedo sobre o mesmo 
assumpto, e diversos mappas. (V<^ja-se Felisberto Caldeira Brant Gomes.) 

A-iitonio «José da. Silva I^oux-eiro — Nasceu pelo anno 
de 1790, não sei porém em que província, nem em que anno falleceu ; 
era ofScial da secretaria de estado dos negócios estrang.úros e escreveu : 

— Código mercantil da França, traduzido e oflferecido ao muito alto e 
muito poderoso senhor dom Pedro I. Rio de Janeiro, 1825, 170 pag-s. 

— • Analyse e confutação da primeira carta que dirigiu a sua alteza o 
príncipe regente, constitucional e defensor perpetuo dos direitos do Brazil, 
o Campeão de Lisboa, pelos autores do Regulador luzo-brazileiro. Rio 
de Janeiro, 1822, 34 pags. in-4.o 

— O Regulador luzo-brazileiro. Rio de Janeiro, 1822-1823, 536 pags. 
in-4o«« E' uma publicação periódica, redigida também por frei Francisco 
de Santa Thereza da Jesus Sampaio. O 1° numero sahiu a 29 de julho de 
1822 e o ultimo, n. 24, a 12 de março de 1823, sendo mudado o titulo da 
publicação do n. 11 em diante para o do Regulador brazileiro. 

A.iitr>iiio «José da. Silva Monteiíro — Natural, se- 
gundo sou informado, da província do RioGrande do Sul, foi assassinado, 
em Porto Alegre, na noite de 19 de setembro de 1835. 

Era poeta satyrico e mordaz, o em seus versos não poupava seus adver- 
sários políticos, 06 exaltados, que o appellidavam do Prosódia, nome pelo 
qual se tornou conhecido. Deixou muitas poesias, de que se ignora o 
fim que tiveram, e redigiu o 

--^Periódico dos pobres. Porto Alegre, 1835 —Era uma folha de lin- 
guagem vehemente. Assis Brazil faz menção delia e de seu redactor, que 
elle considera a primeira victima da revolução, em sua Historia do Rio 
Grande do Sul^ pags. 93 e 94. 

i^ntonio «Jos4 da Silva ^Travassos ^ Nasceu na 
província de Sergipe e falleceu pouco antes de 1875. Fora proprietário 
rural em sua província, e, dotado de actividade e intelligencia, exerceu 
ahi também a profissão de advogado, achon-se á frente de varias emprezas 
e melhoramentos reclamados polo bem publico e escreveu: 

— Navegação dos rios Pomonga e Japaratuba na provinda de Ser- 
gipe. Rio de Janeiro, 1865— Esta obra foi contestada por uma publi- 
cação anonyma sob o titulo ^Refutação ao memorial do commendador An- 
tónio José da Silva Travassos sobre a navegação dos rios Pomonga e Japara- 
tuba em Sergipe, contendo a lei que autorizou a rescisão do contrato sobre a 
mesma navegação por um japaratubeiro. Bahia, 1866, 80pag3.» Foi 



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I 

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AJN 231 

attribaida esta obra ao cónego José Gonçalves Barrozo, hoje yigario de 
S. Ghristovão, na mesma província. 

— Apontamentos históricos e topographicos sobre a província de Ser- 
gipe. Rio de Janeiro, 1875» 106 pags. in-16 — E* uma publicaçSo poa- 
thuma. 

António José do Souaca* — Natural do Rio de Janeiro e 
filho de Francisco José de Souza e de dona Zeferina Luiza do Amaral, £ei1- 
leceu na Bélgica no principio de 1883. 

Doutorado em medicina pela faculdade da corte em 1851, applicou-se ao 
magistério, sendo nomeado professor da língua latina, em que era muito 
versado, do internato do imperial collegio de Pedro II, d*onde se achava 
ausente, com licença do governo, quando íállecea ; exerceu o cargo de 
inspector geral interino das escolas da província do Rio de Janeiro ; era 
cavalleiro das ordens de Christo e da Roza, e escreveu : 

*- Breves reflexões acerca dos seguintes pontos : 1.** Que leis regulam 
a disposição dos orgSos verticillares da flor, quer considerando os verti- 
cillios separadamente ou em saas relações mutuas, quer quanto ao nu- 
mero dos vorticillios na flor mais completa e o das peças da cada verti- 
cíllio ? O que indicirá uma organização mais perfeita, a adherencia ou a 
liberdade das peças verticulares ? (dissertação) 2.o Qual é o numero dos 
muscules do corpo humano ? Em quantas regiões estSo ou devem estar 
distribuídos ? (idem) 3.<> Do regimen das classes pobres e dos escravos na 
cidade do Rio de Janeiro em seas alimentos e bebidas. Qaala influencia 
deste regimen sobre a saúde? (proposiçõas) These inaugural. Rio de 
Janeiro, 1851— Acompanha esta obra um mappa dos músculos do corpo 
humano. 

— - Tratado dos prefixos da linga latina e sua Sjmonymia para uso de 
seus discípulos e principalmente de seu filho ; compilado e traduzido, ete. 
Rio de Janeiro, 1868. 

— Tratado dos suffixos da língua latina e sua synonymia para uso de 
seus discípulos ó principalmente de seu filho ; compilado e traduzido, 
etc. Rio de Janeiro, 1868. 

— Explicação dos idiotismos ou propriedades da língua hebraica e 
grega, frequentemente encontrados nas sagradas escripturas. Rio de 
Janeiro, 1^0. 

A-ntonio «José de íSouasai Regro — Filho de António 
José de Souza Rego e de dona Maria Benedicta de Almeida Rego, nasceu 
na cidade do Rio de Janeiro, aqui recebeu o grau de bacharel em lettras 
no imperial collegio de Pedro II e o de doutor em medicina na respectiva 
faculdade . 

Ainda estudante de medicina foi praticante do hospital militar e do 
hospital damizericordia; depois de formado dedicou-se ao funccionalis- 
mo publico 6 exerce actualmente o logar de primeiro official da secreta- 



2S2 

ria de astado dos negócios da fazenda ; fez parte da commisdU) directora 
da exposiçSo nacional de 1866, servindo de secretario ; é sócio da socie- 
dade auxiliadora da industria nacional, cavalleiro da ordem da Rosa, e 
escreveu : 

— These, apresentada á fÍBiculdade de medicina do Rio de Janeiro para 
o doutorado em medicina. Rio de Janeiro, 1855 — Contém este trabalho 
uma dissertação sobre a operação do trépano, precedida do proposições 
sobre os três seguintes pontos : 1.» O que será mais conveniente, que o 
escrivSo ou que o próprio medico escreva seu relatório sobre corpo de 
delicto e qualquer outro assumpto medico legal? 2.<> Polypos nas fossas 
nasaes. 3.^ Elephantiasis dos árabes, suas causas e tratamento. 

— Relatório da segunda exposiçSo nacional de 1866. Rio de Janeiro, 
1868, 2 vols.— O 1^ volume contém o relatório do 1*^ secretario doutor Re- 
go, lido em presença de suas magestades e altezas imperiaes no acto de 
se distribuirem os prémios aos expositores no dia 10 de outubro de 1867, 
e differentes annexos ; o 2^ volume contém os relatórios dos doutores 
Agostinho Victor de Borja Castro, Giacomo Raja Gabaglia, António Félix 
Martins, etc* 



.A-ULtoniio «José "VcLX — Natural de S. Paulo, e filho de Fran- 
cisco Manoel Vaz, portuguez ahi casado e domiciliário, nasceu depois do 
meiado do século XVIII e falleceu a 12 de julho de 1823. 

Era coronel de milícias e proprietarie abastado em sua proyincia, onde 
por diversas vezes exerceu cargos e commissSes do governo. Em uma 
dessas commissões fora elle pelo interior da provi ncia tratar com as car 
maras municipaes acercada questão do privilegio da venda do sal, sahin- 
do-se com geral aprazimento quer do governo, quer das populaç5?8 inte- 
ressadas. Era poeta e escreveu : 

— A' Deus omnipotente^ óptimo, máximo em acçXo de graças pelos 
faustissimos annos de sua altexa real, o principe regente, nosso senhor, 
etc. : cântico. Rio de Janeiro, 1810, 12 pags. in^'— Este cântico se acha 
reimpresso no Florilégio da poesia brazileira^ appendice ao 3^vol., 
pags. 66 a 74. 

— A swi altexa real, o principe regente, nosso senhor, em o faustis- 
simo dia 7 de março de 1810, anniversario de sua plausível e feliz entrada 
neste porto do Rio de Janeiro. As offerendas pastoris. Idilio por António 
José Vaz. Rio de Janeiro, 1810^ 14 pags. in-4<> — Contém mais uma odee 
um soneto ao mesmo assumpto. 

— EpicediOf & sentida morte do senhor infsinte dom Pedro Carlos de 
Bourben e Bragança. Rio de Janeiro, 1812, 11 pags. in-16. 

— Por occasião da muito sentida morte de sua magestade fídelissima, 
a senhora dona Maria I as lagrimas da cidade de S. Paulo, personali- 
sada em Paulicéa, offerecidas a el-rei nosso senhor. Rio de Janeiro, 1816, 
17 pags. in-4* — Contém um epicedio e nova sonetos. 



J 



AM 233 

A^ntonio «Tose Viotoriano JBoirgres da Fonseca 

— Filho do mestre de campo de infantaria de Olinda António Borges da 
Fonseca e de dona Francisca Peros de Figneirôa, nascea na cidade do 
Recife a 26 de fevereiro de 1718 efallecea a 9 de abril de 1786. 

Assentando praça no exercito, mnito moço, com 18 annos de idade, fez 
parte da força expedicionária de Pernambuco para a colónia do Sacra- 
mento, commandando ama companhia ; foi commandante da ilha de Fer- 
nando de Noronha depois de ser esta ilha restaurada do dominio dos fran- 
cezes ; e sendo coronel, foi nomeado governador e capitSo-general do 
Geará, onde servia muitos annos e prestou assignalados serviços. Era 
mestre em artes pelo coUegio dos jesuítas de Olinda ; fidalgo cavaUeiro 
da casa real ; cavaUeiro professo da ordem de Ghristo ; alcaide-mór da 
villa de Goyanna e da villa de Iguarassú ; académico do numero da 
academia brazilica dos renascidos e familiar do santo officio. 

Depois de um acuradíssimo trabalho e de enormes despezas com a acqui- 
siçSo de uma grande somma de noticias genealógicas, obtidas dos archivos 
portqguezes, hollandezes e de oatros Estados da Europa, escreveu : 

— A nobiliar chia pernambucana qvLdCOBiém as memorias genealógicas 
das íamilias mais distinctas, coma noticia da origem, antiguidade esucces- 
sao de cada uma delias. 1771 a 1777. Quatro vols. 517, 585, 663 e 559 pags. in- 
fol. — Prompta para ser impressa esta obra, seu autor, não podendo dal-a á 
luz por já sontir-se affectado da moléstia, de que falleceu, legou-a ao mos- 
teiro de S. Bento de Olinda. Os padres congregados do oratório propu- 
zeram-se a entrar em iguste com os benedictinos para que estes lh*a ven- 
dessem, afim de lhe serem addicionados os factos occorridos depois de es- 
cripta a mesma obra, e publical-a. Os possuidores do manuscripto nem 
quizeram vendel-o, nem fizeram-lhd augmcntos, e muito menos cuidaram 
de sua impressão. Nesta obra se trata das casas e famílias do Brazil, com 
maif particularidade das de Pernambuco, sendo verificados com toda cir- 
camspecção e critério datas, erros e irregularidades que existiam em rela- 
ção a muitas genealogias. O coronel Borges da Fonseca escreveu mais : 

— Estatística da capitania do Ceará. 1768 — Inédita, como a prece- 
dente, não sei onde pára esta obra. Só sei que foi ella enviada para Per^ 
nambuco, e que o Conde de Pavolide, recebendo-a, assim se exprime a 
respeito delia : < A noticia que v. m. me enviou com a carta de. 2 
de junho, em que descreveu debaixo das graduações de longitude e lati- 
tude o terreno que se comprehende nessa capitania, individuando villas, 
freguezias e fazendas nolla estabelecidas, como também o numero dos 
seus habitantes e rendimento que tem a fazenda de S. Magestade nos 
dizimos reaes, me foi estimável pela distincção e clareza, com que se faz 
comprehensivel a substancia de seu todo, depois de resumida explicação 
de suas partes, motivos que fazem mui recommendavel a importância 
deste papel, que deve á direcção de v. m. um distincto louvor. > 

— Ckronologia da capitania do Ceará, 1778 — Inédita, ignoro também 
onde pára. 



234 i%.I^ 

A^ntonio José Victorino de Barros — Filho de 
José Victorino de Barros e de dona Maria Izabel de Barros, nascea no 
Rio de Janeiro em 1824. 

Depois de estudar haraanidades no seminário de S. José matricalou-se 
na academia de marinha, d*onde passou para a escola militar, fez o curso 
de infantaria, e estando já promovido a alferes alumno, abandonou a car- 
reira das armas, para entrar na do funccionalismo civil. 

E* director da terceira secção da secretaria de estado dos negócios da 
justiça, ofScial da ordem da Rosa, cayalleiro da de Ghristo, membro efe- 
ctivo do supremo conselho maçónico do grau 33 do grande oriente unido 
do Brazil c grande venerável da grande loja do rito escossez, sócio e pri- 
meiro vice-presidente da sociedade propagadora das bellas artes, sócio 
do conservatório dramático, membro e secretario da associação propaga- 
dora dos cursos nocturnos, etc . Escreveu : 

— Catastrophe da corveta D, Izabel, Rio de Janeiro, 1861, 96 pags. 
in-8.0 

— O almirante Visconde de Inhaúma, Rio de Janeiro, 1870 — Neste 
livro do mais de 300 paginas, em que o autor põe em relevo os dotes e ser- 
viços de uma das glorias da marinha brasileira, se encerram muitas e pre- 
ciozas noticias de nossa historia e da guerra do Paraguay. 

— A sé fluminense por um temente a Deus. Rio de Janeiro, 1878, 144 
pags. — Neste livro o autor, censurando abuzos do episcopado, e apresen- 
tando os meios que o mesmo episcopado deve pòr em pratica para a boa 
marcha dos negócios da igreja, trata das corporações religiosas, dos vi- 
gários encommendados, do seminário do S. José, da maçonaria, do actual 
bispo, de certos actos seus, e outros assumptos correlativos. 

— Discurso proferido na inauguração dos retratos das excellentissimas 
senhoras dona Anna Jacintha de Carvalho, dona Maria José GuimarSes e 
do senhor José Machado Guimarães, aquellas bemfeitoras, e este bem- 
feitor e ministro jubilndo da venerável ordem terceira dalmmaculada Gon- 
ceiçSo. Rio de Janeiro, 1880 — Sahiu no Jornal do Commercio de 6 de 
novembro. O commendador Victorino de Barros coUaborou na 

— Semana illustrada : jornal humorístico e hebdomadario illilstrado. 
Rio de Janeiro, 1860 a 1876, 15 vols. in •4'* — Sahiu o n. 1 a 16 de de- 
zembro de 1860. Depois de ser collaborador algum tempo passou a redi- 
gil-o com o bacharel Augusto de Castro, o doutor Cezar Muzzio, Machado 
de Assis e Ernesto CibrSo. Nesta revista, entre seus numerosos escriptos 
humorísticos se encontram : 

— A molequeida; poemeto. Historia de um gato celebre^ com o pseu- 
donymo de Vercingistorix Brasílico. Revista dos theatros sob o pseudo- 
nymo de Thespis — CoUaborod também nos antigos periódicos Religião e 
Amor Perfeito e tem publicado algumas poesias, como : 

— O sim de um pai — Vem no Iris^ periódico de religiSo, bellas artes, 
sciencias, lettras, etc., tomo 2o, pags. 321 a 323. 



A.1V 235 

A.ntO]iio José "Vieifa cie M!enezes — Nasceu na pro- 
víncia de Minas Geraes em 1784 e ahi falleceu, em Ouro Preto, a 8 de 
março de i848, com 64 annos do idade incompletos. Era cirurgiSo-mór 
de brigada do exercito, exercera sua profissão por espaço de quarenta 
anno3, distinguindo.-s3 como habil operador, e escreveu: 

— O hospital de caridade da cidade e capital de Oai*o-Preto de Minas 
Geraes e sua fundação — Esta obra foi enviada á redacção d ) Archivo me-' 
dico brasileiro em junho de 1848, após a morte do autor, pelo doutor Do- 
mingos Marinho d*Azeve:lo Americano, e delia deu noticia a mesma 
redacção, promettendo publical-a : mas cahin io log:o''o Archivo medico, 
nSo sahiupublicida, nem sei quo destino teve. Sei que ora um escripto 
volumoso e cheio de noticias importantes. Talvez exista entre os papeis 
deixados pelo redactor do Archivo, o doutor Ludgero da Rocha Ferreira 
Lapa, ha pouco fallecido. 

A.]itoiiio José 'Vieix*ai da "Vio toi*ia. — Nasceu na pi o- 
vincia do Espirito Santo no ultimo quartel do século XVIII e falleceu pelo 
anno do 1830. Era estudante de preparatórios e muito protegido do gover- 
nador Francisco Alberto Rubim, quando, passeando casualmente com um 
seu companheiro pelo bosque do convento da Penha em 1815, descobria 
junto a C3rtas frutas silvestres alguns cazulos que lhe excitaram a curio- 
sidade, os recolheu, tratou-os e, vindo depois ao conhecimento de que 
descobrira o bicho da seda, principiou a fazer estudos sobre este insecto, 
nos quaes foi animado pelo governador, a quem transmittiu a noticia do 
descobrimento, abonando-lhe esto uma pensão de 300, ou 400$000 annuaes. 

Em 1822, depois do ter estado no Rio de Janeiro, aperfeiçoando seas 
ostudoe, a inveja do alguns conterrâneos seus, acoroçoada pela má 
vontade do novo governador da província, Balthazir de Souza Botelho de 
VasconceUos, destruiu n*uma noite o trabalho a que se dera por tantos 
anno?. Roabaram-lhe ou mataram todos os insectos, e estragaram tudo 
quanto lhe servia em seas estudos, já bastante aliantados, como dissa 
Manoel José Pires da Silva Pontes n*uma exposição do facto, dirigida da 
cidade da Victoria a 21 de dezembro de 1834 ásocieiade Auxiliadora da 
industria nacional. Escreveu: 

— Memoria sobre o bicho da seda e sua cultura — Esta memoria foi es- 
cripta pelo autor em 1822, e enviaia em manuscripto á referida sociedade 
por Manoel António Ribeiro do Castro. 

A.]ito]iio ILia/dislau Mionteiro Baiex&a. — Filho de 
João Sanches Baena e de dona Maria do Resgate Monteiro Baena, nasceu, 
não no Pará como erradimonto affirmam diversos que delle têm tratado, 
mas em Lisboa entre os annos de 1781 e 1782, e falleceu no Pará a 29 de 
março de 1850, victima da febro amarella epidemica. 

Chegando a esta província em sotembro de 1803, acompanhando o 
capitSo-general Conde dos Arcos, como seu ajudante de campo, no posto 



299 JkJS 

de secando tenente de artilharia, dedicou-ie ao Brazil como o faria o mais 
dedicado de seus filhos ; achon-se á frente dos movimentos que se deram 
na província do Pará, sempre pugnando por ella ; abraçou com enthn- 
siasmo a independência, e no serviço do império subiu até o posto de 
tenente-coronel, em que foi reformado, e deu->se muito ao estado da his- 
toria da pátria adoptiva, que ainda lhe é grata, como deu testemunho o 
çlub das Lanternas do Pará, assignalando com uma lapida a caaa em que 
elle residiu e em que morreu. 

Na lapida, a que me refiro, lê-seainseripçSo: «Qratidãodos paraenses 
ao distincto cidadão António Ladislau Monteiro Baena* O club das Lan- 
ternas, 1882. » 

Monteiro Baena era sócio do instituto histórico e geographico brasi- 
leiro, cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, e escreveu: 

— Compendio das eras da província do Pará. Pará, 1838 — A publica^Lo 
deste livro, de mais de 650 paginas, deu-lhe entrada no instituto histórico, 
elogiando o mesmo instituto a obra. 

— E nsaio corographico sobre a província do Pará. Pará, 1839, 605 pags. 

— Sobre este livro escreveu o coronel J . J . Machado de Oliveira em 1843 
um juízo critico, comparando-o com a Corographia paraense do coronel 
\. A. de Cerqueira e Silva, elogiando-o em diversos pontos, mas cenau- 
rando-o n'outroB, juizo de que fora incumbido pelo instituto histórico. 

— Discurso dirigido ao instituto histórico e geographico brazileiro sobre 
o juizo critico de José Joaquim Machado de Oliveira, acerca do Ensaio 
corographico do Pará. Maranhão, 1844. 

— Memoria sobre a intruzSo dos francezes Cayenna nas terras do Gabo 
do norte em 1836, escripta para ser apresentada ao instituto histórico e 
geographico do Brazil. MaranhSo, 1846, in-4.« 

— Memoria sobre o intento que tém os inglezes de Demerary de 
usurpar as terras a oeste do rio Repunury, adjacentes á face central da 
cordilheira do rio Branco para amplificar a sua colónia. MaranhSo, 1846 

— Sahiu antes na Revista do instituto histórico, vol. 3% pags. 184 e 322 
e seguintes. 

— Proposições resumidas dos principies em que se estriba o direito das 
sociedades civis. Maranhão, 1847. 

— Biographia de João Sanches Monteiro Baena, cónego diácono do 
cabido da oathedral do Pará, escripta por seu pae, etc. Pará, 1848, 
206 pags. in-4.o 

— A sorte de Francisco Caldeira Castello Branco na sua fundação da 
capital do Grão-Pará : drama. Pará, 1849. 

— Carta reservai ao illustrissimo senhor Leonardo de Nossa Senhora das 
Dores Castello Branco sobre alguns legares de um pequeno folheto, acom- 
panhado de uma carta de António Ladislau Monteiro Baena ( pelo mesmo 
Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castello Branco ). Oeiras do Piauhy, 
1849, 26 pags. in-4.o ( Veja-se este autor. ) 

— Sobre a communicação mercantil entre a província do Pará e a de 



2gJ 

Goyaz: resposta ao iUostrissimo e excellentissimo senhor Hercnlano Fer- 
reira Penna, presidente daprovincia do Pará. Pará, 1848, 39pag8. in-8o 
— Sahia também na Royist a trimensal do instituto histórico, tomo 10<», 
1848, de pags. 80 a 107. A resposta teve por motivo o seguinte officio 
do presidente do Pará, datado de 29 de maio de 1847: 

< Tendo-me sido dirigido pelo senhor presidente da provincia de Goyaz 
o officio constante da cópia inclusa, em que me communica a deliberação 
que tomou de mandar fazer um ensaio de navegação e commereio pelo 
rio Araguaya, desejando eu animar tal empreza por todos os meios ao meu 
alcance, como declarei na resposta que v. s. achará junta, e conhecendo 
quanto v. s. se acha habilitado para indicar os obstáculos que ella 
possa encontrar, assim como as vantagens que promette a ambas pro- 
víncias, resolvi dirigir-me por este meio a v« s., para que tenha a bon- 
dade de informar com seu parecer sobre este assumpto, no qual dará 
certamente novas provas do zelo com que se dedica ao serviço do Estado. > 

— Memoria sobre a questão do Oyapok, acompanhada de 39 docu- 
mentos — Foi offerecida ao instituto em 1840, manuscripta. 

— Representação endereçada ao conselheiro geral da provincia do Pará 
a 6 de dezembro de 1831 sobre a civilisaçSo dos indios — Idem. 

— Biographia de D. Romualdo de Seixas Coelho, bispo do Pará — Sahiu 
na Revista do instituto, tomo 3<>, 1841, pags. 469 a 477. 

— Observações ou notas instructivas dos primeiros três capítulos da 
parte 2* do T?iesouro descoberto no rio Amazonas, escriptas, offerecidas ao 
instituto histórico e geographico — • e publicadas na dita revista, tomo 5*^, 
pags. 253 e seguintes. São 22 notas com uma preliminar servindo de 
prologo e outra no fim. 

— Memoria sobre o transito de Igarapé» mirim e a necessidade de um 
canal a bem do commereio interno da provincia do Pará — publicada na 
dita revista, tomo 23<', 1860, pags. 479 e seguintes. 

— Informação sobre a villa de Santo António de Gurupá, dada ao Illm. 
e Exm. Sr. desembargador Rodrigo de Souza da Silva Pontes, presidente 
da provincia do Grão-Pará pelo tenente-coronel de . artilharia António 
Ladislau Monteiro Baena, mandado em commissão á mesma villa pelo 
dito Sr. presidente — E* datada de 16 de agosto de 1841, 10 fls. Existe 
a cópia na bibliotheca nacional. 

» 

— Breve descripção da villa de Mazagão e parecer sobre o aningal de 
sua entrada ; dada ao Illm. e Exm. Sr. desembargador Rodrigo de Souza 
da Silva Pontes, presidente da provincia do Orão-Pará, pelo tenente-coronel 
de artilharia António Ladislau Monteiro Baena, mandado em commissSo 
etc. — 7 fls. com um mappa da população da villa de Mazagão. Idem. 

— Idéa do que é a villa de S. José de Macapá, dada ao Illm. e Exn» Sr. 
desembargador Rodrigo de Souza da Silva Pontes, presidente da província 
do QrSo->Pará, pelo tenente-coronel de artilharia António Ladislau Mon- 
teiro Baena, mandado em commiaaão, etc. (1842, 15 de outubro) — 10 fia. 
Idem. 



238 AJS 

— Informação sohre asyallasda yilla do S. José de Macapá, etc. 
— 4 fls. com um mappa da população da villa datado de 3 de setembro 
de 1842. Idem. 

— Nota adiitiva ás minhas inf()rmaç53S, já dadas, sobre as villas de 
Garupa, Mazagão e Macapá — 3 fls. sem Bumeraçáo, ás quaes precede um 
officio do autor, datado do Pará a 1 de outubro de 1842 para o desembar- 
gador Rodrigo Pontes, remettendo-lhe a nota additiva. Idem. 

— Informações dadas em 8 de fevereiro de 1844 ao presidente da 
proyincia do Pará sobre a conveniência da abertura da uma estrada da 
mesma provincia para a de Mato Grosso e sobre as matas coutadas qne 
tem o Pará, e das quaes se tirem madeiras para a construcçSo naval, e 
onde se façam novas plantações de arvores para o futuro ~- São datadas de 
8 de fevereiro de 1844, e sahiram na Hevista do instituto histórico, tomo 7^, 
1845. Idem. 

— Representação ao conselho geral da provincia do Pará sobre a espo- 
cial necessidade de um novo regulamento promotor da civilisaçSo dos 
Índios da mesma provincia. Pará, 6 de dezembro de 1831 — Original 
de 31 fls. in-4<>, pertencente ao instituto histórico. 

— Esboço do contorno do Brazil — >E* uma obra de muito merecimento 
que o coronel Baena não chegou a concluir, e tinha entre mãos quando 
falleceu . Neste trabalho são determinados os principaea pontos da linha 
maritima sep ten trienal . Delle vem um excrpto no Diário do Grão-Pará 
de 13 de agosto de 1882, e o original existe em poder do filho do autor, 
António Nicolau Monteiro Baena, de quem farei menção neste Tolume. 

— .1 conversão de Philemon : drama — Creio que foi publicado ; nunca 
o vi, e sei de sua existência pela noticia honrosa do autor, publicada no 
mesmo Diário de 13 e 14 do dito anno, por occasião da festa do club das 
Lanternas no Pará com a collocação de uma lapida na casa em que elle 
residiu e morreu, noticia escripta pelo Dr. A. Tocantins. 

Consta-me que Baena escrevera mais, além de outros escriptos que se 
acham na Revista do instituto histórico : 

— Nota da urgente necessidade de formular um cadastro geral do 
Brazil. 

Frei ^i&toxiio do ILiado de Oliristo — Chamado no 
século António Francisco Martins, nasceu no Rio de Janeiro pelo 
anno de 1780 e falleceu a 6 de abril de 1821, sendo religioso francis- 
cano, cujo habito recebera em 1796, e professando no anno seguinte. 
Foi lente em sua ordem, pregador e regedor régio, e escreveu muitos 

— Sermões — que deixou inéditos e talvez hoje perdidos^ Nestes 
sermões, além do espirito evangélico e da brilhante eloquência, se tornava 
notável um elevado sentimento de amor da pátria, que lhes dava pma 
feição particular. 



A.ISr 239 

A.]itoiiio Xjuíz do ^mara>l e iSilvai — Nataral, si 
nSo me engano, da provincia de Pernambuco, fez na faculdade desta pro- 
víncia o carso de scienc ias sociaes e jurídicas, em que se formou, e es- 
creveu : 

— Compilação das leis, decretos, regulamentos, instrucções, regimen- 
tos, consultas, pareceres, resoluções, decisões, ordens e avisos do governo 
sobre a arrecadação, administraçSo e físcalisaçSo dos bens <e dinheiros dos 
orphãos, mentecaptos, defuntos, etc, dividida em três partes. Per- 
nambuco» 1864. 



A^ntonio ILiuiz DantaiS de Ba/ri*os Hieite — Nas- 
ceu na cidade dd Penedo, em Alagoas, a 13 de fevereiro de 1802, e íalle- 
ceu na corte a 9 de junho de 1870, sendo seus pães o coronel de milícias 
José Qomes Ribeiro e dona Anna Felícia de Macedo Leite. 

Em 1817, já tendo os estudos de preparatórios, acompanhou a Pernam- 
buco seu pai que para ahi seguira contra os revoltosos de 6 de março, e 
ganhou por seus serviços a venera da ordem de Christo . Formando-se 
depois em direito na faculdade de Olinda, serviu como juiz de direito em 
sua província e aposentou-se no logar de desembargador da relação da 
corte ; foi deputado em duas legislaturas e senador por Alagoas, e escre- 
veu : 

— Apontamentos sobre politica e administração — inéditos. Sai da 

existência desta obra por assim o affirmar o doutor Mello Moraes em seu 
Brazil Histórico, asseverando mais a existência de um bello trabalho sobre 

— Os jesuítas — também inédito. Não sei onde param. 

A^ntonio Xjuíz FOigruiides — Nfio sei onde teve seu berço ; 
só sei que vivia pela época de nossa independência no Rio de Janeiro, e 
que teve depois uma officina typographtca, com o titulo de typographia 
austral e escreveu : 

— • Elementos de musica^ adoptados nofregio conservatório de MilSo, 
compendiados por Bonifácio Ascolie traduzidos em vulgar. Rio de Janeiro, 
1824, 81 pags. in-8<^ — Fez-se segunda edição desta obra em 1839 com 9 
estampas. 

A.ntoxiLÍo X^uiz Fernandes da. Oux&l&ai — E* di<* 
rector geral da tomada de contas do thesouro nacional, e tem exercido 
diversas commiss5es, como as de inspector da alfandega do Rio Grande do 
Sul, inspector da thesouraria da mesma provincia, inspector da thesoura- 
ria da Bahia, e ultimamente da alfandega da corte : é do conselho de 
sua magestade o Imperador ; commendador da ordem da Roza ; sócio da 
sociedade auxiliadora da industria nacional, e escreveu : 

— Catalogo dos productos naturaes e industriaes, remettidos das pro- 
víncias do império do Brazil, que figuraram na exposição nacional de 
1861. Rio de Janeiro, 1862, 2 vols. 



240 

— Relatório geral da exposição nacional de 1861 e relatório dos íutjb 
especiaes, coUigidos e publicado! por deliberação da eommíMflo direeti^ 
ra. Rio de Janeiro, 1862. 

— Documentos officiaes, relativos á exposi^ nacional, oolligidoe, 
etc. Rio de Janeiro, 1862. 

— Enumeração das rendas e impostos que sSo cobrados nas al&ndegas 
do império. Rio do Janeiro« 1879, in-8o — Teve parte também no 

— Parecer sobre as caixas económicas e montes de soccorro, apresen- 
tado pela commissSo incumbida de verificar as causas de seu atrazo e de 
indicar as providencias tendentes a desenvolver estas instituiçQes no 
império. Rio de Janeiro, 1882, 142 paga. in-4<', com mappas e tabeliãs. 
(Veja-se António Nicolau Tolentino e João Cardozo de Menezes e Souza.) 

A^ntonio Ijuíz vou Koonlxoltz, BarSo de TeíTé — Filho 
de Frederico Guilherme von Hoonholtz e de dona Joanna Ghristlna von 
Hoonholtz, nasceu no Rio de Janeiro a 9 de março de 1837 e tendo feito 
o curso da academia de marinha, foi promovido a guarda-marinha em 
1854, a depois a outros postos até o de chefe de divisão ; tem exercido 
diversas commissões importantes quer durante a guerra do Paraguay, 
quer n*outras occasiões ; foi á Europa em 1860, fazendo parte da guarni- 
ção da corveta Bahiana^ e ultimamente foi nomeado director geral da 
repartição hydrographica. Os actos de inexcedivel valor e bravura pra^ 
ticados pelo Barão de Teffé na guerra do Paraguay, e as commissSes 
importantes que fora do theatro desta guerra exerceu, podem-^se ver no 
Pantheon fluminense de Lery^dos Santos. 

E' official da ordem da Roza e da do Cruzeiro, cavalleiro da de S. Bento 
de Aviz, o da ordem de Izabel, a catholica, da Hespanha, e condecorado 
com a medalha de prata do combate naval de Riachuelo, e outras meda- 
lhas, e escreveu : 

— Compendio de hydrographia^ applicado e adoptado pelo conselho de 
instrucção da escola de marinha com approvação do governo . Rio de Ja- 
neiro, 1864, in 8<'— Este compendio foi premiado e mandado imprimir pelo 
governo imperial. 

— Breve noticia sobre as fortificações paraguayas junto á foz do Tebi- 
quary: memoria apresentada ao instituto polytechnico brazileiro pelo 
sócio effectivo António Luiz von Hoonholtz — Sahiu na Revista do 
mesmo instituto, tomo 2", 1869, pags. 120 e seguintes, com uma carta- 

— > A Corveta Diana : romance marítimo, original brazUeiro. Manáoe, 
1873, 120 pags. — Foi também publicado no Despertador de Santa C^ 
iharina e no Diário de Pernambuco em folhetim. 

— A justiça de Deus : drama naval — • Nunca vi esta publicação. 

— Arrasamento da lage submarina, existente na entrada do porto de 
Santos, província deS. Paulo. Rio de Janeiro, 1877, in-4o, com duas 
cartas. 



i 



íIlIV 241 

— Relatório dos trabalhos e estudos realizados na bahia de Aatonina. 
Rio de Jaaeiro, 1877, in-4<', com uma carta. 

— Relatório da repartiçSo hydrographica, apresentado ao illm. e exm. 
senhor conselheiro ministro e secretario de estado dos negócios da 
marinha. Rio de Janeiro, 1877 — Ha outros relatórios desta repartição 
que nSo me consta que fossem impressos em volume especial . 

— Provinda do Paraná. Demonstração da superioridade do caminho de 
ferro de Antonina a Curitiba, etc. Rio de Janeiro, 1879, com uma carta. 
(Veja-se André Pinto Rebouças.) 

-^Saneamento da lagoa de Rodrigo de Freitas: relatório apresentado ao 
conselheiro JoSo Ferreira de Moura. Rio de Janeiro, 1880, com três 
estampas. 

— Parecer sobre o novo systema de navegaçSo aérea, inventado por 
João César Ribeiro de Souza (veja-se este nome), pelo membro efiectivo e 
relator da commissão de sciencias physicas, etc— Sahiu no Jornal da 
Commercio de 20 de novembro de 1881 e seguintes, precedido de uma 
ligeira noticia do que se tem escripto sobre o assumpto. 

'^Questão da abertura da barra de Cabo-frio: discursos proferidos nas 
sessões extraordinárias do instituto polytechnico acerca da mesma 
questão. Rio de Janeiro, 1881 — Ha diversas plantas e -esboços, como 

— Planta hydrographica da costa e porto de Santa Catharina, 1862 — 
Foi lythographada, assim como outras que levantou nesta provincia. 

— Plantas do Passo da Pátria (duas) — levantadas em 186Ô com a 
coUaboração de outros, lythographadas. 

-^ Esboço das fortificações paraguayas que existiam junto á foz do 
Tebiquary quando a divisSo avançada sob o mando do Barão da Pas- 
sagem forçou este passo a 24 de julho de 1868 — Lythographadas. 

— Planta do rio Javary desde a latitude 6<> 12' até sua nascente 
principal em 7» 0,1*, onde foi collocado o marco terminal da fronteira 
Norte-sul entre o império do Brazil e a republica peruana pela com- 
missSo mixta (composta do BarSo de Teffé e do capitão de fragata dom 
GuUherme Blak), 1873. 

A.xiLtO]iio JLiXLÍsB Pa.t]:*ioio da» Silva. Manso -« 

Era doutor em medicina, representou a provincia de Mato Grosso na 
assembléa geral legislativa de 1834 a 1837 ; escreveu diversos artigos na 
Revista medica fluminense^ e em rolnme uma memoria com o titulo: 

— Enumeração das substancias brazileiras que podem promover a 
catarse: memoria coroada pela imperial academia de medicina do Rio de 
Janeiro em o anno de 1836. Rio de Janeiro, 1836» 52 pags. in->4.^ 

A^ntonio XjXlíz Pereira da Gunlia, Marquez de Inham- 
bupe — Nasceu na cidade da Bahia a 6 de abril de 1760 e fállecea a 18 
de setembro de 1837 no Rio de Janeiro. 

Tendo feito na universidade de Coimbra o enrso dê mathematicas, o de 

id 



242 AM 

philoflopkia a o de direito em qae baehareloa-fle« entrou para a carreira 
da magistratora, onde exercen snccesBiYamente os cargos de juiz de fóra, 
onvidor de comarca, desembargador da relaçSo da Bahia, da do Porto, e 
da casa de snpplica^ de Lisboa, deputado da janta do commercio, agri- 
caltarat fabricas e navegação, e fiscal das mercês ; fi>i depntado á consti- 
tuinte e, eleito senador por três proyinciaa na primeira eJeiçSo geral, fin 
escolhido por dom Pedro I para representar a de Pernambuco a 22 de 
janeiro de 1826, sendo então BarSo de Inhambupe ; foi ministro de estado 
mais de uma vez, cabendo-lhe a gloria de assignar, como ministro dos ne- 
gócios estrangeiros, o tratado de 23 de novembro de 1826, ajustado com o 
governo inglez para a extincçSo do conmdercio de escravos vindos da costa 
da Africa ; e por morte do governador e capitSo general Conde da Ponte, 
fez parte do governo interino da Bahia, como já havia feito do de Per- 
nambuco* 

Na qualidade de representante da naçSo exerceu diversas commissõea 
honrosas, como a de examinar si a constituiçâk) portugueza podia ser appli- 
cada ao Brazil e de propor as reformas para isto, e a do conselho de estado, 
ereado para organizar a constituição do Império, depois da dissoluçSo da 
coostituinte. Quando em virtude da deliberação que tomara dom João VI a 
18 de fevereiro de 1821, arrastado pelo triumpho da revolu^ constitucional 
em Portugaly.de convocar ao Rio de Janeiro os eleitos do Brazil e das ilhas 
do Atlântico e nomear a commissão para rever a constituição portugueza, 
a tropa luzitana se pronunciou em verdadeira sedição militar, conseguindo 
que os príncipes reaes viessem ao theatro S. João prestar juramento á 
constituição que as cortes elaboraram em Lisboa, e indicando pessoas 
para certos cargos a empregos, Pereira da Cunha, bem que de todo alheio 
a taes pronunciamentos, foi nomeado intendente geral da policia, e nesse 
posto prestou relevantes serviços á ordem. 

Era do conselho de sua magestade o Imperador, dignitário da ordem do 
Cruzeiro, presidente do senado quando morreu, e eocrevea, além de di- 
versos relatórios e trabalhos officiaes: 

— > Medidas e providencias admin%strai%f)as do governo interino da 
capitania de Pernambuco desde 7 de janeiro de 1799 até 4 de dezembro 
de 1802, e sobre todos os ramos de economia publica, sendo o governo 
composto dos brazileiros José Joaquim da Cunha de Azeredo Coitinho, então 
bispo ; José Joaquim Nabuco de Araújo, então ouvidor, e do intendente 
da marinha Pedro Sheverin, sendo o exercido do segundo desde 19 de 
outubro de 1799 e tendo-o até então o fallecido Marquez de Inhambupe -r 
Existe na bibliotheca nacional uma cópia de 65 fls. 

— Plano de melhoramento e fiscalisação da alfandega do algodSo no 
Recife, de Pernambuco, concebido e escripto pelo fallecido Marquez de 
Inhambupe em 12 de junho de 1799, sendo então ouvidor e nessa qualidade 
presidente da mesa inspectora— Idem de 5 fla. 

— Memoria sobre à ereaçSo de doas capitania», da Parahyba eCeari^ 



AM 248 

grando em governos geraes» 1816 — O autographo foi exposto na biblio- 
theoa nacional em 1881 . 

— • Projecto dê constituição para o império do Brazil, ete« — (Veja-se 
António Carlos Ribeiro de Andrada e José Joaquim Carneiro de Campos.) 

— Código de posturas e regulamentos mnnicipaea para a camará da 
capital, applicaveis a todo reino — Bste trabalho não sei onde pára. 

António X^uias Ramos Nogrueir a — E' nataral da pro* 
vincia de S. Paulo, ahi fez todo curso da faculdade de direito, recebeu o 
grau de bacharel, exerce a proâssâo de advogado, e escreveu : 

^^ Conto mysterioso, S. Paulo, 1860. 

— Revolução religiosa no Brazil e ruinas da pátria» S« Paulo^ 1880, 
263 pags. in-16. 

A.]ito]iio X^ui2 dos Santos "Weimelc -^ B' nataral 
da província do Rio de Janeiro ; fez o curso de sciencias sociaes e júri* 
dicas na faculdade de S. Paulo, onde recebeu o grau de bacharel em 
1880, e o de doutor no anno seguinte ; ó deputado á assembléa de sua 
provi ncia» e escreveu : 

"■^ O positivismo republicano na academia. S. Paulo, 1880, 162 pags* 
in-8* — Este livro que é precedido de uma introducçSo, fjoita pelo actual 
deputado por Goyaz José Leopoldo de Bulhões Jardim, foi publicado, como 
diz o autor em sua advei-tencia ao leitor, no intuito de registrar um &cto 
e lavrar um protesto. Entende elle que a monarchia é necessária no 
Brazil, quer pelo atrazo do paiz, quer por outras circumstancias, e que os 
positivistas, adherindo á monarchia, devem preparar o advento da repu- 
blica, que será legitima, não por direito divino ou popular, mas por di- 
reito scientiâco e histórico. Neste livro o autor impugna as idéasemit- 
tidas por seu collega Assis Brazil em sua conferencia O opp^rtunismo 
e a revolução. (Veja-se Joaquim Francisco de Assis Brazil.) 

-^Tkeses apresentadas á faculdade de direito de S. Paulo para obter o 
grau de doutor. 8. Paulo, 1881. 

A.iitO]iio ILiUiz d.6 SdAlbra», Visconde de Seabra •* Filho do 
doutor António Luiz da Motta e Silva e de dona Dorothéa Bernardina de 
Souza Lobo, nasceu no Rio de Janeiro nos ultimou annos do século XVIII. 

Sempre considerado como brazileiro de nascimento e mesmo pelo autor 
do Diccionario bibliographico ^portuguez, quando dello se occupou no 
lo volume de seu precioso livro, este bibliographo diz depois no volume 80» 
em vista de um esboço biographico escripto por A. A. Teixeira de Yaa* 
eoncellos, que Seabra nascera a 20 de dezembro de 1799 nas alturas de 
Cabo-Verde a bordo de um navio em que seus paea seguiam viagem para 
o Brazil, sendo o menino baptisado, em uma das parochias do Rio de Ja* 
neiro. Pareo^me que um homem como o doutor Motta e SUv^ nSo 
sahiria com sua esposa, estando ella no nltiaio mez, oa em estado lio 



244 AJN 

adiantado de gravidez, para ama viagem tão longa e tSo moroza, como 
era entSo, expondo-a a dar a luz no principio dessa viagem. Quem sabe 
ai Teixeira de Vaaconcellos nSo qniz escrever nas alturas de Càbo^Prio 
que pertence ao Rio de Janeiro ? Quem sabe mesmo si n2o ouvia fallar 
nafregaeziade Ca&o-Vercítf, logar de MinasGeraes, para onde viera o 
pae de Seabra servir um logar da magistratara, parecendo pelo nome cabo 
que se tratava de logar onde navegassem navios ? E que, oavindo fallar 
em Cábo-Verde^ entendesse ser esse, qae elle conhecia, nos mares de 
Portugal ? SSo hypotheses apenas que nSo repugnam á razSo. 

Note-se que depois de Innocencio da Silva ter dado Seabra como nas- 
cido no Rio de Janeiro, oste náo procurou desfazer o engano, quando 
entretanto amplia a noticia relativa a sen infeliz collega António Homem, 
acerca de cuja historia escrevera, como se vâ no artigo que vem no 
volume 8o, pag. 468. Em vista do exposto não posso deixar de incluir 
ainda neste livro o escriptor a quem me refiro. Nascesse, porém, onde 
nascesse, em viagem, nas alturas de Gabo-Verde ou nas de Gabo -Frio, 
em terra firme, em Minas Geraes ou no Rio de Janeiro — nasceu por- 
tuguez, porque no primeiro caso navegavam seus pães em navio portugaez 
e no segando em território portuguez, como era entSo o Brazil, e por isso 
no momento da separaçSo de sua pátria de nascimento da pátria legal, 
optou pela segunda, a quom presta os mais relevantes serviços. 

A sciencia moderna nSo assevera que o lugar do nascimento e onde sSo 
recebidas as primeiras impressões tem grande influencia na organização 
psychica do homem ? Logo tenho direito de me occupar do visconde por- 
tugaez, que também pertence ao império do Brazil . 

Muito joven lahiu Seabra com seu pae do Brazil para Portugal, onde 
completou sua edUcaçSo litteraria e scientifica, formando-se em direito na 
universidade de Goimbra. Entrou na carreira da magistratura, em Por- 
tugal firmoa sua residência, delle só sahindo quando, em consequência 
dos movimentos políticos que agitaram o reino em 1828, emigrou para a 
Bélgica, e ahi permaneceu até 1833, a ano, em que entrou no exercício do 
cargo de corregedor de Alcobaça. Dopeis disto foi desembargador da re- 
lação do Porto, membro do conselho supremo de justiça, deputado As 
cortes em varias legislaturas desde 1834, ministro de estado honorário, 
par do reino, do conselho de sua magestado fidelíssima, sócio da academia 
real das sciencias de Lisboa, reitor da universidade de Goimbra, grSo-cruz 
da ordem de S. Thiago e da italiana de S. Maurício o S. Lazaro, e es- 
creveu : 

— TradueçSo em verso de uma ode latina de Francisco Botelho Moraes 
e Vasconcellos — Sahiu na Mnemoseni lusitana, tomo 1^, 181&. 

— * Prologo do Mentor de Felandro, poema didáctico de Gandido Lusi- 
tano, publicado em Goimbra, 1826 — Este poema foi publicado pelo con- 
selheiro Seabra, e o prologo nffo é, como se sappoz, do bispo, depois pa- 
triarcha de Lisboa, dom frei Francisco de S. Laiz. — Ode heróica á aere» 
niflsima in&nta dona Isabel Maria. Goimbra, 1826. 



AJS 245 

-— Exposição apologética dos portngaezos emigrados na Bélgica qae 
recusaram prestar o juramento, delias exigido no dia 2Ô de agosto de 1830. 
Briiges, 1830 — E* seguido de dous additamentos, e de mais dous opús- 
culos sobre o mesmo assumpto e occurrencias da época, tudo sob o 
anonymo. 

— Observações do ex-corrogedor de Alcobaça, António Luiz de Seabra, 
sobre um papel enviado á camará dos senhores deputados acerca da arre- 
cadação dos bens do mosteiro daquella villa. Lisboa, 1835 — Esse papel 
era uma accusaçSo, da qual elle se justifica. 

— Sátiras e epistolas de Quinto Horácio Flacco, traiuzidas e annota- 
das. Porto, 1846, 2 yols., com duas estampas— - Foi esta a primeira ver- 
sSo para o portuguez desta parte das obras de Horácio, e a imprensa de 
Portugal teceu ao traductor muitos elogios. 

— Observações sobre o art. 360 da novíssima reforma judiciaria. 

Lisboa, 1849 . 

— A propriedade : philosophia do direito para servir de introducçSo ao 
commentmo sobro a lei dos foraes. Coimbra. 1850 — Esta obra devia 
continuar, porque sahiu com a declaração de volume 1^, parte 1.^ NSo 
mo consta, porém, que continuasse. 

— Pí^ojecto do código civil portuguez. Lisboa, 1857— Sahiu também a 
declaração de parte 1.^ Fez-se 2^ edição com correcções e additamentos 
em Coimbra, 1858 ; e outra depois com emendas e observações da commis- 
são revisora, sendo o mesmo projecto aceito e approvado como lei em 
1867. Depois de sua promulgação íizeram-se três edições, no Por- 
to, em Coimbra e em Lisboa. Esta obra trouxe ao autor contestações que 
o levaram a escrever : 

— Apostilla ás observações do illm. e cxm. senhor Alberto Antó- 
nio de Moraes Carvalho sobre a primeira parte do Projecto do código 
civil, etc. Coimbra, 1858 — Sahiu em três partes. 

— Resposta do autor do Projecto do código civil áa observações do se- 
nhor doutor Joaquim José Paes da Silva. Coimbra, 1859, 143 pags. in-8.^ 

— Resposta ás reflexões do senhor doutor Vicente Ferreira Netto Paiva 
sobre os sete primeiros titules do ProJ3cto do código civil portuguez. 
Coi-nbra, 1859, 39 pags. in-8.o 

— Novíssima apostilla em resposta á diatribe do senhor doutor Au- 
gusto T. de Freitas contra o Projecto do código civil portuguez. Coimbra, 
1859, 254 pags. in-8.o 

— Duas palavras sobre o casamento civil pelo redactor do código 
civil. Coimbra, 1866, 51 pags. in-8« — Era nesta época etc. o ca- 
samento civil a magna questão social. Depois de publicada esta 
obra, escreveu o illustrado Alexande Herculano os seus « Estu- 
dos S3bre o casamento civil por occasião do opúsculo do senhor Vis- 
conde de Seabra sobre este assumpto, Lisboa, 1866> obra esta que foi repro- 
duzida no Rio de Janeiro no mesmo anno. Não foi somente Alexandre Her- 
calano ; também se publicou nesta occasião «O casamento civil: collecçSo de 



246 

cartas do senhor Vicente Perrer em resposta ao senhor Visconde de Seabra* 
publicada por José Lourenço de Souza, Porto, 1866.» E noBrazil escreveu 
sobre o mesmo assumpto o padre doutor Patrício Moniz as suas « Refle- 
x9es sobre a carta do senhor Alexandre Herculano, Rio de Janeiro, 1866, 
70 pags.> 

Esta questSo, porém, muito antes desta época, em 1858, foi no Brazil 
trazida á tela da discussSo por uma proposta do governo levada á camará 
legislativa, se occupando do assumpto o arcebispo Conde de Santa Cruz, 
monsenhor J. Pinto de Campos, o doutor C. K. de Totward, o doutor 
Pedro de Calazans^ o doutor Braz Florentino Henriques de Souza, e outros. 
H antes de todos esses, o doutor Caetano Alberto Soares a aventara n*uma J 

memoria, lida no instituto dos advogados brazileiros, em 1848. 

Segunlo assevera Innocencio da Silva, o Visconde de Seabra tinha 
inédito um 

•— Romance histórico — em que se narra a accusaçâo de judaísmo levada 
ao tribunal da inquisição contra o doutor António Homem, ou António 
LeitSo Homem, o preceptor infeliz^ accusaçâo toda gratuita, por intrigas 
mizeraveis e sua execução pelo infernal e nefando tribunal. E consta, 
diz o citado bibliographo, que Seabra fora o fundador e redigira : 

— O Cidadão litterato : periódica de politica e litteratura. Coimbra, 
1821. 

— - O Independente : jornal politico. Lisboa, 1836. 

— *A Estrellado Norte : jornal político. Porto, 1846. 

D. ^xttox&io de UCaoedo Oosta, bispo do Pará — Nasceu 
na província da Bahia a 7 de agosto de 1830, sendo deu pai José Joaquim 
de Macedo Costa, proprietário de engenho no termo de Maragogipe. 

Nascido e educado no seio de uma íamilia eminentemente catholica, 
muito criança votou-se ao estado sacerdotal ; começou seus estudos no 
seminário da Bahia e foi concrluíl-os no de S. Sulpicio, na França, em 
cuja igreja parochial recebeu as ordens de presbytero, que lhe foram 
conferidas pelo arcebispo Marlot a 19 de dezembro de 1855, e d'ahi par- 
tindo para Roma, fez o curso e recebeu o grau de doutor em direito canó- 
nico, entretendo sempre relações de amizade com diversos cardeaes que 
lhe reconheciam a grande illastração e raras virtudes, de que é dotado. 

Ji na França vultos das se iencias o haviam distinguido como tal. Um 
desses, perguntando uma vez ao bacharel António Pinto da Rocha, talen- 
toso joven bahiano, que, sendo juiz na Bahia, foi para a campanha do 
Paraguay, como voluntário, e lá morreu — si conhecia o padre Macedo 
Costa, e tendo resposta afirmativa, disse-lhe : « Este padre deva ser 
bispo no Brazil.» E effectivamente, apenas de volta ao Brazil, foi eleito 
bispo do Pará, onde fez sua entrada a 1 de agosto de 1861, sendo sagrado 
em Petrópolis a 22 de abril pelo ínternuncio apostólico. 

Foi segunda vez á Roma por occasião do ultimo concilio convocado por 
Pio IX, no qual foi o nnieo bispo brasileiro que tomou a palairra, expri- 



ta 

mindo-fle com sua habitual o admirável òloqneneia. InfeHzmento snas 
ideas religiosas, excessivamente exsigeradas, o levaram a- tomar parte acti- 
vissima no conílicto religioso de 1873 a 1875, pelo qae foi responsabilisado 
de conformidade com a legislação do paiz, condemnada pelo supremo tiri- 
banal de justiça no art. 9ò do código criminal, a quatro annos de prisSo, 
e recolhido á fortaleza da Ilha das Cobras, d'onde tiroa-o, poucos mezes 
depois, o perdSo da coroa. 

Grande litterato, eximio theologo e também poeta, dom António de Ma- 
cedo Costa possue virtudes que o constituem ama das glorias do nosso 
cl^^ro, e do paiz. Ha b^m pouco tempo, a seu respeito escreveu nm illus- 
tre viajante americano, Herbert Smith : « O actual bispo do Pará é um 
daquelles homens que deve permanecer como marco mUliario na historia 
da igreja. Puro em sua vida, soube rodear-se de um grupo de jovens 
sacerdotes, que procuram igualar os sacriâcios e virtudes dos primeiros 
missionários jesuítas.» E' do conselho do sua magestade o Imperador, 
prelado assistente do sólio pontifício, e escreveu : 

— - Pio IX y pontífice e rei : exame das principaes objecções sobre o 
poder temporal. Bahia, 1860. 

— - Carta pastoral por occasiSo de sua entrada na diocese no !<> de 
agosto de 1861. Pará, 1861, 14 pags. in-4.« 

— Instrueção pastoral contra o protestantismo, prevenindo os fieis 
contra a propaganda, que se tem feito na diocese, de biblias falsificadas 
e outros opúsculos heréticos • Pará, 1861 — - Esta obra foi refutada por nm 
dos sacerdotes protestantes do Rio de Janeiro. 

— Memoria apresentada a sua magestade o Imperador acerca do de- 
creto n. 3073 de 22 de abril ultimo (1863), que uniformisa os estudos das 
cadeiras dos seminários episcopaes, subsidiados pelo Estado. Parfi, 1863, 
30 pags. in-4.0 

— Resposta ao exm. sr. ministro do itnperio acerca da questSo dos se- 
minários. Pará, 1864, 18 pags. in-4.o 

— As ordens religiosas 2n\g&à&8 pelos escriptores protestantes : breve 
resposta a &vor destas ordens. Belém, 1864, 26 pags. in-4o — A publi- 
cação desta obra, motivada por um discurso pronunciado na camará dos 
deputados pelo doutor Pedro Luiz Pereira de Souza, fez que surgissem na 
imprensa do Rio de Janeiro diversos escriptos, quer pugnando pelas suas 
idéas, quer as contrariando. 

-^ Carta pastoral mostrando a missão religiosa do clero e invocando a ca- 
ridsuie publica em favor da alma da educação. Pará, 1865, 8 pag8.in-4.<> 

— Instrueção pastoral sobre a encyclica de 8 de dezembro ultimo e o 
jubileu universal concedido pelo santíssimo padre Pio IX, no corrente 
anno. Pará, 1865, 41 pags. in-4.o 

-* A resistência dos bispos^ as suspensões extra-judieiaes e os re- 
cursos á coroa : questões canónicas. Pará, 1866. 

— Officio ao exm. ar. ministro do império, indicando varias medidas 
importantes. Pará, 1866, 22 pags. in- •» 



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248 AJN 

-^ Carta pastoral sobre a uaificftçSo da Itália. Pará, 1867 — O bispo 
combate em sua pastoral a unificação da Itália. 

— Carta pastoral dirigida a seus diocesanos por occasião de sua volta 
da cidade de Roma. Rio de Janeiro, 1867, 38 pags. inS.^ 

— Noticia biographica do finado bispo de Pernambuco D. Francisco 
Cardoso Ayres, extrahida do vários documentos. Roma, 1870, 36 pags. 
in-4.o 

— Discurso recitado no acto solemne da inauguração da sociedade 
promotora da instrucçSo publica, no dia 24 de setembro de 1871 . Belém 
do Pará, 1871, 27 pags. in-4.» 

— Discurso pronunciado na solemne inauguração da bibUotheca pu- 
blica, fundada na mesma provinda a 25 de março de 1871. Pará^ 1871, 
16 pags. in-4.<^ 

— Carta pastoral publicando as constituições dogmáticas do sacrosanto 
concilio geral do Vaticano. S. Luiz do Maranhão 1871, 90 pags. in-4.o 

— Carta pastoral premunindo seus diocesanos contra os erros de um 
papel espalhado ultimamente na diocese sob o titulo de Protesto do par- 
tido liberal. Belém, 1872, 63 pags. in-4.* 

— Instrucção pastoral sobre a maçonaria, considerada sob o aspecto 
moral, religioso e social. Belém, 1872, 131 pags. in-4o — Segunda edição. 
Rio de Janeiro, 1872, 89 pags. in-4o— Terceira edição. Rio de Janeiro, 
1874, 103 pags. in-8.o 

— A maçonaria em op posição á moral, á Igreja e ao Estado : pastoral. 
Recife, 1873, 72 pags. in-S» gr. 

— Carta do bispo do Pará acompanhando ao bispo de Olinda na medida 
que tomou em relação á maçonaria — Sahiu no Apostolo de 9 de março 
de 1873. 

-^ Carta ao senador Ambrósio Leitão da Cunha. Rpcife, 1873, 16 
pags. in-4,o 

— Carta pastoral explicando a razão do actual confiicto. Rio de Ja- 
neiro, 1873, 55 pags. in-8o — Foi publicada primeiramente no Pará. 

— Resumo da historia bíblica ou narrativa do velho o novo testamento 
illustrado com cerca de duzentas estampas : edição em vulgar, offerecida 
ás famílias brazileiras . New-York, 1872 — Esta obra foi approvada por 
todos os bispos da Suissa, muitos da França e da Itália. 

•— Direito contra o direito ou o estado sobre tudo : refutação da dou- 
trina dos políticos na questão religiosa, seguida da resposta ao supremo 
tribunal de justiça. Rio de Janeiro, 1874, 274 pags. ia-8o — Esta obra 
motivou a publicação de alguns artigos na imprensa diária, e teve nova 
edição, Porto, 1875, 266 pags. in-8.<> Appareceu depois, contestando-a 
< O Brazil e a cúria romana ou analyse e refutação do Direito contra o 
direito do sr. d. António de Macedo Costa, bispo do Pará, pelo cano- 
nista. Rio de Janeiro, 1876.» (Veja-se Joaquim do Monte Carmello.) 

— Carta pastoral publicando o jubilêo em sua diocese, no anno de 1875, 
datada de sua prisão na Ilha das Cobras. Rio de Janeiro, 1875. 



AJS. 249 

— O Ckristianismo e o progresso, Lisboa, 1875. 

^ Deveres da familta — Tinha com este titulo um opúsculo do sábio e 
virtuoso prelado e nao sei si o perdi ou confiei a alguém que deixou de 
restituir-m'o. 

— Resposta do bispo do Pará a seus accusadorea na camará dos depu- 
tados. Belém do Pará, 1879, 77 pags. in-4o — Neste volume justificapse o 
autor de diversas accusaçOes que soffrera, como : do entender que nSo 
deve sujeição ao governo, nSo é subordinado á constituição e ás leis do 
paiz ; de promover uma conflagração em sua diocese ; de infligir a lei 
provincial que manda fazer-se a procissão de Corpus Christi ; de não 
querer coUar vigários, etc. 

— Compendio da civilidade christã^ offerecido ás famílias e ás escolas 
brazileiras. Pará, 1880 — Neste livro, de 250 paginas, o autor procura 
conciliar as regras de civilidade com as da religião. 

— Carta pastoral aos habitantes de Belém sobre a manifestação havida 
contra a assembléa provincial. Belém, 1882 — Refere-se a aggressões 
deploráveis do povo paraense contra a assembléa por uma questão de 
trilhos urbanos nos dias 16 e 17 de outubro. 

— O Amazonas e os meios de desenvolver a sua civilisação : confe- 
rencia feita em Manáos a 21 de março. Pará, 1883. 

D. António de Macedo Costa tem publicado outras pastoraes em sua 
diocese e ainda estudante de preparatórios na Bahia escreveu diversas 
poesias no periódico Noticiador Catholico^ ao lado das de seu pai (veja-se 
José Joaquim de Macedo Costa) e também artigos em prosa. 

A-utonio Manoel Oorx*êa» da Oa/maira — Falleceu 
em Porto- Alegre, capital da província do Rio Grande do Sul. Foi o pri- 
meiro cônsul que o Brazil teve na republica do Paraguay ; foi encarre- 
gado pelo governo imperial de organizar a estatística da mencionada pro- 
víncia ; era do conselho de sua mageslade o Imperador, e escreveu : 

— Correspondência turca interceptada a um emissário da Sublime 
Porta, residente na corte do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1822 — 
São quatro opúsculos in-4o, sendo o primeiro datado de 23 de janeiro e 
o ^ultimo de 26 de maio deste anno, de numeração seguida, 88 pags. 
in-4.0 

ALiitonio IMCanoel Femandles, !<> «- Natural da provín- 
cia do Rio Grande do Sul e filho de António Manoel Fernandes e de dona 
Umbelina Luiza da Silva Fernandes, falleceu na corte a 30 de junho- de 
1883. 

Formado em scíencias socíaes e jurídicas pela faculdade de Olinda, 
exerceu successi vãmente diversos cargos na magistratura, inclusive o de 
chefe de policia da província do Paraná, até ser nomeado desembargador 
da relação do Maranhão. Tendo, porém, exercício na da corte e no tri- 
bunal do commercio, como tivesse adquirido naquelle cargo a desafiTeição 



260 

de um personagem inflaente na politica qae sabia ao poder, foi mandado 
logo para o Maranhão ; e entSo, desgostoso com isso, pediu e obteve soa 
aposentadoria. Exercia ultimamente a advocacia ; era official da ordem da 
Roza, cavalleiro da de Christo, e escreveu : 

— índice chronologico, explicativo e remissiyo da legislaçSo brazi- 
leira desde 1822 até 1848, precedido cada anno, além do reinado que a 
elle presidiu, dos nomes dos ministros que dirigiram as respectivas re- 
partições, e cada legislatura dos nomes dos senadores e deputados que 
nella tomaram parte, 1849 a 1851. Quatro volumes — - sendo o primeiro 
impresso em Nictheroy, e os outros no Rio de Janeiro. 

— Relatório apresentado ao . . . presidente da província do Paraná, 
o conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos, pelo chefe de policia 
António Manoel Fernandes Júnior em julho de 1854, contendo a. estatís- 
tica da província. Gorytiba, 1854. 

— Protesto por occasiSo de ser destituído do tribunal do commercio da 
capital do império e removido para a relação do Maranhão e os artigos e 
correspondências, a que este protesto deu logar ; offerecido ao corpo le- 
gislativo do império e ao publico em geral. Rio de Janeiro, 1862. 

— Canhen7tí> do eleitor ou Índice alphabetico e explicativo da reforma 
eleitoral, acompanhado de notas tiradas das respectivas instrucções, da 
transcripção das leis, a que a dita reforma S9 refere, e dos avisos do ge- 
verno, até agora publicados. Rio de Janeiro» 1881 . 

A.xitoxiio BlAiioel Fernandes» ^o— E* natural da ci- 
dade de Santos, província de S. Paulo, e filho de Manoel Fernandes e de 
dona Etelvina Maria de Jesus Fernandes 

Matriculando-se na faculdade de direito deS. Paulo em 1862, depois de 
três annos do curso retirou-se para a cidade de Santos, onde firmou sua 
residência, e ahi fundou em setembro de 1878 uma escola nocturna gra- 
tuita, esforçando-se por espaço de dous annos, como seu presidente e 
fundador, pela manutenção do dito estabelecimento, que effec ti vãmente 
tem prestado reaes serviços á população desta localilade. Em setembro 
de 1880, porém, sentindo alterações em sua saúde, deixou de continuar 
na presidência, para que fora reeleito, continuando, entretanto, a ser 
professor da escola, e então a gratidão de seus alumnos e do corpo docente 
se revelou no offerecimento espontâneo, que lhe fizeram, de seu retrato, 
tirado á óleo. Foi um dos académicos de S. Paulo, comprehendidos no 
Álbum litterario do doutor A. M. dos Reis por cultivarem as lettras com j 

distincção, e escreveu : \ 

— Paulo e Flora: romance. S. Paulo, 1861, 113 pags. — B' sua 
estréa de autor antes de matricular-se na faculdade de direito. 

'■^Crepúsculos: poesias. Santos, 1870 — Algumas das composiçtSes 
aqui enfeixadas já haviam sido publicadas antes em diversos periódicos. 

— A villa da Conceição de Itanhaen : estudo histórico. Santos, 1871 
— S^hin sob o anonymo. 



251 

— O Lyrio : jornal litterario. Santog, 1867 — Neste jornal, de que foi 
fandador e redactor, se encontra de fiua penna o romance Amor e dÔr^ e 
08 pequenos contos Eoangelina ; Hontem ; Névoas ; A cruz ; Uma 
flor murcha ; Um segredo ; e Folha de um livrOf sob o pseadonymo 
Luciliano, de que usa em suas composições li Iterarias. 

— O Pyrilampo : jornal dedicado ás senhoras. Santos, 1869 — tS* tam- 
bém por A. M. Fernandes fundado e redigido. 

— O Popular : periódico noticioso. Santos, 1879 — Idem. 

— Contos microscópicos — Vêm na Imprensa, pvnBl da mesma ci- 
dade ; é uma collecção de contos e historietas. 

— Um lenço : romance — Foi publicado no mesmo jornal . 

— Lamentações de um empregado do fisco : acena cómica em verso — 
representada no theatro de Santos e muito applaudida, em 1870. Nâo foi 
ainda impressa. 

— Um heroe de Riachuelo : acena dramática em verso — representada 
no theátro de S. José da cidade de S. Paulo — Idem. 

A^ntonio MAnoel Oonsal-ves rrooaintins — E* na- 
tural de Gametá, província do Pará ; engenheiro civil pela universidade 
de Liége, d*onde regressando á pátria, aqui foi empregado pelo governo 
provincial; dedica-se actualmente ao magistério, quer como lente da esco- 
la normal, quer como director do collegio Marquez de Santa Cruz, de 
Belém ; é sócio do instituto histórico e geographico e escreveu : 

— Exploração do rio Tapajós : relatório (escripto com J. H. Correia 
de Miranda) — Vem annexo ao relatório da província pelo doutor Abel 
Graça, Pará, 1872. 

— Relíquias de uma grande tribu extipcta na ilha do Pacoval — Vem 
na Revista do instituto histórico, tomo 39^, parte 2^, 1876 — E* datada esta 
obra d9 1872 e lhe serviu para a sua admissSo no instituto. 

— Estudos sobre a tribu mundurucú : memoria lida perante o mes* 
mo instituto — Na dita revista, tomo 40>, pags. 74 a 161. O autor apre- 
senta um quadro comparativo com treze vozes, vindo a portugueza em 
primeiro logar e o mundurucú em ultimo, afim de facilitar a confronta- 
ção do dialecto desta lingua com o das três principaes linguas america- 
nas : quichua, aymará e tupy. 

Dizem os doutores Caetano Filgueiras, Moreira de Azevedo e Ribeiro 
de Almeida om seu parecer, como membros da commissSo de admissSo 
de socioi, que Gonsalves Tocantins escrevera e publicara algumas 

— Memorias g^iographicas, concernentes ao valle do Amazonas — Não 
conheço, senão o que fica mencionado. 

A^utonio Manoel d.e lk£edLeix*os — Natural da provín- 
cia do Ceará, filho de Manoel do Rego Medeiros e detona Marianna do 
Rego da Luz, e irmão do bispo de Pernambuco, dom Manoel do Rego de 
Medeiros, nasceu a 23 de abril de 1829 e falleceu a 13 de julho de 1879, 
viotima de uma febre typhica. 



25% AN 

Doutorado cm medicina pala faculdade da Bahia no anno do 1852, en- 
trou para o corpo de saúde do exercito, onde serviu até o posto de cirar- 
giào-mór de brigada honorário, em que morreu, exercendo também di- 
versas commissões civis. Era cavalleiro da ordem do S. Bento de AvÍ2 
e da de S. Gregório Magno de Roma, e escreveu ; 

— Proposiçõet sobre obstetrícia (seguidas de proposições sobre os 
diversos ramos do curso medico). Bahia, 1852 — E' sua these inaugural. 

— i2d/atort o apresentado ao.... doutor Lafayette Rodrigues Pcreiru 
pelo doutor, etc. em commisââo nas comarcas do Icó, Crato e Jardim du- 
rante a epidemia do colera-morbus em 1864. Ceará, 1864, in-4.o 

— Apontamentos biographicos do bispo de Pernambuco dom Manoel de 
Medeiros. Abril 16 de 1876 — O original pertence á bibliotheca nacional 
6 esteve na exposição de historia do Brazil em 1881. 

A^ntonlo Manoel d.e Mello — Filho do marechal de cam- 
po António Manoel de Mello Castro Mendonça e de dona Gertrudes Maria 
(lo Carmo, nasceu na província de S. Paulo a 2 de outubro de 1802, e íal- 
leceu na campanha contra o Para^uay a 8 di março de 1866. 

Doutor em mathematicas pela antiga academia militar, foi nsUa lento 
substituto do curso de pontes e calinadas; depois cathedratico e lente da 
escola de archi tectos na província do Rio da Janeiro ; prestou importan- 
tes serviços, portandoHse como um bravo, na campanha cisplatina em 18^, 
sendo então tonente do exercito, pois que seguira a carreira em que se 
ennobrecera seu pai ; depois da campanha foi promovido a capitáo em 
1827, a major em 1837, a tenente-coron-^l em 1844, a coronel em 1855, e 
a brigadeiro em 1861, posto em que falleceu, exercendo o cargo de com- 
mandantc geral de artilharia no exercito em operações. 

Antes disto exercera diversos cargos, como os de vice-director da Êibri- 
ca de pólvora de Ipansma em 1834, director das obras civis e militares da 
marinha em 1847, director do laboratório astronómico, e vogal do con- 
selho supremo militar ; foi mestre de astronomia da princeza imperial o 
de sua augusta irmS, e ministro da guerra por duas vezes. Era doconsalho 
de sua magestade o Imperador ; grS-cruz da ordem de Christo, commen- 
dadoí da ordem da Roza e da de S. Bento do Aviz ; sócio do instituto 
histórico e geographico brazileiro, e escreveu : 

— Diversos relatórios «— no cargo de ministro da guerra e em outros. 

— Annaes meteorológicos do Rio do Janeiro nos annos de 1851 a 1856. 
Rio de Janeiro, 1852 a 1858. 

— Ephemerides do imperial observatório para os annos de 1853 a 1858, 
16 vols. — Além disto na antiga Revista brasileira ha diversos trabalhos 
de sua penna. 

A^ntonlo Manoel dos Reis — Nascido na cidade de S. 
Paulo em 1840 e formado em sciencias jurídicas e sociaes pela faculdade 
da mesma cidade, residia no Rio de Janeiro quando suscitounse a questão 



! 
J 



rAJNi 253 

chamada religiosa, que deu em resaltado a prisSo e jalgamento doa bispos 
do Pará e de Olinda, o então tomou parte muito activa nesta questão pelo 
lado do3 bispos, como coUaborador e depois redactor do periódico ApoS" 
tolo. Foi um dos installadores da associação catholica fluminense ; ó sócio 
do Ensaio philosophico paulistano, e escreveu : 

— Ensaios poéticos. S. Paulo, 1859. 

-~ Minhas inspirações. Poesias 2^ edição augmentada de novas poe- 
sias e alguns escriptos em prosa. Rio de Janeiro, 1860. 

— Alfredo : romance. S. Paulo, 1861. 

— Discurso recitado por occasião dos suffragios na igreja do collegio 
polo descanso eterno de sua magestade fidelissima, el-rei Dom Pedro Y— 
Se acha no Tributo de saudades á memoria d*el-rei Dom Pedro V em nome 
dos portuguezes residentes em S. Paulo. 

— Álbum litterario. S. Paulo, 1861, 250 pags. — Este livro se divide 
em cinco partes : 1.^ Violetas : collecçSo de poesias, entre as quaes se 
nota aGethsemani do conselheiro A. J. Ribas. 2.^ Académicos contem^ 
poraneos^ em que o autor faz manção de 29 collegas seus, disti netos 
como cultores das lettras. 3.^ Cantos do crepúsculo. 4.* Estudos litte^ 
rarios. 5.» Fan\asias, 

— Thesouro litterario ou collecção de máximas, pensamentos, aforis- 
mos, definiç53s, reflexSes, noticias e trechos extrahidos dos mais celebres 
escnptores, sagrados e profanos, nacionaes e estrangeiros, sobre assum- 
ptos religiosos, civis, políticos e litterarios, coordenados por ordem alpha- 
betica com o Índice das matérias e autores citados. !<> tomo. Rio de Ja- 
neiro, 1873 — O 1^ tomo desta obra abrange as lettras A, B e C. O autor 
não continuou a publicação. 

-^ Ganganelli ^ em scena. Refutação dos artigos do conselheiro J. 
Saldanha Marinho (Ganganelli) intitulados A igreja e o Estado. Rio de 
Janeiro, 1874, 1326 pags. in-4o — E* uma collecção dos artigos publi- 
cados no Apostolo na questão religiosa. 

— Almanak brazileiro illastrado para o anno de 1876, ornado de nu- 
merosas gravuras, com uma noticia biographica do bispo de Olinda, con- 
tendo, além de muitos, e variados assumptos de interesse geral, uma parte 
scientifica, litteraria, noticiosa o recreativa. l<>anno. Paris, 1876, 288 
pigs. in-16. 

— Almanak brazileiro iilustrado para os annos de 1877 a 1883, etc . 
7 vols. in-16 — Foram impressos os 4 primeiros volumes em Paris, e os 
últimos DO Rio de Janeiro . 

— O bispo de Olinda^ dom frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira peran- 
te a historia. Nota biographica e compilação de todas as peças de seu 
processo, consultas do conselho de estado, discursos de defesa, notas di- 
plomáticas, escriptos do illustre confessor da fé, etc. Kio de Janeiro, 
i879, 820 pags. in-4' — com o retrato do bispo. 

— O Brasil Catholico : periódico consagrado aos interesses do ca- 
tholieismo, Rio de Janeiro 1880 a 1883, in-fol. gr. — Esta publicação foi 



254 

fuidada pelodoator Reis em ena retirada da redacçSo do Apostolo^ e ter- 
minou em abril deste anno . Gonata-me que foi elle o redactor do 

— Tupy : folha illostrada. Rio de Janeiro, 1872 — sahiram apenas 
23oa 24 números. 

A.iitoiiio Manoel da. ISll^eira Sampaio — Nfio 

pnde averiguar onde nasceu, nem em que data, parecendo-me, segando 
posso calcular, que fosse pelo anno de 1770. Seguiu a carreira das armas, 
onde subiu successivamente a diversos postos até o de marechal de cam- 
po, e exerceu diversos cargos como o de vogal do conselho supremo mi- 
litar, ô escreveu : 

— Memoria sobre as principaes causas que promovem as deserções nos 
corpos de linha do exercito do Brazil, e os meios que convém adoptar p«ra 
evitar a continuação deste terrível mal do estado. Rio de Janeiro, i819 

— O original desta memoria esteve na exposiçfio de historia do Brazil. 

— Instrtícções para uso dos officiaes do exercito nacional e imperial 
nos processos de conselhos de guerra. Rio de Janeiro, 1824, 91 paga. 
in-4.0 

'^Representação contra o ministro Antero Joaé Ferreira de Bríto. 
Rio de Janeiro, 1835. 

.Aj&tonio Marciano da Sii-va Pontes — Natural da 
província de Minas Geraes, nasceu na cidade de Maríanna a 27 de ja- 
neiro de 1836. 

Destinado por seus pães para seguir o estado ecclesiastioo, fez em sua 
província os estudos necessários no seminário episcopal ; nSo se sentindo, 
porém, com vocaçSo para este estado, veiu para o Rio de Janeiro, e aqui 
deu-se ao magistério, leccionando em diversos coUegios algumas matérias 
do curso de humanidades ; exerceu o cargo de secretario do governo dè 
Minas Geraes, e delle exonerado passou a exercer o de secretario da policia 
da mesma província. E* membro do conselho da instrucçSo publica e 
director do curso da escola normal para o sexo masculino, em Nictheroy« 

— e escreveu, além de diversos artigos na Revista popular do Rio de Ja- 
neiro, de que foi coUaborador : 

— Nova rhetorica brazileira : obra apresentada ao conselho director e 
approvadaparao coUegiode Pedro II. Rio de Janeiro, 1860, 247 pags. 
in-8.» 

— Compendio de pedagogia para uso dos alumnos da escola normal do 
Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 186* -* Segunda edição, correcta e au- 
gmentada, Rio de Janeiro, 1873. 

-* Ensaio histórico da província de Minas Geraes — Ignoro si SBta 
obra veiu' á lume. O manuscrípto foi offerecido ao instituto histórico e 
geographico em 1867. 

Talves haja mais alguns eacriptos publicados deste autor, de que nSo 
dou noticia por nSo obter os esclarecimentos ^uo lhe pedi^ oomo me 



JkX 865 

BuccedôQ com a máxima parte das pessoas, de quem me tenho occnpado, o 
de quem terei de occupar-me ainda. 

A^ntonio Maria» Barlcei* — Filho de Jerónimo José Joa- 
quim e de dona Anna Joaquina Barker, nascea na cidade do Porto, reino 
de Portugal, a 23 de dezembro de 1792, veia para o Brazil em 1810, aqui 
persistia, adoptando a constituiçSo do império, e falleceu a 7 de setembro 
de 1853. 

Já exercia a profissão de mestre da lingaa portugueza quando, accla- 
mada a independência, foi nomeado pelo governo para fazer parte de com- 
missões tendentes ao aperfeiçoamento da educação litteraria, e dos me- 
thodos de ensino mais convenientes — commiasões que desempenhou 
satisfactoriamente, adquirindo a reputação de um distincto educador da 
mocidade. Neste empenho trabalhou constantemente, já associando-se ás 
corporações de lettras que tinham por fim a propagação e melhoramento 
da instrucçSo, já escrevendo uma serie de compendies destinados ao pro- 
fessorado, que ainda hoje sSo adoptados em muitos estabelecimentos de 
educação, quer públicos, quer particulares, quasi todos estes compêndios 
já com diversas edições. Suas obras sSo : 

— Dialogo orthographico da língua portugueza com reflexões e notas 
sobre as differentes opiniões dos orthographos. Coimbra, 1834, 35 pags. 
in-8o — O titulo desta obra foi em edi^ posterior alterado do modo 
seguinte : 

— OrthograpMa ou primeira parte da grammatica portugueza em forma 
de dialogo com reflexões e notas, etc. Nova edição. Rio de Janeiro, 1855, 
34 pags. in-8.0 

— Dialogo grammatical da lingua portugueza que para intelligencia 
das regras de orthographia contém o que é absolutamente indispensável, 
e o que apenas se pôde ensinar nas escolas. Bombaim, 1841 -—Como a 
precedente, foi esta obra depois publicada com alteração no titulo, assim : 

— Qrammatica da lingua portugueza em forma de dialogo, que para 
intelligencia da orthographia contem o que ê absolutamente indispen, 
sável, etc. Oitava edição. Rio de Janeiro, 1860, 59 pags. in-8.o 

— SilloLbario portuguez ^Miò completa de ensinara ler. Primeira par te- 
em que se trata das syllabas mais necessárias, etc. Rio de Janeiro, 1860. 

— Syllàbario portuguez . Segunda parte, em que se trata das lições 
das palavras, etc. Rio de Janeiro, 1861. 

— Resumo calligraphico ou methodo abreviado de escripta ingleza, 
dividido em seis lições. Quarta edição. Rio de Janeiro, 1845. 

— Recreio escolástico, isto é, fabulas litterarias de Dom Thomaz Yriarte, 
traduzidas do castelhano, reimpressas, e offerecidas ao estudioso povo 
académico. Rio de Janeiro, 1849 -* Destas fabulas existe também uma 
traducção de Romão Francisco Greyo, publicada em Lisboa, 1796. 

— Compendio de civilidade christã para se ensinar praticamente aos 
meninos. Rio de Janeiro, 1858. 



256 AN 

— Directório synthetico e analytico ou iiutrueçSes praticas acerca doa 
compêndios de instracçSo primaria, oíTerecido aos senhores profeaaoi 
que o quiserem adoptar. Rio de Janeiro, 1852 — E' seguido de om 
^klogo de todos os compondios de que o autor trata. 

— Biblioiheca juvenil ou fragmentos moraes, históricos, políticos, lit- 
terarios o dogmáticos, extrahidos de diversos autores e offerecidoe á mo- 
cidade brazileira. Quarta ediç^. Rio de Janeiro, 1859, 900 pags. in-8.* 

— Parnaso juvenil ou poesias moraes, colleccionadas, adaptadas e 
offerecidas á mocidade. Quinta ediçSo. Rio de Janeiro, 1860, 311 pags. 
in-8o — B' um extracto do que o autor achou mais conveniente no Par- 
naso lusitano. 

— Compendio de doutrina chrisiã^ coordenado para uso de seus dis- 
. cipulos. Rio de Janeiro, 1862. 

— Rudimentos arithmeticos ou taboadas de sommar, diminuir, mul- 
tiplicar e dividir, com as principaes regras dos quebrados e deeimaes. 
Decima sétima ediçSo. Rio de Janeiro, 1862 «— Ha desta obra moitas 
edições, sendo uma com o titulo : 

— Rudimentos arithmeticos ou taboadas, otc. nova eÍiçXo(de Nicolau 
Alves ) correcta e augmentada com exemplos numéricos das quatro ope- 
rações, dos inteiros, fracções ordinárias, etc, seguida de uma exposiçSo de 
metrologia com facU explicação do systema métrico decimal, problemas 
de arithmetica, de metrologia, e de regras praticas para a conversão doa 
pesos e medidas usuaes, etc., por um professor da instrucçSo publica. Rio 
de Janeiro ( sem data ) -* E' de 1881 . 

— Breve direcção para a educação dos meninos —Não vi este folheto, 
mas sei que foi publicado antes de 1852, assim como o 

— Jogo doab c para se ensinar, brincando, aos meninos o conheci- 
mento das lettras. 

A maior parte destas obras tiveram edição anterior ás que ahi se 
acham designadas, e algumas ainda edição posterior. 

.A.ntonlo IMÍAria Oliaves de ACello — Formado em di- 
reito pela acadomia universitária de Paris, falleceu no convento de 
Santo António do Rio de Janeiro om 1878 ou 1879. Nada mais pude saber 
a seu respeito, senão que escreveu: 

— Instituições de direito roniano privado^ comi^Biàa ém latim por 
L. A. Warnkoening, e traduzidas para o idioma vernáculo. Rio de Ja- 
neiro — Na introducçSo deste livro, que tem mais de 450 paginas, ó que 
se le a data de 3 de janeiro de 1863. 

— Chrestomatia clássica da lingua portugueza» Rio de Janeiro, 1868, 
2 vols. 

D* A.ntonio Maria Oorreia de Sé. e BeneT-ldes» 

bispo do Marianna — Nasceu na cidade de Campos, do Rio de Janeiro, 
a 23 de fevereiro de 1836, e foram seus pães José Maria Correia de Sá e 
dona Leonor Maria Saldanha Correia de Sá, ambos de nobre geração. 



AN 257 

Bacharel em lettras pelo coUegio de Pedro II, e presbykero do f habito 
de S. Pedro, exerceu o cargo de professor de sciencias naturaesno semi- 
nário de S. José, e também no collogio do Pedro II, os dous estabeleci- 
mentos em que bebera sua educaçSo litteraria ; e sendo nomeado bispo de 
Marianna, foi sagrado a 9 de setembro de 1877. E* do conselho de saa 
magestade o Imperador, e escreveu: 

— Sermão de Nossa Senhora das Dores^ pronunciado na capella do 
seminário episcopal de S. José por occasiào da festa da mesma Senhora 
— Sahiu no Apostolo, 1866. 

^Discurso proferido no seminário episco;al de S. José por occasiSo 
de se abrirem as aul s do mesmo seminário — Idem, 1866. 

— Discurso proferido na sessão magna de inauguração da bibllotheca 
do instituto dos bacharéis em lottras, a 2 de julho de 1867 — Vem no vo- 
lume intitulado < Bibliotheca do instituto dos bacharéis em lettras, etc. » 
( Veja-se Anastácio Luiz do Bomsuccesso.) 

— Discurso proferido na missa do Espírito Santo, que mandaram dizer 
os doutorandos de m^^dicina do anno de 1865 — NSo sei si foi publicado. 
O aatographo, datado do collegio de Pedro II, 15 de novembro de 1865, 
de 11 fls. numeradas, existe na bibliotheca nacional. 

— Panegyrico do medico : oração omposta e recitada pelo reverendo 
padre-mestre bacharel António Maria Correia de Sá e Benevides, então 
clérigo de ordens menores e actualmente bispo de Marianna, na igreja de 
S. José, ante os doutorandos do 1866 — Idem, 16 pags. 

— Carta pastoral saudando a seus diocesanos e dirigindo-lhes al- 
gumas exhortações. N. 1. Marianna, 1877, 14 pags. in-4.® 

— Carta pastoral. N. 2. Marianna, 1878, 20 pags. in-4.o 

— Circular solicitando auxilio para a fundaçâ^e conclusão do obras 
pias. Marianna, 1878, in-fol. 

— Circular communicando aos vigários o fallecimento do santissima 
padre Pio IX e recommendando sufrágios por sua alma. Marianna, 1878, 
in-fol . 

-^Circular communicando aos vigários sua visita pastoral. Marianna, 
1878, in-fol. 

A^ntonio Mxtz"ia« dLe Ilfira^nda Oa.9tx*o — Natural do 
Rio de Janeiro o nascida pelo anno de 1818, fez o curso de medicina na 
faculdade da corte, recebendo o gr.iu d) doutor em 1841 ; foi nomoado 
substituto de sciencias acccssorias em 1845 depois do respectivo concurso, 
sendo jubilado a seu pedido depois de alguns annos de exercício ; reside 
actualmente em Valença, província do Rio de Janeiro ; é membro do insti- 
tuto hÍ8toric3 e geographico brazileiro, da sociedade auxiliadora da in- 
dustria, da sociedade philomatica, da saciedade geológica e da po- 
ly technica da França, da sociedade de sciencias naturaos do departamento 
do Senna e Oise, da sociedade medica de emulação de Paris, e da real 

sociedade de botânica de Munich. Escreveu: 

17 



258 AN 

i— Diaertação inaugural sobre as agaas mineraes brazileiras, e em 
particular as da cidade do Rio de Janeiro: these apresentada á facaldade, 
etc. Rio de Janeiro, 1841 — A Reoista medica brazileitat dando noticia 
desta these, diz que é um trabalho de grande importância, e que com elie 
•eu autor prestara grande serviço á medicina do paiz ; e a commissao de 
geographia do instituto histórico, a quem foi presente o mesmo trabalho, 
deu acerca delle um lisongeiro [larecer em agosto de 1842. 

'^ Philotofhia chimica ou theoriados equivalentes chimicos, precedida 
de algumas considerações gera s sobre as sciencias physicas: these de 
concurso a um logar de lente substituto da secção de sciencias accea- 
■orias na escola de medicina. Rio de Janeiro, 1845. 

— LiçAo oral em a segunda prova do concurso á vaga em secçSo de 
sciencias accessoriaa da escola de medicina — Sahiu na Minerva Brazi- 
lôira^ 2« Tol., 1844, pag. 586. Versa sobre botânica. 

— Geologia da provinda de Santa Catharina : artigo extrahido da 
memoria histórica, estatística e commercial de Van-Lede sobre a provincia 
de Santa Catharina, vertido em vulgar — Sahiu no volume ?<> da ReTiata 
trimensal do instituto, 1845, pags . 87 a 178. 

— Proseguimento da estrada de ferro D, Pedro II até ás capitanias 
de Gtoyaz e Mato Grosso e até os limites do império com a Bolivia. Breves 
reflexões sobre a utilidade da em preza : estatutos da companhia ; breves 
apontamentos sobre a pro lucçSo annual do império e sobre sua riqueza 
ou propriedade productiva . Rio de Janeiro, 1874. 

^Memoria topographica sobre as aguas mineraes brazileiras, offerecida 
ao instituto histórico e geo?raphico brazileiro — O manuscripto de 5 fls. 
com 3 estampas ly thographadas esteve na bibliotheca nacional por occasifio 
da exposiçSo de historia do Brazil. 

jALntonio ]|£a*x*ia/ cie ]l£oui*a» — IrmSo de frei Arsénio da 
Natividade Moura, de quem occupar-me-hei a lianle, e natural de Sabará, 
provincia de Minas Geraes, e não de S. Paulo, como suppõe o doutor Tei- 
xeira de Mello em suas Ephemerides nacionaes, foi prosbytero secular, 
doutor em direito e lente da faculdade de S. Paulo onde falleceu em 1842 ; 
representou a provincia de Minas Geraes na 2» e 3» legislaturas de 1830 
a 1837 e, homem de vasta erudição e virtudes, foi eleito bispo do Rio de 
Janeiro em 22 de março de 1833 na vaga deixada por dom frei José Cae- 
tano, não sendo sua eleição confirmada pelo pipaGrogorio XVI por causa 
de se haver pronunciado com o padre Feijó contra a imposição do celibato 
clerical. Escreveu e deixou inéditas: 

•— Instituições de direito ecclesiastico — E' um grosso volume contendo 
lições de muito merecimento na opinião assaz autorizada do conselheiro 
Olegário Herculano de Aquino e Castro, de quem occupar-me-hei opportu- 
namente. O mesmo conselheiro o teve e consultou -o durante o seu! se- 
gundo anno do curso jurídico. Pertencia este livro á bibliotheca do finado 
conselheiro Amaral Qurgel. 



j 



259 

jA^ntoiílo Maria dle Oliveiíra BnllLÔes — Nasceu no 

Rio de Janeiro a 18 de janeiro de 1826, fez na antiga academia militar o 
curso de mathematicas, em que formou-se, e tendo assentado praça no 
exercito em 1847, foi promovido & alferes alumno neste mesmo anno, a 
segundo tecente do corpo de engenheiros em 1849, a primeiro tenente em 
1852,. e a capitSo, posto em que deixou a carreira militar, em 1856. 

Exerceu diversas commissQes, como a de engenheiro em chefe dai 
obras da companhia União e Industria, inspector geral das obras publi-- 
cas da còrCe, etc; é cavalleiro da ordem de Ghristo e da de S. Bento de 
Âviz, e escreveu: 

— Considerações sobre o abastecimento de agitas da cidade do Rio 
de Janeiro: memoria apresentada ao excellentissimo senhor ministro da 
agricultura, commercio e obras publicas. Rio de Janeiro, 1866, in-8<> — 
Com três mappas. 

— Estrada de ferro da Bahia ao rio de S. Francisco: estudos defini- 
tivos de Alagoinhas ao Joazeiro e Gasa-Nova em 1873. Rio de Janeiro» 
1874, in-4o — Acompanha esta obra a 

— Carta geral da estrada de ferro da Bahia ao S. Francisco: escala de 
1:1.000.000 — (Lithographada por Leguenne), 1874. 

— Material rodante das estradas de ferro — Vem no relatório da expoei- 
çSo universal, de Paris, tomo 1^, pags. 13 e seguintes. 

— Carta corographica da província do Rio de Janeiro com a de Minas 
Geraes, contendo os traços das estradas das companhias D. Pedro 11, 
Mauá, e União e Industria, extrahida de documentos officiaes. — Está no 
salão da Garta geral. 

A-ntonio Max*Íaiio d.e iliase^^edlo — Filho de um antigo 
lente da escola militar e parente do conselheiro Josó da Gosta Azevedo, 
de quem occupar-me-hei no logar competente, nasceu no Rio de Janeiro 
a 30 de junho de 1827, e tendo feito o curso da academia de marinha* foi 
promovido a guarda-marinha em 1842, a segundo-tenente em 1844, a 
primeiro-tenente em 1854, a capitão-tenentj em 1862, a capitfio de fra- 
gata em 1875 e a capitão de mar e guerra em 1883. 

Tem exercido diversas commissões, como a de bibliothecario da biblio- 
theoa da marinha de 1876 a 1878, commandante da flotilha do Amazonas, 
director da colónia de Itapura, e intendente da marinha na corte ; ó ca- 
valleiro da oriem da Roza e da de S. Bento de Aviz, e escreveu : 

— Relatório sobre os exames, de que foi incumbido no interior da pro- 
víncia de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1858 — Não vi esta obra, mas sei que 
lhe foram feitas censuras perante a assembléa legislativa desta província, 
das qnaes se justificou, escrevendo: 

— Resposta ás aggressões que lhe foram feitas na assembléa provincial 
de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1861 — Foi um dos collaboradores do 

— Diccionario rnaritimo brazileiro^ organisado por uma commissão 
nomeada pelo governo imperial» etc. Rio de Janeiro, 1^77, 2 vols. in- 



200 AN 

fòHo.— Contém esto livro muitas figuras intercalladas no texto e é segui- 
do de um vocabulário francez e inglez. 

António Mari&no de AzevedLo Marques — Nas- 
cido em S. Paulo no anno de 1797 e fallecido no de 1847 ou 1848, foi um 
dos primeiros estudantes que se matricularam na faculdade de direito des- 
ta província na abertura da mesma faculdade, e portinto, tendo por com- 
panheiros José António Pimenta Bueno, depois Marquez de S. Vicente, 
Manoel Dias de Toledo e Manoel Joaquim do Amarai Gurgel, dos quaes 
opportunamentê occupar-me-hei, foi também um dos primeiros formados 
em direito no Brazil. Aos quinze annosjá leccionava latim, facto que 
fez que o chamassem por antonomazia o mestrinho ; foi poeta muitj 
popular em sua província, e escreveu: 

— Collecção de poesias — que se conserva inédita em poder do doutor 
José Vieira Couto de MagalhSes, como este declara em sua Revista da 
academia^ pag. 275. 

— Diversos hymnos festivaes — que desappareceram com essa época de 
febre patriótica, como diz o doutor Couto de MagalhSes, nos quaes o en- 
thusiaamo o arrebatava e palavras heróicas desciam do bico de sua psnna 
para serem logo cantadas pelo povo, como na estro phe com que se con- 
clue uma poesia sua ao corpo civico paulistano: 

E quando vos arranquem a victoria 
Esses vis com o inferno conjurados, 
Morrei todos -— que ao menos é com gloria ! 

— A' abertura da academia de direito de S. Paulo: ode — ^^ Creio que 
foi publicada por essa época, e vem na coUecçSo já mencionada. 

Azevedo Marques foi um dos redactores do 

— Pharol Paulistano. S. Paulo, 1830 — Foi seu companheiro ne:$ta 
empreza o doutor José da Costa Carvalho, depois Marquez de Monte 
Alegre . 

E* de sua penna um resumo de Quintiliano, que corre com o titulo da 

— Caderneta de rketorica, escripta para uso de seus discípulos. 

A.ntonlo Mariano dLo Bomfim — ^ Natural da villa de 
Campo-Largo, província da Bahia, nasceu pelo anno de 1827, e fallecea 
em 1874 ou 1875. 

Fez na faculdade de sua província o curso de medicina, recebendo o 
grau de doutor em 1850 ; e mediante os respectivo concursos, foi nomeado 
oppositor da secçSo de sciencias accessorias da mesma faculdade em 1857, 
substituto em 1858, e lente cathedratico de botânica e zoologia em 1862, 
tendo exercido antes desta nomeação o cargo de preparador de chimica 
orgânica e de pharmacia, assim como das taboas meteorológicas. 

Foi um dos professores da faculdade da Bahia, que acudiram aos re- 
clamos da pátria ultrajada pela ousadia do dictador do Paraguay, offere- 
cendo-se para servir na guerra que sustentámos contra a republica, para 



AJV 261 

a qaal seguiu como medico de um corpo de volnntarioB bahianoB. Era 
medico do asylo dos expostos da santa casa da misericórdia da Bahia ; 
commendador da ordem de Christo ; sócio da sociedade medico- pharma- 
ceutica de beneficência mutua, da qual occupava o iogar de vice-presi- 
dente, e de outras, e escreveu : 

— Dissertação apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina 
da Bahia para obter o grau de doutor, seguida de proposições sobre os 
diversos ramos do curso medico. Bahia, 1850 — Tinha entre muitas outras 
a these inaugural do doutor Bomfim, mas perdi-a, e nunca mais pude 
vel-a nem na faculdade da corte, onde nflo existe ; nem me lembra sobre o 
que versa a dissertação. 

— A theoria dos fluidos será a que melhor explica os phenomenos 
eléctricos ? these para o concurso a um Iogar de oppositor da secç&o de 
scienc^as accessorias. Bahia, 1857. 

— Apreciação das diversas theorias sobre a constituição chimica dos 
corpos : these para o concurso a um Iogar de lente substituto de sciencias 
accessorias . Bahia, 1858 — O autor começa, tratando das diversas theorias 
sobre a formaçSo dos corpos desde os antigos philosophos até Stahl, passa 
aos descobrimentos de Lavoisier, ás theorias electro-chimicas, etc. 

~ Elementos de ana'omia, physiologia e morphologia vegetal. Bahia» 
1873 — - Este livro foi escripto para compendio de sua cadeira. 

— Tratado elementar de physica de Ganot : traducçSo — O doutor 
Bomfim, querendo publicar este livro, apresentou-o ao governo imperial, 
lhe pedindo autorização para ser adoptado para compendio na faculdade. 
O governo imperial, porém, negou-lhe a autorização pedida por haver 
sido então publicada na Europa uma edição da obra de Ganot, 11^, poste- 
rior á da traducção. Em vista disto tratava elle de coordenar sua tra- 
ducçSo pela ultima edição, afim do dal-a á publicidade, quando falleceu. 

— Memoria histórica dos acontecimentos occorridos no anno de 1860 
na faculdade de medicina da Bahia, organizada para {servir j do chronica 
na conformidade do art. 197 dos estatutos. Bahia, 1861. 

— Biographia do doutor Joaquim António de Oliveira Botelho. 
Bahia, 1870. 

Ha diversos escriptos deste autor, publicados em revistas litterarias, 
desde o tempo de estudante, como : 

— Considerações sobre o calórico — Sahiu no Atheneu, Bahia, 1849. 
Demonstra neste escripto que o calórico é um corpo, contestando nm 
escripto do J. M. Cordeiro Gitahy, quo considerava o calórico, nllo um 
corpo, mas o resultado de uma combinação. Ao artigo do doutor Bomfim 
respondou ainda este pelo mesmo periódico Atheneu, assim como também 
a outro de F. C. do Amaral, sustentando as mesmas idéas de que o 
calórico é um corpo. (Veja-se José Muniz Cordeiro Gitahy e Firmino 
Coelho do Amaral.) 

— Algumas palavras acerca das cartas sobre. a educação, de Cora pelo 
doutor José Lino Coitinho — Sahiu esto artigo no mesmo periódico, n. 6. 



— Brevet apontamentot aeerea da moriedara das serpentes e das 
picadas de insectos yenenosoa — Vem na Gazeta medica da Bahia, tomo 3<», 
1869, ns. 61 e 64. 

'^Parecer do medico do asylo doe expostos — Idem, tomo 4^ 1870, 
n. 93. Veraa sobre as causas da ^^rande mortalidade dos expostos, e sobre 
as medidas qae convém serem de prompto abraçadas. 

A-iAtonio marques Bodrigruea — Filho de FrancÍBo(> 
Marques Rodrigues e de dona Josepha Baptista Pereira, nasceu n» 
eidade de S. Luiz do MaranhSo a 15 de abril de 1826, e fallecea em 
Ayintes, reino de Portugal, n*um antigo solar qne ahi possuíam seus 
pães, a 14 de abril de 1873. 

Em idade ainda tenra foi para Portugal, onde fez seus estudos pn- 
marios e os de humanidad 's, demorando ahi dez annos, e depois de uma 
ezcursSo pela França e Inglaterra, voltou ao Brazil e matriculou-se na 
faculdade de direito de Olinda qu') lhe conferiu o grau de bacharel. Foi 
professor de historia natural do lycíu de S. Luiz, official-maior da secre- 
taria do tribunal do commercio, deputado provincial por diversas vezes e 
presidente da asaembléi ; era membro correspondente do instituto 
archeologico pernambucano, cavalleiro da imperial ordem da Roza, e da 
de Nossa Senhora da Conceição da Villa Viçoza de Portugal, e escreveu 
diversos artigos, quer em proza, quer em verso, desde estudante da £bi^ 
culdade, no Cidadão y no Diar-o de Pernambuco e em alguns periodicoa 
de lettras, sendo do numero de taes artigos as seguintes poesias : 

— Nove de dezembro ; A revista nocturna, imitaçSo de Zedliti; 
O Brasil ; O rouxinol : poesia? lyricas — publicadas no Panorama^ 
Lisboa, 1855. O grande escriptor português Alexandre Herculano disse, 
referindo-se a Marques Rodrigues : € Parece-me que no senhor Marques 
Rodrigues terá em breve o Brazil mais um poeta distincto. Ant?vel-o ó 
para mim altamente aprazivel, porque folgo com tudo o que pôde contri- 
buir para a grandeza e gloria de um paiz, no qual tenho, como escripior, 
encontrado tanta benevolência, como a que posso dever aos meus pró- 
prios concidadãos. » Uma destas poesias, o Brazil ^ vem reproduzida no 
Almanah de lembranças brazileiran do doutor Cezar Marques, anno 2*, 
1866, e antes disso no periódico Commercio. Termina ella com os se- 
l^tes versos : 

E «virgens, e homens, e bosques e mares, 
• E tudo que vive na terra, nos ares, 
E* bello, é sublime no pátrio Brazil. 
Azul ò o céo, as florestas frondosas, 
Valentes os homens, as virgens mimosas, 
B as verdes palmeiras viçosas a mil ! 

— Rodolfo Toplfer : esboço crítico-litterario. Recife, 1855. 

— Introducção d obra Manual do plantador de algodXo^ por Turner, 
traduzido do inglês pelo doutor J. Ricardo Jauffiratt. MaranhSo, 1859. 

— As ires lyroã : poesias dos baobareii Trsjano GalvSo áè Carvalho. 



268 

Gentil Homem de Almeida Braga e Ântoaio Marques RodrígrQM. Ma- 
ranhSo, 1862. 

— O livro do povo^ contendo a vida de Christo e vários artigos úteis. 
Maranhão, 1861 — Apezar de se terem tirado qnatro mil exemplares, 
se fez no anno de 1863 nova ediçSo de seis mil. NSo se pôde melhor com- 
provar o acolhimento qne teve esta obra. Creio qae ha nma ediçSode 1866. 

— A casca da canelleira (steeple-chase): romance por ama boa dusia 
de esperanças. S. Lniz, 1866 — E' ama imitaçSo da Cruz de Berney de 
Oeorge Sand, onde se vèrn trechos os mais espirituosos da vida coimbrff ; 
foi comporto f)Or diversos litteratos maranhenses, cada um delles com um 
paeudonymo. SSo ellos os segnintes: 

António Marques Rodrigues — Rufo Salero. 
António Henriques Leal — Judael de Babel-Mandebe. 
Caetano G. Cantanhede — Iwan Orfoff. 
F. G. Sabbasda Costa — Golondron de Bivac. 
Francisco Dias Carneiro — Stephany van Ritter. 
Francisco Sotero dos Reis — Nicodemns . 
Gentil Homem de Almeida Braga ^ Flávio Reimar. 
Joaquim Serra — Pietro de Castellamare. 
Joaquim de Souza Andrade — Conrado Rotanski. 
Raymundo Filgueiras — Pedro Botelho. 
Trajano Galvão de Carvalho — James Blumm. 
Marques Rodrigues redigiu : 

— O Globo. MaranhSo. . .— Deste jornal diversos artigos seus sobre o 
desenvolvimento da agricultura foram transcriptos n*outros periódicos da 
Bahia, de Pernambaco e do Rio do Janeiro. 

— Diário do Maranhão. MaranhSo, 1855 a 1859. 

.A^ntonfo Marques de ISampaio — Nasceu em Porto 
Alegre, capital de S. Pedro do Rio. Grau le do Sul, em 1771, e fallecea no 
Rio de Janeiro a 18 de fevereiro de 1846. 

Era presbytero secular, cónego honorário da capella imperial, official 
da ordem do Cruzeiro, commendador da de Christo e cavalleiro da da Roza; 
sócio do instituto histórico e geographico brasileiro ; vigário, si me nfio en- 
gano, na província de Minas Geraes, que cUe representou na primeira 
legislatura de 1826 a 1829, como supplente do doutor A. Gonçalves Go- 
mide, nomeado senador a 19 de abril daquelle anno, e escreveu : 

— Memoria sobre o Brasil para servir de guia áquelles que nelle se 
desejam estabelecer por o cavalleiro G. de Langsdorff, cônsul geral da 
Prússia no Brazil. TraducçSo. Rio de Janeiro, 1822, 18 pags. in-4.o 

— Oração em acçSo de graças pela feliz chegada de sua alteza real e 
sua augusta familia a esta corte do Brazil, recitada na real capella do Rio 
do Janeiro na manha de 7 de março de 1812, e dedicada a sua alteza, o 
sereníssimo príncipe da Beira, etc. Rio de Janeiro, 1812, S7 page. i]i-4.<> 



264 i%.T^ 

> ■ 

A^ntonSo Martins de franjo Soa.z*e« — >NatnraI da 
Bahia, onde viveu pelo melado do século XVIII, foi militar e delle fazem 
mençSo Emílio Adet, e J. N. de Souzi o Silva no seu Musaico poético^ 
publicado em 1844, como cultor das mnzas, o como autor de varias 

^Poesias — publicadas em avulso, e do muitas outras composições de 
igual género que ficaram inéditas, ignoranJo-se o destino que tiveram. 

A-ntonio Ma^irtiiis Pinlxeiíro — Filho do bem conhecido 
cirurgião António Martins Pinheiro o de dona Albina Maria Pinheiro, 
nasceu na cidade do Rio do Jane iro a 12 de junho do 1824, e pela faculdade 
de medicina desta ci Jade foi graduado doutor em 1848. Serviu alguns annos 
o cargo de inspector da limpeza publica; é medico da visita do porto, veador 
de sua magestade a Imperatriz, official da ordem da Etoza, commendador da 
de Christo, e escreveu: 

^ Dissertação sobre a histeria : the83 apresentada á faculdade de me- 
dicina do Rio de Janeiro a 15 de dezembro do 1848. Rio de Janeiro, 1848. 

Cultivando desda muito joven a musica, que executa ao piano, instru- 
mento seu predilecto, tem composto diversas peças, c d^eutre as que tem 
publicado conheço : 

— Tarantella napolitana para piano — Esta peça foi composta também 
a quatro mfios, e faz parte da coUecção intitulada Les deux pianistes^ 
impressa por Arthur NapoleSo. 

'•—Carlina: grande walsa, para piano. 
'•^Gaúclia: idem, idem. 

— Experiência: walsa brilhante, idem. 

— O raio :• galope de bravura, idem. 

— Vaidoza : polka característica, idem . 

— Amor funesto : recitativo, idem — Todas estas peças e talvez outras 
que nfio conheço, foram impressas por Arthur Napoleão. 

A^ntonio de M!ello e jf%.lbuquei*qu.e — Nasceu na an- 
tiga capital da província d ) Alagoas, fez seus estudos no seminário 
de Pernambuco, ahi recebeu ordens do presbytero secular, e entrando para 
a repartição ecclesiastíca do exercito, depois de servir muitos annos como 
capellSo, pediu demissiU) o reside na cidade do Recife. E* cavalleiro da 
ordem da Roza, membro corresnon lente do instituto archeologico ala- 
goano, etc . e escreveu : 

— Oração recitada na solemno acção de graças i^eía feliz chegada de 
suas magestades d Maceió , na igreja matriz. Recife, 1860. 

A-ntonio de Mello Muniz Ma.iA ^ E' natural da pro- 
víncia da Parahyba, doutor em medicina pela faculdade do Rio de Ja- 
neiro, official da secretariía da mesma faculdade, membro do conselho da 
instrucçao publica da província do Rio de Janeiro e cavalleiro da ordem 
da Roza, e escreveu : 

'Iv. J 



-A.N 265 

— Aleitamento nataral, artificial e mixto em geral, e em particular do 
mercenário em relação ás condições era q :e se acha no Rio de Janeiro : 
dissertação. Rio de Janeiro, 1873 — E* seguida de proposição sobre os 
três pontos seguintes : Da flor. Da placenta. Da febre amirella. 

— Alígeras : poesias. Rio de Janeiro, 1880 — Este livro se abre com 
um prologo, escripto pelo conselheiro José Maria do Amaral. 

— Thesouro das escolas, coUigido, etc« [^ara uso dos alumnos da 
instrucçSo primaria do Brazii. Rio de Janeiro, 1881 — Segunda edição, 
idem, 1883. E' um livro de leitura gradual, que já foi adoptado por auto- 
rização do governo geral nas aulas primarias a cargo do rainistario da 
marinha e do império, e pelo governo provincial do Rio de Janeiro para 
as aulas da província. 

— O Potyrá : folha litteraria, poética e recreativa. Redactores: A. 
M. Muniz Mj ia, P. W. Mello e Canha, A. J. G. Guacury e A. de Car- 
valho. Nictheroy, 1864 — Desta folha poucos números se publicaram. 
E' uma publicação do3 tempos de estudante. 

» 

jf%.iitoiiio M!eiid.es Boirdallo — Filho de Francisco Mendes 
Bordalio, portugúezde nascimento e governador do castello de S. Januá- 
rio, e de dona Anna Maria Alvares e Asturia, brazileira, nasceu na cidade 
de S. Sebastião do Rio de Janeiro a 24 de outubro de 1750 e falieceu em 
Lisboa a 17 de fevereiro de 1806. 

Aos dezeseis annos de idade, com todos os preparatórios necessários, 
partiu para Portugal e matriculou-se no curso de direito canónico da 
universidade de Coimbra, onde se formou em 1771, e estabelocendo-se 
como advogado ein Lisboa, adquiriu uma roputação tal, que seu nome era 
apontado entre os dos jurisconsultos mais distinctos do foro portuguez, e 
obteve ser nomeado advogado da casa de supplicação, em cujo exercício 
morreu. Teve relações de amizade com os mais notáveis litteratos de sua 
época, e foi também um desvelado cultor da poesia. Não fez, porém, col- 
lecção de suas composições poéticas ; delias só so conhecem: 

— A casa de jogo : ode — Vem no segundo volume do € Florilégio da 
poesia brazileira » de F. A. de Varnhagem, depois Visconde de Porto 
Seguro. 

— Ode a dom João de Almeida ^ Idem . 

— Epistola a Martinho de Mello e Castro — em verso hendecasyllabo 
solto, da qual vem na dita obra um fragmento sob o titulo Satyra aos 
abusos da magistratura, 

— Soneto — que vem na colIecçSo dos novos improvisos de Bocage, á 
pag. 37. Consta que deixara também, além de poesias, obras sobre juris- 
prudência, cujo destino é ignorado. 

jf^^ntonio de Mienezes Vasconoellos de X>x-ii- 
mond. *- Filho do capitão António Luiz Ferreira de Menezes Vascon- 
cellos de Dramond e de dona Josepha Januaria de Sá e Almeida, nasceu 



206 i%.N 

no Rio ele Janeiro a 21 de mato de 1794 e íallecea em Paris a 15 de 
janeiro de 1865. 

Tendo feito alguns estudos de humanidades, por influencia de Thomaz 
António Portugal, amigo de seu pai, obtevo em 1809 um officio nachan- 
cellaria do reino, no qual serviu tSo bem, que no anno seguinte teve o 
habito de Christo e uma tença de doze mil réis ; em 1821 achando-se •em 
Portugal, e ahi sabendo que se tratava da independência de sua pátria, 
voltou ao Brazil e foi á Pernambuco trabalhar em prol da mesma inde- 
pendência e pelo reconhecimento de dom Pedro I ; em 1823 apoiou o 
gabinete dos Andradas, e depois da dissolução da constituinte íbi com elles 

« 

processado e degredado para a França. 

De volts á pátria em 1829, entrou para a carreira diplomática como 
encarregado de negócios interino e cônsul geral na Prússia ; d'ahi 
passou a encarregado de negócios na Sardenha, e depois em Roma e 
Toscana ; ahi foi elevado a ministro residente e mais tarde a enviado 
extraordinário e ministro plenipotenciário em Portugal, aposentando-se 
a 21 de junho de 1862. Já em avançada idade, achando-se cego, foi 
obrigado a ir á França tratar-se e lá morreu, sendo do conselho da sua 
magestade o Imperador, commendador da ordem da Rosa^ da de ChriBto, 
e da ordem toscana do Mérito e grS-cruz da ordem de S. Maurício, e da 
de Nossa Senhora da Conceição da ViUa Viçoza, de Portugal. 

Escreveu : 

— O Tamoyo : periódico politico (que fundou e redigiu). Rio de 
Janeiro, 1823 *- O primeiro numero deste jornal sabia a 12 de agosto, 
posteriormente á queda dos Andradas, que teve logar a 17 de julho, tudo 
de 1823, e portanto não é possivl que, como assevera o conselheiro 
Pereira da Silva, houvesse luta entre o Tamoyo e o Reverbero que se 
publicara muito antes, isto é, de setembro de 1821 a outubro de 1822. 
Veja-se a este respeito a € Impugnação á obrado... conselheiro JoSo 
Manoel Pereira da Silva, segundo período do reinado do senhor dom 
Pedro I, etc., por Gonrado J. de Niemeyer. Rio de Janeiro, 1872. » 
Também se attríbuiu ao conselheiro José BonifiBicio a redacção do Tamoyo 
talvez pelo facto de apparecer este jornal após sua queda, e de pugnarem 
seu favor. 

— Antiquitès americaines : extrai t dela Revue generala de Tarchi- 
tecture e des travaux publics. Paris, 18. . . 

— Ameriqtte ^neridionale. Voyage mineralogiqne dans la provinee de 
Sant Paul du Bresil. Paris, 18.. — Sahia primeiro no Journal det 
Voyages e è dividido em duas partes. 

''-Nota sobre a negociação pendente para so fazer effectivo o tratado 
do império do Brazil com a Goyana franceza — Vem na Corogrcgph*a do 
Brazil do doutor Mello Moraes, tomo 1<», pags. 427 a 456. Na edição, 
porém, desta obra, de 1866, nSo vem esteescripto. 

— • Redueção dos direitos do Brazil^ propriedade e posse da aetnal 
linha da fronteira do norte do império do Brazil — Idem, tomo 2.* 



j 



207 

«— Quêitão sarda para isentar da legislação do eonsnlado brasileiro 
os passaportes e roes de equipagem de seus navios. Apontamentos *- 
Inédita. Omanuscripto esteve na exposição do historia do Brazil em 1881. 

— Qiiestão da Grã-Bretanha com o império do Brazil acerca da linha 
de limites da fronteira do norte do mesmo império, de qae se pretende 
apossar — Idem. 

— Memoria sobre a colonisaçfio doa estrangeiros no Brazil — Idem. 

— Memorandum acerca dos limites da Goyana e procedimento das 
antoridades brazileiras nas fronteiras— Idem. SSo tradacçdes e obser- 
vações escríptas do próprio punho do conselheiro Dromond. 

— Apontamentos para a historia, 1807. Trasladação da familia real 
portagueza para o Brazil — Também inéditos e presentes na mesma 
exposição. 

O conselheiro Drnmond foi incansável na pesquisa e colheita de ma- 
nuscriptos e noticias relativas d historia pátria, ou que a ella se lígdolk ; 
portaea serviços muito lhe deve o instituto histórico. 

A-xitonio Alilit&o de Bz*a.gn;Xiçai ^ Filho de Aleixo 
JoSo do Bragança e de dona Anna Joaquina do Sacramento Bragança, 
nasceu na cidade de S. Salvador, capital da Bahia, em 1829 e falleceu 
em 1861 . 

Doutor em medicina pela faculdade de sua província, cujo grau recebera 
em 1852, apresentou-se ao concurso a um logar de oppositor da secçSo 
de Bciencias accessorias em 1856, e a igual concurso em 1859, obtendo 
desta vez ser nomeado para o referido logar, e escreveu: 

'•-'Sobre a cura espontânea da phthisioa pulmonar: these para 
obter o grau de doutor em medicina. Bahia, 1852. 

'^Qual a utilidade da chimica orgânica em medicina: these de 
concurso a um logar de oppositor da secçflo do scienciaa accessorias. 
Bahia, 1856. 

'--Eooistird o fluido cfiamado calórico^ de que o calor é efléito? 
these. de concurso a um logar de oppositor de scienciaa accessorias. 
Bahia, 1859. 

A-ntonio Afoniz de Souza — Nasceu em Sergipe pelo 
anno de 1790 e falleceu depois de 1840. Foi agricultor, ou criador ; 
aocrescentava a seu nome o titulo de homem da natureza, tomando-se 
assim mais conhecido, e escreveu: 

— Viagem e observações dê um brasileiro que, desejando ser ' útil a 
sua pátria, se dediooa a estudar os usos e costumes de seus patrícios e os 
três reinos da natureza em vários legares e sertSes do Brazil, offereeidos á 
nação brazileira. Tomo primeiro. Rio de Janeiro, 1834, 218 pags. in-8<> 
— Neste livro acha-se uma breve noticia sobre a revolução do Brazil em 
1821 nas províncias da Bahia, Sergipe e Alagoas. Não se publicou 
segundo tomo. 



2^ 

— Maasimas e pensamentos praticados por António Moniz de Souza, 
o honxem da natureza^ pelos sertões do Brazii desde 1812 até 1840, 
publicados por um seu amig-o. Nictheroy, 1845. 

— Descobertas curiosas que nos reinos vegetal, animal e mineral por 
sitios e sertões vários das brazilicas provincias da Bahia, Sergipe e 
Alagoas fez o capitão António Moniz de Souza e Oliveira — O manuscrípto 
desta obra, datado da Bahia, 1824, foi offerecido ao instituto histórico e 
geographico brazileiro em 1846 pelo coronel Ignacio Accioli de Cerqueira 
e Silva. Acredito que este capitão Souza e Oliveira nfioseja outro, senio 
o mesmo António Moniz de Souza, o homem da natureza. A época em que 
viveu, os legares' que percorreu, tudo o faz crer. 

jf%.iitoiiio Muniz Sodiré de A^ira^Ski^ «~ Filho do oom- 
mendador António Ferrão Muniz, de quem já me occupei, e de dona Maria 
Adelaide Soiré Muniz, nasceu na Bahia pelo anno de 1840 e falleceu a 
15 de janeiro de 1881. Formado em sciencias sociaes e jurídicas pela 
faculdade do Recife, entrou para a classe da magistratura, e exercia, de- 
pois de ter servido outros legares, o cargo de juiz de direito da comarca 
do Ck)nde. Escreveu : 

— Memoria sobre a bibliotheca publica da cidade da Bahia. O. D. C. a 
seu pai o commendador António Ferrão Muniz de Aragão. Bahia, 1878, 
52 pags.*in 8o — Anda annoxa ao i^ volume do € Catalogo geral das obras 
de sciencias e lettras, que contém a mesma bibliotheca » publicado neste 
mesmo anno, seguindo á esta memoria o discurso recitado na sessão de 
abertura da dita bibliotheca a 4 de agosto de 1811 por Pedro Gomes 
Ferrão Castello Branco, o qual sahira no Investigador Portuguez de 
marQO de 1812. 

António de Moraes e Silva — Natural do Rio de Ja- 
neiro, nasceu cm 1757, e falbceu em Pernambuco a 11 de abril de 1824. 

Tendo feito o curso de direito na universidade de Coimbra, e recebido o 
grau de bacharel, diz Innocencio da Silva — se dispunha a entrar para o 
serviço da magistratura, quando em virtude de uma accusação contra elle 
levada ao tribunal da inquisição foi obrigado a fugir para a França, 
d'onde passou á Inglaterra. 

O autor do Diccionario biographico portuguez, porém, se engana, asse- 
verando que Moraes recebera o grau de bacharel em leis . No anno em 
que devia tomar o grau, e pouco antes do acto, tendo noticia que o santo 
officio o mandara prender — e o padre António Pereira da Silva Caldas, 
também estudante, e já conhecido por suas virtudes, assim como por sua 
bella intelligencia (e esse ó que foi o crime de ambos), o qual gemeu dous 
annos nos santos cárceres — fugiu o lezicographo brazileiro para Ingla- 
terra sem ter podido receber o grau, e foi então^ na Inglaterra, que elle 
compoz seu excellente diccionario da lingua portugueza. Passou d*ahi a 
servir na legação de Paris ; depois, indo a Lisboa, casou-se com a filha 



-A.N 269 

de um oíiicial snperior do exercito ; e como sea sogro fosse mandado servir 
em Pernambuco, acompanhou-o Moraes á esta província, da qual foi no- 
meado para servir na Bahia o cargo de juiz de fdra, nSo sendo também 
exacto que elle tivesse assento na relaçSo desta provincía, como dizem 
InDocencio da Silva e o illustrado autor das Ephemerides brazileiras. 

Na Bahia teve uma desharmonia, ó certo, com o chanceller da relaçSo, 
facto que o desgostou muito, e entSo, soffrendo dos olhos, abandonou a 
magistratura, voltou a Pernambuco, onde firmou sua residência no en- 
genho Moribeca, de sua propriedade, exercendo o cargo de capitSo-mór, e 
sendo condecorado com a venera de cavalleiro da ordem de Christo . 

Geralmente estimado, tanto por sua illustraçSo, como pelo bello caracter 
de que era dotado, foi pelo povo pernambucano acclamado membro 
do governo provisório na revolução de 1817, honra, de que pediu 
que o dispensassem, por nSo querer tomar parte nos movimentos 
politicos. 

Moraes e Silva escreveu : 

— Diccionario da lingua portugueza, Lisboa, 1789, 2 vols. *- Desta 
obra se tem publicado diversis edições, todas com accrescimos e até com 
alterações ou com exclusões sem motivos que as justifiquem, a saber : 

— Segunda edição, correcta e augmentada. Lisboa, 1813, 2 vols. 

— Terceira edição^ ampliada por Pedi'o José de Figueiredo — que a 
dirigira o lhe augmentara, segundo se disse, cinco a seis mil artigos. 
Lisboa, 1823,2 vols. 

— Quarta edição, correcta e accrescentada por Theotonio José de Oli- 
veira Velho •— servindo-se de apontamentos do autor, já então fallecido. 
Lisboa, 1831, 2 yols. 

-* Quinta edição, notavelmente alterada, e com grande numero de 
artigos fornecidos pelo padre António de Castro — mas que soífreu 
mutilações e exclusões de muitos artigos do autor para serem substi- 
tuídos por outros, que o Dr. Damazo Monteiro, encarregado delia, 
copiou textualmente do diccionario de Constâncio. Lisboa, 1844, 2 vols. 
Além de muitos erros, nSo apontados na tabeliã de erratas desta edição, 
sobe a 480 o numero dos apontados. 

— Sexta edição, muito melhorada, com muitas emendas e addita- 
mentos, ministrados pelo desembargador Agostinho de Mendonça Falcão. 
Lisboa, 1858, 2 vols. 

— Sétima edição^ melhorada e muito accrescentada, com grande nu- 
mero de termos novos, usados no Brazil e no portuguez da índia. Lisboa, 
1877 -1878, 2 vols. 

. — Historia de Portugal, composta em inglez por uma sociedade de 
litteratos, trasladada em vulgar com as addições da versão franceza e 
notas do traductor portuguez António de Moraes e Silva, natural do Rio 
de Janeiro. Lisboa, 1788, 3 vols. com um mappa de Portugal — Esta obra 
foi dada ao prelo mais vezes, isto ó : 

— Segunda edição com additamentos , Lisboa» 1802^ 4 vols. 



27D 

— Terceira edição com additamentos feitos por Hypolito José da- 
Coita. Londres, 1809, 3 vols. 

— (hMrta edição (com designaçflo de terceira) emendada e accrescen- 
tada com muitoa factoe intereesantes, oxtrahidos da nação até 1800, com 
algumas novas notas pelo mesmo tradactor. Lisboa, 1828, 5 vols . — Esta 
ediçSo é posthama. O qne nesta historia diz respBitoa dona Maria 1, se- 
gando afSirma Figanière, é composição do padre J. Agostinho de Macedo. 
Em coDtinoaçSo escrevea José Maria de Souza Monteiro saa € Historia 
de Portugal desde o reinado de dona Maria 1 até a convenção de Bvorsr 
Monte com um resumo histórico do? acontecimentos mais notáveis qae 
têm tido logar desde então até nossos dias. Lisboa, 1838. » Ha finalmente 
adições comprohendendo a obra primitiva de Moraes e Silva, e o que 
posteriormente escreveu Souza Monteiro, sendo uma feita por B. L. 
Garnier, isto é : 

— Historia de Portugal desde sua fundação até a convenção de 
Evora-Monte com um resumo histórico dos acontecimentos, etc. por Antó- 
nio de Moraes e Silva e José Maria de Souza Monteiro. ... 10 vols. 

— Recreações do homem sensível ou coUecção de exemplos verda- 
deiros e patheticos, nos quaes se dá um curso de moral pratica, conforme 
as máximas da sã philosophia. Traduzidos de Mr. Arnaud. Lisboa, 
1788 - 1792, 5 vols. — Segunda ediçSo. Lisboa, 1821. 

— Epitome da gramm atiça da lingua portagueza. Lisboa* 1806. 

— Grammatica portuguesa. Rio de Janeiro, 1824 — Existe este livro 
na bibliotheca municipal da corte. Talvez não seja mais do que uma 
nova edição da precedente que não pude ver. 

Entre algumas obras offerecidas por sua magestade o Imperador ao 
instituto histórico, se acha este livro : 

— Poesias de Elpino Duriense (enriquecidas de muitas notas philolo- 
gicas, manuscriptas de António de Moraes e Silva). Lisboa, 1812, vol. 29 
•— E não haveria um volume i^ ? 

A.xi,toiiÍo M!oz*eirA de Barros — Natural da província 
de S. Paulo e filho de António Feliciano de Barros e de dona Maria Ange- 
lina de Barros, fez nesta provinda todos os seus estudos até receber o 
grau de bicharei em sciencias sociaes e jurídicas na respectiva facul- 
dade em 1861 ; tem sid ) deputado provincial em diversas legislaturas e 
geral nas legislaturas de 1879 e 1882 ; fez parte do gabinete de 5 de 
janeiro de 1878, como ministro dos negócios estrangeiros, substituindo o 
Barão de Villa-BeUa em 4 de julho de 1879, e antes disto, de 1867 a 1868, 
presidiu a província de Alagoas. 

E* official da ordem da Roza e escreveu diversos relatórios como mi- 
nistro e como presidente de província, entre os quaes os 

— Relatório apresentado á assembléa legislativa da província das 
Alagoas na segunda sessão da 17* legislatura. Maceió, 1867. 

— Relatório com que ao exm« sr. doutor Graciliano Aristides do Prado 



AN 271 

Pimentel entregou a administraçSo da província das Alagòaa no dia 22 
de maio de 1868. Maceió, 1868. 

— Elemento servil : discurso proferido na camará dos deputados na 
sessão de 22 de novembro de 1880. Rio de Janeiro, 1880, in-8o •— Ha pu- 
blicados outros discursos proferidos na camará dos deputados sobre as- 
sumptos do lavoura e de administração. 

— Indicação da commissão nomeada pelos lavradores de S. Paulo, 
lida na segunda sessão do congresso agricola em 9 de julho de 1878 
— Vem no volume Congresso agricola : collecção de documentos. Rio 
de Janeiro, 1878, pags. 72 a 77. E* assignada também peio conselheiro 
Albino José Barboza de Oliveira com restricção quanto ao casamento civil, 
que não admitte obrigatório para os catholicos romanos, e por M. F. 
Campos Salles. 

A-iitonio Moreira de Oliveira e Silva — E' em- 
pregado de fazenda, exerce o cargo do thesoureiro da secção de assi- 
gnatura, troco e resgate do papel-moeda na caixa de amortização, e es- 
creveu : 

— Guia pratica do papel-monda em circulação no império do Brazil. 
Rio de Janeiro, 1877, 39 pags. in-4o — Assigna também esta obra Joa- 
quim Ignacio da Cunha Tavares, empregado na mesma repartição, e me 
consta que o opúsculo fora logo supprimido por causa de inexactidões que 
encerra. 

A.xitoxiio Alor eira de Vasconoelloa — Natural da 
cidade do Rio de Janeiro, nasceu a 22 de setembro de 1861. 

Filho de pais pobres, tendo apenas os estudos primários, entrou como 
caixeiro para uma casa commercial ; mas, com pouco geito para o com- 
mercio, foi aprender a arte de entalhador, para a qual tem revelado vo- 
cação, havendo bellos trabalhos seus em varias igrejas desta corte e 
de algumas previne ias. Dando-se particularmente a alguns estudos se- 
cundários e ao cultivo das lettras, collaborou em alguns jornaes, e es- 
creveu : 

— Aljôfares: poesias. Rio de Janeiro, 1881 — Sei que Moreira de 
Vaaconcellos possuo outras composições inéditas, além das que contém 
este livro, e publicou depois algumas em avulso, como a que tem por titulo: 

— Tira^dentes — pelo 89" anniversario da morte de Tira-dentes, no 
Atirador Franco de 21 de abril de 1881. 

António Nicolau IMEonteiro Baena — E* natural do 
Pará, e filho do tenente-coronel António Ladislau Monteiro Baena, de 
quem me occupei no presente volume ; serviu no exercito, d*onde solicitou 
sua demissão, tendo o posto de alferes ou tenente, e entrando para o corpo 
de policia de sua provinda no posto de major e commandante, acha-se 
actualmente reformado com as respectivas honras. Escreveu : 



t74 

balhi» de soa larra, têm sido tranicriptos algana em oatros jornaet e re- 
viBtas, como por exemplo soas 

-^ Estudos Bobre a etiologia e natareza do beribéri «~ noa qaaea re* 
vela seu antor a proficiência do assumpto, firmada na analyse micros- 
cópica em grandes laboratórios da Europa. Vém transcriptos na União 
medica do Rio de Janeiro, tomo !<>, 1881, paga. 405 a 425, 44Ô a 456, 485 
a 497, 533 a 551, 581 a 591, 631 a 639 ; tomo 29, 1882, paga. 53 a 60, 97 
a 106, 305 a 315, 353 a 358 o continua no 3» tomo. 

A.iitoiiio d.e PAula Freitas — Natural do Rio de Janeiro, 
é doutor em sciencias physicas e mathematicas pela escola central, pro- 
fessor da 1* cadeira do 2<> anuo do corso de engenharia civil da escola 
polytech nica, sócio da socieda le auxiliadora da industria nacional, do 
Instituto polytechnico brazileiro, da sociedade brazileira de aoclimaçSo 
e de oulraa ; official menor da casa imperial ; cayalleiro da ordem da 
Roza, e escreveu: 

— Historia natural popular dos animaes, precedida daa indispen- 
sáveis noções de physiologia e anatomia dos difierentes grupos zoológicos. 
Rio de Janeiro, 1867, in-fol. gr. — E* um grosso volume que o doutor 
Paula Freitas publicou com seu coUega o doutor Miguel António da 
Silva, ha poucos annos fallecido. 

— Curso de estradas professado na escola polytechnica do Rio de Ja- 
neiro. 1^ tomo. Rio de Janeiro, 1878, 250 pags. 

— These apresentada á escola central do Rio de Janeiro e sustentada 
perante a mesma escola afim de obter o grau de doutor em acienciaa 
mathematicas e naturaes. Rio de Janeiro, 1870, 137 pags. — E' dividida 
em duas partes. Na 1* parte se trata do theorema das velocidades virtuaes, 
independente da consideração dos infinitamente pequenos, e dos prin- 
cipies fundamentaea da mecânica, reduzidos ao menor numero possivel. 
Na 2* p&rte se estuda qual a hypothese que melhor explica a formaçfio 
primitiva da terra, e depois se examina a theoria de Laplace. 

--« Demonstrar em geral o theorema das velocidades virtuaes aem 
dependência da oonsideraçfio dos infinitamente pequenos. Demonstrar 
quaes sSo os principies fundamentaes da mecânica reduzidos ao menor 
numero possivel: these de concurso. Rio de Janeiro, 1873. 

'^Integraes definidas^ consideradas como parâmetros. Fanoções 
euleriannas. Enchentes dos rios e meios propostos para impedir os seus 
effeitos : these de concurso á primeira cadeira do segundo anno da 
escola central. Rio de Janeiro, 1874 — E' offereoida a sua espoza dona 
Anna Dolores de Campos Paula Freitas. 

-^Determinação dos coeficientes numéricos das formulas mathe« 
maticas. Rio de Janeiro, 1875. 

'^Helatorio sobre o abastecimento d'agua da cidade do Rio de Janeiro. 
Rio de Janeiro, 1875, in-8<> — Este relatório foi escripto de coUaboração 



oom o doQtop Manoel Buarque de Macedo em oommiisXo do imnialorto da 
agricultura. 

*- Informações sobre o estado da industria nacional pela aec^ de 
industria fabril da sociedade auxiliadora da industria nacional^ presidida 
pelo doutor António de Paula Freitas. Rio de Janeiro, 1977, 24 pags. 
in-8.» 

^^ Dêsoripção do novo edifioio da typograpbia nacional do Braiil. Rio 
do Janeiro, 1877, 01 pags. in-4^ -— A planta deste ediíloio, feita pelo antoft 
se acha n'um quadro, na secretaria de estado dos negócios da fazenda. 

— Discurso pronunciado na sessXo magna da iociedade académica 
Atheneu central em 17 de fevereiro de 1865. Rio de Janeiro, 1865, 
12pags. in-^.« 

— Brei$et considerações sobre 09 freios empregadoa noe trena doa 
caminhos de ferro — Vem na Revista de engenharia, tomo 1«, n, 8, 
1879. 

A.]ttoiiio d.e Paula Ramos Junlox* «- Natural do 

Rio de Janeiro e filho legitimo de António de Paula Ramos, é formado em 
soienciaa sociaea e juridioaa pela faculdade de S. Paulo, membro eflbctivo 
e do conselho director do instituto da ordem doa advogados e advogado 
nee auditorioa da corte ; exerceu o cargo de promotor publico, e eaoreveu: 

— Ficções e realidades : distracções por Junius. Rio de JaneirOi 1873| 
i53 pfC^s. in-8,0 

-* Commentario do código criminal brazUeiro. Rio de Janeiro, 1875| 
in«^.« 

«- QíMstões praticas do processo criminal, aeguidaa daa nullidadei dO 
processo criminai. Rio de Janoiro, 1877. 

.ácntonlo Paulino I^ixupo de ^l>reu. Visconde de 
Abaeto — Nasceu em Lisboa a 22 de junho do 1798, filho do tenente" 
coronel Manoel do Espirito Santo Limpo e de dona Maria da Maternidade 
de Abreu e Oliveira, e veiu para o Brasil depois da mudança da cdrte 
portugueza para aqui. 

Forniado em leis pela universidade de Coimbra, exerceu no império 
diversos cargos de magistratura até o de ministro do supremo tribunal de 
justiça, em que se aposentou ; foi deputado pela provinda de Minas 
Oeraes na primeira legislatura, e em outras ; foi presidente desta prO" 
yinoia em 1833, e por ella eleito senador em 1847 ; presidia por mnitos 
annos o senado; tem sido ministro om diversos gabinetes desde o de 14 
de outubro de 1835, occupando diversas pastas ; foi presidente do con** 
selho no gabinete de 12 de dezembro de 1858, e enviado extraordinário 
e ministro plenipotenciário em missSo especial no Rio da Prata. 8' 
grande do império, conselheiro de estado, grS-cruz da ordem de Chriato^ 
dignitário da do Cruzeiro, etc. Escreveu diversos relatórios no exercido 
de oargoa, que ooonpara, e oatroe trabalhoá, como por exemplo o 



27B AN 

^Tratado de commercio de 7 de março de 1856. Rio de Janeiro, 
1856. 

E* muito importante o saa 

^» Protesto contra o acto do parlamento britannico, sanccionado a 8 de 
agosto do corrente anno (1845) que sujeita os navios brazileiros que 
fizerem o trafico de escravos ao alto tribunal do almiranlado, e a qual- 
quer tribunal do vice-almirantado dentro dos domínios de sua magestade 
britannica. Rio de Janeiro, 1845, 41 pags. in-4o — E* escripto em três 
linguas : portuguesa, franceza e ingleza. Exercia entSo o autor o cargo 
de ministro dos negócios estrangeiros. 

A.IÍ tonto Pediro de Figru^ix^edo — Nasceu na viUa de 
Iguarassú, provincia de Pernambuco, a 22 de maio de 1822, e fallecea a 
21 de agosto de 1859. 

Filho de pães desprotegidos da fortuna, a esforços seus fez um curso 
completo de humanidades, e com til applicaçSo que em muitas matérias 
logo se constituirá mestre. Com 22 annos de idade foi nomeado . professor 
adjunto do lyceu de Pernambuco, onde leccionou a lingua nacional, inglez 
e philosophia no impedimento dos professores respectivos ; foi ahi lente 
• cathedratico da lingua nacional ; e foi finalmente lente de historia e geo- 
graphia do gymnasio pernambucano, sendo por muitas vezes examinador 
do curso de preparatórios, annexo á faculdade do Recife. 

Os estudos aturados a que se dava, si n&o foram a causa principal de sua 
morte, quando apenas contava 37 annos, pelo menos contribuíram podero- 
samente para ella, no pensar de seus amigos. Sua morte foi muito pran- 
teada pela imprensa, onde ell^ assaz brilhara, e por esta occasiSo es- 
creveu seu amigo e collega nas lides da imprensa, o doutor Torres Ban- 
deira, € que a provincia perdera nelle um de seus homens de lettras, que 
muitoa ennobreciam ; as lettras perderam nelle um de seus mais zelosos 
cultores.» Escreveu: 

^^ Curso da historia da philosophia por V. Cousin, vertido em portu- 
guez. Recife, 1843-1844, 1845, 3 vols. 

— Da soberania do povo e dos princípios do governo republicano 
moderno: lições pronunciadas na faculdade de direito de Paris por M. 
Ortolon, professor da mesma faculdade, traduzidas, etc. Recife, 1848. 

--^ Noções abreviadas de philología acerca da lingua portugueza. 
Recife, 1851. | 

'-^ As sete cordas da íj/m de George Sand: traducçSo. Recife, 1847 
— E* um romance precedido de uma introducçSo, escripta pelo tradactor, i 

na qualelle lamenta o atrazo de nossa lítteratura. 

— A Carteira por Abdalah-el-Kratif — Sob este pseudonymo publicou 
Figu<^iredo semanalmente uma jerie de folhetins no Diário de Per^ 
nambuco de 1848 a 1859, nos quaes se occupava de assumptos relativos 
á historia, á philosophia, ás lettras, ás artes, á politica doutrinaria, á 
critica e apreciação de livros importantes, como a Legenda dos séculos 



277 

de Victor Hago. Nestes folhetins o substitaira na moléstia o doutor Torres 
Bandeira (veja ' se António Rangel Torres Bandeira), usando a principio 
do mesmo pseudonymo. O primeiro escripto com esle titulo sahiu a 24 de 
setembro daquelle anuo, e o ultimo, da redacção do Figueiredo, a 15 de 
novembro de 185S. Francisco Augusto Pereira da Gosta no seu cDiccionario 
biographico dos pernambucanos celebres »cita três delles,já mencionados 
n*uma publicação que relativamente á Carteira sahira no Progressista 
de 6 de maio de 1863. SSo elles: 

^ Uma vingança de nova espécie, motivada por uma mulher — conto 
phantastico cheio de incidentes chistosos, pedaços descriptivos de um 
poetar natural e gracioso, anciãs de mortal desasocego, um escripto' 
emfim que refocilla o espirito e faz rir e chorar ao mesmo tempo, se- 
gundo se exprime o critico. E* a carteira de 6 de agosto de 1858. 

— O passado e o prdsení^ — apreciável escripto de estylo mimoso e 
natural. Idem de 15 de agosto de 1858. 

— A natureza e a sociedade relativamente á igualdade — que nSo só 
merece a attençSo como pagini lúcida, scientifica e litteraria, mas 
também como pagina formoza da mais sã e cosmopolita philosophia. 

No Diário de Pernambuco^ de cuja redacção Figueiredo fizera parte, 
escreveu elle, além da Carteira que por si só encheria alguns volumes, 
muitos contos, lendas e tradições, revistas de theatro, sciencias e artes, e 
correspondências traduzidas do francez e do inglez do Annuario dos dous 
mundos, da Revista de Paris, da Revista dos dous mundos e de outras 
publicações europeas. Foi notória uma questão politico-philosophica que 
Figueiredo sustentara em 1852 com o conselheiro Pedro Autran da 
Matta Albuquerque sobre o socialismo. Seus escriptos sahiram no Diário 
de Pernambuco e na Imprensa, e os de seu contendor na União. Redigia 
antes disto 

— O Progresso : revista social,- litteraria e scientifica. Pernambuco, 
1846 a 1848, 3 vols. — sendo o ultimo incompleto. 

A-ntonio Pedro dos Beis — Natural de Minas Qeraes e 
fallecido no Rio de Janeiro a 29 de agosto de 1878, era presbytero do habito 
de S. Pedro, monsenhor da capella imperial, do conselho de sua mages- 
tade o Imperador e commendador da ordem de Christo. Dirigiu por muitos 
annos um coUegio de educação para o sexo masculino, o atheneu flumi- 
nense, e escreveu : 

— Catechismo da doutrina christã, approvado para uso da associação 
catholica. Rio de Janeiro. . . 

É 

A.ntonto Pepes Bax*i*eto de Va.sooncellos— • 

Natural de Pernambuco, e formado om sciencias sociaes e juridicas pela 
faculdade desta província em 1880, foi no mesmo anno, a 20 de dezembro, 
nomeado promotor de Cimbres, na dita província, e por occasião da morte 
do erudito professor, doutor Aprigio Guimarães, sendo nomeado orador do 
quinto anno jurídico, escreveu : 



^ Diieurêo pMntiiieiado no cemitério publico em o dia 1» de setembro 
de 1880 por occABíão de d&f^ae á 8?piiltara o cadáver do doutor Aprigio 
JoBtiniano da Silva QuimarKes, lente de economia politica da &caldade de 
direito. Recife, 1880, 19 paga. itt-8<»— Foi mandado imprimir por eene 
ooUegaedeanno. 

A.ntotiLÍo Peregri^ino Maciel Monteiro» 2^ Barto 

de Itamaracá — Filho do bacharel Manoel Francisco Maciel Monteiro e 
de dona Manoela Lins de Mello, nasceu em Pernambuco a 30 de abril de 
1804 e falleoeu em Lisboa a 5 de janeiro de 1868. 

Depois de estudar humanidades em Olinda, partiu para França o cur- 
sando a universidade de Paris* ahi recebeu o grau de bacharel em lettras 
em 1824, o de bicharei em scíencias em 1826, e o de doutor em medicina 
em 1829. De volta á pátria exerceu a clinica medica; representou aua 
província em quatro legislaturas desde 1833, sendo na ultima presidente 
da camará ; fez parte do gabinete organiiado a 19 de setembro de 1837, 
occupando a pasta dos negócios estrangeiros ; deixando o ministério em 
1839, foi nomeado director da faculdade de Olinda, e exeroeu diversos 
cargos como o de vereador da camará municipal, director do theatro pu- 
blico, provedor da saúde do porto, membro da junta de hygiene, director 
da instrucçfto publica, e finalmente ministro plenipotenciário do Brasil 
junto á corte de Portugal, em cujo cargo morreu. 

Foi, além de medico distincto, e de orador eloquente, poeta lyrico ma- 
yiosissimo» sendo ordinariamente improvisados, tanto seus discursos, como 
suas poesias, O doutor J. M. de Macedo desprove bem seu caracter, ex- 
primindo»se assim: cMaciel Monteiro frequentava apaixonado os theatros, 
os bailes, as sociedades dos circulas mais elegantes e elle proprio era ò 
typo da mais exigente e caprichosa elegância no trajar sempre rigorosa- 
mente á moda, e no Miar sempre em mimos de delicadeza e de refinada 
cortezia, em que sem pretençSo, nem demasia seu espirito subtil e soa 
imaginaçffo de poeta radiavam suave e encantadamente. Após longas 
horas, passadas em siraus, em companhias aristocráticas ou em theatros, 
dormia a somno solto até ás de2 horas do dia seguinte ; lembra va*se entto 
de que devia fallar na camará e pensava no seu discurso emquanto apu- 
rava cuidados de seu vestir esmerado. Logo depois a camará ouvia elo«' 
quente discurso, lindissimo na forma, com perfeito plano na ordem das 
idéas, pcgante na argumentaçâk) e revelador da illustraçAo de quem o pro* 
feria...» 

Era do conselho de sua magestade o Imperador, grande dignitário da 
ordem da Roza, ofiícial da do Cruzeiro, grS-cruz de diversas ordens da 
Itália, de Roma e de Portugal ; membro da Arcádia de Roma e de outras 
associações litterarias, nacionaes e estrangeiras, e escreveu: 

— Dissertation sur la nafure, les simptomes de rinfiammation de Tara- 
chinoide et son rapport avec rencephalite. Paris, 1829 —£* sua dis- 
sertação inaugural» 



i%.M 279 

— Discurso inaugural da installaçfio da sociôdade de medicina per- 
nambacana, a 4 de abril de 1841 — Vem nos Annaes de medicina pernam- 
bacana e recitara-o sou antor, sendo acolamadó presidente da sociedade. 

Nunca tendo elie feito collecçfik) de seus versos, apenas darei noticia de 
algumas poesias, como: 

— Aos ànnos de,», em 25 de março de 1849 : ode — Vem no c Dic- 
eionario de pernambucanos celebres » por F. Augusto Pereira da Ck)sta 
e nas c Biographias de alguns pernambucanos illastres > pelo commen- 
dador António Joaquim de Mello, tomo I. E' uma composiçfto tremula 
de emoção e de enthusiasmo pelo facto glorioso para a nossa historia, que 
este dia recorda. 

— Aos annos de,., ode — Na segunda obra citada. 

— A uma joven : lyra — Idem . 

— Um voto : poesia em verso hendecasyllabo — Idem. 

— Um sonho. Ao embarque e partida de uma senhora — Idem. 

— Inspiração. A* madame Stoltz em uma representaç&o da Favorita — 
Idem, tomo 3.o 

— A* excellentissima senhora Viscondessa da Boa-Vista no dia de seus 
annos, 4 de novembro de 1850: poesia lyrica — Idem. 

— Versões do Lago, da poesia dedicada a mademoiaelle Michatowska, 
do Ramo de amendoeira e da Invocação — O doutor A. J. de Macedo 
Soares publicou esta composiçSo nas suas Lamartinianas. Outras poe- 
sias traduzidas do francez, de Lamar tine, acham- se no Pro^res^o, Per- 
nambuco, de 1846 a 1848. 

— Um soneto •— finalmente, que tenho visto reproduzido em diversos e»- 
criptos, e é o seguinte : 

Formoza, qual pincel em tela fina 
Debuxar jamais pôde ou nunca ousara ; 
Formoza, qual jamais desabrochara 
Em primavera a roza purpurina ; 

Formosa, qual si a própria mio divina 
Lhe alinhara o contorno e a forma rara ; 
Formoza, cjual jamais no céo brilhara 
Astro gentil, estrella purpurina ; 

Formoza, qual si a natureza e arte. 
Dando as mSos em seus dons, e seus lavores. 
Jamais soube imitar no todo ou parte ; 

Mulher celeste, oh ! anjo de primores I 
Quem pôde ver-te sem deixar de amar*te ? 
Quem pôde amar-te sem morrer de amores ? 

Ha dons annos um livreiro em Pernambuco, João Walfrido de Medeiros, 
tratava 'de collecoionar as composições poéticas de Maciel Mon- 
teiro para publical-as ; até hoje, porém, não têm ellas apparecido* 
Consta-me até que a biographia do autor já está escripta pelo doutor Jofio 
Baptista Riguéira Costa para servir de introducçCo ao livro. Na im- 
prensa politica do pais também teve o Bário de Itamaracá nm logmr bvm 



280 ^IV 

diatincto, já escrevendo artigos em coUaboraçSo para diversos jornaes, já 
redigindo : 

— O Lidador (orgSo do partido conservador). Recife, 1845 a 1848 — 
Foram seas companheiros de redac^ J. T. Nabuco de Araújo e J. J. 
Ferreira de Aguiar. 

'— A Unido (folha do partido conservador). Recife, 1848 a 1851 — 
Foram seus companheiros os mesmos já mencionados, Floriano Corrêa de 
Britto e outros. 

A.titoiiio Pereira. — Natural da capitania, hoje provincia do 
Maranhão, nasceu em 1641, e falleceu, segundo Bento J. de S. Farinha, 
em 1693, e segundo o doutor J. M. de Macedo a 28 de setembro de 1702. 
no Pará. 

Muito joven entrou para o coUegio dos jesuitas, onde fez seus estudos, 
tomou a roupeta e recebeu orden^) sacras, sendo um dos padres mais no- 
táveis da ordem, quer como pregador e theologo, quer como catechista. 
Para melhor desempenhar esta missão, a que se deu com todo fervor, 
applicou-se ao estudo da lingua indigena, que conseguiu fallar corre- 
ctamente, e morreu no exercício de suas catecheses, atravessado de uma 
flecha, que lhe atirara um indio. 

Diz o doutor Macedo quo o padre António Pereira escrevera um : 

•^ Vocabulário da lingua brazilica — e além disto estudos sobre a 
lingua dos gentios, trabalhos filhos de muito labor, de paciência, de com- 
binação e de methodo surprendente, que ainda hoje sSo thesouros de 
immenso valor, se exploram e se aproveitam. Nnnca vi taes obras, nem 
delias dá noticia o autor da € Bibliographia da lingua tupy ou guarany > 
que é empregado, e sabe do que existe na bibliotheca nacional. Escreveu 
mais : 

— Catechismo para instrucção dos meninos e meninas — obra, de que 
falia Bento Farinha, dizendo que o autor deixara manuscripta. Não sei si 
foi impressa. 

Este bibliographo no seu € Summario da bibliotheca luzitana > faz 
mençSo de sete indivíduos com o nome de António Pereira, além deste de 
quem me occupo. 

A.titOTiio Pereirai da» Oa^ma/ira — Nasceu na provincia 
da Bahia em 1697, seguiu o estado ecciesiastico como presbytero secular, 
e ainda florescia no anno de 1758 na cidade do Rio de Janeiro. 

Fez todos os estudos de humanidades no coUegio dos jesuitas de sua 
provincia, onde timou a roupeta e recebeu o grau do mestre em artes ; 
depois, indo para Portugal, estudou o curso de cânones ia universidade 
de Coimbra, e recebeu o grau do bachai^el, gozando da reputação de um 
talento f 3rtil ; foi um distincto orador sagrado em sua época, mas de 
seus discursos oratórios apenas se conhecem os seguintes: 



A.3V 281 

— Sermão da terceira dominga do quaresma, pregado em Coimbra 
em 1730. Coimbra, 1730. 

^ Sermão di procissão de penitencia que fez, á noite, a irmandade 
dos clérigos de S. Pedro na cidade do Rio de Janeiro, por occasiâo do ter- 
remoto que houve em Lisboa em 1755. Lisboa, 1756. 

— Sermão da Conceição de Maria Santissima, pregado na igreja da 
Candelária em 1757. Lisboa, 1758. 

A.iitonio Pei*eix*a« I^eitao — Nasceu na cidade do Rio de 
Janeiro, sendo seus pães o doutor António Pereira Leitão e dona Emygdia 
Barboza Leitão da Cunha ; exerce o magistério, leccionando geographia 
e historia, nao só particularmente, como na sociedade Ensaios litterarios 
de que é sócio ; tem feito parte da redacção de alguns jornaes, como o 
Globo e escreveu : 

— Pontos de historia antiga, conforme o programma de exames de 
preparatórios em 1876. Rio de Janeiro, 1876. 

^ Pontos de historia média, conforme o programma de exames de 
preparatórios em 1876. Rio de Janeiro, 1876. 

# 

A.iitoiiio Peireira. Pinto — Nasceu na cidade do Rio de 

Janeiro a 20 de março de 1819 e falleceu a 5 de julho de 1880. 

Formado em direito na faculdade de S. Paulo, foi logo eleito por esta 
provincia deputado á sua assembléa e, entrando para a classe da magis- 
tratura, nella exerceu o cargo de promotor publico da cipital de 
S. Paulo, depois o de juiz de orphãos cm Campos, e mais tarde de juiz de 
direito em Guaratinguetá, servindo o de pagador da thesouraria de ma- 
rinha ant^s de ser juiz di orphãos, e o de oíiicial da secretaria da justiça 
antes de ser juiz de direito ; depois disto, foi director do archivo pu- 
blico do império, e por fim director da secretaria da camará dos 
deputados, em cujo exercicio morreu. 

Foi presidente das províncias do Espirito Santo, do Rio Grande do 
Norte e de Santa Catharina, representando a primeira na camará tem- 
ponria nas legislaturas de 1857 a 1864 ; era moço fidalgo da casa im- 
perial, do conselho do sua magestade o Imperador, commendador da 
ordem da Roza, cavalleiro da de Christo, sócio do instituto histórico e geo- 
graphico brazileiro, e escreveu: 

— Apontamentos para o direito internacional ou coUecção completa 
dos tratados celebrados pelo Brazii com diferentes naçdes estrangeiras, 
acompanhada de uma noticia histórica e documentada sobre as convençSes 
mais importantes. Rio de Janeiro, 1864 a 1868, 4 vols. in-4<' —Esta 
obra de inestimável valor rofer3-se a factos de 1808 em diante e foi aco- 
lhida com os elogios de toda imprensa, votando o parlamento um auxilio 
do 2:000$ por cada volume. 

— Estudos sobre algumas questões internacionaes. Rio de Janeiro, 
1867, in-8.0 



282 

— Politica internacional, IntervençSo do Brazil no Rio da Prata. Rio 
de Janeiro, 1871, 59 pa^s. in-8.o 

— Reforma eleitoral. Proj netos offerecidos & consideraçfio do corpo 
legislativo desde 1826 até 1874, seguidos de docamentos históricos, expli- 
cativos acerca da promulgaçfto do acto aidicional, etc. Rio de Janeiro^ 
1874, 687 pags. in-8o — e mais 224 pags. de um appendice com o acto 
addicional. 

— Falias do throno de 1826 a 1872, acompanhadas doB respectivos votos 
de graça da camará temporária. Rio de Janeiro, 1872, 752 pags. in-8" — 
Este livro contém nma relação de todos os deputados brazileiros desde as 
cortes portaguezas e a constituinte até a 14* legislatura ordinária. 

'-'Annaes do parlaiAentOt compilados, etc. Rio de Janeiro — Publicou 
Pereira Pinto os volumes correspondentes a 1823, 1826 a 1832, 1834, 
1847 a 1856 inclusive, deixando preparado o matorial para a publicação 
subsequente. Ao tempo em que dava á estampa 03 Annaes do parlamento, 
publicava também o 

— Relatório e synopsê dos trabalhos da camará dos deputados «-• de 
1869 a 1879, trabalho que tem sido continuado por seu suòcessor, o doutor 
Jorge João Dodsworth, de quem occupar-me-hei depois. 

Ha na revista do instituto diversos trabalhos deste autor, como sejam: 

— Elogio histórico de António Carlos Ribeiro de Andrada — No tomo 11, 
pags. 206 e seguintes. 

— Memoria acerca do systema penitenciário no Brazil — No tomo 21, 
pags. 441 e seguintes. 

— A confederação do Equador, noticia histórica sobre a revoluçSo de 
Pernambuco de 1824 — No tomo 29, parte 2*, 1866, pags. 36 e seguintes. 
Além de um estudo muito minucioso sobre estes movimentos políticos» ha 
ahi estudos sobre iguaes movimentos oceorridos no Brazil desde a conapi- 
raçfto mineira de 1783. 

-^Limites do Braiil. 1493 a 1851— No tomo 30, parte 2», 1867, 
pags. 192 a 240. 

ikntonto Pereira Re1>ouça0, 1®-* Filho de Gaspar Fe* 
reira Rebouças e de denaRita Basilia dos Santos, nasceu na viUa, hoje 
cidade de Maragogipe, na província da Bahia, a 10 de agosto de 1798| e 
falleceu no Rio de Janeiro a 19 de junho de 1880. 

Seus pães, pobres de bens pecuniários, mas ricos do honestidade e de 
honra, apenas podaram dotalH) da instrucção primaria, de oonhecimen* 
tos da liugua latina e da musica e dar-lhe entrada no cartório de um ( 

tabelliSo do judicial e notas como escrevente ; mas António Pereira Re- 
bouças, que tinha aiubiçSos mais nobres, ao passo que exercia seus traba- 
lhos de escrevente, estudava em todos os processos, que lhe iam ás mãos, 
as questões praticas do foro, e nos livros, que podia obter, as boas theo- 
rias e lições de direito de tal forma, que em pouco tempo, conveniente- 
mente habilitado para advogar, exercia a profissão sob assigttatara di 



jarisperitos, legAlmentô coUBtitaidos, até qne obteve em 1821, depois de 
prestar os necessários exames, provisSo do desembargo do paço para 
advogar nos auditórios da Bahia. Apôs a luta heróica da independência, á 
qoal B<3 dedicoa até empunhando armas, merecendo por isso a venera de 
cavalleiro da ordem do Cruzeiro, foi nomeado secretario do governo de 
Sergipe. Depois disto, entrando om 1820 naa lides da politica, fbi um 
dos directores do partido constitucional de sua província ; foi eleito 
conselheiro do governo, conselheiro geral da provincii em 1828 ; de- 
putado na legislatura de 1830, e n'outras subsequentes pela Bahia, re« 
preso ntando depois, em 1845, a província de Alagoas ; e desde a pri> 
meira convocação da assembléa de sua província em 1835, até mudar-se 
em 1846 para o Rio de Janeiro, occupou alli uma cadeira. 

Em 1847 por um acto especial legislativo lhe foi dada autorizaçSo para 
advogar em todo império, como os que têm o titulo de bacharel ou 
doutor em direito por alguma faculdade. Bra do conselho de sua mages-> 
tade o Imperador ; advogado do conselho de estado ; offlcial da ordem 
do Cruzeiro ; membro do instituto histórico e geographico brasileiro 
desde sua installaçfio, da sociedade auxiliadora da industria, da socie- 
dade amante da instrucçfio , da sociedade de agricultura da Bahia, 
eto. Alguns annos antes de morrer achouHie cego ; mas ainda assim nXo 
deixou a advocacia, nem de ser procurado como d*antes. Dictavaseus 
pareceres em quanto alguém os escrevia. Escreveu: 

— O Bahiano : periódico politico (que fundou e redigiu). Bahia, 1828 ft 
1831 — Antes de fundar esta publicação fez parte da redacçSo do Consti^ 
tuciúfuilt orgflo do partido do mesmo titulo, sendo de sua penna os artigos 
assignados por Catáo. 

•*• Discurso pronunciado na camará dos deputados na sessSo de 16 do 
maio. Rio de Janeiro, 1832, in-8.* 

— Discurso^ eto. na sessão de 18 de maio, wohte o voto de graças. Rio 
de Janeiro, 1832, in-8.o 

— Discurso^ etc . na sess8o de !<> de agosto de 1832 aobre a discussSo 
das emendas do senado ao projecto de reforma da oonstitoiçSo dO império. 
Rio de Janeiro, 1832, in-8.o 

- O poder moderador elQScazmente defendido e a monarchia federativa 
offendida e profligada : discurso pronunciado na camará dos deputados 
na sessão de i^ de setembro de 1832, etc. Bahia, 1833 — Teve nova edi* 
ção no Rio de Janeiro, 1868, 35 pags. in-8.« 

— Discurso, etc. na sessão de 4 de setembro de 1832 sobre as emendas 
do senado ao projecto de lei de reformas na constituição jurada. Rio 
de Janeiro, 1832, in-8.o 

— Discurso^ etc., na sessão de 21 de setembro^sobre a proposta-reforma 
da não vitaliciedade do senado. Rio de Janeiro, 1832, in*8.o 

— Discurso^ etc. na sessão de 24 de setembro sobre a proposta-reforma 
da não vitaliciedade do senado . Rio de Janeiro, 1832^ in*8<> -^ Este e o 
precedente foram publicados depois oom o titulo : 



284 AIV 

— O que é o senado brazileiro pela constitaição do império : discuraos, 
etc. Rio de Janeiro, 18ô?, in-8.<* 

— Ao Senhor chefe de pilicia Gonsalves responde o Re bouças. Bahia, 
1838, 1 19 pag:B. in-4o ^ E* uma obra que versa sobre que8tÕ3B politicas, 
locaos. O chefe do policia, de quem se trata, ó Francisco Qonsalyes Mar- 
tins, depois Visconde de S. Lourenço. 

— Requerimento aos augustos e dignissimos representantes da nação 
brazileira, pedindo ser tido, reconhecido e havido por habilitado i»ara 
exercer todos e quae^quer empregos parados quaes são habilitados os ba- 
charéis formados e doutores em sciencias sociaes e jurídicas, como si o 
sapplicante tivesse carta de formatura por qualquer dos cursos joridioos 
do império. Rio de Janeiro, 1847, 12 pags. in-8o gr. 

— Nota dos primeiros movimentos dos brazileiros na Bahia para a 
independência do Brazil, redigida pelo advogado António Pereira Reboa- 
ças, dirigida á sociedade dos veteranos — Existe uma cópia escripta por 
António Gentil Ibirapitanga, veterano da independência, de 6 fls. sem 
data, pertencente á bibliotheca nacional. 

— Msmoria sobre os effeitos d.is amnistias. Rio de Janeiro, 1850. 

— Observações sobre a Consolidação d%s leis civis do doutor Augusto 
Teixeira de Freitas. Rio do Jineiro, 1859, 32 pags. in-8» — Esta obra 
foi depois publicada com o titulo : 

— Consolidação das leis civis : segunda edição augmentada pelo dou- 
tor Augusto Teixeira d' Freitas : observações confirmando e ampliando as 
da primeira edição. Rio de Janeiro, 1867. 

— Recordações da vida parlamentar: moral, jurisprudência, politica e 
liberdade constitucional. Rio de Janeiro, 1870, 2 vols. in-8® — Ahi se 
acham colligidos seus discursos parlamentares, notando-ee os que profe- 
rira a 10 e 1 1 de setembro de 1830 sobre a pena de morte,que lhe deram 
a reputação de distincto orador quando pela primeira vez teve assento na 
camará legislativa. 

— Recordações patrióticas , comprehendidas nos acontecimentos polí- 
ticos de 1821 a setr^mbro de 1822 ; de abril a outubro de 1831 ; de feve- 
reiro de 1832 ; ede novembro de 1837 a março de 183S. Rio de Janeiro, 
1879, 105 pags. in-8» — E' um livro de muito mérito pelo assumpto, e 
ainda mais por ser seu autor contemporâneo participe dos acontecimen- 
tos que narra, e quorum pars magna fui^ poderia elle dizer, na phrase 
do inspirado escriptor da Eneida. 

A.]itonio Pereira» Rebouças» 9® — * Filho do precedente 
e de dona Carolina Pinto Robouças, nasceu na cidade da Bahia a 13 de 
junho de 1839 e falleceu na província de S. Paulo a 24 de maio de 1874, 

Aos 15 annoB de idaie, tendo os preparatório? para o curso de mathe* 
maticas, e além destes os de grego, mglez, philosophia e álgebra, matrí- 
culou-se na antiga escola militar, recebeu o grau de bacharel em scien- 
cias physicas e mathematicas e carta de engenheiro militar, tendo 



AJN 285 

em 1855 assentado praça de cadete de artilharia, e sendo promovido a 
alferes alamno em março de 1857 e a segundo tenente de engenheiros em 
dezembro do dito anno. Indo á Europa com licença do governo para 
aperfeiçoar seus estudos, ahi dedicou-se aos estudos de caminhos de ferro 
e de portos de mar ; de volta ao Brazil, exerceu varias commissões na 
corte e nas provindas de Santa Catharina, Paraná e S. Paulo ; e tendo 
nesta ultima contratado a direcção technica do camiaho de ferro de Cam- 
pinas á Limeira e a S. João do Rio Claro, cujos trabalhos desempenhara 
satis&ctoriamente — já tendo da.lo á publicidade as condições geraes e 
ex^dicações para a execução da obra, e envia lo para Londres o projecto 
da ponte de Piracicaba, a parte mais importante da linha — na sondagem 
e estudo da situação desta ponte foi acommettiio de uma febre perniciosa, 
que cortou-lhe o fio da existência. 

António Rebouças fez tamb^^m parte da commissão brazileira na exposi- 
ção universal de Londres, presidida pelo almirante John Paschoe Grenfell ; 
era cavalleiro da ordem di Roza, membro do instituto polytechnico brazi- 
leiro e dl sociedado auxiliadora da industria nacional, e escreveu: 

— Memoria sobre as fundições com ar comprimido da ponte do Lavulte 
sobre o Rhodano. Rio de Janeiro, 1861. 

— Estudos sobre os caminhos de ferro francezes. Rio de Janeiro, 1862. 
"^Estudo sobre os portos de mar. Rio do Janeiro, 1862 — Esta e as 

duas obras precedentes foram escriptas na Europa de coUaboração com 
seu irmão André P. Rebouças. 

— Relatório sobre os telegraphos eléctricos na exposição de Londres 
em 1862 — Sahiu no Diário O jficial e annexo ao relatório geral da 
mesma exposição. 

— Relatório sobre o material dos caminhos de ferro na exposição uni- 
versal de Londres de 1862 — Idem. 

— Estudos sobre vias de communicação terrestres : memoria — im- 
pressa na Revista do instituto polytechnico brazileiro. Rio de Janeiro, 
1869 e 1870. 

— Breve noticia da linha entre a villa de Guarapuava e a navegação 
do baixo Ivahy — Vem no relatório do presidente da província do Para- 
ná, 1869. 

— Relatório da commissão exploradora da estrada para Mato Grosso 
por Guarapuava. Rio de Janeiro, 1870 — Tem annexo um mappa com as 
linhas exploradas para Mato Grosso por Guarapuava e o baixo Ivahy, e o 
esboço de suas ramificações para as fronteiras do império. 

— Apontamentos sobre a via de communicação do rio Madeira : me- 
moria escripta em Santiago do Chile em 1868. Rio do Janeiro, 1870, 
58 pags. in-8*>— Sahira antes no Bi ar o Official, 

~^V ias férreas estreitas: primeiros estudos. Rio de Janeiro, 1871, 
ÍQ.40 — Idem em fevereiro deste anno. 

— Tramtoai/ de Antonina á Coritiba : memoria justificativa, annexa ao 
requerimento da concessão. Rio de Janeiro, 1871, in-4.o 



B86 AJS 

— Relatório da commiMSo de estados do abastecimento d'agiu devU 
capital. Rio de Janeiro, iS7i «-« Foi ant^s impresso entre os axmexoB dõ 
ministério da agricultara. 

— Caminho de ferro de D. Isabel, da proTinvis do Paraná á de 
Mato Grosso, pelos valles dos rios lyahy, Ivinheima, Brilhante e Mon^ 
dego * memoria annexa á petiçio inicial da empresa e estado compa- 
rativo das visa de oommanicaçSo para Mato Grosso. Rio de Janeiro. 
1872, in-S.» 

— Condiçõee g&rttâi e especificações para a execução das olMras do 
caminho de ferro d) Campinas ao Rio Claro. Rio do Janeiro, 1873. 

— -Companhia /f o re«ta2|)arai»a0njs pelo ex-gerente António Pereira 
Reboaças filho, (Maio 1873.) Rio de Janeiro, 1873, in-8.o 

— Projecto da ponte de ferro de Piracicaba da linha férrea de Campinas 
á Limeirs e á S. Jofto do Rio Claro. 1874 — Este trabalho o autor enyiara 
para Londres, como já fiooa dito, e n£o chegoa a ser publicado por caona 
de seu subsequente fitUeoimento. 

Ha algumas plantas suas, como : 

— Novo projecto de fortifloaçSo para o local do antigo forte de & Jofio 
em Santa Catharina. 1864 — Está no archivo militar. 

Ajttonto Pereira* dos Santos — Nascea na cidade de 
Santos, província de S. Paulo, a 21 de dezembro de 1834 ; é formado em 
sciencias sociaes e jurídicas pela academia desta proviacia ; exerce a pro- 
fissfio de advogado na cidade de seu nascimento, e escreveu : 

— Os grandes da época ou a febre eleitoral : comedia original em três 
actos. Santos, 1860 — Consta-me que foi ahi levada á scena com muito 
applauBo. Publicou, além disto, vários escriptos em alguns periódicos 
litterarios de S. Paulo, como : 

— A divisibilidade dos corpos^ 1855. O homem sensato e o elegante : 
fragmento de um romance, 1856. Scenas destacadas da vida escolástica ; 
estudo de costumes, 1857 *- No periódico Ensaios Litterarios. 

— O clima de S, Paulo, 1857—- No Correio Paulistano^ de onde foi 
reproduzido no Correio da Tarde do Rio de Janeiro. 

— A embriaguez por direito penal^ 1860. Parallelo critico entre Ale- 
asandre Dumas e Eugénio Sue^ 1860. Duas palavras sobre <Le Brósil 
de C. Re7baud>, 1860 -^ No Gv^aycurú, revista da academia de 
S. Paulo. 

— O nordeste em iSantos. O theatro no Brazil. Criticas theairaes. A 
natureza e o homem. O riso e as lagrimas — No Commercio^ de 
Santos. 

— O Itororó: revista politica, litteraria, scientifica e artística. Santos, 
1859 e 1860 — Sahiram desta revista, de que fora redactor o doutor Pe- 
reira dos Santos, 17 números, de !<> de fevereiro daquelle anno a 1* de 
maio deste. 



JLN 287 

wAoitonio Pereira; (SinoLÕes— B' natural da província de 
Pernambuco, engenheiro civil, exerce o logar de gerente da via- férrea 
da cidade do Recife á Olinda e Beberibe, e escreveu : 

— Conf in^í.'nf0 para a construcçSo de pontes ^conomtca^. Rio de Ja- 
neiro, 1880 —Foi publicado em quatro fasciculoa, e a propósito desta obra 
escreveu o doutor Aarão Leal de Carvalho Reis na Gazeta de Noticias 
uma serie de artigos, de que sahiram os dous primeiros capitulos a 28 de 
janeiro de 1881 . 

'^Engenhos oentraes em Pernambuco. Rio de Janeiro, 1882. 

— Uma visita d penitenciaria. Rio de Janeiro. . . . 

A-ntonio Pereira de Souza» OaIda« — Filho do ne- 
gociante portuguez Luiz Pereira de Souza e de dona Anna Maria de 
Souza, nasceu no Rio de Janeiro a 24 de novembro de 17Ô2 e falleceu a 
12 de março de 1814. 

Dotado de uma constituição mui debil, sofifrendo mesmo em sua saúde 
desde seus primeiros annos, foi por isso aos sete annos de idade enviado 
por seus pães para Portugal, onde fez toda sua educação litter uria, sendo 
graduado bacharel em direito na universidade de Coimbra. No meio do 
curso, porém, porque desenvolvera uma intelligencia brilhantíssima e 
publicara alguns escriptos que não agradaram ao santo officio, este man- 
dou prendel-o, e *- ou por muitos empenhos que teve Caldas, ou por 
&ltar uma vez coragem ao santo officio para metter na fogueira um 
moço fraco, e o visse com pouco sangue, anemico, para saciar a 
sede satânica ^ue devorava os santos varQes — o sentenciou apenas a 
exercícios de piedade com os padres catechistas de Rilhafolles, os quaea, 
em vista de sua grande applicaçSo ás lettras sagradas, e de sua modéstia 
e submissSo, obtiveram que se abreviasse o prazo da sentença e que elle 
voltasse á universidade. 

Depois de formado em direito foi nomeado juiz de fora de Barcellos, na 
Bahia, logar que nSo aceitou para dar-se á profissão de advogado ; mas, 
dolorosamente ferido com a noticia da morte de seu pai, resolveu viajar, 
percorreu a França, a Itália, e chegando a Roma, onde mereceu particular 
estima de Pio YII, e distincta consideração de muitos sábios, a fé catho- 
lica que o santo officio não pudera, nem devera inflammar em sua alma, 
porque a inquisição era a calumniadora da santidade da lei de Jesus^ 
como disse o doutor J. M, de Macedo, a fé catholica, toda suave e ange- 
licamente inspirada, absorveu-lhe o espirito e o coração -— tanto, que ahí 
mesmo abraçou o estado eccleslastico, tomando o habito de S. Pedro. 

De volta a Lisboa, renunciou uma abbadia que lhe foi offerecida, e até 
o bispado do Rio de Janeiro, e dedicou-so todo ao púlpito, onde grmgeou 
OB maiores applauaos. Então saudades de sua velha mãi o trouxeram ao 
Rio de Janeiro em 1801 ; mas, vendo quanto em sua pátria era mephi- 
tica a atmosphera litteraria, mormente depois da atroz perseguição que 
fizera áa lettras o Conde de Rezende, voltou de novo a Portugal, d*onde só 



288 AJS 

veia ao Br&zil com a família real em 1808 ; aqui deu-se ao palpito como 
em Portag-al, e ás musas, com geral applauso dos homens mais doutos 
qae conBÍd3ravam suas homelias semelhant .s ao que de melhor se lé nas 
obras de S. Bazilio, e de S. João Chryãostomo, escolhendo elle para suas 
predicas, em grande parte improvisidas, a igreja de Santa Rita, em que 
se baptisara. 

Foi um grande orador sagrado, cultivou todos os géneros de littera- 
tura, sobretudo a poesia lyrica e sagrada ; foi um varão de uma ci^ 
ridade excessiva e de profundo saber ; escreveu muito sendo estu- 
dante, advogado e presbytero secular ; compoz muitas poesias pro- 
fanas e sagradab, tragedias, obras philosophicas e sermões ; mas tudo 
desappareceu. Se disse que um seu parente possuia uma quantidade de 
seus serm9?s e projectava dal- s á luz, e que o genenl Stokler possuia 
outros com muitos manuscriptos do padre Caldas. De seus discursos ora- 
tórios, recitados aos domingos na igreja de Santa Rita, cita-BO o 

— Sermão sobre o mandamento de Deus « Honrarás a teu pai e a tua 
mSi > pregado a 1 de julho de 1809 — Este sermSo tâo grande efTeito pro- 
duziu, que seus ouvintos choravam, enternecidos, ouvindo-o. 

Em sua vida so publicaram entre outras poesias : 

— O homem selvagem : oie. Ck)imbra, 1783. 

— A cantata de Pygmalião, Coimbra... »• E* considerada como um 
enlevo inexprimível de suavi lade e de belleza de poesia. 

— As aves : poema philosophico. Coimbra. . . — Posthumas, foram pu- 
blicadas : 

•» Obras poéticas do reverendo António Pereira de Souza Caldas. Pa- 
ris, 1820*1821, do us vols. — O primeiro volume contém os Psalmos de 
David^ vertidos em rithmo portuguez com as notas e observações áf. sea 
amigo o tenente-general F. de Boija GarçSo Stokler. Esta traducçSo fez 
elle em Lisboa, em 1806, quando para ahi voltara desacoroçoado com a 
perseguição que soffriam as lettras no Brazil, e e considerada como a pri- 
meira, quer na língua portugueza, quer nas outras em que foram ver- 
tidos 08 psalmos. O segundo volume contòm poesias sacras e pro&naa com 
iguaes notas e observações. Uma das poesias deste volume termina com 
08 seguintes versos, em que é tão admirável a sublimidade de expressSo, 
de sentimento e de pens imento com qu'^ o autor revela seu amor a Deus, 
como o é essa indifferença com que falia da morte : 

M>'u Senhor e meu Deus, 
Ah ! cante a minha voz antes que eu morra 
Um hymno do louvor ao vosso nome, 

Ao vosso nome santo. 

Muitas poesias deste livro, como a ode a Existência de Deus e a Morte 
do Salvador^ têm sido reproduzidas em diversos tratados de eloquência e 
de litteratura. Foi publicada esta obra pelo sobrinho do autor, António de 
Souza Dias, fidalgo da casa real, cavalleiro da ord^^m de Christo, de Portu- 
gal, etc. Ha poucos annos, foram publica Ias parte destas poesias com o 
titulo : 



289 

"— Poesias sacras áê António Pereira de Souza Galdai com as notas e 
additamentOB de Francisco de Borja Garçfio Stokler. Nova ediçto para 
UBO das escolas publicas da instrucç&o primaria do município da corta. 
Rio de Janeiro, 1872, 127 pags. in-lô. 

— Cartas politicas e philosophioas sobre a corte portugueza-- Destas 
cartas foram publicadas algumas na Revista do instituto histórico ; 
nellas se pintam com as cores mais vivas a sociedade e os costumes da 
corte . 

A^ntonio Peres — Foi natural da província de Minas Geraes, 
nasceu, segundo posso calcular, no começo do ultimo quartel do se- 
eulo XVIIl ; exerceu o magistério publico da instruoQSo primaria, e es- 
creveu : 

— Reflexões varias da língua portugueza no seu abecedario sobre a 
harmonia das palavras e musica das lettras. Lisboa, 1807 «• Saluu esta 
obra em dous opúsculos, in-8,<^ 

loirei A-ntonio da. PiedAde — Nuscido na província da 
Bahia em 1660, falleceu na mesma província, na villa, depois cidade da 
Cachoeira, em 1724 com 64 annos de idade. 

Foi religioso da ordem doi carmelitas calçados, professo' no convento 
da Bahia, onde exerceu o cargo de prior ; foi também prior do convento 
do Pará e exerceu nesta província os cargos de governador, de pro- 
visor o de vigário geral do bispado ; e no Maranhflo o de provincial ái or- 
d3m. Foi um distincto orador sagrado ; mas de seus sermOes só deu pu- 
blicidade aos seguintes : 

— Sermão de Santa Thereza, pregado no convento dos religiosos car- 
melitas calçados da Babia em o terceiro dia da festa que os religiosos 
fizeram na aperiçSo do novo templo. Lisboa, 1703. 

— Sermão das exéquias da sereníssima rainha dona Maria Sophia Iza- 
bel, pregado na vílla de Santo Amaro das Grotas no rio de Sergipe. Lisboa, 
1703. 

Houve diversos frades, escriptores, com o nome de frei António da Pie- 
dade, que publicaram obras ; mas nenhum brazileíro. Só Bento Farinha 
faz mençSo de seis. Além destes houvs um franciscano, natural do Rio 
de Janeiro, nascido pelo mesmo tempo em que nascea o carmelita, o qual 
dea-se com ardor excessivo á catechese dos índios. 

A.!! tonto Pinl&eixro Oixedes — Natural de Cuyabá, ca- 
pital d^ Mato Grosso, e filho do tenente -coronel Jofto Pinheiro Guedes e 
de dona Maria Magdalena Pinheiro Guedes, nasceu a 14 de julho de 1842 ; 
é doutor em medicina pela faculdade da corte, e primeiro cirurgiflo do 
corpo de saúde do exercito, tendo, antes de seu doutorado, servido os le- 
gares de interno de clinica medica e cirurgica.da mesma faculdade e de 
pensionista do hospital militar. Escreveu : 

19 



290 AJV 

— These de doutorado pela faculdade de medicina do Rio de Janeiro, 
etc. Rio de Janeiro^ 1870 — Contém ama dissertaçSo sobre resecções em 
geral, e proposições sobre : SabstituiçSo histológica. Diagnostico diffe- 
rencial entre a meningo-enc^phalite e a hemorrhagia cerebral. Respon- 
sabilidade medica. O doutor Pinheiro Guedes é um dos escriptores da 

— Revista da sociedade académica Deus, Christo e Caridade, fundada 
no império do Brazil em 3 de abril de 1879. Rio de Janeiro, 1881 a 1883, 
in-4o — A publicação continua em folhetos mensaes e se occupa de pro- 
pagar o Bpiritismo. 

A.ii.toiiio Pinto^da* Oosta. de Souza. Birandão 

— Creio que era natural do Rio de Janeiro. Exerceu por muitos annos 
o magistério como professor publico da instrucçSo primaria da fregnezia 
de Inhaúma, município da corte, figurando seu nome ainda no almanak 
de 1867, e escreveu : 

— Noções preliminares de geographia em forma de dialogo, com es- 
pecial applicação ao imporio do Brazil. Rio de Janeiro, 1852, 74 pags. 
in-8o — Houve, antes desta, outra ediçSo. 

A^ntonio Pinto de Figueiredo Mendes A.nta.s 

— Natural da cidade do Rio de Janeiro, nasceu a 14 de março de 1821 e 
falleceu a 28 de maio de 1873 com 52 annos de idade. 

Fez todo curso da antiga academia militar, recebendo ali o grau de 
bacharel em mathematicas ; entrou para o corpo de engenheiros no posto 
de 2» tenente a 2 de dezembro de 1839, mandando-so-lhe contar antigui- 
dade de 22 de fevereiro de 1836 ; subiu a diversos postos até o de coronel 
em 1871 e exerceu diversas commissões, quer do governo geral, quer do 
da provincia do Rio de Janeiro. Era fiscal da officina lythographica do 
archivo militar na época do sou fallecimento, cavalleiro da ordem de 
S. Bento de Aviz e da de Christo, e escreveu: 

— Reconhecimento do rio Queceribú entre o rio Macacú e o atterrado 
do Tipotá. 1855 — Vem, lythographado, no relatório do Rio de Janeiro 
peio doutor J. R. de S. Rego, 1856. 

— Planta minuta. Estrada de Nictheroy d Itaborahy, passando por 
Maricá o serra do Lagarto. 1858 — Lythographada no archivo militar. 

— A provincia do Paraná. Carta organizada no archivo militará 
vista dos trabalhos existentes no mesmo archivo e dos escriptos e memo-» 
rias que interessam esta provincia, 1867 — O archivo militar possuo o 
original. O coronel Antas tinha enire mSos, quando falleceu, um 

— Tratado de arithmetica^ geometria e álgebra — quasi concloidoi 
que projectava dar á luz, e existe em ^poder de um filho seu. ' 

■ 

A.ntonio Pinto de Mendonça — .E' natural da provincia 
do Ceará, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela ^cuidado de 



AN 291 

Pernambaco, e deputado á assembléa geral por sua província na primeira 
legislatira formada por eleiçSo directa. Membro proeminente da poli- 
tica conservadora no Ceará, é na camará temporária um dos mais deci- 
didos opposícionistas da politica dominante, e escreveu : 

— Discurso pronunciado na capital da Fortaleza no acto do assentamento 
da pedra do asylo de mendicidale no dia 2 de dezepubro de 1877. For- 
taleza, 1877, in-4.0 

— Discursos pronunciados na camará dos deputados na sessSo de 1882. 
Rio de Janeiro, 1882, 200 pags. in-16 — Versam sobre violências contra 
a sociedade emane ipadora cearense, sobre a estrada de ferro de Baturité, 
sobre o commercio internacional de escravos, sobre negócios do Ceará e 
outros assumptos. 

'^ A Ordem: orgâo conservador. Baturitó, 1879-1880 — Consta-me 
que continua a publicação na Fortaleza. 

A-ntonio Pio doe Santos — Natural do Rio de Janeiro, 
nasceu a 3 de janeiro de 1777, sendo seus pães o capitão- tenente Pio An- 
tónio dos Santos e dona Maria Marciana de Sá, e falleceu pouco mais ou 
menos em 1820. 

Foi official da armada, para onde entrou em 1790, exerceu commissQes 
importantes e subiu ao posto de chefe de divisão ; mas sendo sua promo- 
ção a este posto incluida n*uma promoção geral, feiti por dom JoSo VI a 
bordo do navio que transportava este monarcha ao Brazil, no qual também 
se achava Pio dos Santos, è não querendo as cortes constituintes sanccio- 
nal-a, teve elle de voltar ao posto anterior. Além deste facto singular de 
sua vida ainda ha outro mais singular: esteve amortalhado e prestes a ser 
enterrado com todas as honras devidas ao seu posto e com todas as forma- 
lidades da igreja, estando vivo ! N*uma moléstia, de que soffreu, apresen- 
tando signaes da morte, vestiram-lhe a mortalha, fízeram-lhe o enterro, 
etc., ficando o corpo fechado n*uma igreja, e no esquife para ser dado 
á sepultura no dia seguinte, depois de uma missa ; mas, acordando elle 
no meio do canto-chSo que lhe entoavam os padres, levantou-se do esquife, 
pondo em debandada e espavoridos todos os assistentes com o estranho 
Buccesso. 

Pio dos Santos passou sempre por um official de muita erudição, porém 
era dotado de um génio muito etcentrico e extravagante ; por isso muitos 
casos e anecdotas de espirito contavam delle seus contemporâneos. 

Escreveu : 

•^Diversos artigos no Correspondente Constitucional relativamente 
á validade de sua promoção ao posto de chefe de divisão, de que o esbu- 
lharam as cortes' constitucionaes. Lisboa, 1812. 

•» Epistola proclamatoria a el-rei e á nação portuguezi para desen- 
gano dos liberaes indiscretos ou vertiginosos constitucionaes. Lisboa, 
1823 — >■ Esta poesia foi publicada n*uma folha avulsa o distribuida com á 
Gazeta de Lisboa^ bem como a seguinte í 



202 

— Ode a sna magestade catholica, D. Fernando VII, escripta depois da 
queda da constitaiçSo, Lisboa, 1823. 

— Collecção de poesias — entre aaqnacs mais de cem odea, 8oneU>s,.6te.9 
inéditas e provavelmente extraviadas. 

A ntonlo Pires de Oa;X*^a;l]io — Natural da Bahia, 
nascea pelo meiado do secnlo VIII segundo posso calcular, era presbytero 
secular, e vigário collado de Monte Santo, em ct:go cargo escreveu : 

^' Breve relação de como tiveram principio, e proseguimento os 
Santos Passos do Monte-Santo o seus milagres e prodígios, erigidos pelo 
reverendíssimo senhor padre-mestre frei Âpollonio de Jodi, missionário 
apostólico italiano, barbadinho, nos sertões altos (de Picoarasd) deste 
arcebispado da Bahia, 1786 — Mans. de 13 pags., apresentado por dona 
Antónia R. de Carvalho na exposiçSo de historia do Brazil da bibliotheca 
nacional. Traz o nome do autor. 

Ajttonio PIx*es da Slilva Pontes ]L«eme--* Filho 

de José da Silva Pontes e de sua esposa, uma senhora da família Paes 
Leme, de Minas Geraes, e pai do desembargador Rodrigo de Souza da 
Silva Pontes, de quem me occuparei opportunamente, nasceu nesta pro- 
yinoia, em Marianna, depois do anno de 1850, e fálleoeu no Rio de Ja- 
neiro a 21 de abril de 1805. 

Em 1772 matriculou-ae no curso de mathe*matioas da universidade de 
Coimbra, onde teve por sen mais particular amigo e collega o joven pau- 
lista Francisoo Joaé de Lacerda e Almeida, e ambos no mesmo dia, a 24 de 
desembro de 1777, receberam o grau de doutor, e foram juntos despacha- 
dos astrónomos da terceira partida de demarcadores d<« limites do Brazil, 
trabalhando em explorações e estudos por diversos pontos do norte e do 
sol do Brasil até o anno de 1790. Teve também por companheiro nestas 
oommiss5es o enge heiro Ricardo Franco de Almeida Serra com o qusl, 
depois de vários trabalhos e explorações penozas, fez o reconhecimento do 
Alto-Paraguay até a Bahia-Negra, de onde veiu á Cuyabá ; e propunha-«e 
a explorar o Paraguay-diamantino, quando foi encarregado de estudar o 
rio Verde e o Gapivary, afluentes occidentaes do Goaporé, indo até ás 
cabeceiras do Sarará, Juruema, Guaporé e Jaurd. 

Recolhendo-se depois a Portugal, foi nomeado lente da academia de 
marinha com o posto de capitão de fragata, a 13 de abril de 1791, mas 
subindo ao ministério, apoz alguns annos, seu amigo dom Rodrigo de 
Souza Coitinho, depois Ck>nde de Linhares, foi por influencia deste em 1798 
nomeado governador da capitania do Espirito Santo, onde prestou muito 
importantes serviços e esforçou-se pela civilizaçffo dos Índios do rio 
Doce, creando o presidio, a que deu o nome de Linhares, em honra de seu 
amigo e protector, seu e de seus patrícios, os brasileiros, e nesta oom- 
missSo esteve até 17 de dezembro de 1804. 



j 



í 



AINT 293 

« 

I 

D doutor Pontes era cavalleiro da ordem doS. Bento de Aviz, sócio da 
academia das sciencias de Lisboa e escreveu : 

— Consirucção e analyse das proporções geométricas e experiências 
praticas para servirem de fundamento á construcçSo naval. Traduc^ 
do inglez. Lisboa, 1798 •» com 4 estampas. Foi a única obra que publi- 
cou em sua vida e posteriormente só foi publicado 

— Diário das esxsplorações que fez desde o rio Branco e suas cabecei- 
ras na província do Pará até as cabeceiras do Sararé, Juruéna, Guaporé 
e Jauru . S . Paulo, 1841 — Sahiu com o Diário de seu collega, o doutor 
Lacerda. Na exposição de historia pátria a bibliotheca nacional apresen- 
tou, o manuscripto desta obra, e outros do mesmo autor sobre suas viagens 
e explorações, a saber: 

— Diário da diligencia e reconhecimento das cabeceiras dos rios Sa- 
raré, Guaporé, Tapajoz e Janrú que se acham todos debaixo do mesmo 
parallelo na serra dos Parecia, em dezembro de 1789 — remettido com 
uma carta geographica, illnstrada de notas, descobrimentos de rios des- 
conhecidos, etc. ao capitão general L. de Albuquerque e Mello. 

— Brem diário ou memoria do rio Branco e de outros que nelles des- 
aguam, consequente a diligencia — com um mappa do mesmo rio, e assi- 
gnado também pelo engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra. 

— Memoria physico-geographiea, acompanhada de um plano das lagoas 
Gayva, UberaVa e Mandiorem, que offerece ao senhor doutor Alexandre 
Rodrigues Ferreira, naturalista ao serviço de sua magestade, etc. —da- 
tada de 29 de maio de 1790. 1 â. e 14pags. 

— Diário da viagem que fez o doutor Pontes ao tirar a configuração 
do rio Guaporé, 1783, 31 fls. — seguido do < Diário da viagem que fes 
s. ex. (o capitão general L. de Albuquerque e Mello) acompanhado dos 
commissarios, officiaes engenheiros e doutores astrónomos, etc., ao cume 
da serra que fronteiaa villa, viagem feita em 1782.> 

— Diário da viagem do reconhecimento da cabeceira principal do rio 
Barbados, feita em novembro de 1783, 22 fls . 

— Diário da diligencia e reconhecimento do rio Paragaú e rio Verde 
por ordem do illm. o exm. senhor Luiz de Albuquerque e Mello Pereira 
e Cáceres. 43 fls. — datado de 26 de março de 1789. 

— Relatório de uma parte do rio Paraguay e das lagoas Uberava e 
Gayva— datado de 20 de agosto de 1787 e assignado também por Fran- 
cisco José de Lacerda e Almeida e R. F. de Almeida Serra. Delle vem 
um extracto no exame de uma parte do rio Paraguay, etc. por A. Lever- 
gerem 1847. 

^Noticias do lago Zdrayes, 10 fls. — O doutor A. Rodrigues Fer- 
reira possuia o manuscripto que pertence hoje a dona Joanna T. de Car- 
valho. Ha ainda de sua penna : 

— Con$ideraçÕe$ sobre o manifesto de Portugal aos soberanos e povos 



294 AN 

da Earopa na parte relativa ao reino do Brazii, ofierecida aos depatados 
em côrt3s — - mana. de 14 pags., sem data. 

— Carta geographica de projecção espherica ortogonal da noya Lazi- 
tania oa America portagueza e Estado do Brazii, 1798 — Esta carta, 
que comprehende todo Brazii e ama parte da America meridional e íòi a 
primeira comprehensiva de todo o novo estado, foi confeccionada de 1790 
a 1798 de ordem do ministério da marinha e negócios ultramarinos, dese- 
nhada no gabinete do real jardim botânico, e oíferecida ao príncipe do 
Brazii, dom João. E' graduada em seus verdadeiros pontos de longitude e 
latitude pelas observações astronómicas da costa e do interior, recopila- 
das nella, tanto as próprias configurações do contingente pelo mesmo 
astrónomo, como oitenta e seis cartas da secretaria da marinha. Ha ama 
cópia no observatório de Coimbra. 

— Plano geographico do rio Branco e dos rios Uraricapará, Magari, 
Parimé, Tacutú e Mahú que neilo desaguam, aonde vai notada a grande 
cordilheira de montes que medeia entre o Orinoco e o Amazonas, de que 
nascem os mencionados rios. 1781-1782 — Foi levantado de ordem do 
governador de Mato Grosso o Cuiabá, collaborando o engenheiro R. F. 
de Almeida Serra. Está no archivo militar e servia muito, como a prece- 
dente, para a confecção da carta geral Jo império. 

— Carta geographica do rio Doce e seus aíHuentes — Foi impressa no 
Rio de Janeiro em 186Ô, « antes, em 1862, Braz da Costa Rubim ofiere- 
cera uma cópia delia ao instituto histórico. 

— Nova carta do recôncavo marítimo da enseada da Bahia de todos oe 
Santos, e parte da costa do oceano brazileiro desde a ponta de Santo An- 
tónio da Barra até o porto de Garcia de Ávila, etc. 1800 — Existe no 
archivo militar. Ha mais outras plantas e cartas feitas por si só, ou com 
outros. (Veja-se Francisco José de Lacerda e Almeida e Ricardo Franco 
de Almeida Serra.) 

A-iitonio Plácido dLa. Roelrai — Natural da província da 
Bahia, e bacharel em sciencias eociacs e jurídicas, seguiu a carreira da 
magistratura, e em 1849, época em que o conheci, exercia o cargo de juiz 
municipal e de orphâos de Maragogipe, comarca da referida província. 

Escreveu : 

^- Código commercial do império do Brazii com annotações nSo só 
dos artigos do mesmo código e dos regulamentos ns. 696, 737, 738 e 862 
que tem relação entre si, mas também dos códigos estrangeiros conheci- 
dos, etc. Bahia, 1852, in-12. 

A^ntonio Pompêo de Amimei da* OaTrailea^nte — 

Nasceu na província do Ceará a 7 de dezembro de 1840 ; fez na escola de 
marinha o curso respectivo e entrando para o serviço da armada, foi pro- 
movido a guarda-marinha em 1858, a segando tenente em 1860 a pri- 
meiro tenente em 1862,"a capitSo-tenente em 1869 e a capitSo de fragata 



AJN 295 

em 1882. E' cavalleiro das ordens da Roza, de Christo, e de S. Bento de 
Ayiz ; condecorado com a medalha da campanha do Uraguay em 1864, a 
do combate naval de Riachuelo, a da esquadra em operações na guerra 
contra o Paragaay, e escreveu : 

— Descripção do apparelho de foguetes para salvação de vidas em 
occasiSo de naufrágio (do autor Birt) c instrucções para o emprego do 
mesmo apparelho. Traduzido do inglez por» ordem des. ex. o senhor 
conselheiro Luiz António Pereira Franco, ministro da marinha. Rio 
de Janeiro, 1876, com estampas. 

A^ntonio Quintiliano de Oastro e Silva> — Nas- 
cido na provincia do Ceará a 20 de março de 1846, tendo feito o curso da 
academia de marinha, e sendo engenheiro geographo pela escola poly- 
techni^ca, é capitão-tenente da armada por decreto de 7 de dezembro 
de 1878 ; eerviu no corpo de imperiaes marinheiros e agora se acha na 
repartição dos pharoes, como ajudante da directoria ; é official da ordem 
da Rosa, cavalleiro das de Aviz, do Cruzeiro e de Christo e condecorado 
com a medalha da campanha do Paraguay e com a da passagem do Hn- 
maytá, e escreveu: 

'^Instrucções para o serviço de artilharia pesada. Rio de Janeiro, 
1878 — Este livro ó considerado como uma obra de muito mérito pelos 
competentes . 

António Rangel Xorres Bandeira — Filho de An- 
tónio Ignacio Torres Bandeira e de dona Manuela Margarida de Souza 
Rangel, nasceu na capital de Pernambuco a 17 de outubro de 1826 e fal- 
leceu a 11 de novembro de 1872. 

Formado em direito pela academia de Olinda em 1848, entregou-se 
logo ac exercicio da advocacia, e ao mesmo tempo ao magistério, em cujo 
exercido perseverou até á morte . Assim foi elle nomeado lente substituto 
de geographia e rhetorica do lyceu pernambucano em 1849 ; extincto este 
estabelecimento, foi nomeado lente de francez do gymnasio pernambucano 
em 1855, e da cadeira de francez passou para a de geographia e historia 
antiga, a seu pedido em 1859. Ainda outros cargos exerceu, como o de 
promotor interino de Olinda e Iguarassú por nomeação de outubro 
de 1851 ; de delegado do primeiro districto policial do Recife em 1852 ; 
membro substituto do conselho de instrucçâk) publica em 1855, cargo 
que só deixou em 1867 por cauza de seus soflfrimentos physicos, e 
foi em ipais de uma legislatura deputado á assembléa provincial. 
Era sócio do instituto histórico e geographico brazileiro, e de muitas 
associações de lottras e sciencias, e escreveu tanto, quer em avulso, quer 
em periódicos e revistas, que, fallecendo apenas com 46 annos de idade, 
talvez suas obras nâo dessem menos de quinze volumes de trezentas 
paginas. 

Seus escriptos publicados*em ayulso e em grande numero de jornaes. 



reristas e periodicoa políticos, reUgiosoA, de scienoiaa e lottraa, alo só de 
BUS provincift, ma^ também do Rio de Janeiro, da Bahia, do Maranhão, do 
Ceará, e de Portugal, constam de uma noticia, que de sen autor dá o 
doutor Henrique Peregrino Pereira de Mello, sob o titulo de Ssiudo biO' 
graphco, impressa em Pernambuco, 1878. A relaçAo, que ahi rem delles 
por ser nuito lon^a, mão transcrevo aqui. Resumindo-a, porém, mencio- 
narei e seguinte : 

— Oblação ao christianismo : tentativas poéticas. Rooife, 1844, 
114 pags. in-12 — Este volume foi publicado pelo autor no seu primeiro 
anno do curso jurídico. Ahi transparece em sua sublimidade o espirit> 
religioso que o animava, e notanie uma certa bellesa na simpliciiade do 
estylo de oada uma das composições. E* offerecido a ilom Thomaz de No- 
ronha, bispo resignatario de Olinda. 

— O $remita de Jaffa : poema. Recife, 1844, 101 pags. in-12 — 2* 
uma imitaçSo da Adozinda do Visconde de Almeida Garret, o offerecidc a 
seu antigo mestre, o professor de francez José Soaresde Azevedo. 

'^Elogio dramático e sonetos recitados no dia 11 de agosto. Recfe, 
1845« in*12^ O elogio dramático foi representado por seus oollegat da 
faculdade a 11 de agosto deste ann&. 

-^Utn iuspiro aDeus: poemeto. Recife, 1846, in-12 — Foi dedicado 
ao eximio orador e poeta pernambucano, o yigario Francisco Ferreira 
Barreto . 

— Harmonias românticas. Recife, 1847, 169 pags. in-8<> — S£o hyimos 
consagrados ás doçuras da religiflo, aos encantos da innocencia, do amor 
6 da liberdade. 

•* A taudosissima memoria de S. M. F. a senhora D. Maria li : tri- 
buto de TeneraçSo e respeito — Vem nas dezoito ultimas paginas ih obra 
«Funeral que pela infausta e sentida morte da senhora D. Maria II fi- 
leram os portugueses residentes nesta cidade. Recife, 1854.» 

^^Savídaçdú poética ao insigne actor, o illm. sr. Germano Fiancisco 
de Olireira, Recife...^ Vem também nt^ Biografia do mesmo actor, 
por Joaquina Serra, S. Luiz do MaranhSo, 1862, pags. 48 a 57. Rita obra 
e a precedente nSo pstSo mencionadas na relaçSo, a que faço referencia. 

— Cancioneiro chr^stão. Recife, 1865. 
^Cântico á Virgem das Mercês. Recife, 1871. 
'^Cântico a Nossa Senhora da GonceiçSo. Recife,ll872. 

— Poesias offerecidas a sua magestade o senhor dom Pedro II por 
ocoasiSo de sua visita a Pernambuco em 1859 — São três composições, 
que vem nas < Memorias da viagem de suas magestades imperiaea á pro- 
víncia de Pernambuco por P. de S., Rio de Janeiro» 1867 > pags. 59 
e 60, 80 e 81, 123 e 124. 

— Poesias religiosas, elegíacas, patrióticas, laudatorias, descriptiras e 
eróticas .— Sfio 107 composições, c^jon títulos, loteares e anno da publi- 
cação vem mencionados no Estudo biorjraphico do doutor Henrique C. P. 
de Mello, pags. 54 a 57 sob o titulo de Floi^s dispersas^ 



297 

— Religião 0pAt7o«op^ta— São nove escriptos, igaalmente dtpecifi- 
cado9 na referida obra, pagB. 43 e 44. O primeiro delles, qae tem por 
titulo: 

— > O ohristianismo : estudos religiosos ( fragmento de um livro inédito) 
— vem no Noticiador cat?u)l'co !a Bahia, n. 27 de 4 de março de 1854 ; 
• no Diário de Pernambuco de 12 de maio de 1854 ; no D<ario do governo 
de Lisboa, ns. 11 e 12 áe 12 e 14 de Janeiro de 1856, e no Jornal do 
instituto pio e littterario de Pernambuco, ns. 2, 3 e 4, de 5, 12 e 14 de 
fevereiro de 1860. 

— As almofadas sem franja ou a salvaçSo do Brazil. Recife, 1862 — 
E' assignado com o pseudonymo de Paulo Emilio. Escreveu Torres Rangel 
este opúsculo a propósito do programma do baptisado da princeza imperial, 
quando o Brazil se achava a braços com uma guerra de brio e honra para 
o paiz. Depois de censurar os homens da actualidade franca e energica- 
mente e considerar os males que nos affligiam, desce á analyse do pro- 
gramma determinado pelo decreto de 20 de março de 1866, e diz que este 
decreto « foi o salvaterio, o precioso talisman que do alto do poder baixou 
com o fim de restituir-nos força e vida, e conduzi r-nos bem cedo á terra 
da promissão ! Nfio contente com a pensndura e com o massapâo, não 
satisfeito com ter de indicar os truões da farça palaciana e cortezS nesses 
já desuzados e hoje descabidos reis d^armas, reposteiros ^ arautos^ ar^ 
cheiros e passavantes^ foi até determinar que as almofadas da ama de sua 
alteza nSo hão de ter franja !! » 

— Escriptos políticos — SSo trinta e três artigos diversos, circamstan- 
eiadamente mencionados no referido Estudo biographico^ pags. 44 e45. 
O ultimo destes eseriptot,' isto é, 

— A revolução de novembro — vem no jornal a União^ de Pernambuco, 
ns. 300, 303, 314, 315, 329, 331, 332 e 333, todos de 1850. 

— IXseursos diversos — SSo 38 discursos, especificados na citada obra, 
pags. 45 a 47. 

— Litteratura — SSo vinte artigos diversos, idem pags. 47 e 48. Per- 
tence a estacollecç&o o escripto intitulado: 

— • Locubrações da meia noite t i.^ Avant propôs. Um cavaco. Uma ex- 
plicação. 2,^ A plagio-mania é uma doença como qualquer outra. 3.° O real 
e o ideal. As bollas soirées do Santa Izabel. Os mil prodigios — Sahiram 
no Jornal do Recife de 16 e 23 de julho, e de 6 de agosto de 1859. Es- 
caparam, porém, na dita coUecção outros artigos, como 

— Novo século de Augusto — que vem nos ns. 3 e 4 da Opinião na- 
cional^ e 

^- Lin?uis ao acaso — folhetins publicados no mesmo periódico. Final- 
mente está delia deslocado o 

— Livro de lembranças — • folhetins publicados nó Progresso de Per- 
nambuco, ns. 18, 19, 27 e 33, de 1863, sob o pseudonymo de Archiloeus. 

— A Carteira — coUecçSolde folhetins puUicados no Diário de Pernam' 
buço. SSo 72 folhetins e sobre o que versam consta do Ensaio biogra^ 



296 iUNÍ 

phico já citado. A carteira foi eacripta a principio por A. P. de Figuei- 
redo ( veja-BO António Pedro de Figaeiredo ) Bob o pseadonymo de Abdal- 
lah-el-Kretif ; mas, adoecendo este» passou a ser escripta por Torres 
Bandeira, que nos primeiros números usou do mesmo pseudonymo. Occu- 
pava-se a Carteira de historia, philosopliia, reiigiio, litteratura, artes, etc. 

O conselheiro J. F. de Castilho lera um escripto desta collecç2o, repro-* 
dozido no Correio da Tarde^ da corte, sobre os «Amores de Oyidio» e cor- 
reu, como elle diz, ao Cotreio da Tarde, para saber que penna o escrevera, 
mas n2U> o pôde saber. Quando mais tarde soube quem era o escriptor que 
procurava, dirigiu a Torres Rangel uma carta onde se lê : — « E* pois de 
V. a soberba memoria, que por tantos aqui foi lida com admiração ! E* 
caso de summo agradecimento para nós, mas de immarcessivel gloria para 
V.» E mais logo accrescenta: « Na segunda edição que desta obra se der- 
hão de precedel-a, no logar de honra e em volume especial, os artigos 
de critica litteraria, de que eu tiver conhecimento; nenhum excede este 
seu, apezar da altura que subiram, nos delles, o Sr. Octaviano. em artigo 
edictorial ; o Sr. Silveira Lopes na sua memoria académica Dous séculos, 
dous povos e dous homens ; o Jornal da Bahia em sua correspondência 
litteraria ; o sr. doutor José Maria Velho da Silva, no seu estudo cri- 
tico da paraphrase dos amores. E' realmente feliz a obra, que já tem ins- 
pirado os mais numerosos e importantes escriptos das mais aparadas pen- 
nas, como confesso que nunca no Brazil vi succeder. » Nem se pôde 
elogiar mais. 

Quanto a sciencias jurídicas escreveu: 

— Economia politica, A liberdade do trabalho, e a concurrencia, seu 
effeito, sSo prejudiciaes á classe operaria? — ^Sahiu no Futuro, periódico 
litterario redigido por Faustino Xavier de Novaes. Rio de Janeiro, 1862 e 
1863, paga. 289 o seguintes. 

— Será o jury em matérias eiveis preferível ao modo ordinário de jul- 
gar ?— No /m, Rio de Janeiro, tomo 3», pags. 81 a 86 ; na Aurora Per^ 
nambucana, ns. 73, 1859, e no Recreativo de Pernambuco, ns. 19, 1851. 

— Será conveniente que a propriedade individual seja substituída pela 
propriedade coUectiva ?— Na Revista Universal Lisbonense, n. 31, 1853, 
e no Pai z, de Pernambuco, n. 18, 1856. 

— Apontamentos sobre direito — Inéditos. Tem esta obra a data de 1857 
e nella se trata do direito em geral, suas divisões, seu fundamento e ori- 
gem ; de diversos systemas, analysando-os ; da distincçSo entre o direito 
e a moral ; de alguns pontos de direito natural, etc. 

Deixou, como este, inéditos os seguintes escriptos: 

— Geographia antiga — E' um compendio, pelo qual leccionava, dividido 
em duas partes: preliminares e partes do mundo. Fora composto para uso 
de seus discipulos, e estava destinado a entrar no prelo, quando íalleceu o 
autor. 

— Parecer sobre o methodo de Zába para o estude da historia— Estava 
também para ser impresso. 



I 



A.N 299 

— Fructos sem flores: poesias — Idem. E' ama coUecção de poesias, 
sendo algumas já publicadas emjornaes e revistas. 

— Sonetos e poesias satyricas — E* uma collecçSo de versos feitos a 
um diplomata. 

— Livro d* alma: coUecçao de poesias eróticas, escriptas no álbum de 
sua espoza — C!omo diz o doutor Henrique Capitolino, são flores singelas 
e mimosas, colhidas no jardim d*alma ; são harmonias eólicas, vibradas 
por um coraçSo amorozo, por um peito apaixonado ; são idylios ternos, 
canções celestes, harpejos doces, arrulos saudozos, desprendidos do inti- 
mo d*alma pelas emanações vivas e impetuosas do amor. Antes de seu 
casamento, sendo elle ainda estudante, dedicara á que foi sua espoza um 
poema, ao qual precedem os seguintes versos: 

Amor, quorido amor, paixão sublime, 
Fértil de graças, cândido, singelo, 
Vai no teu peito, carinhosa amante. 
Esmaltar uma flor, um lirio belio: 
Ah ! não me culpes o querer louvar-te.; 
Si é fraca a voz da mal soante lyra. 
Suave agitação minha alma enleva, 
Possam meus lírios, minhas bellas rosas 
Beijar- te as faces languidas, formosas. 

Além de ter collaborado para innumeros jornaés e revistas. Torres Ban- 
deira redigiu a 

— Aurora Pernambucana» Recife, 1859 — E* uma revista em que se 
encontram excellentes escriptos de politica doutrinaria, de critica e 
litteratura . 

^— Opinião nacional. Politica liberal. Redactores Aprigio Justiniano 
da Silva Guimarães, António Rangel Torres Bandeira e João Coimbra. 
Recife, 1867 a 1870. 

A^ntonio do Reg'o — Filho do antigo cirurgião do exercito 
portuguez António do Rego, que se estabelecera no Maranhão, para onde 
fftra nomeado physico-mór em 1819, nasceu na capital desta província a 
14 de agosto de 1820. 

Seguindo a profissão de seu pae, bacharelou-se em medicina na univer- 
sidadr^ de Coimbra, e deu-se ao exercício clinico em sua província, sendo 
o primeiro que abraçou ahi o syatema de Hahnemann, quando foi elle di- 
Tulgado no império ; foi por diversas vezes deputado á assembléa provin- 
cial, vereador da camará municipal de S. Luiz, e um dos fundadores do 
instituto litterario maranhense. Encommodos graves, porém, de sua 
saúde o decidiram a retirar-se para Lisboa em 1869, e ahi fixou sua resi- 
dência com sua familia por muitos annos. Escreveu : 

*- Almanak popular, mercantil, industrial e scientifíco do] Maranhão 
para o anno de 1848. Maranhão, 1847, 220 pags., in-8® — E' o primeiro 
almanak do Maranhão. 

^ Almanak do Maranhão para 1849 (2o anno) . Maranhão, 1848, 206 



aoo 

pagt. in-8" •— A paUicaçSo foi interrompida ata 1858, em qaa começoa 
regularmente sob a direcçio de Bellarmino de Mattoc até 1868 (veja-ee 
Bellarmino de Mattos), sendo, porém, um dos últimos feito por António 
do Rego, isto é, o 

— Almanah do poro para 1867. S. Laii, 1867 — Neste livro se acham 
importantes noticias e reflexões sobre o algodSo, o aasucar, e oatros pn>- 
dactos da província, dos qnaes o doutor Cezar Marques dá alguns extra- 
ctos no seu « Diocionario histórico do MaranhSo •>. 

-— Quitança d meia noite : romance traduzido — Sahiu no periódico 
Progresso^ em que oollaborou de 1847 a 1850. 

— O mendigo negro por Paulo Feval. Traducção -^Idern. 

— - Os mysterios da inquisição : romance por Feval. TraducçSo — Idem. 

— Bibliotheca dramática : Thealro moderno. Maranhão, 1853-1854 — 
Sob este titulo publicou doie opúsculos, contendo os dez primeiros dei 
dramas, por eUe traduzidos, que sáo : 

— Gaspar Hauser : drama em quatro actos de Anicet Bourgeois e 
d'Ennery . 

— Clara Uarloic : drama em três actos, intermediado de canto por 
Dumanoir, Glairville e Quilhard. 

— O cavalleiro da casa vermelha ; episodio do tempo dos Girondinos : 
drama em cinco actos e doze quadros por Alexandre Dumas e Augusto 
Maquet. 

— O casal das giestas : drama em cinco actos e oito quadros, precedido 
de um prologo por Frederico Soulié. 

, — Mademoiselle de Belle^isle : drama em cinco actos de Alexandre 
Dumas . # 

-— A estalagem da Virgem : drama em cinco actos por Hipólito Hosteim 
e Tavenet.* 

— Simáo^ o ladrão : drama em quatro actos por Lourencin . 

— Os dous serralheiros : drama em cinco actos por Félix Piat. 

— O orphão da ponte de Nossa Senhora : drama em quatro actos por 
Alexandre Dumas. 

— O jogador de bilhar : drama traduzido — E* o ultimo. 

-— Instrucção para o tratamento da colera-morbus pelo methodo homoBo- 
pathico. MaranhSo, 1862. 

— Rudimentos de geographia para uso das escolas da instrucçSo prir 
maria. MaranhSo, 1862, 82 pags. in-8<> — Sahiu segunda edição em 1866, 
85 pags. in-8.<^ 

— O livro dos meninos : curso elementar de instrucçSo primaria. 
MaranhSo, 1862, 2 vols.— Contém : O 1^ Tol : Exercícios de pro- 
nuncia, 152 pags. O 2o vol : Exercícios de leitura ; Exereicios de me* 
morla. Em 1865 sa publicou uma edição nova de toda obra n*um bò vol. 
de 367 pags., sendo esta edição de seis mil exemplares e a primeira de 
mil. 

— Código municipal da camará da capital da província do Maranhão 



801 

ou repertório dat leis, avisos, ordens, instraeçQes e portarias relatÍTas ás 
camarás manicipaea e especialmente áde S. Luiz do MaranhSo. S. Luiz, 
1866, 907 paga. in-8.» 

— Joãosinho : leitura para meninos por Charles Jeannet. TraducçKo. 
MaranhSo» 1868, 306 pags. -—Na imprensa periódica redigia com outros : 

— Diário de Maranhão. MaranhSo, 1855-1858. 

— A Conciliação. Maranhão, 1862-1865. 

• 

A.]itoii.io !Bil>eiz*o de 'M.ovLra, •» Sei apenas que se foi^ 
mara em direito, exercera na cidado do Rio de Janeiro a profissão de 
•advogado, achando-se seu nome ainda no « Almanak administrativo, mer- 
cantil e industrial de 1871 > á pag. 433, e escreveu : 

— Manual do edificante, do proprietário e do inquilino, ou novo tra- 
tado dos direitos e obrigações sobre a edificação de casas, e acerca do 
arrendamento ou aluguel das mesmas conforme o direito romano, pátrio 
6 uso das naçOes, seguido da exposição das acções judiciarias que com- 
petem ao edificante, ao proprietário e ao inquilino. Rie de Janeiro, 1858. 



A.]itoiiio Riea>z*dLo HjustosEa <le A.]id.z*a<le — Sei 

apenas que exerce o cargo de thesoureiro da thesouraria de fazenda na 
província do Paraná, d*onde é talvez natural, e que escreveu : 

— Breve noticia da igreja da Ordem Terceira de S. Franeisco das 
Chagas. Coritiba, 1880, 21 pags. in-8.« 

AjOLtonio da» Rooliai Bezerra. C^T-aloaiiiti — Ca- 
pitão do ^ regimento de artilharia, nasceu em 1837, segundo me consta, 
na província do Rio Grande do Norte, fez o curso da arma em que 
serve, assentando praça em 1855, senão promovido a 2» tenente 
em 1860, a 1° tenente em 1867, e a capitão por actos de bravnra na 
guerra contra o Paraguay no anno seguinte. E* cavalleiro das ordens de 
S. Bento de Aviz, do Cruzeiro, da Roza e de Christo, e condeoorado com a 
me lalha commemorativa da rendição de Uruguayana, a que asai«tia a 18 
de s3tembro de 1865, com a medalha de Mérito em oampanha, etc. 

Escreveu : 

— Eitudos sobre a lei de promoções dos offlciaea do exercito. Rio de 
Janeiro, 1871, 51 pags. in-8.o 

-^Recrutamento pelo capitão Bezerra Cavalcanti. Rio de Janeiro, 
1871» 14 pags. in-4.« 

Antox&io da Roelxa Fx-aneo — Consta-me que fora na- 
tural da província de Minas Oeraea e parente do doutor Francisco de 
Mello Franco, de quem hei de tratar mais tarde. 

Presbytero secular do habito de S. Pedro, e cónego honorário da capella 
imperial ; tendo sido nomeado vigário da freguezia de Nossa Senhora da 
Piedade de Anhú-mirim, apenas paroehiou a Ar«gaeiia de 28 de aMl 



302 AJf^ 

de 1811 ao fim de abril do anno seguinte; depois exerceu o cargo de 
vigário da yara de Villa-Rica, hoje Ouro-Preto, capital de saa província ; 
foi deputado à assembléa constituinte brazileira pela dita provinda, 
pregador e escreveu : 

— Oração fúnebre^ que nas solemnes exéquias, com que na cathedral 
de Marianna saffragou a virtuoza alma da rainha fidelissima dona Maria 1 
de louvaia memoria o excellentissimo e reverendíssimo senhor dom frei 
CyprianodeS. José, bispo Jaquelle bispado, recitou, presentes o illoa- 
trissimo e reverendíssimo cabido, senado da camará e clero, o padre 
António da Rocha Franco, actual vigário da vara de Villa-Rica, no dia 7 
de maio de 1816. Rio de Janeiro, 1817, 26 pags. in-4o — E* precedida a 
oração de uma carta dedicatória ao Conde de Palma. 

— Oração fúnebre , que nas solemnes exéquias, celebradas em memoria 
do sereníssimo senhor dom Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, infaute 
de Hespanha e almirante general da marinha portugueza, recitou na se 
parochial de Ouro-Preto de Yilla-Rica no dia 8 de julho de 1812, presentes 
o excellentissimo Conde de Palma, governador e capitão general daquella 
capitania, camará, nobreza e clero, o padre António da Rocha Franco, etc- 
Rio de Janeiro, 1812, 19 pags. in-4.<^ 

— Oração gratulatoría, que por occasiSo do juramento da constituição 
braziliense, no acto de sua solemnidade na imperial cidade de Ouro-Preto 
e capella do Carmo, a 6 de abril do corrente anno (1824), recitou o vigário 
António da Rocha Franco. Ouro-Preto, 1824. 

A-iitonio dLa Roclia. Liimai — Consta-me que é natural da 
província do Ceará, e que ahl reside. E* presbytero secular do habito de 
S. Pedro, e escreveu : 

— Critica litteraria. Maranhão, 1878 — NSo vieste escripto, e por isso 
não posso dar delia mais noticia. 



A.]itoiiio da. RocHa T^iainnai — Filho de pães muito 
pobres, nasceu na província da Bahia a 31 de agosto de 1822 e ahi falleceu 
a 13 de março de 1881, victima de uma peritonite. 

Sendo presbytero secular, cujas ordens recebera em 1847, fez em Per- 
nambuco o curso de sciencias sociaes e jurídicas, recebendo o grau de 
bacharel em 1855 ; foi por muitas vezes deputado á assembléa de sua pro- 
víncia ; parocho collado da freguezia do Sacramento da Rua do Paço, 
desembargador da relaçSo ecclesiastica, examinador synodal, lente de 
direito canónico do seminário arehiepiscopal, advogado no foro da capital 
e escreveu : 

— Compilação em índice alphabetico de todas as leis provinciaes da 
Bahia, regulamentos e actos do governo para execução das mesmas 
desde 1835 até 1858. Bahia, 1859. 

— Compilação em índice alphabetico das disposições das leis civis bra- 
sileiras, e que regem matéria canónica. Bahia, 1867, 123 pagSé in-4.o 



AJS 303 

— Ligeira analyse Bobre as disposições da constituiçSo Apostólicos sedis, 
Bahia, 18" 

A^ntonio Rodrigues dLe A.liiieidLck Pinto — E* na- 
tural da provinda do Pará onde tem residência, e onde dedicando-se ao 
funccionalismo publico, depois de servir por muitos annos o logar de di- 
rector do correio de Belém, se acba actualmente aposentado neste logar, e 
escreveu : 

— Catalogo dos homens que têm governado a provincia do Pará, desde 
que nella se reconheceu a independência do Brazil. Pará, 1864, 7 pags. 
in-4.o 

— O bispado do Grão^Parà durante a vida de seu S^ bispo dom Ro- 
mualdo António Coelho. Pará, 1872, 39 paga. e 4 fls. in-4o, com o re- 
trato do bispo. 

A-iitonio X^odrigaies do Oouto — Nasceu na provin- 
cia do Pará, em cuja capital reside. Moço de muita actividade, foi admi- 
nistrador do Diário de Belèm^ collaborando também para este jornal, e es- 
creveu : 

— Almavíok do Diário de Belém, redigido pelo administrador do 
mesmo diário. (Annos 1°, 2" o 3.°) Pará, 1878, 1879, 1880, 3 vols. in-8.o 

A.iito]iio X^odi*ig'ues Da.li tas — Natural da cidade de 
Marianna, provincia de Minas Geraes, onde deve ter nascido antes do 
meiado do século passado, era presbytero secular e muito versado na lin- 
gua latina, de que foi professor régio em Lisboa, e escreveu : 

— Arte latina ou nova collecçSo dos melhores preceitos para se apren- 
der breve e solidamente a língua latina. Lisboa, 1773 — O que prova a 
ezcellencia desta obra é que depois desta edição se fizeram suceessiva- 
mente mais três ediç5es até o anno de 1794. A quarta edição tem 248 
paginas. Ha ediçSo posterior a esta. 

-^Explicação da syntaxe latina. Lisboa, 1773 — O mesmo deu-se 
com este livro ; em 1781 já se publicava terceira edição delle. E ainda 
no século presente, em 1816, vein á luz uma edição e outra em 1844 
sendo todas em Lisboa. 

António Rodrigues Pez*eiira> HiCklbre — Nasceu na 
provincia do Maranhão, na villa de Pastos -Bons. 

Passando-se, ha alguns annos, para a provincia do Amazonas, fixou 
sua residência nas margens do rio Purús, abaixo da foz do Ituxi, quatro 
milhas pouco mais ou menos aos 7« 18' 43" de latitude sul e 64o 77* 15** 
de longitude oeste de Qreenwich, e ahi estabeleceu uma colónia, a que deu 
o nome de Labria, habitada em sua maioria por maranhenses e por es- 
trangeiros. E* coronel da guarda nacional, tem sido deputado á assembléa 
da mesma provincia, e escreveu : 



304 

— Rio Purus : noticia. MaranhSo, 1872 -— Esta obra, oomo diz sea 
autor na advertência que a precede, é destinada ao povo e especialmente 
áquelles, que quizerem se estabelecer no Purús, com o fim, já de explorar 
e colher partido das fontes e riquesas naturaes, em que abun la eele paiz, 
já de auferir vantagens da industria agraria, onde as terras sâo de uma 
fertilidade prodigiosa. Contém um mappa dos principaes afluentes deste 
rio com as distancias em milhas inglezas, marcando-se doas pontos de ele- 
vação do nivelamento do mar. 

— A seringueira (syphonia cahucha ou chiringa em lingna ge- 
ral). Pará, 1873 — com quatro finíssimas gravuras, representando a 
planta, o processo de extracçâk) do leite, materiaes, instrumentos para 
isto, eto. 

— Achy ou os cathanickys : estudos ethnographicos de alguns selva- 
gens habitantes do rio Purds — Uma parte deste trabalho sahiu em Ma*- 
náos^ no Commercio do Amazonas ^ ns. 95, 96, 97, 102, 105, 107, 108, 
109, 111, 115, 119, 123 e 153, de 11 de março a 5 de j anho de 1880, 
época, em que oessou a publicação do dito jornal. 



António !Bod.z*igrtiee Vellozo <le Oliveira — Pai 

do desembargador Henrique Vellozo ue Oliveira, do quem se trata neste li- 
vro, e filho de José Rodrigues Pereira e de dona Anna de Oliveira Montes, 
nasceu na | rovincia de S. Paulo depois do anno de 1750 e falleceu no Rio 
de Janeiro a 11 de março de 1824. 

Formado em direito pela universidade de Coimbra, seguia a magistra- 
tura, principiando por exercer um logar na ilha da Madeira ; foi chan 
celler da relação do Maranhão em sua instituição, desembargador do 
paço, deputado da mesa da consciência e ordens, juiz conservador da na- 
ção britannica em todo districto da casa da supplicação do Brazil, primeiro 
deputado da junta da administração da fiuenda na capitania do Maranhão, 
d*onde se retirou em 1818 por desavenças que teve com o governador, e 
desgostoso com as decisões do gov.erno da corte, a elle contrarias ; e 
sendo deputado á constituinte brazileira, defendeu com toda energia a 
idéa de se acabar a escravidão dos africanos. 

Era do conselho de sua alteza real e de sua magestade o senhor dom 
Pedro 1, fidalgo cavalleiro da real casa, commendador da ordem de Christo, 
e um dos mais notáveis estadistas de sua época, e de idéas mais liberaes. 
Seu retrato em ponto grande se acha em uma das paredes da secretaria 
da santa casa da misericórdia do Maranhão, pelos serviços que ahi pres- 
tara como provedor. Escreveu : 

— Tratado do jogo de voltarete com as leis geraes do jogo. Lisboa, 
1794, in-8.0 

— Memoria sobre o melhoramento da província de S . Paulo, applicavel 
em grande parte ás outras províncias do Brazil. Rio de Janeiro, 1822, 143 
paga. in-4o — Esta memoria foi escripta em 1810, e em 1868 foi reprodu- 
zida pelo instituto histórico em sua revista, tomo 31*, parte 1*, pags, 5 a 



AJN 305 

106. EUa é dividida em daas partes : a 1* parte tem nove capítulos ; a 
2^ tem doze, em dous dos quaes se trata das causas quo têm retardado o 
progresso da agricultura, e das providencias precisas para defesa da ca- 
pitania, quer por terra, quer por mar. 

— Memoria sobre a agricultura e colonisaçSo do Brazil — Foi escripta 
em 1814, quando o autor exercia o cargo de chanceller da relação do Ma- 
ranhSo ; enviada ao instituto histórico pelo doutor C. A. Marquez 
em 1867, o publicada na revista, tomo 36o, parte 1', 1873, pags. 91 
a 133. 

— Divisão ecclesiastica do Brazil. 1819 — Sahiu na mesma revista, 
tomo 27o, 1864, pags. 263 e seguintes. 

— A igreja no Brasil, ou informações para servir de base á divisão 
dos bispados, projectada no anno de 1819, com a estatística da população 
do Brazil, consilerada em todas as differentea classes na conformidade 
dos mappas das respectivas províncias e numero de seus habitantes. Rio 
de Janeiro, 1822, 172 pags. — - Foi publicada antes nos Annaes flumi' 
nenses de sciencias, artes e litteratura, tomo lo, 1822, pags. 57 a 115; 
teve nova ediçSo em 1847, e foi ainda impressa na Revista do instituto, 
tomo 29% 1866, pags. 159 a 200. 

António Roza. dLa Oosta; — E* natural da província de 
Pernambuco. Consta-me que estudou na antiga escola centrai ; mas não 
sei si concluiu o curso da mesma escola, nem o que se passou depois rela- 
tivamentd a sua pessoa. Dedícava-se então ao cultivo da poesia e escre- 
veu : 

— Balbuctações (coUecção de versos). Rio de Janeiro, 1873 — Vi 
este Yolume na bibliotheca municipal. 

A^ntonio dLe SÀ — Nasceu no Rio de Janeiro a 26 de junho de 
1620 e faileceu a 1 de janeiro de 1678 ; fez todos seus estudos no collegío dos 
jesuítas da cidade de seu nascimento e ahí tomou a roupeta em 1639, lec- 
cionou theologia e diversas matérias de humanidades, e foi depois a Por- 
tugal, e a Roma, onde se demorou alguns annos no exercício do cargo de 
secretario geral dos jesuítas, voltando d'ahi á pátria. 

Discípulo do padre António Vieira e, na opinião de alguns contempo- 
râneos, seu rival, foi por estes designado o príncipe da tribuna ecclesias- 
tica. Como refere Innoccncio da Silva, todos os críticos são concordes 
em consideral-o como orador de linguagem mui pura, de estylo correcto e 
elegante, e finalmente como um dos que mais ôe approxímaram de Vieira, 
ou antes como seu melhor discípulo. Escreveu: 

— Sermão pregado d Justiça na santa sé da Bahia na primeira oitava 
do Espirito Santo. Lisboa, 1658 — Segunda edição, Coimbra, 1672, 
21 pags. ín-4o — Terceira edição, idem, 1786, 21 pags. in-4.o 

— Be venerabile patre Joanne de Almeida oratio . Lisboa, 1658 — ' 

Sahiu na obra sobre a vida deste padre* 

20 



— Sermão pregado no dià em que sua magestade fez annoe, em 21 de 
agosto dê 1653. Coimbra, 1665, iii-4.o 

— Sermão pregado no dia de cinza na capella real. Lisboa, 1669, 
in-4<' — Deste sermSo faz o cónego 3, C. Fernandes Pinheiro menç2o no 
sen Curso de litieratura, transcrevendo um trecho que elle considera só 
ter como rivaes os melhores trechos de António Vieira. 

— Sermão da primeira setta-feira de quaresma, na freguezia de S. Ja- 
liSo. Lisboa, 1674, in-49 — Deste sermSo transcreve o mesmo cónego a 
bellissima pintura, qne faz o orador do homem em geral, e do christSo em 
particular. 

-^ Sermão dos Passos do Senhor^ pregado ao recolher daprocissSo. 
Lisboa, 1675, in-4o — Seganda ediçSo, Coimbra, 1689. Também delle 
faz mençSo o dito cónego Fernandes Pinheiro, citando como modelo de 
prosópopea um trecho, em que o orador se dirige aos peccadores . 

^Sermão da Conceição da Virgem Maria na igreja matriz de Per- 
nambuco. Coimbra, 1675, in-4." 

— Sermão da auaJrta dominga de quaresma, pregado na capella real no 
anno de 1660. Coimbra, 1675, in^,* 

— Sermão de S, Thoméf apostolo, na capella roal. Lisboa, 1675, in-4.^ 
'^Sermão do glorioso S, José^ esposo da Mãi de Deus, Coimbra, 

1675, in.4o. 

Pablicaram-sê alndà do padre Sá : 

--^ Sermão de N . S. das Maravilhas, pregado na só da Bahíá no 
anno de 1660. Lisboa, 1732 — Esta publicação e as que se seguem, sâo 
publicações posthumas. 

^ Oração fúnebre das exéquias da serenissima rainha de Portugal, 
dona Luiza Francisca de QusmSo, em 1666. Lisboa, 1735, in-4.o 

'^Sermões varias do padre António de Sá, da companhia de Jesus. 
Lisboa, 1750 — Contém este livro os sermões já mencionados, e mais 
cinco» de quaresma, que o autor confiara, pouco antes de sua morte, a um 
livreiro-impressor para dal-os ao prelo, e que o livreiro entendeu melhor 
eiicorporal-bs aos sermões do bispo dé Martyriá, dom frei Christovio de 
Almeida, publicados em Lisboa em 1680. 

— Memorias dos martyrios do Salvador è de S. Cláudio — Ineditoá, 
cegos manuscnptos se achavam em Tibans, segundo affirma Bento Fa- 
rinha. 

A.i&toiiio ^Aiustiaiiio dLo :Nfa;8ciiiieiitò Vianna. 

— Nasceu na cidade da Cachoeira, provincia da Bahia, em 1830, filho de 
António do Nascimento Vianna e de dona Anna Joaquina do Bom-Suc- 
cesso, e falleceu em agosto de 1881 na mesma cidade. 

boutoradb em medicina pela faculdade de sua provincia em 1852, serviu 
algum tempo no corpo de saúde da armada, ãproséntou-sé em 1873 áo 
concurso â um logar de o^positò^ da secçSo medica da dita &cbldâdd, e 
escreveu: 



•^ Bretés òonsidéraçõéi sóbré a meditinà 1'egal^ applióadia fto tftamr 
mentò : thesè inaugural . Bahia, 1852 «- Trata do homem ^ dà molh^f , ém 
cápitalos separados^ eònsideradoB debaixo dò ponto de vista médico-legfiU 
ò das relaçõôs physica e úit>ral. 

-^ Herança pathologica : i\!íéi&é apresentada no êoncufflK) á um log^t 
de t)pp08Ítor da becçfto de sciêácias mediíBaá. Bahia, 1873 ^ 

Frei A-Xitonio de Sampaiio — Natural da Bahia, e reli- 
gioso, nSo sei de que ordem^ vivia no ultima quartel do secule XVilI e foi 
um étimio pregador, mas só me consta que publicasse o sôU 

-=- Elogio fúnebre pronunciado na Bahia por occasifio das exequiiM d^e 
dom José 1. Lisboa. 1781^0 Visconde de Porto-Seguro transerevelL 
alguns trechos deste elogio na sua Historia dò Bratil^ tomo 2<^^ pagf» 074 
e seguinte. 

F*x*ei A.ixtoiiio de Saiit'A.iiiiai Oal^-âo — Chamadetto 
século António Galvão da França e natural de Guaratinguetá, provincia 
de S . Paulo, ahi falleceu a 23 de dezembro de 1822. 

Era religioso da ordem franciscana, muito respeitado nSo sé por sua 
grande erudiçSo, como por suas raras virtudes que o fizeram ser tido em 
conta de santo ; foi um dos fundadores do recolhimento da Luz, onde foi 
sepultado, e sendo eleito presidente e mestre de noviços do convento de 
Macacú, nSo tomou posse deste cargo, a pedido do bispo de S. Paulo, que 
t queria na stta diocese. Sscr^veu: 

— Ó convénio dà Luz erà S. Pauto — ãsta ohtA x»)bsta-mô quê tal pA« 
blicada em Lisboa ; nSo a vi . Ultimamohte foi transcripta bò pòriõàico 
túz, tomo t\ pags. 2l7, 225, 233 e 241 e seguintes. 

te^i^ei Jikiitonio dd IStintâi Oèrtrudèis -^ ttaircòtt íA 
^cidade dô Rio de Janeiro pelo ahno de lt94, sendo seus pães José t^A^ 
cisco de Figueiredo e dona f^eliciãna Q-ertrádes da CôbceiçSb. 

Carmelita, cujo habito recebeu a 2 de Júnh;) de 1904, ^xefcéit díviòViròi 
cargos Àté o de pfOVííiciàl m. àuá ò¥dem, iquò eifò éxattòu tí&ò 6Ò pof %Tia 
vasta \drndtçSD, como tánlbòtn ^r sua prtiàetacia e èèfo adkúiiiistHiiiv^ ; 
foi eiimro theolt)go, é \3S6 douto, tanto naU le^as sagfadM como náé )^V(^ 
!kna^, qúe se diíia qttò elle eni sna cabeia tfazia uma biblít^theôa \ fbí 
pregado!^ imperial, e t>rador \Seó «ioquehte è fécnndo, qdè, òómo cGHMfe 
Baltházar da Silva Lisboa, erà ft]^péllidãdd dè Bot^^t brazil^i!^. 

&ácreveu muitos s^m^è^i, ^u^ deixou iiieditòÉK tttttdo pttbliéíHdo algtlâi, 
de que a)^enás tmhei^ \ 

— Sermão de gràçàs\ préjyado tta ijfrtj* da Ordem tèívjeira dò Carmo a 
3 de abril de 1826-, pela 'èh^gada do imperador dotA Pedfie I atò Riò de Ja- 
nteiro de volta da Bahiia. Rio de Janeifo-, 1826. 

£^ Sermão qiiie na «ol^miie íáe^ de gftt^ (^ regv^eèso ^los ^xilanM 
da cidade de S. Paulo recitou na capella da loMem lOfÈeirti "èo CàriíM ^ 



306 

mesma cidade aos 9 de novembro de 1823. Rio de Janeiro, 1823, 15 paga. 
in-4<''-E* ofTerecido este sermão ao intendente geral da policia, desem- 
bargador Estevilo Ribeiro de Rezende, depois Marquez de Valença, sendo 
a festividade promovida por parentes e amigos dos comprehendidoa na 
devassa sobre os acontecimentos de 23 de maio de 1822 em S. Paalo, 
a qual fora snspensa com a retirada do ministério de 16 de julho deste 
anno, por ordem do ministério que o succedeu. 

Frei A.]itonio de Santa. MAf^lda — Chamado no século 
António José Ferreira, filho de Manoel José Porreira e de dona Filippa 
Maria de Jesus, nasceu emS. Paulo pouco antes do anno de 1780, e 
falleceu na corte a 14 de dezembro de 1837. 

Professou na ordem dos franciscanos, na corte, em 1797 ; foi presidente 
do convento de Santos, e do de Taubaté, guardião deste, definidor, vigário 
provincial, secretario da província, ministro provincial e pregador, e 
escreveu : 

— Resposta do provincial dos franciscanos do Rio de Janeiro sobre as 
questões, de que trata a memoria, que com a portaria do governo lhe foi 
dirigida para dar o seu parecer. Rio de Janeiro, 1837, 16 pags. in-8<> — A 
bibliotheca nacional possue esta obra ; procurei-a para ver sobre que 
versa a memoria em questão, mas não pude vel-a. 

F*x*ei A.ii.to]iio de Santa* Maria — Nasceu na cidade de 
S . Sebastião do Rio de Janeiro no anuo de 1700 o falleceu em 1750. 

Foi religioso da ordem doa franciscanos, professo no convento da Im- 
maculada Conceição do Rio de Janeiro a 23 de julho de 1714, e formado 
em cânones na universidade de Coimbra. Leccionou durante alguns 
annos com muito applauso philosophia e theologia no convento da Bahia ; 
foi orador sagrado de muita nomeada e, como diziam frei Francisco de 
S. Carlos e frei Francisco de Santa Thereza de Jesus Sampaio, o astro 
mais brilhante do orbe seraphico brazileiro, e escreveu : 

^^ Sermoncario de varias festividades solemnes do Rio de Janeiro-* Ia 
publicar uma collecção de seus sermões com este titulo, quando a morte o 
sorprendeu. Não sei que destino teve este livro. Barboza Machado dá 
delle noticia em sua importantissima Bibliotheca luzitana^ assim como 
frei ApoUinario da Conceição na sua obra « Primazia seraphica na região 
da America ou novo descobrimento de santos e veneráveis religiosos, que 
ennobrecem o novo mundo com suas virtudes e acções » capitulo 9<>, pag. 92. 
Em sua vida só sei que frei António de Santa Maria publicasse o 

— Sermão do beato S. Gonçalo Qarcia. Lisboa, 1749. 

O bibliographo, de quem fallei, Barboza Machado, faz menção em sua 
obra citada de nada monos de cinco frades com o mesmo nome de frei An- 
tónio de Santa Maria, além deste de quem trato, todos nataraes de Por- 
tugal e de seus domínios na Ásia . , 



309 

Firei A.ntonio de SAnta Mairiai «JalboatâLo — Nasceu 
na fregaezia de Santo Amaro de Jaboatão, hoje villa e sede da comarca 
deste nome, em 1695 e falleceu entre os annos de 1763 e 1765. 

Foi religioso franciscano, professo a 12 de dezembro de 1717, no con- 
vento de Paraguassú, da Bahia, d'onde passou a concluir seus estudos 
e receber as ordens sacras em Pernambuco ; foi mestre de noviços no 
convento de Iguarassú, guardião por duas vezes no da Parahyba, secre- 
tario do capitulo, prelado local no convento de Santo António do Recife, 
definidor, e chronista-mór da ordem . 

Poeta nos primeiros annos da vida claus tirai, pregador distincto, e 
académico da academia brazilica dos renascidos, escreveu : 

•^Orbe seraphico novo, brazilico, descoberto, estabelecido e caltivado 
a influxos da nova luz da Itália, estrella brilhante da Hespanha,' luzido 
sol de Pádua, astro maior do cóo de Francisco, o thaumaturgo portuguez 
Santo António, a quem vai consagrada, como theatro glorioso, a parte 
primeira da chronica dos frades menores da mais estreita e regular 
observância da província do Brazil. Lisboa, 1761 — A morte subsequente 
do autor foi causa de não sahir a continuação desta importante obra, senão 
um século depois. O instituto histórico e geographico, possuindo os 
manuscriptos da segunda parte, depois de um exame, incumbido ao con- 
selheiro Diogo Soares da Silva de Eivar, cujo parecer se acha no 2^ vo- 
lume da revista do mesmo instituto, resolveu dar & luz a obra completa, 
e então foi publicado : 

— Novo orbe seraphico brazileiro^ ou chronica dos frades menores da 
província do Brazil, etc. Rio de Janeiro, 1858-1862, 5 vols. em duas 
partes — a saber : 

— í^ parte, 1° e 2» vols. — Comprehendem a obra precedente, publicada 
em Lisboa, 1761. Foi, porém, supprimido da primeira edição um indice 
de certos factos notáveis do preambulo e um discurso panegyrico da vida 
de frei Luiz da Annunciação. Tem o i^ vol. 420 pags. ; o 2o 436. 

— 2^ parte, 3°, 49 e 5<> vols. — Constituem a parte inédita, de que o insti- 
tuto histórico possuia o manvscripto e seguem-se ao 5o volume diversas 
annotaçQes do cónego J. G. Fernandes Pinheiro, destinadas a rectificar 
alguns erros e inexactidões do chronista. Têm estos três volumes 840 pa- 
ginas, seguidamente numeradas, e sob o titulo Advertência se lê no fron- 
tispicio da 2^ parte desta ebra o seguinte : 

€ Orbe seraphico novo, brazilico : parte S3gunda da chronica dos frades 
menores da mais estreita e regular observância da provinda de Santo An- 
tónio do Brazil, consagrada ao mesmo santo, como patrão e padroeiro 
desta sua província, mandado imprimir pelo M. R. P. Mestre frei 
Jacintho de Santa Brigida, ex-leitor de theologia, ex-deflnidor e ministro 
provincial, existente desde !<> de dezembro de 1764 até 1768. Nunca 
appareceu impressa, como aindi não o foi até o presente anno de 1826, e 
por isso deve ser guardada no archivo da provincia, que é na cella dos 
ministros provinciaes no convento capitular da cidade da Bahia, afim de 



m AN 

se ac^ar a todQ o tempo que se precisar de alg:ani 4o8 docan^eiitps que 
nella se contÓQi, juntos com tanto trabalho por sei| aator, etc. » 

— Discurso histórico, geographico, genealógico, politico e ei^co- 
miastico, recitado em a nova celebridade, que dedicaram os pardos de 
Pernambaço ao santo de sua côr, o B. Gonçalo Garcifi. Lisboa, 1751- 

— Sermão de Santo António em o di^ de Corpo de Deus no convento 
do Recife. Lisbofi, 1751. 

^ S^m^Oío de S. Pedro Martyr, pregado na matriz do Gorpo-Sapto do 
Recife. Lisboa, 1751. 

— Sermão da restauração de Pernambuco do domínio hollandez, pre- 
gado na Só de Olinda em o anno de 1731 . Lisbpa, 1752 » Sahiu repro- 
4uzi4o na It$pifta do instituto histórico, \çmo 23<», 1860, pags. 365 % 386. 
Fora copiado e offereçido a sui^ magestade o Imperador pelo padre Uno 
do Monte Cari^ello, e por sua magostade offerecido ao instituto. 

— Josephina rçgio^quivoco-panegyrico : três praticas e um senmiSo do 
glorioso patriarcha S . José, offerecidos ao ^dolissimo rei dom José em um 
4Í6cqrso encomiástico de sua feliz e auspiciosa acçlamação, prégadoa na 
igreja matriz da Parahyba, Lisboa, 1753. 

— Sern^o da rainha Santa Izabel de Portugal. Lisboi^, 1762. 

— Gemidos seraphicos : exéquias celebradas pela província de Santo An- 
tónio na morte do íidelissimo rei, dom JoSo V, Lisboa, 1755 — Sao da penna 
de frei António Jaboatão a de licatoria á rainha,dona Maria Anna d' Áustria^ 
e um sermão que por essa occasiâo pregara elle no convento do Recife . 

— faboatãq tnittica em correntes sacras dividido. Correlate 1^ : pane- 
gírica e moral. Lisboa, 1758 «E.-^te liyro cpntém uma qoUecçSo de des 
sermões diversos. 

^'Corrente ^,* Panegyriea e moral — Inédita. Consta de permQes em 
solemnidfwles de diversos santos. 

«-* Corr^fi^a ^«^ Seraphica epanegifrica — Idem. C3ntém sermões de 
santos e dç vi^jrias solemnidades da ordem seraphica, 

'^ Corrente 4,^ Mor^l e ascética — Idom. Contém sei^mOei^ d^ qua- 
resnia, penitencia p doutrina. 

'^.Corrente 5,^ — Idem. Contém serp^Ões em diversas festividades e 
tltulQp dft ^s^ptipsipa Virgem. 

-^Catalogo genealógico das principaes famílias, que procedem de 
Albuquerques e Cavalcantes em Pernambuco, e Caramurús na Bahia, 
tiradg de memorias, paanoscriptos antigos e fidedignos, autorizados por 
alguns escriptores, por frei António de Santa Maria Jaboatfio — Original 
d(^ 546 pags. Pertence ao instituto histórico. 

Pas poegias de frei Antoz^io Jaboatão não ha noticia algun^a ; consta-me 
que elle, anles dg fallecer, aq inutilisour 

Firei A.iitonio de Sai^ta» TkÊim^jrieL T*raii*ip6 — Natural 
da Bahia, naspeu na Purificação de Santo Amaro em 1707 e fal(eceu em 
Olinda depois de 1761. 



Foi religioso da ordem íranciBcana, tendo professado a 19 de oatabro de 
1725 no convento de Iguarassd, de Pernambuco ; exercen em sna ordem 
diversos cargos ; foi lento de theologia, pregador e missionário de grande 
erudição e virtudes, e escreveu algumas obras, de qne apenas publicou : 

— Carta apologética sobre uma critica feita por certo P. M. de outra 
ordem a algumas proposições do sermSo do S. Pedro Martyr, pregado por 
um seu companheiro. Lisboa, 1754 — Esta carta vem impressa n*ui^ 
volume com o sermSo, cujo autor ó frei André de S. Luiz, portuguez. 
professo no convento da Bahia. Si nSo fosse esse impulso de amizade, ou 
coUeguismo que influiu no animo de frei António Traripe, nem esse 
qiesmo escripto de sua hvra possuiria a bibliotheca brazileira. 

Frei A^ntonio de Sa*nta Rita» — Ni^scido na provinci^ 
da Bahia em 1701 e entrou na ordem seraphica de S. Francisco, profes- 
sando no convento de Sergipe do Conde a 4 de outubro de i719 pom 
dezoito annos de idade. Passando para o convento de Pernambuco, ah| 
leccionou theologia, e exerceu os cargos de guardião e definidor . Foi 
pregador, o seus sermões eram muito appk^udidos, mas delles publicou-se 
apenas o seguinte : 

'^Sermão do Seráfico Padre S, Francisco^ celebrando pontiflcal- 
mente o primaz da índia dom Lourenço de Santa Maria. Lisboa, 17' * -r- 
Este mesmo serm&o foi publicado, porque o dito primaz pediu delle uma 
cópia, e mandou imprimir á expensas suas* 

• 

Firei António de Santa XJirstila Bodova/llio — 

Chamado no século António de Mello Freitas, filho de Thimotheo Corrêa 
de Toledo e de dona Úrsula Izab^l de Mello, nasceu em Taubatê, pro- 
vinciade S. Paulo, a 1 de novembro de 1762 e falleceu a 2 de dezembro 
de 1817. 

Foi religioso franciscano da província da CopceiçSo do Rio de Janeiro, 
professo no convento de S . Paulo ; ahi exerceu o cargo de guardiSo 
e o de provincial no da corte ; foi em 1781 nomeado lente de prima e 
leccionou depois philosophia tanto na sua ordem como no seminariq de 
S. José ; sendo eleito bispo de Angola a 25 de abril de 1810, renunciou o 
alto encargo em 1811 sem assumir a elle ; era pregador e censor 
régio, versado em diversas linguas, assim como nas sçiencias eccle^as- 
ticas, e escreveu muitos sermões, dos quaes só me consta que desse á 
estampa: 

— Oração fúnebre á memoria do. . . Marquez de Lavradio, recitada na 
cathedral do Rio de Janeiro nas exéquias que lhe consagraram os cidadfios 
da mesma cidade. Lisboa, 1791, 24 pags. in-4.o 

— Oração em acção de graças que pelp feliz q augusto natalicio ^ 
sereníssima senhora dona Maria Thereza, princeza da Beira, rpcitqu na 
cathedral do Rio de Janeiro a 19 de novembro de 179^ fre\ António de 
Santa Úrsula Rodovalho, a qual offerece á mesma senhpra no anno de 1809. 



312 AN 

Rio de Janeiro, 1809, 22 pags. in-4» — AflBrma o doutor José Tito Nabuco de 
Araújo, de quem occupar-me-hei opportunamente, que frei António Ro- 
dovalho na época de seu fallecimento escrevia um 

— Tratado de philosophia — de que uma grande parte se achava em 
estado de entrar no prelo, combatendo a volumosa e importante obra de 
um philosopho italiano. E' provavelmente a obra a que alldde o Visconde 
de Araguaya em seus Opúsculos históricos^ pag. 307, quando se refere 
a frei F. de Monte Alvorne, isto ó, a traducçáo e commentario da obra: 

— La religione dimostrata e defesa de Alexandre Mana Tassoni. 

— Numero, estado e occupações presentes dos religiosos sacerdotes 
em toda província da Immaculada Conceição do Brazil, que consta de 
treze conventos, 1810 — O original de 3 fols. esteve na exposiçSo de 
historia pátria de 1881 . 

A.iitoiiio d.os ISainloiíi «Xaieintli.o — Natural da cidade de 
Larangeiras, provincia de Sergipo, nasceu a 3 de maio de 1827. Fez na 
Bahia sua educação litteraria até doutorar-se em m dicina em 1852, sendo 
na faculdade considerado como um dos primeiros estudantes por soa 
intelligencia e applicação ; e e3tabelecendo-93 depois na villa de S. 
Bento, do MaranhSo, ahi cazou-se, e exerceu sua profissão até 1869. 
Passando á capital desta provi ncii, foi empregado como medico da policia, 
do serviço de saúde militar, da cadeia, e do hospital da misericórdia, 
sendo também commissario vaccinador da freguezia de Nossa Senhora da 
Victoria. Escreveu : 

— Ultra vera est, Dvtalis an orgânica *doctrina : these para o dou- 
torado em medicina. Babia, 1852 — Em sua these toda escripta em 
latim, sustenta a doutrina do vitalismo. 

Consta-me que é de sua penna o liyro intitulado : 

— As sociedades secretas. Maranhão, 1881, 130 pags. in-12 «-E* um 
livro contra a maçonaria. No ultimo capitulo, qu3 tem por titulo Summa 
contra os maçons, nega o autor, que a maçonaria seja uma sociedade 
beneficente ; que faça o que recommenda o evangelho : dar a esmola com 
tanta reserva, que a raSo direita não veja a esquerda ; que a igreja não 
tenha o direito de condemnal-a, etc. Esta obra traz as iniciaes C. J. 

A.iitonio (Scipiâo d.ai Silva «Xucâi — Natural da pro- 
yincia de Alagoas, nasceu na cidide de S. Miguel de Campos em 1835, 
sendo seus pães o capitão Francisco Joaquim da Silva Jucá e dona Fio- 
ripes Felicia da Silva Jucá. 

Depois de cursar algumas aulas de humanidades, deu-se ao funcciona- 
lismo publico em sua provincia, aproveitando as folgas que lhe deixam os 
trabalhos de sua repartição para dedicar-se ao cultivo das lettras, e sobre- 
tudo da litteratura amena, e escreveu : 

— Harpa desafinada : poesias. Bahia, 1860 — E* uma cellecção de suas 
primeiras composições poéticas. 



JL-N 313 

— Melodias e distracções: poesias. Maceió, 1871 — Este volame foi 
applaudido pela imprensa da proyincia, oade me parece qiio se limitou a 
distribuição delle, como ó de estylo, e por isso passam desapercebidas, 
muitas vezes, producçSes litterarias de bastante mérito e interesse. 

— A maçonaria e a igreja, Maceió, 1871 — Depois de ter o autor 
feito uma conferencia publica sobre este assumpto, na qual defende a 
maçonaria de ataques que lhe são feitos, publicou esto trabalho, em 
virtude do qual lhe foi conferido o grau 18 pelo Oriente unido dos bene- 
dictinos. 

— Os amantes disfarçados : comedia em um acto — Ainda nSo foi 
impressa ; mas foi representada no theatro de Maceió com muito ap- 
plauso. 

— Pelos Santos se beijam as pedras : comedia — Idem . 

— Os três dominós :' comedia ^ Idem. 

^^ S cenas escolares: comedia — Idem. Estas comedias tem sido 
levadas á scena de 1870 a 1876. 

— Diversos discursos — pronunciados como orador da loja maçónica 
Perfeita amizade alagoana, publicados no periódico Labarum^ órgão da 
maçonaria. Maceió, 1784 - 1876. 

•^Flores e lagrimas : romance — Inédito. Este romance ó escripto 
sobre um facto veridico ao gosto do Raphael de Lamartine ou da Grasiela, 
e intercallado de versos . 

Depois de seu segundo volume de versos, Silva Jucá tem publicado 
muitas poesias em avulso, algumas das quaes tem sido reproduzidas dos 
jornaes de Alagoas para o Eco americano, o Jornal do Recife, e outros. 
Entre estas poesias conheço as seguintes: 

— Plus ultra. Imprensa e vapor -^ No Liberal^ de Maceió, em outubro 
de 1871, e no Eco americano de 31 de maio de 1872. 

-^ Ao Brazil, Alerta! — "í^o Liberal, 1873. 

— Saldanha IfarinAo — No periódico Palavra, 1876. 

— José de Alencar — No Jornal das Alagoas^ 1877. 

— O General Osório ( por occasião de sua morte ) — No Liberal^ em 
outubro de 1879. E* oíTerecida á redacção deite jornal. 

Tem sido attribuidas a Silva Jucá, não sei com que fundamento as 

— Bernardiadas ou a fraude eleitoral de Sant*Anna de Ipanema: 
poema heroi-comico- satírico. Maceió, 1882 — Este poema tem por as- 
sumpto as eleições á ass3mblóa geral legislativa, em 1881, do 5o districto, 
em que foi dado o diploma de deputado ao bacharel Bernardo de Men- 
donça Sobrinho, sendo pela camará reconhecido outro como deputado. 

A.ntonio (Secioaso HCoireira. de Sá» — Natural do Rio 
de Janeiro e nascido a 3 de fevereiro de 1833, fez o curso da faculdade 
de medicina, onde se doutorou em 1858, e estabeleceu-se como clinico na 
cidade de Campos de Goitacazes ; d*ahi passou para a corte, onde reside, e 
se tornou notável sectário das ideias, ditas ultramontanas, por occasião da 



3i4 .fi:^ 

questSo, chamada rdUgiosi», que abaloa o ca^olicisiHo brazil^irp, ds- 
crevea spbre este assumpto alguns artigos no periódico Apostolo^ e mais : 

— Acçâkí do coração na circulação do sangue. Quaoa as forças que 
presidem a circulação do sangue? Das causas do parto. Propriedadâs 
geraes doa corpos : thaau inaugural. Rio de Janeiro, 1858, 99 pags. 
in-i^ com três estampas . Sei que é das theaes mais importantas, soa- 
tentaJas na ííBusuldade da corte. 

-~ A missão na cidade çíe Campos. Rio de Janeiro, 186S1 — Vam repro- 
duzida em 5 números do Correio Mercantil do dito anno. E* diWdida am 
cinco capitules. 

— Necessidade absoluta do ensino da philosophia catholica nos somÍT 
narios apiscopaes : memoria offeracida ao episcopado brazileiro. Rio de 
Janeiro, 1866, 13Q pags. in-8^ -^ Esta obra termina com uma pro- 
testação. 

— O Zuavo da liberdade. Rio de Janeiro, 1872 ^ Esta obea, am que 
o doutor Seciozo exalta a cúria romana, d^fendendo-a de castas accur 
saçSes, ó precedida do uma carta firmada pelo bispo do Rio da Janeiro 
dom Pedro M. de Lacerda, a de uma carta que o autor dirige a monsenhor 
Esberard. 

-^ A sombra de Luthero : refutaçSo da pastoral do padre Lathero. Rio 
da Janeiro» 1873. 

— As corporações religiosas no Brazil : raflexSes sobre sau estado a 
reforma. Rio da Janeiro, 1876, 103 pags. in-8.9 

A.iitonio de Senna; UCadureiírai » Natural da provincia 
da Bahia, onde nasceu em 1841, foz no Rio de Janeiro o curso de astado- 
miior de primeira classe, e recebeu o grau de bacharel em mathematicas 
e sciencias physicas ; e seguindo a carreira militar, assentou praça em 
1858, foi promovido a alferes alumno em 1859, a segundo tenente em 
1861, a primeiro tenente om 1862, capitão em 1867, major em 1875, e 
tenenta-coronel em 1880. 

Tem exercido diversas commissões importantes no império, a também 
na Europa e serve actualmente como membro da secção de trabalhos gra- 
phicos no archivo militar ; é official da imperial ordem da Roza, caval- 
leiro das do Cruzeiro e do Christo, condecorado com a medalha da cam- 
panha do Paraguay e escreveu : 

— A guerra do Paraguay : resposta ao senhor Jorge Thompson, autor 
da guerra do Paraguay, e aos annotadores argentinos D. L^wis e A. 
Estrada. Rio de Janeiro, 1870, 334 pags. i 11-80, com uma carta. 

— Manuscripto de mil oitocentos sessenta e nove ou resumo his- 
térico das operações dirigidas pelo marechal do exercito Marquez de 
Caxias na campanha do Paraguay por Brasilicus. Rio de Janeiro, 1872, 
180 pags. in-8<» — Esta obra também foi attribuida ao coronel, hoje bri- 
gadeiro, José Basileu ^eves Gonzaga. Ent^ra a ^mmansidada de publicaç5es 



bri^zileiras sob pseadoDympfl h^, com ignal pseudonymo, uma, que qSo sei 
si pertence a este aator, isto é : 

— As f>ictimas da sitaaçSo 5 de janeiro por Brasílicas. Riq de Ja- 
neiro, 1880. 

-^ Estudo ^obr^ a organização militar do^ prinçipaes Estados da 
Eurppa, apresentado ao ministério da guerra. Londres, 1874,— Trata da 
necessidade de um exercito permanente, das instituições orgajUicas, df^ 
organizaçSq do exercito de diy^sos paizes o do brazileif^. Escripto. em 
c^mprimento de orden^ do governo este trabalho, o autor, vendo que 
depois se deram modifícaçôes e aperfeiçoamentos importantes no exercito 
do muitqs dos Estados, de que trafara, um doç quaes, a França, bavifl, 
apenas assentado as bases preliminares de seu novo syst^ma militar, re- 
^Iveu-se a escrever : 

— Estudo da organização militar dos Esfcidos europeu^^ apresf^ntado 
ao ministeriq 4a guerra, liOndres, 1876 — Trata da or^anizafão militar 
na Allemanha, na França, na Áustria, na Itália, Rússia, Inglaterra 9 np 
Brazil . E* um complemento necessário ás mais importantes modificações, 
eíTectuadas de 1874 em diante, 

TTi Experiência de tracção com artilharia de campanha : relatqvio 
apresentado ao commando geral de artilhada — Não me constei que 
sahisse pablicado, pelo menos em avulso. 

Ha algumas plantas levantadas por esse official, além das plantas do 
theatro de operações da guerra do Paraguay, levantadas com outroS| 
e é exclusivamente sua a 

— Planta da estrada entre o Rosário e Santo Estanislau cqvfí indica^ 
doa trabalhos feitos afim dq melhor al-a. Dezembro de 1869 — No archivo 
militar. 

^i^tonio da (Silya; — Nasceu na cidade da Bahia em 1639 e 
falleceu nos últimos annos dQsec^lo XVII. 

Depois de estuda^ aa aulas dq humanidades no coUegio dos jesuitas de 
sua província, foi presbytero secular e licencifido em cânones, e pas- 
sando- se para a provi^cia ^e Pernambuco, ahi foi provido no beneficio 
de vigário collado da freguezia do Gorpo-Santo, do Recife. Foi um dos 
mais notáveis p eloquentes pregadores do Braz|l. Alguns dizeo^ que na 
ppreza e elegância da linguagem rivalisou muitas vezes com o padre 
António Vieira, e que nSo foi inferior a Monte- Alveriie, S, Carlos e An- 
tónio de S4. Escreveu : 

— Sermões das tardes das domingas de quaresma e (lo Manda^, 
pregado? na matriz do Recife de Pernaxpbpcq. Lisbqa, 1675. 

— Oração fúnebre das exéquias da serenissima princeza do Brazil 
D. Isabel Luiza Josepha, pregado pa igreja da l^isericprdia da cidadq de 
Olinda aos 5 de fevereiro de 1691. Lipboa, 1691. 

— Sermão das exe^uiu* do bispo de Pernambuco, do Matheus, etc . 
Lisboa, 16**. 



316 A.1V 

-^ Memórias da vida e acçSes d3 dom Estevão, bispo do Brazíl, ete. 
— Inéditas. Possuia o manuscripto destas memorias o padre António Cae- 
tano de Souza. 



A.ntonio da» (Silves Ooirreiai « Filho de Manoel Dias da 
Silva e de dona Gatharina Rodrigues, nasceu em S. Paulo em 1658 e 
falleceu em 1728. 

Doutor em direito pela universidade de Coimbra, foi ahi professor mui- 
tos annos, e depois entrando para a magistratura, foi desembargador da 
casa de supplicação, corregedor do eivei na corte de Lisboa, conselheiro 
do ultramar, e presidente deste tribunal, logar que exercia na ôpoca de 
sua morte. Foi de uma caridade excessiva, e muito parco no viver, só re- 
servando de seus vencimentos o que era absolutamente indispensável 
para sua subsistência, e escreveu : 

— Postulas das leis gallicas — Não sei si esta obra foi impressa, on 
si existe manuscripta em alguma bibliotheca. 

A.nto]iio da» (9ilT'ai «Xa>irdiiii — E' natural de Capivary, 
villa da provincia do Rio de Janeiro, e formado a 30 de novembro de 1882 
em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo, em cuja capi- 
tal já exercia o professorado na escola normal. Muito applicado álitte- 
ratura desde o oomeço de sua vida de estudante e também poeta, 
escreveu : 

-« Ideias de moço : ensaios. S. Paulo, 1878 — Contém este volume três 
ensaios de Silva Jardim, a que se seguem € Um grito nas trevas, conto > e 
mais outras poesiss de sen coUega e amigo Valentim Magalhães. (Ve- 
ja-se António Valentim da Costa Ma*galhães.) 

— O general Osório, S. Paulo, 1879 — Depois da biographia que o autor 
oíTerece a um filho do general e á briosa provincia do Rio Grande do Sul, 
acha-se ahi uma poesia do mesmo Valentim Magalhães. 

— A gente do mosteiro (no anno passado). S . Paulo, 1879, in-4.o 

— A critica de escada abaixo. Porto, 1880 — Não vi esta obra; 
deu-me delia noticia um amigo meu, promettendo-me mostral-a, o qne 
não cumpriu. 

— Relatório apresentado ao presidente da provincia do Espirito Santo 
sobre a historia e resultado da propaganda do methodo de leitura JoSo de 
Deus. S. Paulo, 1882. 

— A comedia: publica^ diária. Proprietários Valentim Maga- 
lhães, Silva Jardim, Gustavo Júlio Pinto Pacca e Adolpho Carneiro de 
Almeida Maia. S. Paulo, 1881, in-fol. 

A.ntonio da tSIlva Netto — E' natural da provincia da 
Bahia, e engenheiro civil pela escola militar. Sectário das novas doutri- 
nas do espiritismo, tem-B3 d3do muito ao estudo delias ; fundou e redi- 
giu a 



A.N 317 

— Revista espirita : publicação mensal de estudos psychologicos, feit^i 
sobre os auspicios de alguns espiritas, contendo os factos das manifesta- 
ções dos espiritos ; noticias relatiyas ao espiritismo ; transeripções da 
doutrina espirita ; os ensinos dos espiritos relativos ao mundo visivel e 
inrisivel; sobre sciencias, sobre moral^ sobre a immortalidade da alma, so- 
bre a natureza do homem e seu futuro ; a historia do espiritismo na anti- 
guidade ; suas relações com o magnetismo e o somnambulismo ; a expli- 
cação das lendas e crenças populares, da mythologia de todos os povos, etc. 
Rio de Janeiro, 1875 — Sahiu o i^ folheto em janeiro deste anno, e de- 
pois mais cinco números formando um volume de 204 pags. in-4.<^ 

S2o também de sua penna muitos artigos do periódico Republica, em 
que coUaborou, e os opúsculos seguintes: 
-^ Ligeiras reflexões politicas , Rio de Janeiro, 1861 , 15 pags. in-4.o 

— Formula mais effectiva para a solução dos bancos de emissão. Rio 
de Janeiro, 1864, 24 pags. in-8.o 

«- A coroa e a emancipação do elemento servil . Rio de Janeiro, 
1867. 

-^Segundos estudos sobre a emancipação dos escravos. Rio de Ja- 
neiro, 1868. 

— Estudos agricolas de ensino gratuito: appello dirigido a todos os 
municipios da provincia do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1876, 43 
pags. in-8.<' 

— Requerimento á assembléa provincial do Rio de Janeiro. Rio de Ja- 
neiro, 1876, 10 pags. in-8o — Versa sobre o mesmo assumpto. 

A.iitoiiio da SilT-eira Oaldeira — Irmão do doutor 
João da Silveira Caldeira, de quem occupar-me-hei opportnnamente, nas- 
ceu na cidade do Rio de Janeiro e aqui falleceu em 1854. 

Foi proprietário rural e depois negociante matriculado da praça do 
Rio de Janeiro e membro da directoria da mesma praça ; den-se com pai- 
xão a estudos mecânicos, aperfeiçoou alguns instrumentos aratorios, e 
tratava de resolver o problema da direcção dos balões aereostaticos, quan- 
do falleceu. Era official da ordem da Roza, commendador da de Ghrísto« 
e da de S. Gregório Magno, de Roma, e escreveu: 

— Memoria sobre um novo methodo de preparar o café, precedido de 
algumas noticias históricas sobre o cafeeiro, seu fructo e sobre os diver- 
sos modos de o preparar, seguidos até o presente. Rio de Janeiro, 1843, 
in-fol. 

A-ntonio Simplioio de Salles — Nasceu na cidade da 
Campanha, Minas Geraes, a 15 de fevereiro do 1830 e falleceu no Rio de 
Janeiro, afifectado de febre amarella, a 6 de janeiro de 1858. 

Formado em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S . Paulo, 
exerceu o cargo de secretario da policia em sua provincia. Versado 
na língua grega e deyotado á historia e á litteratara, conhecia Heródoto, 



âl8 AN 

âomdfo, 6ttiipedeã, áòphocles, o desrentiirado Oftsian e oaboB poeUs ce- 
lebres da primitiva Éécossià ê da Grocia. Foi Bocio h oradoir dó Ensaio 
^hilofiôphico paulistano, ó um dos mais decididos sustentadoréb da ideia 
da dÍTÍã&o lia provinda de Minaó, cteándo-se a proviàciá èul-minéira, 
ém cojo sentido escrevBU : 

«- Memoria sobre a divisSò da provinda de Minas óeraes offer acida á 
câmara municipal da cidade da Campantia. S. Paulo, 1^4, 12 pags. 
ih-4<>— O isenador Óandido Mendes £az mençSo deUa no seu atlas do impé- 
rio do brazil. 

— Manifesto aos habitantes das três comarcas, de Sapncahy, Rio-Ver- 
de, e Tres-Pontas, e do munidpio de Lavras. S. Paulo, 1854, iii-4^ — 
Gomo orador do Bnsaio philosophico escreveu diversos discursos, e 
na Remsta Litteraria, jornal da mesma sociedade^ acham-se alguns arti- 
gos seus, já em prosa, já em verso, como: 

'^Ossian (prosa) — Vem na serie 2*, n. 3. 

m 

— Ode ao dia sete de setembro — Idem, n . 5. 

— O adeus de Hermann : poesia — Serie 4^, pag. 134. 

— O cavallo de Mazeppa : poesia — Serie 5*, pag. 115. 

Aj&tonio ISoAres d.e Souasa «Junioir —Nasceu na Pa- 
rahyba do Sul, província do Rio de Janeiro, a 7 de abiil de 1851, filho 
de António José Soares de Souza e de dona Margarida Soares de Souza. 

Em 1869 matriculou-se na antiga escola central, d*onde em 1871 se 
retirou para a sua cidade natal ; ahi fundou o Agricultor^ de que foi re- 
dactor em chefev passando, por occasiSe do désapparedmeiíto dastéi a 
collaborar no Eleitor ^ e, poeteriormentei na Iiepwblíea\ de ei^ redaci^ 
faz parte. 

Membro do partido r^ublieanoi occupou varias vezes cargos ée elei- 
ção popular, e foi trabalhador infatigável desde os mais tenros abnos, 
cultivando com successo todos os ramos da litteratura. Durante t» 
annos académicos publicou, editadas pela easaOarnier, as seguintes obras: 

-^0 Pamdego. Rio de Janeiro. 

— O bom do senhor Leitão-. Rio de lAhôiro. 

-is^ti^òHtòis jdc^o». Riòde Jaheiro — Sahii^aúi estes &o« liviros sob o 
pseudoi&ymò dó Kóth Junidt-. Publicou n&áis : 

^ Um par de galhetás ': comedia, itio de Janeiro. 

— Os sete peccados mortaes: drama. Rio de Janeiro — Foi represen* 
tado pela primeira vez na corte em julho de 1882. 

Soares de Souza tem publicado muitas poesias em dirôrsos periodi^ 
cos e tem colleccionado um volume com o titulo: 

'-^Alma negra r poesia)! — que será dado á luz em principios de iA4. 
Deste VoluDote Imsbuo pore^pti^Beguliitd põem com o titulo iiãff»ir^ 
cai-à: 



Levara aquellá hoitó a ikitrepida creança 
Ao Bom da Marselhesa erguendo a barricada ; 
Vibravam-Ihe no olhar uns risos d'alvorada, 
Suavissimos clarões da luz de uma esperança. 

Viera trabalhar trazendo ainda a lembrança' 
Da máe que além deixara afflicta e desolada; 
Vinha raiando a Ihz da argêntea madrugada, 
Quando ali começara á hórrida matança. 

Súbito uma descarga òuyiu-se ; e ha trincheira 

A' rubra luz do fogo a máscula bandeira 

Da republica ondeou garbosa ao vento, emquanto 

EUe, de pé, sa^udava a França. . . Eis senão quando 
Viram-no vacillar. .• depois cahir cantando: 
Allons enfants. . . a bata interromperá o canto. 

^ntbkiio de ÍSoUsea BCartins — E' natural da província 
do PiAuhy, e formando-isé em sciencias sociaes é jurídicas na faculdade 
de Perhàihbubd, entrou na carreira dà magistratura, serviu diversos caV^ 
g08 até ò de desembargador, em cujo exercício se acha na relaçSo de Por- 
to Alegre, como prèdidente da mesma rélàçãó ; e dó conselho de súa lúa- 
igeétade o Imperador e escreveu : 

— IMice alphahetíco das leis dà província da Pàrahyba, publicadas 
de 1835 a 1874. Parahyba, 1875, ín-4.o 

-^ Compilação das leis e dos actos do pod^er executivo em vigor nó 
Brazil Bobré recursos. Rio dè Janeiro, 1879, 327 pags. in-8.o 

A^ntc^nio de Souza í^into — Nasceu na cidade do Porto, 
reino dé Portugal, em 1843 ; veiu para a província de Pernambuco em 
1858, e naturalisou-se cidadSo brazileiro em 1875. 

Durante iquatorze annos exerceu nesta província o logar de sub-biblio- 
thecario ào gabinete portuguez de leitura e aproveitando as horaís, que 
tinha de liberdade, pô le fazer o curso de preparatórios, e mati*iculár-se 
na faculdade de direito em 1870, recebendo ahí o grau de bacharel eni 
1874, éntregando-se depois ao exercicio da advocacia, eni que sé con- 
serva. Escreveu : 

— Sarpejos da mocidade : poesias. Recife, 1864. 
—^ Ideias e sonhos : poesias. Lisboa, 1872. 

— Echos democráticos. Recife, 1869 — E' uma compoaição poética énâ 
alexandrinos, publicada sob o pseudonymo de Victor dé Larra. 

— Theatrò. S. Ltiiz, 1865 — NSo vi este livro, è por isso hâto '*eí 'q\iè 
composições theatraes contém elle, como seu titulo parece indicar . 

— A mulher perante a historia : conferencia publicada sob ob auspí- 
cioa da ma^^nària pernambucana. Pernambuco, 1875. 

-^ A politica monarchica : conferência feita no theatro de Santo Antó- 
nio em ti de junho de 1880, e mandada publicar pe!o dub democrata dò 
Recife. Recife, 1880. 



320 wáLl^ 

— O judeu errante : drama de Eagenio Sae, traduzido e aceommoda- 
do á acena do thealro de Santo António do Recife — onde foi representado 
em 1873. Creio qae não foi impresso. 

— S, Benedicto : drama de grande apparato, composto para a Phenix 
dramática do Recife — onde foi representado em 1872 e 1873 e depois em 
outros theatros do império, a principio com aquolie titulo, e depois com o 
de Monge Negro^ como o intitulou o actor e escriptor Júlio Cezar, ha 
pouco &llecido, que fora encarregado do mi se en scene. Collaborou nesta 
obra João Zeferino Rangel de S. Paio, de quem tratarei adiante. 

— Santa Clotilde : drama em quatro actos e onze quadros — - também 
escripto para a Phenix dramática, ahi representado e inédito. Accusado o 
autor por haver escripto esta peça e a precedente, tSo contrarias ao seu 
conhecido moJo de pensar, escreveu elle : 

— Cartas a Rangel de S . Paio em resposta ás Cartas a Souza Pinto 
— Quer n*umas, quer n*outras occupavam-se os dous litteratos de 
elevada critica dramática, âliando-se ambos na escola de que Sarcey assu- 
miu a direcção. Em uma das missivas de Souza Pinto, publicada na Pro- 
vincia^ tratan^lo do drama Sete Passos, se lê o seguinte : 

< Talvez objecte o digno emprezario que uma grande parte do publico 
gosta de ver essas cousas, mesmo assim imperfeitas, como se lhes podem 
dar ; e que o equilibrio das finanças da empreza traz comsigo necessida- 
das inelutáveis. Sim, éisto até certo ponto verdade. E foi attendendo a 
estas razões que eu já por duas vezes mo tornei cúmplice, como agora o 
doutor Carneiro Villola, em dous attestados revelados contra a boa arte, 
tâk) pouco entendida e amada pela maioria dos frequentadores do theatro. 
Mas, quando a pedido do meu amigo Thomaz Espinca escrevi o S. BenC' 
dictOf em que tu, meu amigo, tomaste tSo grande parte, e por encom- 
menda do senhor Vicente Pontes escrevi a Santa Cletilde^ ambos para 
mim de tristíssima memoria, nem sequer me passou de leve pela mente 
que taes peyas podessem apurar os sentimentos religiosos de uma popu- 
lação, jade si tâo religiosa. Seria injuriar o bom senso dessa população, 
que tanto respeito. O que ou sabia ó que nestes dous trabalhos de occa- 
sião iam duas flagrantes falsificações da boa arte, falsificações commodas 
e relativamente fáceis, porque nSo têm sancçAo no código penal ; mas 
contra as quaes a minha consciência de artista mudamente protestava no 
meio da indigência limpa, em que até hoje tenho vivido.» 

— > Vida e administração de Sebastião José de Carvalho e Mello. Re- 
cife, 1882 — Este livro foi publicado por occasifto de ser commemorado o 
primeiro centenário do Marquez de Pombal. 

São da penna de Souza Pinto o prefacio do drama Doutor Alberto^ 
de Annibal Falcão, publicado no Recife em 1877, e a introducção da edi<* 
ção dos Sonetos de Camões^ feita em Portugal pelo gabinete português 
de leitura de Pernambuco para commemorar o tricentenário do poeta. Na 
imprensa periódica redigiu : 



AJS 321 

— O Trabalho r publicação periódica por António de Sonza Pinto e Ge- 
nerino dos Santos. Recife, 1873, in-fol. 

— > O Diabo a quatro : reviata infernal. Recife, 1875 a 1879, in-4o, 
illastrado — Houve outroi eomo Annibal Falcáo, de quem já tratei, na 
relacçâk) desta folha ; foi porém elle, o principal e também proprie- 
tário. 

— O Democrata : orgSo do club deste nome. Pernambaco, 1880 a 1882, 
in-íòl. 

A-ntonio T*aT-ares da» Oo9ta — Natural da pronncia 
do Maranhão, commandou um vapor da companhia de navegação do 
Piauhy, e 83 acha actualmente na corte, segundo me consta. 

Escreveu : 

— r Relatório da viagem de exploração emprehendida no alto rio Par- 
nahyba, feito e apresentado ao gerente da companhia de navegação a 
vapor do Piauhy, pelo commandante do vapor Conselheiro Junqueira^ etc. 
Theresina, 1874, 29 paga. in-4.<^ 

A-ntonlo T*eixetra <la Roolia, Barão de Maceió — Fi- 
lho de Manoel daimiro da Rocha e de dona Joanna Maria da Conceição 
Rocha, nasceu na cidade de Alagoas, antiga capital da província do mesmo 
nome. 

Fez todo curso da faculdade de medicina da Bahia, onde recebeu o grau 
de doutor em 1846, e dapois de exercer por muitas annos a clinica em sua 
província, se passou para o Rio de Janeiro, em cuja faculdade obteve 
por concurso o logar de oppositor da secção de sciencias cirúrgicas em 
185S, e em 1859 o de lente substituto da mesma secção, passando depois 
a lente cathedratico do anatomia geral e descriptiva. Repres^^ntou na 
camará temporária a provinda das Alagoas ; é medico da imperial ca- 
mará ; cirurgião da santa casa da misericórdia ; do conselho de sua ma- 
gestade o Imperador ; cavalleiro da ordem la Roza e c ommendador da de 
Ghristo de Portugal. Ainda estudante d9 medicina foi sócio effectivo da 
sociedade de medicina, da sociedade instructiva, da sociedade bibliotheca 
clássica portugueza, todas da Bahia, o escreveu alguns artigos em perió- 
dicos de lettras, como : 

-r Escravatura — No Musa^co da Bahia, 1845, ns. 3, 5 e 9. 

— Os vicios — No Crepúsculo, tomo3<>. pag. 21. Est3 escripto nSo foi 
concluído por ter cessado a publicação deste periódico. Escreveu depois: 

— Princípios de philosophia medica : these para obter o grau de dou- 
tor em medicina (seguida de proposições sobre os diversos ramos do ensino 
medico). Bahia, 1846. 

— Infecção purulenta : these apresentada á &f*uldade de medicina do 
Rio de Janeiro como primeira prova de concurso a um logar de oppositor 
da secção d(3 sciencias cirúrgicas, etc. Rio de Janeiro, 1858. 

— Hérnias inguinaes : these apresentada á faculdade de medicina do 



3B2 AM 

Rb de Janeiro, como primeipa prova de coneorso a am logar 4e lonie 
sabstituto da secçflo de sciencias oirurgicaa, etc. Eio de Janeiro, 1859, 

•iv Dúaurio pronunciado na camará dos «onhoree depotados «m umÊão 
do 20 demarco (i$73). Rio de Ja&eiro, 1873, in-8.» 

A^ntonio rFelleA da. Silva. GcLmliiiieL de Hf ene» 

9se(9, Marquec de Rejtehde — Filho de Fernando Telles da 8ilva Caminha 
e Me nezcB, Marquez de Penalva e da Marqaeza do mesmo titulo, naseea 
em Torres -vedras, Portugal, a 22 de setembro de 1790, e íalleceu em lis- 

boa a 8 de abril de i875. 

Aobava^se no Brazil por occasiSo da independência, Aqaal adberiui 
serviu como ministro do Braicil nai cortes de Paris, de S, Petersbqrgo e 
de Vienna, e depois como mordomo-mòr da imperatriz viuva ; era gentíl- 
homem da imperial camará ; grã-crus da ordem da Rosa e da de Christo ; 
grS-erus da ordem da Torre e Bspada e da de N, 8. da Conceição da 
Villa Viçosa, de Portugal, e da ordem da Coroa de Ferro, da Áustria ; ea- 
valleiro da ordem de S. Jo5o de Jerusalém | sooio da academia real daa 
sciencias de Lisboa e da de Munich, da academia franceza de industria 
agricola, manufactureira e oommercial, da sooiedade real de aayegaçSo 
de Londres* da sociediule de esiatlstica universal, ele. 

Escreveu i 

— Eclaircissements historiques sur mes negotiations relativos au 
afaires de Portugal, depuis la mort du roi don Jean VI jusqQ*a mon ar- 
rivóe en France comme ministre prés de cette eour. Pana, 1832, 245 
page, int8,<> 

•V Obgervações acerca de uma passagem da OraçSo fúnebre de B. M. 
o Imperador do Brs%il, o senhor dom Pedro IV, como rei de Portugal e 
Duque de Bragança, recitada pelo exm.o e revm.<^ sr. arcebispo eleito de 
Lacedemouia. Lisboa, 1835, 20 pags. )n-4.® 

— Elogio hiitorico 4e S, M, imperial o senhor dom Pedro, Duqne 
de Bragança, pronunciado na academia real das sciencias de Lisboa em 
sesslio ordinária de 13 do julho de 1836. Lisboa, 1837, 94 pags. in.8% 
com o retrato de sua m:)R< stade r« Foi este elogio depois ampliado consi- 
deravelmente, ad4icionando*lhe o autor mt^itos e impor tantissimos doca* 
mentos inéditos, novamente apresentado e lido é academia, qne deterá 
minou que fosse dado á publicidade, como o foi em Lisboa, 1867. 

— J)09çripção e recordações históricas do paço e quinta de Quelua — 
Foi publicada no periódico Panorama^ tomo 12^, Lisboa, 1855, pags. 29, 
77 o 210, Neste periódico ainda se acham outros escriptos do Marqnez de 
Rezen4 e. 

— U Itimos momentos da rainha D. Estephania'- Foi dado & es» 
tampa na Jllustração lusa^brazileira^ ed*ahi transcripto no Par^m^nto 
de 15 de setembro de 1859. 

— Elogio histórico de José de Seabra da Silva, pronunciado na seesSo 
pat>liçA ds {içadomia real das soienciaa de U^boa em iO d^ fnaroo d^ 1861. 



i 
^ 



AW 

LisboA, (861, 76 pags. io-4% com O petPftto lithogrP^phado de Joiíó da 
Seabra da Silva » Esta obra sabia também nas Memorias da lueaxiiia aça» 
de mia, tomo 3o, serie 2.» 

^ Memoria histórica de dom frei Franoifloodô S* I^qíz Saraiva, monge 
benediotino, cardeal p{i,t;rͣ^rcIiA da Lisboa, etc., Urs^de aeu^ escriptost 
l^campanbada de notas e pegas justificativas a offeraoidê á academia raM 
das sciencias de Lisboa» Lisboa, 1864, 205 pags, ia"4<>i cqqxo retrato da 
frei Francisco Saraiva, e diversas estampas. 

^^Discur$o de Mr. Thiers, d^puMo pop Paris, na sessSo do corpo 
legislativo em 3 de maio de 1866 sobre as ac^uf^es e importantes questões 
aUemS e itaUaiia, Traduzido em portuguez e acompanhado da pots^a expli» 
cativas. Lisboa, 1866, 28 pag^. in*8.o 

^ Titulo de Aug^sto r^ E' um^ uota historico-philologica, appeusa 
á versão dos Fastos de Ovidio por Castilbo, tomo 1», pags, 478 a 499, 

Consta^me que existem ainda algumas obras do Marquez da Rô^ende, 
das quaes me faltam as precisas indicações para aqui dal-as. 

A-ntonio T*elles d.» SilvP' Xjo1::»o — NSo resta duvida 
que era brazileiro, nato ou naturalisado, pois qUe era tenente-coronel no 
Brazil em 1825, (juando escrevo a (e só por isso o conheço) sua 

— Resposta do teneute-coronel António Telles da Silva Lobo á corres- 
pondência inserida no Eospectador n. 16, assignada O cabeça de forco. 
Rio de Janeiro, 1825, 4 pags. in-folio. 

A-utonio Xolentinio lueg^al — Nasceu em Ajurnóca, 
província de Minas Geraes, e falleceu na província do Rio de Janeiro 
pelo anno de 1868 ou 1869, yictima de um envenenamento, segundo 
consta. 

Presbytero secular do habito de S. Pedro, parochiou muitos annos como 
vigário collado a freguezia de S . João Baptista do Arrozal, sendo ahl tam- 
bém vigário da vara e inspector parochial da instrucção publica, ató 1863, 
e desta freguezia passou á da Conservatória. Era cónego honorário da Qa- 
pella imperial e cavalleiro da ordem de Ghristo, e escreveu : 

— Oração fúnebre nas exéquias do illustrissimo senhor capitão-mór 
José de Souza Breves. Rio de Janeiro, 1845, in-S.^' 

A.ntoiiio da. Xi*iiid.ade A.ntunes HCeira. ^eniri- 
quês — Natural da província da Parahyba, e formado em sciencias so- 
ciaes e jurídicas pela faculdade de Pernambuco, entrou para o serviço da 
magistratura, e, depois do tirocínio que a organização judiciaria do paiz 
prescreve, exerce q cargo de juiz de direito da comarca d^ Campina- 
Grande em sua província, onde escreveu : 

— Resposta do juiz de direito da comarca de Campina^Grande ao rela- 
tório do doutor chefe de policia Manoel Caldas Barreto, sobre 09 gigvi- 
mentoa sediciosos, havidos nesta província, apresentado i^o presidaRta dft 



( 



N 







324 AJS 

mesma, doator Silvino Elvidio Carneiro da Canha em 23 de feyereiro de 
1875. Parahyba, 1875, 57 paga. in-4.* 

A.n tonto Valentim da Oosta Iklagrc^lluLes ^ Filho 
de António Vahntim da Costa MagalhSes e de dona Maria Castodia Aires 
Meira, naacea no Rio de Janeiro a 16 de janeiro de 1859, e é formado em 
sciencias sociaei e juridicaa pela facaljade de S. Paulo, concluindo o res- 
pectiro curso em 1881. 

De^de o começo de aua vida escolástica se dera ao cultivo das lettras, 
escrevendo muitos folhetins e variados artigos quer em prosa, quer em 
verso, no Amo/ador, jornal humorístico, de propriedade e redacção de seu 
tio Gaspar Alves Meira, no qual estreara aos quatorze annos de idade, e 
depois em vários orgfios da imprensa periódica da oôrte e de S. Paulo, e 
publicou ainda : 

— Ideias de moço: ensaios. S. Paulo, 1878. (Veja-se António da 
Silva Jardim.) 

— O general Ozorio. S. Paulo, 1879 — Contém a biographia do general 
por Silva Jardim, e uma composiçSo poética por Valentim Magalhftes. 

— Cantos e luctas : collecçSo de versos. S. Paulo, 1879. 

— Colombo e Nené: poemeto. S. Paulo, 1880 — Esta obra é ofere- 
cida a dona Maria Quitéria Alves Meira, tia do autor. 

— A vida de seu Jucá : parodia á € Mohte de D. João » de Guerra Jun- 
queiro. S. Paulo, 1880— Este livro é dividido em três partes, escripto 
em estylo humorístico, em versos de metrificação diversa, tendo o autor 
por collaborador seu irmSo A. H. de MagalhSes. 

— Quadros e contos. Rio de Janeiro, 1882 — Acham-se neste livro col- 
leccionadas diversas narrativas alegres. 

Redigiu : 

— Entre-actos : publicaçSo periódica, illuslrada. S. Paulo, 1881 — 
Foi sou companheiro nesta publicAçSo Ezequiel Freire. 

-^ A comedia : publicação diária. Proprietários Valentim Magalhães, 
Silva Jardim, Gustavo Júlio Pinto Pacca e Adolpho Carneiro de Almeida 
Maia. S. Paulo, 1881. 

Além de uma colhcção de folhetins tem promptos a entrar no prelo : 

— O equilibr-sta : romance de costumes. 

— Novas poesias. 

Ha finalmente de sua penna vários escriptos de menor fôlego, sendo 
alguns já publicados, como : 

— O Êsquisitão : romance «> publicado na Gazeta de Noticias da 
corte de 22 de novembro de 1880. 

— Canção do exilio de François Coppée — publicada no Almanah 
das Senhoras^ de Lisboa, para 1882, pag. 225. 

A.ntonio de 'Vasconoellos Meneaees de r>i*u- 
ihkond — Filho do brigadeiro Gaspar de Menezes Tasconcellos de 



AN 325 

Drumond e dd dona Anna Maria do Sacramento Rigneira de Drnmond, nas- 
ceu em Pernambuco a 30 de agoeto de 1819 e ahi falleceu peloannode 1876. 
Promptj de preparatórios, foi para a França em 1837 com inte.içSo de 
estudar medicina, mas por moléstia de que 8o£freu, sendo obrig^ado a 
yoltar á pátria, matriculou-se mais tarde no curso jurídico de Olinda, onde 
íòrmou-se em 1849 e recebeu em 1861 o grau de doutor, tendo d^^pois igual 
grau pela universi lade de Rostock. Inscrev u-se para dous concursos á vaga 
de subst tuto da faculiade de direito, sendo nomeado lente substituto em 
1863 e em 1871 lente cathedratico de uma das cadeiras do 4o anno ; serviu 
antes disto o logar de procurador fiscal e dos feitos da thesouraria de fa- 
zenla ; era cavalleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição da Villa 
Viçozi, de Portugal ; sócio correspon lente da associaçSo dos advogados de 
Lisboa ; do instituto histórico de Pariz ; do instituto histórico do Rio de 
Janeiro, do da Bahia é do do Maranhão ; da sociedaie auxiliadora da 
industria nacional ; da sociedaie tiberiana de Roma — e escreveu : 

— Theses e dissertações — para o grau de doutor pela faculdade do 
Recife, para o grau de doutor pela universidade de ^Rostock que não foi 
impressa, e para dous concursos . 

— Compendio de historia romana^ vertido do francez. Pernambuco, 
1847. 

— Discurso que na faculdade de direito do Recife aos 23 de julho 
de 1861, por oc asiSo da coll ção do grau de doutor ao bacharel António 
de Vasconcellos Menezes do Drumond, pronunciou o mesmo bacharel. 
Recife, 1861, 39 pags. in-4<> — Foi publicado com outro discurso pro- 
nunciado no mesmo acto por seu padrinho no doutoramento o doutor Braz 
Florentino Henriques de Souza. 

— Discurso que por occasiSo de abrir o curso de direito natural na 
faculdade de direito do Recife, a 16 de março de 1864, recitou, etc. Per- 
nambuco, 1864, 13 pags. in-4.^ 

-~ Prelecções de direito internacional com referencia e applicaçSo 
de seus principies ás leis particulares do Brazil até 1867. Pernambuco, 
1867, in-8.0 

— Prelecções de diplomacia com referencia e applicaçSo ás leis parti- 
culsres do Brazil até 1867. Pernambuco, 1867, in-8.® 

— Prelecções de direito pátrio. Pernambuco, 18.., 2 vols. — Esta obra, 
assim como as theses e astros seguintes, não pude ver. Vejo-as mencionadas 
em uma relação dis obras do doutor Drumond, que me foi obsequiosamente 
enviada por um honrado representante de Pernambuco na camará tem- 
porária. 

— Biographias de homens i Ilustres nas lettras, sciencias d artes no 
Brazil. Pernambuco, 18** — Parece-me que sahiram quatro opúsculos. 

— Breves apontamentos sobre o elemento servil do Brazil, coUigidos 
de diversos ^sciptos. Pernambuco, 18**. 

— Apontamentos sobre o processo criminal do Brazil. Pernambuco, 
1867, 32pagB.in-8.o 



/ 



4 



-^ iítf^wM iolfr$ úi biBpó$i dommaxidAnM dM armaa, e chefes de 
policia de Pernambuco até 1867. Pernambuco, 1867» 24 pagi. in-^.^ 

— Discurso proferidú no cemitério inglez no eetimo dia da morte do 
general Lima. Recife, 1869« ( Veja^e José Ignacio de Abrea Lima. ) 

«- Elenco das líietimas da colera^morbns na capital de Pernambaeo^ 
dnranko o mee de ferereiro de 185ô« extra hido do lirro tefeeiro dos asses" 
tamedUMi de óbitos do cemitério publico. Pernambuoò, 1856. 

^^ Mappa demonstrative das distancias entre as fregaeaias da pro» 
Tinoia de Pernambuco pelos caminhos mais curtos. Pernambuco, 1856. 

>^ Mappa demonstrativo do numero dos eleitores, que dere dar eada 
parochia da prorincia de Pernambuco, de conformidade eom o ariso n. 139 
de 18 de junho de 1849. Pernambuco, 1856. 

Da relação já mencionada, escripta por um parente de doutor Drtt« 
mond, consta que deixara elle inéditas t 

— Analyse dos artigos da reforma judiciaria. 
-«- Analyse de código commercial braxileiroi 
*-« Analyse do código criminah 

— Esboço de um código civil para o Brasil. 

•^ EsttMlo analytico da lei de 28 de setembro de 1871. 

— Prelecções de direito romano. 
M* Preleofões de direito publico i 

A.li tonto Vab Pinto OodllxO da Ouiilaa-^Nas- 

oeu em Sabat'd4 província de Minas Geraes, e é formado eúi Scienctaa 
Bociaes e jurídicas pela faculdade de 9. Paulo; representou stia pro* 
yincia na 13^ legislatura, de 1867 a 1870 ; exerce ft advocacia na cidade 
de Juii de Fora, Minas QeraeSf e escreveu : 

^^ O Coração de ferro^ intendente dos diamantes : romance de tempo 
colonial. Rio de Janeiro, 1873. 

•«■ O Garimpeiro : drama» Rio de Janeiro, 1880 -^ Tem sido repre- 
sentado cem applausoB,* muitas vezes, em theatros de sui provincia< 

Ha muitos trabalhos seus na Reforma da corte, no Liberal de Mináa e 
na Oaueia de Juis de Fora. 

António Vicente <lo NASCtntento F^eitoaEa» — 

Filho de Vicente Fen*eira do Nascimento Feitosa e de dona Anna Maria 
do Nascimento Feitòca, nasceu na cidade do Recife, capital de Por^ 
aambucoí a 10 de junho do 1816, e ahi falIecDU a 29 de março de 1868. 

Deu os primeiros passos para o estado ecciesiastico, mas retrocedendo, 
matricnlou-se na faculdade de Olinda, na qual recebeu o grau de doutor 
em Boiencias sociaes e jdridicas em 1840, três annos depois de badhare^ 
lado. Dedicando-se ao exercício da aivocacia, de que foi um dos mais 
bellos luzeiros, servia diversos cargos como o de promotor publico do Re- 
cife» o de procurador fiscal da thesoararia provincial, e o de professor de 
philosophia do lyceu pernambucano ; foi depqtado por saa proviAcia 



AN a» 

Idlrislatti^ do 1863 e ddpoLi aprésentodd par dUAii rezes á eofòa pftfft se- 
nador do império. 

O doutor Feitoía era offlcial dà ordem da Roza ; foi fundador e por 
Uoitos annos orador do instituto archeologioo e geographico pernambucã» 
tio, em euja revista se publicaram diversos discttrsõs seus, e politico de 
convicções firmes, foi um 'dos vultos mais notáveis da revolução de 1849 é 
escreveu muito em prol de stias ideias sem que entretanto se descuidasse 
âtmca dé cultivar as lettras e as sciencias, como attestam seus escriptos 
publicados no Diário do Povo^ Argos Pèt*nainbuóanò, Cõnêtitucional 
Pernambucano^ Cidadão^ Progressista, Themis Pernambucana, Orieiv* 
iêf de que elle redigiu a parte politica, Direito^ jornal de jurisprudência 
de sua redac^flo, § /mpr^n^^f, jornal politico e social que elle também fe^ 
digitt em sua tdtima phase. De seus escriptos citarei : 

— OofnfnêVítario sobre o titulo 10>, parte 1\ do Código dõmmercial bra- 
sileiro. A jurisprudência pátria. O movimento dos tribunaes do psAt e 
estrangeiros. Discussões sobre a legislação pátria e a estrangeira, eto. 
— No Direito, 

— Nepotismo e áfilhadagêiH no fôrOi Necessidade de reforma dos iri* 
bunaes do commercio, principalmente pelo defeituoso de seu elemento 
leigo. O espirito mercantil, que assenhoreou-se do foro. O jogo immoral, 
resultante de certas relações de amizade e parentesco entre advogados e 
juizes. Considerações sobre a organização social •-« e outros trabalbòs quê 
encheriam um bom volume. Na Themis Pernambucana, jorilal de 
jurisprudência cojo primeiro numero foi publicado a 86 de agosto de 1865. 

-* A altivei do homem do poto, A degradação do homem do povo. Um 
tratado de phllosophia ao alcance de todos. Algumas questOes politicas ft 
económicas. Esboços biograpkicós de artistas celebres -^ e Uma grande 
eoUecçSo de trabalhos sobre diversos ramos de litteratura, como romances 
e poesias, traduzidos de Vários autores^ oançôea allemas, etc. No Ci^ 
dadão, jornal philosophioo e Uttorario, que oomeçott h Ser publicado a 2 
de outubro de 1853. 

'^ Hefotma eleitorai, Bleiçko directa-^ Vem no volume com este*^" 
IttlOi pubUcado pelo baoharelA. H« de Sousa Bandeira, fteoife, "^^ 
(Veja^se António Herculano de Souza Bandeira, l.«) 

Publicou em arulso alguns discursos e trabalhos juridlcos ^ ^^^^on 
inéditos : 

— Tratado sobre as letras de cambio. 

— âétmaò sobre O mysterio da Santíssima Trindade P^ Soesuet : 
traduCçftO. 

•^ ffãgmentõ tdbfe o Apocalipse. 

-* Tradueçãó das Reoitationeê de Heineccio — >• ^ *^* ^^* ^^^ *•** 

— Traducção de Monsambré. 

iktttonio Vlotof a^ mé, Bt»'^*'®*^ •*- Nasceu na pro- 
víncia d« Pernambuco, sendo seu pai o ''^^^^^ António Pedro de Sá 



326 i^lH 

Barreto c(ae fora commandante das armas por muitos annoa nesta pro- 
víncia e &Uecea em 1881 . 

Fez na «"scola militar o curto do estado-maior de primeira classe, ser- 
vindo alguns annos como official do respectivo corpo, exerce o cargo de 
engenheiro chefe do trafego da estrada de ferro do Recife ao Limoeiro, e 
escreveu : 

— Ituzaingo : historia da campinha de 1827. Noticia do coronel An- 
tónio Pedro de Si Barreto, veterano da independência, por nm filho sen. 
Pernambueo, 1873, 22pag8. in-4.o 

A.ntonio Vieira. Borsr^s — Ignoro sua naturalidade, assim 
como a época de seu nascimento ; de seu óbito só sei que • tivera logar 
no Rio de Janeiro depois de 1850. Presbytero secular e sacerdote illas- 
trado, foi monsenhor da capella imperial e examinador synodal ; fez aqui 
parle do corpo diplomático estrangeiro, como encarregado dos negócios 
de Roma, e escreveu : 

— Méthodo pratico de fazer o septenario doloroso. R'ode Janeiro, 1844, 
in-8o — Talvez algumas obras ainda existam deste autor. 

António Vieixra da. Soledade^ Nasceu em Elvas, Por- 
tugal, e falleceu no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1836, havendo 
por tanto engano na noticia de Innocencio da Silva, que o dá nascido em 
Lisboa, e mirto em 1833. 

Muito joven, vindo para o Rio de Janeiro, professou na ordem dos fran- 
ciscanos, onde leccionou escriptura ; secularisando-ee mais tarde, foi 
cónego da capella real, pregador régio, vigário geral do Rio Grande do 
Sul e vigário da freguezia, hoje cathedral de Porto Alegre ; depois de 
acclamala a constituição, que abraçou com sincera dedicação, foi monse- 
nhor da capella imperial e senador pela dita provincia na installaç&o do 
[enado, estando já eleito deputado e com assento na camará . 
Iscreveu muitos sermOes, mas só vi publicada a 
Oração fúnebre que nas exéquias do serenissimo senhor infante de 
B^Spnha, dom Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, almirante general 
da mi^}^|^ portugueza junto á real pessoa, recitou na igreja de Santa 
Rita déN. c^ri-e ^o dia 8^ de julho de 1812. Rio de Janeiro, 1812, 31 
pags. in-T 

Frei ^^^1^2^ ^jji^ Vlrgreitt Maria Itapaxriear — 

Chamado no aecV António Joaquim da Silva e filho de Francisco José da 
Silva Tavares e ^ona Anna Joaquna de Jesus, nasceu na ilha de Ita- 
parica, provincia dá^hi^^ ^ 15 de outubro de 1813, e falleceu com mais 
de sessenta annos. 

Foi religioso franciív«o, cujo habito recebeu a 2 de outubro de 1830 
no convento da Bahia ; iril^Q j^ theolo?ia do curso aberto era 1839 e di- 
rector do mesmo curso ; leiA^j^^i^^patíco de theologia dogmática do se- 






s 



I 

I 



I 



AN 329 

minario archiepiBCopal ; professor dd philosophia em alguns coUegios ; 
pregador imperial, e notável orador, occa.iava a tribuna quaresmas in- 
teiras, sem que entretanto desse á pnblfcldade, ou colleccionasse seus 
eloquentes discursos. Escreveu diversos artigos no NoticiadorCatholico^ 
e na Semana Religiosa da Bahia, e um 

"^Compendio de philosophia. Bahia, 18** — NSo pude ainda ver 
este livro. Em nenhuma bibliotheca da corte o encontrei, nem pude 
obtel-o do doutor S. Romero, qu3 delle fez desfavorável menção em sua 
Philosophia no Brazil. 

F*x*ei A.1Í tonto da 'Vix*g'eiii Bfaria Munias — Nas- 
ceu na província da Bahia, e recebeu as ordens de sac3rdote regulir na 
ordem dos carmelitas, si me não engano. Nada mais pude apurar a seu 
respeito e do sua penna só conheço um sermão, que é o seguinte : 

— Oração ffratulatoria que no solemne Te^Deum celebrado no dia 2 
de julho de 1843 recitou na cathedral da província da Bahia, etc. Bahia, 
1843, in-4.o 

A^ntonio 'VTf truvio Pinto Bandeira e A.ooioli 
de "Vasooncellos — E' natural da província de Pernambuco, e 
bicharei em sciencias júri liças e sociaes pela antiga academia de 
Olinda, cujo curso concluiu em 1851 . 

Muito cedo, nos biucos d i academia, lhe amanhecera a vocação para a 
vida dl imprensa, e depôs de sua formatura teve ella theatro mais amplo: 
deu-se á imprensa pol tica, á imprensa social, á imprensa litteraria, quer 
em redicção singular ,quer em collaboração de jornaes, e o instituto archeo- 
logico p^^rnambucano, installado em 1862, é lembrança sua com a associação 
dos doutores José Soares de Azevedo, Joaquim Pir s Machado Porteila e 
António Rangel Torres Bandeira e major Salvador Henrique de Albu- 
querque. 

Por occasiSo de se crear o curso commercial pernambucano, em 1860, 
foi nomeado lente da cadeira de contabilidade, escripturaçSo e operações 
commerciaes, daisando assim utn 1 )gar, que exercia de escripturario e que 
obtivera por concurso, na thesouraria provincial, logo depois d) ultimado 
sen curso académico ; em 1867 foi nomeado chefe de secção do consulado 
provincial, e em 1873 passou a inspector da thesouraria, logar que ainda 
exerce. Escreveu : 

— Lesghir : romance — No Album^ revista scientifico-litteraria de cuja 
redacção fez part^, encarreganio-S3 principalmente da secção litteraria. 

— Sessenta annos depois : romance — Idem. O assumpto éda his- 
toria de Portugal e subre o episodio de Alcacerkebir . Depois de alguns 
capítulos d iizou de sair por cessar a publicação do Álbum . 

— Ta^toraf o ; romance. Pernambuco, 1850 —> Nesta obra se desen- 
volve a these da influencia da localidade natal sobre o moral do homem 
em seus actos da vida pratica. 



MD 

'^Êello èéòSò: periódico litterafioi Kèéife, 18S0 «-i^ O dcmtor '^tfti'- 
ylo foi editor e principal redactor desta roristft com 21 coUaborftçSo de Apri- 
gio QuimArSea, é mais oatros coilegas. Sahia mensaimente em livraçSes 
de 16 paginas, e delle maitos artigos foram transoriptos no jornaliamo de 
Pernambuco e de outras províncias. 

^CoimopoJifa.' folha péfiodlcMi Pernambuco* 1644 «-i Foi o unico 
instituidor e redactor de^ta folhA, ondO á propósito do acCidente dò Artú- 
gante tratou longamente dA immigraçfio portuguesa lio pais sob seus 
dififerentes aspectos, profligando o abandono das autoridades nesse ramo 
do serviço, em que a especulação feria os brios da nacionalidade portu- 
guesa. 

^Paginas saGro-hibliofffãphicaB *" Nd Diãriú de PátHàmbuoo, 1857 
a 1858 < 89o biographiaft de santos da igreja catholiéa, tradUsidas de di«> 
versos esorlptóres franceses 1 O erudito A. P. de Figueiredo, que ee 
Ostentava livre em assumptos dè religifto, disse que taea escriptoa se 
podiam ler pelo fundo e pela traducçSòi Neete mesmo Diário^ ha ainda 
diversos trabalhos do doutor Witruvio, como os dous seguintes : 

— Exposição dos festejos que se físeram em Pernambuco por occasiSo 
da vieita que sua magestade o Imperador fe^ i esta prõtiiicia* 1859. 

— lUmalhetê : eerie de artigos -^ de um lyrismo euave e eadeacioso, 
apreciaveie pela dicçSo, imagens e penaamento. 1867. 

— A propósito de uma annotaçSo dd general Abreu Lima á biographia 
do Visconde de Asurar a pelo oommendador A. J. dé Mello. Pernàm- 
bttcoí 1872 -^ Foi antes lido este trabalho no instituto aroheologieo pef- 
feiambucanoi e publieado no referido diário. 

»^ Compêndio de êserípiíi^façaa mêroMtil^^lnoáiU). ^ 
^Compendio dê aríthmetioa commerciat *^ Idem. Eites ddUs eom^ 
pendids, cdmpostos sobre as obras didaoticatf de Bertrand e Kttinger, 
foram trabalhoii n qtte lef od-o a falta de ontrds accommodadói ás matérias 
complexas, de que foi lento, e não foram impressos por ter sido extinoto 
o ourso commeroiali quando o iam ser. 

•^ Theoria ê ttpplieajfão do impostd eobré capital -^ E' uma tradudçSo da 
obra edonomidA de Menier, que o doutor Witruvio tem actualmente entre 
mSoe. 

Apolinário Pot^to A^le^re -^ Natural de Porto Alegre, 
capital da província de S. Pedro do Sul, nasceu a 29 de agasto de 1844. 

Habilitaio nas matérias da iUstruççlU) primariai e em Algumas da 
instruoffto seoundaria* dedieou^e ao magistério e dirige actualmente um 
internatoi o instituto brasileiro) na «idade de seu baeeimento ( dá^-se ao 
eultivo da litteratura amena, é ultimamente ao da liflguistioa ; íbi tim dos 
fundadores da primaira aisociaçfto de lettras que posaae ena proWnciai o 
pantheon litierariO) e usando habilmente do pseudonymo Iriima^ iem 
escripto : 

^Bromelias: poesias. Porto Alegre, 1874 • 



»1 

^ Tumutoê í poesian. Potio Alegre, 1861 . 

— Chame Japhet : drama ém três acbíl. Porto Aldgre, 1866. 

•^ Os filhoi da desgraça : drama em quatro actos e um prologo. Porto 
Alegre, 1874 «^ Por ôausa de enrolver qaedtões relativas á escravidão, 
íbi este drama em 1869 prohibido de ser levado á scena, pelo entlo Chefe 
de policia J. Coelho Bastos. 

-^ SensitUá : dratâa em três actos . Porto Alegre, 1873. 

***Làdfõès da honra : drama em trds actos e cinco qúàdrõs. Porto 
Alegre, 1875. 

— Muíhefês : comedia em quatro acto^. Porto Alegre, 1873. 
^Epidemia politióá i comeiia Om (quatro àCtòs. Porto Alégrô, 1674. 

— Benedicto : comedia em um acto. Porto Alegre, 187^^ 
»— O vaquèano : romanôe. Porto Alegre, 1872* 

~~ Feitiço de tín* heijoi i romance. Porto Alegre, 1873. 

— Paizagens : coôtos. Porto Alegre, 1875 — E* um VOlutoô dê 863 pa- 
ginas, contendo Ds seguintes contod ! Mandinga. Pilungo. Os biazelros 
de tia Anastácia. O valeiro. O Tapera. O monarchâdas COChilhas. 
Gonstituè o primeiro numero de Umá publicaçflo mensal de qué é editor 
J. J. d' A vila, com o titulo de Bibliotheca rio-grandense. 

*^OcirÍòulo do pastoreio í romaflce. Porto Alegre, 1875 — Só vi 
publicado o 1<> volume, que forma o terceiro numero da menôiònadA pth 
blicáçáo até d anno de 1881 . 

-— Dialecto braiileird^ du a evolaçáo dd portuguei na Amerioa ^ Inédito. 

— Origens ãrpdnas do guarany «^ Id'im. Apolinário Porto Alegre teiâ, 
além destas inéditas, algumas compósitos dramáticas ^ assim òomd ttm tfA- 
balho sobre a historia de «ua província, da qual tem feito tathbem estudo 
particular, sobretudo do que é relativo á ref dluçâo de 1835, e tdm algubs 
escriptos em revistas e jornaes, sendo mais notável sua 

— Morphologia aryo-guaraniHca *^ qUe vetíi nft Oaâéta dê Part1$ AU- 
^e, AS. 65, 86, 98^ 99, 109, 111^ 112, 127 e 129. 

A.pi«l8'io Justiniaitio dia fSllva GI-uiiiiAx*fibes >*^ 

Nasoett na provinda de Pernambiioo a 3 de janeiro de 1832) e falleceu a 
8 de Setembro de 1880, sendo seus pães o brigadeiro José da Silvtt Qoi» 
marfles e dona Francisca Mareolina QuimarSeSi 

Bacharelado em direito em 1851 pela academia do Recife, M nd anão 
seguinte despachado para o logar de secretario dd governo do Ceará, pro- 
víncia, que representou na camará temporária de 1854 a 1856, como 
deputado supplente, e que também lhe deu uma cideira em sua asiembléa, 
assim como o fez sua província natal na legislatura de 1854 a 1855, e na 
de 1863a 1864. Depois de receber o grau de doutor, sustentando theses em 
i856« apresentou-se a quatro oonoursos suecessivos para um logar de lente 
substituto na faculdade de que era filho, obtendo ser provido no ultimo 
concurso em 1859, e sendo nomeado em 1870 lente oathedratico de direito 
civil, de que passou depois a lente de economia politica. 



332 

Muito versado nas scienciaa de direito, orador distineto e eseríptor ap- 
plaudi lo, foi um dos ornamentos da congregação académica lo Recife e 
um dos mais fortes baluartes das ideias lib^^raes ; exerceu d3 1855 a 1859 
o cargo de ofBcial-maior da secretaria do tri )unal do comm-^rcio de Per- 
nambuco ; foi sócio e orador do instituto archeologico pernambucano e de 
outras associações de Lettr.iSt e escreveu: 

— ThesBS apresentadas á faculdade de direito afim de obter o grau de 
doutor. Recife, 1856 — Além destas ha as theses de concurso que nunca 
pude yer. 

— Propriedade litteraria : histórico e sustentação de um projecto a 
re^vpeito, apresentado á camará dos senhores deputados em 14 de agosto 
de 1856. Recif s 1859. 

— Lições sobre a infallibilidade e o poder temporal dos papas* Recife, 
1860 — Consta«me que esta obra foi reimpr ssa com a seguinte: 

— Estudos sobre o ensin) publtco. Recife, 1860-1861, 2 vols. in-4.® 
^^ Discurso lido na sessão sol emne do atheneu pernambucano. Per- 
nambuco, 1860, 13 pags. in-8.o 

— Discurso ao assumir a regência da cadeira de direito ecclesiastioo. 
Recife, 1861. 

- — Discurso de abertura do curso de direito publico e constitucional. 
Recife. 1864. 

— Saldo contra o paiz ( primeira conta corrente ). Reflexões politicas 
de Marco António R3cife, 1866, 37 pags. in-8^— B^te oousculo e os 
douB seguintes são escriptos de censura aos actos do ministério, de que 
era entá > chefe o Marquez de Olinda. 

— Saldo contra o paiz ( segunda conta corrente ). Reflexões politici)/i de 
Marco António. Recife, 1866, 39 pags. in-8.<' 

— > Saldo contra o paiz ( terceira conta corrente ). Reflexões politicas de 
Marco António. Recife, 1866, 28 pags. in-8.o 

— A liberdade de consciência : discurso pelo orador do instituto ar- 
cheologico pernambucano na sessão solemne do gabinete portuguez de 
leitura, etc, dedicado aos leitores da OpintVfo liberal. Recife, 1869, 
21 pags. in-4<» — Na introducção desta obra, depois de declarar o autor 
que advoga a liberdade de consciência e de cultos, e de fazer considerações 
neste senúdo, assim se exprime: cSou catholico, apostólico romano e a 
Deus imploro a graça de morrer tal ; mas isto para mim nunca significou, 
nem jamais significará que eu veja em cada padre um santo, em cada 
pontífice um senhor universal, dispondo do céo e da terra, deciUndo tn- 
fallivelmente do espiritual e do temporal, impondo ao mundo o seu 
Syllabus politico, fazendo-se arbitro das nações. » 

— > Discurso depois do memento mandado celebrar pelo partido liberal 
de Pernambuco na matriz de Santo António do Recife em commemoração 
do illustre Joaquim Nunes Machado e seus companheiros nas lutas da 
revolução de 1848. Recife, 1866, 13 pags. in-4.<> 

^ Ditcursos e diversos escriptos . Recife, 1872, 445 pags. in-4«— 



333 

Contém este volume uma collecçSo de trabalhos, anteriormente publicados. 

— Jesuitismo e catkol cismo por Fábio Rústico. R*cife, 1873, 203 pags. 
in-4o — Q* escripto por occasiSo da questão religiosa, levantada pelo 
bispo dom frei Vital, assim como o seguinte : 

--^ Jesuitismo em Pernambuco: a ontamentos históricos e philoso* 
phicos. Pernambuco, 1873, 173 pags. in-8.o 

— Ensa o dramati CO : ^VLJi-^B Machaio. Recife, 1874 — Foi levado á 
scena pela primeira vez n'uma festa patriótica e liberal, rsalizada a 11 
de abril de 1874, sendo nesta occasiSo o autor enthusiasticamente 
applaudido. 

— Luiz do Rego e a posteridade : refutação '^o que acerca de Luiz do 
Rego Barreto, capitão general de Pernambuco, escreveu em uma memoria 
o conr'go doutor J. C. Fernanies Pinheiro. Pernambuco, 1876. 

— Memoria histórica académica. Recife, 1876, in-4.« 
-^Faculdade de direito do Reoife, Ab^itura do curso de economia 

politica AOS 15 de março de 1871. Recife, 1871, íq-4.o 

— Faculdad? de direito do Recife, Discurso ni ceremonia de collaçSo 
do grau de doutor aos senhores José Joaquim S'?abra Júnior, José Maria 
Metello e Franc'sco Gomes Parente pelo padrinho doutor Aprigio Jus- 
tiniano da Silva Guimarães. Recife, 1878, in-8.<^ 

— Faculdade de direito do Recife. Discurso pelo doutor, etc, ao 
assumir a regência da cadeira de economia politica aos 16 de junho 
de 1879. Pernambuco, 1879, 12 pags. in-8.o 

— Faculdade de direito do Recife, Discurso de encerramento do curso 
de economia polit ca em 1879. R cife. lS79, in-8.o 

— Sessão acodem ca de 28 de fevereiro de 1879 : discurso, etc. Recife, 
1879, 16 pags. in-8.o 

— A p edade suprema de Victor Hugo : paraphrase dedicada a H. Capi- 
tulino. Recife, 1879, 15 pags.-— E' prece lida esta obra de uma carta a H« 
Gapitulino, e escripta em estylo biblico, quando o autor se achava em 
Jaboatão, já doente e em uso de reme âos. 

— Carta ao doutor Ray mundo Hjnorio da Silva. R^^cife, 1880, 34 pags. 
^ Versa sobre questd3s de peiagogia, e é sua ultima publicação. 

Entre seus escriptos publicados em revistas litter irias ctarei : 

— AnaJyse cr tica do opúsculo € Conferencias sobre a paixão de Jesus 
Christo pelo paire Ventura, tra luzidas pelo monsenhor Joaquim Pinto 
de Campos » — Sahiu no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, 1856, s )b o 
pseudonymo Agrippa. Neste jornal ha outros artigos de sua penna e sob 
o mesmo pseudonymo. 

— Apontamentos de economia politica — Na Revista litteraria^ 
tomo 2", 1879 e 1880. 

— Recordações da mocid<ide e columnas eléctricas : ensaios críticos 
acerca dos costumes da mo údade brazileira — No Domingo^ Recif s 1859. 

— Biographias de hom'^ns notáveis de Pernambuco e de outras pro- 
víncias — No Jornal do Recif e^ 1859. 



m 

^ Á politÍG(i no Brasil BBgnndo nm profestor 4e di? eí|o -« N o iV^o«« 
mundo, yol. 3S novembro do 1872. Tratftudo o periódico ApoMtolo âns 
tristes ocaarrdAciM dadai em PorQambaoo pQf occasiSo da queelSo, deão* 
minada religiosa, disse : < O senhor doutor Api*iffio Guimar&es é o príii- 
cipal autor de tio tristes acenas. H» muito se declarara inimigo da igr^a 
e tomou a si a missSo de insultal«i e aos bispos em suas missivas para o 
Novo munio, > Mas a feiacçSo desta revista affirmou, respondepdo a 
semelhante imputação, que apenas recebers^ do doutor Aprigio Guimaries 
este artigo, versando t£o somente sobre politica g^ral. 

— Inexactidões de dous recentes escriptos relativamente aos movi* 
mentos de 1817 e 1824 -i^- Na Reyista do instituto afcheologico pernam- 
bucano, tomo Is pags. 519 a 534, Os dous escriptos, a que se refere, 
são : a < Historia da fundaçSo do império brasileiro pelo conselhoirp J. M* 
Pereira da Silvai, e uma memoria do doutor A. Pereira Pinto. 

— Breve memoria lida n» sessSo solemne 4o instituto aroheologico 
pernambucano a 27 de janeiro de 1873 — Na mesma Revista n. 75, março 
de 1877, pag. 66 e seguintes. 

-^ Breve elogio académico áo doutor Vicente Ferreira do Rego — Na 
Bevista Nacional, S. Paulo, 1877, n. 3» 

— João de Souto-Maior ou o delirio de um patriota : drama histórico 
nacion^ em cinco actos e um probgo — B' precedido de alguin^s con- 
siderações sob o titulo da Advertência, Só q prologo, que tem por titulo 
O reieo carrasco^ vi publicado na IllustraçSo kravleira^ !<> vol. 1876. 

Como este drama, Aprigio GaimarSes deitou inéditos ; 

•-^Esboço biographico de Jofio de Souto-Maior, e sua familia. 

*- Os meus ensaioê dramáticos: escriptos comprehensivos de incidentes 
e factos da imprensa, relativos a Nunes Machado e JoKo de Souto. 

-« Breve noticia dos personagens históricos que figuram no drama JoSo 
de Souto-Maior — Bstes personagens sSo: frei Joaquim do Amor Divino 
Caneca, Manoel Caetano de Almeida e Albuquerque, António Carlos Ri-« 
beiro de Andrada Machado, Domingos José Martins, padre Miguel Joaquim 
de Souza Castro, José Luiz de Menezes, Francisco do Rego Barros, Seba»- 
tifio do Rego Barros e padrQ Venâncio Henrique de Rezende. 

— Estudos de economia politica — E* uma volumosa obra, escripta 
para servir de compendio nas duas faculdades do império. O autor es- 
perava ap provação do governo, afim de dar publicidade a seu livro, 9 
effectivamonfcd já se achava elle na secretaria do império ; mas a morte 
não lhe permittiu fazer a publicação. 

— Algumas observações — Não sei sobre que versa eete fseripto. 
O doutor Aprigio GuimarSes redigiu : 

— Pedro II. Ceará, 1851 a 1853 — Este jornal se publica desde 1847 
até o presente, mas o doutor Aprigio só o redigiu durante esta época em 
que exerceu o cargo de secretario do governo, tendo entretanto antes 
disto coUaborado para elle. Esta publicaçSo ainda hoje continua no seu 
IS* amo. 



mm 4 Opinião N(ioional : poUtioa liberal. Reoifo 1867-1S79 — Foram 
também da radaeçSo António Hangal Torrei Bandeira e Joflo Coimbra. 

— A Madressilva : rerista litteraria ' especialmente dedicada ás 
senhoras, sob oa aospicioe do doutor Aprigio Justiniano da fiilva Guima- 
rães. Recife, 1870. 

A.px*igrlo ifartiní» da ]ICeiteae« -*• Filho de Olimpio 
José de Meneses e de dona Virgínia Martins de Monezes, naaoeu na ci- 
dade da Bahia, M U^ q qutbo da medicinai recebendo o grau de doutor 
em 1867 ; e passando-se para o Amazonas, tem sido nesta provincia depu- 
tado provincial em diversas legislaturas, e f jí aleito deputado geral na 
legislatura de 1881 a 1884, não sendo porém reconhecida sua aleiçfio pela 
camará. Escreveu : 

^ These que sustenta perante a faculdade de medicina da Bahia para 
obter o grau de doutor «m medicina* Bahia, 1867 — Contém uma disser*^ 
taçSo sobre fracturas em geral e proposições sobre i OperaçSg cesárea • 
suas indicações. Asthma, Familia das palmeiras, 

— Névoas matutinas; poesias, Bahia, 1868 — autor tem ainda 
muitas composições publicadas em avulso, e muitas incitas. 

— Relatório apresentado ao presidente da provincia do Amazonas, etc. 
sobre a commissSo, de que foi encarregado no rio Negro. Manáos, 1875| 
38 pags. in-8o — Trata-se de uma commisiião medica. 

^rcelino de Queiroz luima. — E' natural da provincia 
do Ceará, bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de Per- 
nambuco, e^cerce o magistério, si me nlio engano, em sua provinçiaf e 
escreveu : 

r-' Compendio çlçmentar de gepgraphia gerai e especial do BraxU. 
Ceará, 1873. 

«Ajristid^s OesOiX* iSpinoto g Sa n aa ^ Nasceu em Cae^ 
teté, provincia da Bahia, sen4o seus paes o doutor Aristides Zama e 
dona ftita Spinola Zama. 

Doutor em medicina pela faculdade de sua provincia, foi um dos medicoe 
que offereceram^^qe para prestar os serviços de sua proôssSo na campanha 
contra o Paraguay, para a qual efifectivamente seguiu çom outros collegaSi 
professores e estudantes da faculdade em 1865 ; tem sido muitas vezes de- 
putado á assembléa provincial, deputado á assembléa geral na 17^ legisla* 
tura de 1878 a 1881, dissolvida em 1880, e na subsequente, e escreveu: 

— These apresentada á faculdade de medicina da Bahia, e perante 
ella sustentada em dezembro de 1858. Bahia, 1858 — Contém uma dis- 
sertação sobre bebidas aromáticas, e proposições sobre : Amputações nas 
lesões traumáticas. Btheres, sua acção physiologioa e therapeutiaa. 
Oaona e suas propriedades. 

— Questão religiosa. Discuripp pronuncifidee XM AMOSUt^ite prcmnuiia 



336 

da Bahia pelos depatados doafcor Aristides Gesar Spinola Zama e doutor 
Marcolino de Moara Aibuqaerqae nas sessões de 12 e 13 de maio de 1873. 
Bahia, 1873, 62 pags. iii-8.» 

— Âssernhléa leyislatva. Discurso pronunciado na sessão de 20 de 
abril de 1877. Bahia, 1877, 19 pags. 

— Negócios da Bah a. Discurso pronunciado na camará dos senhores 
deputados de 8 de maio de 1880. Rio de Janeiro, 1880, in-4.o 

— Discursos pronunciados na camará dos deputados e na assembléa 
provincial da Bahia sobre vários assumptos. Rio de Janeiro, 1883. 

A.x*lstid.e8 F*x*anoo Velasoo — Filho do celebre pintor An- 
tónio Joaquim Franco Velasco, nasceu m capital da Bahia pelo anno de 
1820, e ahi na faculdade de medicina concluía o curso respectivo, quando 
uma desfei a ou uma reprehens&o severa de um professor o levou a suici- 
dar-se, sendo por esta occasião publicado um soneto da penna de um 
collega seu, que terminou nos seguintes versos : 

Venha o que causa foi do eztincto fio 
Desse — que honra fazia á humanidade, 
Em seu tumulo beber lições de brio. 

Um dos mais distinctos alumnos da faculdade, era cirurgiSo de artilha- 
ria da guarda nacional* e escreveu : 

— D'Scurso pronunciado na sessSo geral da sociedade bibliotheca clás- 
sica portugueza em 7 de setembro de 1839 pelo seu presidente, etc. Bahia, 
1840, 29 pags. in-4.« 

A.x*ieitid.es Oalvâo deQuef roae — Natural da Bahia e filho 
do doutor Al xandre José de Queiroz que foi professor da faculdade de me- 
dicina, éd utor emmatheniaticas e sciencias nataraes pela antiga escola 
central, engenheiro civil, membro do instituto polytechnico brazileiro,etc. 

Tem sido encarregado de diversas commis^ti^es de engenharia, como a de 
engenhe ro chefe da estrada de farro Alto Muriahé, é lente do imperial 
instituto bahiano de agricultura, e escreveu : 

— Bases para organização de uma escola normal de agricultura na 
província da B «hia, apresentadas á directoria do imperial instituto bahiano 
de agricultura. Bahia, 1880 — Teve nesta obra por coUaboraçSo o en- 
genheiro Augusto Francisco Gonsalves. 

— iS ntJiese universal e a theoria physica, mathematica da razSo : 
memoria offerecida ao instituto polytechnico brazileiro. Bahia, 1880. 

— Observações sobre alguns erros da moderna escola da barateza 
kilometrica nas estradas de ferro para serem presentes ao congresso de 
estradas de ferro do Brazil. Rio de Janeiro, 1882. 

A.x*isticle8 de Souasa Maia — E* natural da provincia de 
Minas Geraes, fez o curso de sciencias sociaes e jurídicas, formando-se na 
faculdade de S . Paulo em 1879, e escreveu : 



337 

'^Questões de direito. S. Paulo, 1879 — Como indica o titulo da 
obra, nella se desenvolvem diversos pontos de direito. 

/kristfdes de Souaea Spínola;— Nasceu na viUa, hoje 
cidade de Caetetó, na Bahia, a 29 de agosto de 1850, sendo seus pães o 
coronel António de Souza Spínola, que representou a Bahia em três le- 
gislaturas, e dona Constança Pereira de Souza Spinola. 

Para dar uma ideia da rara intelligencia que desenvolveu desde seus 
estudos de humanidades, seja-me licito aqui expor um &cto que se 
acha narrado n*uma noticia biographica no periódico a Lei^ de se- 
tembro de 1878 : Um dia leccionava philo^ophia o sábio e venerando frei 
António da Virgem Maria Itaparica, e a?itando-ae questões entre o mestre 
e seu joven alnmno Aristides Spinola, aquelle, com assombro geral, 
deixa a cadeira que occupiva, e ofiferece-a ao alumno, tomando o logar 
deste entre seus condiscípulos. Matriculando-se depois na faculdade do 
Recife, onde recebeu o grau de bacharel, ahi a sua applicaçSo e assidui- 
dade foram taes, que durante os cinco annos do curso académico nem uma 
só falta deu ! 

Dando-se ao exercício da advocacia, fez diversas excursões p^^lo interior 
de sua província, e particularmente polo valle de S. Francisco, com o fim 
de estudar diversas localidades, por onde colheu importantes notas do 
maior interesse publico ; administrou a província de Goyaz de 1879 a 
1880 ; foi eleito deputado provincial na legislatura de 1878 e na subse- 
quente, e deputado geral na primeira legislatura da eleiçSo directa, em 
1881 . Além de alguns escriptos inédito? por occasiSo das excursOes que 
fez na província, e de outros de collaboraçSo no Diário da Bahia, sSo de 
sua penna: 

^'Presidência do BarSo Homem de Mello na Bahia: excursões ad- 
ministrativas. Bahia, 1879, 209 pags. in-8<* com quatro tabeliãs — Consta 
este livro de uma collecçao de artigos publicados no Diário da Bahia^ 
sendo alguns da redacção desta folha, mas estes mesmo addicionados com 
varias notas do doutor Spinola. 

— > Relatórios sobre a administração da província de Goyaz. Qoyaz, 1879 
e 1880, 2 vols.— Estes relatórios contém grande cópia de informações sobre 
a província, e o segundo foi quasi em sua totalídad3 transcrípto no Jornal 
do Commercio. 

^Estudo sobre os indios que habitam as margens do rio Araguaya: 
memoria — em que se occupa dos indios carajás e que se acha annexa ao re- 
latório da exploração deste rio pelo eng^nhoiro J. R. de Moraes Jardim, 
publicado no Rio de Janeiro, 1880. 

-^ Orçamento do ministério da agricultura : discurso proferido na 
sessfio da camará dos senhores deputados de 13 de julho de 1882. Rio de 
Janeiro, 1882, 70 pags. in*12. 

— Elemento servil : discurso proferido em sessSo de 22 de junho. Rio 
de Janeiro, 1883, in-12. 

22 



838 

Fx*ei Aorsenio da Natividade ]l£ou.x*a — Natnral da 
província de Minaa Geraes e irmSo do padre António Maria de Moura, 
de quem já fiz memoria, nascea em Sabará a 24 de maio de 1794 e òAlecea 
na Bahia a 21 de maio de 1861 . 

Monge benedictino, professo no mosteiro da Bahia, foi am dos orna- 
mentos de sua ordem, tanto por sua grande illustração, como por saaa 
raras virtudes. Foi por diversas vezes prior na ordem, mestre de diversas 
doutrinas e o mais incansável educador dos religiosos admittidos de 1837 
em diante ; foi quem realizou no mosteiro da Bahia a creaçSo das primeiraa 
aulas, de portuguez, latim, francez e philosophia, regidas por moages 
benedictinos ; e fora da ordem exerceu o cargo de lente de historia eccle- 
liastica no seminário archiepiscopal e o de director do pequeno semini^ 
rio ou coUegio de S. Vicente de Paula, a instancias do arcebispo dom Ro- 
mualdo, seu amigo, no qual prestou por muitos annos relevantes serviços. 
Depois disto entregou-se ao mais completo retiro no seu mosteiro, a morti- 
ficações e penitenciís, e assim viveu alguns annos, morrendo como um 
justo . Era sócio do instituto histórico e geographico brasileiro ; grande 
pregador, e escreveu sermões com que poderia encher alguns volomes, 
porque multas vezes pregava quaresmas inteiras. Entretanto só foi 
publicada a 

— Oração fúnebre recitada na matriz de S. Pedro da Bahia por occsp 
sião das solemnes exéquias do excellentissimo e revereadissimo senhor 
dom Romualdo António de Seixas, arcebispo, metropolitano e primas 
do Brazil. Bahia, 1861 — Foi seu ultimo sermSo ; porque sahin do púl- 
pito para se unir na vida eterna ao venerando arcebispo, única pessoa 
capaz dê arrancai -o de seu retiro. Existe ainda de sua penna : 

— Manifestação ao respeitável publico pelos monges ^nedictinos. 
Rio de Janeiro, 1833, 48 pags. in-4<' — Consta-mo que ó também deste 
autor a 

— Memoria documentada^ offerecida á naçffò brazileira, seus augustos 
representantes e imperial governo por um brazileiro, amigo de sua pátria, 
sobre os melhoramentos ou reformas das ordens regulares, e em particular 
da dos benedictinos no Brazil, etc. Rio de Janeiro, i834« in-4.^ 

^rtlxux* de A-zevedo — Filho do cônsul portuguez no Ma- 
ranhSo David Gonçalves de Azevedo, nasceu nesta província a 7 de julho 
de 1855. 

Depois de servir como caixeiro n'uma casa commercial de S. Luiz, 
entrou para o funccionalismo publico, como amanuense da secretaria da 
presidência ; sendo porém exonerado em 1875 de seu emprego, veiu para 
o Rio de Janeiro e aqui foi provido n*um logar de amanuense da secre- 
taria da agricultura, commercio e obras publicas, onde é actualmente se- 
gundo official. Dá-sõ com fervor ao cultivo da litteratura, sobretudo da 
dramática, e tem escripto e traduzido grande numero de obras neste gé- 
nero. Posso dar noticia das seguintes obras soas: 



339 

— Carapuças. S. Lniz, 1872— • E' am volume de poesias Batyricas. 

— Na rua do Ouvidcr : epistola a Alfredo de Queiroz. Rio de Janeiro, 
1875 — Sahiu sob o titulo de Horas vagas^ I. Creio que teve segunda 
ediçSo. 

— Sonetos, Rio de Janeiro, 1876 — Sahiu sob o mesmo titulo, H. 

— O dia de finados : satyra. Rio de Janeiro, 1880. 

— Úma véspera de Reis na Bahia : comedia^pereta em um acto, ori- 
ginal : musica de Francisco Libanio Colas. Rio de Janeiro, 1876— -Sahiu 
sob o titulo Horas de humor, 

— Abel e Helena : opera cómica em três actos, escripta a propósito da 
Belle Helene, musica de Offenbach — Foi muitas vezes á scena no thea- 
tro Phenix dramática. 

—A casadinha de fresco : opera cómica em três actos, imitação da Petite 
mariée, musica de Lecoq — Idem. 

— A filha de Maria Angu : opera cómica em três actos, a propósito 
da Filie de madame Angot, musica de Lecoq — Idem. 

— Niniche : comedia em três actos ; traducção livre, musica de Mário 
BouUard. Rio de Janeiro, 1879 — Idem. 

— A princeza dos Cajueiros : opera cómica em um prologo e dous 
actos, musica de Francisco de Sá Noronha. Rio de Janeiro, 1880 — 
Idem. 

— A jóia: comedia em três actos, original e em verso. Rio de Janeiro» 
1879 — Idem. 

— Os noivos : opera cómica de costumes» original, brazileira, em trea 
actos. Rio de Janeiro. 

— Nhô-nhô : comedia em três actos, traducção livre. Rio de Janeiro. 
-^ Amor por annexins : entre-acto cómico, original, musica de Leoc&- 

dio Raiol. Rio de Janeiro. 

— Jerusalém libertada : drama phantastico em quatro actos e des 
quadros ; traducçSo com musica de Ciriaco de Cardozo. Rio de Janeiro. 

— O pimpolho : comedia em três actos de Henrique Crisafuli e Victor 
Bernard — Esta e as que em seguida menciono, não sei si foram impres- 
sas. Foi representada e muito applaudida no theatro Lucinda, em 1881. 

— A mulher do papá : comedia em três actos de Hennequin e Alberl 
Millaud ; traducção, com musica — Foi representada pela primeira vez na 
Phenix dramática a 17 d^ maio de 1881. 

— - A Camargo : opera cómica em três actos ; traducção, com mtuiica de 
Lecoq — Tem sido representada no mesmo theatro. 

— A filha do fogo : opereta magica em três actos e doze quadros, tra- 
duzida livremente e accrescentada ; musica de Offenbach, Lecoq e Ciriaco 
de Cardozo. 

— A pelle do diabo : comedia em um acto, original. 

— Os doudos : comedia em três actos, em verso — E' escripta com seu 
irmão Aluizio de Azevedo, de quem já tratei neste volume, e sahiu delia 
um fragmento na Revista dos theatros. 



340 

— Primeiras proezas de Richelieu : comodia em doas actos. Tradacção 
feita com Artbur Barreiros. 

— O Rio de Janeiro em ÍS77 : revista aatyrica e burlesca cm um pro- 
logo, tre? actos e dczeseis quadros, original, de sociedade com Lino de 
AssumpçSo e musica do diversos. 

— - O Alfacinha : scena cómica em verso, original. 

— Keller e Fagundes : dialogo cómico, original. 

— - A exposição portuguesa : monologo cómico, musica de F. de Sá No- 
ronha. 

— Anjo do mal : drama em cinco actos e oito quadros. TradacçSo 
livre. 

— O rei das areias de ouro : drama cm cinoo actos. TrsducçSo. 

— A pérola negra: drama em cinco actos e sete quadros. Traducçáo livre. 
— - As mulheres do mercado : drama em cinco actos e dez quadros, 

com musica de Carlos Cavallier. 

— As mascaras de brome : drama em cinco actos e seis quadros por 
A. d*Ennery. TrÀducçSo. 

-«- O filho de Coralia : drama em quatro actos de Delpit. TraducçSo — 
Foi levado á scena no theatro Recreio dramático e depois no theatro Lu- 
cinda a 23 dd julho de 1881. Ha outra traducçSo deste drama, escripta 
para outro theatro desta corte pelo distincto litterato e redactor da Gazeta 
de Noticias^ Henrique Chaves. 

— O Liberato : comedia em um acto, original, brazileira — Foi á scena 
pela primeira vez neste theatro a 19 de setembro do 1831 . 

— O dia e a noite : opera buffa em três actos de Vanloo e Letterrier. 
TraducçSo com musica de Lecoq — Foi representada muitas vezes no 
theatro Sant*Anna em 1882. 

— 05 três boticários : comedia em três actos de Anicet Bour^eoís. Tra- 
ducçáo — Foi representada no dito theatro a 10 de abril de 1882 pela se- 
gunda vez. 

— A Mascote na roça : comedia em um acto — Foi representada pela 
primeira vez no Recreio dramático a 15 de maio de 1882, e publicada na 
Gazetinha. 

— Coguelicot : oporá cómica em três actos por Armando Silvestre. Tra* 
ducçSo — Levada á scena do theatro Sant*Anna em julho de 18S2. A mu- 
sica desta opera é composiçSo de Luiz Varney. 

— Casa de Orates : comedia em três actos, original brazileiro dos irmãos 
Artbur de Azevedo e Aluizio de Az ivedo — Foi pela primoira vez levada 
á scena no mesmo theatro a 28 de agosto de 1882. 

^~G?nro e sogro : comedia em um acto de Labiehe, acoommedida á 
scena brazileira — I iem com a precedente. 

— A flor de liz : opera cómica em três actos, accommodada á scena 
brazileira pelos irmãos Artbur e Aluizio de Azevedo, musica de Leon 
Vasseur — Foi levada á scena pela primeira vez no theatro Sant*Anna a 
26 de outubro de 1882. 



:841 

— O anjo da vingança : peça em trea actOB, expreSBamente escripta 
para a celebre artista Gemma Caniberti — - Gollabo roa nesta obra U. Doar^ 
ke. Foi representada no theatro Gymnasio em maio de 1882. 

— Gillete de Narbonne : opera cómica em trea actos de H. Crivot e 
A. Duru, extrahida dos Contos de Boccacio. TraducçSo livre, com musica 
de E. Audran. Rio de Janeiro, 1883 — Foi levada pela primeira vez no 
theatro Sanf Anna a 28 de junho deate anno. 

— Falka(íe droit d'ainesse) : opera cómica burlesca em três actos por 
E. Letterrier e A. Vanloo. TraducçSo — Idem a 24 de agosto de 
1883. 

Arthur de Azevedo redigiu : 

— O Domingo : revista hebdomadaria. S. Luiz, 1872. 

-^Revista dos theatros : periódico dedicado á litteratura e arte dramá- 
tica — Sahiu o primeiro numero em julho d» 1879, Rio de Janeiro, sendo 
seus pricipaes redactores Arthur de Azevedo e A. Lopes Cardozo, com 
80 pags. in-lô e um retrato do actor F. C. Vasques, de quem vem ahi 
a biographia, escripta por Arthur de Azevedo. 

ikiTtlLuir Ba*x*ireiiros — Natural do Rio de Janeiro e nascido a 
29 de dezembro de 1856, cursou até o 2» anno a antiga escola central, que 
deixou para dedicar-se ao jornalismo, coUaborando para vários jomaes^ 
como a Comedia popvílar^ o Besouro^ Revista do Rio de Janeiro^ Zig^ 
zag^ Luz, Penna e Lapis^ Gazetinha^ Estação^ Mãe dê familia BibliO' 
theca romântica c Revista brasileira^ onde se acha seu estu lo sobre 

— Collocação dos pronomes — No tomo &>, 1880, pags. 71 a 83. 

— O Cancioneiro alegre de C. Gastello Branco. Rio de Janeiro, 1879, 
8 pags. in-8* gr. — E* escripto em forma de carta < ao exm®. sr. Camello 
Gastello Branco» ao ler a obra desse escriptor portuguez que por vezes 
tem procurado injuriar o Brazil em suas publicações. Póde-se avaliar a 
justa indignaçSo, de que se possuirá Barreiros, pelas seguintes palavras 
suas: « Para um cáo hydrophobo — que diabo ! — ha o veneno, ha a pedra, 
ha o pau, ha o tiro, ha o fiscal e ha a camará municipal ; e para vossa 
excellencia que ó tresdobradamente peior que deus, duzentos, vinte mil 
cfies damnados — pois nSo contente com abocanhar os vivos, inda levanta 
a perna no tumulo dos mortos — p;)ra vossa excellencia, diziamos, nSo ha 
uma poaaessSo na Africa, nSo ha quatro bofetadas, e uma dúzia de ponta- 
pés, nem síquer, ó Deus todo Poderoso ! um simples e modesto xadrez de 
policia.» 

E quem assim se exprime é um joven de educação finissima, dç trato 
amenissimo ! E* que nem todos têm bastante fleuma para ouvir e atirar 
ao merecido despreso insultos grosaeiros, embora venham eates de um 
homem de lettras, mas de um homem que se esquece que seus parentes 
deixam o seu fulgurante céo de Portugal pelo nosso céo estrelladtt de 
bananas^ e vem aqui buscar a felicidade no entrelaçamento com a cobrar 
Ihada do Brazil, com os cérebros de tapioca. 



— A prineexa Jcrgê : drama de Alexandra Damas filho. TradncçSo— 
inédita, mas representada no theatro Cassiao. 

— Primeiras proezas de Richelieu : comedia em doas actos. TraducçSo 
de sociedade com Arthar de Azevedo — idem . 

— Bellesa inmsi^el : romance — Foi pablicaao na Estação^ jornal 
de modas, 1881 . 

— Contos y biographias^ etc. — E* am volame qae o autor conserva iné- 
dito e me parece qae será dado á lume brevemente. 

A-irtliuz* Oa;X*iieix*o de Alendonça Fraiiico — B' 

natural da província de Minas Geraes, e exerce um logar na secretaria do 
senado. Collaborou, si me não engano, no periódico Cruzeiro y e escreveu: 
— - Historia de uma parisiense por Octávio Feuillet, traducçfio. Rio de 
Janeiro, 1881 — - Foi publicada sob o titulo de c Bibliotheca do Cruzeiro >, 
depois de haver sido impressa no mesmo perio iico. 

^z*tli.ux* FeiniaiXides Oampos da» Paz — Filho de 
Manoel Venâncio Campos da Paz e de dona Amália Carolina Fernandes de 
Campos, nasceu na cidade do Bmanal, província de S. P^iulo. 

Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, dedicou-se desde 
estudante ao exercicio de educador da mocidade, a principio leccionando 
■ciências natnraes no externato Aquino, e depois na direcçSo deste esta- 
belecimento com seu director primitivo, o doutor Jo2o Pedro de Aquino ; é 
adjunto da cadeira de chi mica orgânica e biologia da faculdade de medi- 
cina, sócio e um dos fundadores da sociedade beneficente paulista José 
Bonifácio, e escreveu : 

— Estudo sobre a nomenclatura chimica. Rio de Janeiro, 1877. 

— Dos bromuretos e suas applicações therapeuticas : these apresen- 
tada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro a 30 de setembro de 1878, 
Rio de Janeiro» 1879 — E* seguida de proposições sobre os pontos : Am- 
moAla. Thoracenthese. Pneumonia. 

A.x*tli.ux* Hieal — E' um autor, que só conheço pela obra abaixo 
mencionada, sabendo apenas que frequentara a faculdade de direito do 
Recife. Consta-me que existe um bacharel em direito, que exerce em 
nossa magistratura um logar de juiz municipal na previne ia do Rio 
Grande do Sul, com o nome de Arthur Leal Ferreira, e talvez seja o 
mesmo autor das 

— Impressões académicas : ensaios criticos. Recife, 1879, in-8.^ 

^rtlxuir de 01i'veix*a — Natural da provincia do Rio Grande 
do Sul, nasceu em 1851 e falleceu no Rio de Janeiro a 21 de agosto 
de 1882. 

Viajou alguns annos pela Europa, ahi fez sua educaçSo, demorando-se 
sobretudo na França, onde entreteve intimas relaçOes de amizade com 



Theophilo Gantiôr e sua irmSo Jndith Gantí er, Leeontd de Liale, o oo- 
lebre livreiro Alphonse Lemerre e oatras notabilidades ; ede volta á pátria, 
foi professor livre de diversas matérias e por altimo professor do collegio 
de Pedro II. Era t&o versado na lingua franceza, como na pátria, e possuia 
ãm vasto cabedal litterario. Sua morte foi annanciada por toda a imprensa 
diária da corte, que por entre phrases repassadas de doloroso sentimento* 
pSe em relevo os bellos dotes de seu espirito, a Era — diz o Cruzeiro — 
um dos talentos mais vigorosos da geraçSo nova quo teria occnpado um 
logar muito distincto entre os nossos homens de lettras, si a morte o nSo 
colhesse tSo cedo.» Escreveu: 

— A rua do Ouvidor : monographia fluminense. Rio de Janeiro, 1873 
<— Sahiu sob o pseudonymo de Bento Gonçalves. 

— - Flesoas. Rio de Janeiro, 1873, in-8.o 

'•^Fleooas: chronica quinzenal de politica, litteratura e costumes. 
N. 2. Rio de Janeiro, 1873, in-8o — Neste escripto e no precedente asa 
ainda o autor do pseudonymo de Bento Gonçalves. 

— These de concurso á cadeira de professor substituto de rhetorica, 
poética e litteratura nacional do collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 
1879. 

^rtliux* Rodirl^ues da Roolia» — Sei apenas que é na- 
tural da provincia do Rio Grande do Sul e alho de José Rodrigues da 
Rocha a quem dedica o segundo dos seguintes volumes que escreveu: 

— José: drama. Porto Alegre, 18** — Foi representado e muito ap- 
plaudido na provincia do autor. 

— O filho bastardo : drama em três actos, escripto expressamente para 
ser representado pela sociedade dramática particular Inso-brazileira e lido 
na 9^ palestra dos Ensaios litterarios a 31 de outubro de 1875. Porto 
Alegre, 1876, in-8<> — Neste mesmo volume andam annexas as duas 
peças: 

— Anjo e sacrifício : comedia em três actos. 

— Por causa de urna camélia^ ou um marido por meia hora! comedia 
em um acto. 

A.0oa.xiio F*ez*z*az da. Motta — Filho de JoSo Borgee 
Ferraz e de dona Anna Lopes Ferraz, nasceu na cidade da Cachoeira, 
provincia da Bahia, em 1822 e falleceu no Rio de Janeiro em julho 
de 1871. 

Doutor em medicina pela fiiculdade da Bahia, sentindo-se com yo« 
caçáo para o commercio, empregou alguns bens de fortuna que possuia, 
abrindo na capital de sua provincia uma casa de &zendas e modas, asso- 
ciado a outro ; mas foi tâo infeliz, que ao cabo de alguns annos de pouoot 
lucros, verificados pelos balanços, veiu a fallir, tendo sempre gozado da 
reputaçSo de honrado e tendo servido muitos annos durante sua vida 
oommeroial na directoria da caixa económica, de que era accionista. 



944 AX 

MadandoHie para o Rio de Janeiro, depois de sua fallencia, aqui fundou 
e dirigia um coUogio para educaçfto do sexo masculino, a que deu o titulo 1 

de coUegio normal, com o qual, iepois de muitos sacrifícios e dissabores, ~ 

principiava a melhor^vr sua sorte, q fiando falleceu, victima de uma con- 
gestão cerebral. Fora por mais de uma vez deputado á ass^mblóa pro- 
vincial da Bahia, era cavalleiro da ordem da Roza, e sócio fundador da 
extincta sociedade instructiva, do institut3 litterario e de outras,e escreveu : 

^^Comiderações hygienicas sobre o uso do tabaco: theso inaugural. 
Bahia, 1846 — - E' seguida de proposições sobre os diversos ramos do en- 
sino medico. 

-^ Curso de aWfAnteftca para nso das escolas primarias. Rio de Ja- 
neiro, 1868 — - E' um livrinho muito adaptado ás jovens intelligencias pela 
clareza e methodo simples com que o autor resolve as questões, principal- 
mente no que é concernente ás regras de proporção. 

— - Manual da conjugação dos verbos irregulares francezes, contendo 
a pronuncia e outros esclarecimentos necessários á boa intelligencia 
desta matéria. Rio de Janeiro, 1869. 

O doutor Ascanio escreveu, sendo ainda estudante, vários artigos em di- 
versas revistas como o Musaico o o Archivo medico brazileiro^ onde se 
acham as 

— Estatísticas dos doentes que o hospital da santa casa de misericórdia 
da Bahia tem tido a seu cargo de 1 de julho de 1834 ao ultimo de junho 
de 1845, e da mort ilidade no mesmo hospital de 1 de julho de 1844 ao ul- 
timo de junho de 1845 — Vem no vol . 3*, 1847. 

Foi também coUaborador e por fim redactor do 

— Cr^usculo : periódico instructivo e moral do instituto litterario da 
Bahia. Bahia, 1845a 1847, 3 vols. in-fol. —Este periódico se publicou, a 
principio em livrações quinzenaes de 16 pags . em duas columnas, de 2 de 
agosto de 1845 a !^ de julho de 1846 ; depois mensalmente de setembro 
deste anno a fevereiro de 1847, sendo este o periodo em que o redigiu o 
doutor Ascanio. De seus escriptos ahi publicados, mencionarei o que tem 
por titulo: 

— Caminhos — que vem nos ns. 8, 9, 10 e 11 . SSo estudos sobre a ne- 
cessidade, vantagens, construcçSo, etc. de estradas e vias de communi- 
caçflo por terra. 

O instituto histórico finalmente possne deste autor uma 

-— Breve noticia do estado actual da instrucção publica na provincia da 

Bahia, inédita — que foi apresentada na exposiçSo de historia do Brazil 

de Í881. 

A.tailil>ai Hiopes de Gk>mexiCK>PO — E' natural da pro* 
vincia de Pernambuco, e filho de José Secundino de Gomensoro e de dona 
Yictoria Lopes de Gomensoro. 

Doutor em medicina p^^la faculdade do Rio do Janeiro, exerceu, ainda 
estudante, o logar de externo da clinica cirúrgica da mesma faculdade. 



S45 

e dedicocHio depois especialmente á ophtalmologia, tendo feito mais de 
uma viagem á Europa para aprofundar-se nos respectivos estudos. E* 
official da oi*dem da Roza, cavalleiro da de Christo, cavalleiro da ordem 
hespanhola de Izabel a citholica, official da ordom da Torre e Espada de 
Portugal ; membro titular da imperial academia de meiicina, e escreveu: 

— Bo cancro venéreo : dissertação inaugural, sustentada na augusta 
presença de sua magestade o Imperador. Rio de Janeiro, 1865 — E* se- 
guida de proposições acerca : l.o Da orchite ; 2.o Do mercúrio e suas pre- 
parações, considerado pharmacologica e therapeuticamente ; 3. o Da as- 
phixia em gorai e da asphixia por submersão em particular. 

— De la pilocarpine dans Tirido-choroidite plastique : extrait de la 
memoíre lue a la societé de medicine de Paris. Rio de Janeiro, 1881. 

— Communismo : comedia em um acto, representada no Gymnasio do 
Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1864, 60 pags. in-8.o 

— - Os cavalleiros da Disgra : romance — Vem no Bazar volante^ jor« 
nal caricato, de que fora o doutor Ataliba collaborador. 



^udailio ^z*oliilba;lcl F*i*aiiça> — Natural da provinda do 
Rio Grande do Sul, cultiva a poesia, e escreveu : 

— - Gemidos d*alma : poesias. Rio de Janeiro, 1877 — Consta -me 
que o autor deu segunda ediçSo de seu livro com augmento de novas com- 
posições em 1878. 

^ugrusto ^l-vares Ouimarfies — E* natural da Bahia, 
bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, advo- 
gado na capital de sua província, e negociante matriculado, e escreveu : 

— Propaganda abolicionista : cartas de Vindex ao doutor Luiz Alvares 
dos Santos. Bahia» 1875, 86 pags. in-4.<> 

E' actualmente o principal redactor do 

— Dtaao da Bahia. Bahia... —Esta publicação tem 28 annos de 
existência e continua com toda regularidade. Antes redigiu : 

^ O Abolicionista : publicação quinzenal da sociedade libertadora sete 
de setembro. Redactores F. do Araújo e A. Guimarães. Bahia, 1872, 
in-fòl. 

^ugrusto de Andrade Valdetaro — Natural do Rio 
de Janeiro, falleceu em 1869 ou 1870. Fez o curso da academia de mar 
rinha ; serviu, sendo ainda aspirante, na esquadra em operações contra o 
Paraguay em 1867, e era já official quando morreu. Escreveu : 

— A injustiça : drama em três actos. Rio de Janeiro, 1866 — Foi es- 
cripto quando o autor cursava a academia, e oíTerecido a JoSo Evange- 
lista de Assis e a seus collegas do segundo anno do curso académico. 

A.iigrusto Oaiiidido Fortes de Bustamante e 

— Nasceu na cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, si me não en- 



946 

gano, em 1834, e falldcen na mesma cidade, affeetado de ama febre perni- 
ciosa, a 31 de janeiro de 1872. 

Doutorado em medicina pela facnldade do Rio de Janeiro, seryin du- 
rante a campanha contra o Paraguay, como primeiro cirnrgiSo do hos- 
pital militar da corte, pelo que lhe foram conferidas as honras de ci- 
rurgião-mór de brigada, e como vogal da junta militar de saúde. Era 
official da ordem da Roza, cavalleiro da de Christo, sócio da socie- 
dade amante da instrucção e da auxiliadora da industria nacional, e es- 
creveu : 

'^ Infecção purulenta. Elephamtiases dos escrotos. Da respiraçSo dos 
TOgetaes, e de sua influencia na atmosphera. Qual o melhor tratamento 
da febre amarella : these inaugural. Rio de Janeiro, 1858 — Os três úl- 
timos pontos são tratados em proposiçSes. 

— Summario dos factos mais importantes de clinica cirúrgica, obser^ 
Tados no hospital militar da guarniçSo da corte durante os annos de 1865 
a 1870, mandado publicar pelo governo imperial. Rio de Janeiro, 1872 
— E' om volume de 236 paginas in-4* grande, com diversas figuras, pre- 
cedido de um parecer ,[e8cripto pelo cicurgiSo-mór do exercito. 

— Formulário pharmaceutico para uso dos hospitaes e enfermarias 
militares do Brazil. Rio de Janeiro, 1867. (Vide José Ribeiro de 
Souza Fontes, Luiz Bandeira de Gouvâa e António [Corrêa de Socuca 
Gosta.) 

A.ugrufiito CSaxidldo ISIavlex* Oon^r ^ E* professor da 
instrucçSo primaria da primeira cadeira da freguezia de Sant*Anna, ca- 
valleiro da ordem da Roza, e escreveu : 

— Arithmetica adaptada ás escolas primarias do primeiro grau. Rio 
de Janeiro, 1880. 

-» Memoria sobre asylos infantis, ou estudos destas instituições. Rio 
de Janeiro, 1882, 40 pags. in-8.o 

— - Nova grammatica portugueza de Bento José de Oliveira, modificada 
e reduzida a compendio elementar : obra adoptada nas escolas publicas 
pelo governo imperial. Rio de Janeiro (sem data). 

— Instrucção nacional : revista de pedagogia, sciencias e lettras, col- 
laborada por professores e litteratos e dirigida por António Estevão da 
Gosta e Cunha e Augusto Cândido Xavier Cony. Rio de Janeiro, 1874, 
in-4.« 

A.u^iisto OaifloB Oxrei rraivaixres — B' natural do Rio 
de Janeiro e sobrinho do almirante Diogo Ignacio Tavares. Muito joven 
ainda, exerce um logar na secretaria da escola poly technica, cultiva a lit- 
ter atura amena, e escreveu : 

— Antes do baile : comedia em um acto, de costumes brazileiros. Não 
sei si foi impressa ; foi porém levada á scena no theatro Principe impe- 
rial em 1881 . 



AXr 947 

A.ti^n8to 'Oairlos da. Silva rTelles — E' natural da 
província de S. Paulo, filho do doutor Joáo Carlos da Silva Telles, e eng»« 
nheiro pela escola polytechnica. Regeu na qualidade de professor int^ 
rino das ta escola a segunda cadeira do segundo anno do curso de artes e 
manufacturas, e escreveu : 

— Relatório dos exercícios práticos de physica e chimica industrial, 
apresentado, etc. Rio de Janoiro, 1880, in-4.o 

A.ii{srusto Oarneiro Monteiro da Sil'va Santos 

— Natural do Recife, capital da provincia de Pernambuco, e filho de 
JoSo da Silva Santos e de dona Maria Felioia da Silva Santos, nasceu em 
1832 e falleceu entre os annos de 1879 e 1881 . 

Doutor em medicina pela faculiade da Bahia, foi professor de mathe- 
maticas e também de rhetorica em sua provincia e escreveu : - 

— De tuberculisatione nonullse propositiones : theses ad quam, Deo 
adjuvante, pahm propugnandam nititur in bahiense medecin» íácultate, 
etc. Bahia, 1854. 

— Arithtnetica elementar — Sabiu na Revista da instrucção publica 
de Pernambuco, anno 1», paga. 79, 120, 155, 190, 284, 330 e 334, eanno 
2<^, pags. 15, 18 e 125, continuando ainda. Não sei si foi publicada em 
volume. 

Gonsta-me que ha de sua penna um 

— Compendio de rhetorica — que nunca si foi impresso. Era o oom- 
pendioy pgr que leccionava a seus discipulos. 

AxL^xMMto de OaiTT^allio — - Natural de Campos, provincia do 
Rio de Janeiro, d*aqui passou para Portugal e fez o curso de direito na 
universidade de Coimbra, voltando á pátria depois de sua formatura. Cul- 
tor desvelado daslettras desde muito joven, dedicou-se ao jornalismo muito 
cedo, e actualmente tem um coUegio de educação em sua provincia. 

Escreveu : 

— Questões intemaoionaes , Porto, 1873, in-8.o 

— Estudo sobre a colonisaçfio e emigraçSo para o Brazil. Porto, 1874, 
in-8.« 

— O Braxil, ColonisaçSo e emigraçSo : esboço histórico, baseado no 
estudo doa systemas e vantagens que offerecem os Estados-Unidos, con- 
tendo um specimen das cartas de doações e foraes de capitanias, o regi- 
mento dado ao primeiro governador geral do Brazil, alvarás, cartas 
régias e outras leis dos tempos coloniaes, e todas as disposições da legis- 
lação brazileira, que mais particularmente interessam aos estrangeiros 
que pretendam estabelecer-se no império. Porto, 1875, 509 pags. in-S® 

— Esgotada logo a edição, publicou : 

— O Brazil, etc. : segunda ediçfio revista e acrescentada, contendo 
uma noticia desenvolvida do descobrimento e colonisaçfio da America do 
norte, consolidaçfio da grande republica, progressos interiores do paiz« 



^8 

cômputo da emigraçSo, etc. ; e parallelamente o histórica do descobri- 
mento, povoação, autonomia e prosperidade do Brazil, etc, com um 
mappa das colónias estabelecidas no império desde 1812 até 1875. Porto, 

1876, 526 pags. in-8<>, com o retrato do autor. 

— Projecto de contrato, apresentado ao director geral da estrada de 
ferro, D. Pedro II, pelo doutor Lourenço Ferreira da Silva Leal, Antó- 
nio José Rodrigues de Araújo e Augusto de Carvalho . Rio de Janeiro, 

1877, in-8o — Refere-se á empresa protectora dos trabalhadores e jorna- 
listas da mesma estrada. 

Augusto de Carvalho redigiu em sua ultima phase de publicaçSo o 

— Diário do Rio de Janeiro — folha creada em 1821 por Zeferino Vi- 
ctor de Meirelles, terminando em 1878 depois de ter passado pela redacção 
de diversos. Redigiu depois o 

— Jornal do Povo : folha democrática. Rio de Janeiro, 1879, in-fo1. 
— Desta folha fora elle proprietário e redactor principal, tendo muito 
antes redigido a 

— - Esperança : publicaçSo semanal. Rio de Janeiro, 1861, in-4.<> 

A-u^usto de OaiStiro — E* natural do Rio de Janeiro e for- 
mado em direito ; serviu o logar de secretario da estrada de ferro D. Pe- 
dro II ; deu-se sempre ás lettras e com toda dedicação ao jornalismo, e 
faz actualmente parte da redacção do Jornal do Commercio, 

Escrevo estas linhas no momento de dal-a^s ao prelo «— e chamo para 
ellas a attenção de tolos os que acharem omissões em meu livro, e prin- 
cipalmente dos jornalistas : Augusto de Castro foi um dos primeiros es- 
criptores brazileiros a quem me dirigi com toda delicadeza, pedindo apon- 
tamentos para este livro, e foi-lhe entregue minha circular por um amigo 
commum, no ultimo quartel de 1880, tendo a resposta verbal de que 
seria satisfeito o meu pedido. No principio do anno passado empenhei 
outro amigo, empregado do Jornal do CommerciOy para o conseguir. 
Demorando a resposta promettida, fiz a noticia relativa ao distincto litte- 
rato fluminense em junho do anno passado e foi-lhe eUa entregue pelo 
nosso honrado amigo A . Fomm, seu collega de escriptorio, afim de serem 
feitas as correcções e accrescimos necessários ; e depois disto mais de uma 
vez me disse o doutor Castro que só lhe faltava ver a data da publicação 
de uma obra, e ainda, ha um mez apenas, o sr. Fomm me communicou 
que elle promettia maudar-me os apontamentos. 

Não preciso dizer que esperei até este momento. Nem ao menos uma 
noticia, que com máximo empenho lhe pedi, obtive eu, isto é — desde 
quando, e até quando foram publicadas as 

— Cartas de um caipira — folhetins em estylo humorístico, ameno e 
sempre delicado, que sahiram no Jornal do Commercio durante alguxu 
annos do dominio da situação cons^^rvadora que expirou a 5 de janeiro de 

1878, Estas cartas sahiram noa primeiros annos com a maior regulari- 
dade em dia determinado da semana, contribuindo poderosamente para a 



JLJJ 349 

correcção de muitos abusos da sociedade fluminense, e até de erros 
da alta administração. Elias dariam alguns volumes si fossem collec- 
cionadas. 

Ha de sua penna varias comedias, todas habilmente temperadas de 
aprazível sal, e já representadas em theatros da corte com geral applauso. 
Neste momento posso dar noticia das seguintes : 

— Barbas de milho : parodia da opera cómica Barbe Bleu — Foi 
muitas vezes representada na Phenix dramática pela empreza do actor 
Heller. 

— O reinado das mulheres : parodia de La reine (7rino2tn«— -Idem. 
— - O senhor Mello Dias, amante das mesmas : parodia de Monsieur 

Chou/leurie — Idem . 

— O fechamento das portas: comedia— representada no mesmo theatro 
com muitos applausos por occasião da resolução de se fechar o commercio 
aos domingos e dias santificados. 

— O cataclisma de 1869 : comedia — creio que foi representada no 
mesmo theatro. 

— A ninhada de meu sogro : comedia — Idem. 

— Vaz Telles A C^ : comedia — Foi levada á scena no theatro Re- 
creio dramático. 

— De Herodes para Pilatos : comedia em três acto?, imitada do 
francez representada no theatro Recreio dramático em 1881. 

— O morro do Nheco : certidão em três actos com musica, passada 
por Augusto de Castro — representada pela primeira vez, em beneficio 
do actor Va^ques, no theatro Sant'Anna, a 10 <íe abril de 1883. 

A. de Castro foi um dos primeiros e constantes redactores da 

— Semana illustrada : jornal humorístico e hobdomadario illustrado. 
Rio de Janeiro, 1860-1876, 15 vols. in*4o gr. (Veja-S3 António José 
Yictorino de Barros.) 

A.ug^usto Oeza.1* Diogro — Nasceu na província da Bahia, 
em Paramerim, a 21 de abril de 1846, sendo seus pães Braz Diogo das 
Chagas e dona Carolina Amélia de Azevedo. 

Fez o curso de pharmacia na faculdade desta província e na da corte 
recebendo o titulo de phLirmaceutico ; entrando para o corpo de saúde do 
exercito a 10 de julho de 1873, já era tenente honorário por ter prestado 
serviços na campanha do Paraguiy* e acha-3e actualmente encarregado 
do laboratório chimtco-pahrmaceutico militar, ha pouco, estabelecido na 
corte. E* preparador de pharmacolc^ia da faculdade de medicina ; professor 
livre da mesma disciplina ; cavalleiro da ordem da Roza ; condecorado 
com a meJalha da campanha do Paraguay ; sócio benemérito do instituto 
pharmacentico do Rio de Janeiro ; membro titular da imperial academia 
de medicina, e escreveu: 

— Noções de pharmacia. Rio de Janeiro, 1881, 264 pags. in-8^ — 
Este livro é o compendio, por que oautor lecciona. 



350 

— Memoria sobre benzoato de ferro e o óleo de fígado de bacalhaa 
ferruginoso — Foi apresentada á imperial academia de medicina para 
S3r 83a autor admitiido como membro titular, e publicada nos respectivos 
annaes em 1874. 

E* redactor da 

— Tribuna pharmaceutica : publicação mensal do instituto pharmaceu» 
tico do Rio de Janeiro, destinada aos interesses da corporação pharma- 
ceutica. Rio de Janeiro, 1871 a 1883 — A principio foi collaborador de»- 
ta revista, onde ha muitos artigos de sua penna, assim como nos Annaes 
Brazilienses de medioina, (Veja-se António Joaquim Teixeira de 
Azevedo. ) 

A.ii€ru8to OezaiZ* de MirandA A.zevedo — Filho 
do doutor António Augusto Cezar de Azevedo e de dona Anna Eufro- 
sina de Miranda Azevedo, nasceu na cidade de Sorocaba, provinda de S. 
Paulo, a 10 de outubro de 1851 . 

E* doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, e acha-se 
actualmente, depois de clinicar algum tempo na corte, exercendo sua 
profisaiU) na província de seu nascimento. Um dos mais distinctos aca- 
démicos do curso, fundara e redigira, ainda estudante, a 

— Revista medica : publicação quinzenal de sciencias medicas, cirúr- 
gicas e naturaes. Rio de Janeiro, 1873 a 1874, 2 vols. — Sahiram mais 
quatro volumes sob a redacção de outros, e com o titulo de Revista me- 
dica do Rio de Janeiro. Nesta publicação, que se fazia em folhetos, se 
acham entre diversos artigos seus : 

— Memoria histórica dos factos mais notáveis occorridos em 1872, 
acompanhada de um relatório sobre a organização das mais importantes 
faculdades de medicina da Europa pelo doutor Vicente Cândido Figueira 
de Sabóia, lente de clinica cirúrgica da faculdade de medicina do Rio de 
Janeiro: (critica litteraria) — Sahiu nos números 5, 7, 9, 12, 13, 14 do 
1** vol. , e n'outro8 do 2.« 

— Bosquejo histórico critico dos meios therapeuticos da erisipella 
pelo doutor Costa Alvarenga, publicado em Lisboa, 1873: (critica littera- 
ria) — Idem, vol. 2.o 

— Noções elementares de chimica medica, apresentadas em harmo« 
nia com os melhores chimicos modernos, do doutor Moraes e Yalle, obra em 
douB volumes, etc. : (critica litteraria) — Idem. 

Escreveu depois 

-^Beribéri, Do darwinismo: é 'aceitável o aperfeiçoamento completo 
das espécies até o homem ? Operações reclamadas pela fistula lacrimal. 
Da educação physica, intellectual e moral no Rio de Janeiro e sua inr 
fluência sobre a saúde. Rio de Janeiro, 1874 — E* sua these inaugural. 
Só o primeiro ponto é desenvolvido em dissertação. 

'-•' Beribéri na provincia de S. Paulo: carta ao doutor Betoldi. Rio de 
Janeiro, 1877. 



3M 

— . Frederico Fomm : apontamentos biograpbicos, S. Panlo, 1879, 15 
pags. in-8.° 

— Doutor Luiz Barboza da Silva : blographia. S. Paulo, 1880,24 pags. 
in-8° — Esta biographia vem reproduzida no Almanak litterario de S. 
Paulo, do anno de 1880. 

A-usTusto X>ia;S Oa>i*ii.eix*o — Nascido em Caxias, provinoia 
do Maranhão, a 12 de outubro de 1821, sendo seus pães o comroendador 
João Paulo Dias Carneiro e dona Anna Joaquina das Mercês Carneiro, fal- 
leceu em Theresopolis, provinda do Rio de Janeiro, a 30 de novembro 
de 1874. 

Era doutor em sciencias physicas e mathematicas pela antiga escola 
militar da corte e lente cathedratico da escola central, depois polytechni- 
ca. N*uma necrologia que publicou o G^o&o, a .4 de dezembro de 1874, 
lé-se o seguinte : « No professorado do paiz deixa o doutor Carneiro um vá- 
cuo difficil de preencher ; porque não somente por sua vasta illustraçSo, 
como pelo carinho especial, que consagrava á nobre profissão que adoptou, 
o doutor Carneiro era mais que um ornamento de sua classe ; era o propul- 
sor enthusiasta do progresso de seu paiz, deleitando-se em aagmentar to- 
dos 08 dias o cabedal intellectual de sua pátria.» 

Escreveu: 

— Equações geraes da propagação do calor nos corpos sólidos, suppondo 
variável a conductibilidade com a direcção e posição : these apresentada 
á escola militar do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1855. 

— Elementos de mecânica — E* um livro que o autor estava compondo 
para compendio de sua cadeira, e que não chegou a concluir. Vi parte 
delle que me confiou seu filho Augusto Dias Carneiro, joven e modesto 
cultor das lettras, sobretudo da historia pátria. 

^ugrusto !E]milio Zaluai* -* Filho do major José Dias de 
Oliveira Zaluar, nasceu em Lisboa a 14 de fevereiro de 1825, naturalisou^i 
se brazileiro em 1856, e falleceu no Rio de Janeiro a 3 de abril de 1882. 

Destinado a estular medicina, fez os preparatórios necessários e ma- 
triculou-se no curso medico-cirurgico de Lisboa, mas deixou logo a 
academia e dedicou-se ao jornalismo litterario, coUaborando para diversas 
revistas que se publicavam nesta cidade, e depois no Rio de Janeiro, para 
onde viera em fins de 1849. Apenas naturalisado brazileiro, foi nomeado 
amanuense da secretaria da justiça, mas pouco tempo depois deixou este 
emprego, fez excursões pela província do Rio de Janeiro, e pela de 
S . Paulo ; de volta á corte, serviu alguns annos como examinador da 
instrucção publica, e finalmente, na creação da escola normal em 1881, 
foi nomeado lente de pedagogia. Era cavalleiro da ordem da Roza, sócio 
da sociedade auxiliadora da industria, etc. * *> 

Além dos escriptos que publioou em revistas lisbonensea, e em perio- 
4ieo9 do ifluperio como o t^ria d^ Rio de Jamiro e Gorrêio JíerçunHl, 



352 XXJ 

e de poesias que dea á lome na Lisia Poética e na Grinalda, es- 
creveu: 

— A Cru2 do valle : poema romântico. Lisboa, 1848. 

— Poesias. Lisboa, 1846— São se as primeiros versos. 
— - Dores e flores. Rio de Janeiro, 1851 . 

— Revelações. Pariz, 1862 — - Como o precedente ó um livro de poesias. 
Divide-se este em quatro partes : O lar, ^phemeras, Muza paternal e 
Harpa brazileira. 

— Os mohicanos de Pariz : romance de A. Dumas. Rio de Janeiro, 
1834-1856 — Sahiu no Correio Mercantil, sem ficar concluído, por- 
que a traducção se fazia á proporçSo que o autor ia publicando em Pariz a 
obra original, e esta foi suspensa ate 1860. Do mesmo modo foi este romance 
traduzido em Lisboa ; mas o traductor portuguez, suppoudo que não con- 
tinuaria a publicação original, fez com poucas linhas um remate por sua 
conta e risco, e quando sahiu a continuação em Pariz, sem mais expli- 
cação a sous leitores, continuou a traducção como si tal remate não hou- 
vesse feito. 

— Peregrinações pela província de S. Paulo, 1860-1861. Pariz, 1863 
— Entre os escriptos applaudindo esta publicação, se notam o do jornal 
Le Bresil, n . 36 de 3 de outubro deste anuo, e o do Espectador da 
America do Sul, por seu redactor, o conselheiro J. M. do Amaral. 

— Uruguayana. Rio de Janeiro. 1865 — E* um poema, em que se com- 
memora a rendição da divisão paraguaya que occupava Uruguayana, e a 
entrada ahi das forças brazileiras. 

— Emília Adelaide : traços biographicos . Rio de Janeiro 

— Contos da roça. Rio de Janeiro, 1868. 

— Manoel António de Almeida : apontamentos biographicos e crí- 
ticos — No Guarany, 1871, ns. 18 e 20, e antes disto no Diário do Rio 
de Janeiro, 1862. 

-^ Sábios illustres porFiguier (Christovao Ck)lombo.) Traducção. Rio de 
Janeiro .... 

— O cofre de tartaruga: conversação em um acto. Rio de Janeiro, 
1866. 

— O doutor Benignus : romance. Rio de Janeiro, 1875. 

— Segredos da noit^ : romance — Nunca o vi, nem 

— A cr cação, de EdgardQuínet. Traducção. 

— O bicho da seda e a amoreira. A sericultura no Brazil, traduzida do 
manuscripto francez do Conde de La-Hure. Rio de Janeiro, 1875. 

'^Expos^çflo nacion^ brazileira em 1875. Rio de Janeiro, 1875, 300 
pags.— Contém uma serie de artigos que o autor publicara no Globo. 

«- Primeiro livro de leitura e de moral para uso das escolas primarias, 
adoptado nas escolas publicas do governo na corte e em S. Panlo. Rio de 
Janeiro, 1871. 

— Lições das cousas inanimadas e animadas : guia dos professores e 
das mães que qaizerem instruir-se para communicar a seus filhos uma 



A.XJ 353 

grande Bomma de conhecimentos praticoB, principiando a explicar-lhes, 
logo que começam a balbuciar as primeiras palavras, o que é e para qne 
serve tudo o que os rodeia . Rio de Janeiro, 1876 — com vinhetas e 
desenhos. 

— Extractos clássicos de sete autores escolhidos pela inspectoria da 
instrucção publica para os exames da lingua portugueza. Rio de Janeiro, 
1876, in-8.0 

— Compendio de um curco completo de philosophia elementar, leccio- 
nado no lyceu Garlos Magno e na escola preparatória de Santa Barbara 
no collegio Chapital por A. Pelissier, professor de humanidades em 
Pariz ; vertido em portngaez da 5^ ediçSo franceza. Rio de Janeiro, 1877, 
452 pags. 

— Primeiro livro da infância» ou exercidos de leitura e liç5es de 
moral, vertido do livro do conselheiro Delapalme, adoptado pela inspectoria 
geral da instrucç&o primaria e secundaria com approvação do governo 
imperial, e pela inspectoria da instrucçSo publica do Rio de Janeiro para 
uso das ejcolas primarias. Rio de Janeiro, 1880 — Ha actualmente quinta 
ediçSo, 1883. 

'^Primeiro livro da adolescência, ou exercidos de leitura e 
liçSes de moral, vertido para servir de complemento ao primeiro livro da 
infância. Rio de Janeiro, 1880 — Foi adoptado com o precedente, e ha 
quarta edição, de 1883 . 

— Noções elementares de geogra phia, compiladas para uso das es- 
colas. Rio de Janeiro, 1880 — B' escripto de accôrdo com os pontos de 
geographia, que sSo hoje preparatório para a matricula do primeiro anno 
do collegio de Pedro 11 • 

— Nova serie de livros de leitura graduada, apropriados ás escolas 
elementares do Brazil . Primeiro livro ornado de gravuras . Rio de Janeiro, 
188J — Comprehende o methodo de leitura e pronuncia da lingua por- 
tugueza. 

— Nova serie de livros de leitura graduada, etc. Segundo livro. Rio 
de Janeiro, 1881 — E' dividido em seis partes : 1% Fabulas, anecdotas e 
narrações ; 2*, DescripçÕ?s e noçSes. úteis ; 3*, Historia e biographias ; 4\ 
Agricultura ; 5*, Conselhos de um professor a seus discípulos ; 6*, 
Poesia. 

Zaluar coUaborou na obra « Heroes brazileiros na campanha do sul, 
etc.» (veja-se Eduardo de Sá Pereira de Castro; e redigiu : 

— O Parahyba : jornal consagrado aos interesses commerciaes, indus- 
triaese agrícolas. Petrópolis, 1857-1860. 

— A Civilisação : folha consagrada aos interessas geraes do paiz. 
Santos, 1861. 

— O Municipio : jornal scientifíco, noticiário e commercial. Vassonrasi 
1873. 

•~ O Vulgarisador : jornal dos conhecimentos úteis (hebdomadario)^ 
Rio de Janeiro, 1877-1878. 

23 



354 ▲XJ 

AjM^VLmta Faufito de Souza» — Filho do negoeÍAnta 
Praneiflco de Souza Fausto e de dofta Francisca de Souza Fausto, nasceu 
na cidade do Rio de Janeiro a 12 de janeiro de 1835, e assentando praça 
no primeiro batalhSo de artilharia em 1853, fez o curso da antiga 
escola militar, onde recebeu o grau de bacharel em maihem atiças e 
Bciencias physicas, subindo a diversos postos até o de migordo corpo de 
estado-maior de artilharia, por merecimento, em 1874. 

Fazendo parte do primeiro corpo do exercito em operaçOes em 1865 e 
indo em commissfto ao Rio Grande do Sul, assistiu á rendição da cidade de 
Uruguayana e foi ferido por um accidente, sofirendo por isso uma 
operaçfio no olho esquerdo ; regressando ao exercito* veiu ao Rb de 
Janeiro em dezembro de 1866 a chamada de seu pai, que se achava graT^ 
mente enfermo, em Lez'>mbro do mesmo anno, e aqui foi nomeado ajudante 
da directoria do laboratório do Cam pinho, e depois director do mesmo 
laboratório, em cujo exercício se conserva ; e antes da campanha do Pa- 
ragoay exereeu o cargo de instrnctor de topographia na escola de ap- 
plicaçio da Praia Vermelha, de lente da escola militai^ do Rio Grande do 
Sul, e de repetidor da escola militar da corte. 

E* sócio do instituto histórico e geographico brazileiro, cavalleiro da 
ordem de S. Bento de Aviz e da de Ghristo, condacorado com a medalha 
da rendiçfto de Uruguayana e a da campanha do Paragiiay« e escreveu 
uma serie de 

— Artigos humorísticos e tnoraes — Na Revista popular e no Jor~ 
naldas famílias^ 1859 a 1865. Estas artigos foram depois publica los 
em volume sob o pseudonymo Fausto em 1873. 

— Organização do exercito — serie de artigos publicados no Jornal do 
Commercio em fevereiro de 1865 sob o pseudonymo Je Tebirissá. 

— Manual de munições e artifioios de guerra, escripto para aso doe 
inferiores e soldados do exercito brazileiro. Rio de Janeiro, 1874 — Trata 
dos agentes explosivos, das muniçÕ3s para as armas portáteis e para as 
bocas de fogo, dos foguetes de guerra e de artificies bellicos, com muitas 
estampas intercaladas. 

— Explorações das nitroiras naturaes de Minas Geraes — Acham-se 
publicadas em appendice ao relatório do ministério da guerra de 
1873, 

— - Estudos sobre as espoletai* de artilharia. Rio de Janeiro, 1882, 27 
pags. in-4<> — Tem algumas figuras intercaladas no texto e sahira antes 
este escripto na Revista do exercito brazileiro. 

— Biographia do general José Fernandes dos Santos Pereira. Porto 
Alegre 1875, 40 pags. in-4.<* 

— Bioffraphiaào general Francisco das Chagas Santos. Rio de Janeiro, 
1883, in-4.o 

— Estudos sobre a divisão territorial do BraziU Rio de Janeiro, 1879 
^ Esta obra foi pelo autor offerecida ao instituto histórico, serrindo-lhe 
de titulo á sua admissfto no mesmo instituto, • fti publicada na Revista 



AJW 356 

trimensal, tomo 43, 1880, parte 2% pagi. 27 a 114. Contém trea cartas 
coloridas, que representam a divisSo primitiva do Brazil, a diyiflXo actual 
e a divisão em quarenta províncias, segundo o autor entende que se deva 
fazer. 

— A bahia do Rio de Janeiro^ sua historia e deiicripçSo de saaa rique- 
zas. Rio de JaneirOf 1882 — Sahira antes esta obra na mesma revista, tomo 
44, 1881 , parte 2», pags. 5 a 155, e 269 a ^0, continuando a publicaçSo 
no tomo seguinte. Contém quatro estampas, representando : a 1* a bahia 
do Rio d3 Janeiro ; a 2* a confrontação entre o mappa do Brazil e a carta 
da bahia do Rio de Janeiro ; a 3^ o gigante que dorme, visto de fdra da 
barra ;e a4* a entrada da barra. 

O major Fausto de Souza tem inéditos: 

— Estudo completo sobre os foguetes de guerra. 1872 — O autographo 
acha- se no archivo militar ; conserva-se em segredo. 

— Fortificações no Brazil ; época da respectiva fundaçSo ; motivo de- 
terminativo delia ; sua importância defensiva e valor actual. 1881 — O 
original de 86 fls. in-fol. foi visto na exposição de 1881. 

A.iigruBto Ferreirar da* JMEotta»— B' natural, segundo ma 
consta, da cidade da Cachoeira, provincia da Bahia, onde se deu ao jorna- 
lismo, e redigiu : 

— O Progresso. Bahia, cidade da Cachoeira, 1870 a 1873. 

— O Guarany : folha noticiosa, litteraria e commercial. Bahia, cidade 
da Cachoeira, 1877 a 1878, in-4" >~ Esta folha continua, depois de uma 
interrupção. 

^ugruBto Ferreira» dos íSantosi— B' natural do Rio de 
Janeiro, bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, doutor em medicina 
e lente substituto da secção de sciencias acccssorias da fiiculdade da corte, 
medico do monte-pio geral, director do serviço sanitário do hospital da 
misericórdia, onde servira antes como medico adjunto e como director do 
gabinete estatistico medico-cirurgicQ de todo o hospital e enfermarias pu- 
blicas, instituido pelo Marquez de Abrantes em 1860 ; é official da ordem 
da Roza e escreveu : 

— Diagnostico e tratamento das moléstias do encephalo e suas mem- 
branas : dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 1872, 170 pags. in-4* — 
B' seguida dp proposições sobre : Electricidade como i&eio therapeutico. 
Pneumonia. Amputação coxo-femural. 

— Legislarão e jurisprudência relativa as affecções mentaes. Dá 
a influencia de certos estados, physiologicos e pathologicos sobre a li- 
berdade moral : these apresentada no concurso a um logar de oppositor 
da secção de sciencias accessorias. Rio de Janeiro, 1875. 

^ Formulário do hospital da misericórdia do Rio de Janeiro, organizado, 
etc. de accòrdo com os médicos effectivos do mesmo hospital* Rio de Ja- 
neiro, 1879, 203 pags. in-4o — Contém mil fórmulas. 



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j%^u.grusto Fomm «Tunioi* — Filho de Aagusto Fomm e de 
doua Angela Martins Fomm, nascea no Rio de Janeiro a 28 de dezem- 
bro de 1856. 

Bacharel em mathematicas e sciencias physicas o nataraes pela es- 
cola central, hoje polytechnica, apenas formado serviu como auxiliar 
na estrada de f 'rro Leopoldina ; passou depois a um logar de